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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Para os Mais Pequeninos: "Os Três Pestinhas"


Uma história para lembrar a importância dos avós no crescimento dos netos, de que forma podem, com o seu amor e paciência, combater as influências excessivas das solicitaçōes com que os pequenos sāo bombardeados. O livro fala da TV, mas podemos ir mais longe...

Uma história contada pelo avô e acrescentada impiedosamente pelos netos pode ser a base para  uma tarde bem passada! Vejam só:





Cris

sábado, 22 de dezembro de 2018

Na minha caixa de correio

 

 
Ofertado pela Marcador, chegou cá a casa o Entre as Estrelas.
Pelas māos da Presença chegou A Casa da Praia. Concorram ao passatempo que está a decorrer no blogue. Quem sabe nāo têm a sorte de vos calhar um destes livros?
Prendinha de Natal antecipada, de uma amiga livrólica (que escreve também aqui para o blogue, A Vera do blogue, "Ler, Prazer Adquirido"), um livro que leu e que adorou, O silêncio na Cidade Branca.
O Green Snacking foi aquisiçāo minha.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Novidade Penguin Random House

O Dia em que Perdemos a Cabeça
de Javier Castillo

Centro de Boston, 24 de Dezembro, um homem caminha nu, trazendo nas mãos a cabeça decapitada de uma jovem mulher.

O Dr. Jenkins, director do centro psiquiátrico da cidade, e Stella Hyden, agente do FBI, vão entrar numa investigação que colocará em risco as suas vidas e a sua concepção de sanidade. Que acontecimentos fortuitos ocorreram na misteriosa Salt Lake City há dezassete anos? E por que estão todos a perder a cabeça agora?

Com um estilo ágil e cheio de referências literárias- Garcia Márquez, Auster e Stephen King – e imagens impactantes, Javier Castillo contruiu um thriller romântico narrado a três tempos que explora os limites do ser humano e rompe com a estrutura tradicional dos livros de suspense.

Amor, ódio, estranhas práticas, intriga e acção trepidante inundam as páginas deste thriller romântico, que se converteu num fenómeno editorial antes da sua publicação em papel.

"Nome de Código: Verity" de Elizabeth Wein

Esta obra é sobre a Resistência (no caso a resistência inglesa e francesa) durante a II Guerra Mundial, um hino a todos os que lutaram por aquilo em que acreditavam ser justo e humano. Li-o como se fosse real, como se tudo se tivesse passado de verdade. Senti-o como tal! Este é o melhor elogio que posso atribuir a um livro. A história é plausível e mesmo um pormenor que me suscitou alguma dúvida nesse sentido, foi devidamente explicado no final pela autora.

Gostei muito desta leitura, sobretudo pela atençāo crescente a que nos obriga com o virar das páginas, pela mudança de narrador ou de quem pensamos que ele é, por possuir uma narrativa que nos vai envolvendo cada vez mais, obrigando-nos a suster a respiraçāo por mais de uma vez até terminar com os sentimentos todos ao rubro e uma lágrima teimosa a cair...

As personagens que têm o foco principal desta narrativa sāo Maddie e Julie, piloto e uma operacional da resistência britânica, amigas que a guerra juntou e que a guerra vai separar. Sem querer avançar na história, posso referir que tudo foi pensado ao pormenor e que é necessário atençāo aos detalhes para nada se perder nesta leitura. É rica em acontecimentos que nos parecem verosímeis e está muito bem escrito. De tal forma que nos sentimos dentro do enredo. É isso que pretendo duma leitura. Foi isso que obtive deste livro.

Terminado em 16 de Dezembro de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
O retrato impressionante do mundo da espionagem, onde nunca nada é o que parece ser!

Uma missão falhada
No dia 11 de outubro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, um avião espião britânico despenha-se em território francês ocupado pelos nazis. A bordo, numa missão ultrassecreta, seguem duas jovens amigas: Maddie, a piloto, e Verity, a passageira.

Nas mãos do inimigo
Apesar de sobreviver ao acidente, Verity é capturada pela Gestapo. Para uma agente secreta, ser aprisionada em território inimigo é o pior dos pesadelos. Os interrogadores nazis dão-lhe uma escolha difícil: revelar o objetivo da sua missão, em troca de dias de vida, ou enfrentar um destino terrível.

