livros tivessem sido proíbidos. Confesso que a minha curiosidade estava ao rubro. O que conteria tal obra para ser proibida?
Tendo sido publicado em 1951/1952, foi proibida de circular em 30 Janeiro de 1952, através de um despacho da PIDE, a polícia política do Estado Novo. O motivo: continha conteúdos e descrições de sexualidade e de moralidade imprópria.
O enredo é centrado na vida de uma família, mais propriamente de uma mulher (devassa, se considerarmos as normas sociais de então!) que, desde cedo, foge dos padrões sociais conservadores impostos sobretudo às mulheres. O adultério é um dos temas dominantes.
Fica aqui um pequeno spoiler: o título pegou-me de surpresa porque depreendi (mal!) que, devido ao seu comportamento desviante a personagem principal teria sido internada à força, como era apanágio de então.
Um dado que achei muito interessante foi esta edição conter, logo na primeira página, a reprodução da carta escrita pelo director da PIDE, proibindo a circulação do livro e, também, uma informação sobre a ida do gerente da editora onde se escusava por ter publicado o livro, alegando que, tendo questionado a autora sobre o seu conteúdo, esta ter afirmado que nada de mal possuía. Foi logo avisado que se voltasse a publicar tais conteúdos a sua empresa seria fechada.
Fiquei curiosa em relação a outro livro da autora, "Famintos", que foi, de igual modo, proibido pelo antigo regime. De referir que Carmen de Figueiredo possui outras obras. Esquecer estas mulheres não devia fazer parte da nossa actualidade!
Terminado em 30 de Dezembro de 2025
Estrelas: 5*
Cris

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