Gosta deste blog? Então siga-me...

Também estamos no Facebook e Twitter

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Experiências na Cozinha: Cozinhar em Mindfulness By Natália


Já há muito que não vos trazíamos uma receitinha boa! Esta, hoje, é dedicada a quem deseja introduzir um alimento pouco usual na alimentação habitual, as algas.

Devemos consumir algas com alguma regularidade porque possuem muitos minerais mas, como tudo, devem ser consumidas com moderação e em pouca quantidade de cada vez. Têm acção no sistema circulatório e linfático e ajudam na digestão. Sabem que se colocarem um pouco de alga kombu na água de demolhar e na de cozer as leguminosas, ajuda a evitar os gazes que normalmente provocam?

Às vezes o sabor não agrada a todos porque é muito forte (e a alga hiziki tem-no). A solução é fazer um estufado com o toque final da raspa do limão, como na receita que vos trazemos.

Brevemente traremos mais receitas com algas para experimentarem, se vos apetecer.

Ficam então as fotos e a receita:

 

Palmira e Cris

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Resultado do Passatempo Mensal "Toca a Comentar"

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Abril.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionado uma vencedora! Foi ela:

Ryk@rdo

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 25, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros:

 
Cris
 

terça-feira, 10 de maio de 2022

"Independência - Terra Alta II" de Javier Cercas

Este é a sequela do livro de Javier Cercas, "Terra Alta", um policial que foge aos estereótipos habituais e que, por essa razão, gostei muito de ler. A minha opinião aqui.

Melchor, como referi, não é como os outros polícias que estou habituada a ver caracterizados nos (poucos) policiais que leio. Tem duas facetas que, nele, coabitam admiravelmente. O leitor não estranha que seja um pai carinhoso, que goste de ler para si e para a filha, amigo do seu amigo, que cumpre a lei e a ordem. E depois há todo um lado de "vingador", movido pelo seu passado muito pouco ortodoxo, que nos desconcerta como leitores mas que nos dá, simultaneamente, um intimo prazer descobrir. Os métodos usados por este polícia não são os politicamente corretos mas são sim os que nos dão mais gozo ler!

Fiquei com vontade de ler "Os Miseráveis" de Vitor Hugo, tais são as vezes referidas nesta obra. Júlio Verne e Eça de Queiróz também aparecem referidos como autores preferidos deste polícia tão singular.

Terminado a 7 de Maio de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

Como enfrentar quem na sombra maneja o poder? Como vingar-se de quem tanto mal lhe fez? Volta Melchor Marín. E volta a Barcelona, aonde foi chamado para investigar um caso delicado: a presidente da Câmara está a ser chantageada com um vídeo sexual. Com um sentido inflexível de justiça e uma integridade moral inabalável, Melchor deverá desmontar uma extorsão cujas intenções não são claras. Para tal, terá de penetrar no mais fundo dos círculos do poder, onde reinam o cinismo, a ambição sem escrúpulos e a brutalidade da corrupção. E é nesse palco que este romance absorvente e selvagem, povoado de personagens memoráveis, se converte num retrato demolidor da elite político-económica de Barcelona, mas, sobretudo, num poderoso grito contra a tirania dos detentores do dinheiro e os amos do mundo.

Cris

segunda-feira, 9 de maio de 2022

"A rapariga de Java" de Pramoedya Ananta Toer

Sabem quando um livro vos está a custar a ler mas que há algo que vos impele a continuar? Um bichinho chamado curiosidade que vos impele a virar as páginas?

Estranhei muito a sua trama. Estranhei alguns diálogos, não os entendi. Mas tinha lido na badana do livro que o autor foi preso político da Indonésia, que escreveu grande parte da sua obra na prisão, obra essa proibida no seu país, e que era muito aclamado fora do seu país. Claro que fui googlar para saber mais sobre estas ilhas, antigas colónias da Holanda, e as relações existentes entre colonizados e colonizadores.

Isso manteve-me presa. Fiz bem em continuar.

Um casamento arranjado entre uma bela rapariga de 14 anos de uma aldeia piscatória pobre com um nobre é o ponto de partida. É um mundo diferente que ela tem de enfrentar, com regras que não compreende, com poucos benefícios. As relações de poder resultantes das diferenças de classe e de sexo são devastadoras e um pouco incompreensíveis para quem lê. Um mundo diferente. 

