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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Novidade Clube do Autor

Paixão Proibida em Summerset Abbey
de T.J. Brown

Os amantes da série televisiva Downton Abbey têm no novo livro de T. J. Brown mais uma oportunidade de reviver os usos e costumes da época vitoriana e os jogos de poder da aristocracia britânica. A autora inspirou-se na mesma época retratada na famosa série de televisão para contar as histórias de Rowena, Victoria e Prudence, três jovens à procura do seu lugar numa sociedade em mudança. O mundo prepara-se para uma provável guerra e os modelos sociais estão em convulsão.

Novidade Esfera dos Livros

Judeus Ilustres de Portugal
de Miriam Assor

Numa extraordinária viagem do século XV ao século XX, as vidas destes 14 homens e mulheres ilustres da nossa História renascem pela mão da jornalista Miriam Assor, que nos conta como de formas variadas, cada um deles contribuiu, enriqueceu, dignificou e honrou o país, marcando terminantemente o universo histórico-nacional e além-fronteiras. Da Medicina à Filosofia, da Ciência ao sector pioneiro empresarial, da Poesia litúrgica a autoridades rabínicas, da Música à Matemática, da Literatura à liderança comunitária. Foram humanistas, homens e mulheres corajosos que optaram por actuar ao serviço do próximo, colocando, muitas vezes, as suas próprias vidas em risco ou num último plano. O célebre médico Amato Lusitano, a empresária destemida Dona Grácia Naci, o famoso naturalista Garcia de Orta, o cientista Pedro Nunes, o pensador Isaac Cardoso, o rabino Isaac Aboab da Fonseca, que, fugido da perseguição que alastrava em Portugal incendiada pelos fogos da Inquisição, encontrou na Holanda a paz para fundar a sinagoga portuguesa em Amesterdão. A extinção formal da Inquisição em 1821 trouxe de volta ao país estes homens e mulheres perseguidos, que dominando várias línguas e em contacto permanente com a Europa e o mundo - quer por razões comerciais quer por razões pessoais - trazem uma lufada de ar fresco ao nosso país. Alfredo Bensaúde, fundador e o primeiro director do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. A sua filha, Matilde, pioneira da investigação biológica, única mulher entre os criadores da Sociedade Portuguesa de Biologia. Alain Oulman, o compositor que revolucionou o fado e que teve como principal divulgadora desse seu infindo talento a voz de Amália. O catedrático Moses Amzalak, líder da Comunidade Israelita de Lisboa, que aproveitou a sua proximidade com o ditador Salazar para realizar as operações de socorro aos refugiados do Holocausto. Também os irmãos Samuel Sequerra e Joel Sequerra, a viver em Barcelona, salvaram cerca de mil compatriotas das mãos nazis. Já Abraham Assor chega a Portugal pouco tempo antes de acabar a Segunda Guerra Mundial e seria, por meio século, o rabino da Comunidade Israelita de Lisboa. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A Escolha Do Jorge: A Ilha

“A Ilha” é comummente designada como a obra-prima do italiano GianiStuparich (1891-1961), obra que foi publicada pela primeira vez em 1942 e que as Edições Ahab escolheram para iniciar o seu percurso editorial em 2009.

Um indivíduo já com alguma idade a quem lhe foi diagnosticada uma doença de origem cancerígena solicita ao seu único filho para que juntos possam visitar a sua terra natal, uma pequena ilha italiana do Adriático, quiçá onde passará os seus últimos dias de vida.

O facto de a terra natal ser uma pequena ilha, aquele espaço geográfico exerce um papel determinante na vida dos seus habitantes pressionando-os para procurarem o futuro fora dela, mas mantendo a ideia de que a ela deverão regressar no fim da vida como se tratasse de um regresso às origens, um regresso às mais antigas recordações de uma infância que partiu há muito e que conduzia à ideia de pertença a um pequeno mundo, a única realidade conhecida para si então.

Passear nos últimos dias de vida por este pequeno microcosmos resistenteàs grandes mutações do mundo lá fora, dá ao pai a ideia de uma (quase) imutabilidade das suas origens funcionando como um porto seguro, lugar perfeito onde acabar os seus dias.

Esta ideia de ligação à terra onde se nasceu e na companhia do filho, sangue do seu sangue, um ramo da sua vida que a ilha liga a ambos, conduz à ideia de missão cumprida eternizando, de alguma forma, esta dualidade terra-sangue, sinónimos de vida e morte que se renovam em cada geração.

Ao longo deste pequeno grande livro, é explorada igualmente a relação pai-filho que, regra geral, apesar dos laços afetivos e de sangue, trata-se de uma relação complexa em que muitas vezes o que não é dito ao longo da vida exerce um papel significativo no relacionamento dos indivíduos. A tomada de consciência da fragilidade do ser humano através de um corpo que está prestes a sucumbir torna-nos conscientes mais do que nunca de que a vida sendo fugaz só poderá sobreviver através das recordações formadas ao longo da vida em função desses mesmos laços.

“A Ilha” de Giani Stuparich mostra cada um de nós como uma ilha, uma ínfima partícula da Terra e do Universo, mostrando-nos como somos tão pequeninos e frágeis, mas simultaneamente capazes de nos ligarmos através do amor que tudo pode ligar e mudar.

