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sábado, 10 de março de 2012

A cor do céu de Julianne MacLean


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 264
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722348003
Coleção: Grandes Narrativas

Não posso deixar de vos contar o que fiz mal acabei de devorar este livro... Fui verificar o nome da autora, confirmar os seus dados biográficos para verificar se o que tinha acabado de ler não seria verdadeiro, se esta história incrível não se teria passado na realidade! E não, não se passou mesmo. Mas está de tal forma escrita que tudo leva a acreditar que sim...

Sophie é uma escritora, ou melhor, uma mulher com vontade de ser escritora e conta-nos a sua vida, uma vida tão preenchida de momentos de amor e de dor, tão fortes, que nos toca verdadeiramente! A sua procura de equilíbrio e o seu sofrimento, depois de ter perdido a sua filha, levam-na a trilhar os caminhos da sua infância buscando respostas às questões que ficaram por colocar sobre os seus pais, buscando nas suas vidas uma razão para continuar a viver.

Um livro que nos leva a reflectir sobre como reagir aos altos e baixos que a vida nos pode trazer, sobre como, depois de um trágico acontecimento, arranjamos força para recomeçar de novo. 

Partilhamos os momentos de dor, de alegria e de amor dos personagens. Partilhamos também, as suas esperanças. Muito bem escrito, este livro devora-se em apenas algumas horas quer pelos seus curtos capítulos como pela forma como a história nos é apresentada e contada.

Desejamos encontrar, no final do livro, algo que nos diga que não se trata de uma história de ficção. Com pena minha verifiquei que é! 

Recomendo muito a leitura deste livro lindíssimo!

Terminado em 9 de Março de 2012

Estrelas: 5*

Sinopse

Com um fio narrativo que conduz de surpresa em surpresa, este relato de uma experiência de quase-morte vai deixá-lo sem respiração. Sophie Duncan é uma colunista bem sucedida cujo mundo se desmorona depois da doença inesperada da filha e do chocante caso amoroso do seu marido. Como se não bastasse, tem um despiste de automóvel numa estrada coberta de gelo que a projeta para o interior de um lago gelado. Sophie experiencia então, nas águas frias e profundas do lago, algo de extraordinário, que desvenda os segredos do seu passado e que lhe ensina o verdadeiro significado de estar viva. Uma história de amor e uma jornada de auto-descoberta e redenção.

Um livro numa frase


"E que falta me faz o teu calor
por entre pedaços frágeis de lembrança
entrelaçados em miosótis de ramos frescos
como quem diz " não te esqueças de mim"
do outro nome dado a esta flor."

In pág. 38, "Labirinto de nós" de Alberto Silva

Frase escolhida por: Odete Silva, convidada deste blog

sexta-feira, 9 de março de 2012

Prémio Dardos!

Quem anda por aqui na blogosfera dos livros sabe que este prémio anda voando entre blogues!


Um beijinho especial à Paula, do Viajar pela leitura e à Carla, do Monster blues que me atribuíram este selinho.


A todas as meninas e meninos dos blogues de livros, que se esforçam por manter os seus blogues à custa de muitas horas roubadas ao sono, atribuo o mesmo prémio. 

Bem hajam!

Percepção, uma estranha realidade de Sara Farinha


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 220
Editor: Alfarroba
ISBN: 9789898455284

Tenho de confessar que este género de leitura não é a minha onda preferida. Passo  a explicar: prefiro livros que tenham uma ponta de realidade misturada com a ficção, e não que se baseiem quase todos em ficção, ou pelo menos naquilo que considero ficção. 

A mente leva-nos para caminhos desconhecidos e as suas potencialidades são, realmente, extremas, estando muito para descobrir. 

As personagens principais deste livro são chamados de "sensitivos" porque captam os sentimentos dos outros, as suas emoções e conseguem, com treino e afinco, influenciar as suas mentes.

No entanto, o facto de não estar muito receptiva para este género literário, isso não me impede de considerar que este livro de Sara Farinha está muito bem conseguido porque escrito de uma forma que nos impele para sua leitura, sem espaços mortos e conseguindo manter a acção constante de interesse até ao seu final.

E não é que gostei?

