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domingo, 23 de maio de 2021

Ao Domingo com... Marta Martins Silva


Desde que me lembro de mim, escrevo. Talvez tenha começado a escrever para me organizar melhor embora sem consciência de que o fazia – ao escrever exorcizava angústias, hierarquizava desejos, registava alegrias ou desalentos. O papel foi sempre uma espécie de confidente que nada pedia em troca pelo ombro amigo e talvez a minha forma de lhe agradecer tenha sido enchê-lo de palavras e nunca o deixar vazio. Não sei quando percebi que queria fazer da escrita a minha profissão porque na verdade nunca quis outra coisa que não fosse escrever. À medida que fui crescendo fui-me descentrando de mim para escrever sobre os outros e percebendo que nada me dava mais prazer do que contar histórias reais mesmo que parecessem ficção. Porque pô-las no papel é partilhá-las com o mundo – e o mundo anda tantas vezes de olhos fechados para as histórias, que precisa de as ler em notícia de jornal. Durante algum tempo, ainda na adolescência, sonhei ser repórter de guerra – mas cedo percebi que as histórias que eu queria contar não estavam à distância de uma viagem de avião. Estavam do outro lado do passeio, nos olhos daquela mãe cansada que carrega os filhos pela mão e que a meio do mês já não sabe o que lhes pôr na mesa para comer porque a renda subiu e o patrão não aumentou. Estavam no corpo
velho que se achou sem dono nem passado numa rua que podia ser a nossa, num prédio que podia ser o nosso, dez anos depois da vida se esvair sem ninguém dar conta, nem sequer o vizinho do lado a quem de quando a quando pedia um raminho de salsa. Estavam nos que se entregam a causas e se dedicam aos outros mais do que alguma vez o farão com eles próprios. E estavam - comecei a descobrir graças ao meu trabalho como jornalista da revista Domingo do Correio da Manhã - nas memórias dos ex-combatentes da Guerra Colonial, baús trancados a sete chaves com muita necessidade de alguém que lhes encontrasse a chave e se dispusesse a mergulhar neste(s) passado(s). As memórias destes homens às vezes surgem durante conversas bem-dispostas e outras vezes vertem lágrimas que ficaram muito tempo (demasiado tempo) por chorar. O país esteve em guerra durante 13 anos e não foi por vontade destes homens – que no início dos seus vinte anos aprenderam a disparar armas que nunca tinham visto num país distante do que eles conheciam, tendo o medo por companhia diária. Muitos destes homens viram morrer amigos ao seu lado. Viram ferido o rapaz com quem na noite anterior beberam cerveja e falaram sobre a pátria. Pisavam a medo o chão minado. E tentavam esquecer as agruras de uma guerra que rapidamente perceberam sem sentido nas cartas que trocavam com as suas madrinhas de guerra, jovens raparigas que levaram a sério a missão de entreter os soldados e por momentos – nem que fosse durante os minutos em que engoliam as suas palavras depois da avioneta poisar em terras do fim do mundo – fazê-los esquecer de que podiam nunca regressar. Foi sobre eles e sobre elas, afilhados e madrinhas, que escrevi o meu primeiro livro, editado pela Desassossego em outubro de 2020 e que se chama precisamente ‘Madrinhas de Guerra’. Nele estão muitas cartas trocadas entre estes homens e estas mulheres e nelas estão dores e medos, mas também, e sobretudo, promessas e futuro. Através das cartas é possível espreitar também o Portugal que fomos nos anos sessenta e setenta do século passado e perceber que mesmo no meio da guerra, no meio das sombras e dos escombros, há lugar para o amor. 

Marta Martins Silva

20-5-2021

sexta-feira, 21 de maio de 2021

A Convidada Escolhe: Margarita e o Mestre

Margarita e o Mestre, Mikail Bulgakov, (1928-1940)

Numa das minhas poucas resoluções para 2021, constava ler um conjunto de livros há muito comprados e ultrapassados na voragem das novas aquisições que acabam sempre por se impor. Na altura, fiz essa lista de livros a resgatar ao esquecimento, que irei ler e intercalar com novidades que entretanto vá adquirindo. 

