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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Passatempo "Livre, uma História de Autodescoberta, Sobrevivência e Coragem"


Vamos iniciar hoje um passatempo muito especial! Esta obra vai-se revelar muito inspiradora para quem a ler.

Com a colaboração da Editorial Presença temos para oferecer um exemplar deste livro a um seguidor do blogue.

Para concorrer só têm que responder às questões seguintes e obedecer às regras.

O passatempo decorrerá até ao dia 31 de Julho!

Para mais informações sobre o livro ver Editorial Presença aqui!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Escritores na Cozinha... com Margarida Fonseca Santos

Doce de ginja da Tia Nininha
Nem toda a gente pode dizer que herdou, de uma tia que está prestes a fazer 100 anos e que tem uma cabeça melhor que a nossa, uma receita especial. É o meu caso. Pois aqui vai!

Ingredientes:

  • Ginjas (as que se quiserem, ou conseguirem arranjar, vários quilos)
  • 2/3 do peso das ginjas (ainda com caroço) em açúcar (pode ser ¾, para os mais gulosos)

Preparação:
Com a ajuda de um descaroçador, pois sem isso é uma trabalheira desmedida, retiram-se os caroços às ginjas. Põem-se numa taça e envolvem-se no açúcar. Começa logo a aparecer líquido, mas deve deixar-se a repousar de um dia para o outro no frigorífico.
No dia seguinte, preparem-se para estar muitas horas com a panela ao lume… A ideia é ir testando num prato a textura do doce, que deve passar de rosado líquido a um tom mais escuro e caramelizado, mas peganhento. São mesmo muitas horas, em que se vai mexendo de vez em quando e esperando. Não rende muito, ou seja, 3 quilos de ginjas equivalem a dois frascos gordinhos de doce, mas vale a pena.



Escrita em dia 
Este é um livro para quem quer escrever mais, seja para publicar num blogue, para si apenas ou para publicar, ou para quem quer sair dos seus trilhos de escrita. A ideia consiste em levá-lo durante 40 semanas a melhorar e redescobrir a sua voz ao escrever. Cada semana tem dois exercícios, um mais para nos retirar da zona de conforto, outro mais para trabalhar o nosso modo de contar.
O resultado é surpreendente! Aos poucos, começamos a ter mais ferramentas e caminhos para avançar, mais capacidade de corrigir os textos com um propósito, mais consciência de como se conta uma história, passando pela construção de personagens e enredos. Experimentem, acho que vão gostar!

Margarida Fonseca Santos 
www.margaridafs.net

terça-feira, 16 de julho de 2013

A Convidada Escolhe... "Debaixo de Algum Céu"

Também já li. A minha opinião aqui (Cris)

As opiniões positivas na Roda sucederam-se e não resisti a antecipar a leitura deste livro. O facto de ter ganho o Prémio Leya e de eu ter gostado muito do vencedor da edição do ano passado também influenciou.

Comecei por estranhar o papel tão decididamente afirmativo do narrador, mas a beleza das palavras e o seu encadeamento encantou-me, fez-me distanciar desse narrador e levou-me através das histórias dos habitantes daquele prédio em que vivi durante a leitura e para além dela.

As minhas memórias de um prédio junto à praia, regressado das férias da minha infância e adolescência, reviveram em mim, bem como aquela praia que adoro e as gentes que habitam o meu passado. Não recordo, contudo, problemáticas tão duras como as que se vivenciam em “Debaixo de Algum Céu”. Fruto da inocência da idade, fruto dos tempos, fruto da realidade, os habitantes do prédio das minhas férias eram pessoas mais “leves”. Cada um traz à leitura a sua vivência, o seu passado, a sua própria história.

“Debaixo de Algum Céu” apresenta-nos um conjunto de personagens, pessoas, com vidas complexas, deprimidas e deprimentes. Esse é, para mim, o óbice desta narrativa, a não existência em todo o livro, diga-se prédio, de uma personagem “de bem com a vida”. Os tempos são assim, dizem-me, mas fica-me a relutância.

Na semana em que decorre a história, entre o Natal e o Ano Novo, assistimos à total ausência da época vivida e do seu espírito. Excepção feita… salva-se o Menino, pelas mãos do Padre.

O fio condutor que encontro neste livro, que vejo como uma sequência de vários contos, será talvez esse mesmo traço depressivo e, de todas as personagens, encantou-me Marco Moço e a sua melancolia, que percepciono como o velho lobo de mar com quem um dia gostaria de me sentar em frente ao mar para longas conversas. Também a complexidade, os dilemas e humanidade do Padre Daniel o transformaram numa personagem que gostei de ver crescer na história. Para mim, os dois menos deprimidos por, afinal, saberem de onde vêm e para onde vão, de forma convicta.

Senti, no início, a necessidade de fazer o esboço do prédio e seus habitantes, “arrumados” nos seus espaços para os conseguir relacionar e localizar, mas à medida que “subi e desci aquelas escadas”, as histórias fluíram.

Pese embora o mote da narrativa, gostei da escrita de Nuno Camarneiro, palavras belas em frases que encantam.

“As palavras são difíceis mas são o que temos. O sofrimento é único para cada homem e para cada mulher, são infinitas as dores e poucas as palavras que lhes dão nome: desgosto, arrependimento, comiseração, tristeza, pesar, mágoa, pena, lástima, aflição, angústia, nojo, desolação, comoção, choque, amargor. Faltam termos e sobram horas más. Não falta descrever o que se pensa, porque não importa, o sofrimento corre abaixo da cabeça, no corpo que apanha, às voltas num mesmo lugar que é o centro de tudo, como se chama o centro exacto de nós?” (pág. 73)

“Há uma beleza própria do que não tem propósito e uma alegria que vem com ela. O toque simples de uma mão na face, um telefonema sem assunto, um passeio sem destino, um poema secreto, um assobio, uma pedra redonda guardada no bolso. Coisas que não servem senão para sorrir e sentir que a vida é ainda cheia de mistérios.” (pág. 78)

Fernanda Palmeira

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Resultado dos Passatempos do 3º Aniversário do blogue


Eis finalmente chegado o desejado sorteio relativo ao Passatempo comemorativo do 3º Aniversário deste blogue.