Terminado em 7 de Março de 2012

Estrelas: 3*+

Sinopse


Joana cedo descobriu que os estados emocionais dos outros toldavam o seu raciocínio e moldavam o seu comportamento. Em busca de uma vida anónima, Joana esconde-se em Londres, procurando ignorar a maldição que a impede de levar uma vida normal.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Os livros e eu....


"Às vezes os livros fazem-me viajar, degustar sabores e visitar o passado!"

Cris

A convidada escolhe: Desaparecido para sempre

Com tantas leituras muitas vezes fico na dúvida se já terei lido alguma coisa de certo autor... Foi essa a principal razão que, há perto de dois anos, me levou a fazer este blog! Do Harlan Coben não me lembro se li alguma coisa... mas pela opinião da Teresa - que considero ter gostos idênticos aos meus - se realmente o tivesse feito, lembrar-me-ia, não? O que estou a perder!!!

"Esta foi uma leitura absolutamente imprevisível!

As primeiras páginas deste livro agarraram-me mas ao fim de poucos capitulos perdi um bocado o interesse e resolvi suspender a sua leitura durante algum tempo. E foi uma excelente decisão pois, 5 livros depois e umas 3 semanas de intervalo deram um excelente resultado! Peguei no livro e foi um tal devorar páginas até ao seu final!!!

Uma intrigante história, com sucessivas reviravoltas, pensamos chegar a conclusões e de repente há um twist que nos deixa de novo à procura da verdade! Verdade? Até ao final a verdade muda constantemente! Ou melhor, o que parecia verdade num capitulo, torna-se absolutamente falso 2 capitulos à frente! Um ritmo por vezes alucinante, situações angustiantes, acção pura e dura, são características desta narrativa.

Com a personagem principal, Will Klein, cria-se quase de imediato uma relação de
proximidade, de afinidade, até porque esta é uma narrativa feita na primeira pessoa e exactamente por Will. Com a personagem Ghost pelo contrário sente-se logo uma aversão, no entanto no final chega-se a sentir uma muito ligeira empatia com esta personagem, depois de compreendermos alguns aspectos da mesma que durante o livro nunca tinham sido aflorados. Por Ken chegamos a sentir uma forte empatia e no entanto.... enfim, não vou desvendar mais nada acerca de Ken!

Reviravolta atrás de reviravolta levam-nos a uma leitura compulsiva para rapidamente chegar às últimas páginas e saber o que realmente aconteceu. Um final com revelações que deixam o leitor absolutamente fascinado!

Gostei imenso deste livro e fiquei fã do Harlan Coben! Classificação : 4+"

Teresa Carvalho

quarta-feira, 7 de março de 2012

Novidade Alfarroba

Novidade Planeta

A Cor da Memória
de Care Santos
Na convulsa e fascinante Barcelona do modernismo, a matriarca de uma das sagas mais prestigiosas da cidade prepara a mudança para o seu novo lar, um lindíssimo palacete vizinho do então incipiente Paseo de Gracia.
As paredes dessa casa serão o zeloso guardião de vidas repletas de ambição, segredos inconfessáveis e paixões ocultas.
Essa é a herança que o tempo confiará a Violeta, última da estirpe: o passado, visto do presente é sempre um quebra-cabeças a que faltam peças...


Soltas... O livro do amanhã


"Muitas pessoas, contudo, não terão dificuldades em crer pois as suas mentes já se abriram com a ajuda de uma qualquer chave que as leva a acreditar. (...) Quando a chuva cai e o sol brilha elas crescem, crescem, crescem; mentes assim tão abertas passam pela vida cientes e receptivas, vendo luz onde existe escuridão, encontrando potencial nos becos sem saída, saboreando a vitória enquanto outros cospem fracassos, questionando quando outros aceitam."

"E se, e se, e se... E se soubéssemos o que amanhã nos traria? Conseguiríamos repará-lo? Seria possível fazê-lo?"

O livro do amanhã de Cecelia Ahern


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 280
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722346214

Que boa surpresa esta leitura! Sinceramente pela sinopse não esperava que prendesse tanto a minha atenção.

Esta é a história de Tamara, dezasseis anos (ou dezassete?!) que perdeu o pai (será mesmo?) e a sua fortuna e tem de começar a viver noutro lugar, com família que praticamente desconhece. Até aqui nada por aí além... O que verdadeiramente surpreende é a forma como está escrito. Cecelia Ahern supera-se e, através de Tamara, envolve-nos num enredo surpreendente, cheio de mistérios, revelações e segredos. 