Excertos:

“Saberia o pai que ia morrer? Teria consciência da implacável doença? A carta que lhe enviara lá para cima, o tom de certas palavras, o sorriso de resignação, faziam crer que sim. Mas o desejo de ver a sua ilha talvez pela última vez, o facto de antes de partir ter preparado linhas de pesca novas (…), certos olhares nostálgicos, podiam estar como que agarrados às fibras de uma esperança que se recusava a morrer.” (p. 16)

“O homem que nascia na ilha era feito para correr mundo e regressar a ela só no fim da vida.” (p. 31)
“- Andei a sondar a beira-mar e escolhi o sítio onde hei de pescar esta noite. Andei também… a rever certos recantos onde tudo se manteve tal e qual como quando eu era criança. Depois de velhos, gostamos de comprovar que o mundo não mudou por completo.
- Tornaste-te filósofo, papá?
- É preciso passar por isso; quem não o foi em jovem, sê-lo-á mais tarde.”(pp. 35-36)
“Uma luta já decidida. Sem esperança. Via de novo a luz apagar-se nos olhos turvos do pai, como o prelúdio de uma derrota. Contudo, quem combate talvez não tenha plena consciência da inevitável derrota e seja capaz de resistir e de retomar o fôlego para continuar a lutar. Mas quem assiste, 
impotente, à trágica luta, e tem nas veias o mesmo sangue da vítima, sofre com reprimido horror, e 
todos os seus minutos são um inferno.” (p. 37)

Texto de Jorge Navarro

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Um Livro Numa Frase






"Por isso me agrada tanto observar, em locais de chegadas e partidas -um terminal de aeroporto ou uma estação ferroviária -, a forma como cada pessoa se move, a andar, a correr, quantas vezes a tentar escapar-se, na única direcção possível, o futuro."


In "Os olhos de Tirésias" de Cristina Drios, pág. 18

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

"O Rapaz do Caixote de Madeira" de Leon Leyson

Tenho tanto para dizer sobre este livro que estou sem palavras!

Nunca me canso de ler romances sobre a Segunda Guerra e sobre todos os conflitos em geral. Talvez por necessidade de ficar a conhecer mais e mais sobre o que o Homem é capaz de fazer. Espantar-me sobre os horrores que foram cometidos não é dificil mas, sobretudo, sinto uma admiração profunda pela forma como o Homem é capaz de sobreviver e ultrapassar todos essas crueldades que lhe foram infligidas.

Este livro é um exemplo admirável disso mesmo! A sinopse fica muito aquém do seu conteúdo e é assim que tem de ser. Trata-se de uma história verídica, mais uma, que nos conta um pouco das atrocidades que foram cometidas no holocausto mas, neste caso, uma série de acontecimentos felizes, um pouco por sorte também, fizeram com que os elementos (quase todos) de uma família de judeus polacos tivessem sobrevivido.

É-nos contada, em primeira mão, pelo seu elemento mais novo, Leon, hoje já falecido, e trata-se de um testemunho impressionante de coragem, força e determinação. Adorei saber e tomar conhecimento que a sua vida continuou e que, mesmo depois de todas as atrocidades vividas, o autor conseguiu (sabe-se lá como!) procurar a felicidade e aproveitar os momentos bons que a vida lhe ofereceu depois da guerra. E isso passou, principalmente, por saber valorizar o que possuía! 

Uma lição de vida que faz deste livro um dos melhores que já li até agora! Recomendadíssimo!!!

Terminado em 11 de Janeiro de 2014

Estrelas: 6* (definitivamente um dos seis mais gordos que já atribuí!)

Sinopse

Leon Leyson tinha apenas dez anos quando os nazis invadiram a Polónia em 1939 e a sua família foi forçada a viver no gueto de Cracóvia. Neste seu livro de memórias, Leon começa por nos descrever uma infância feliz, na sua aldeia natal e felizmente para a família, o seu caminho cruzar-se-ia com o de Oskar Schindler que os incluiu na célebre lista dos trabalhadores da sua fábrica. Na altura com apenas 13 anos, Leon era tão pequeno que tinha de subir para cima de um caixote de madeira para chegar aos comandos das máquinas. Ao longo desta história, que reproduz com autenticidade o ponto de vista de uma criança, Leon Leyson deixa-nos entrever, no meio do horror que todos os dias enfrentavam, a coragem, a astúcia e o amor que foram necessários para poderem sobreviver.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Ao Domingo com... João Cerqueira

Fidel Castro e o milagre de Fátima
A Tragédia de Fidel Castro resulta do meu fascínio por dois acontecimentos históricos do século XX: a revolução cubana e o milagre de Fátima.
 Tenho grande interesse por este ditador. Fidel Castro liderou uma revolução, desafiou a América durante décadas e quase desencadeou uma guerra nuclear. O Muro de Berlim caiu, a União Soviética desapareceu e a China tornou-se capitalista – mas nada parece capaz de o derrubar. A CIA tentou envenená-lo e contratou a Mafia para o matar, mas nenhum plano resultou. Castro está velho e doente, já não consegue fazer discursos de sete horas, porém continua mandar. Ou seja, a impedir que haja liberdade e democracia em Cuba.
Estive na ilha três vezes e falei com muitas pessoas. A cena do livro onde manifestantes atiram pedras à polícia foi-me contada por um cubano que participou dos protestos. Foi também em Cuba que fiquei a saber da história que envolve a execução do general Arnaldo Ochoa – ele dá o nome ao personagem Camilo Ochoa, cujo primeiro nome vem, obviamente, de Camilo Cienfuegos. O general Ochoa é o herói da guerra de Angola; o MPLA só resistiu à ofensiva da UNITA graças ao exército cubano. E, no entanto, este homem que garantiu um aliado vital para a sobrevivência do regime é fuzilado anos depois. O regime acusou-o de tráfico de droga, mas para os cubanos a razão é outra: Arnaldo Ochoa ia derrubar Fidel Castro.