A injustiça é fortemente tratada e relatada pelo autor e é um sentimento que permanece latente tanto na personagem principal, a Rapariga de Java (que nunca surge com outro nome que não este) como no leitor. Permanece latente até que rebenta e somos inundados por esse sentimento para o qual não temos remédio. Nem a Rapariga de Java.

Adorei as ultimas páginas. Mudou tanto o meu sentir sobre este livro! Não vos conto mas a revelação  que o autor faz é... 😀

Terminado em 3 de Maio de 2022

Estrelas: 4*

Sinopse

É a primeira obra de ficção publicada em Portugal de Pramoedya Ananta Toer, depois de Solilóquio Mudo, um conjunto de textos de memórias escrito durante os anos de prisão. O casamento arranjado entre uma adolescente de 14 anos e um aristocrata javanês é o ponto de partida para uma longa e dolorosa caminhada de amadurecimento. A integração no meio aristocrático vai dilacerando lentamente o espírito rebelde e independente daquela jovem que, apesar de tudo, se vai apercebendo de que os aristocratas são, afinal, tão empobrecidos, oprimidos e grosseiros como os outros.

A Rapariga de Java é um romance que nos comove e inspira não só pela celebração daquilo que é simples e genuíno como por uma história profundamente enraizada nos problemas políticos e sociais da Indonésia, explorando as relações de poder entre as classes e os sexos.

Cris

sexta-feira, 6 de maio de 2022

"Quando a Noite Cai" de Laurent Petitmangin

Queria verdadeiramente que este livro não tivesse terminado tão de repente. Bem sabia eu que faltava muito pouco (uma página apenas!), mas fui apanhada, mais uma vez, por esta técnica, o factor surpresa, que me deixou sem chão muitas vezes durante esta estória.

E digo "mais uma vez" porque o autor a utiliza diversas vezes durante o decorrer da trama. Passo a explicar: subitamente, quer no decorrer de uma frase quer na mudança de capítulo, a acção muda de repente. O sentido do que estávamos a ler altera-se profunda e drasticamente. Numa pequena frase, o contexto muda. Confesso que adorei isso. Disse várias vezes durante a leitura: "Ah, mas afinal ..."

Ainda não acredito que este livro seja a primeira obra deste autor! Está perfeito! É de uma sensibilidade extrema, de uma delicadeza e profundidade tal nos temas tratados, que nos conduz, literalmente, pelos caminhos do enredo conforme os seus desejos sem que possamos ousar querer outra coisa.

Muito intenso, revelador de sentimentos extremos por parte dos personagens, sobretudo do narrador, um pai, viúvo, que tenta criar dois filhos, dando-lhes o melhor que consegue e sabe. Entre o amor, a raiva, a cólera, a vergonha que este pai sente ao contar-nos os acontecimentos que marcaram as suas vidas, ele acaba por revelar os segredos mais profundos da sua família e revelar-se também. A dor, a perda, o amor envergonhado que une estes três seres, as provas que superam. 

Como pano de fundo "temos" uma França, não muito longínqua, onde militantes de partidos de extrema direita e de extrema esquerda chegam ao confronto físico.

Um livro tão pequeno mas que nos enche tanto! Recomendo sem reservas! Nada leva o leitor a esperar uma intensidade tão grande nesta narrativa, tanto mais que esta começa de mansinho, levemente.

Terminado em 27 de Abril de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

Esta é a história de um pai que perdeu a mulher e que dá o melhor de si para criar os seus dois filhos sozinho. Os anos passam e os rapazes crescem. Fazem as suas escolhas, aquilo que é importante para eles. Os homens em que se vão tornar. Agem como homens e, no entanto, continuam a ser crianças. Esta é uma história de família e de convicções, de escolhas e de sentimentos comprometidos. Um mergulho no coração de três homens. Num mundo que ressoa por vezes de tanto ódio e tanta incompreensão, como abraçar um filho que guarda dentro de si estes sentimentos?
Num primeiro romance deslumbrante, Laurent Petitmangin desfia com infinita sensibilidade e delicadeza a linha dos destinos destes homens em formação.

Cris

quarta-feira, 4 de maio de 2022

"É Tempo de Reacender as Estrelas" de Virginie Grimaldi

Confesso que fui apanhada de surpresa por esta história. Esperava-a leve, ligeira. Era isso que me apetecia ler. E é-o em grande parte mas é tão mais que isso!

