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sábado, 13 de novembro de 2010

As fogueiras da inquisição de Ana Cristina Silva




Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 188
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722339391
Colecção: Grandes Narrativas

Quando um tema me interessa, sou catapultada para dentro do livro com uma velocidade estonteante e tenho alguma dificuldade em "sair" dele e fazer uma crítica positiva, quanto mais negativa...

Gostei, aprendi e senti as minhas emoções ao rubro com este romance histórico. A Inquisição não é um tema leve nem fácil de ser tratado e esta autora, para além da pesquisa que se subentende ter sido feita, conseguiu uma história onde os aspectos reais se misturam muito bem nos fictícios, resultando num livro pequeno mas muito gostoso!

Várias gerações são retratadas, gerações que têm em comum o facto de terem ascendência judia e de necessitarem de camuflar a sua religião para poderem sobreviver num ambiente hostil, marcado pelos horrores da perseguição em nome de um Deus que servia para encobrir interesses pessoais. A fuga de judeus para fora do nosso país, o medo da denúncia, a prisão, a tortura, tanto física como psicológica, a morte pelo fogo foram uma realidade que não deve ser esquecida. Parece surreal, ilógico e difícil de compreender... Mais uma razão para se ler este livro! 

Terminado em 13 de Novembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse

Numa altura em que os romances históricos são cada vez mais procurados pelos leitores, a Editorial Presença publica o primeiro romance de uma autora portuguesa onde realidade e ficção se entrelaçam brilhantemente. Esta história desenrola-se ao longo do século XVI, numa época em que o medo e a denúncia são constantes, em que as perseguições e os massacres se sucedem e a Inquisição é imposta em Portugal. Sara de Leão, protagonista e neta de uma família judaica portuguesa, é presa num calabouço, em Évora, acusada de práticas judaizantes. Para se conseguir evadir da penosa situação em que se encontra, Sara refugia-se no passado recordando a sua avó Ester Baltasar, que lhe transmitiu a história e a doutrina do seu povo. Uma obra envolvente, através da qual ficamos a conhecer esta extraordinária saga familiar, as suas vicissitudes, a coragem e a solidariedade que várias gerações revelaram face ao terror que as ameaçava.

Um pouco de História:





Antes mesmo da instituição da Inquisição em Portugal (1536), observamos por parte do Estado a preocupação em cercear ideias consideradas como perigosas ao regime. Em meados do século XV foi instituída a censura real através de um alvará de Afonso V, de 18 de agosto de 1451, que manda "queimar livros falsos e heréticos". 
A Inquisição foi pedida inicialmente por D. Manuel I, para cumprir o acordo de casamento com Maria de Aragão. A 17 de dezembro de 1531, o Papa Clemente VII, pela bula Cum ad nihil magis  instituiu-a em Portugal, mas um ano depois anulou a decisão. Em 1533 concedeu a primeira bula de perdão aos cristãos-novos portugueses. D. João III, filho da mesma D. Maria, renovou o pedido e encontrou ouvidos favoráveis no novo Papa Paulo III que cedeu, em parte por pressão de Carlos V de Habsburgo.
Em 23 de maio de 1536, por outra bula em tudo semelhante à primeira, foi instituída a Inquisição em Portugal. Sua primeira sede foi Évora, onde se achava a corte. Tal como nos demais reinos ibéricos, tornou-se um tribunal ao serviço da Coroa.
A bula Cum ad nihil magis foi publicada em Évora, onde então residia a Corte, em 22 de outubro de 1536. Toda a população foi convidada a denunciar os casos de heresia de que tivesse conhecimento. No ano seguinte, o monarca voltou para Lisboa e com ele o novo Tribunal. O primeiro livro de denúncias tomadas na Inquisição, iniciado em Évora, foi continuado em Lisboa, a partir de Janeiro de 1537. Em 1539 o cardeal D. Henrique, irmão de D. João III e depois ele próprio rei, tornou-se inquisidor geral do reino.
Até 1541, data em que foram criados os tribunais de Coimbra, Porto, Lamego e Évora, existia apenas a Inquisição portuguesa que funcionava junto à Corte. Em 1541 foram criados os Tribunais de Coimbra, Porto, Lamego e Tomar. Em 1543-1545 a Inquisição de Évora efectuou diversas visitações à sua área jurisdicional. Mas em 1544 o Papa mandou suspender a execução de sentenças da Inquisição portuguesa e o autos-de-fé sofreram uma interrupção.
Foram, então, redigidas as primeiras instruções para o seu funcionamento, assinadas pelo cardeal D. Henrique, e datadas de Évora, a 5 de Setembro. O primeiro regimento só seria dado em 1552. Em 1613, 1640 e 1774, seriam ordenados novos regimentos por D. Pedro de Castilho, D. Francisco de Castro e pelo Cardeal da Cunha, respectivamente.
De acordo com Henry Charles Lea no período entre 1540 e 1794, os tribunais de Lisboa, Porto, Coimbra e Évora resultaram na morte por fogueira de 1,175 pessoas, e na queima de 633 efígies, e em 29,590 outras penas. No anetanto a documentação de alguns autos de fé desapareceu podendo estes números estar ligeiramente abaixo da realidade.
O Index ou Index Librorum Prohibitorum era a lista de livros proibidos cuja circulação tinha de ser controlada pela Inquisição. Os livros autorizados eram impressos com um "imprimatur" ("que seja publicado") oficial. Assim era evitada a introdução de conteúdo considerado herege pela Igreja.
A Inquisição foi extinta gradualmente ao longo do século XVIII, embora só em 1821 se dê a extinção formal em Portugal numa sessão das Cortes Gerais.
(retirado da Wikipédia)

2 comentários:

  1. Parece que este livro é mesmo especial. Ainda não li uma única má crítica a ele. Estou ada vez mais curiosa e vai ser dos próximos a vir para minha casa.

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  2. Mais uma excelente opinião acerca deste livro, que já estou decidido de o comprar e ler!
    Bom fim-de-semana!
    Beijinhos

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