Por outro lado, tal como a maioria dos portugueses, tive uma educação católica tradicional. Fui baptizado, frequentei a catequese, fiz o crisma e fui à missa (obrigado) até aos catorze anos. Assim, desde pequeno que a religião ocupa um espaço importante na minha formação cultural. 
Ao mesmo tempo, sempre me intrigou a história do Milagre de Fátima: Virgem e anjos descem dos céus e revelam três segredos a três pastorinhos – a descrição do inferno, o fim do Comunismo e um terceiro segredo que se supôs durante muito tempo ser o fim do mundo. Além disso, a Virgem avisa que o sol se irá mover no dia 13 de Outubro de 1917  e milhares de pessoas deslocam-se a Fátima e garantem que realmente o viram mover. Pode haver algo mais extraordinário do que isto? E, para tornar o caso ainda mais intrigante, surgiram nos anos oitenta teorias e livros a afirmar que em Fátima tinha havido uma intervenção extraterrestre. A Virgem Maria e os anjos eram seres de outro planeta. A minha imaginação tinha tudo para criar uma história com estes personagens. Depois, tendo havido uma previsão do fim do Comunismo, a ligação entre o milagre do sol e Fidel Castro tornou-se – literariamente falando - verosímil.

Como tal, n’ A Tragédia de Fidel Castro há uma personagem chamada Fátima que garante a Jesus ser capaz de criar um eclipse para desse modo evitar a guerra iminente, convencendo-o assim a regressar de novo à Terra – e Ele vem.
Na versão em língua inglesa foi necessário criar uma introdução explicativa do Milagre de Fátima e, para que história fizesse sentido para o leitor americano, transformar Dom Afonso Henriques e o Bobo em JFK e E.J. Hoover. As críticas e os prémios que The Tragedy of Fidel tem recebido mostram que as ditas alterações foram uma ideia sensata. Ainda assim, a autora de um blogue de literatura americano escreveu:
‘’ JFK is more king than leader…’’. 
http://www.rabidreaders.com/2012/12/21/the-tragedy-of-fidel-castro-by-joao-cerqueira/

Críticas:
http://www.amazon.com/dp/1938416163
http://alexanderboot.com/content/found-translation-tragedy-fidel-castro
http://www.fucinemute.it/2013/02/la-tragedia-di-fidel-castro-come-parodiare-la-rivoluzione-insegnando-il-senso-della-vita/
http://www.bulletreviews.com/the-tragedy-of-fidel-castro-2012/
http://stkarnick.com/?p=23920
https://www.forewordreviews.com/reviews/the-tragedy-of-fidel-castro/
http://www.portlandbookreview.com/the-tragedy-of-fidel-castro/
http://www.latinabookclub.com/2013/08/book-of-month-tragedy-of-fidel-castro.html
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxlYmlibGlvdGVrb3N8Z3g6NzU3NDJhOGFhZjBmOTcxMg
http://www.bookideas.com/reviews/index.cfm?fuseaction=displayReview&id=7273
http://www.keele.ac.uk/media/keeleuniversity/fachumsocsci/spire/docs/globalfaultlines/volume1issue1/GFBookReviews.pdf
http://issuu.com/khurshid_alam/docs/clriapril2013 
http://indiereader.com/2013/10/the-tragedy-of-fidel-castro/
http://www.soundsandcolours.com/subjects/books/the-tragedy-of-fidel-castro/ 
http://www.boldtypemag.com/tragedy-fidel-castro-review/
http://magic-realism-books.blogspot.pt/2013/03/the-tragedy-of-fidel-castro-by-joao.html
http://www.rabidreaders.com/2012/12/21/the-tragedy-of-fidel-castro-by-joao-cerqueira/
http://booktrek.blogspot.pt/2013/12/tragedy-of-tragedies.html
http://www.gather.com/viewArticle.action?articleId=281474981829376
http://www.shelfari.com/books/32586992/The-Tragedy-of-Fidel-Castro/reviews/3952035
http://tometender.blogspot.pt/2013/01/the-tragedy-of-fidel-castro-by-joao.html
http://www.300wordbookreviews.com/2013/01/the-tragedy-of-fidel-castro.html
http://beckvalleybooks.blogspot.pt/2013/01/book-review-tragedy-of-fidel-castro-by.html
http://thoughtcrawlers.wordpress.com/2013/05/02/book-review-of-the-tragedy-of-fidel-castro-by-joao-cerqueira/
http://dissidentvoice.org/2013/03/fiction-posing-as-fact/#more-48084
http://driftlessareareview.com/2013/03/19/translation-tuesday-the-tragedy-of-fidel-castro-by-joao-cerqueira/
http://theofipress.webs.com/cerqueirajoao.htm
http://www.flipoutmama.com/2013/05/book-review-tragedy-of-fidel-castro-by.html 
http://footnotereviews.blogspot.pt/2013/04/the-tragedy-of-fidel-castro.html
http://tiewithbunnyrabbits.com/2013/04/29/book-review-the-tragedy-of-fidel-castro/
http://globalfaultlines.org/2013/04/29/the-tragedy-of-fidel-castro-by-joao-cerqueira/
http://www.2010theyearinbooks.com/2013/05/the-tragedy-of-fidel-castro-by-joao.html
http://ifeeltheneedtheneedtoread.com/2013/05/30/the-tragedy-of-fidel-castro-by-joao-cerqueira/
http://biancasbookblog.blogspot.co.uk/2013/06/the-tragedy-of-fidel-castro-joao.html
http://www.theyorker.co.uk/arts/art-and-literature/literature/14075-review-tragedy-of-fidel-castro
http://jrmetcalf1992.blogspot.pt/2013/06/best-book-tragedy-of-fidel-castro.html
http://caravanaderecuerdos.blogspot.pt/2013/10/the-tragedy-of-fidel-castro-tragedia-de.html

João Cerqueira

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

"Os Olhos de Tirésias" de Cristina Drios

Comecei a ler este livro porque a sinopse me tinha agradado mas ao fim de algumas páginas outro livro chamou por mim e larguei-o temporariamente (achei o início um pouco mais confuso do que estava à espera). Sim, temporariamente porque sabia que ia gostar. O tema agradava-me mas a mudança com frequência de narrador e do lugar e tempo da narrativa fez-me dispersar mais do que queria. Achei por bem intercalar com outro (li Fome de Knut Hamsun) e pegar nele depois.

