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sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Para os Mais Pequeninos : A Grande Esmeralda


Não é o primeiro livro que leio de Tony Wolf. Já li "O Regresso de Robinson" (ver aqui). 

Considero que estes livrinhos pequenos em tamanho são direcionados a um público um pouquito mais velho. Alguém que esteja já a abordar as primeiras letras poderá, creio, beneficiar de uma leitura conjunta com os adultos ou, até mesmo, separada, já tentando ler sozinhos o que lhes pode abrir o fantástico mundo das letras.

Este livro possui bastante texto mas é sempre acompanhado de imagens representativas, coloridas e divertidas que fazem da leitura um momento prazeroso.

Então, que história temos aqui? Tom e Penny são dois amigos que vivem numa floresta rodeados de outros tantos amigos e vão viver uma aventura que começa mal mas que acaba bem! Penny é raptada por Átila, um rato mau que vive num castelo longe da floresta. E o que faz Tom? O que fazem os amigos quando alguém está em apuros?

Uma história sobre a amizade, sobre a grande família que podemos construir com os nossos amigos!

Muito giro e educativo! Ora vejam algumas imagens:





Cris

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

"Em Todos Os Sentidos" de Lídia Jorge

Um dia hei-de gostar de contos/crónicas! Evito, por achar que é uma leitura que se faz com demasiada rapidez e com mudanças de temas que não aprecio, mas estou sempre a tropeçar em livros que na sua essência possuem poucas páginas! Este foi o livro recomendado num grupo de leitura por um autor que admiro. Só assim iria pegar nele e a biblioteca foi o lugar certo para o encontrar. Normalmente, por uma questão de proximidade, frequento a Biblioteca das Galveias. Se ainda não foram lá e puderem, vão espreitar. Vale bem a pena apreciar o palácio e correr a vista pelos livros.

Apercebi-me que este "Em Todos Os Sentidos" é a compilação de 41 crónicas emitidas na Antena 2 em 2019. Estão disponíveis na net, basta procurar pelo nome do livro que mais não é que o nome do programa. Confesso que a minha disposição para ouvir estas crónicas será diferente, para melhor, do que a que me atacava quando submergia nestas páginas. E portanto, vou ouvir a Lídia Jorge! 

E vou fazer isso sobretudo porque reconheço a mestria da sua escrita e o poder das suas palavras claras e sábias! Gostei muito de algumas crónicas e estou expectante para ouvir a "Agustina como ninguém" porque me divertiu muito aquele episódio passado num comboio com Lídia Jorge e Agustina Bessa Luís! Imagino a entoação da autora ao contar-nos esse episódio!

A crónica que mais me tocou - tanto mais que tem como pano de fundo um episódio, desconhecido para mim, ocorrido em Terezin, no campo de concentração - já a ouvi. Fiquei sem palavras. Por tudo o que aconteceu que envergonha a Humanidade mas também pela profundeza da análise e comentários de Lídia Jorge.

Ela fala-nos um pouco de tudo. Em todos os sentidos, mesmo. Sobre o passado e o presente, História e Política, sobre Literatura e seus autores, sobre alguns aspectos pessoais e o privilégio de contactar com tanta gente das artes...

Se gostam de crónicas recomendo muitíssimo este livro. Caso contrário, vão ouvi-las! Para mim, o facto de as ouvir pela voz da autora tem um sabor especial.

Terminado em 8 de Outubro de 2022

Estrelas: 4*

Sinopse

Na introdução que abre este livro, Lídia Jorge define a crónica como uma homenagem ao deus que faz escorregar os grãos de areia, mirando-nos de soslaio. E acrescenta: «Como não podemos vencer o Tempo, escrevemos textos que o desafiam a que chamamos crónicas.»

Em Todos os Sentidos, conjunto de quarenta e uma crónicas que Lídia Jorge leu, ao longo de um ano, aos microfones da Rádio Pública, Antena 2, corresponde a essa definição - são crónicas que encaram de frente a fúria do mundo contemporâneo, interpretando os seus desafios, perigos e simulacros com um olhar crítico acutilante.

Mas a singularidade destas páginas de intervenção provém, sobretudo, do facto de a autora ser capaz de juntar no mesmo palco da reflexão o pensamento crítico sobre a realidade e o discurso subjectivo da memória íntima, com um olhar profundamente sentido.

No interior deste livro, há páginas inesquecíveis sobre a vida humana.  

Cris

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

"A Sangue Frio" de Truman Capote

Truman Capote, nas suas obras "Boneca de Luxo" e "A Sangue Frio", foi o escritor escolhido para um grupo de leitura a que passei a ir recentemente. São dois livros muito diferentes mas, percebi depois da discussão que se fez à volta deste autor, que possuem muitas das suas características, resultado das suas vivências pessoais. 