Agradeço a gentil oferta das editoras cuja colaboração permitiu distribuir todos estes livros. 

Dos 295 concorrentes, foram seleccionados, recorrendo ao random.org, os seguintes vencedores:

Passatempo 1 - Editorial Presença 
As Recordações, de David Foenkinos - Maria João Diogo de Massamá

Passatempo 2 - Europa-América
O Irmão de Sangue, de Eric Giacometti e Jacques Ravenne - João Martins de Setúbal

Passatempo 3 - Alfarroba
Um Tesouro Maior, de João Paulo Santos - Fernando de Sousa Pereira de Ribeirão
Eu + Tu = 1, de Paula Santos - Catarina Sousa Abreu do Funchal

Passatempo 4 - Esfera dos Livros
D.Teresa de Távora - A Amante do Rei, de Sara Rodi - Leonor Cerveira de Anadia 

Passatempo 5 - Topseller
Dois Anos e uma Eternidade, de Karen Kingsbury - Sara Margarida Gonçalves do Luso

Passatempo 6 - Bizâncio
Jardins de Canela, de Shyam Selvadurai - António Alves de Coimbra

Passatempo 7 - Quinta Essência
Anna e o Beijo Francês, de Stephane Perkins (2 exemplares) - Alexandra Martins de Azeitão e Sara Ferreira de Arcozelo (Caldas de S. Jorge)

Passatempo 8 - Edições Vieira da Silva
O Caso do Justinho, de Luís Bárbara - Ana Diamantina Barbosa de Paços de Ferreira
A Chave, de Cláudia Valle Santos - Cátia Santos de Póvoa da Galega (Milharado)

Passatempo 9 - Matéria-Prima
O Amor Fez-te Regressar do Céu, de Arielle Ford - Marina Santos do Montijo

Passatempo 10 - Chiado Editora
O Filho de Ninguém, de Olivia Darko - Rita Domingos de Agualva (Cacém)

Passatempo 11 - Planeta
A Rapariga dos Seus Sonhos, de Donna Leon - Paulo Teles de Alverca
Traída pelo Destino, de Emma Wildes - Maria José Quintas de Esmoriz

Passatempo 12 - Alphabetum
As Borboletas são Efémeras, de Maria Santieiro - Cassilda Almeida de Castro Daire



Os meus agradecimentos a todos os concorrentes e muitos parabéns aos vencedores.

" O Tempo Entre Nós" de Tamara Ireland Stone

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 320
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892323190

Gostava de vos poder dizer que as capas não influenciam a escolha das leituras que faço. E digo! Mas... é bem verdade que acho algumas tão bonitas que pego no livro e leio a sinopse... Se gostar dela é um passo para adquirir o livro.

Esta capa surtiu esse efeito em mim. Bonita, com o seu quê de mistério! E se algumas nada têm a ver com o conteúdo, outras têm tudo a ver. Esta está perfeita!

Mas falando do que senti ao ler este livro... Ou devo dizer "ao devorar este livro"? Gostei muita da escrita da autora. Fluida, simples, muito cativante. Embrenhamo-nos facilmente nas suas páginas. Esquecemos tudo à nossa volta e entramos num mundo onde a imaginação tem um papel preponderante. Surpreendente até! Mas o que eu achei fantástico foi a facilidade com que aceitamos como verosímil as viagens no tempo. Passado e futuro encontram-se. E não é que achamos perfeitamente normal? Isto só se deve à mestria com que a escritora soube traduzir e colocar no papel um facto que, hoje, nos é completamente estranho: andar para a frente e para trás no tempo!

As personagens são perfeitamente identificáveis, com características próprias e específicas. Anna é uma jovem de 16 anos, madura para a sua idade, com sonhos definidos e de ideias marcadas. Sabe o que quer e isso agradou-me. Os jovens são muitas vezes vistos como possuidores de ideias voluteis e caracterizados como pessoas que não sabem que caminhos tomar... Bennett, 17 anos, é determinado e destemido. E consegue fazer algo que não é suposto conseguir mas que muitos de nós desejaria poder fazer: viaja pelo tempo.

É um livro que pode ser lido por uma faixa etária mais nova e que adorei ler. Prende, capta de imediato o interesse. Uma história onde a realidade se funde com a imaginação mas, quando presas na leitura, achamos credível. Foi essa a característica que mais achei empolgante! Mas há que ter atenção porque a imaginação da autora é deveras surpreendente e temos de estar atentos às "viagens" para as conseguirmos compreender completamente.

Recomendo!

Terminado em 10 de Julho de 2013

Estrelas: 5*


Sinopse

Anna é uma jovem de 16 anos em 1995, ferozmente determinada a assegurar uma bolsa de estudo de desporto, para poder sair da sua cidade pacata e enfadonha e finalmente viajar pelo mundo. Bennett tem 17 anos em 2012, vive em São Francisco e tenta controlar a sua capacidade de viajar pelo tempo - um dom incrível mas também uma maldição imprevisível, que constantemente ameaça separá-lo das pessoas que ama.
Quando um pequeno erro de cálculo coloca em perigo a sua irmã Brooke, Bennett dá por si a três mil e duzentos quilómetros e dezassete anos de distância - no mundo de Anna. Enquanto procura por Brooke, Bennett é atraído de modo estranho e inevitável para Anna, mas, por mais desesperado que Bennett esteja para ficar com Anna, a sua incontrolável situação irá inevitavelmente mandá-lo de volta ao lugar a que pertence - e Anna ficará sozinha, presa no tempo que os separa.