Às vezes basta isso para pegar, posteriormente, na leitura e ser aborvida por ela. Os personagens variados encaixaram-se na perfeição na acção e passaei a saltitar do presente para o passado com gosto. Fiquei a conhecer a vida de um soldado português na Primeira Guerra Mundial (achei o conteúdo perfeitamente verosímil na sua maior parte) vista com os olhos de uma neta que nunca chegou a conhecer. 


Pouco tenho lido sobre esta guerra nos romances que me vão chegando às mãos e tenho pena que assim seja. Creio que a autora descreveu bem os cenários de guerra, a fome, as angústias e os horrores por que passaram quem a vivenciou.


Adorei os personagens (a bela enfermeira Georgette, Alvin Martin com os seus sonhos premonitórios, o gigante português Mateus Mateus e Emily, o pequeno ilusionista que roubava os coelhos para o truque da cartola) e tive pena de os deixar ir... Todos eles descritos com simplicidade e clareza, em linhas paralelas que se cruzam (sim, cruzam!) a meio da narrativa captando a nossa atenção.


Uma história contada e inventada por uma neta que encontra uma foto desse avô desconhecido, soldado do Corpo Expedicionário Português e que muitas vezes suspeitamos tratar-se da própria autora, Cristina Drios. Nada em concreto nos leva a pensar assim... Uma suspeita que me agradou, muito embora na badana do livro nada refira sobre esse aspecto, que, portanto, creio não ser verdade.


Uma escrita cuidada, apelativa. Um livro que recomendo. Uma escritora a reter! Uma leitura que nos leva a pesquisar... Como gosto!


Terminado em 7 de Janeiro de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

A descoberta de um retrato daquele avô cuja história a família sempre encobriu - Mateus Mateus, o gigante de olhar estranho que partiu, no contingente português, para a Flandres durante a Primeira Guerra Mundial - é o pretexto que a narradora encontra para, simultaneamente, escrever um romance e se afastar de um casamento que parece condenado ao fracasso. Para saber mais sobre o passado desse desconhecido, parte, também ela, para a propriedade de La Peylouse, em Saint-Venant, que alojou o Estado- Maior português nos anos 1917-1918 e da qual o avô, depois de ter servido na frente como maqueiro e coveiro, foi enviado numa missão de espionagem, acabando prisioneiro dos alemães. No bizarro hospital onde passa os meses que antecedem a batalha de La Lys (o mesmo onde virá a ser internado um cabo alemão chamado Adolf, atacado de cegueira histérica), Mateus Mateus cruza-se com figuras inesquecíveis: Alvin Martin, um inglês albino dado às premonições; Hugo Metz, o médico que usa métodos de inspiração freudiana para interrogar os pacientes; o órfão Émile Lebecq, pequeno ladrão e ilusionista amador; e, sobretudo, Georgette Six, a bela enfermeira francesa que perdeu o noivo na guerra e pela qual o português se tornará um homem diferente. E, porém, à medida que a neta de Mateus Mateus vai desfiando essa história - num jogo em que a realidade se torna indestrinçável da ficção -, também a sua vida é sacudida por uma paixão - e só o encontro com Cyril Eyck e o seu bisavô centenário trará a chave para os enigmas do próprio romance.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Passatempo Presença: O Rapaz do Caixote de Madeira

Começamos o ano com um passatempo acarinhado pela Editorial Presença! Um livro que promete muito pela sinopse que possui e que quero ler muito em breve!
Assim, temos para sortear um exemplar de O Rapaz do Caixote de Madeira, um livro que vos vai agradar de certeza! Para ficarem habilitados ao sorteio só têm de responder acertadamente ao questionário que se segue e serem seguidores do blogue.
O passatempo termina dia 19 de Janeiro.
Boa sorte!
Para mais informações ver Editorial Presença aqui!

A Escolha do Jorge... Uma Cana de Pesca para o Meu Avô

Galardoado com o Prémio Nobel de Literatura em 2000, o chinês Gao Xingjian conta com dois títulos publicados em Portugal, a saber, o romance “A Montanha da Alma” e o livro de contos “Uma Cana de Pesca para o Meu Avô”, este último reeditado no final de 2013 contando já com a 11ª edição.
Este pequeno livro de contos é a forma mais simples de conhecer a obra de Gao Xingjing, absorvendo, deste modo, o modo de pensar da China atual com os seus desafios, receios, angústias e solidão, não esquecendo por outro lado, que algumas das preocupações levantadas pelos personagens nestas pequenas histórias refletem também, no fundo, parte do nosso modo de vida.
A angustiante tomada de consciência do homem face à solidão quando se está no meio de milhares ou mesmo milhões de pessoas e sentir-se impotente sem obter ajuda face a uma emergência; um acidente cuja vítima mortal é associada a um ato de suicídio bem conseguido; doces recordações do passado que moldaram a vida de algumas pessoas em tudo o que serve de referência na vivência quotidiana já não encontram qualquer correspondência no presente em virtude do falecimento de entes queridos; lugares da infância completamente descaracterizados face ao crescimento das cidades que engoliram as pequenas localidades de modo que essas recordações somente existem ao nível do intelecto; amores não vividos em virtude de cada uma das partes envolvidas se ter comprometido com o Estado como garantia da ordem social e económica do país.
Pensamentos que emergem ao longo dos vários contos que caracterizam toda uma sociedade, tanto entre as gerações mais novas, como entre os mais idosos e que, em ambas as situações, não vislumbram um grande futuro pela frente, nem tão-pouco a crença nas gerações vindouras são a garantia da obtenção de um futuro mais risonho.
Com uma escrita profundamente humanista, Gao Xingjian enlaça o leitor nas preocupações e anseios da sociedade chinesa contemporânea ficando certamente marcado com as histórias desejando, deste modo, conhecer outras obras do autor.
“Uma Cana de Pesca para o Meu Avô” é um pequeno livro que pela natureza dos temas abordados será certamente um livro que marcará o leitor perante a incerteza e angústia face ao futuro da sociedade e do mundo em que está inserido.