Não vos vou contar a história, nem um pouquinho, mas as personagens estão muito bem conseguidas, com características bem definidas e diversas entre si, que nos impelem para uma leitura compulsiva e intensa.

E, depois, tem um toque de magia que torna este livro muito bom, mesmo. Fez-me lembrar - com as devidas diferenças - um pouco "A árvore dos segredos" de Sarah Addison Allen. Um livro mágico, um amanhã que se sabe hoje, uma adolescente que repensa a sua vida - fútil - e que descobre amizades, segredos de família escondidos e guardados a sete chaves, que aprende e cresce.


Fiquei retida no tempo até descobrir todos os mistérios deste livro. Gostei muito e recomendo. Uma leitura surpreendente!

Terminado em 5 de Março de 2012

Estrelas: 5*

Sinopse

Com mais de um milhão de exemplares vendidos em quinze países, O Livro do Amanhã é o novo romance da autora de P. S. - Eu Amo-te. 

Tamara Goodwin tem dezasseis anos e vive confortavelmente numa mansão moderna com seis quartos, habituada a ter tudo o que quer quando quer. Mas, quando o pai morre deixando inúmeras dívidas, Tamara e a mãe não têm outra alternativa senão vender tudo e ir viver com parentes para um lugar distante e isolado junto ao castelo de Kilsaney. Para Tamara o choque parece inultrapassável, até que um dia uma biblioteca itinerante chega à vila trazendo consigo um misterioso livro encadernado a couro e fechado com um cadeado dourado…

terça-feira, 6 de março de 2012

Obra completa de Florbela Espanca editada pela Presença

Novidades Civilização

Os Segredos dos Outros 
de Louise Candlish
Ginny e Adam Trustlove chegam de férias a Itália, destruídos por uma tragédia pessoal. Duas semanas numa casa na margem do tranquilo lago de Orta é exatamente aquilo de que precisam para restaurarem a sua fé na vida – e um no outro.
Vinte e quatro horas mais tarde, o silêncio é interrompido. A família Sale chega à casa principal da propriedade: Marty, um homem bem-sucedido, Bea, a sua bela esposa, e a sua prole privilegiada e confiante. Não demora muito até Ginny e Adam serem atraídos para o círculo, especialmente quando a filha adolescente, Pippi, traz um novo amigo. Porque há qualquer coisa em Zach que deixa toda a gente imediatamente encantada, qualquer coisa que liberta antigos segredos – e cria segredos novos e chocantes.
E contudo, nenhum deles suspeita que a chegada de Zach às suas vidas possa ser tudo menos uma coincidência...


E a Banda Continuou a Tocar... 
de Christopher Ward 
[CENTENÁRIO DO NAUFRÁGIO A 14 DE ABRIL de 2012]
No dia 14 de abril de 1912, o Titanic chocou contra um icebergue na sua viagem inaugural e afundou-se.
Mil e quinhentos passageiros e tripulantes perderam a vida. Quando a ordem para abandonar o navio foi dada, a orquestra pegou nos seus instrumentos e continuou a tocar no convés. Ainda tocava quando o navio se afundou. O violinista de vinte e um anos, Jock Hume, sabia que a sua noiva, Mary, estava grávida do primeiro filho – a mãe do autor. Cem anos mais tarde, Christopher Ward revela uma dramática história de amor, perda e traição, e o catastrófico impacto da morte de Jock em duas famílias escocesas muito diferentes. (...)

A convidada escolhe: A ponte invisível



Um livro que dei nota 6*. Sem mais palavras, a minha opinião aqui.

"Não pensei duas vezes para começar a ler este livro. Na opinião da nossa Cris, as 792 páginas poderiam ser mais… Partilho inteiramente, cada capítulo surpreende mais que o anterior!

Gosto de ler livros sobre a Segunda Guerra, porque nunca é demais relembrar os horrores que passaram os judeus nesse período tão negro da nossa História. Mas, neste livro, eles são relatados de uma forma “simples”, sem exageros dramáticos, sendo a melhor palavra para o descrever: elegante!