Nessa lista de livros “esquecidos” na minha estante, “Margarita e o Mestre” de Mikail Bulgakov é considerado a sua obra maior e uma das grandes obras-primas da literatura universal. O livro, que Bulgakov começou a escrever em 1928 e que terminou em 1940, ano da morte do escritor, precisou de 27 anos para poder ser lido pelos leitores russos, tendo sido publicado na revista Moskva, em 1967, numa altura em que as autoridades russas já tinham reabilitado este escritor perseguido e banido da literatura. Tendo escolhido escrever de forma independente, escolhendo os temas e não se submetendo aos cânones impostos pela Associação Russa dos Escritores Proletários, as suas peças teatrais gozavam de grande popularidade junto ao público, mas eram alvo da comissão de censura e dos críticos teatrais, pelo que em 1930 foi totalmente banido das editoras e do teatro. Não podia publicar, mas escreveu sempre. Apaixonado pelo teatro, trabalhou sobretudo como consultor literário, tendo dramatizado “Almas Mortas” de Gogol e “D. Quixote” de Cervantes, duas das referências que nos aparecem em “Margarita e o Mestre”.

Este enquadramento da época em que Bulgakov viveu ajuda-nos a compreender “Margarita e o Mestre”. Aliás, acho que é passível de inúmeras leituras, dada a escrita torrencial, fantástica e a imaginação prodigiosa ao longo de todo o livro, repleto de descrições muito visuais, diria mesmo cénicas. Podemos encontrar três histórias dentro deste livro, separadas mas indissociáveis. O Mestre, que aparece pela primeira vez quase a meio do livro, na instituição psiquiátrica onde se encontra o poeta Ivan, escreveu um livro recusado sobre Pôncio Pilatos e Margarita, a mulher amada que o quer resgatar e provar o seu amor, só aparece mais tarde no livro 2, capítulo 19. A história do Mestre e de Margarita é, quanto a mim, a história de Bulgakov e da sua mulher e da luta das suas vidas pelo reconhecimento e pela sobrevivência num mundo opressivo, que o excluiu assim como os artistas e escritores alvo da censura. Mas antes desta história, temos aquela que vai começar com o poeta Ivan e Mikail Berlioz, editor de uma revista literária e administrador da MASSOLIT, uma das mais importantes associações literárias de Moscovo. Conversam sobre a existência ou não de Jesus, quando são abordados por um “estrangeiro” que lhes vai contar uma história em que Pôncio Pilatos interroga Yeshua Ha-Nozri, condenado à morte, não obstante Pôncio Pilatos querer a sua absolvição. Esta terceira história, que assim se insinua, cria desde logo uma estranheza, até entre Ivan e Berlioz, que se perguntam se tinham mesmo ouvido aquela estranha história, ou se teria sido um sonho. O que é a verdade? O que é a mentira? Esse estrangeiro que vai predizer a morte para breve de Berlioz, o que acontece, é afinal Woland, o Diabo, designado de diferentes formas: turista, estrangeiro, louco, professor de magia negra, criminoso, malfeitor, espião. Woland com a sua comitiva – Behemoth (o gato preto), Azazello, Koroviev e Hella – vão provocar o caos em Moscovo com as suas patifarias, fazendo desaparecer pessoas, criando uma sucessão infindável de acontecimentos estranhos, trazendo ao de cima os males da sociedade onde a corrupção, os favores e a delação imperam. O poeta Ivan, que tentara tudo junto às autoridades policiais para que prendessem aquele perigoso estrangeiro, é internado numa clínica psiquiátrica, diagnosticado de esquizofrenia, por contar a história de Pôncio Pilatos que lhe tinha sido narrada pelo estrangeiro. Margarita, para resgatar o seu amado Mestre, vende a alma ao diabo, transforma-se numa feiticeira que voa sobre Moscovo e vai-se vingar das maldades que fizeram ao Mestre.