Possui um humor que me encantou, que me fez sorrir amiúde com frases muito cómicas, bem pensadas e certeiras. Para além desta leveza que procurava, começaram a surgir temas mais fortes, sérios ecom os quais nos identificamos e que imprimiram um ritmo acelerado à leitura. Capítulos curtos, três narradoras que se vão dando a conhecer.

Uma mãe e suas duas filhas, uma vida de trabalho, dura, dívidas que crescem como uma bolinha de neve. Desemprego. Quando a vida nos empurra para um precipício e quando queremos alterar comportamentos e atitudes, que fazer? Que priorizar? Uma viagem numa autocaravana, tempo para ver, reparar nas belezas naturais, mas sobretudo tempo para estar com a família, saber estar, saber ouvir, saber amar.

Um livro que me surpreendeu muito! Uma amiga associou-o aos livros de Frederik Backman pelos comentários que eu ia fazendo aquando da leitura. E não é que achei que tinha razão? Um tema aparentemente tratado com ligeireza mas que aborda assuntos actuais, sérios. Frases que nos prendem e que nos fazem pensar ao mesmo tempo que somos bombardeados com um humor muito peculiar que nos faz sorrir.

Gostei tanto deste livro! Que boa surpresa foi! 

Dica que vos deixo: vão acompanhando a viagem que esta família vai fazendo com o Google Maps, por exemplo, e assim podem admirar e ficar a conhecer cantinhos deste nosso mundo verdadeiramente maravilhosos, cheios de beleza.

Terminado em 25 de Abril de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

Anna, Chloé, Lily. Três mulheres, três gerações, três vozes que dialogam. Uma história plena de humor, amor e humanidade, que nos faz querer dizer aos nossos entes queridos que os amamos.

No dia em que tudo desmorona sobre ela, Anna percebe que está prestes a perder o que mais ama no mundo e pelo qual suportou o cansaço e a frustração: as filhas. Superando medos e ataques de pânico, toma uma decisão louca e imprudente: mete-se com as filhas numa autocaravana e parte numa viagem para a Escandinávia. É o início de uma aventura cheia de surpresas hilariantes e encontros comoventes, um corpo a corpo que verá mãe e filhas colidirem no presente e discutirem os segredos do passado, para depois aprenderem a conhecer-se e a ouvir-se.

Cris 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

"Mulheres de Sal" de Gabriela Garcia

"Nem as melhores mães do mundo conseguem sempre salvar as suas filhas" lê-se no verso da capa deste livro. Tanta verdade contida aqui. 

Este livro é sobre mulheres, várias gerações, várias histórias. Mas não é dirigido somente às mulheres. Quem não tem uma nas suas vidas? Uma mãe, uma filha, uma companheira, uma amiga.

Mães e filhas, várias histórias de (e)migração ilegal, violência, drogas, de algumas mulheres unidas por laços familiares, pedaços de um puzzle que se vai completando e unindo com o decorrer da leitura.

A trama decorre em espaços temporais diferentes bem como em vários países:  México, Cuba, El Salvador e EUA. Sabiamente, para que o leitor não se perca, uma árvore  genealógica surge logo nas primeiras páginas, onde fui acrescentando datas e lugares conforme a ia consultando.

Um livro de poucas páginas mas com um conteúdo forte, duro e muito actual. 

Terminado a 21 de Abril de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

Na Miami do presente, Jeanette luta contra o vício. Filha de Carmen, uma imigrante cubana, está determinada em saber mais sobre a história da sua família e toma a decisão imprudente de acolher a filha de uma vizinha levada pelo Departamento de Imigração. Carmen, ainda a lutar com o trauma da mudança, tem de processar a relação difícil que tem com a sua própria mãe enquanto tenta criar uma Jeanette rebelde.
Firme na sua busca por respostas, Jeanette viaja para Cuba para encontrar a avó e desvendar os segredos do passado.

Desde as fábricas de tabaco do século XIX aos centros de detenção atuais, de Cuba ao México, Mulheres de Sal de Gabriela Garcia são um caleidoscópio de traições - pessoais e políticas, autoimpostas e infligidas por outros - que moldaram a vida destas mulheres extraordinárias. Uma reflexão assombrosa sobre as escolhas das mães, o legado das memórias que carregam e a tenacidade das mulheres que escolhem contar as suas histórias apesar de tentarem silenciá-las. Este é mais do que um livro sobre diáspora, é a história das raízes humanas mais emaranhadas e honestas da América.