Traição ou salvação?
Enquanto escreve a sua confissão, Verity vai revelando o seu passado, numa história emotiva, cruel e redentora. Cada nova página representa mais tempo de vida para si, mas também mais segredos entregues ao inimigo. Resta saber se essa confissão será o suficiente para salvá-la e se conseguirá concluir com sucesso uma missão aparentemente condenada ao fracasso.

Um livro multipremiado. Um hino à amizade e à coragem.


Cris

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Passatempo de Natal 2018 / Loja Online JB

 

 

Para mais informações sobre o passatempo, clique aqui.

Passatempo de Natal 2018 / Presença


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Passatempo de Natal 2018 / Marcador


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Passatempo de Natal 2018 / Saída de Emergência


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Passatempo de Natal 2018 / Esfera dos Livros

 

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Passatempo de Natal 2018 / Minotauro


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Passatempo de Natal 2018 / Alma dos Livros



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Passatempo de Natal 2018 / Porto Editora


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Passatempo de Natal 2018 / Cultura Editora

 



Para mais informações sobre o passatempo, clique aqui.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Passatempo de Natal 2018


Como já vem sendo usual, O Tempo Entre os Meus Livros quer presentear-vos nesta época natalícia com alguns miminhos. Livros, claro está!

E, sem as editoras parceiras isso não seria possível! Como tal, quero agradecer em especial àquelas que tornaram este passatempo uma realidade. São elas: Presença, Marcador, Saída de Emergência, Esfera dos Livros, Minotauro, Alma dos Livros, Cultura Editora, Porto Editora e ainda a loja online JB.
O passatempo é bem fácil de participar! Ora vejam:

1) Só o podem fazer uma única vez. Ficam habilitados automaticamente a todos os livros, que irão sendo apresentados ao longo do dia 18.

2) Devem enviar um e-mail para otempoentreosmeuslivros@gmail.com, com o vosso nome completo, morada e nick do seguidor do blogue.

3) Se quiserem que a vossa participação conte a dobrar têm de partilhar este post no FB enviando o link da partilha no mail e taggar dois amigos.

4) Devem fazer "like" nas páginas do FB das editoras.

5) O passatempo decorre até dia 15 de Janeiro de 2019.

6) O blogue e as editoras não se responsabilizam por qualquer extravio dos CTT.

7) Os livros a sortear são:
  • A Casa na Praia de Daphne du Maurier
  • Entre as Estrelas de Katie Khan
  • Um Duque Malicioso de Madeline Hunter
  • A Confraria dos Espectros de João Carlos Alvim
  • 8 Mulheres e 1/2 de Hugo Vieira Costa
  • A Casa com Patas de Galinha de Sophie Anderson
  • A Sombra da Noite de Robert Bryndza
  • Sob um Céu Escarlate de Mark Sullivan
  • Um Dia na Vida de Marlon Bundo de John Oliver
  • Isto Vai Doer de Adam Kay
  • As Flores Perdidas de Alice Hart de Holly Ringland
  • O Natal do Divorciado de António Costa Santos
  • Maddie 129 de Hernâni Carvalho e Luís Maia
  • O Príncipe Rosa-Cruz de José Braga Gonçalves
  • Ricardinho - Magia nos Pés de Rui Pedro Brás

Boa sorte!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A Escolha do Jorge: “O Tango de Satanás”


“(…) Irimiás era «o homem das situações desesperadas e pastor de homens sem esperança».” 
(p. 158)

Editado em 1985, “O Tango de Satanás” é o primeiro romance do húngaro László Krasznahorkai (n. 1954) que recentemente foi publicado pela Antígona. Esta obra constitui não só uma das referências do escritor húngaro, como também uma das obras a tomar em consideração neste ano editorial que está prestes a terminar.

“O Tango de Satanás” não é uma obra fácil na medida em que o leitor tem muito terreno por desbravar, necessitando de tempo, paciência e alguma resignação face à pequena comunidade que nos é apresentada.