Este "A Sangue Frio" foi o resultado de alguns anos de investigação (cinco, creio) de Truman Capote sobre um caso verídico passado nos EUA em que uma família de 4 pessoas foi assassinada sem que restassem muitos indícios ou provas de quem o praticou.

Não sabia bem ao que ia quando  comecei a ler e a apresentação, logo no início, dos membros dessa família, os seus gostos e vontades, despoleta no autor sentimentos de compaixão, como é natural. O autor vai deixando escapar, por entre linhas, qual o desfecho macabro que essa família terá.

Por outro lado, são-nos apresentados os assassinos e as suas vidas atribuladas. Sem críticas, sem desculpas, sem julgamentos. As diversas camadas que todos os indivíduos possuem é muito bem abordada nesta obra e estão plasmadas sobretudo na caracterização dos jovens assassinos. 

Há filme. Ide ver que eu farei o mesmo, agora que já li o livro.

Terminado em 30 de Setembro de 2022

Estrelas : 4*

Sinopse
Um dos grandes romances da literatura americana do século XX. O americano Truman Capote foi um escritor versátil, mas a sua grande obra foi o romance não-ficção "A Sangue Frio", que conta a história da morte da família Clutter, em Holcomb, Kansas, e dos autores da chacina.
Capote decidiu escrever sobre o assunto ao ler no jornal a notícia do assassinato da família, em 1959. Quase seis anos depois, em 1965, a história foi publicada em quatro partes na revista The New Yorker. Além de narrar o extermínio do fazendeiro Herbert Clutter, de sua esposa Bonnie e dos filhos Nancy e Kenyon -uma típica família americana dos anos 50, pacata e integrada na comunidade-, o livro reconstitui a trajectória dos assassinos. Perry Smith e Dick Hikcock planearam o crime acreditando que se apropriariam de uma fortuna, mas não encontraram praticamente nada. Perry era um sonhador. Cresceu de uma forma conturbada e violenta, e achava que a vida lhe tinha dado golpes injustos. Dick, considerado o cérebro da dupla, queria apenas arrebatar o dinheiro e desaparecer. Presos e condenados, ambos morreram na forca em 1965.

A intensa relação que Capote estabeleceu com as suas fontes foi determinante para o êxito da obra. Além de passar mais de um ano na região de Holcomb, investigando e conversando com moradores, aproximou- se dos criminosos e conquistou a sua confiança. Traçou um perfil humano e eloquente dos dois «meninos», como costumava chamar-lhes.

Cris

 

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

A Convidada Escolhe: “As Pequenas Memórias”

As Pequenas Memórias”, José Saramago, 2006


Há alguns anos que não leio nada de José Saramago, o que significa que quebrei o meu compromisso de ler um livro deste autor todos os anos, para ver se consigo ler toda a sua vasta obra. Assim, peguei n’ ”As Pequenas Memórias”, numa edição da Caminho de 2006, para me redimir do atraso.

Começa com a sua Azinhaga, quando menino. Mas rapidamente as memórias de infância levam-nos a Lisboa, para onde a família foi viver na Primavera de 1924. Em Lisboa e ao longo de 10 anos, ele, os pais e o irmão Francisco que viria a morrer na véspera de Natal de 1924, iriam viver em dez casas diferentes, partilhando casas com outros casais, como os Baratas.

José Saramago tinha tido a ideia de escrever este livro e chamar-lhe “O Livro das Tentações”, mas acabou por lhe chamar “As Pequenas Memórias”, por serem “ as memórias pequenas de quando fui pequeno, simplesmente” (p. 38) É um pequeno livro, que se lê rapidamente e com prazer, porque é divertido e cheio de graça. Saramago fala dos pais, dos avós paternos e maternos, dos primos, dos vizinhos, dos colegas de escola, das descobertas, dos sonhos, dos medos, das lembranças mais remotas até aproximadamente à idade dos vinte anos.

São recordações de infância, momentos como o assombro da visão da luz da Lua numa madrugada que vai persistir na memória como uma paisagem única e inesquecível, o rio Almonda da sua aldeia, as pessoas marcantes no seu percurso. Escreve sobre as paixonetas de juventude, as descobertas sexuais precoces, as marotices da idade, os desastres que deixam cicatrizes, a descoberta de outros contextos sociais muito diferentes do da sua família que tem de compartilhar uma casa com outras famílias… Enfim, são flashes onde a ingenuidade e a ternura nos remetem para a epígrafe da contracapa do livro – “Deixa-te levar pela criança que foste” – retirada de “O Livro dos Conselhos”.