Uma história bizarra, com muitas personagens, com imensas cenas algumas até cómicas, uma imaginação prodigiosa, uma sátira, uma alegoria a um tempo e a uma sociedade em que o mal andava à solta, desrespeitando os indivíduos.

 Voltamos ao princípio e à conversa de Ivan e Berlioz, sobre a existência de Jesus, sobre a existência do Bem e do Mal e concluímos que o Bem e o Mal fazem parte da natureza. “Dizes as palavras como se não reconhecesses a existência nem das trevas nem do mal. Mas quererás ter a gentileza de pensar um pouco no seguinte: para que serviria a tua bondade se não houvesse mal e como pareceria a terra se as trevas desaparecessem dela? Afinal, as sombras são projectadas pelos objectos e pelas pessoas. Há a sombra da minha espada. Mas há também as sombras das árvores e das criaturas vivas. Quererias desnudar a terra de todas as árvores e de todos os seres vivos só para satisfazer a tua fantasia de júbilo na luz crua?” (pág. 372).

A epígrafe que abre “Margarita e o Mestre”, extraída do “Fausto” de Goethe, antecipa a dualidade presente na natureza humana: 

“Quem és tu, então?”

“Parte daquela força que eternamente deseja o mal e eternamente cria o bem.”

6 de Maio de 2021 

Almerinda Bento





quarta-feira, 19 de maio de 2021

"Antes que o Café Arrefeça" de Toshikazu Kawaguchi

Algumas amigas livrólicas leram este livro em inglês antes da sua publicação cá e recomendaram-no muito. Mal o  recebi, peguei nele. Não sei se já conhecem a escrita nipónica mas em todos os livros que li, transparece a sua cultura, sendo algo místicos. 

Confesso que me custou entrar na trama, primeiro pelos nomes das personagens. Ajuda escreverem "quem é quem" num papel e irem espreitando até que o nome faça sentido na vossa cabeça. Depois, a premissa em que se baseia esta história também não é muito fácil de ser aceite por alguém que gosta de histórias baseadas em algo verídico. Estranhei, estranhei mas depois entranhei. 

E fiquei a gostar daquelas mulheres que, por alguma razão, queriam ir momentaneamente ao seu passado e se atreviam a viajar no tempo mesmo sabendo que o seu presente não sofreria alterações aparentes. Mas a transformação operada nelas após a viagem é reveladora que a magia pode acontecer no dia a dia. Porque às vezes há coisas que ficam por dizer, fazer, escutar ou falar que, se tivéssemos a oportunidade de as realizar, o nosso "eu presente" ficaria bem melhor! 

Um livro que, embora pareça levezinho, não o é e possui a capacidade nos fazer lembrar que pequenos nadas podem realmente ser deveras importantes. 

É um livro diferente, que me conquistou aos poucos e, precisamente, o que fez estranhar nesta leitura é aquilo que dificilmente me vou esquecer: a cadeira de certa mesa do café "Funiculi Funiculá" que permite viajar para o passado. Mas não esqueçam que o café não pode arrefecer! Curiosos? 

Terminado em 14 de Maio de 2021

Estrelas: 5*

Sinopse

O que faria se pudesse voltar atrás no tempo?

Um romance tocante e inspirador.

Um rumor circula por Tóquio. Escondido num pequeno beco da cidade, dentro de uma cave, há um café com mais de cem anos. Com uma chávena bem quente, se nos sentarmos no lugar certo, oferecem-nos algo mais: a hipótese de voltar ao passado. Em Antes Que o Café Arrefeça, acompanhamos as viagens de quatro mulheres que procuram regressar a momentos determinantes das suas vidas para os mudar: falar com o namorado que partiu, ler a carta do marido com Alzheimer, ver a irmã pela última vez e conhecer a filha que nunca viu. Mas as viagens no tempo têm condições e riscos… E nada do que façam vai alterar o presente.