domingo, 14 de julho de 2013

Ao Domingo com... Cristina Drios


(ode ao quotidiano)     


o fracasso é uma tábua rasa
a chávena onde bebo a meia de leite pingada
um dia e outro e outro e outro
um aperto de mão ao colega doutor e por extenso
às nove da manhã
vestidas do avesso como a roupa
quando reparo na racha da chávena – meia de leite pingada por favor –
e o empregado aponta
na camisola trago uma nódoa tão antiga como o desespero
um dia e outro e outro e outro
antes disto
andei à procura na gaveta das peúgas desirmanadas
nos papéis da caixa “ideias para depois”
debaixo da sola dos sapatos a precisar de capas  
na serradura (alguém ainda usa serradura?) da caixa da gata onde há resquícios
mas são tão ínfimos como o orvalho de verão às nove da manhã
(então lembro-me: a gata morreu em janeiro e ainda não me desfiz da serradura)
e é tudo tão desgostoso como o olhar de peixe do doutor e por extenso
que uma vez mais faço tábua rasa
pois o mal de viver cheira a ranço e sabe a fénico
nos dias em que visto a vida do avesso
saio a correr de mim mesma
sempre a tentar chegar a horas a mim mesma
e ferem-me gáspeas de luz fria como o olhar do colega
que nunca se lembrou de pensar que é feito do mesmo fracasso
e dele faz tábua rasa sorrindo
a cheirar a água de colónia e a mastigar bem as palavras – senhora doutora juíza –
um dia e outro e outro e outro
a que só sei escapar
escrevendo romances em que me despenho muito melhor
de lantejoulas e saltos altos
enquanto trato dos papéis do divórcio com o quotidiano – colega faça favor –
um dia e outro e outro e outro

Cristina Drios                                                                               

sábado, 13 de julho de 2013

Na minha caixa de correio

  
  
 


Foram estes os príncipes desta semana! Comprei Cavalos Roubados e Olive Kitteridge.
Um obrigado às editoras Planeta, Quinta Essência e D. Quixote que alegraram estes meus dias!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Novidade Matéria-Prima

Os teus desejos são ordens
de Maria Luísa Castro
Verónica abandona o seu país, à procura de segurança, depois de sucessivas ameaças de morte. A jornalista foge para o outro lado do mundo, contrariando aquilo que o coração e o corpo pediam. 
Deixa para trás um trabalho promissor, amizades inabaláveis e uma paixão arrebatadora.
No seu novo destino, Verónica acaba se deixar levar pela vertigem do desejo e da sedução, vivendo tudo o que nem a sua imaginação ousava arriscar. Entre tórridas noites e festas exuberantes, a jornalista transforma-se: muda de nome, de visual, de pele. Mas quando tudo parecia distante e um novo caminho se começava a 
desenhar, o melhor e o pior do seu passado decidem voltar à sua vida. 
Confrontada com a maior das tentações e também com o maior dos perigos, Verónica vive momentos de sobressalto, repletos de desejo e luxúria, em que os corpos falam mais alto do que razão. 
Sem nunca pensar que a maior surpresa ainda estava por acontecer.

Novidade Oficina do Livro - Reedição

Filhos da Costa do Sol 
de Manuel Arouca
Retrato impiedoso de uma geração inquieta mas cheia de romantismo e ideais, a obra desvendava sem complexos os grandes temas da época: famílias dissolutas, sexo, droga e novos valores.  Uma história de amor e morte passada nos dias agitados do pós 25 de Abril mas que também revelou a vida despreocupada da Costa do Estoril, e ainda o confronto com uma sociedade fechada e os seus preconceitos.

Novidade Casa das Letras

Não Faz Diferença Nenhuma!
de Bibá Pitta com Inês de Barros Baptista
Uma partilha de 12 histórias de vida com as quais Bibá Pitta se foi cruzando, e que lhe tocaram profundamente pela sua intensidade, força, coragem e positivismo.
Não é o facto de não termos uma perna, ou de termos nascido com um cromossoma a mais, ou de sermos demasiado gordos que nos torna diferentes. Até porque diferentes somos todos, com ou sem deficiências visíveis a olho nu.
O que verdadeiramente nos torna diferentes, a ponto de podermos fazer a diferença, é a forma como olhamos para nós, para os outros e para o mundo. Nascer com «bons olhos», aceitando que tudo na vida é como é e que cada ser é único e especial, é um dom.
E saber levar a vida para a frente, mesmo quando parece que esta foi muito injusta, é a arte que as pessoas que testemunharam para este livro possuem.Acredite que há pelo menos duas maneiras de encarar as dificuldades. Tornar-se num coitadinho, ou aproveitarmos as dificuldades para crescer.
Ao ler a história dos Doze Magníficos - André Mariz de Almeida, Eunice Pinto, Sara Duarte, Miguel Frazão, Susana Fonseca, Jorge Pina, Tânia Domingos, Marco Martins, Natacha Correia Almeida, José Pavoeiro, Mafalda Ribeiro, Miguel Catalão, irá aceitar as Diferenças!

Convite Presença


quinta-feira, 11 de julho de 2013

"A Última Fugitiva" de Tracy Chevalier

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 288
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722350860

Gosto de uma leitura que me obrigue a sair do meu comodismo e pesquisar sobre determinado tema! Gosto de fechar as páginas de um livro e sentir que aprendi com os personagens e que estive lá nesse mundo com eles. Durante alguns dias vivi em Ohio, na década de 1850. Achei pouco! Queria ter lá estado mais tempo, queria que o livro fosse maior, que as personagens vivessem mais peripécias para poder vivê-las também.