Herdeiro de uma tradição de autores como Kafka, László Krasznahorkai remete-nos para um universo desesperante tanto quanto apocalíptico. Se por um lado, nas obras de Kafka a ideia de resignação, herdada da cultura judaica, é um dos aspectos a considerar, com László Krasznahorkai, em “O Tango de Satanás” apresenta-nos uma pequena comunidade rural da planície húngara que após o desmantelamento da cooperativa local, ficou ainda mais reduzida, dado alguns dos seus elementos terem partido para outras paragens. A ideia de resignação vivida na pele por parte daqueles que
resistem sem esperança face a um futuro negro serve de mote para todo o romance de László Krasznahorkai.

"(...) Ele sentia-se tudo menos livre: não se decidia a partir, contudo o tempo urgia. Fechou os olhos, tentou imaginar a sua vida futura, a fim de acalmar um pouco essa inquietação «supérflua». Mas, em vez disso, uma forte agitação tomou conta dele e o suor inundou-lhe a testa. Por mais que forçasse a imaginação, esta devolvia-lhe sempre a mesma imagem: caminhava na estrada de terra batida, vestindo um casaco já gasto, com o cabaz de verga desfeita ao ombro, parava e, num passo hesitante, voltava para trás." (p. 192)

Também o aspecto relativo à temporalidade é deveras importante porque a narrativa, não aludindo a um tempo histórico concreto, remete o leitor para o período em que a obra foi escrita, final dos anos setenta e início dos anos oitenta, quando a Hungria vivia sob o jugo comunista. Assim sendo, o autor dá-nos uma ideia pessimista (ou realista) e até fazendo futurologia em certa medida, ao criar esta pequena comunidade perdida no espaço e no tempo, sem eira nem beira, sem expectativas, sem sonhos, sem futuro, antes do encerramento da dita cooperativa, mas também depois. O desmantelamento da cooperativa poderá, em certa medida, constituir a metáfora correspondente ao fim da era comunista e o fim da “cortina de ferro” no Bloco de Leste ou pelo menos esse desejo fortemente implícito, o que só veio a acontecer em 1989 com a queda do Muro de Berlim.

Talvez o melhor recurso que László Krasznahorkai encontrou para ilustrar de modo intenso e severo o sistema de então terão sido as inúmeras referências à chuva e à lama, uma negritude molhada e peganhenta que conspurca tudo e todos até ao âmago da alma dos habitantes que se deixam envolver literalmente pelos fios das aranhas que de forma competente fazem o seu trabalho sem nunca se deixarem ver. São metáforas dentro de metáforas, cadeias dentro de cadeias até ao infinito da desgraça e da podridão.

Esta resignação vivida ao extremo transformou esta comunidade numa espécie de fantasma ou sombra, zombies, quiçá, em que os vários personagens sobrevivem à crueldade perpetrada uns aos outros no meio de tantas pessoas que vivem a sua loucura como podem, uns porque enlouqueceram na sequência da opressão vivida durante anos, outros entregam-se ao álcool, a prostituição, a desorganização geral que contaminou este microcosmos social.

Neste contexto de desolação e miséria social, económica, cultural e também dos valores, surge Irimiás - que dificilmente será esquecido da literatura universal – que era julgado morto há anos e que agora será encarado como uma espécie de messias que conduzirá esta comunidade ao reino da prosperidade e da felicidade.

Acompanhado por Petrina, uma espécie de acólito, Irimiás vai revolucionar esta pequena localidade perdida no espaço e para a qual o tempo já não tinha qualquer importância porque, na verdade, tudo se desmoronou.

"A verdadeira ameaça parecia ser subterrânea, mas a sua fonte era incerta: irrompia, de súbito, um silêncio assustador, e não nos mexemos mais, enrolamo-nos num canto, à espera de protecção, mastigar é uma tortura, salivar, um sofrimento, e ninguém se apercebe já que o tempo desacelera, que o espaço se estreita ao redor de si mesmo, e neste dobrar-se é que ocorre a coisa mais terrível: a inércia." (p. 143)

Mas a questão vai colocar-se com a chegada de Irimiás. Messias ou charlatão?! Há de facto uma espécie de religiosidade, talvez fé, na forma como os habitantes encaram Irimiás, como que um despertar da esperança em retirá-los daquele ambiente de desolação e pavor.