Explica-nos por que se chama Saramago e não apenas José de Sousa (p. 48) e, embora erradamente por vezes se diga que o seu nascimento foi a 18, de facto, ele nasceu a 16 de Novembro de 1922 (p.51). Apesar dos seus problemas de dislexia “calsse; sacanavense”…, a verdade é que a sua aprendizagem autónoma da leitura através do “Diário de Notícias” que o pai trazia (p. 98) deixou todos estupefactos. Recorda a escolinha na Morais Soares onde aprendeu a desenhar as primeiras letras numa pedra. “A Toutinegra do Moinho”, o único livro que havia lá em casa (p.99), foi a sua primeira experiência de leitor, embora reconheça não se lembrar de nada do que lá estava, ao contrário de “Maria, a Fada dos Bosques”, um daqueles romances em fascículos então na moda, que eram lidos por uma vizinha à mãe analfabeta e a ele ainda muito criança. Na escola destacou-se na leitura e na escrita e também fez um brilharete com o Francês. Fez dois anos no Liceu Gil Vicente e depois seguiu para a Escola Industrial de Afonso Domingues em Xabregas, porque os recursos dos pais não permitiam um percurso liceal como estava destinado aos meninos com outras posses.

Nestas “As Pequenas Memórias”, Saramago quer tirar do olvido certas pessoas que viveram pouco tempo como o seu irmão Francisco que morreu com 4 anos, ou o primo José Dinis, com quem andava permanentemente à bulha. De forma comovente, os avós maternos estão muito presentes neste livro de memórias. O avô Jerónimo “ um homem sábio, calado, que só abre a boca para dizer o indispensável” (p. 129), pressentiu o fim poucos dias antes de morrer e foi “de árvore em árvore do seu quintal, abraçar os troncos, despedir-se deles, das sombras amigas, dos frutos que não voltará a comer” (p.130). E a avó Josefa a quem ouviu dizer, tinha ela noventa anos, “O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer” (p. 131). Os avós maternos que, nas noites de frio, iam à pocilga buscar os bacorinhos mais frágeis e os deitavam na sua própria cama.

Este livro é de facto diferente de todos os que li até agora de José Saramago e não quero terminar este meu texto sem transcrever aqui o primeiro poema que ele escreveu, destinado a Ilda Reis com quem casou aos 22 anos. Saramago, que gostava de ir a casa do vizinho Chaves, pintor na Viúva Lamego, pediu-lhe que pintasse este poema num prato de cerâmica em forma de coração para oferecer à sua apaixonada:


Cautela que ninguém ouça

O segredo que te digo:

Dou-te um coração de louça

Porque o meu anda contigo.” (p. 54)


Notas:

Terminei este livro, exactamente no dia em que José Saramago, em 1998 recebeu o Prémio Nobel da Literatura.

Também neste dia assisti a um impressionante espectáculo de Dança pela Companhia de Dança Contemporânea de Évora em torno do “Ensaio sobre a Cegueira”, no Auditório Municipal do Seixal. Tal como com o livro, é impossível ficar indiferente depois de ver aqueles três bailarinos a actuar.


8 de Outubro de 2022

Almerinda Bento


segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Resultado do Passatempo Mensal "Toca a Comentar"

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Setembro.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionado uma vencedora! Foi ela:

Alexandra Guimarães

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 25, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros: 


Cris

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Para os Mais Pequeninos: "Mãe, Ainda Não Posso Ir Dormir..."


Quem tem ou teve pequeninos na sua vida sabe que, muitas vezes, a hora de dormir é uma prova dura de ultrapassar! Estes seres minúsculos têm pilhas duracel e zero sono!

Quem não ouviu esta frase - Mãe, ainda não posso ir dormir! - ponha o dedo no ar!

Um livro muito divertido, que retrata com assertividade todas as invenções que as crianças arranjam para prolongar o seu dia! E o nosso...

E já vos disse que adoro as ilustrações de Paulo Galindro? São ma-ra-vi-lho-sas!





Cris

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

"Velhos Lobos" de Carlos Campaniço

Aposto que muitos de vocês nunca ouviram falar de Carlos Campaniço! Ou, pelo menos, não da forma que ele merece! A sua escrita remete-nos para ambientes rurais, nossos, e uma das suas obras possui um toque de realismo mágico. Depois de se entrar nesses mundos é difícil de lá sair. Aconteceu-me isso em "Os Demónios de Álvaro Cobra" (ver opjnião aqui).

Neste "Velhos Lobos", o realismo mágico não está presente. Presente está a escrita viciante de Campaniço, as histórias de vizinhos rivais, os ódios intemporais de famílias que lado a lado vivem anos de guerras que parecem não ter fim. E a solidão. Uma solidão profunda, marcada pela quase inexistente vida social, que parece instalada no dia a dia dessas gentes.

Algures no Alentejo, num tempo em que os automóveis não povoavam os lugares, de contrabandistas e refugiados espanhóis a monte, de telegramas que anunciavam as boas novas, sobretudo as más, duas famílias partilham ódios profundos e amores estranhos.