Numa comunidade rural de Quakers na América e para a qual emigrou com sua irmã, Honor Bright é confrontada com uma realidade bem diferente daquela que vivia em Inglaterra. Os seus valores, as suas convicções são postas em causa mesmo quando partilha a sua vida com pessoas da mesma religião.

Perante a escravatura, base da economia americana, Honor vê-se dividida, por um lado, entre aquilo que considera correcto e que os Quakers ingleses moralmente apoiam - o abolicionismo - e, por outro, a obediência à lei americana que punia com severidade quem ousasse ajudar a fuga de escravos e a família do seu marido.

Bem escrito, a trama intensifica-se sempre num crescendo de suspence. Os costumes, as linhas de conduta, as paisagens inóspitas tão bem descritas, a vida dura de quem tem uma terra para desbravar, tudo nos leva a abraçar esta leitura com interesse e satisfação. Honor toma partido pelo que lhe dita a sua conciência, impondo a sua vontade e ajudando muitos escravos em fuga. Em direcção à liberdade. Conquistando com isso a sua liberdade também!

Gostei e recomendo! Uma viagem a outros tempos!

Terminado em 7 de Julho de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse

A Última Fugitiva é um romance vibrante sobre os tempos que antecederam a guerra civil norte-americana e a abolição da escravatura. Passa-se no Ohio rural, na década de 1850. Honor Bright é uma jovem quaker de Dorset que parte para a América em busca de uma nova vida. Cedo toma contacto com o Underground Railroad, um movimento de pessoas que ajudam os escravos negros a fugir para norte em busca da liberdade, uma causa a que os quakers eram muito sensíveis. Tracy Chevalier entretece com entusiasmo e beleza a história dos quakers pioneiros e a dos escravos fugitivos, revelando o espírito e a coragem de homens e mulheres comuns que tentaram fazer a diferença, desafiando até as suas próprias convicções mais profundas.

Para mais informações veja Editorial Presença aqui!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Escritores na Cozinha com... Sara Farinha


Pudim de Leite Condensado

Apreciadora do convívio à volta da mesa, adoro as oportunidades de cozinhar para aqueles que me são próximos. Fã de experimentar, de tentar receitas simples ou elaboradas, sinto um prazer especial quando a ocasião é de comemoração comensal.
Com algumas experiências falhadas na cozinha (como adoro estragar uma sopa), e outras coisas que não lhes toco nem com uma vara (coelho escanzelado com olhos fora das órbitas), há alguns pratos que fazem parte do meu repertório. Este é um deles, uma sobremesa docíssima para os aficionados do açúcar, cujo resultado é sempre garantido.

Ingredientes:
1 Lata de leite condensado
200 ml (+/-) de leite de vaca gordo
1 Ovo
1 colher de sopa de essência de baunilha
Caramelo líquido q.b.

Mãos à obra:
No liquidificador junta-se o leite condensado, a mesma quantidade de leite de vaca (pode usar a lata vazia como medida), o ovo e a essência de baunilha. Misture tudo muito bem e transfira o preparado para uma forma, previamente caramelizada.
Pré-aqueça o forno e coloque a mistura a cozer em banho-maria, a aproximadamente 180º, durante 60 minutos. Deixe arrefecer antes de desenformar e, se quiser, regue com caramelo líquido.
Para aqueles que, como eu, são viciados num pudim. Espero que gostem!


Os meus escritos:

‘Percepção, uma estranha realidade’ (2011), o meu primeiro romance publicado.

‘Entre o Sono e o Sonho’ (2012 e 2013), dois poemas na maior Antologia Poética Contemporânea Portuguesa.

Vários Contos, histórias e afins.

Toda a informação disponível em http://sarinhafarinha.wordpress.com

Sara Farinha

terça-feira, 9 de julho de 2013

A Convidada Escolhe... Os Anagramas de Varsóvia

Foi o primeiro livro que li deste autor de nacionalidade americana e portuguesa. Muito bem escrito, leva-nos a mergulhar na história terrível do maior gueto judaico criado pelos nazis na Europa. Criado em 1940, os nazis confinaram num espaço extremamente reduzido da cidade de Varsóvia, cerca de 30% da sua população, ou seja, cerca de 400 mil judeus.


Para além da humilhação, da fome e das doenças, cerca de 300 mil judeus do gueto foram deportados e exterminados em Treblinka. O gueto de Varsóvia ficou conhecido não só pelo seu tamanho e horror, mas pelo heroísmo demonstrado por grupos organizados de judeus polacos que no seu interior fizeram um levantamento entre Abril e Maio de 1943, insurgindo-se contra a opressão nazi, tendo sido mortos ou deportados cerca de 50 mil judeus ainda a viver no gueto.

Tal com a História de resistência e coragem protagonizada por quantos deram corpo a essa insurreição em 1943, quando já nada havia a perder, Os Anagramas de Varsóvia são uma história de resistência e de coragem, de tentativa de encontrar respostas e lutar por descobrir quem dentro do gueto atrai crianças para a morte.

Erik Cohen, um velho psiquiatra e narrador, juntamente com o seu amigo Izzy, tudo farão, arriscando tudo para desvendar o mistério que envolve a morte de crianças que desaparecem e cujos cadáveres surgem amputados. De forma muito inteligente, o autor apoia Erik e apoia-nos enquanto leitores/as através de Izzy, sempre positivo e de bom humor para ajudar o amigo nos momentos de maior desespero.

Richard Zimler leva-nos neste romance cheio de subtilezas e ambiguidades a conhecer diversas personagens, os seus sofrimentos e artifícios para sobreviverem num clima hostil, mas onde se procura manter a dignidade, preservar uma identidade ameaçada, nem que seja através de anagramas que, mascarando os nomes, são a forma de resistência e de sobrevivência num mundo de loucos. O autor, que neste livro faz uma homenagem também aos seus familiares mortos no gueto, disse de Os Anagramas de Varsóvia que “é um livro sobre o heroísmo”. Mas é também um livro que quer que não se apague a memória da história dos judeus no gueto.