O próprio leitor indagará a natureza e as intenções de Irimiás até ao final do romance, muito embora o próprio Irimiás nos alerte nesse sentido, em conversa com Petrina. “«É por isso que digo que estamos presos para sempre. Há muito que tudo está determinado. Não vale a pena uma pessoa cansar-se, nem acreditar no que os olhos vêem. É uma armadilha, Petrina. E nós continuaremos a cair nela. Quando julgamos que nos vamos libertar, na verdade estamos apenas a mudar as cadeias. Há muito que tudo está determinado.” (p. 225) Mas mesmo antes, no discurso que assinalou o regresso de Irimiás a esta comunidade, este alertou para a cegueira sem precedentes na qual os habitantes mergulharam, na sequência da inércia e indolência das suas atitudes ou por simplesmente terem deixado de viver. "E vós, meus amigos, continuais a arrastar este declínio, longe de tudo o que é a Vida... Os vossos projectos afundam-se uns atrás dos outros, os vossos sonhos naufragam, acreditais num milagre que nunca acontecerá, esperais a vinda de um salvador que devia libertar-vos daqui... 
Mas sabeis que não há mais nada que esperar, porque os últimos anos pesam tanto sobre os vossos ombros, senhoras e senhores, que já ninguém tem força para superar esta inércia, e as gargantas apertam-se todos os dias, e, em breve, já nem conseguireis, sequer, respirar... Mas de que género de... maldição sois vítimas, meus desafortunados amigos?" (p. 178)

Este último excerto é um dos vários exemplos de crítica velada de László Krasznahorkai ao sistema político e económico vigente na Hungria e no Leste europeu, nos anos 80, no entanto, sem dados objectivos em concreto, um excerto desta natureza pode igualmente constituir uma crítica ao sistema político e económico vigente no mundo ocidental nos dias de hoje, podendo-se aplicar aos mais variados contextos.

Numa narrativa que se apresenta dentro de outra narrativa e num universo circular, “O Tango de Satanás” torna-se ainda mais tétrico, denso, obscuro, medonho, apocalíptico e até diabólico ao qual nenhum leitor sai incólume.

Em 1994, “O Tango de Satanás” foi adaptado ao grande ecrã pelo realizador húngaro Béla Tarr, sendo considerado como a sua obra-prima e um dos melhores filmes de sempre.

Excertos:
"Primeiro veio a geada, seguiram-se as frieiras nos lábios e nas mãos, o rebanho fora dizimado, e, então, começaram a receber os salários com uma semana de atraso, quando não havia já nada para comprar... e chegou um momento em que as pessoas disseram que era o fim, que a loja ia fechar. E assim foi. Aqueles que tinham para onde ir desapareceram; os outros permaneceram; e logo vieram as brigas, planos inviáveis voavam pelo ar, todos sabiam melhor do que os outros o que fazer, e, é claro, nada sucedeu. Por fim, estavam reduzidos àquela impotência, só já acreditavam em milagres, contavam nervosamente as horas, as semanas, os meses, e depois já nem sequer isso era importante, passavam o dia encolhidos na cozinha, e se aparecia algum dinheiro, iam logo gastá-lo à taberna." (p. 159)