Excertos:
“É claro que eu sei que, na cidade, não são os peixes o que os pescadores querem quando compram uma licença de pesca no parque, é a tranquilidade e a ociosidade que eles pescam, aproveitam para fugir de casa, fugir da mulher e dos filhos e, muito tranquilamente, entregam-se à sua distração, é claro que também sei que a pesca é hoje considerada um desporto, que são organizados concursos (…).
(…) Tenho de ir dar um passeio à minha terra natal para matar as saudades que já não nos deixam quando nos agarram (…).
(…) A natureza humana é má, a maldade é mais forte do que a bondade, disseram-no os santos, os sábios e os filósofos de todas as épocas e de todos os países, mas tu inclinas-te ainda para a bondade do coração humano, uma vez saciados, os homens não podem espezinhar assim as tuas recordações de infância, porque também eles podem ter tido uma infância que vale a pena ser recordada, é uma verdade tão evidente como dois e dois não ser igual a três (…)” (pp. 68-69, 74-75)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

"Fome" de Knut Hamsun

Foi-me emprestado este livro. Opiniões já tinha lido e ouvido, muitas e boas. Todas. Até li em romances referências a esta obra e a este autor, Nobel da literatura em 1920. Que dizer de forma a expressar o que esta leitura avassaladora produziu em mim?

Começar por contar-vos a história não posso. Primeiro porque nunca o faço, depois porque me perguntei durante esta leitura, vezes sem conta, qual a história que estava por detrás deste livro... Quando o meu filho mais novo me perguntou o que estava a ler (intrigado com o título) e perante a minha resposta me questionou: "Só isso?", soube verdadeiramente que seria muito dificil para mim traduzir o que acabara de ler!

Mas adiante. Basicamente o livro conta-nos um pouco de alguns momentos por que passa um jovem escritor quando se vê, desesperado, em busca de algum trabalho que lhe lhe possa colmatar a fome, o frio que está a sentir, cada dia que surge no seu caminho.  Só? Perguntam vocês...

E é aí que entra a escrita de Hamsun. Potente mas nada complicada. Introspectiva e explosiva. Reduzido ao que há de mais simples, um edredon e pouco mais, o personagem varia estados de lucidez e loucura, de soberba e orgulho com a profunda humilhação de quem nada tem a perder. E a fome, sempre presente, sempre avassaladora. E sempre presente, também, uma procura de se encontrar, uma tentativa de "agir correctamente" intercalada com momentos loucos (alguns chegam a ser hilariantes, não fora a fome algo de muito grave).

Momentos houve que me apeteceu chamar-lhe nomes, gritar-lhe para não ser estúpido. Ao personagem, não ao autor, claro! A este chamo-lhe génio. Uma obra escrita em 1890. Poderia ter sido ontem...

Nota: Só li no final o prefácio de Paul Auster. Começei a ler mas deixei para o fim. Fiz bem!

Terminado em 4 de Janeiro de 2014

Estrelas: 6*

Sinopse

A acção de «Fome», um romance marcante e considerado um clássico da literatura mundial, decorre nos finais do século xix. O narrador, um jovem escritor, um homem solitário, deambula pelas ruas de Kristiania (actual Oslo) numa miséria extrema, enregelado pelo frio e tolhido pela fome. Essa miséria em que vive, provoca-lhe momentos de delírio e violentas variações de humor. Mas cedo nos apercebemos de que a "fome" desse sonhador não é apenas física. Há a procura de uma identidade e de um reconhecimento dentro das suas próprias alucinações.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Convidada Escolhe... Oscar e a Senhora Cor-de-Rosa

Este é um verdadeiro conto de Natal. Foi o último livro que li em 2013; é enternecedor e profundo.

Numa situação sem remédio – uma criança com leucemia em quem a medicina já tudo tentou – a criança questiona-se sobre o porquê da reacção dos adultos face a ele. Mostram-se fechados, esquivos, incapazes de lidar com uma realidade inelutável de que têm medo e sobre a qual não conseguem falar: a Morte. Só uma voluntária – a Vovó Rosa – consegue estar ao nível do menino – o Óscar – a quem os outros meninos internados no hospital chamam de Cabeça d’Ovo, não tem subterfúgios nem atitudes dúbias e confronta o menino doente com a sua realidade, fazendo-o crescer na forma de encarar a sua morteiminente. A Vovó Rosa surpreende-o com algumas palavras que usa, conta-lhe histórias da sua improvável experiência de praticante de wrestling, e faz-lhe um desafio: fazer de cada dia não um dia mas dez anos. É assim que o menino chega a “velho”, vivendo todas as fases desde a infância, passando pela puberdade, a idade dos amores, a maturidade, o envelhecimento e a morte. Com essa experiência, reconcilia-se consigo próprio e com os pais. Este desafio que a Vovó Rosa lhe fez era acompanhado da escrita de uma carta a Deus. Mas como escrever a Deus se ele não tinha a sua morada?