Uma mesa, um café e uma decisão.

Uma história sobre o amor, o tempo perdido e as oportunidades que o futuro nos reserva. 

Cris

terça-feira, 18 de maio de 2021

A Convidada Escolhe: "A Senhora dos Rios"

Uma trilogia muito boa do período da Guerra das Rosas, de que este é o primeiro livro. 

Philippa Gregory oferece nos uma cativante e muito bem escrita história passada em Inglaterra no século XV, época de guerra e lutas pelo poder a época medieval. 

Para além da pesquisa histórica feita para este livro, a autora teve que desenvolver muito a parte ficcional já que não existem muitos documentos sobre a protagonista do romance Jacquetta, acusada de ter praticado bruxaria para casar a sua filha Isabel Woodville com o rei. 

Esta é a história da sua vida como descendente de Melusina (uma Deusa do Luxemburgo), que transmitiu às mulheres da sua família poderes mágicos de prever o futuro. Tais dons vão  afectar sua vida ao ser usada pelo primeiro marido e pela própria rainha para prever os seus destinos. 

Um belo passeio pela história e pela magia!

Recomendo estes e os seguintes livros desta saga, a Rainha Vermelha e a Rainha Branca que são muito mais fiéis à Historia uma vez que existe mais e melhor documentação sobre o período relatado.

Marília Gonçalves 

segunda-feira, 17 de maio de 2021

"As Pontes de Madison County" de Robert James Waller

Li este livro tão  rapidamente que só no final é que o consegui saborear com eficácia. O tamanho da letra contribui para essa rápida leitura e o espaçamento entre ela também. 

A história fala-nos de um amor que só teve quatro dias para existir e que não teve como vingar mas que transformou as vidas de duas pessoas para sempre. O antes e o depois. Um fotógrafo da National Geographic vai fotografar algumas pontes em trabalho. Numa quinta no Ohio, Francesca estava só por alguns dias. O marido e os dois filhos tinham-se ausentado para uma feira. E sem ambos quererem está montado o cenário para um amor, um encontro e duas vidas marcadas profundamente por 4 dias felizes mas dolorosos. 

Logo a seguir a ter terminado o livro, fui ver o filme. Tão bom! Façam isso. Leiam o livro primeiro e vejam o filme logo de seguida. A leitura complementa o filme e este em nada deturpa o livro. Complementam-se lindamente e é assim que devia acontecer sempre.  Clint Eastwood e Meryl Streep vão colocar em imagens aquilo que vocês leram, ou melhor, vão acrescentar às imagens que vocês criaram ao ler o livro, outras ainda mais reais. Gostei muito!

Mas, preparem as lágrimas!

Terminado em 11 de Maio de 2021

Estrelas: 6*

Sinopse

Neste clássico da literatura contemporânea, James Waller põe em cena o amor profundo entre Robert e Francesca. Inicialmente, nenhum deles espera que este encontro fortuito conduza a uma aventura, porém, a atração que ambos sentem é inegável e dará lugar a um amor profundo e duradouro.

Cris

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Resultado do Passatempo "Toca a comentar!" - Mês de Abril

Anunciamos o vencedor deste passatempo referente ao mês de Abril.

Este é o link para o post onde se encontra anunciado o passatempo.

Assim, através do Random.Org, de todos os comentários efectuados nesse mês, foi seleccionada uma vencedora! Foi ela:

Parabéns! Terás que comentar este post e enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com até ao próximo dia 20, com os teus dados e escolher um de entre estes dois livros:

 

Cris

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Para os Mais Pequeninos: "A Estrelinha Que Muda de Cor"


Este livro é especial. Foi escrito a duas mãos por duas psicólogas e o que o torna diferente é a intenção com que foi feito e a forma como a história se proporciona para falar com as crianças de uma coisa que muitas não sabem como lidar: as emoções. 