A família Velho e a familia Lobo - uma pobre, outra rica - que, piores que velhos lobos, se atiçam com quesílias toda uma vida e passam aos seus descendentes esse desamor, esses ciúmes e esse ódio que sentem uma pela outra e que é vivido também dentro de cada família.

Vale tanto a pena conhecer os segredos que estão por detrás destas duas famílias! Que amores se escondem dentro desses ódios? 

Terminado em 17 de Setembro de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse
Quando Francisco d'Almeida Lobo decide passar a viver o ano inteiro no Monte do Azinhal para cuidar pessoalmente da propriedade, ignora que a presença da família Velho no Montinho lhe vai criar tensões impossíveis de ultrapassar. Primeiro, porque Jacinto Velho se recusa a dar-lhe uma mão; depois, porque descobre que a mulher dele não é senão Maria Barnabé, com quem teve uma história longe de estar resolvida. Os ânimos, porém, só ficarão ao rubro quando – contra a vontade do pai – o primogénito dos Velho lhe pedir trabalho…
No mesmo espaço agreste, debaixo do mesmo sol escaldante, duas famílias distintas em tudo vivem um litígio insanável. Em comum, têm apenas o amor e o ódio e uma solidão que parece não ter cura.
Será que algum dia conseguirão sobreviver a uma vizinhança tão declaradamente hostil?
Depois do realismo mágico de Os Demónios de Álvaro Cobra, do virtuosismo de Mal Nascer e da comédia de enganos que é o romance As Viúvas de D. Rufia, Carlos Campaniço regressa com uma ficção desafiante que nos faz pensar como a vida social e a civilidade são absolutamente essenciais ao equilíbrio dos seres humanos.

Cris

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A Convidada Escolhe: "À Procura da Manhã Clara"

À Procura da Manhã Clara”, Ana Cristina Silva, 2022

Desde que li pela primeira vez o livro “O Rei do Monte Brasil” de Ana Cristina Silva, nunca mais deixei de acompanhar a sua produção literária. Fascina-me a sua capacidade de caracterização das personagens e o modo como organiza as suas narrativas, conseguindo criar uma empatia perfeita com o leitor.

Em “À Procura da Manhã Clara”, a narrativa é entremeada por cartas de Annie Silva pais, filha do último director da PIDE, dirigidas a diferentes pessoas. Logo no Prólogo, Annie estabelece a diferença entre a mãe que anotava na sua pequena agenda “coisas verdadeiramente ridículas” (pág. 11), e ela que desde sempre escreveu cartas “para exorcizar os sofrimentos de infância” (pág. 12). Amarfanhava-as, deitava-as fora e depois disso era capaz de sorrir. Mais tarde, já adulta, escreveu várias cartas aos pais, aos amores, aos amigos, mas nunca as enviou: “Nessas cartas jogava mais audaciosamente com a verdade e por isso mesmo nunca as enviei.” (pág. 13). Guardou-as numa caixa de sapatos e, ao relê-las, perto da morte, descobriu “quem tinha sido verdadeiramente” (pág. 13). Na última carta, dirigida a Che, Annie escreve “Estas cartas nunca enviadas retratam-me melhor do que todos os discursos por mim proferidos.” (pág. 273).

Annie é uma mulher idealista, apaixonada, com uma profunda ânsia de liberdade que sufoca numa relação de absoluto antagonismo com a mãe e com o regime retrógrado, conservador e opressivo da ditadura. Se o antagonismo entre filha e mãe não lhes dá azo a qualquer laivo de amor filial e maternal, tal não acontece na sua relação com o pai, cheia de sentimentos ambíguos, por estarem ideologicamente em lados opostos. Se a antipatia pela mãe tem a ver com um ideal de vida baseado nas aparências e na futilidade, saber que o pai, que sempre fora o seu herói, é o responsável pelo aparelho repressivo que persegue, tortura e mata, causa-lhe um imenso desgosto.

Portugal é um país triste e pobre, de mulheres sofridas, vestidas de negro, de olhos baixos, subjugadas e submissas. D. Nita, a mãe de Annie, é o símbolo da mulher da elite ligada ao poder, fútil e inclemente, minuciosamente caracterizada na sua vacuidade ao longo do livro, quer nos momentos em que está em alta, quer em situações como quando vai para a prisão ou quando é confrontada com a necessidade de apoiar a filha gravemente doente.

Os sentimentos altruístas e de apego à revolução cubana por parte de Annie, materializados na sua paixão por Che e pelos heróis da Sierra Maestra, no espírito de sacrifício em prol do colectivo e no seu empenhamento profissional nas missões em que participa como tradutora e intérprete, permanecem vivos até ao fim. Os desencontros amorosos, a degradação do rumo político a que aspirava em Portugal e no mundo, a morte do pai, as traições no país que escolheu para viver e a sua doença tornam Annie uma figura trágica e solitária, que a autora tão bem retrata.