O percurso de uma família e dos seus amigos pelos anos atrozes da guerra, sempre acompanhados do amor e carinho que os unia e, não menos importante, da Fé que os levaria a bom porto… recordo aqui as palavras do pai de Andras: “Deus exige mais àqueles que mais ama”… As vicissitudes porque passaram todos os membros desta família são incontáveis, mas em todas elas, se sente que o amor verdadeiro ajuda a tudo ultrapassar! Comoveu-me que Andras pensasse ser egoísmo receber uma bolsa que o levou até Paris! Onde chega o desejo de tudo partilhar com quem amamos…

É este sentimento que trespassa cada página deste livro. Quando pensamos ser impossível mais desaires, aí vem mais outro pior que o anterior. Terão fim?

Pensei muitas vezes o porquê do título – A Ponte Invisível – e, para mim, esta ponte foi a forte e indestrutível união dos membros desta família que os ajudou a sobreviver aos mais pesados trabalhos/castigos, a que alguns foram sujeitos. Com eles, e os seus amigos, aprendemos a aceitar as especificidades de cada um…e tanto haveria para dizer! Deixo-o à vossa imaginação, quando mergulharem neste livro, que recomendo vivamente.

Ficou-me na memória uma frase de Andras sobre o ventre da sua amada Klara: “O berço dos meus filhos… o berço da minha felicidade…”

Não sei como classificar este livro! Apetece-me atribuir-lhe uma estrela por cada um dos judeus que a teve de ostentar nas suas roupas (muitas vezes, apenas farrapos) como sinal do apartheid de que foram alvo..."

Ana Bento

segunda-feira, 5 de março de 2012

A linguagem secreta das flores de Vanessa Diffenbaugh


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 416
Editor: Alfaguara Portugal
ISBN: 9789896720742

Um livro é, realmente, algo de muito especial! E, para todos nós, que lemos por gosto e muito, o facto de um livro nos poder surpreender e de nos podermos apaixonar por ele é, sem sombra de dúvida, algo de fantástico, uma sensação única e muito pessoal!

Não fora os comentários que li deste livro aqui, no SdL, de onde sou leitora, ele ter-me-ia passado despercebido, como certamente sucedeu a muitos de vós... Não se pode dizer que a capa não é atractiva  nem que não tenha nada a ver com o conteúdo mas eu diria que é um pouco "sem sal". A sinopse também não consegue traduzir a magia que se dá em nós quando pegamos nele...

Com uma história cativante logo desde as primeiras páginas, alternando entre o passado e o presente, esta obra conta-nos a história de vida duma menina orfã, carente, abandonada, que passou a sua infância em casas de acolhimento e famílias de adopção... períodos temporários, brevíssimos, que a marcaram profundamente. (Quantas crianças não viverão, ainda nos dias de hoje, situações idênticas?)

O que se torna muito apelativo, neste livro fabuloso, é que as duas partes temporais que aqui nos são relatadas - na primeira pessoa, pela personagem principal, Victoria de seu nome - são verdadeiramente cativantes, e passamos do passado para o presente querendo saber mais tanto de um como de outro. Isso muitas vezes não acontece pois há sempre uma parte da história que nos prende mais.


O final é o esperado - afinal um romance é um romance, não? - mas bem até ao final está cheio de segredos e revelações que o tornam num livro a ler e a colocar em cima da pilha! Conseguimos constatar que, muitas vezes, a realidade é muito idêntica ao que se passa nesta história: há sempre uma possibilidade de escolha nos caminhos que trilhamos mesmo que o nosso passado esteja revestido de dor, de separação e abandono.


Recomendo, está claro!

Terminado em 3 de Março de 2012

Estrelas: 5*+

Sinopse

Victoria Jones tem medo do contacto físico. Tem medo das palavras, as suas e as dos outros. Sobretudo, tem medo de amar e de ser amada. Há apenas um lugar onde todos os seus medos se esfumam no silêncio e na paz: o seu pequeno jardim secreto, num recanto de um parque público de São Francisco. 

É nesse refúgio que cuida das flores e se sente em casa. Foi Elizabeth, a única mãe verdadeira que conheceu na sua vida, que a iniciou na arte da linguagem secreta das flores. Para Victoria é simples resumir a sua vida através das flores: a lavanda para a indiferença, os cardos para a misantropia, e a rosa branca para a solidão. 