Cris

A Convidada escolhe: "Maria Stuart"

Maria Stuart, Stefan Zweig, 1935

Em 2018, li quatro contos de Stefan Zweig, por ocasião de uma das sessões do Clube de Leitura da Livraria Bertrand do Chiado em que fomos convidas/os a descobrir a obra deste autor austríaco. Fiquei tão entusiasmada com a capacidade do autor de analisar as personagens, que na altura decidi que no futuro havia de ler uma das diversas biografias que Zweig escreveu. Há pouco “tropecei” neste “Maria Stuart” num leilão online de livros duma alfarrabista e logo não hesitei em comprar uma 9ª edição de 1961, da Livraria Civilização, com tradução de Alice Ogando.

No breve prefácio, o autor chama a atenção para o facto de a rainha Maria Stuart ser porventura aquela que é objecto de leituras e interpretações mais contraditórias, de acordo com quem as faz, sua origem, religião, corrente ou concepção social. Sendo esta biografia baseada em documentos, quis o escritor “ser mais objectivo e abordar esta tragédia com toda a paixão, mas com toda a imparcialidade de artista. (…) E por muito prudente que se possa ser na escolha, o historiador será obrigado, muito honestamente, a acompanhar a sua opinião com um ponto de interrogação e de confessar que este ou aquele acto da vida de Maria Stuart ficou obscuro e ficá-lo-á provàvelmente para sempre.”

O que posso dizer desta biografia, agora que terminei a sua leitura? É extraordinária. E com vontade de em breve ler “Maria Antonieta” do mesmo autor, a qual já antes me foi aconselhada. E, embora isto seja mais difícil, com vontade de voltar a Edimburgo e olhar para o palácio de Holyrood e o imponente castelo com outros olhos, lembrando aquela que “com seis dias foi rainha da Escócia, com seis anos noiva do príncipe mais poderoso da Europa , com dezassete anos rainha de França” (pág.41), aos dezoito viúva, rainha da Escócia e herdeira legítima da coroa de Inglaterra, embora tenha tido sempre a barreira intransponível de Isabel que nunca lha concedeu. 45 anos duma vida aventurosa que Stefan Zweig vai, ao longo de cerca de quatrocentos páginas narrando, de forma rigorosa, com uma riqueza e profundidade na análise psicológica das personagens, estabelecendo com o leitor um diálogo fluido e claro.

Período conturbado da história europeia aquele século XVI. As potências digladiavam-se ambicionando aumentar o seu poderio. A Reforma e a Contra-Reforma jogavam os seus peões e estendiam a sua influência. Os casamentos combinados das crianças que viriam a ser os futuros reis e rainhas eram a moeda dos negócios das potências de então. Os espiões, traidores, intriguistas enxameavam a corte num ambiente que podia ir das cartas melosas e dissimuladas, mas cheias de alçapões, até aos cativeiros sem fim mas sem serem cruéis, mas também aos envenenamentos ou às mortes brutais com o punhal ou com o machado do carrasco, qual espectáculo para gáudio do povo. Shakespeare só teve de usar o seu génio para criar as suas personagens trágicas a partir das personagens de carne e osso do tempo em que viveu.

No centro da biografia de “Maria Stuart”, para além da jovem despreocupada, culta, apaixonada, impetuosa, sedutora, destemida, corajosa, arrogante e que escolhe morrer como mártir pelas suas convicções religiosas, todo o drama da vida de Maria gira em torno do facto de ser a herdeira legítima da coroa de Inglaterra. Para Isabel, filha de Henrique VIII e de Ana Bolena, declarada bastarda em vida do pai, mas rainha de Inglaterra por morte da meia-irmã Maria, a existência da prima Maria Stuart foi sempre um perigo e um obstáculo de que se quis livrar com receio de que a coroa de Inglaterra lhe fosse retirada. Ao longo de vinte e cinco anos, Isabel fez da recusa do contacto, do fingimento, da ambiguidade e da falsidade na sua relação com a prima, a quem tratava por “sua irmã”, as armas que usou como escudo para a fragilidade da sua ascendência.