Nota: Quando terminei a leitura das quase trezentas páginas do livro, voltei ao princípio e reli todas as cartas que Annie nunca enviou e que guardou na caixa de sapatos.


30 de Setembro de 2022

Almerinda Bento

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

"O Colibri" de Sandro Veronesi

Foi uma peripécia ler este livro. Já vos conto... 

Comecei a ler com o meu e-reader, o Kobo, mas não foi um começo fácil. Apercebi-me que a narrativa saltava no tempo quando mudava de capítulo mas não era um simples "antes e depois". Quase que afirmo que cada capítulo se refere a um ano, umas vezes recuando 10, 4, 2 anos outras avançando 8, 5, 3... Um pouco confuso para quem se quer situar na trama e, muito difícil para quem está a ler no Kobo onde, para mim, o folhear para trás ainda é difícil.

Depois, ao fim de algumas páginas, passei para o livro físico que uma amiga me tinha emprestado. E coloquei para o lado essa tentativa de perceber com clareza em que ano se passava o enredo do momento. Foi o que fiz de melhor! A história começou a entrar, os personagens também, o espaço físico e temporal a ser mais claro. A história passou a fazer sentido!

Marco é oftalmologista. De alguma forma, como lembrou uma amiga, faz recordar o personagem do Stoner. Nada se passa na sua vida e, no entanto, a sua vida possuiu momentos de extrema dureza. A morte acompanha-o sempre e está presente durante a sua vida toda. Quando pretende desistir, alguém depende dele e não o pode fazer. 

É um pilar de força e perseverança, mesmo sem querer. Conhece o amor profundo, de vários tipos até, mas ou não o vive activamente ou o amor é efémero. O final é arrebatador. Comove e aperta o coração. Se na vida real a morte pudesse ser assim...

O título tem tudo a ver com a comparação que fazem deste personagem com esta ave aparentemente frágil. A capa, com o pássaro em relevo, é linda.

Se gostei? Sim, muito. Mas só tive consciência disso a meio do livro quando me desliguei do pormenor das datas e deixei fluir a leitura. Discurso direto que nos aproxima dos personagens e faz-nos sentir em maior grau as suas dores; discurso indireto que nos distancia e permite-nos analisar os acontecimentos com o afastamento necessário para não nos envolvermos demasiado. A passagem de um para outro é feita suavemente, sem que se note. Perfeito. Partes da narrativa são-nos contadas através de cartas, correspondência trocada com o seu irmão e, também, com a mulher que amou a vida inteira sem a ter. Segredos que descortinamos aos poucos porque o autor é comedido a revelar.

Foi uma peripécia ler este livro. Mas, boa. Tão boa! É livro para comprar, ler e voltar a ler um dia. Fiquei de olho no livro anterior deste autor, que mora cá em casa há muito e que creio estar esgotado, "Caos Calmo".

Terminado em: 23 de Setembro de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

«Quando as paixões humanas colidem com as forças para além do controlo humano.»

Marco Carrera é um oftalmologista com uma vida boa e organizada - até que lhe entra pelo consultório um desconhecido, que sabe tudo sobre o seu passado e o avisa de que corre perigo. Além disso, diz-lhe que a sua mulher está a ter um caso extraconjugal e vai ter um filho que não é dele.

Estas revelações desencadeiam um longo fluxo de recordações: da infância e juventude, da família, da primeira mulher na vida dele, de um certo amigo, da irmã mais velha que morreu afogada. A narrativa constrói-se de forma empolgante e original, avançando e retrocedendo entre várias décadas dos séculos XX e XXI. E, em lugar da sequência habitual nas sagas familiares - «trauma, dor, recuperação» - tudo aqui parece acontecer ao mesmo tempo. E está sempre a acontecer. 

Cris

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Para os Mais Pequeninos: "A Ágata Tem Ciúmes"


Muitas vezes as histórias bem simples são aquelas que nos fazem pensar mais e com as quais sentimos empatia. Foi o caso desta! 

A Ágata recebeu a prima em sua casa. Vem para passar uns dias com ela. Vai partilhar a sua escola, os seus amigos, os seus brinquedos e até as atenções dos seus pais. Tudo parece fácil tanto mais que Ágata adora a prima e acha-a o máximo! Mas, então, que coisa estranha é essa que sente no estômago quando vê que Melanie atrai todas as atenções?

Com umas ilustrações atraentes e muito representativas dos sentimentos opostos que abundam nesta história, este livro fala-nos de ciúme e de como através da verdade se pode percebê-lo e aniquilá-lo. Um texto fundamental para que os pequeninos possam perceber que sentimento é esse que muitas vezes possuem quando se sentem preteridos por algo ou alguém.