Abandonada ainda em bebé, passou a infância a saltitar de uma família adoptiva para outra. Agora, aos dezoito anos, está largada à sua sorte, sem um lugar a que chamar casa. Até ao dia em que uma florista descobre o talento de Victoria para as flores e lhe oferece trabalho. Rapidamente os seus arranjos florais passam a ser dos mais procurados da cidade, porque comunicam emoções, oferecem felicidade e curam a alma.

Apesar da magia e beleza que espalha em seu redor, Victoria continua sem esperança de encontrar um remédio que cure as suas feridas. Tudo muda quando conhece Grant, um jovem misterioso que também conhece a linguagem secreta das flores e parece saber tudo sobre ela. Só Grant parece ser capaz de aceder ao coração de Victoria, bem trancado dentro de um compartimento secreto. Este encontro obriga a jovem mulher a recordar um segredo do seu passado e a decidir se vale a pena arriscar tudo em troca de uma segunda possibilidade de ser feliz.

domingo, 4 de março de 2012

Resultado do passatempo: "Percepção"

A vencedora deste passatempo, que contou com 241 participações e foi escolhida pelo Random.Org, vai receber uma exemplar autografado. Um agradecimento especial à Alfarroba e à autora Sara Farinha.

A vencedora é a participante nº10:

- Viviana Ferreira da Charneca da Caparica


Muitos parabéns!

Ao Domingo com... Miguel Almeida

"Quem sou eu … como escritor? – perguntam-me.
Após cinco livros publicados, mais um em co-autoria e outro como coordenador, em registos literários tão diversos e distintos, que vão desde o ensaio técnico à prosa de ficção, da poesia à “literatura para crianças”… Antes de dois novos livros, que vão aparecer nas livrarias de todo o país nos próximos meses… Quem sou eu… como escritor?
Vou ali perguntar ao Miguel Almeida, pedindo-lhe que responda o mais rápido que possa, para que seja o mais sincero possível.
- Sou alguém que é professor, marido e pai, e que por isso tem muito pouco tempo para dedicar à escrita, mas que ainda assim tudo faz para o aproveitar o melhor que pode e sabe;
- Sou alguém que ainda se espanta e admira com o lado maravilhoso da vida, que por todo o lado nos interpela e envolve, e daí colhe o alimento para a sua escrita;
- Sou alguém que gosta de escrever e que tira um enorme prazer daquilo que consegue fazer;
- Sou alguém que se satisfaz naquilo que faz, ao ponto de o querer partilhar através da publicação;
- Sou alguém que olha sempre insatisfeito para o que faz, a pensar sempre no que ainda pode e deve a si próprio fazer … E há sempre tanto que fica por fazer!
- Sou…
Podia continuar a perguntar ao Miguel Almeida “Quem sou eu … como escritor?”, mas acho que ele iria continuar a responder assim, como faz em “Auto-conhecimento”, um dos belos poemas de Ser Como Tu, o seu último livro de poesia:




Auto-conhecimento


Sei o que sou.
Sei?
Sei talvez o bastante,
Para não aceitar, ou recusar
Perante o destino,
Que tenho ideias minhas,
Pensamentos próprios, que ofereço
Como frutos puros, da minha liberdade.
Sei o que sou?
Sei.
Sei talvez o bastante,
Para perceber, ou entender
Perante o acaso,
Que estando só, de mim para mim
As palavras, as minhas escassas palavras
Exprimem a incerteza, daquilo que poderei vir a ser.


Miguel Almeida, Ser Como Tu, Ed. Esfera do Caos, 2011, p. 73.



Nasci em Rãs, pequena aldeia do concelho de Sátão, distrito de Viseu, em 1970. Licenciei.me em Filosofia (Variante de Filosofia da Ciência) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde também fiz o Mestrado em Filosofia da Natureza e do Ambiente, exerço actualmente funções docentes na Escola Secundária Cacilhas-Tejo, em Almada. Vivo na Costa da Caparica, na proximidade poética da família e do mar."