O livro é verdadeiramente maravilhoso, numa narrativa marcada por períodos decisivos da vida da rainha Maria Stuart com indicações precisas de datas relevantes, sendo as descrições de um escritor de elevada qualidade. Destaco o penúltimo parágrafo – No meu fim está o meu começo (8 de Fevereiro de 1587) – o mais dramático e o mais visual, referente às últimas horas de Maria Stuart antes de subir ao cadafalso até ao momento em que o carrasco desfere os três golpes que concluem a decapitação de uma mulher que não vergou. “Agora, pouco mais tem que fazer. Inclina a cabeça sobre o cepo, que abraça com os dois braços. Até ao último momento, Maria Stuart conserva a sua grandeza de rainha. Nenhuma das suas palavras, nenhum dos seus gestos exprimem medo. A filha dos Stuart, dos Tudor, dos Guise preparou-se para morrer dignamente.” (pág.381).

27 de Abril de 2022

Almerinda Bento

quinta-feira, 28 de abril de 2022

" Verões Felizes" de Zidrou & Jordi Lafebre

Já há bastante que tinha ouvido falar muito bem desta Graphic Novel. Este
livro é o primeiro volume e não será, certamente, o último que irei ler. 

São duas histórias (Rumo ao Sul e Calheta) contadas por um casal já idoso que relembra as férias passadas com a sua família mais próxima, os seus filhos. Para as férias vão junto com eles os problemas mais íntimos que estão a passar e que querem esconder aos membros mais pequenos mas, vai também, o desejo forte de os ultrapassar, proporcionando um período alegre e divertido.

Os momentos inesquecíveis sucedem-se e divertimo-nos com as peripécias por que passa esta família. Gostei muito!

Terminado em 21 de Abril de 2022

Estrelas: 5*

Sinopse

Esta série não contém lutas sangrentas nem conspirações internacionais.
Fala da vida, da verdadeira. a vida - bonita - de pessoas que, ao longo do ano, trabalham arduamente para poderem gozar umas férias de Verão.
1973, 1969, 1980... volte atrás no tempo, entre com o Pierre, a Madô, a Julie-Jolie, a Nicole, o Louis e a Pêpete na sua 4L Vermelho Estérel, e reviva as férias da sua infância!
Instale-se na 4L vermelha dos Verões Felizes e... rumo ao Sul! no programa constam piqueniques, parques de campismo e sessões de bronzeamento na praia. 
Entre ataques de riso e ataques de choro, a família diverte-se à beira-mar, discute, zanga-se, mas mantém-se sempre unida, numa banda desenhada alegre e optimista.

Cris

terça-feira, 19 de abril de 2022

"A Mãe de Frankenstein" de Almudena Grandes

Para mim, Almudena tem selo de qualidade. Autora espanhola, falecida recentemente (1960-2021), tem ainda livros por traduzir em Portugal. Espero sinceramente que o façam porque são leituras muito interessantes e onde se aprende sempre mais.

O livro anterior que li dela (vejam aqui a minha opinião!), constituiu uma leitura muito gostosa, com pontos mais fortes e interessantes (sobretudo quando diziam respeito à história do Dr.), mas houve momentos em que a leitura era mais demorada porque retratavam questões políticas mais densas. Como eram histórias várias com múltiplos personagens precisavam de toda a nossa atenção para que não nos perdessemos no enredo. Mas o cômputo final foi muito positivo, sem dúvida alguma.

Já neste livro não tive idêntica dificuldade. É um Sr. Calhamaço mas que se lê com uma fluidez vertiginosa porque há, comparativamente, menos personagens, se bem que os saltos no tempo se dêem com frequência e sem aviso prévio. Mas, Almudena é uma mestre na arte da escrita. Em tempo algum tive dificuldade em situar-me! 

A época histórica que serve de pano de fundo a esta história espectacular é o pós-Guerra Civil de Espanha, tempo de Franco e da respectiva ditadura.

O protagonista e,  maior parte das vezes, o narrador, é um jovem psiquiatra que, tendo fugido de Espanha na altura da Guerra Civil e quando adolescente, regressa no tempo do franquismo para implementar um tratamento novo para certas doenças do foro psiquiátrico num manicómio feminino. Reencontra uma paciente especial e é em torno dela que a trama se vai desenvolver.

O ambiente político que se vivia, inibidor das liberdades mínimas pessoais, vai impulsionar o enredo para determinados caminhos, facto mais ou menos esperado em contextos politico-económicos repressivos. Baseado em factos e pessoas verídicas, este livro cativa, prende e é uma verdadeira lição de História sem que nos apercebemos dela!

No final somos brindados com muitos pormenores que enriquecem sobremaneira a obra, a leitura e o nosso gosto pelo conhecimento em si. Rico, nada expectável, fluído e apelativo, este livro é uma aposta certeira.