No final da história existem dicas parentais muito boas que ajudarão os pais em várias situações futuras, como devem agir e reagir, para explicar às crianças emoções que, muitas vezes, elas não sabem explicar. A vergonha, a fúria, a raiva, o medo, o nojo, mas também, a calma, a felicidade e a alegria. Saber que é normal sentirmo-nos assim, às vezes num tumulto, outras numa onda de calma, pode trazer confiança a este ser pequenino que não sabe o que está a sentir nem porque muda tanto de sentimentos ao longo do dia...

Uma história para ser vivida. Vejam as imagens:




Cris

terça-feira, 11 de maio de 2021

A Convidada Escolhe... "Quem é amado nunca morre"

Um livro que me revelou uma parte da História da Grécia moderna e as suas guerras internas no período
posterior à ocupação nazi.

As lutas entre as fações politicas, direita e esquerda, levam à guerra civil fruto das divisões na sociedade e no seio das próprias familias, como no caso da família da protagonista, que assiste ao deteriorar das relações dos que mais ama. 

As diferenças politicas insanáveis, a miséria que se instala no país, a morte da sua melhor amiga, levam a jovem à revolta e a juntar-se ao exército comunista. Será  confrontada com actos de violência extrema e ódio em que tem que participar, mas também com a solidariedade e amizade e com o amor que são postos à prova no meio do caos. 

Gostei bastante!

Marília Gonçalves

segunda-feira, 10 de maio de 2021

"O Segredo dos Prisioneiros" de Maggie Brookes

Começo já por dizer que este livro tem um grande defeito! Faltam-lhe páginas! Um dos meus "eus" diz: "Gostava tanto que ele tivesse mais meia dúzia ou uma dúzia de páginas onde pudesse descansar a minha curiosidade e saber o que terá acontecido a algumas personagens que foram tão importantes neste enredo e que ficaram pelo caminho!" Mas, por outro lado, gosto de colocar a imaginação a funcionar e percebo perfeitamente a razão pela qual a autora optou por acabar assim. E o meu "eu" que gosta de imaginar finais, prefere que a continuação desta história seja escolhida por mim e digo-vos que fiquei um bom bocado a pensar nisso.

Mas, comecemos! Ao ler a Nota Histórica e ao ver uma referência a uma Nota da Autora feita no final do livro, saltei imediatamente para lá. Fiz bem. Aconcelho-vos a fazerem o mesmo. Creio que só vos vai enriquecer a leitura.

Estamos em 1944 na antiga Checoslováquia, ocupada por Hitler, num local chamado Vražné. A populacão é maioritariamente camponesa e fala alemão corretamente. Muitos campos são cultivados apenas pelas mulheres e crianças porque os homens estavam a combater (a favor ou contra os nazis). Os prisioneiros são muitas vezes utilizados para realizarem esse trabalho sob o olhar de guardas nazis. Para além de estarem ao ar livre, a própria comida podia ser melhor pelo que muitos preferiam ir trabalhar no campo do que ficar presos num campo de trabalho. Estamos aqui a falar num campo de prisioneiros de militares ingleses, abrigados pela Convenção de Genebra.

Izzy, camponesa checa, e Bill, militar inglês, conhecem-se nessas condições. E no meio da loucura que é viver num mundo horrível, amam-se, casam e fogem. E são apanhados! 