Miguel Almeida



Obras Publicadas: Um Planeta Ameaçado: A Ciência Perante o Colapso da Biosfera (Esfera do Caos, 2006), A Cirurgia do Prazer: Contos Morais e Sexuais (Esfera do Caos, 2010), O Templo da Glória Literária: Versão Poética (Esfera do Caos, 2010), e Ser Como Tu (Esfera do Caos, 2011). Chireto: Uma Semana de Histórias para Contar ao Deitar (Lua de Marfim, 2011). Publicou também, desta vez em co-autoria, a obra Já não se fazem Homens como antigamente (Esfera do Caos, 2010). Coordenou ainda a obra Palavras Nossas: Colectânea de Novos Poetas Portugueses (Esfera do Caos, 2011).
Em Abril de 2012 vai publicar O Lugar das Coisas, o seu sétimo livro e o terceiro de poesia. Em Maio vai publicar em coordenação e co-autoria uma Colectânea de Contos, com 25 Autores – Participantes.





Passatempo: "Uma noite de amor"

O Tempo entre os meus livros em parceria com a Edições Asa tem para oferecer um exemplar de "Uma noite de amor" de Mary Balogh, a todos os seus seguidores.

O passatempo decorre até ao dia 10 de Março.

As regras são as do costume: uma participação por email/residência e só para moradas em Portugal. O blog e a editora não se responsabilizam por qualquer extravio aquando do seu envio pelos CTT.

Toca a responder às questões que se seguem e boa sorte!

sábado, 3 de março de 2012

Novidade Bertrand

Impossível
de Danielle Steel
Quando uma galerista e um famoso e excêntrico pintor, sem nada em comum, se apaixonam, a história só pode tornar-se impossível.
Desde a morte súbita do marido, Sasha dedica toda a energia às duas galerias que coordena, uma em Paris outra em Nova Iorque. Não poderia portanto imaginar que, ao entrar no ateliê de Liam, o seu mundo será virado de pernas para o ar. O impossível vai acontecer! Uma mulher de negócios e um boémio e extravagante pintor vão apaixonar-se. Mas Sasha não está preparada para assumir abertamente a relação com Liam. Ele gosta de ser provocador e comporta-se como um adolescente, enquanto ela se preocupa com as conveniências e as aparências. Acima de tudo, ela tem quase mais dez anos que ele, o que, na sua opinião, é inaceitável.

Na minha caixa de correio

          

Um livro numa frase




"Todo o meu sentimento de estar sozinha no mundo num turbilhão de maldade irrompeu de súbito, acompanhado do sentimento de ter sido mutilada de qualquer ligação com a minha vida verdadeira."

 In pág 101, "Diário Azul", James A. Levine

Frase escolhida por: Teresa Carvalho, convidada deste blog.

sexta-feira, 2 de março de 2012

O melhor do mês de Fevereiro


Muito booom!
A minha opinião aqui!

O coração de Murano de Marina Fiorato


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 288
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04286-6


Uma leitura que apreciei muito fazer. A sinopse prometia e a alternância entre passado e presente, isto é, entre o período renascentista e os dias de hoje, leva-nos a percorrer Veneza de outros tempos e de hoje, mergulhando num mundo onde o fabrico do vidro tinha segredos bem guardados e preciosos.

Com mistério q.b., este livro consegue transmitir-nos o valor, nessa época passada do renascimento, dos conhecimentos sobre o fabrico do vidro e o quanto os seus segredos eram guardados, muitas vezes pagando com a própria vida.

As referências históricas encantaram-me e os aspectos referidos em relação ao fabrico de vidro, sobretudo na Ilha de Murano, são muito fiéis  ao que foi a realidade de muitos cristaleiros de então. Um dos aspectos que desconhecia foi a razão pela qual essa arte se deslocou de Veneza para Murano: os edifícios Venezianos eram construídos na sua maior parte em madeira sendo o risco de incêndio muito elevado, isolando esses fazedores de vidro nessa ilha perto de Veneza! Com códigos de conduta muito restritos, os cristaleiros viviam como que aprisionados na Ilha de Murano.

Gostei da alternância entre passado e presente, achei que a passagem entre um e outro está, neste livro, particularmente bem conduzida, não havendo aspectos menos apelativos nesta leitura, conseguindo manter o interesse do leitor.