Gostei muito!


Cris

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

"Boneca de Luxo" de Truman Capote

Nunca tinha lido Truman Capote embora o seu livro mais conhecido, A Sangue Frio, morasse na minha estante há muito. A escolha deu-se porque, este Boneca de Luxo, foi recomendado e escolhido num grupo de leitura a que fui recentemente. Ainda pretendo ler o A Sangue Frio,para poder opinar com mais justiça sobre este autor.

Boneca de Luxo é bastante pequeno, não chegando a ter 100 páginas. Prende rapidamente como se quer num livro destas dimensões. Centra-se na história de uma rapariga, Holly Golightly, que, no tempo em que a história está a ser contada pelo narrador e seu amigo, se encontra em parte incerta. As memórias inundam Fred e ele relata como a conheceu, se tornou seu amigo e se apaixonou por essa rapariga irreverente e mundana de 21 anos, que fugia de todas as convenções da moral burguesa da época. Uma verdadeira corte de apaixonados segue-lhe os passos, abandonando-a quando ela mais precisa.

Holly é uma força da natureza e o seu inconformismo fá-la não desistir nunca. Gostei muito. Não esperem um final. A vida é assim mesmo. Composta por partes, por pessoas que entram e saem.

1958, Nova Iorque. Já na época da Guerra Fria.

Terminado em 11 de Setembro de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

De nariz arrebitado e cabelo despenteado, óculos escuros e acompanhada pelo seu inseparável gato cor de fogo, ela é uma mulher arrebatadora e impulsiva. Com um comportamento nem sempre adequado, as suas festas nocturnas causam o desespero de alguns e o fascínio de outros, mas Holly Golightly é, antes de mais, uma mulher jovem e romântica cujo maior sonho é encontrar um local onde se sinta em casa, um local em que se sinta real, um local em que possa ser ela própria e em que a sua vida possa ser comparada a um pequeno-almoço no Tiffany’s.

Retrato de uma época, esta obra capta o clima inquieto e exuberante da Nova Iorque dos anos 40, quando a incerteza dos tempos de guerra e o fim da Depressão libertaram mentalidades e radicalizaram modos de vida. Obra transposta para o cinema em 1961 Boneca de Luxo (Breakfast at Tiffany’s), com a participação de Audrey Hepburn (a qual foi nomeada para o Óscar de Melhor Actriz) e George Peppard, venceu nesse ano dois Óscares, para Melhor Canção Original e Melhor Banda Sonora, com a inesquecível música de Henri Mancini Moonriver, e é já considerada um clássico do cinema. 

Cris

 

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

"Quarto de Despejo, Diário de uma Favelada" de Carolina Maria de Jesus

Ouvi falar bem neste livro e li-o em ebook na versão brasileira. Creio que há já uma editora que o publicou cá em Portugal. É um diário escrito por uma mulher que viveu numa favela em S. Paulo, Brasil. Foi começado a escrever em 15 Julho de 1955 passando depois para 1958.

São pequenas entradas contando alguns apontamentos diários de sua vida. Carolina vive com os seus três filhos em condições de pobreza extrema. O seu barraco tem chão de terra batida e não tem água. O seu objetivo diário é a sobrevivência dos seus e por isso "cata" papel, ferro e o que consegue aproveitar para vender nas ruas da cidade. A ida para buscar água é diária. Sabe que o seu aspecto é, a maior parte das vezes, imundo e que, fora da favela, a olham com nojo. 

A fome é uma constante. A delinquência, os maus tratos, a violência, os roubos são os seus vizinhos de bairro. A bebida é um paliativo para a maior parte dos seus vizinhos. Bebem para festejar e bebem porque estão tristes. Carolina não bebe e, a maior parte das vezes, é uma mulher alegre, determinada em conseguir um futuro melhor para si e os seus mas as condições em que vive são de tal ordem que se deixa abater em muitas situações para logo se recompor...

Gosta de ler e escreve o que sente e o que vê. Os vizinhos sabem disso e é marginalizada em muitas situações por ser "diferente". Tem uma consciência política da situação vivida no país de então, verdadeiramente fora do que o leitor poderia esperar e escreve porque quer que fiquem a conhecer como vive um favelado e como é difícil prosperar naquelas condições.

Um relato impressionante, algo repetitivo, porque a vida para Carolina são dias e dias de uma luta sem resultados positivos visíveis. E a fome sempre lá.

