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quarta-feira, 25 de julho de 2018

"A Música da Fome" de J. M. G. Le Clézio

Já tinha ouvido falar deste livro várias vezes. As opiniões foram consensuais, todas positivas. Aproveitando um desafio em que estou a participar (#bookbingoleiturasaosol2) fui à estante resgatá-lo.

Sabia vagamente que a época retratada rondava a II Guerra e foi esse o meu principal apelo para o ler. Contudo, não foi uma leitura semelhante às que tenho feito e, se por um lado, tive pena que as personagens não tivessem um papel mais participativo na guerra, por outro lado, gostei de ler algo diferente do habitual.

A guerra está lá, é certo, e isso vê-se na falta de alimentos que grassava na altura, na ida dos homens para a frente, na mudança de vida que se verificou sobretudo ao nível dos personagens secundários. Mas, é como se ela caminhasse paralelamente à história de Ethel Brun, a personagem principal, sem lhe tocar verdadeiramente. Foi isso que senti. Ethel passa quase incólume à devastação que foi o holocausto, não tendo sido este acontecimento o principal motor da mudança que se deu na sua vida. O amor pelo seu tio-avô, a inconstância do seu pai que os levou à ruina, marcou muito mais a sua vida. Este foi um aspecto de que verdadeiramente não estava à espera.

A escrita de Clézio é suave, descritiva e bastante pormenorizada, o que nos leva a imaginar os lugares e as situações muito detalhadamente.

Da amizade da protagonista com Xenia, uma colega da escola, espera-se que resulte algo mais do que o descrito no final. Não sei bem se isso me agradou ou não. E digo isto porque a vida é mesmo assim e às vezes prega-nos partidas: quem não teve já um(a) amigo(a) importante na sua infância e que, simplesmente, o "perdeu"?

Gostei, recomendo e fiquei com a sensação que poderia perfeitamente ser um romance baseado em factos verídicos. 

Estrelas: 4*

Sinopse
Ethel Brun é filha de um casal de exilados, formado por Justine e Alexandre, um homem afável e irrequieto que muito jovem deixou a ilha Maurícia e que, na alegre Paris dos anos 20 e 30, se dedica a delapidar a herança em negócios pouco recomendáveis. Na infância, o único prazer de Ethel é passear pela cidade com o seu tio-avô, o excêntrico Samuel Soliman, que sonha ir viver para o pavilhão da Índia Francesa construído para a Exposição Colonial. E, na adolescência, Ethel conhecerá algo parecido com a amizade pela mão de Xenia, uma colega de escola, vítima da Revolução Russa e que vive quase na miséria. O bem-estar de Ethel começa a resvalar quando, nas refeições que o seu pai oferece a parentes e conhecidos, se repete cada vez mais o nome de Hitler. Serão os primeiros sinais do que ameaça a família Brun: a ruína, a guerra, mas, sobretudo, a fome. Ela marcará o despertar da jovem Ethel para a dor e o vazio, mas também para o amor, num romance em torno das origens perdidas, durante uma época que culminou com um apocalipse anunciado.

Cris


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