Tal como muitos relatos da vida dos judeus do gueto, que nos permitiram conhecer o seu dia-a-dia, foram encontrados escondidos em latas e em outros esconderijos, o manuscrito de Os Anagramas da autoria de Erik Cohen foi descoberto por debaixo das tábuas do apartamento de Heniek Corben, um impressor, sobrevivente do gueto, a quem Erik confiou o manuscrito.

No posfácio, Heniek Corben escreve sobre Erik Cohen e o seu manuscrito:
“As últimas palavras que me dirigiu foram:
- Diga um kaddish* por mim, se alguma vez conseguir chegar ao campo de trabalho onde morri.
- Mas não acredita em Deus! – exclamei.
- É verdade, mas acredita você! – respondeu, e o rosto abriu-se-lhe num sorriso malicioso. Depois, olhou-me fixamente, com ar grave. – E mais uma coisa Heniek. Depois de os Alemães perderem, vão querer que nós esqueçamos tudo o que aconteceu. Uma pessoa, lembre-se apenas de uma!, será o suficiente para lhes estragar os planos.”
(…)

“Erik e eu escrevemos a história dele, e ajuda-me a passar melhor os dias saber que o fizemos juntos. E acho que o simples acto de ler é importante – significa que temos uma oportunidade de participar de uma cultura que os nazis não conseguiram matar.”

No fim do livro e para adensar a ambiguidade dos nomes e anagramas das diversas personagens, Heniek Corben escreve:
“Se tiver razão, então Deus – ou quem quer que seja que nos dita a vida que temos – quis que eu soubesse que era ao mesmo tempo a história e o seu narrador, o criador e o ente criado, o cantor e a canção. Tal como o leitor.
Somos todos o mesmo – todos os «eus» no centro dos nossos pensamentos e emoções.
No princípio era o Verbo. E no fim, também.
Quem somos nós, os que aparecemos em Os Anagramas de Varsóvia? E quem somos nós, que damos vida a esses homens, mulheres e crianças de cada vez que lemos os seus nomes?
No final, é o leitor que terá de decidir.”
* kaddish – oração judaica pelos mortos

Almerinda Bento

segunda-feira, 8 de julho de 2013

"A Criada Malcriada" de Autor Anónimo


Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 256
Editor: Objectiva
ISBN: 9789896721794

Confesso que não conhecia a página do FB que deu origem a este livro. E que quando peguei nele fui a correr dar uma espreitada. Cartoons excelentes!

Uma boa fonte de riso e de descontracção! Folheamos o livro na posição horizontal e ao fim de uma descontraída meia hora já demos umas boas gargalhadas e uns mais que muitos sorrisos. Humor assertivo, caustico e que nos pōe a reflectir...

Fiquei fã da págiina, claro! Há que arranjar formas de descontrair do ambiente soturno e pesado que vivemos e rodearmo-nos de algo que nos eleve a disposição bem lá para o alto. Este livro cumpriu o seu objectivo, pelo menos aquele que eu tinha em mente quando peguei nele e por essa razão dou-lhe os meus sinceros parabéns!

Com desenhos toscos é neles que reside metade da graça e, não fossem os textos, poder-se-ia pensar que era obra de uma criança. A outra metade (da graça, claro!) reside no diálogo entre as personagens, sobretudo desta criada malcriada e um pouco ignorante e da patroa ditadora e ligeiramente (muito?) alcoólica.

E o bom mesmo é que podem continuar a seguir estas aventuras da criada e da patroa aqui: https://www.facebook.com/acriadamalcriada

Terminado em 5 de Julho de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse

Salte o muro, tenha cuidado com o cão, esconda-se atrás do arbusto e, sem fazer barulho, espreite discretamente pela janela da casa mais louca de sempre. Entre o fumo dos cigarros e do pó do espanador, assista em directo ao dia-a-dia, às idas e vindas desta senhora e da sua criada.
A responsabilidade é toda sua. O que se lá passa é obra de alucinada ficção e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Ou não…

domingo, 7 de julho de 2013

Ao Domingo com... Nuno Nepomuceno


«Diz-se que Tessin, o arquitecto do palácio tinha particular orgulho nela. E não é para menos. A escadaria ocidental tem um brilho muito singular. Nevou toda a tarde em Estocolmo e a forma como o amarelo das luzes se reflecte nos degraus de mármore sueco e pórfiro, dá ao espaço um tom dourado no mínimo aconchegante.»


E foi assim, que há alguns anos, escrevi as primeiras palavras da aventura que me traz aqui hoje. Chamo-me Nuno, tenho 35 anos, e sou natural das Caldas da Rainha, embora nunca lá tenha vivido. Passei a infância numa pequena aldeia das redondezas, chamada Carvalhal, e que muitos actualmente conhecem como o cenário da série da RTP1, Bem-vindos a Beirais. Residi no Algarve, algum tempo nos Açores, mas estou de regresso às origens, à região Oeste. Fui um bebé gordinho e simpático, uma criança tímida, um adolescente aplicado e introvertido, e agora, enquanto adulto, resolvi experimentar a escrita.

Já me perguntaram diversas vezes se sou um escritor profissional. Prefiro ser honesto, quando assim acontece. Não o sou.  Escrevo em paralelo com a minha outra profissão, o controlo de tráfego aéreo. E porquê? Boa questão. Porque gosto.  Sinto prazer em escrever, e acho que é a melhor forma que tenho de expressar o que penso. De tal forma, que mesmo na universidade, encontrava sempre modo de complementar as respostas com extensas justificações... E, só aqui entre nós, já lhe contei que sou licenciado em Matemática?