Terminado a 5 de Setembro de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

«O texto de Carolina é acima de tudo um texto que interroga. Não só a sociedade e a política, mas também a literatura, os processos de tornar-se autor e de manter-se autor, em todo e qualquer lugar no qual o lugar de autor é ainda primordialmente tomado como sinonímia de um tipo muito específico de sujeito - homem, branco. Por essa razão, Quarto de despejo provocou um abalo sísmico no sistema literário; porque foi capaz de traduzir em ato um principio da autora: "na minha opinião escreve quem quer". Em consequência, Carolina abriu os caminhos para que possamos hoje pensar sensibilidade estética e elaboração narrativa como um dever aberto, e não como um a priori restrito a determinadas conjugações sociais, que tornam alguns sujeitos "legítimos" para serem autores e outros não.»

Cris

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

A Convidada Escolhe: Entre Pássaro e Anjo

Entre Pássaro e Anjo”, João de Melo, 1987


Gosto de ler livros que vão saindo, mas não deixo de ir à descoberta de tantos que se foram acumulando numa altura da minha vida em que o tempo de leitura era muitas vezes reduzido e, sobretudo, limitado aos períodos de férias. Faço agora aquilo que me prometi, quando a aposentação parecia uma coisa longínqua. Àqueles que se foram acumulando, juntei os muitos que herdei da minha irmã, leitora compulsiva e muito atenta aos escritores portugueses. Este “Entre Pássaro e Anjo” é um deles.

Quando outro dia na Feira do Livro, enquanto João de Melo me autografava o seu “Livro de Vozes e Sombras”, lhe dizia que estava a terminar “Entre Pássaro e Anjo”, ele fez uma expressão admirada, tanto mais que desde 1987 quando o livro saiu, já produziu mais catorze títulos… “Já está um pouco datado…” disse-me ele. Mas estará mesmo?

Entre Pássaro e Anjo” é um livro de contos. Com a força da presença das mulheres, podem ser “… tão numerosas como todas as mulheres que existem só para nos proteger e salvar” (p. 21), apaixonadas como a adolescente pelo seu professor, ou “viúvas-de-sangue”/ “viúvas-de-padre”/”fêmeas tristes do seu celibato” (p. 148) entre muitas outras designações escolhidas pelo autor para falar das carpideiras no funeral do padre Governo. Da sinopse na contracapa do livro retiro o seguinte: “É bem provável que a figura dominante de “Entre Pássaro e Anjo” seja de facto a mulher, ave pousada na manhã, como de uma delas chega a dizer o autor. E contudo, raras vezes como neste livro se terá ido tão longe na crueldade com que se descreve a ruína do corpo feminino e o velho adormecimento da paixão, o amargo refúgio do homem dentro da realidade autista dos seus sonhos. Voar, diz ainda João de Melo, é a principal vocação de pássaros e anjos. Mas a humanidade está infelizmente sempre pronta a ignorar esse apelo, incluindo as mulheres que não raras vezes se transformam em «mães masculinas» com largo uso de repreensão do próximo…” Ilustro esta ideia com uma citação extraída do conto “A Divina Miséria”: “A gente habitua-se à noite, tanto quanto os pássaros acabam por habituar-se a viver nas gaiolas suspensas das empenas. Se acontece de alguém erradamente os soltar, conhecem apenas a tristeza de umas asas sem préstimo. Perderam o sentido da orientação. Não sabem que as árvores servem para nelas pousarem. Remam no ar, contra o vento, embatem em obstáculos súbitos e inevitáveis. Desconhecem um mundo e recusam-se a aprendê-lo de novo. Cheios do tédio do infinito, permanecem atónitos e dificilmente escapam às doenças que existem só nos desertos. Se os não voltam a fechar nas gaiolas, morrem facilmente, perdidos da alegria. E já não têm idade. E nada sabem a respeito dos outros pássaros de voo largo e horizontal que, sendo livres, pousam tão devagar na alegria. Até medo lhes ganham. Afigura-se-lhes que os objectos que eles se tinham habituado a olhar à distância, por detrás da sua prisão de canas fictícias, estão agora para os devorar.” (p. 157)

Um livro muito político, com mensagens fortes, gritos contra a opressão, os opressores, sejam eles a Igreja, o poder instituído, a ditadura, a guerra, uma relação de casal que morreu e que não é mais que uma rotina. Podia ser qualquer país a viver sob ditadura, mas sente-se Portugal naquelas linhas, seja pela referência ao horror da guerra em África no conto “As Manhãs Rosadas”, ou nas alusões a um país entorpecido pelo sol e pela preguiça, que vive das glórias passadas, subjugado pelos americanos e esmagado pela dívida externa à espera de um homem providencial para as finanças como antes esperara por um ditador, um país sem futuro eternamente à espera de D. Sebastião em “Postumografia de Pedro-o-Homem”. “A Divina Miséria”, que decorre numa Ilha açoriana, parte da morte e do funeral do padre Governo para fazer uma crítica arrasadora à Igreja e ao seu poder. ”A dinastia dos padres era uma sucessão infame cujo único objectivo era perpetuar a mudez e a pobreza dos pobres. Sabe como? Dividiam o poder entre compadres, um braço armado na rua, outro braço na sacristia, e eles sempre na sombra, a fingirem-se, a darem-se ares de boas pessoas. Depois, vinham os ideólogos eclesiásticos, escreviam, propagandeavam que a pacificação do Rozário e do mundo era obra da Igreja e só dela.” (ps. 145 e 146) No entanto, a oposição e a hipótese de uma revolução é abortada com o desembarque dos marines americanos…

