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quarta-feira, 18 de março de 2026

"Como Animais" de Violaine Bérot

Há livros que nos tocam mais profundamente. Este foi um deles. É bom que nada leiam dele, como fiz, para serem surpreendidos como eu fui. Como tal tentarei nada revelar mas, ao mesmo tempo, explicar-vos como esta leitura foi especial para mim.

Foi a forma como a autora conseguiu contar esta história sem a ela se referir concretamente. Testemunhos captados de várias pessoas sobre certo assunto, sem que percebamos com quem elas estão a falar. Respondem a questões que lhes são colocadas e, assim, a história vai-se fazendo e compondo. Diversas percepções sobre um mesmo acontecimento.

É uma novela breve que se lê num ápice e o leitor vai compondo a história como um puzzle.

Fala-nos de como as pessoas que não correspondem ao "normal" podem ser estigmatizadas durante a sua vida, como podem ser mal compreendidas, fala-nos de preconceitos e lendas tributo de uma aldeia isolada. Preconceitos face à diferença, violência institucional, julgamentos sociais mas também sobre empatia e sensibilidade (visível em algumas personagens).

Gostei muito. Na verdade, adorei! Surpreendeu-me sobretudo como a história é contada, o que é dito por meias palavras, o que o leitor subentende...

Terminado em 28 de Janeiro de 2026

Estrelas: 6*

Sinopse
COMO ANIMAIS (2021), novela breve e magnética, emerge dos depoimentos dos habitantes de uma aldeia isolada nos Pirenéus, quando uma criança desconhecida é avistada numa gruta e a suspeição se abate sobre um deles, reavivando antigas lendas e mistérios. Desta polifonia se tece um conto da montanha, forte e ambicioso, sobre o direito à diferença, que revisita o tema da criança selvagem.

Um livro que se lê de um só fôlego e nos deixa uma duradoura pergunta: quando os que vivem pacificamente à margem da sociedade esbarram na incompreensão de um mundo cada vez mais desumano e alheado da natureza, quem são afinal os animais?

Cris

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