Depois, é um avolumar de situações que nos agarram à cadeira ou ao sofá que não nos deixam largar este enredo. Esta história relatada foi baseada numa história contada por um ex-prisioneiro que vivia num lar onde a mãe da autora habitava também. A pesquisa posterior feita pela autora traduziu-se num texto muito realista, mostrando até (e isto são os próprios personagens que o sentem na pele quando se cruzam com "os prisioneiros de pijamas às riscas"), como estes prisioneiros militares possuíram condições muito melhores do que muitos outros. Recebiam, por vezes, pacotes da Cruz Vermelha. E, no entanto, a fome, o frio, os maus tratos eram mais que muitos.

Um romance que muito dificilmente vou esquecer. Pelo realismo da escrita que, sendo ficção, conseguiu que a minha atenção não se dispersasse  e se fixasse ainda mais com o decorrer das páginas. Fiquei literalmente presa e adorei isso. Recomendo muito!

Terminado em 8 de Maio de 2021

Estrelas: 6*

Sinopse

«Uma história de amor e sobrevivência baseada no relato de um prisioneiro de guerra britânico capturado pelos nazis.» — Publishers Weekly

Maggie Brookes sentiu-se inspirada a escrever o seu primeiro romance, O Segredo dos Prisioneiros, depois de um ex-prisioneiro de guerra lhe ter contado uma extraordinária história ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial. 

«Nós temos de sobreviver. Para que o mundo saiba aquilo por que passámos. Para garantir que isto nunca mais volte a acontecer na História.»

1944, Checoslováquia. Na calada da noite, Izzy e Bill, uma camponesa checa e um prisioneiro de guerra britânico, casam-se em segredo e fogem através de aldeias devastadas pela guerra, com o sonho de construírem um futuro juntos, longe do jugo nazi. Para conseguirem escapar, Izzy veste-se de homem, corta o cabelo rente e faz-se passar por muda. Porém, a sua sorte não dura muito tempo, e eles acabam por ser capturados pelo exército alemão.

Apesar disso, o disfarce de Izzy funciona. Ambos são considerados soldados fugitivos e transportados para um campo nazi de prisioneiros de guerra, onde irão enfrentar condições extremas. O campo está sobrelotado, não existe comida suficiente e o trabalho é demasiado duro. Mas, no meio das circunstâncias mais desumanas, surge a esperança, pois o jovem casal trava amizade com um pequeno grupo de prisioneiros. Esses homens tornam-se a sua nova família, e estão dispostos a arriscar as suas vidas para proteger Izzy. O perigo que correm é avassalador, pois, se o segredo de Izzy for revelado, ela e Bill — e os homens que decidem ajudá-los — enfrentarão a morte.

«Uma das histórias de guerra mais audaciosas de sempre.» - Daily Express

Cris

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Para os Mais Pequeninos: "A Toupeirinha tem uma surpresa"


A Toupeirinha, a protagonista deste livro, já é nossa conhecida! Falámos dela aqui, com este livro.

Aqui, a Toupeirinha tem uma surpresa quando alguém lhe bate à porta e lhe deixa um embrulho que se mexe bastante. Mas essa não é a única surpresa que a Toupeirinha vai ter neste dia. Porque hoje é um dia especial mas ela esqueceu-se disso!

Com imagens alegres e sugestivas, este livrinho vai fazer as delícias dos vossos/nossos pequeninos. Ora espreitem lá...




Cris


quinta-feira, 6 de maio de 2021

A Convidada escolhe: "Quando Lisboa Tremeu"

1 De Novembro de 1755, Dia de Todos os Santos...

Domingos Amaral leva-nos a  uma cidade tão nossa conhecida mas tão profundamente diferente a Lisboa do século XVIII.

Numa época de perseguições religiosas infligidas pela Santa Inquisição: a caça as Bruxas, aos Judeus e a todos os que estivessem na mira do grande Marquê do Pombal...

Num tempo de grande pobreza, fome e doença para a maioria da população de Lisboa, um terramoto seguido de um tsunami vai aumentar de forma incrível o infortúnio e o desespero da população.