João de Melo não deixou de reflectir neste seu livro de contos também a sua experiência enquanto professor e escritor. A sala de professores num primeiro dia de aulas de Outubro, por onde desfilam “os animais docentes” descritos de uma forma tão divertida e real, na sua imensa diversidade, no conto com o mesmo nome. O professor, que partilha a viagem de autocarro para a escola com os seus alunos, que “pensara ao princípio que a sua presença salvaria o ensino do seu país” até que descobriu que “os autores vivos e os mais novos deles não estavam nos programas, quis pôr-se a berrar. Estava no país dos mortos, no país dos génios absolutos e indiscutíveis, só porque tinham morrido. Não valia a pena berrar. O país recusara-se a chegar ao século vinte!” (p. 117). “O Solar dos Mágicos”, último conto do livro, é uma sessão de lançamento e homenagem a um livro que ganhou um prémio literário; um logro, afinal. Não passa de um livro em branco. Mais uma sessão mundana, de gente que quer ser vista, que aproveita para comer e beber, que se quer abeirar de ministros e deputados. Um país com um ministro da Cultura, mas que não tem cultura.

Acho que é um livro cheio de ironia. Sem papas na língua. Muito crítico e, direi eu, actual e intemporal.

12 de Setembro de 2022

Almerinda Bento

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

"Os Vampiros" de Filipe Melo e Juan Cavia

Depois de ter lido A Balada Para Sophie (opinião aqui) fiquei fã da dupla, Filipe Melo e Juan Cavia. Gostei mesmo muito da história e das ilustrações. Achei que havia um casamento perfeito e, espero não me enganar, estou a vê-los bem velhinhos ainda a oferecerem-nos história deliciosas, que encantam sobremaneira o leitor.

Foi uma amiga livrólica que me emprestou este "Os Vampiros" e, tanto pela opinião dela como pelo que já referi sobre os autores, confiei. Sabia que ia gostar. 

Suponho que para fazer jus ao título, a mancha lateral de cada página é preta. As ilustrações, maravilhosas. Apetece parar para melhor apreciar mas, ao mesmo tempo, somos impelidos a avançar pela trama em si. Castanhos, verdes e pretos imperam numa belíssima mancha que tem tudo menos de aborrecido!

Fui para esta leitura às cegas, sem saber do que tratava. O tema é pesado e as explicações que surgem nas ultimas páginas podem ser lidas no início, se preferirem saber ao que vão. O livro conta-nos uma história ficcionada de um grupo de forças especiais do exercito português que se encontra no palco da guerra colonial, mais propriamente na província ultramarina da Guiné, cuja luta armada só teve início em 1963. Note-se que em 1961 começaram as revoltas em Angola que se estenderam para Moçambique e Guiné. Muitas missões especiais ficaram por contar porque eram efetuadas no maior sigilo.

Uma explicação socio-geográfica ajuda a perceber melhor este palco que foi a guerra na Guiné. As condições difíceis do terreno - florestas pantanosas, savana densa, marés que as inundam por completo- e o facto do Exército não estar preparado para suportar esse clima, tornava qualquer missão arriscada e perigosa.

Esta história retrata uma possível missão ao Senegal, território vizinho, onde estariam aquartelados os rebeldes (PAIGC). Qualquer incursão ao país vizinho poderia causar um incidente diplomático pelo que estas missões eram mantidas em profundo segredo.

Uma graphic novel para reler. Uma compra a efetuar na Feira do Livro do próximo ano! 

Terminado em 3 de Setembro de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

Guiné, Dezembro de 1972.
Em plena guerra colonial, um grupo de soldados portugueses é destacado para uma operação secreta no Senegal. Porém, à medida que vão sendo consumidos pela paranóia e pelo cansaço, esta missão aparentemente simples vai transformar‑se num verdadeiro pesadelo.
Embrenhados na selva, estes homens terão de confrontar sucessivos demónios – os da guerra e os que trouxeram consigo.

Cris

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Resultado do Passatempo Mensal "Toca a Comentar"

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Agosto.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionado uma vencedora! Foi ela:

"Os Olhares da Gracinha"

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 25, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros: 


Cris