“Limpou da cara, picada por velhas cicatrizes e escoriações recentes, as teias de aranha que tinha apanhado no caminho, misturou as bebidas, encheu o copo e começou a beber com avidez. Bebeu sem parar, enchendo, engolindo, enchendo, engolindo, inesgotável, como uma máquina insensível, até que a última gota foi absorvida pelo seu estômago gigantesco. Derrubado na cadeira, abriu a boca, em vão tentou arrotar e, de imediato, com as mãos na barriga, cambaleou até um canto da taberna. Enfiou os dedos na garganta e desatou a vomitar. Em seguida, endireitou-se, limpou a boca com as costas da mão. «Está feito», murmurou de regresso ao «bilhar». Pôs nos joelhos o acordeão e começou uma doce balada melancólica. O corpo enorme balançava para a frente e para trás ao ritmo lento da música, e das pálpebras pesadas soltou-se uma lágrima. Se nesse instante lhe perguntassem, seria incapaz de dizer o que se passara. Sozinho no meio de respirações adormecidas, sentia-se feliz por aquele doce canto de soldados o envolver e purificar. Não havia nenhuma razão para parar, e, quando a peça chegou ao fim, recomeçou, uma e outra vez, e, como uma criança no meio de adultos dormindo, sentia uma felicidade imensa, porque ninguém, além dele, o ouvia. E enquanto o som aveludado do acordeão ressoava, as aranhas da taberna lançaram uma derradeira ofensiva. Distribuíram as frágeis teias pelo cimo das garrafas, dos copos, das xícaras, dos cinzeiros, cercaram as mesas, as pernas das cadeiras, e então – com alguns minúsculos fios secretos – ligaram-nas umas às outras, como se fosse importante que, escondidas nos seus misteriosos e indevassáveis esconderijos, pudessem vigiar o mais pequeno gesto, o mais pequeno calafrio, até que a maranha, perfeita e quase invisível, se tornasse invulnerável. Urdiam as suas teias sobre os rostos adormecidos, nas pernas e nos braços, para, à velocidade de um raio, retornarem ao esconderijo, onde quedavam à espreita, prontas para, ao primeiro tremor de um dos seus fios, retomarem o trabalho.” (pp. 164-165)

Texto da autoria de Jorge Navarro


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Para os Mais Pequeninos: "Histórias com História"

Este é um livro para ficar na mesinha de cabeceira dos pequenotes e ir lendo uma história por dia, ou melhor, por noite... e juntamente com a história contar pormenores da nossa História tāo engraçados e sui generis.

Este livro traz-nos a História de Portugal para perto de nós ao introduzir nela pequenos personagens, e muitos deles crianças, que interagem com os verdadeiros personagens desta História tāo rica de Portugal. E assim, sāo-nos apresentados D. Afonso Henriques, D. Dinis e D. Isabel, a Padeira de Aljubarrota, D. Sebastiāo, mas também a Restauraçāo da Independência, o Terramoto de 1755, a Implantaçāo da República, o 25 de Abril e um pouco de como funciona a Democracia através dos olhos dos animais da floresta. Tudo contado de uma forma simples, com muitas imagens e diálogos.

Uma boa oportunidade de contar histórias da nossa História.

Ora vejam algumas imagens:







Cris

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

"Luanda Lisboa Paraíso" de Djaimilia P. Almeida

Com uma escrita algo poética este é um livro perfeito para quem quer tomar conhecimento de uma história de uma forma suave e delicada, mesmo que por vezes ela, a história, tenha contornos de uma certa violência e agressividade. 

Para mim este tipo de escrita tem efeitos opostos. Se por um lado faz-me sonhar, por outro tendo a dispersar-me e requer uma atençāo mais reforçada da minha parte. A sensaçāo que fica em mim é um pouco agridoce, pois gosto muito de ler livros com uma escrita escorreita e, aqui, isso nāo me foi possível. Contudo, o prazer final é recompensador do esforço feito, da atençāo redobrada. 

Mas esta é uma história triste, eu achei. Marcada por acontecimentos fortes e algo trágicos, a história de Cartola e Aquiles, pai e filho, nascidos em Luanda e vindos para Lisboa devido ao estranho calcanhar deste último, é uma história de solidāo, de pobreza mas também de uma amizade que nasce destas duas condiçōes. Uma história triste contada por palavras doces e suaves.

Nāo li a obra anterior de Djaimilia, "Esse Cabelo", mas ouvi falar bem dela no meu grupo de leitura, A Roda dos Livros, e com a leitura deste livro fiquei ainda mais curiosa... 

Terminado em 6 de Dezembro de 2018

Estrelas: 4*

Sinopse
Chegados a Lisboa, Cartola e Aquiles descobrem-se pai e filho na desventura. Até que num vale emoldurado por um pinhal, nas margens da cidade mil vezes sonhada pelo velho Cartola, encontram abrigo e fazem um amigo. Será esta amizade capaz de os salvar?

«Se o entendimento entre duas almas não muda o mundo, nenhuma ínfima parte do mundo é exactamente a mesma depois de duas almas se entenderem.»