É um belo livro, que como antes referi, para mim é um excelente conto de Natal. É um hino de exaltação e agradecimento a todos e todas os/as voluntários/as que nos hospitais, nas instituições de idosos e em instituições de trabalho social, diariamente dão alegria e esperança a quem está sozinho/a ou esquecido/a. A Nariz Vermelho é uma dessas instituições maravilhosas, entre muitas outras que, de forma anónima e desinteressada, fazem um trabalho humanitário imenso e belíssimo.

Almerinda Bento

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

"A Onda" de Sonali Deraniyagala

Mal vi este livro soube que tinha de mergulhar nele. Foi o escolhido para o primeiro de 2014, não porque tenha algo de menos positivo. Bem pelo contrário! É uma aposta na força do ser humano! Saber como é que se consegue viver após um desastre tão grande, de todo inimaginável para qualquer um, fez-me querer muito ler este relado da dor de Sonali.

Li num dia só. Estou sem palavras.

Sonali, seu marido, os dois filhos e seus pais foram literalmente engolidos por uma onda devida a um tsunami que atingiu o Sri Lanka, em Yala. Depois do Natal de 2004, mais propriamente dia 26, Sonali vê-se sem os seus familiares, completamente sozinha e em choque. Paralizada, não consegue nem quer reconhecer que o mais certo é tê-los perdido para sempre.

O seu relato é impressionante. A dor, a perda, a culpa, o medo de esquecer mas também de recordar os momentos em família. Como se vive, como se volta a equilibrar a vida? Com tantas perdas há alguma hierarquia para fazer o luto? Como se chora ao mesmo tempo tantas perdas?

Passados tantos anos, Sonali ousou recordar. Porque foi preciso muita coragem e um longo caminho. Eis o livro. Leiam! 

Terminado em 1 de Janeiro de 2014

Estrelas: 6*

Sinopse


Na manhã de 26 de dezembro de 2004, Sonali Deraniyagala perdeu duma só vez os pais, o marido e os dois filhos. O tsunami que nesse dia atingiu o sudoeste asiático levou-lhe a família mas ela, como por milagre, sobreviveu.

Neste livro corajoso, pungente e franco, a autora descreve os terríveis momentos que viveu e a sua longa jornada desde então. Num relato cativante e emocional, Sonali descreve como se debateu furiosamente, durante os primeiros meses após a tragédia, contra uma realidade que não conseguia enfrentar e simultaneamente não podia negar. Com uma escrita emocional e sincera, que torna este impressionante relato ainda mais poderoso, A Onda é uma memória biográfica extraordinária que se lê com comoção.

Um livro que irá captar a atenção dos leitores pela sua brutal honestidade e intensidade.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Ao Domingo com... Alexandre Saro


Escrever. Quem o faz quer dizer alguma coisa. Quer que o leiam, isto é, que o ouçam. Quer ser ouvido.
Ainda que diga que não. Senão não escrevia. Escrever, no limite, é falar sozinho. Sempre com a vaga esperança de que alguém escute. Ao menos o éter, ou o próprio autor para se ouvir.
Vida. Sem medo de ser anti-convencional. Sem medo de ser convencional. Com humor. Muito, sempre. Até porque não é coisa séria.
Mulheres. As mais bonitas são definitivamente as inteligentes. Não as que parecem, mas as que o são mesmo. Porém, perigosíssimas. Uma maldição que assola qualquer homem decente. Então quando armadas com um belo sorriso … são o diabo de saias. Ou calças.
Virtudes. A maior: justiça. Por si encerra todas as outras. A que alcança que às vezes seja até justo pecar.
Defeitos. O mais terrível: a estupidez. O lar da verdadeira ignorância, dos que vivem bem com o mal dos outros, dos que vão morrer sem tentar, dos que gostam de ser temidos ao invés de respeitados, dos que vencem mas não convencem. Dos vizinhos destes, dos que nunca levantam a cabeça, dos vassalos, dos falsos moralistas.

ARARAT. Trágico-cómico. O quotidiano contemporâneo. O dilema das escolhas. A diferença entre o que se pensa e o que se faz. O despropósito da finitude.
“Com Noé nascemos pela segunda vez.” Alguém disse. Num timbre muito pouco católico, ARARAT está no limite do real. Que fizemos nós desta segunda oportunidade? Nós. Eu. Você. A namorada, o vizinho, a sogra, o amigo. Todos.
A tragédia da submissão. Do ridículo. A pavorosa fatalidade do ter de ser. Do ser assim.
Numa atmosfera plena de humor negro, o leitor é convidado a fazer uma viagem aos seus dias. A neles distinguir a alegoria da realidade concreta. Contemplar e contemplar-se.

Alexandre Saro

sábado, 4 de janeiro de 2014

Um Livro Numa Frase





"Ao olhar para o talão no livro de cheques do Steve, detive-me durante alguns momentos na coerência e na segurança da vida que tínhamos, quando tanta coisa parecia previsível, quando a continuidade era algo presumido."


In "A Onda" de Sonali Deraniyagala, pág 119
Frase escolhida por Cris

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Um Livro Numa Frase



"Escrevo porque quero saber o fim. Começo uma história e depois continuo a escrever porque tenho de saber como termina."

In "Um Estranho Em Goa" de José Eduardo Agualusa, pag 18.
Frase escolhida por Cris

O meu top 2013

Como é habitual no começo de cada ano costumo fazer um post com um resumo dos livros que li no ano anterior e aos quais atribuí mais estrelas, nomeadamente 5* e 6*, como podem ver aqui.

Li menos. Andei mais atrapalhada com o trabalho e por isso mais dispersa nas minhas leituras. Mas, então em 2013 estes os foram os contemplados... Podem ler as minhas opiniões clicando nos títulos. Boas leituras!