Terminado em 28 de Fevereiro de 2012

Estrelas: 4*+

Sinopse

O fabrico de vidro e cristal representa um inestimável monopólio para a República e os espelhos venezianos são considerados mais valiosos do que o ouro. Sob a vigilância atenta do Conselho dos Dez, os sopradores de vidro de Murano vivem praticamente aprisionados na pequena ilha, onde os segredos do seu ofício são guardados a sete chaves. Mas o maior dos artífices, Corradino Manin, ver-se-á forçado a revelar os seus métodos e a vender a alma a Luís XIV, o Rei Sol, para proteger a sua filha ilegítima.

Quase quatro séculos depois, Leonora Manin deixa para trás um passado infeliz em Londres para iniciar uma nova vida como sopradora de vidro em Veneza. Será na cidade mágica dos canais que encontrará o amor e a possibilidade de refazer a sua vida. No entanto, à medida que os segredos da traição do seu antepassado vão sendo desvendados, Leonora verá o seu próprio destino interligado com o de Corradino.

Entre dois tempos, o período renascentista e a actualidade, O Coração de Murano é um romance inesquecível que decorre na mais bela cidade do mundo.

O melhor do mês de Março




Este mês dei a dois livros a pontuação máxima, aquela que dou a livros muito especiais: ****** estrelas! Ambos o merecem. Aliam a uma escrita espectacular, momentos verídicos da História e transportam-nos para realidades diferentes, difíceis e tão diversas das nossas que nos fazem querer participar daqueles relatos. Muito bons! 
São eles:



quinta-feira, 1 de março de 2012

A convidada escolhe: Casamento em Veneza.

A Fernanda é uma amiga que tem a minha total confiança no que concerne às opiniões que tem sobre os livros e se ela diz que vale a pena, então não me resta mais do que pegar no livro também...

"Acontece-me várias vezes ser influenciada pela capa de um livro para o comprar e ler ou não. Este é um daqueles casos em que se não me tivesse sido aconselhado por uma amiga com gostos literários semelhantes jamais teria pensado em o ler… com uma capa de romance lamechas (algo que não faz o meu género) ficaria, porém a perder uma história bem engendrada e bem escrita.

O título também não é o mais feliz… talvez tentando captar um grupo de leitores que não creio que se reveja no conteúdo… o original “Meet me in Venice”
é, sem dúvida, o adequado, razão pela qual a autora o terá escolhido, certo? Às vezes tenho sérias dificuldades em compreender as opções das editoras…

"Casamento em Veneza", de Elizabeth Adler é, contrariamente ao que se supõe pelo título, um romance de suspense, suspense e mais suspense... 3 mortes, a história de um colar fabuloso feito com pedras preciosas pertencentes a Cixi – a Dama do Dragão, última imperatriz da China - duas primas antiquárias, Preshy e Lily, que não se conhecem - uma a viver em Paris e a outra em Xangai. Um caçador de fortunas, um escritor angustiado com o seu passado, duas tias multifacetadas. E, de facto, uma atracção por Veneza, cenário de acção. São estes os ingredientes de que é feita esta história de ambição desmedida e tudo o que ela envolve: fazer fortuna à custa do casamento com herdeiras, roubo de campas, falsificação de antiguidades…

Uma história pontuada aqui e ali por um pouco de romantismo, apenas q.b., verosímil ou não, que não tira ritmo à acção, nem adoça em demasia.

Ser rico a qualquer custo aparece-nos como um traço de personalidade comum a algumas personagens, que se atraem e repelem. Um romance cheio de voltas e reviravoltas, de leitura compulsiva e de que gostei. Uma história em que me questionei sobre a ingenuidade e me irritei com algumas características de alguns
personagens porque não suporto pessoas mal-agradecidas, onde apreciei os laços de amizade e com que me diverti bastante e sorri abertamente com as tias Grizelda e Mimi, a condessa e a ex-bailarina das Follies…

Este foi o primeiro livro desta autora que li. Gostei e recomendo para umas horas bem passadas. Fiquei com vontade de ler mais um ou outro livro de Elizabeth Adler, sobretudo os que sei que têm enredos semelhantes.

Mas quando o fizer vou voltar a forrar a capa para não me verem por aí a passear um livro com uma capa tão pirosa como as que a editora escolheu para esta autora
pergunto-me mesmo… será que quem escolheu acapa leu o livro? E que fez o título? Terá sido mesmo a tradutora?"

Fernanda Palmeira