Luanda, Lisboa, Paraíso, o segundo romance de Djaimilia Pereira de Almeida, é o balanço tocante de três vidas obscuras, em que esperança e pessimismo, desperdício e redenção, surgem lado a lado.

Cris

sábado, 8 de dezembro de 2018

Na minha caixa de correio - especial



Os meus agradecimentos à JB pela simpática oferta. 
Alguns destes livros serão objecto de passatempo de Natal.

Podem visitar o site da JB e conhecer mais sobre a sua actividade aqui.

Na minha caixa de correio


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

A Convidada Escolhe: "A Saga de Selma Lagerlöf"

A Saga de Selma Lagerlöf, Cristina Carvalho, 2018 

Cristina Carvalho é uma escritora portuguesa que eu desconhecia. Selma Lagerlöf, ao contrário, conheci-a de trechos lidos aos meus alunos de Português e posteriormente quando comprei e ofereci “A Viagem Maravilhosa de Nils Holgerson” ao meu filho quando era pequeno.

Mas Selma Lagerlöf é, com efeito, uma escritora muito pouco conhecida em Portugal, apesar de a sua obra estar largamente difundida e traduzida em dezenas de línguas. E teve a felicidade de a sua obra ter sido profusamente lida e divulgada no seu país enquanto foi viva. Teve a felicidade de ter sido a primeira mulher laureada com o Prémio Nobel de Literartura em 1909 e foi a primeira mulher admitida na Real Academia Sueca, um lugar até então exclusivamente destinado a homens. Mulher invulgar, feminista, activista da paz, divulgou de forma intensa a causa dos direitos das mulheres, foi professora, amou a Natureza e conseguiu divulgar de forma pedagógica e acessível a história e a geografia da sua amada Suécia.

Neste livro, Cristina Carvalho consegue transmitir-nos o fascínio que a obra e a forte personalidade de Selma a impeliram a escrever este romance biográfico, em que interage com a escritora sueca, chegando a haver diálogos entre as duas como se ambas estivessem vivas. Não é um romance qualquer. É uma prova de amor. Uma paixão. Logo na nota introdutória, Cristina Carvalho avisa “Este romance biográfico foi escrito a horas imprecisas do dia ou da noite; não obedeceu a nenhuma rotina disciplinada. Como em todos os actos de paixão, fui sobrevivendo em equilíbrios improváveis.” E na nota final escreve “É com muito desgosto e com saudades transcendentes que termino a escrita deste livro… Para Selma Lagerlöf, com amor.”. Sendo uma obra de ficção, há, no entanto, uma grande precisão nas datas e todo um cuidado muito grande nas descrições e nos detalhes que levaram a que a autora se deslocasse à terra de Selma no início da escrita do romance e mais perto do final, para confirmar dados e informações.

É um livro para ser lido e saboreado. É muito detalhado nos pormenores da vida de Selma, desde que nasceu, quando a velha vidente, a tia Wennervik enunciou uma série de previsões que viriam a concretizar-se ao longo da vida – o defeito físico na perna, uma vida longa, viagens e papéis, muitos papéis e livros – a infância solitária muito marcada pela presença alegre do “querido pai” e das leituras, a casa Marback que será vendida e que ela irá comprar, recuperar e reconstruir mais tarde, o prazer que a experiência como professora lhe proporciona, mas que irá abandonar para se dedicar inteiramente à escrita e à defesa dos seus ideais de feminista como outras mulheres suecas do final do século XIX destacadas na luta pelo direito ao voto e pelo direito ao estudo para todas as mulheres. E o fim da vida, aos 81 anos em casa, frente à janela naquele Março agreste e fitando a fotografia da sua querida Sophie Elkan.

