Gosta deste blog? Então siga-me...

Também estamos no Facebook e Twitter

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Amor, sempre


Edição/reimpressão: 2010        
Páginas: 192
Editor: Contraponto
ISBN: 9789896660666

Uma leitura muito simpática e envolvente, esta! Lê-se numa tarde e tem o enredo necessário para nos prender.
Escrita simples,mas com força suficiente para nos captar a nossa atenção e com uma reviravolta no final que me fez saltar das três para as quatro estrelas.

Dispõe bem e não é um livro pesado, nem no conteúdo nem na sua forma! De qualquer forma prefiro livros que me façam viajar para algum sítio real e/ou para situações com uma ponta de realismo... É, como direi, um livro "leve" mas suficientemente bem escrito para se tornar numa leitura agradável.

Terminado em 12 de Abril de 2011

Estrelas: 4*

Sinopse

Quando duas irmãs encontram no sótão um velho diário da mãe, descobrem, para grande choque de ambas, que o seu verdadeiro amor não foi o pai. Mas será que as coisas são aquilo que parecem? Esse é o grande mistério com que se deparam e que têm de desvendar sozinhas, pois a mãe encontra-se no leito da morte, num lar, sem conseguir falar - só as páginas do seu diário podem fornecer as pistas. Numa viagem ao passado, revela-se uma jovem Elizabeth Marshall perdidamente apaixonada por um homem… estando comprometida com outro. Ela tem, por fim, de escolher entre Bob, estável e leal, e AJ, enérgico e imprevisível. Quando AJ é associado a um suspeito incêndio, a jovem enfrenta a decisão mais penosa da sua vida: Elizabeth é a única que pode limpar o nome dele, mas fazê-lo arruinaria a sua reputação e custar-lheia o amor do noivo. O Diário é uma história de amor e a história de uma família. É também sobre uma questão que, a determinada altura da vida, todos colocamos: até que ponto conhecemos realmente os nossos pais? A resposta pode ser surpreendente…


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quem postou... Um erro inocente




http://marcadordelivros.blogspot.com

http://entrepaginas-entrepaginas.blogspot.com

http://viajarpelaleitura.blogspot.com

http://as-leituras-da-fernanda.blogspot.com

http://www.segredodoslivros.com

http://www.estantedelivros.com

Soltas... Um erro inocente


"Porém só tinha quinze anos. Não sabia que, quando se atira uma pedra, sobre a forma de uma decisão estúpida, para o lago que é a nossa vida, esta pode provocar uma maré viva capaz de destruir tudo e todos no seu caminho. Não me dei conta que apaixonar-me por alguém poderia arruinar a vida de toda a gente que conhecia."

"Eu não fui a única prisioneira. Ele também. Não é o que se costuma dizer? Quando se condena alguém, culpado ou inocente, condena-se toda a família."

terça-feira, 12 de abril de 2011

"Um Erro Inocente" de Dorothy Koomson


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 448
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04100-5

Este livro devora-se, não se lê! Comecei a lê-lo no Sábado a meio do dia e Domingo depois do jantar poisei-o... Só no último dia tinha lido 300 páginas! Existem livros com menos páginas que temos a sensação de nunca mais terminarem. Não é certamente o caso, bem pelo contrário!

Não é o primeiro livro desta autora que passa pelas minhas mãos, embora aí fiquem pouco tempo. A sua forma de escrever obriga a uma leitura compulsiva. É escrito a duas vozes e o presente e o passado intercalam-se constantemente sem que percamos o "fio à meada".

A empatia com as duas personagens principais, que dão voz ao livro, é feita de imediato e não se quebra até ao final desta história espectacular! Acreditamos, sentimos e sofremos com as duas. O mistério mantém-se constante e quando damos por nós o livro chegou ao fim... e com que fim! Nada o fazia prever...

Os temas abordados são actuais: os maus tratos e as agressões de que são vítimas algumas mulheres por parte dos seus acompanhantes e as razões dos seus silêncios.  Conhecemos certamente casos que se assemelham, nalguns aspectos, com partes desta história, o que torna este livro muito interessante. Recomendadíssimo!