O meu primeiro livro chama-se O Espião Português.  Venceu o Prémio Book.it 2012, e insere-se num género difícil e raro em Portugal, o policial de espionagem. Desde pequeno que sonho com máscaras de silicone, homens que podem ter as mulheres que querem, e heróis que sobrevivem incólumes a perigosas e entusiasmantes cenas de acção sem sequer despentear um fio de cabelo. Mas quando comecei a escrever, resolvi fazer algo diferente. Tentei criar um romance de contrastes e fusões; uma  história contemporânea narrada através de cenários clássicos; um ritmo compulsivo, todavia intimista; e personagens com alma, uma dimensão humana, e altamente emotivas, capazes de apaixonar os leitores.

Têm-me dito que o consegui. Não sei. Espero que sim. A leitura é subjectiva, e conto consigo para me descobrir, e ao meu mundo. Mas, ao melhor estilo dos espiões, aviso desde já que me chamo Nuno, Nuno Nepomuceno, e este artigo não vai autodestruir-se dentro de cinco segundos.  Porém, se o está a ler, então é porque este domingo, o tempo entre os seus livros, está a ser passado... comigo. 

Nuno Nepomuceno

sábado, 6 de julho de 2013

Um Livro Numa Frase


"Hoje, meus amigos, cada um de nós tem menos um dia, todos nós. E a alegria é a única coisa que faz com que o relógio ande mais devagar."

Citação de "The Scarlet Ruse" de John D. MacDonald, retirada de "O meu Ano Mágico" de Nina Sankovitch, pág. 222
Frase escolhida por Cris

Na Minha Caixa De Correio

  
  
  


Mais uma semana em que a minha caixa do correio ficou a abarrotar!
Uns oferecidos (o meu obrigado ao Clube do Autor, Publicações Europa América, Porto Editora e Esfera dos Livros), um emprestado do SdL (Uma Espia no Meu Passado), um ganho nos passatempos do JN (Segredos para um Final Feliz), um comprado na Bertrand  (Antes do Adeus) e comprado na papelaria pois saiu com uma revista (Uma Terra Distante).

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Novidade Sextante Editora

Ópera Flutuante
de John Barth
A história do dia em que Todd Andrews, herói e narrador, impenitente solteirão, niilista convicto, advogado, libertino, santo, cínico e suicida potencial, decide não se matar.  Ópera Flutuante conta, no decurso de um só dia, toda a sua vida  – a perda da virgindade, uma experiência macabra na II Guerra Mundial, a morte do pai e um longo caso sentimental com a mulher do seu melhor amigo. Na tradição picaresca clássica, John Barth usa o humor e a aventura para analisar os assuntos mais sérios. E consegue-o, num livro extremamente divertido e inteligente, que o leitor não consegue deixar de ler de uma ponta à outra, acompanhando as deliciosas reflexões «filosóficas» do herói à medida que planeia o seu suicídio.

Novidade ASA

Iluminada
de P.C. CAST
Cansada de encontros com egocêntricos, a designer de interiores Pamela Gray está quase a desistir dos homens. Quer ser tratada como uma deusa - preferencialmente por um deus. Quando exprime o seu desejo, invoca inconscientemente a deusa Ártemis, que possui alguns truques na sua manga celestial... Os gémeos Ártemis e Apolo foram enviados para o Reino de Las Vegas para testar as suas habilidades. A sua primeira missão é realizar o desejo de Pamela. Então Ártemis faz do irmão o voluntário. Afinal, quem seria melhor do que o lindo Deus da Luz para levar amor àquela mulher solitária? Deveria ser uma experiência, mas na Cidade do Pecado, onde a vida é um risco, tanto o deus como a mortal estão prestes a apostar um valor alto no jogo do amor. 

Convite Gato Vadio


Novidade Clube do Autor

As Mulheres de Summerset Abbey
de T.J.Brown
Quem se rendeu à série televisiva Downton Abbey não pode perder este livro. E todos os
outros também não. Porque se ambos têm como pano de fundo os usos e costumes da época vitoriana, os jogos de poder da aristocracia britânica e um determinado estilo de vida, As Mulheres de Summerset Abbey tem muito mérito próprio.
Três jovens mulheres, uma bela propriedade rural, um lifestyle característico do início do século XX, histórias de uma amizade profunda e segredos de família são alguns dos elementos que os leitores vão encontrar neste romance de T. J. Brown.
A autora inspirou-se na mesma época retratada na famosa série de televisão para contar as histórias de Rowena e Victoria Buxton e Prudence. A história segue a vida destas três jovens, criadas como irmãs por Sir Philip Buxton. Rowena e Victoria são irmãs, Prudence era filha de uma governanta e para o lorde de Summerset isso faz com que seja apenas mais uma entre os criados da propriedade. Ainda assim, a ligação que as une é forte.  

Convite Esfera dos Livros


quinta-feira, 4 de julho de 2013

O Império dos Homens Bons de Tiago Rebelo


Edição/reimpressão: 2013
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892323473

A viagem que fiz com este livro levou-me a uma época e a um lugar especiais!

Inhambane, Moçambique, 1847 e anos seguintes. Gostei muito, sobretudo porque África, uma vez  no nosso coração, fica para sempre lá cativa. Mesmo que os tempos, agora, sejam outros, os cheiros e as cores são idênticos.

Conseguir escrever um romance baseado numa personagem real e recriar historicamente uma época tão longínqua não deve ser fácil. E então se essa personagem pertencer à nossa família, não será que somos tentados a elevá-la moralmente, mesmo sem termos consciência disso? Creio que, se Tiago Rebelo teve essa tentação soube com mestria afastá-la do seu caminho.

