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segunda-feira, 23 de março de 2026

"Partida" de Julian Barnes

Há autores que constituem um desafio para o leitor. E no meu caso Julian Barnes é um deles. 

Não é a escrita que constitui um desafio para mim porque ela é simples e lúcida, nada rebuscada nem complicada, mas os temas abordados. Já tinha começado um livro dele (Nada a temer) mas acabei por largá-lo. Creio que são livros para se ler devagar, para se estar concentrado e deixar o mundo lá fora.

Como é óbvio isso não quer dizer que a sua escrita constitua um desafio para outrém. Por saber que é tão admirado por tantos leitores quis muito pegar neste livro, neste que ele refere que é o seu livro de  despedida. 

Não estou por isso a colocar em causa a escrita deste autor. Como disse é uma escrita reflexiva, bonita, algo melancólica, que nos faz pensar. Escreve sobre a memória, menciona casos, fala de si também. O que fica por dizer com o decorrer dos dias, a solidão que acompanha as relações, o caminho que tem de se fazer sózinho, embora possamos estar acompanhados na nossa caminhada pela vida, o poder analisar o passado sem que não o possamos alterar, as separações que acontecem no percurso, o silêncio que se intromete nas relações. 

A morte física é presença difusa neste livro, bem como a sua doença. É referida como morte dos afectos, dos pequenos "eus" que morrem e se transformam durante toda a vida.

É uma leitura introspectiva para fazer sem pressa. Sem sentimentalismos, Barnes despede-se. 

Terminado em 31 de Janeiro de 2026

Estrelas: 4*

Sinopse

A vida não é uma tragédia com um final feliz. Julian Barnes despede-se dos seus leitores.

Partindo da história de um casal de namorados que se reencontrou quarenta anos depois da separação, e que decide tentar «a última possibilidade de ser feliz», Julian Barnes embarca numa deambulação sobre a memória, a doença, a velhice e, inevitavelmente, a morte.

Barnes não perdeu a leveza, a inteligência aguda, nem o sentido de humor neste balanço de vida. E adverte: ao contrário do que a religião e os filmes americanos prometem, a vida é (na melhor das hipóteses) «uma comédia ligeira com um final triste».

Mais do que em qualquer outro dos seus livros, o autor conversa com os leitores, sentados lado a lado numa esplanada, comentando as muitas e variadas expressões da vida. E despede-se deles.

Envolto em grande secretismo até à data de publicação, no octogésimo aniversário de Julian Barnes, Partida é, nas palavras do autor, «a minha partida oficial, a minha última conversa convosco».

«Uma despedida elegante de um escritor cuja obra não será esquecida tão cedo.»
Kirkus Review

«Barnes explora a memória, a identidade e o envelhecimento neste romance elegíaco e espirituoso. E mantém-se em excelente forma.»
Library Journal

«Barnes tem um espírito extremamente vivo e uma voz distinta que dão alegria e vivacidade às meditações mais profundas.»
The New York Review of Books

Cris

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