Terminado em 10 de Abril de 2011

Estrelas: 5*+

Sinopse


Durante a adolescência, Poppy Carlisle e Serena Gorringe foram as únicas testemunhas de um trágico acontecimento. Entre aceso debate público, as duas glamorosas adolescentes viram-se a braços com os tribunais e foram apelidadas pela imprensa de "As Meninas do Gelado".
Anos mais tarde, tendo seguido percursos de vida muito diferentes, Poppy está decidida a trazer ao de cima a verdade sobre o que realmente sucedeu, enquanto Serena, esposa e mãe de dois filhos, não pretende que ninguém do presente desvende o seu passado. Mas é impossível enterrar alguns segredos - e se o seu for revelado, a vida de ambas voltará a transformar-se num inferno...
Emocionante e enternecedora, esta história fará com que nos perguntemos se alguma vez poderemos conhecer verdadeiramente aqueles que amamos.

Soltas... Flashback


"Nunca, como em Caxias, pude dar o verdadeiro valor ao diálogo, por mais inexpressivo e vazio que fosse. Também, jamais senti tão odiosa a amargura da solidão que, a certa altura chegou a transmitir-me a falsa convicção de que me tornara o único ser vivo sobre a terra."

"Muitas vezes ao relê-las (frases escritas pelas suas filhas), não consegui reprimir algumas lágrimas de reconfortante emoção. Lágrimas que me correram pela face e me chegaram aos lábios. Com o sabor dos beijos que elas me gostariam de poder dar ali mesmo, naquela cela, nas horas em que mais precisava de apoio, de compreensão, de amor."

"Um homem chega a pensar que deixou de existir. Mas logo a seguir, percebe que...nasceu e ainda não morreu. Porque se move. Porque pensa. Porque fala. Porque sofre. E só está vivo quem se move, pensa, fala e sofre."

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Flashback de Artur Agostinho


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 224
Editor: Ésquilo
ISBN: 9789898092939

Folhei este livro por acaso numa livraria e surpreendi-me com referências a uma prisão portuguesa, Caxias. Despertou a minha curiosidade tanto mais que não sabia quase nada de Artur Agostinho. 

É um livro escrito na primeira pessoa, narrando acontecimentos relativos à sua detenção que durou quatro meses e, simultaneamente, à sua posterior estadia "forçada" no Rio de Janeiro.

A liberdade e a justiça são algo que consideramos inerentes ao ser humano e a falta delas, quando feita injustamente, provoca um martírio que não conseguimos imaginar... Momentos de angústia, de incerteza, de perplexidade, de raiva, de sofrimento, de euforia logos seguidos de desânimo, são estados de alma que este Senhor do espectáculo decidiu partilhar connosco. Em boa hora o fez porque, para muitos portugueses, a sua vida é ainda desconhecida, como desconhecidos foram os motivos concretos que levaram à sua prisão.

Que a justiça erre ainda consigo admitir mas que faz para o remediar? Aqueles tempos, a seguir ao 25 de Abril - acontecimentos de 28 de Setembro de 1974 -  foram muito conturbados e, naturalmente, muitos deram ouvidos a "boatos" e agiram em conformidade com esses rumores. Fizeram-se estragos em vidas inocentes que, só muito a custo, os próprios conseguiram superar. Uma delas foi a de Artur Agostinho.


Um dos aspectos que considero mais fraco nesta leitura, foi a quase ilegibilidade dos recortes de jornais na época, que aparecem de quando em quando. A sua leitura seria reveladora da situação vivida e descrita por este autor, dos comentários que circulavam e do tipo de imprensa da época! Talvez houvesse forma de os aumentar?