Com 6 estrelas:
"Os Livros do Final da tua Vida" de Will Schwalbe
"Para onde vão os guarda-chuvas" de Afonso Cruz
"Cavalo de Fogo- Congo" de Florencia Bonelli
"Índice Médio de Felicidade" de David Machado
"Se pudesse voltar atrás", Marc Levy
"Os Anjos não comem Chocolate" de Andreia Sanches
"Ainda Alice" de Lisa Genova
"Uma mulher em Berlim" de autor anónimo
"Senhor Comandante, uma carta assassina" de Romain Scolombe
"O leitor de cadáveres" de António Garrido
"Tempo para falar" de Helen Lewis
"Os guerreiros do arco-íris" de Andrea Hirata
"O prisioneiro do céu" de Carlos Ruiz Záfon
"A montanha entre nós" de Charles Martin

Com 5 estrelas:
"Quando Fores Mãe Vais Ver" de Ana Saragoça
"A casa com alpendre de vidro cego" de Herbjorg Wassmo
"As Lágrimas de Lúcifer" de James Thompson
Anjos na Neve" de James Thompson
"O Filho" de Michael Rostain
"A Segunda Morte de Anna Karenina" de Ana Cristina Silva
"A Sentinela" de Richard Zimler
"A Casa Redonda" de Louise Erdrich
"A Dama do Retrato" de Maeve Haran
"A menina sem nome" de Marina Chapman
"Mildred Pierce" de James M. Cain
"O Palácio da Meia-Noite" de Carlos Ruiz Záfon
"D.Teresa de Távora, a amante do rei" de Sara Rodi
"O Livro do anjo" de Alfredo Colitto
"Ninguém me conhece como tu" de Anna McPartlin
"Em defesa de Jacob" de William Landay
"Bordel Português" de Nelson Quintino
"Livre" de Cheryl Srayed
"Esteja Eu Onde Estiver" de Romana Petri
"Uma espia no meu passado" de Lucinda Riley
"O tempo entre nós" de Tamara Ireland Stone
"A última fugitiva" de Tracy Chevalier
"A criada malcriada" de autor anónimo
"O império dos homens bons" de Tiago Rebelo
"O meu ano mágico" de Nina Sankovitch
"Contracorpo" de Patrícia Reis
"Homer & Langley" de E.L.Doctorow
"O Fim da Inocência II" de Francisco Salgueiro
"Debaixo de algum céu" de Nuno Camarneiro
"Mariana" de Susanna Kearsley
"Depois" de Rosamund Lupton
"Destinos Interrompidos" de Lissa Price
"Mentiras e Diamantes" de J.Rentes de Carvalho
"Corações gelados" de Laurie Halse Anderson
"Não deixes que me levem" de Catherine Ryan Hyde
"Nome de toureiro" de Luís Sepúlveda
"Uma casa de família" de Natasha Solomons
"Palmeiras na Neve" de Luz Gabás
"Cafuné" de Mário Zambujal
"Tudo tem o seu tempo" de Ana Maria Magalhães
"Um Blues Mestiço" de Esi Edugyan

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A Escolha do Jorge... O Bordel Português

Bordel Português é o primeiro romance de Nelson Quintino e uma das primeiras apostas da Divina Comédia Editores. A história aqui apresentada é passada em Lisboa, cidade apanhada no meio da crise económica e financeira em que o desemprego disparou e as dificuldades em assegurar as necessidades elementares tornaram-se meras ilusões para muitos que passam a depender da ajuda de terceiros.

É neste contexto de profunda crise económica e social que surgempersonagens como José Pendura Calmas, Gustavo Provisório e Henrique H, o epicentro de toda a história. Os laços que unem estes homens vêm desde os tempos em que viveram na Casa do Vendaval, um orfanato onde foram abandonados pelas suas famílias. Chegada à idade adulta e marcados, cada um, pela força do destino, mantiveram-se ligados muito à conta à criação da sociedade Sustos, Murros e Biqueirada, Lda, que tem como objetivo realizar serviços sujos, negócios pouco claros, limpar o sebo a indivíduos ainda menos sérios que estes amigos sócios e tudo em nome da sobrevivência do dia-a-dia. 
Uns euros aqui, outros acolá, a vida nunca se mostrou fácil para estes três amigos, que com o agravamento da crise que está por todos os cantos e recantos da cidade viram-se obrigados a engendrar os esquemas mais subversivos para ao menos não faltar pão para a boca ainda que por vezes, nem isso.


Este Bordel Português é uma viagem verdadeiramente alucinante repleta de ritmo e movimento pelos meandros da sociedade portuguesa. As particularidades dos três personagens indicados são apenas uma pequena amostra daquilo que os portugueses se tornaram com o passar do tempo em que a fuga aos impostos e os esquemas estranhos e manhosos que são postos em prática pelas camadas sociais mais baixas são apenas o reflexo da podridão que grassa na classe dominante, a classe política que, no conjunto, transformam Portugal num verdadeiro bordel de corrupção.

O autor, no entanto, vai mais longe na sua ironia como crítica à sociedade. Se por um lado, Henrique H é a figura central deste bordel que é Portugal, por outro, consegue transformar as fraquezas e eventuais limitações do personagem em imagem de marca catapultando-o para as luzes da ribalta ainda que por um período fugaz à semelhança do que acontece nos reality showsque invadiram as nossas televisões na última década. Um dia Henrique H é conhecido em todo o mundo ganhando mundos e fundos e no dia seguinte é enganado, entrando em falência, tornando-se rapidamente um desconhecido para todos. Tal é o preço da fama!

