Gosta deste blog? Então siga-me...

Também estamos no Facebook e Twitter

sábado, 8 de junho de 2019

Na minha caixa de correio

  

  

   

  

  

  

  

  

  

Oferecidos pelas editoras parceiras:
- A Dama do Quimono Branco (Temas e Debates)
- Raparigas como Nós (Planeta)
- O Suspeito (Planeta)
- A Holandesa (Presença)
- O Jardim das Flores de Pedra (Porto Editora)
- A Terceira Mãe (Porto Editora)
- Nós Tivemos Sorte (Minotauro)
- Cai a Noite em Caracas (Alfaguara)
- Eu Sou Eric Zimmerman (Planeta)
- Seca (Saída de Emergência)

Os restantes foram resultado de uma semana de compras na feira do Livro de Lisboa

quinta-feira, 6 de junho de 2019

A Convidada Escolhe: "Viagens"


Viagens, Olga Tokarczuk, 2007
Quando comprei este livro, o primeiro gesto que tive foi procurar o índice, para perceber que viagens a autora nos queria propor. Mas não encontrei nenhum índice e à medida que fui começando a leitura, fui descobrindo capítulos ou fragmentos, mais ou menos curtos, descontínuos, que fui assumindo como uma espécie de “remendos” que teriam um nexo e que iriam constituir uma manta num patchwork final. “Viagens” foi o título escolhido pela tradutora Teresa Fernandes Swiatkiewicz para a edição portuguesa do original polaco “Bieguni”, também o título de um capítulo a meio do livro que designa uma seita de antigos crentes ortodoxos para quem o movimento contínuo era uma forma de desapego, de fugir do mal e garantir a liberdade. Das 92 edições em 18 línguas que “Bieguni” já tem e que foi galardoado com o Man Booker 2018, considero o título escolhido – “Viagens” – uma excelente tradução para um livro difícil de caracterizar.
Volto à ideia do “retalho”. Não me foi fácil avançar na leitura deste livro. Podia ter saltado de retalho em retalho, mas segui disciplinada e ordeiramente na leitura, como se de um romance com princípio meio e fim, mas a ideia de que aqueles retalhos no fim iriam fazer sentido e que alguns deixados soltos iriam no fim encontrar o parceiro a que se juntar surgiu-me, sobretudo na história misteriosa daquele casal de férias numa ilha croata em que a mulher e o filho desaparecem. O que lhes terá acontecido?
Outras histórias nos são contadas: Philip Verheyen, o anatomista, médico que descobriu o tendão de Aquiles e registou em desenhos meticulosos e perfeitos os detalhes do corpo humano, porque para ele “ver é saber”. Tendo perdido uma perna muito jovem, por lhe ter sido amputada na sequência de um incidente com um prego que lhe provocou uma infecção irreversível, viveu ao longo da vida com dores insuportáveis na perna amputada, a que chamava “fantasmas”. Tendo conservado o membro amputado numa solução própria para que não se degradasse e apesar do seu desejo de que, quando morresse, a perna amputada acompanhasse o seu corpo, a verdade é que tal não aconteceu. Consideraram que Philip Verheyen tinha morrido louco.
Outra história é a da colecção de amostras anatómicas de Ruysch que foi comprada pelo czar Pedro I da Rússia. Para Charlotta, filha de Ruysch, que nunca casou e que dedicou toda a vida ao trabalho do pai, aquela separação da colecção de peças anatómicas que o pai criara e que ela sempre acompanhara, foi um desgosto que a levou a pensar partir num dos barcos ancorados no porto holandês, fazendo-se passar por homem…
E a história de Annuszka da sua vida com um filho doente, um marido “mutilado” de guerra, com um dia por semana em que a sogra a substitui, um dia de folga como cuidadora, um dia só para si em que deambula pela cidade de Kiev com o objectivo de se sentar por momentos numa igreja, um momento para chorar. É num desses dias que encontra aquela mulher bizarramente vestida, à saída do metro, gritando imprecações enquanto se desloca continuamente. Uma bieguni.
A história de Angelo Soliman, contada pela sua filha Josephine em cartas dirigidas ao imperador Francisco I da Áustria. Trazido do norte de África como escravo, as suas qualidades de pessoa encantadora, hábil político e homem muito inteligente, fizeram que se tornasse uma pessoa prestigiada na corte e digna de um lugar de destaque no seio das amizades mais íntimas do imperador. No entanto, esses atributos não obstaram a que no final da sua vida, devido ao exotismo da sua raça, o imperador tivesse dissecado e embalsamado o corpo de Soliman e o pusesse em exposição ao lado de animais selvagens. As cartas pungentes de Josephine Soliman rogam que o imperador seja sensível e lhe entregue o corpo do pai, para que lhe seja feito um funeral digno de um ser humano. No meio não deixa de pôr o dedo na ferida, ao referir o poder dos senhores e dos tiranos sobre os corpos dos seus servos.
Outra história belíssima é o reencontro de uma mulher com o antigo namorado que deixara na Polónia há muitos anos atrás. Os anos passaram, a distância também e tudo é estranho: ele, a cidade, a Polónia. Ele está à morte e ela vai numa “missão óbvia e asséptica, uma missão de amor”.
A história mirabolante de Chopin que tinha pedido para ser sepultado na sua terra. E assim, ele teve dois funerais: o primeiro na igreja da Madeleine e o segundo meses depois em Varsóvia. A irmã de Chopin conseguiu cumprir o pedido do irmão levando o coração dele para ser sepultado em Varsóvia.
Por fim, Kairos é a história de Karen e do seu marido – o professor – vinte anos mais velho que ela. Todos os anos é convidado a proferir palestras sobre a Grécia Antiga a bordo de um navio que percorre as ilhas gregas. Numa queda fatal, o derrame cerebral que lhe dita o fim da vida é descrito de forma extraordinária como se de um dilúvio de sangue se tratasse, o qual vai aos poucos apagando todos os traços, memórias e acontecimentos da vida do professor.
Tudo histórias à volta do corpo, dos corpos, dos defeitos físicos, das monstruosidades, dos detalhes dos corpos, das arrumações dos órgãos, da sua conservação, da plastinação. Viagens no interior dos corpos. Sempre as viagens.
Viagens, tudo viagens, lembrando que, logo no início, a narradora se apresenta como uma nómada, alguém que nunca aprendeu um ofício, que vive de biscates, que prefere a instabilidade e a precariedade, como um rio. É o que sai da norma, o incompleto e o estragado que a atrai.
Neste livro há pontos que surgem com alguma frequência como a paixão pala Anatomia como já referi, mas também, por exemplo, a presença das baleias e aqui não poderei deixar de recordar a história de Eryk que aprendeu a falar inglês na cadeia através da leitura de Moby Dick!
Este é pois um livro surpreendente em que apetece voltar atrás, reler uma passagem mais densa, voltar ao princípio e descobrir um aspecto para o qual não estávamos despertos/as numa primeira leitura, encontrando as linhas que cosem os retalhos, os pontos de encontro que casam um retalho com outro. Um “caos” onde nos organizamos, onde nos descobrimos, onde nos encontramos. Um livro a que se pode sempre voltar e onde se encontram detalhes com que nos identificamos como viajantes, como peregrinos, como amantes da viagem pelos livros.
3 de Junho de 2019
Almerinda Bento