Mas sinceramente, o que me atraiu nele foi o nome da autora. Não achei a capa uma escolha muito feliz e o título não mereceu a minha atenção. Depois de ler esta obra, sei que este faz todo o sentido mas não fora o nome da escritora... Já falei com outras pessoas sobre isso e tentei convencê-las a pegarem nele, vale tanto a pena! E cá estamos nós a falar de novo em capas que não refletem o conteúdo. As pessoas são um pouquito assim, não concordam? O invólucro é, por vezes, enganador! Para melhor ou para pior.

Recomendo muitíssimo! Este livro é tão, mas tão bom!

Terminado em 10 de Abril de 2022

Estrelas: 6*

Sinopse

Em 1954, o psiquiatra Germán Velázquez regressa a Espanha para trabalhar no manicómio feminino de Ciempozuelos, a sul de Madrid. Depois de partir para o exílio em 1939, viveu quinze anos na Suíça, onde foi acolhido pela família do doutor Goldstein.

Naquela instituição psiquiátrica, Germán reencontra Aurora Rodríguez Carballeira, uma mulher inteligente e paranoica, tristemente célebre por matar a tiro a própria filha. Ali conhece também María Castejón, que cuida dela com enorme desvelo e gratidão. A amizade que acaba por nascer entre a jovem auxiliar e o doutor Velázquez leva o leitor a descobrir não apenas a sua origem humilde como neta do jardineiro da instituição, os anos de criada em Madrid e a infeliz história de amor que protagonizou, mas também o que levou Germán a abandonar a tranquilidade suíça e regressar a Espanha. Almas gémeas a fugir dos seus passados, ambos querem dar uma oportunidade a si próprios, porém vivem num país humilhado, onde os pecados se convertem em crimes, e o puritanismo – defendido pelo regime de Franco – encobre todo o tipo de abusos.

Em A Mãe de Frankenstein, Almudena Grandes regressa ao período mais difícil da história de Espanha, destacando as feridas imensas que uma guerra interminável provocou.

Cris

 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Resultado do Passatempo Mensal "Toca a Comentar"

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Março.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionado uma vencedora! Foi ela:

Carla Sousa

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 25, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros:

 
Cris

 

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A Convidada escolhe: "Contos de Cães e Maus Lobos"

“Contos de Cães e Maus Lobos”, Valter Hugo Mãe, 2015

À medida que fui lendo “Contos de Cães e Maus Lobos”, o quinto livro que leio de Valter Hugo Mãe, fui percebendo que me iria ser difícil escrever sobre os doze contos deste livro. Achei mesmo que me iria limitar a transcrever alguns excertos mais significativos que me tinham mais impressionado. Para além da escrita pessoalíssima de Valter Hugo Mãe, cada conto é acompanhado de imagens de artistas plásticos que o autor convidou. Destaco a capa belíssima de Paulo Damião que ilustra o primeiro conto “ A Menina que carregava Bocadinhos” e o prefácio de Mia Couto a que deu o título “Um Pequeno Prefácio para Contos Gigantes”. A certa altura, Mia Couto escreve: “ Tal como nos livros anteriores, há nesta antologia de contos o convite ao regresso a um recanto de que nunca saímos, um reencantamento de infância, uma cumplicidade de quem partilha vazios e silêncios”. (…) “ Está nestes contos aquilo que está em toda a sua obra: o questionar das nossas certezas mais fundas, uma visita às profundezas da alma.” (…) “E é por isso que estes contos, mais do que gigantescos, não têm tamanho.”

“A Menina que carregava bocadinhos” é o sonho de liberdade. “A liberdade também era isso, não voltar”… “…a criada vestiu a sua blusa de princesa e soltou os cães que se puseram em rebuliço e latindo.” (pág. 29).

“O menino nadou para depois de uma onda grande e não voltou. A mãe estendeu as mãos na água buscando o seu corpo diluído. Julgava ela que o filho se diluíra como um cubo de açúcar incapaz de adocicar o mar. Jurou que o buscaria sempre. Haveria de o reconhecer nem que ele se tornasse ínfimo.” (pág. 37). Assim começa o segundo conto com o título “O menino de água”, que na nota do autor que figura no final do livro “é para todas as pessoas que acreditam que as crianças não se podem perder pela tragédia do mundo que os adultos criam.” (pág. 159).