Terminado em 9 de Abril de 2011

Estrelas: 3*

Sinopse

37 anos depois.
Um testemunho humano que nos faz pensar.
É a narrativa de uma experiência humana, intensa e rica, muitas vezes com situações tragicómicas, mas que testemunham como afirma o Professor Marcelo Rebelo de Sousa no «Prefácio», o «carácter impoluto» e as «excepcionais qualidades humanas e cívicas de Artur Agostinho». Um testemunho, narrando com total rigor os acontecimentos, para todos conhecerem, ou recordarem, os tempos difíceis da construção da Democracia portuguesa e nos preservarmos da reincidência de situações de loucura social como as que tomaram palco há trinta e sete anos.

domingo, 10 de abril de 2011

Mais uma pilha!

Comprei estes:

Das BLX:

Quem postou... O segredo dos seus olhos


http://www.clubedoslivros.org

http://www.segredodoslivros.com

Soltas... O segredo dos seus olhos

"O mas. Você acaba de me dizer «Ligámos-lhe, mas...». É o suficiente. Já percebi. Se tivesse dito «ligámos-lhe e...» ou «ligámos-lhe porque...», teria significado alguma coisa. Não o fez. Disse «mas»."

"Titubeara um pouco ao olhá-la nos olhos, pois aquela rapariga olhava para o fundo dos olhos, e foi como se lhe tivesse pespegado nas próprias órbitas uma pedrada certeira com as suas íris sumamente tristes e melancólicas."

"Julgo que, quando não se pode dizer nada, os olhares carregam-se de palavras."

sábado, 9 de abril de 2011

Um crime no passado


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 312
Editor: Objectiva
ISBN: 9789896720407



Creio que foi na revista Os Meus Livros que li um comentário muito positivo deste livro. Como faço sempre que assim é, anotei. E realmente esta leitura tornou-se reveladora de uma escrita magnífica. É daqueles livros que encontramos frases belíssimas, daquelas que nos fazem invejar não termos sido nós os autores...


A acção não nos deixa sossegar nem um pouco, passado e presente intercalam-se na perfeição, sem que nos percamos neles. O personagem principal, funcionário de um tribunal, conta-nos uma história de crime e mistério vivida por si e, ao mesmo tempo, revela-nos o seu interior...


Achei este livro muito bem escrito, possuidor de frases que se torna necessário voltar atrás e reler de novo, não porque não se perceba o seu significado mas porque a beleza nelas contida instiga-nos a uma nova leitura... A uma dada altura parece-nos que já está tudo dito, que o enredo não se vai desenvolver mas, eis senão quando, dá-se uma reviravolta e a acção torna-se de novo emocionante!


Gostei do princípio ao fim! 


Terminado em 7 de Abril de 2011

Estrelas: 5*

Sinopse



Benjamín Chaparro, vice-secretário num tribunal de instrução, vê chegar ao seu departamento o caso de homicídio de uma bela mulher que ao partir deixou um coração dilacerado pela perda. Identificado com a dor do marido da vítima, Benjamín vai além do que lhe é permitido para descobrir e punir o culpado. Esta luta obstinada pela verdade e pela justiça terá consequências que ele não poderia ter adivinhado. Passados trinta anos, Benjamín ainda não esqueceu o caso. Já reformado, decide escrever um romance, como forma de fazer um balanço da vida e exorcizar os fantasmas do passado.

O filme


Ganhou o Óscar para melhor filme estrangeiro de 2009. Aqui fica o trailler:





Como?

                                              (Imagem retirada da net)

Alguém tem algumas dicas para esticar o tempo? Bem gostaria de seguir este conselho, hehehe...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Quem postou... O meu amor morreu em Bagdade



http://leitura-constante.blogspot.com

http://www.estantedelivros.com

Soltas... O meu amor morreu em Bagdade


"É a primeira vez que vejo Bagdade pelos meus próprios olhos e lembro-me do que senti vontade de dizer ao mundo. Em que raio estávamos nós a pensar?"

"Dá para ver nos olhos dos iraquianos que trabalham para nós. Os estrangeiros ausentam-se alguns meses, voltando à "vida real" e os iraquianos estão cá presos. Para eles isto é a vida real..."