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Meet & Greet com Jeffrey Archer

A convite da Bertrand Editora, eu e um grupo de bloguers, fomos conversar um pouquinho com Jeffrey Archer, autor que, para muitos, não necessita apresentações. Dele só li Contador de Histórias, um livro de contos, a maior parte baseados em histórias verídicas e que já tem opinião aqui no blogue.

Simpático, detentor de um à vontade que os milhares de livros vendidos lhe dão direito, Jeffrey Archer, mostrou-se solícito em responder a algumas perguntas nossas (poucas, porque o tempo era curto) e ainda nos brindou com algumas histórias das milhentas que deve trazer na manga! Ele é realmente um contador de histórias e fiquei com muito interesse em ler mais deste autor, sobretudo o seu Caim e Abel e Nem Um Tostão a Mais, Nem Um Tostão a Menos. Mas em breve começarei a ler a saga dos Clifton (7 volumes).

Ao fim da tarde, nesse mesmo dia, Domingo, dia 2, o autor esteve presente na FLL, no pavilhão da Porto Editora, à conversa com o jornalista João Paulo Sacadura. Um momento muito agradável onde conhecemos mais de perto um autor, a sua obra e vida e as suas inúmeras histórias. 

Ficam as fotos para poderem espreitar o que perderam... :)








Cris

terça-feira, 4 de junho de 2019

Meet & Greet com Maria Dueñas

No fim da tarde de sexta, dia 31, houve um encontro de bloguers e youtubers com a autora espanhola Maria Dueñas de quem nada tinha lido (ainda), a convite da Porto Editora. O célebre "O Tempo Entre Costuras" (e não, o nome do blogue não surgiu ao pensar nesta obra!), repousava ainda na minha estante à espera, desesperado, de vez. Não existia melhor oportunidade que esta e pus mãos à obra, que é como quem diz, comecei a lê-lo no início da semana passada. Vou a meio e a gostar muito por isso a opinião sai em breve!