Foi uma vida longa e cheia como a tia Wennervik tinha previsto. Em contraciclo com o que a tradição e o “destino” reservava às mulheres: não se casou,  mas teve uma relação apaixonada por duas mulheres – Sophie e  Valborg – quando na Suécia a homossexualidade ainda era reprimida. Foi professora usando uma pedagogia e metodologias nada convencionais com as suas alunas e conseguiu criar um livro, uma lição da história, da cultura e da geografia da Suécia, que é uma viagem da Escândia até à Lapónia, seguindo as migrações dos gansos bravos dirigidos por Akka de Kebnekaise e em que Nils é o herói intérprete dessa viagem maravilhosa, que foi vivida por milhares de crianças suecas e de outros países onde o livro foi traduzido e divulgado. Selma teve sempre da educação e do conhecimento uma perspectiva emancipadora que a levou a abraçar os ideais feministas e mais tarde, quando instalada na sua casa restaurada e na grande quinta onde dirigia muitos trabalhadores, oferecia-lhes jornais e proporcionava-lhes a audição das notícias na rádio, para que estivessem a par do que se passava fora dos limites estreitos do trabalho diário. A cena do corte da sua magnífica trança representa o corte com o atavismo e um sinal de afirmação, de coragem e de revolta contra o imobilismo.

É um livro com muita luz, onde se respira liberdade, em que a Natureza é omnipresente. Selma amava a Natureza, as florestas de bétulas, as macieiras, as flores, a neve, os lagos. Para ela a natureza palpitava de vida, de seres com vida própria, tinha-lhe amor e respeito. Mas não só as vidas vegetais, também os alces, os lobos, os gansos, os corvos e os seres não palpáveis, mas em que acreditava piamente como os gnomos, os duendes, os fantasmas, as bruxas e os trolls. Não só a enfermidade que a paralisou durante muito tempo foi responsável por essa sensibilidade especial pela natureza, mas também o carinho das pessoas que lhe adoçaram a solidão dos dias ensinando-a a ler e a escrever – a governanta Aline Laurell – ou quem a ensinou a sonhar e a enveredar pelo mundo da fantasia – Backa-Kajsa – e também o pai cuja morte foi um desgosto profundo para ela.

A escrita foi intensa desde sempre e também, antes do primeiro romance, lhe provocou as dores da dúvida da aceitação e do reconhecimento, as dores da solidão da ausência de com quem partilhar. Foi assim até ao primeiro romance. Mas depois tornou-se-lhe claro que a sua vida seguiria o caminho da escrita. Intensa.

Independentemente de a casa Marback onde cresceu, de a sua compra e recuperação mais tarde terem sido dos maiores sonhos concretizados, e onde viveu muitos anos, as viagens dentro do país e no estrangeiro tiveram sempre um papel muito importante no seu desenvolvimento intelectual e emocional. Cristina Carvalho descreve-nos a casa, imaginamo-la com vida, com a vida quando os pais eram vivos e os irmãos e irmãs ainda lá viviam, nos dias das caçadas ao alce, com os sons e os cheiros vindos da cozinha, com o medo e a atracção que o sótão despertava em Selma, vemos o jardim com o lago e as macieiras, vemos Selma mais velha no escritório a ler e a escrever cartas, poemas, contos, livros. Papéis, muitos papéis. Vemos o quarto com a mobília que Sophie deixou a Selma quando morreu. E na entrada, o ganso empalhado a recordar Akka de Kebnekaise.

Estou certa que a leitura de “A Saga de Selma Lagerlöf” vai despertar em muitos de nós a vontade de ler Selma Lagerlöf. Certamente uma escrita luminosa. Obrigada Cristina Carvalho pelo belíssimo romance biográfico.

4 de Dezembro de 2018

Almerinda Bento

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

"Entāo, Boa Noite" de Mário Zambujal

Depois de uma leitura pesada nada melhor que umas horas de entretenimento com a escrita sempre bem disposta de Mário Zambujal. Correndo o risco de me plagiar, repetidamente, aqui vai o que achei deste livro...

Este autor tem uma escrita muito sui generis. Creio que a reconheceria mesmo de olhos fechados, caso conseguisse eu ler assim... Os personagens entāo, sāo, de sobremaneira, divertidos e excêntricos, alguns, marialvas e com características ..... É uma escrita que nāo cansa, que nos faz sorrir e que é perfeita para passarmos alguns momentos divertivos!

Este livro nāo foge à regra. Devido a um facto que o personagem principal, Afonso, chama de "plasticidade dos neuróneos", ele nāo tem sono de noite e passou, assim, a dormir durante o dia. Ora, isso complica um pouquito as suas relaçōes com as mulheres da sua vida! 