O livro conta-nos a vida de Joaquim Montanha, um padre católico que fugindo um pouco do ambiente que se vivia em Lisboa nessa época decidiu ir para Moçambique evangelizar. Para além de uma recriação histórica da vida dos portugueses em África, das lutas tribais e de todos os ambientes de uma selva (ainda por desbravar ) muito bem conseguidos, esta obra caracteriza muito bem todos os receios e dúvidas de um jovem padre. O seu aspecto humano está excepcionalmente bem descrito. A luta que Joaquim trava interiormente para contrariar o seu amor pela escrava Leonor e toda a paixão que o domina e que aos poucos deixa vir ao de cima está muito bem caracterizada. A sociedade de Inhambane e os seus tabus, se bem que inferiores aos que se veriam no continente caso esse amor viesse a ser descoberto, impõem ao Padre Joaquim um comportamento e uma conduta que, no seu interior, o deixam desagradado consigo próprio. Essa luta interior revela-nos toda a riqueza e complexidade de um ser humano.

O autor soube nesta narrativa captar o meu interesse e creio que saberá, de igual modo, despertar o vosso. As quinhentas e tal páginas passam rapidamente pelos nossos dedos sem que delas tenhamos consciência.

Uma viagem que tive o prazer de fazer. Assim venham outras!

Terminado em 2 de Julho de 2013

Estrelas: 5*

Sinopse

Em 1847, na pequena vila de Inhambane, um punhado de famílias esquecidas pela coroa portuguesa luta heroicamente para impor uma nova civilização em território africano.
Acabado de se ordenar em Lisboa, o jovem padre Joaquim Santa Rita Montanha é enviado para Moçambique com a sagrada missão de prestar apoio espiritual aos europeus e evangelizar os indígenas. O seu sonho de realizar uma obra que fique para a história depara-se com dificuldades que parecem insuperáveis. Mas, apesar de todos os obstáculos, o padre Montanha nunca desiste dos seus objectivos ambiciosos e, em breve, torna-se o pilar desta pequena sociedade branca rodeada por milhares de guerreiros de tribos hostis.
Personagem complexa, o padre Montanha é um fervoroso homem de Deus que goza de invulgar prestígio mas não abdica de uma paixão arrebatada pela escrava Leonor, com quem vive um amor proibido. É, sobretudo, o explorador que não hesita em enfrentar perigos imensos para concretizar uma viagem aos holandeses no interior do sertão e, assim, inaugurar as relações diplomáticas entre o reino de Portugal e os fundadores da futura República Sul-Africana.
Tal como o tenente Montanha, personagem inesquecível do seu anterior romance O Tempo dos Amores Perfeitos, o padre Montanha é antepassado do autor. O Império dos Homens Bons é resultado de uma minuciosa pesquisa sobre a vida deste homem singular e a recriação histórica de uma época de grande romantismo em África. Trata-se de um retrato de época brilhante e de enorme talento.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Escritores na Cozinha... com Eduardo Pires Coelho


Salada Divina
Sempre que tenho convidados em casa, não resisto a fazer uma salada. Não se trata de uma salada qualquer! É uma fusão de sabores e de cores, que não deixa ninguém indiferente.

Os tomates são o início e a base de tudo! É importante contar com diversas variedades e eu acabo por favorecer o “tomate cherry”, tomate de rama, "tomate chuxa” e, de quando em quando, junto também ”tomate raf”. Os grandes devem ser cortados em fatias bastante finas e os mais pequenos em metades ou quartos. A seguir, junto azeitonas pretas (de preferência, sem caroço), que introduzem um toque salgado e uma cor escura. Depois, misturo algumas folhas de rúcula selvagem (não muitas), mas o verdadeiro segredo são as ervas aromáticas! Os orégãos têm que estar omnipresentes (para mim, nunca são demais), temperados depois com uma mão cheia de coentros, manjericão, cebolinho e uma pitada de salsa – tudo cortado em mil pedaços (manjericão sempre à mão). Coloque sal a gosto!


A última fase assenta em dois complementos. Primeiro, o queijo feta, normalmente esfarelado, que acrescenta um leve toque branco, contrabalançando o vermelho dos tomates, o preto das azeitonas e o verde das ervas e da rúcula. Em segundo lugar, gosto sempre de juntar pequenos pedaços de maçã (cortada em quadradinhos), o que dá um sabor mais fresco e adocicado a todo o conjunto. Para terminar, só falta mesmo juntar um bom azeite português e um fio de vinagre balsâmico. Não deixe de misturar a salada, antes de servir à mesa. Complementa qualquer prato ou, pode ser que, seja mesmo o ponto alto da refeição!

O Segredo da Flor do Mar
“O Segredo da Flor do Mar” foi publicado em Portugal em 2011 (Esfera do Caos) e saiu recentemente no Brasil (Primavera Editorial). O livro leva-nos a fazer uma viagem à
descoberta da presença portuguesa no Extremo Oriente, em especial no Estreito de Malaca. Foi naquele local que naufragou o navio almirante de D. Afonso de Albuquerque em finais de 1511, quando regressava a Goa, com o saque da conquista de Malaca. Durante os últimos cinco séculos, centenas de expedições tentaram encontrar os destroços da nau portuguesa, mas sem qualquer sucesso! A ‘Flor do Mar’ tem fascinado caçadores de tesouros de todo o mundo e, segundo especialistas, os seus despojos estão avaliados em milhões de dólares….

Filipe Silva trabalha no mercado financeiro em Boston, mas o destino leva-o a prosseguir as investigações do seu pai sobre a ‘Flor do Mar’ e a vida de D. Rodrigo de Mascarenhas. Passado em Singapura, Malásia, Peru, Estados Unidos, Brasil e Portugal nos dias de hoje, o livro transporta-nos igualmente para os finais do século XVI e inícios do século XVII. ‘O Segredo da Flor do Mar’ conta-nos a história de um proeminente nobre português de Malaca que combateu os piratas dos Mares do Sul, viveu os encontros e desencontros com os sultanatos islâmicos de Johor e do Achém para depois assistir à chegada avassaladora da armada holandesa ao Oriente.

