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domingo, 24 de junho de 2012

Ao Domingo com... Angelino Pereira

"Se me perguntarem a razão por que escrevo.

Posso dizer-vos que me preocupa o caminhar apressado das pessoas, sem tempo
para pensarem. Todos caminham sem tempo para nada. A vontade de chegar, sem saber onde, na ganância de tudo, atropela e esmaga a esperança de viver. E as crianças, que a sorte não privilegiou ao nascer, são apanhadas pela velocidade do tempo, na dor, na fome, na desgraça e na indiferença de quem passa. A sociedade humilha as crianças e faz a pessoas que depois detesta. Então o poeta, inconformado, grita na esperança que o mundo o ouça: “Usadas porquê e por que razão?” As crianças são o melhor do mundo…

E olhando o nosso mundo, o que vemos?! Através da “caixa mágica” observamos a maldade e ouvimos os gritos da dor adormecida na fome de crianças que o homem escraviza. E o GRITO do poeta atormentado soa no tempo da irracionalidade que faz a guerra e mata a vida de tantos inocentes.
A criança continua sofrendo porque o homem não tem noção do tempo e mata a criança que nasceu dele, e pior, não a sentiu crescer nele. Então a minha escrita e o meu grito, com alma aflita, mas sempre insisto para decifrar o mistério da pobreza humana.

Os leitores gostam de saber o que pensa o escritor quando escreve histórias que alimentam as suas vidas. É claro que sempre lhes digo que eu sou o fruto dos livros que li e vou crescendo nos livros que vou lendo. E quando escrevo dou a alma para alimentar a vida do leitor, porque também outros autores alimentam a minha. E se cada um dá do que tem, eu, quanto mais tiver mais posso dar, daí a minha procura permanente do saber para alimentar emoções e produzir ensinamento.

Entre as questões que me colocam, a propósito do meu mais recente romance “Encontros de vidas”, eu posso responder de forma simples como deve ser a vida para se revelar bela e para que os leitores conheçam um pouco mais de mim:

1. O público gosta de saber como se escreve a obra, quais objetivos que a
orientam?
Escrevendo, dia a dia, hora a hora, pensando no mundo e nas pessoas e nos
problemas que as consome. Sabe, Robert Kennedy disse um dia: “Há homens que vêm as coisas como são e perguntam: Porquê? Eu sonho coisas que nunca existiram e digo: Porque não?” O objectivo da minha obra é tornar o mundo mais humano já que temos perdido essa humanidade em favor do material que nos conduz a nada e decerto resulta no vazio de nós mesmos.
Temos que parar e pensar se vale a pena caminhar tão depressa para não chegar, porque nos perdemos no caminho. Quando algum dos meus alunos me diz: professor: “Não sei como fazer o trabalho que me recomendou.” Então, eu respondo-lhe: “Quanto chegares ao cruzamento que te mostra vários caminhos, ficas perdido, desnorteado, se não tiveres previamente definido a direcção que queres seguir. Primeiro precisamos de saber por onde queremos ir e o resto é fácil se tivermos vontade para continuar. É tudo uma questão de querer: querer estar, querer fazer, querer partilhar... Porque na vida só faz falta quem quer estar.”

2. Qual o tempo que dedica à sua escrita?

O tempo para a escrita e, para a leitura, porque não se pode escrever sem primeiro ler muito, é o possível. Mas para quem não vive da escrita, é o que se pode retirar ao descanso do corpo para desenvolver o pensamento que muito melhora a qualidade do trabalho que tenho que realizar e poder retirar os meios para sobreviver e pagar o meu vício de escrever, que não tem sido nada fácil com a já considerável produção literária que tenho ao dispor dos leitores.
Mas o tempo para a escrita está sempre condicionado ao momento de inspiração, ao lugar, à emoção. Posso agarrar as personagens ou perdê-las e às vezes tenho que me levantar de madrugada para falar com elas. Daí que existem muitas variáveis para a realização do romance e, dependendo do número de páginas, pode precisar de dois anos ou mais para a sua concretização, ficando entretanto produzidos muitos textos e muitas participações em antologias, jornais e-books e tantas mensagens partilhadas com amigos da mesma loucura espalhados pelo mundo, principalmente lusófono, nos sons da mesma língua, com sabor especial.

3. A forma de ver a vida e a esperança que o livro pode dar?

Devemos ver a vida sem medo. Acho até que o medo é um empecilho do desenvolvimento e da felicidade. Os meus livros mostram crises, económica e de valores mas a segunda é a que mais me incomoda... E enquanto não conseguirmos resolver a crise de valores jamais conseguiremos resolver a crise económica. O mundo foi enganado! Os homens prometeram um céu que eles imaginaram cheio de tudo e enganaram-se. Puserem as pessoas à procura entre bens materiais mais sofisticados e anda tudo perdido, procuram e não se encontram, porque o céu que os homens prometem não existe. O céu da felicidade está dentro de cada um de nós e não vale a pena procurar se o próprio não se encontra.
Os meus dois romances, os mais recentes: “O Preço da Vitória” maio de 2010, e agora “Encontros de vidas” são ensinamentos de vida cientificamente provada, e podem ajudar a orientar projectos, até os que há muito foram adiados. Os livros podem mudar a vida de qualquer leitor.
A minha vida tem sido influenciada por autores que li e outros que vou lendo.