Este acontecimento brutal mudará para sempre o aspecto da cidade e a vida de todos os Lisboetas ricos ou pobres, e até o próprio rei e sua corte, movidos pelo medo de replicas do terrível fenómeno passaram a viver de forma totalmente diversa, numa tenda, a então chamada "Real Barraca".

No decorrer desta leitura somos levados a conhecer várias personagens de diversas proveniências, cujas vidas se vão cruzar num emaranhado de peripécias lutando pela sobrevivência  que este que cataclismo avassalador lhes impôs. 

Gostei muito!

Marília Gonçalves

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Experiências na Cozinha: Cozinha Vegetariana para festejar


Desta vez trazemo-vos uma receita que não saiu como queríamos e que foi aproveitada (não se deita nada fora!) e saiu uma pequena maravilha, um empadão de millet e feijão.

Fizemos a receita dos burguers para aproveitar restos de feijão e depois congelar, mas ficaram muito húmidos e, desta feita, os burguers passaram a empadão... e muito bom, por sinal! 

Cozemos millet em vez da batata (um copo de millet para quase três de água) em água, cebola e sal. Depois de cozido tritura-se com um dente de alho, azeite e noz-moscada. Monta-se o empadão, colocando em cima natas de soja com um pouco de pimenta moída.

Ficam as fotos.




Palmira e Cris

terça-feira, 4 de maio de 2021

"10 Minutos e 38 Segundos Neste Mundo Estranho" de Elif Shafak

Só tenho pena de ter lido este livro tão espaçadamente. Li com o grupo de leituras a prestações e dividimos as páginas por semanas. Acabei por intercalar alguns livros e este não merecia isso. Mas vamos à história...

Partindo da premissa que o cérebro possui precisamente 10 minutos e 38 segundos para se desligar após a morte do corpo onde habita, Elif Shafak conta-nos uma história não tão estranha quanto esta premissa faz supor nem tampouco o título. Ou seja, esta é uma história muito original onde o leitor aprende a gostar de uma menina/mulher que custa a crer que está morta. Mas o que ela recorda nesses 10 m. é algo que, infelizmente, é muito real tanto na Turquia (Istambul) como em qualquer país do mundo!

Essa ligação entre o leitor e Leila Tequila, uma prostituta assassinada, e seus amigos e amores é feita de imediato. A escrita é maravilhosa, prende e conquista pela simplicidade mas, também, pela verosimilhança. O que aconteceu a Leila, acontece ainda hoje. 

Leila não tem família que lhe queira. Tem amigos. Poucos, cinco. Mas muito amigos. São diferentes. A sociedade não os aceita, não os quer. E Leila, vai recordando como entraram na sua vida e o leitor vai ficando cada vez mais conquistado por estas vidas marginais. 

Gostei muito e recomendo.

Terminado a 28 de Abril de 2021

Estrelas: 5*+

Sinopse

No primeiro minuto que se seguiu à sua morte, a consciência de Leila Tequila começou a abrandar, lenta e firmemente, como uma maré a recuar para a costa. As suas células cerebrais, tendo ficado sem sangue, estavam agora completamente privadas de oxigénio. Mas ainda não se tinham desligado. Não de imediato. Uma última reserva de energia ativara inúmeros neurónios, ligando-os como se fosse a primeira vez. Embora o coração tivesse parado de bater, o cérebro estava a resistir, um combatente até ao fim...

Para Leila, cada minuto após a sua morte traz consigo uma recordação sensual: o sabor do guisado da cabra sacrificada pelo pai, para celebrar o nascimento de um filho há muito esperado; a visão de panelões borbulhantes com uma mistura de limão e açúcar, que as mulheres usam para depilarem as pernas, enquanto os homens se encontram na mesquita; o aroma a café de cardamomo que Leila partilha com o estudante atraente, no bordel onde trabalha. Cada recordação também traz consigo os amigos que fez em cada momento importante da sua vida - amigos que agora estão desesperados para a tentar encontrar...

Cris