"Há um laivo de desespero na sua voz. Enumera as dificuldades e o sofrimento já costumeiros para os iraquianos que vivem em Bagdade. Só têm entre uma a quatro horas de electricidade por dia; não têm água potável corrente; para abastecerem o carro, têm de passar, no mínimo, quinze horas na fila de uma bomba de gasolina."

"Como jornalista, falo frequentemente com pessoas depois de as vidas destas terem sido marcadas por tragédias; depois dos piores momentos, depois de mortes e assassinatos, esforçava-me por ser o mais bem educado possível: «Como se sente?» Por vezes imaginava como, e por que razão, falariam comigo. Agora entendo. A atenção dos outros faz-nos sentir menos desamparados."

"O Iraque enoja-me. Enoja-me pensar que as pessoas que Andi pretendia ajudar contribuíram activamente para a sua morte."

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A vida, a guerra e a morte


Edição/reimpressão: 2009
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722340687
Coleção: Novo Milénio

Este livro não é um romance. Poderia sê-lo e poderia ter acabado bem, mas a vida, muitas vezes, é madrasta e ela não quis que assim fosse. Infelizmente! Ele é o fruto de duas vidas vividas com amor mas, também, sujeitas a separações dolorosas e sujeitas à separação mais dolorosa que pode haver: a morte!


Não tenho muitas palavras para o descrever. Deve ter sido, para o autor, um processo doloroso, esta escrita.  Simultaneamente, o facto de recordar os momentos passados, de ficarem no papel para que outros possam "viver" o que ele sentiu, deve ter sido, de igual modo, positivo. Para quem lê, é-o de certeza! 


São descritas situações que não conseguimos imaginar porque reais, dolorosas e difíceis. Como sobreviver num local onde a morte espreita a todo o momento e a sorte/azar estão na base de muitas mortes ou de continuar a viver? A  guerra do Iraque é aqui muito bem retratada por quem lá viveu dois anos. Por quem lá amou e sobreviveu. Por quem lá perdeu um ente querido.


Cenários de guerra que vemos nos filmes mas que não fazem parte do nosso dia-a-dia. Este é um livro que, depois de lido e se não se tivesse tratado de algo real, eu gostaria de ver no ecrã.

Terminado em 5 de Abril de 2011

Estrelas: 5*

Sinopse

O Meu Amor Morreu em Bagdade é um relato verídico e dramático de um dos períodos mais violentos do conflito no Iraque e é, simultaneamente, uma história de amor que nos retrata o que acontece quando a juventude e a inocência se expõem à devastação da guerra. O narrador é Michael Hastings, um repórter da revista Newsweek enviado para Bagdade para fazer a cobertura da guerra, que se apaixona por uma jovem colaboradora da Air America, Andi Parphamovich. Após um ano de namoro, Andi acaba por ser vítima de uma emboscada fatal numa das zonas mais perigosas da cidade. Um olhar intenso sobre o caos da guerra no Iraque e sobre a perda de um grande amor.
Uma história de amor que é ao mesmo tempo um relato verídico de um dos períodos mais violentos do conflito no Iraque, que terá parte da receita das vendas revertida a favor da Andi Foundation.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lês?

                                             (Imagem retirada daqui)

"Diz-me se lês...dir-te-ei se és!
A mim, apetece-me dizer que quem não lê não é, porque não vê,
não sabe, não está. Não terei a razão toda, mas alguma estará comigo."

D.Manuel Martins, bispo de Setúbal

O acto de escrever


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 184
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896571481

Pela sinopse e pela capa imaginei erradamente o conteúdo deste livro. Não se trata de um romance propriamente dito, mas sim do processo de construção do mesmo por parte do autor. Ele passa rapidamente de um assunto para outro, como nós com o pensamento! Não era o que esperava desta leitura, mas não me desagradou. 

Fiquei, no princípio, à espera que começasse a história em si e só depois me apercebi que ela era intervalada com os próprios pensamentos do autor; de histórias  sobre vários escritores, pintores e cineastas; de lendas e peripécias do País Basco e de Ondarroa, localidade piscatória... narrando, em simultâneo, partes da sua vida, da do seu pai e de seu avô. 