4. A quem interessa a leitura dos seus livros?

A todos, mas particularmente aos jovens para quem direciono esperança e vontade para vencer. O mundo não é tão mau como alguns o querem pintar.
Eu mostro-lhes como em tempos difíceis se pode vencer com determinação.
Têm que lutar por aquilo que acreditam. O pior que nos pode acontecer é não termos projectos de vida, ideias que fazem a nossa forma de estar no mundo.
Não temos que copiar ninguém mas sempre iguais a nós próprios. Sabemos que temos que viver com as diferenças que geram problemas, que temos que resolver. É por isso que estamos aqui...cada um com seu lugar no mundo, pelo seu próprio direito de estar.
Todos iguais nos direitos mas diferentes na personalidade que carateriza o indivíduo e o torna igual a si próprio, sem ter que ser igual a ninguém. Nenhum ser humano repete as linhas que identificam as impressões digitais!
Há uma tendência para formatar... Criar estereótipos e eu quero alertar para o perigo da manipulação das massas.

5. Quando surgiu o interesse pela escrita?

Desde muito cedo, como acontece com todas as pessoas que gostam de ler e se apaixonam pela vida. A adolescência é uma idade marcante pelas grandes paixões. Escrevemos muitos poemas à procura de respostas para tantas interrogações que nos afectam e tantas vezes podem desviar as nossas orientações de vida. É um período determinante para desenvolver as nossas capacidades. Na adolescência todos os caminhos são possíveis e eu enveredei também por este, que é a minha sã loucura.
Mas o isolamento gerado pela guerra colonial (em África) refortaleceu o que estava guardado em mim e quando regressei para junto dos meus, fui completando um conjunto de textos que mais tarde fizeram o meu primeiro livro, “no conto do meu poema” – 1995 - Participando entretanto em concursos de poesia e jornais e na antologia dos poetas vimaranenses – 1993. E pronto o resto já conhece, através da minha biografia e nos caminhos da internet: meu blogue e facebook.

6. Quais os temas tratados neste romance?

Os grandes temas da vida: os verdadeiros valores da humanidade num mundo em risco de se desumanizar. As grandes interrogações da consciência e os objetivos de cada um que devem merecer a atenção dos governantes para não perdermos o potencial humano. Todas as organizações se fazem com as pessoas e todos os objectivos devem ter como fim as pessoas. Desviar as novas capacidades para fins não humanitários é muito perigoso, porque pode gerar descontentamentos incontroláveis. Não devemos menosprezar ninguém, porque ninguém é dono do mundo nem da vida. Graças a Deus.

7. Consegue eleger um favorito de entre os sete livros que já escreveu?

Eu tenho sete filhos diretos, e mais uma filha e algumas dezenas adotados por cooperação. São participações em coletâneas: antologias e CDs. Mas o mais forte foi escrito pelo “Preço da Vitória", muito recomendado para o trabalho sério de cada um. Agora tenho este amor imenso para que os leitores viajem pelos caminhos do bem-fazer, realizando tudo por amor. Quem faz por amor está permanentemente apaixonado. Como escrevo por amor, estou apaixonado por todos os livros que escrevi. Eles são a minha loucura.

8. Há algum fundo de realidade nos livros que escreve ou são todos ficcionados?

O autor inevitavelmente arrasta os leitores para os caminhos que percorre ou percorreu. São meras coincidências que se confundem com realidades, numa ficção que pretendo com semelhanças reais para que todos entendam a mensagem. E por vezes os leitores até se revêm nas personagens, e isso é bom para que a mensagem consiga o seu objectivo. Os meus alunos gostam das minhas aulas, porque consigo gerar emoções com exemplos práticos, enquadrando os conteúdos nas vivências do quotidiano. Não se pode falar numa linguagem que distraia, para não desperdiçar sinergias. O poema, para mim, tem que ter musicalidade...

E pronto penso que os leitores ficaram mais esclarecidos... Agora só falta mesmo lerem a obra de Angelino Pereira... Muitos leitores têm enviado parabéns e carinho através de mensagens por todos os meios eletrónicos disponíveis e muitos alegram o autor quando me dizem: “Li e compreendi”.
Transmitem-me uma grande satisfação e um forte estímulo para continuar. Se eu gosto de escrever e alguém me diz que gosta do que eu escrevo, então completa-se o prazer da obra realizada. De qualquer forma eu vou continuar porque gosto do que faço e se vou sabendo da alegria que os meus romances vão produzindo nos leitores, então, tudo se completa no milagre da escrita.

A todos o meu abraço. E enviem notícias através do blogue ou facebook."

Angelino Pereira

2 comentários:

  1. "A crise não pode ser desculpa para menos importância da cultura...”


    Nem só de pão vive o homem e para aqueles que devem receber um pão, é preferível dar-lhes metade e outra parte de cultura, porque de certeza se continuarem no mesmo estado vai permanecer a necessidade do pão de caridade, ou pior da piedade.

    Obrigado por se apaixonar pelo livro

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