O local escolhido foi o Soul Garden, no Hotel Corinthia, um local algo barulhento para uma conversa em privado mas o assunto ficou rapidamente resolvido. Foi um convívio muito simpático entre a autora e algumas meninas que considero amigas porque a paixão pela leitura faz com que frequentemente falemos ou estejamos juntas.

Maria Dueñas é simpática, acessível no trato e falou-nos um pouco do seu processo de escrita e dos seus livros.

Ficam as fotas para espreitarem:





Cris

segunda-feira, 3 de junho de 2019

A Escolha do Jorge: Dor


“Fez aquilo que devia durante demasiado tempo, chegou a altura de fazer o que quer.” 

(p. 91)
Zeruya Shalev (n. 1959) é uma das mais reconhecidas escritoras israelitas da actualidade e mais lidas no mundo, a par de nomes como Amos Oz e David Grossman.
“Dor” é a primeira obra da escritora a ser publicada em língua portuguesa, constituindo uma das grandes surpresas no mercado editorial no início deste ano, na medida em que nos apresenta uma narrativa dolorosamente bela, urdida em modo confessional e intimista, trazendo à luz a história de uma família que vive em Jerusalém e que luta, na medida do possível, pela felicidade, ou iludirem-se nas suas circunstâncias criando essa ilusão, tal como todas as outras pessoas. Não se tratando de um romance político, são muitas as leituras que o leitor consegue fazer atendendo à legislação em vigor em Israel no que concerne a algumas temáticas, mas também o quotidiano das famílias, num reduto geográfico complexo do ponto de vista político, religioso e cultural, no meio de tantas contendas e ódio à mistura que se arrastam há décadas e sem um fim pacífico à vista.
Zeruya Shalev nunca alude ao conflito israelo-palestiniano no decurso da narrativa, mas, na verdade, constitui em si mesmo o pano de fundo de parte da obra, do mesmo modo quando a questão do serviço militar obrigatório para rapazes e raparigas que tem um impacto diferente no seio das famílias, com consequências, por vezes desastrosas na vida dos jovens.
Em suma, as questões de natureza política nunca são objectivadas ao longo do romance, porém o leitor é sempre levado a questionar o modo como a sociedade israelita está organizada e de que modo, perante a natureza complexa daquele país, como é possível, no quotidiano, encarar a vida com normalidade quando, de um momento para o outro, tudo pode acontecer, como um atentado, e a vida de determinada família sofrer um revés.
Há livros que nos marcam intensamente, que nos despertam para questões da actualidade, mas que, em certa medida, nos ajudam a olhar para o ser humano e para a humanidade em geral numa tentativa de compreensão e tolerância de modo a concluirmos que não importa a geografia, dado que a felicidade é, em si mesma, a missão da nossa passagem pelo mundo, independentemente das questões de natureza política que, tantas vezes, se apresentam como obstáculos à vida das pessoas, mesmo em questões práticas de quotidiano.
Aludindo ao conteúdo da narrativa de modo ligeiro porque vale mesmo a pena desfrutar da obra em pleno, explorando-a capítulo a capítulo, “Dor” apresenta Iris no centro da história, uma mulher com quase 50 anos, vítima de abandono do seu namorado na adolescência, episódio que quase a levou ao suicídio e, já mais tarde, vítima de um atentado terrorista por se encontrar no sítio errado à hora errada, situação que a deixou deveras fragilizada física, psicológica e emocionalmente.
Num microcosmos familiar onde reinam as omissões, as mentiras e o permanente questionar o sentido da vida e da felicidade, pais e filhos tentam o que podem e o que conseguem para levar o barco a bom porto. É neste contexto que Zeruya Shalev tenta demonstrar que a vida familiar em Jerusalém e em Tel Aviv não é diferente das vivências passadas numa qualquer cidade europeia ou outro ponto geográfico, independentemente das vicissitudes que conhecemos daquela região.
Iris reencontra Eytan, o seu amor da adolescência, por mero acaso, voltando a ser correspondida. Ambos tentam recuperar o tempo perdido numa guerra desenfreada entre corpos, coração e consciência. Iris, a mulher de quase 50 anos transforma-se na adolescente que não tem tempo a perder, tratando-se da causa da sua vida, um amor nunca esquecido, mas cujo coração, desde cedo, elegera como a razão dos seus batimentos. A vida de Iris está prestes a dar uma volta, uma revolução a nível pessoal e familiar em que terá de ser pesado entre viver o que se perdeu e manter a família unida quando esta mais precisa.
Intenso, esmagador e dilacerante, o leitor embarca nesta viagem semelhante a uma luta interna travada entre o coração e a razão em que nos revemos também nalguns momentos, tornando a narrativa bastante verosímil, muito próxima da realidade, em que todos lutamos, sofremos, sobrevivemos e em que o amor, o tão desejado amor, pode tornar a vida e a realidade mais leve, conferindo-lhe também um sentido ainda que nem sempre alcançado.
Excertos:
"(...)"Vai lá reparar o teu sistema, eu cá me arranjo com eles", ele puxou o fecho do blusão para cima e para baixo, avançando e recuando, e o ligeiro movimento dos seus dedos no fecho-éclair assinou a sentença que até aí pairava entre ela e ele, e entre dezenas de outras casas nas quais as pessoas se preparavam para a sua rotina quotidiana, lavavam o corpo que viria a ser enterrado, se baixavam para calçar sapatos nos pés que daí a precisamente uma hora seriam amputados, passavam creme pela pele que viria a arder, se separavam à pressa de um filho que não veriam mais, mudavam a fralda de um bebé que tinha apenas mais uma hora de vida, e tal como eles, ela vestiu uma blusa de riscas larga e calças de ganga, prendeu descuidadamente o cabelo porque voltaria para casa em breve, prometeu a Omer fazer pizza para o almoço se ele saísse rapidamente do esconderijo, preparou as sanduíches que meteu na mochila deles e, antes de sair, ainda teve tempo de fazer um rabo de cavalo especialmente bonito para Alma.” (pp. 34-35)
"(...) Ultimamente temos um problema com as palavras, pensa ela, utilizamo-las para esconder em vez de revelar. Traímos com as palavras, e talvez isso seja pior do que trair o outro, traímos com as palavras e elas castigam-nos." (p. 90)
"Os filhos cresceram e com eles as frustrações, as zangas, os rancores, as contas, as desilusões. Só não cresceu o amor, e por isso, mesmo que não tenha diminuído, o seu lugar no contexto reduziu-se. Se ao menos fôssemos capazes de amar tanto como de odiar, de ajudar tanto como de prejudicar, de ter e dar prazer tal como de torturar e sofrer. Parece que com os anos a capacidade para fazer sofrer se torna mais sofisticada ao passo que a aptidão para dar prazer diminui. Será que isso depende da nossa idade ou da idade da nossa relação?" (p. 185)
ara calçar sapatos nos pés que daí a precisamente uma hora seriam amputados, passavam creme pela pele que viria a arder, se separavam à pressa de um filho que não veriam mais, mudavam a fralda de um bebé que tinha apenas mais uma hora de vida, e tal como eles, ela vestiu uma blusa de riscas larga e calças de ganga, prendeu descuidadamente o cabelo porque voltaria para casa em breve, prometeu a Omer fazer pizza para o almoço se ele saísse rapidamente do esconderijo, preparou as sanduíches que meteu na mochila deles e, antes de sair, ainda teve tempo de fazer um rabo de cavalo especialmente bonito para Alma."
Texto da autoria de Jorge Navarro