Não é, pois, um romance como eu esperava que fosse, mas sim como se escreveu uma história, o seu início e a procura de dados para a realizar. Kirmen Uribe explica-o muito bem a meio do livro: "Pensei que eu deveria mostrar o que há por detrás de um romance, revelar todos os passos que se dão na hora de o escrever. As dúvidas, as incertezas. Mas o próprio romance não apareceria no romance. O leitor apenas poderia intui-lo..."

Diferente, original, mas não o considero excepcional. Talvez porque não me tivesse prendido grandemente a atenção. Teve, no entanto, a mais-valia de me fazer pesquisar mais sobre o País Basco e de conhecer melhor a sua geografia e a sua História!

Terminado em 2 de Abril de 2011

Estrelas:3*

Sinopse

O último desejo de Liborio Uribe ao tomar conhecimento que a hora da morte está traçada é ver pela úiltima vez um mural, e pede à nora que o leve a contemplá-lo. Homem do mar, passou toda a vida no Dois Amigos, onde muitas histórias se passaram. O neto Kirmen sempre desejou recordar essas histórias, de que tinha memórias esfiapadas, e decidiu reconstituir a vida a bordo do barco.

Um pouco de Geografia e de História


O País Basco é uma região histórico-cultural localizada no extremo norte da Espanha e no extremo sudoeste da França, cortada pela cadeia montanhosa dos Pirenéus e banhada pelo Golfo de Biscaia.
A região basca tem uma cultura própria, sobretudo pela língua, o euskara e sustenta um movimento nacionalista desde fins do século XIX. A campanha dos grupos radicais pela independência cresce com a fundação, em 1959, do grupo separatista ETA (considerado como organização terrorista por vários governos mundiais), em plena ditadura de Francisco Franco (1939–1975). Com a Constituição espanhola de 1978, o País Basco conquista alto grau de autonomia, e a maior parte do movimento depõe armas, criando partidos legais. Os remanescentes da ETA, porém, decidem continuar a sua luta, utilizando a violência como meio de coação e intimidação.

Ondarroa é um município da Espanha na província de Biscaia, comunidade autónoma do País Basco, de área 3,6 km² com população de 9277 habitantes (2004) e densidade populacional de 2693,30 hab/km².

terça-feira, 5 de abril de 2011

Quem postou... Diários secretos de Eva Braun


http://corta-fitas.blogs.sapo.pt

http://www.segredodoslivros.com

Soltas... Diários secretos de Eva Braun



"Este homem é um actor nato. Nele tudo é estudado e inato ao mesmo tempo."

"-O que tu fazes é bem feito.
Foi tudo o que encontrei para responder, foi tudo o que fui capaz de lhe dizer. Porque não compreendo mais nada, mas também porque me sinto sempre petrificada à frente dele, numa amálgama de despreocupação, de admiração, de repulsa, de amor, de ódio, de indiferença. Anestesiada. à margem de mim própria. De um eu que ignoro cada vez mais."

"Quando quer qualquer coisa, ele sabe pôr em marcha os meios para a conseguir. Mesmo aqueles que lhe repugnam. O que ele quer, custe o que custar, é  glorificação do seu ovo. Ela é-lhe necessária, pois constitui para ele uma ode à sua própria glória."

"Quem é pois este homem que eu amo, receio e por vezes detesto? Estou muitas vezes farta do papel que me é atribuído, o de uma bonequinha bonita que se balança no seu baloiço à espera do seu amo e senhor."

"É de crer que a fé deles na beleza do ser ariano viril tem a sua raiz na raiva que sentem por serem tão pouco arianos. Mesmo Hitler, e ele mais ainda do que outros, é bem a antítese do belo ariano idealizado."

"Observo o Fuhrer; estou à vontade, porque ele não se digna a olhar para mim. E sempre a mesma impressão se perfila em mim este homem de extremos possui a Vida na sua energia mais intensa e destribui a morte."

Coisas minhas!


