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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Não podemos ver o vento de Clara P. Correia


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 364
Editor: Clube do Autor
ISBN: 9789898452702

Quando, no fim da primeira página, anotei duas palavras que precisava ver o significado no dicionário pensei: "Mau! Assim não vou longe...". Enganei-me! Fui, na realidade, para longe do sítio onde me encontro habitualmente a ler, naveguei tanto para Moçambique,
na época da chamada Guerra do Ultramar, como para a Cidade do Cabo em Cabo Verde, como também para o interior de Portugal e para Lisboa! Mas mantenham uma folhinha e um lápis para irem anotando algumas palavrinhas... Sabem, por acaso, o que é discóbolo, homúnculo e mitomania? Mas não se aflijam, depois o romance lê-se maravilhosamente!

A escrita de Clara Pinto Correia é muito sui generis, variando na sua forma, alternando entre expressões do senso comum e palavras "de procura directa no dicionário", como costumo dizer... mas constituiu uma bela e reveladora surpresa. Escrita real, crua mas poética também!

Como ela própria avisa nas primeiras páginas, "Todas as histórias que aqui se contam são verdadeiras. O romance, esse, foi inventado do princípio ao fim." Tal como gosto. De saber, logo no início, o que posso considerar como real e o que não passa de ficção. E o que é real faz-nos pensar, e o que é real denota uma pesquisa muito grande da parte da autora.

E real são as histórias dos que estiveram na Guerra do Ultramar, em Moçambique; real foram (e são!) as doenças psico-somáticas que eles padeceram aquando do seu regresso - stress pós-traumático - que me fizeram tomar conhecimento, com maior aprofundamento, de uma realidade que somente aforava. Saber o que foram os GE (Grupos Especiais) e como se moviam em "campo" sempre que atacavam ou eram atacados pelos elementos da Frelimo.

E o romance é espectacular, surpreendendo-nos a cada instante e dando consistência ao título somente no final. Intercalando passado e presente, muitas vezes temos de ter atenção e reter partes da história porque parecem não fazer sentido no momento da sua leitura. Mas, elas vão-se encaixando, aos poucos, como um puzzle. A última peça, ou seja, as ultimas páginas encaixam perfeitamente, fazendo  todo o sentido e terminando em pleno.

Cada início de um capítulo constitui uma surpresa. Boa, por sinal. Mas inesperada!
Um romance para se saborear mesmo, e sobretudo, depois de acabado! 

Terminado em 16 de Outubro de 2011

Estrelas: 5*

Sinopse

Mariana, uma psicóloga de determinação férrea, mãe de duas gémeas atrevidas e curiosas, começa a frequentar o Solar de Turismo de Habitação que Guilherme dirige na Serra do Barroso para preencher os tempos livres das filhas. Estabelece rapidamente uma amizade com o proprietário e à medida que essa relação vai estreitando começam a surgir os temas que lançarão a psicóloga na sua investigação sem retorno: A Guerra Colonial em Moçambique, a formação dos Grupos Especiais e dos Grupos Especiais Pára-Quedistas, as suas incríveis missões-relâmpago de contra-guerrilha, o uso de estupefacientes fornecidos pelo próprio Exército Português, e outros segredos. 
Não Podemos Ver O Vento é um puzzle em que as peças vão encaixando para revelar aspectos imprevistos dos abismos da alma humana e histórias verdadeiras de um dos segredos mais bem guardados da Guerra. A última peça do puzzle, no entanto, ao revelar o quadro na sua totalidade, também o modifica por completo: afinal havia mais um segredo, o mais impressionante de todos, e desse nem Guilherme falou nem Mariana suspeitou.

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