Tudo é fugaz, tudo é relativo e nada é importante, são os vazios com que nos deparamos no dia-a-dia para onde quer que nos voltemos. A crença no ser humano é posta em causa, daí que Henrique H gostaria de conhecer Deus passando a praticar o bem, mas o destino que lhe estava reservado era de tal forma pesado e negro que Deus nunca lhe respondeu. Da mesma forma que conheceu o sucesso, também terminou nu, sem nada e sozinho, em frente à Assembleia da República, a sorrir como que por ironia do destino.

O Bordel Português de Nelson Quintino é uma surpresa agradável no âmbito das novas tendências da literatura portuguesa tendo-nos presenteado com um romance atual repleto de ironia. Definitivamente um livro que não vai querer perder!

Primeiras páginas

“Henrique H queria encontrar Deus.
Desempregado em nome coletivo, ex-forcado amador, batoteiro profissional especializado em perder e pagar depois, agente de cobranças difíceis, contrabandista de rebuçados de fruta e chupa-chupas, vendedor de tristezas alheias nas horas vagas, taxista defim de semana sem carta de condução, Henrique pretendia abandonar de uma vez por todas azáfamas da má vida.
Além de especialista em todas as profissões atrás referidas, cuja enumeração suscita por certo o 
cansaço do leitor – as atividadesmencionadas nunca causaram, apesar da sua extensão, fadigas ao 
profissional em causa -, Henrique era também, como se já não bastasse, um ilustre tradutor de más-línguas, um credenciado amante de literaturas passadas e futuras e um fervoroso apaixonado por poesia e amendoins descascados.
Especializações não lhe faltavam; possui um currículo de fazer inveja e ser um homem tão distinto até o embaraçava.
Um belo dia, porém, depois de consultar o horóscopo e um olho negro, Henrique resolveu mudar de rumo, ressuscitar para o bem e livrar-se do mal.
Henrique queria começar de novo, e a hora da mudança chegara.
Depois de um murro certeiro e de uma crise de intestinos, decidiu que estava na hora de viver longe dos precipícios. Perseguido desde a nascença pelo Diabo, queria livrar-se de todos os demónios e entregar a vida a Deus, mas para isso tinha de o encontrar.” (p. 11)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

"Quando Fores Mãe Vais Ver" de Ana Saragoça

Querem um livro super divertido para intercalar com leituras mais pesadas? Uma leitura que se faz em pouco mais de uma hora? Em que não param de sorrir ou mesmo gargalhar? Em que comentam: "Ai, que eu já disse isto!"?

Com um humor muito próprio, Ana Saragoça, consegue de uma forma perspicaz, juntar muitas frases que todas as mães dizem e que juraram nunca o fazer... contando alguns momentos reais por que passou ou passa. Revemos-nos em muitos deles, como mães ou como filhas, e isso permite que a boa disposição se instale em nós.

Um hino à alegria mas também um hino ao amor das mães que com as suas preocupações chegam ao ponto de exagerar, não deixando de ter razão, muitas das vezes!


Deixo um pequenino extracto que vos vai fazer sorrir. Passa-se quando a forma de vestir de um filho não é exactamente aquela que uma mãe gostaria...

"Hão-de dizer que a tua mãe é uma porca!
Serei lerda, admito, mas demorei anos a perceber o que esta frase queria dizer. Mesmo quando percebi, a ideia não se encaixou muito bem dentro da minha cabeça. A noção de alguém olhar para mim na rua ou na escola e imediatamente fazer juízos de valor sobre a higiene da minha mãe era demasiado rebuscada. Em primeiro lugar porque eu não estava suja. Em segundo porque ninguém esperava que uma adolescente fosse lavada pela mãe. Eu lavava-me sozinha desde os oito anos (...)"

Não acham uma delícia? O livro está cheiinho de um humor maravilhoso que me fez andar com um sorriso interior todo o dia...

Terminado em 29 de Dezembro de 2013

Estrelas: 5* (essencialmente pela boa disposição com que fiquei ao terminar a leitura!)

Sinopse

Criar filhos exige doses gigantescas de paciência, estoicismo, resistência e imaginação. Ao cabo de milénios desempenhando primordialmente esse papel, as mulheres de todo o mundo acabaram por desenvolver um léxico quase comum, um glossário de frases feitas que todas ouviram às mães, e todas juraram que nunca repetiriam aos filhos - com os resultados que se conhecem.


O vocabulário das mães é verdadeiramente um colar, mas não de pérolas. É mais daqueles a que se vão acrescentando penduricalhos ao longo da vida, sem nunca retirar nenhum. O folclore materno tem frases certeiras em todas as áreas e para todas as fases de crescimento dos filhos: infância, adolescência e idade adulta - embora, para as mães, o conceito de idade adulta nos filhos seja altamente discutível. E, claro, com a chegada dos netos, nunca perdem uma oportunidade de nos inundar de novo com a sua imensa sabedoria...»

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Experiências na Cozinha: Biscoitos Divertidos

Patas de Gato de Chocolate


Bem sei que nesta altura andam todos cheios de doces mas quero-vos mostrar umas bolachichas que fiz para juntar a uns pequenos cabazes de Natal que continham sal aromatizado com limão e ervas, açúcar aromatizado com laranja e vinho doce (aperitivo).

São muito simples de fazer. Adaptei-as à bimby (ingredientes todos juntos, 20 seg, vel 6) mas o livro trás a versão normal.

Ingredientes:

180 gr de margarina à temperatura ambiente
100 gr açúcar em pó
1ovo
300 gr de farinha
1colh. de café de fermento
20 gr de cacau amargo em pó
150 gr de chocolate preto derretido (p/ molhar metade dos biscoitos depois de cozidos. Não usei)

Fazer bolinhas e espalmar com um garfo. Forno pré-aquecido a 180* durante 10m.
Deixar arrefecer sobre uma grelha.