                                              (Imagem retirada daqui)

"Mas gosto de encontrar em leituras desconhecidas coisas que já pressinto sem lhes saber o nome."

Simone Bernard-Dupré, "Diários secretos de Eva Braun"

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Conflito interior?


Edição/reimpressão: 2010
Editor: Arcádia
ISBN: 9789892800424
Coleção: Arcádia Ficção

Não é um livro fácil de se ler, estes "Diários Secretos de Eva Braun"! Duas coisas há a considerar: 1) o livro em si, a forma como está escrito e 2) a História que está por detrás dele.


Começando pela sua forma diria que é um livro escrito de uma maneira que nos capta a atenção. O diário, propriamente dito, ocupa quase a totalidade do livro (está inserido numa outra história, esta bastante romanceada) e é constituído por pequenos apontamentos, supostamente de Eva Braun, que não nos cansam e nos mantêm interessados.


A personagem principal, ao escrever o seu diário e ao contar-nos as suas vivências, consegue fazer transparecer muito bem o seu carácter. O seu retrato físico e psicológico está bem conseguido. Resta-nos saber da veracidade do mesmo!


E é precisamente o seu retrato psicológico que me "irritou" de sobremaneira (por isso concluo que está bem conseguido...)! Eva surge-nos, no início da sua vida, como uma rapariga alegre, fútil, que apenas se quer divertir mas, ao mesmo tempo, rebelde e nada dada a convenções e a obedecer a uma educação rígida... por outro lado, apaixona-se perdidamente por Adolf Hitler e vai perdendo, aos poucos, a sua autenticidade, tornando-se uma mulher submissa e sem amor-próprio. Isso traz-lhe conflitos interiores, que não expressa verbalmente e que a levam a tentar o suicídio por duas vezes! A sua passividade e o seu "não querer ver" o que se passava à sua volta são uma constante em todo o livro!


Uma mais-valia deste livro é o facto de surgirem, frequentemente, notas de rodapé que nos situam historicamente. O retrato físico e psicológico de Hitler é-nos transmitido com realismo pela sua amante. Dominador de massas, orador nato, provocava nos outros um tal magnetismo que os levava à histeria colectiva, Hitler aparece-nos como um ser sem escrúpulos e sem remorsos, demente e obstinado na sua guerra contra o comunismo e contra os judeus. Nomes como Hoffmann, Goebbels, Hess, Goering, Himmler, Heydrich e muitos outros são também aqui retratados, misturando muito bem, esta escritora, o rigor histórico com o romance! 


Eva ama-o e odeia-o, simultaneamente! A sua dependência e submissão face a Hitler revolta-a mas nada faz para a alterar e mantém-se-lhe fiel até a morte. Terá existido, realmente, esta dualidade interior?


Um dos aspectos que considero mais fraco deste livro é o facto de todos os acontecimentos horríveis dessa época serem aqui aforados muito ao de leve... O que nos leva a perguntar se, efectivamente, esses horrores terão passado por Eva Braun sem que ela se tivesse dado conta? Intencionalmente ou porque o seu papel como mulher era apenas decorativo, como ela própria nos quis passar a mensagem?


Pelas questões que nos faz levantar, a minha opinião é positiva. Confesso, no entanto, que conseguiu irritar-me esta passividade toda que nos transmite Eva, esse conflito interior que a leva a questionar-se sobre o seu comportamento mas não demonstrando força suficiente para o alterar... 


Terminado em 4 de Abril de 2011

Estrelas: 3*+

Sinopse

Por trás de um grande líder existe sempre uma grande mulher - Eva Braun foi durante muitos anos a companheira de Adolf Hitler e, por um dia, sua esposa. Através de Os Diários Secretos de Eva Braun, que chega agora até nós, entramos na intimidade daquela que acompanhou a ascensão e a queda do Terceiro Reich, marcado pelo Holocausto. O sofrimento, paixão, loucura, dúvida, vividas e descritas por Eva, não deixam ninguém indiferente. Um livro arrebatador que conquistou a França e já traduzido em inúmeros países.