Eduardo Pires Coelho

terça-feira, 2 de julho de 2013

A Convidada Escolhe... Vozes Anoitecidas

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Não por Mia Couto ter recentemente sido galardoado com o Prémio Camões, mas porque estive recentemente em Moçambique, no distrito do Gilé, província da Zambézia, senti uma enorme necessidade de reler o livro com que há já muitos anos atrás me estreara no contacto com este autor moçambicano.

Queria confrontar a ideia da estranheza de certas personagens, dos feitiços, dos encantamentos, isto é, de um outro mundo tão diferente que me tinha sido desvendado através da escrita de Mia Couto com a vivência que tinha experienciado no contacto directo com mulheres e homens daquela região da África rural tão afastada dos confortos e do acesso a alguns direitos básicos.

Volto então ao meu exemplar amarelecido de Vozes Anoitecidas, uma edição de 1987 da «Caminho» e tento perceber melhor a escrita, a invenção das palavras, a oralidade das gentes daquele país de África, o imaginário que nos é apresentado nos diversos pequenos contos de que é feito este livro do início da carreira literária de Mia Couto. Estão lá as histórias da violência doméstica, o peso das superstições e das tradições, as sequelas da guerra civil, a graça de algumas personagens como Ascolino do Perpétuo Socorro enredado em frases iniciadas por advérbios e no álcool, a tragédia dos amores impossíveis, a desgraça que é a infertilidade num continente onde o valor social passa pelo número de filhos ou a força da natureza que os humanos não controlam. Reconheço naquela escrita uma enorme proximidade à realidade e reencontro no trabalho com a língua e na invenção das palavras o prazer de uma leitura que tinha sido gostosa e carregada de poesia.

Termino, citando o texto de abertura de Mia Couto a esta colectânea de contos Vozes Anoitecidas:
«O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros. Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes.

Estas estórias desadormeceram em mim sempre a partir de qualquer coisa acontecida de verdade mas que me foi contada como se tivesse ocorrido na outra margem do mundo. Na travessia dessa fronteira de sombra escutei vozes que vazaram o sol. Outras foram asas no meu voo de escrever. A umas e a outras dedico este desejo de contar e de inventar.”

Almerinda Bento

segunda-feira, 1 de julho de 2013

"O Meu Ano Mágico" de Nina Sankovitch

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 284
Editor: Casa das Letras
ISBN: 9789724621661

Ao pegar neste livro o meu olhar fixou-se rapidamente na frase que está na sua capa: "Seria capaz de ler um livro por dia durante um ano?" Quem não pensou já que seria, talvez, a única forma de acabar com a pilha que vai aumentando sem cessar dos "to read"? Fiquei intrigada e, mal pude, peguei neste livro. Saber que se tratava de uma história verídica também ajudou. Mas a forma como a sinopse apresenta o livro faz pensar que a causa e o objectivo desta ideia é algo de supérfluo. Nada de mais errado!

A sinopse é algo redutora pois só lendo é que se percebe bem o motivo que levou esta escritora a fazer uma pausa diária e a pegar num livro. Oriunda de uma família amante de livros, foi a perda de um membro próximo que despoletou esta maratona. A morte inesperada e precoce de sua irmã aos 46 anos levou-a a querer viver a sua vida e a dela, abarcando projectos em cima de projectos, não fazendo o luto devido, não tendo pausas para refletir.

Até que, ao pegar num livro, conseguiu evadir-se completamente (sensação conhecida por todos os amantes de livros!) e esquecer um pouco o seu sofrimento. E propôs-se abarcar esse projecto para fazer uma pausa na sua vida.

O livro transforma-se aqui num verdadeiro tesouro! Acreditem que vão sentir necessidade de ter um lápis aquando desta leitura pois as citações, os títulos e autores são tantos que precisamos marcar aqueles que mais nos tocam. Eu não o fiz desde o início e bem arrependida estou!

A autora conta-nos a sua história e a da sua família. Uma família unida por um imenso amor aos livros e à leitura! Todos os membros, o que me maravilhou. E com as leituras que vai fazendo aprende a olhar para o passado e a dar importância às recordações. Como eles a ajudam a recuperar da tristeza avassaladora que sentia. Como os personagens, quase todos, comunicam com ela e lhe transmitem força.

No final temos a lista dos livros lidos para podermos à vontade matar a nossa curiosidade! Um livro mágico este! Porque o amor pelos livros é uma constante. Porque sentimos a transformação da autora e acompanhamos o seu crescimento e como os livros a ajudam a fazer o luto e a avançar com a sua vida. A viver.

Recomendo.

Terminado em 26 de Junho de 2013

Estrelas: 4*+

Sinopse

Um desafio: ler um livro por dia durante um ano. Aceita?
Foi essa a promessa que Nina Sankovitch fez a si própria. Após perder a irmã mais velha, e embora precisasse de cuidar dos quatro filhos e lidar com os percalços do quotidiano de uma grande família, Nina estabeleceu uma meta para si própria: ler um livro por dia, durante um ano inteiro. Nesse verdadeiro sonho literário, Nina descobrirá que esse ano de leitura mágica mudará tudo ao seu redor e que os livros são uma ótima terapia.
Tolstoi e a Cadeira Púrpura conta também a história da família Sankovitch: o pai de Nina, que escapou da morte por um triz na Bielo- Rússia durante a Segunda Guerra Mundial; os quatro filhos traquinas, que lhe recomendavam livros ao mesmo tempo que a ajudavam nas lides domésticas; e Anne-Marie, a sua irmã mais velha e a sua verdadeira fonte de inspiração, com quem Nina compartilhou os prazeres da leitura, mesmo nos seus últimos momentos de vida. Os livros são o alimento da alma e vão mudar uma vida.