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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Uma chinesa na América


Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 352
Editor: Bizâncio
ISBN: 9789725304372
Colecção: Montanha Mágica

Quando peguei neste livro sabia que ia gostar. A capa pareceu-me - como qualificá-la? - diferente, estranha mas, depois de o concluirmos, percebemos que tem todo o sentido. De Lisa See já tinha lido "O leque secreto" e os temas tratados agradaram-me muito. O que não imaginava era que ia gostar tanto assim!

O livro foi para mim uma pérola que, página a página, fui abrindo, descobrindo e amando. Rico (riquíssimo!) nos temas escolhidos, é uma lição de História que vamos aprendendo sem nos darmos conta e, também, uma lição de vida, de coragem e de amizade.


De escrita simples, directa, sem floreados mas arrebatadora, este romance cativa imediatamente a nossa atenção, tanto mais que os acontecimentos sucedem-se em catadupa, não nos deixando quase espaço para respirar. Acontecimentos que são, de tal forma "estranhos" para nós, que foi como uma chuvada de sensações, às quais não podemos ficar insensíveis... A narradora é Pearl, uma jovem chinesa, que nos vai contando momentos da sua vida, que partilha com sua irmã mais nova, entre 1937 e 1957.


Ficamos a conhecer os costumes de uma China dessa época, marcada pela guerra, os contrastes entre indivíduos de classes sociais díspares, a indiferença por parte de duas jovens em relação às injustiças gritantes existentes entre essas mesmas classes, as diferenças de mentalidade entre pais e filhos que são tão, mas tão diferentes das nossas, que nos fazem "estremecer" um pouco. 

Baseado em factos verídicos, damo-nos conta, igualmente, de uma realidade que, naquela época, tomou proporções imensas, a emigração ilegal do povo Chinês para fugir da invasão Japonesa e as suas dificuldades num país que nunca os aceitou verdadeiramente e os marginalizou, a América. Criaram um mundo à parte - Chinatown - do qual não se conseguiam desligar, mesmo que tivessem dinheiro suficiente, pois a sua naturalidade era um impedimento. Os seus filhos, sendo cidadãos americanos, viveram, também, essa marginalização, acrescentando o facto que viveram no meio de duas culturas muito diferentes entre si, sentindo-se divididos entre elas.

Muito, muito bom! Ah, um pedido: será que a autora não poderia continuar este romance? É que a história podia tão bem continuar... Ficou tanto em aberto...

Terminado em 21 de Dezembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse

Em 1937, Xangai era a Paris da Ásia. Duas jovens irmãs, Pearl e May Chin, gozam a época dourada das suas vidas, graças à fortuna do pai. Um dia, porém, o pai anuncia que perdeu toda a fortuna na mesa de jogo, e que, para pagar as dívidas, as vendeu como esposas a compatriotas endinheirados que vieram da Califórnia à procura de noivas chinesas. Já com as bombas japonesas a caírem sobre a sua amada cidade, Pearl e May embarcam na viagem das suas vidas rumo à América. Recomeçam a vida tentando encontrar o amor junto dos estranhos com quem se casaram. Divididas entre o fascínio de Hollywood e os antigos modos de vida e as regras de Chinatown, esforçam-se por aceitar a vida americana. Pearl e May são amigas inseparáveis; porém, como todas as irmãs, nutrem, também, uma pela outra, invejas e rivalidades mesquinhas. Enfrentam sacrifícios terríveis, fazem escolhas impossíveis e partilham um segredo devastador, capaz de mudar as suas vidas.

Um pouco de Historia

Em julho de 1937, sem declaração de guerra, o Japão inicia as hostilidades; em menos de noventa dias os japoneses ocuparam a parte oriental do país, sem que o governo nacionalista pudesse impedi-los. Pequim e Tientsin caem em poder dos nipônicos. Os EUA e a URSS firmam com a China tratados de ajuda e amizade.

Os comunistas, liderados por Mao Tsé-Tung, e os nacionalistas, liderados Chiang Kai-shek, assinam um acordo em 22 de setembro de 1937, pelo qual os comunistas abandonam seu projeto de um governo revolucionário, renunciando a insurgir-se contra o governo de Chiang Kai-shek que, pelo seu lado, comprometeu-se a suspender as operações anticomunistas, forma-se dessa forma a Segunda Frente Unida. Apesar da aliança, as forças chinesas não são fortes o suficiente para lutar contra o Exército Imperial Japonês e sofrem uma série de desastres no início do conflito. O Japão, ocupa Xangai e Nanquim, realizando o bloqueio da China meridional, e instituindo um Estado títere, que durou de 1938 a 1945, reconhecido pelas potências do Eixo.

A participação da China na II Guerra Mundial, a partir de 1941, facilitaria a ajuda norte-americana, inglesa e soviética ao governo de Chiang Kai-shek, e a derrota do Japão em 1945, representou a libertação do território nacional. Dessa forma, o avanço das forças soviéticas pela Manchúria a 8 de agosto de 1945 e o lançamento em 6 e 9 de agosto de duas bombas atômicas sobre o Japão, destruindo Hiroshima e Nagasaki, encerrou a Guerra do Pacífico. O Japão rendeu-se incondicionalmente em 10 de agosto de 1945.

Com o final da Segunda Guerra, os japoneses foram expulsos do território chinês e as tropas de Chiang Kai-shek, com o apoio bélico dos Estados Unidos, lançaram uma ofensiva contra os “vermelhos” de Mao Tse-tung, reiniciando, então, o conflito armado.

Em 1948, quase toda a China do Norte estava em poder dos comunistas, que, no inicio de 1949, ocuparam Tientsin e Pequim, além de dominarem a região central do país. Chiang Kai-shek demitiu-se em janeiro de 1949, entregando o poder ao General Li Tsung-jen. Isso não facilitou as negociações com os comunistas, que exigiam a formação de um governo de coalizão sob a chefia de Mao Tse-tung. A queda de Xangai, Nanquim e Cantão representava a liquidação dos exércitos nacionalistas, agravada pela atitude dos EUA, que em agosto de 1949 anunciavam a cessação de qualquer ajuda ao Kuomintang.

Mesmo sem a ajuda da maior potência comunista, a União Soviética, dirigida na época por Stalin, as forças de Mao conseguiram a vitória. Em 1º de outubro de 1949, conquistaram o poder e proclamaram a República Popular da China, sendo instalada a Conferência Consultiva do Povo, que elaborou o programa do novo governo, presidido por Mao Tse-tung.
(Retirado da Wikipédia)

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