domingo, 2 de junho de 2019

Ao Domingo com... Nelson Nunes

©Vitorino Coragem

Antes de ser escritor, sou leitor. Foi assim que acordei para as letras, e é assim que continuo a ver-me.

Comecei a ler antes de chegar à escola, graças a um programa infantil do qual era espectador assíduo. Assim que descobri esse mecanismo mágico de entender o que vai nas ideias dos outros, desatei num consumo ávido de livros. Primeiro, com BD, depois com as aventuras juvenis da dupla Alçada/Magalhães e de Blyton e, mais tarde, com os colossais volumes do Senhor dos Anéis. Daí para a frente, percebi que havia uma mundo por ler.

Curiosamente, é nessa altura que me desprendo para a possibilidade de ser eu o autor de textos que outros pudessem ler. Primeiro, escrevi-os para a gaveta. Em seguida, lancei-me a uma licenciatura em Jornalismo, na Universidade Católica Portuguesa, e acabei por enveredar pela imprensa escrita, na extinta revista Focus. Após algumas passagens pela assessoria de imprensa e pela investigação académica, acabei por trilhar o caminho da não-ficção, tendo lançado quatro livros.

A vontade de fazer ficção, essa, é de sempre. E deu o primeiro passo recentemente, com uma ficção autobiográfica chamada Preciosa.

Talvez me interesse a ficção da mesma forma que me interessava o jornalismo: fazendo perguntas, percebe-se o que é ser humano. E gosto da escrita por me fazer chegar a conclusões às quais, de nenhuma outra forma, chegaria. Por isso, enquanto me for possível, escreverei.

Nelson Nunes

sábado, 1 de junho de 2019

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

  


Ofertados pelas editoras:

Na Praia de Chesil (Gradiva)
Sophia (Esfera dos Livros)
A Medida do Homem (Suma de Letras)
Como a sua Mente pode curar o se Corpo (Pergaminho)


Os restantes comprados na Feira do Livro.