Crescer não é fácil; por vezes é até doloroso e um processo solitário. Assim li “Querido monstro” de que escolhi esta passagem: “…nenhuma tristeza define obrigatoriamente o que podemos fazer no dia seguinte. No dia seguinte, ainda que guardemos a memória de cada dificuldade, podemos sempre optar por regressar à busca das ideias felizes.” (pág. 52).

Quando decidimos não agir em conformidade com aquilo que a sociedade espera de nós, podemos ser postos de lado ou ser considerados malucos. Assim aconteceu com “A princesa com alma de galinha”. “Um dia, a princesa disse que queria ser enfermeira e imediatamente correu pelo reino a notícia de que a moça estava maluca.” (pág. 59).

Da história de uma criança que vive no cimo de um monte isolado com a mãe e o pai que é guarda-florestal, transcrevo este parágrafo e relevo o papel determinante que certos professores e professoras têm nas nossas vidas e na nossa maneira de olhar para o mundo: “Percebi que para dentro de nós há um longo caminho e muita distância. Não somos nada feitos do mais imediato que se vê à superfície. Somos feitos daquilo que chega à alma e a alma tem um tamanho muito diferente do corpo.” (pág. 85).

“O rapaz que habitava os livros” fala de quando a paixão dos livros se sobrepõe a tudo. “Os livros não esquecem nada. Eles são para sempre a mesma memória admirável. Esquecer livros é uma agressão à sua própria natureza. Embora, na verdade, eles nem se devam importar, porque podem esperar eternamente.” (pág. 93). “Todos os livros são conversas que os escritores nos deixam. Podemos conversar com Camões, Shakespeare ou Machado de Assis, mesmo que tenham morrido há tantos anos. A morte não importa muito para os livros”. (pág. 95).

“Tinha um pássaro no coração. Era assim mesmo, o lugar mais decente para aprisionar um animal de estimação”. (pág. 106), do lindíssimo conto “Modo de amar”.

A história da menina do capuchinho vermelho e do lobo mau é recriada em “O mau lobo”. Aqui de novo a inocência da menina e do lobinho que vai ser curado com as mezinhas que a avó conhece.

“As mais belas coisas do mundo” foi talvez o conto que mais amei de entre os doze contos do livro, o qual nos fala da relação do narrador com o seu avô. Dá vontade de o transcrever todo, de o reler e reler e reler. “Eu entendi que o meu avô era como todas as mais belas coisas do mundo juntas numa só. E entendi que fazer-lhe justiça era acreditar que, um dia, alguém poderia reconhecer a sua influência em mim e, talvez, considerar de mim algo semelhante. Com maior erro ou virtude, eu prometi tentar.” (pág. 128).

Quando li “Quatro Velhos”, o penúltimo conto, não consegui deixar de pensar no conflito actual entre a Rússia e a Ucrânia!

Neste encantamento que é ler e ficar a matutar depois de cada conto, chego ao último “Bibliotecas” ilustrado por Jas e fico rendida logo com a primeira frase: “As bibliotecas deviam ser declaradas da família dos aeroportos, porque são lugares de partir e de chegar.” (pág. 149). Vira-se a página, no alvoroço da descoberta que Valter Hugo Mãe nos propõe sobre o que são as bibliotecas, e não resisto: “Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame o direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem se esgotarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se com isso. Os livros divertem-se muito.” (pág. 150). E a terminar: “Todos os livros são infinitos. Começam no texto e estendem-se pela imaginação. Por isso é que os textos são mais do que gigantescos, são absurdos de um tamanho que nem dá para calcular. Mesmo os contos, de pequenos não têm nada. Se os soubermos entender, crescemos também, até nos tornarmos monumentais pessoas. Edifícios humanos de profundo esplendor. // Devemos sempre lembrar que ler é esperar por melhor”. (págs. 151, 152)

Na Nota do Autor, que encerra o livro, acompanhada da arte de Duarte Vitória, Valter Hugo Mãe esclarece que “Não sei escrever para crianças. Acho que apenas ausculto a sua candura, mas não sei rigorosamente dirigir-me a elas. Sou desajeitado. Os contos que invento ficam arrevesados de ser uma coisa e outra. Talvez sejam a consciência magoada pela evidência de hoje me ter adulto”.

Se quem ler este meu texto tiver ficado tentado a ler este “Contos de Cães e Maus Lobos” já me darei por feliz. É de facto um livro invulgar.

6 de Abril de 2022

Almerinda Bento