Garanto-vos que vão-se divertir com esta leitura e termina-la-ão com um sorriso nos lábios! Mário Zambujal no seu melhor!

Terminado em 3 Dezembro de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
"Gostei de muitas mulheres mas de nenhuma o suficiente para ser a última."

Fiel ao registo a que já habituou os seus leitores, Mário Zambujal regressa às livrarias nacionais com mais um romance pleno de humor e peripécias, aventuras protagonizadas por um sedutor que só consegue estar acordado durante a noite. Além dos inconvenientes de tal desordem, a vida deste rapaz vê-se ainda mais complicada quando inesperadamente recebe uma herança especial.

Então, Boa Noite relata as aventuras de Afonso Júlio, quase sempre fora de horas, na tentativa de cumprir o último desejo do seu padrinho: encontrar uma mulher, de quem só sabe o nome, e casar-se com ela. Nada impossível, pensarão alguns, mas Afonso Júlio vive com uma mulher e, como se isso fosse pouco, está enamorado por outra mulher. O que lhe vale é o destino.

"Cumpre-me respeitar a sua vontade (...) Pena que não me tivesse fornecido um único contacto para chegar à fala com essa menina. (...) Penosa investigação me espera mas sossegue, padrinho Josué, hei-de enfiar uma aliança no dedinho da Renata Jacinta. Embora pensando noutra."

Cris

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Para os Mais Pequeninos: "Juliāo, o Melro Poeta"

O que pode acontecer quando Juliāo, o melro, Edgar, o sapo, e mosca Zé-Zé se encontram e se tornam amigos? E quando Juliāo se acha poeta mas ofende a quem dirije a poesia, Edgar acredita que precisa de uma namorada que lhe dê um beijo para deixar de ser sapo e a Zé-Zé adormece em pleno voo e cai desamparada? 

Estas sāo algumas das peripécias que estes amigos passam na floresta a caminho do festival de poesia que decorre perto do Cromeleque dos Almendres (boa oportunidade de falar/explicar aos mais pequenos e, também, de programar uma visita).

Reparem então aqui nalgumas imagens:







Cris

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

"Sob um Céu Escarlate" de Mark Sullivan

Esta obra foi escrita tendo como pano de fundo o céu de Milāo numa época onde céu e terra se encheram de um tom escarlate sim, fruto da vergonhosa acçāo humana. Decorre entre Junho de 1943 e Maio de 45. É narrado pelo autor e surge depois de várias conversas com Pino Lella, o protagonista desta história, com outros historiadores e bastantes viagens aos locais narrados e a centros dedicados ao Holocausto, entre os quais o famoso Yad Vashem, em Israel. É uma história o mais verídica possível, dada a distância que separa os acontecimentos e por ter sido contada por outrém, que nāo viveu na pele o sucedido. É uma história o mais verídico possível... antes nāo o fosse. Gostava de vos poder dizer que este livro é um livro de ficçāo. Mas nāo é. Nem se consegue lê-lo como tal.

Confesso que no início os diálogos nāo me convenceram e lembro-me de ter pensado que teria sido melhor que o próprio protagonista, Pino, tivesse narrado os acontecimentos vividos por ele. Mas, a pouco e pouco, a história começou a fazer sentido e a entranhar-se em mim. De tal forma que acabei por dar as estrelas correspondentes ao que senti: revolta, medo, horror, esperança e desilusāo. A justiça, mais vezes do que seria desejável, nāo é uma realidade.

Adorei esta leitura. Uma história verídica, contada de uma forma muito realista mas ao mesmo tempo com uma sensibilidade extrema. Colocamo-nos de imediato no ambiente da época, sentimos na pele um pouquinho do terror em que viviam os habitantes que se opunham ao regime, experienciamos também o que era viver na clandestinidade, o estar vivo num minuto e a sorte de estar vivo no minuto seguinte...

Passado o horror, Pino nunca contou o que viveu nesses meses, o que fez para salvar alguns judeus, como se tornou espiāo. No pós-guerra encontrava-ve muito debilitado psicologicamente (como todos aqueles que sobreviveram) e tentou viver, ser feliz, escondendo no fundo de si mesmo tudo o que passou, carregando a culpa dos seus actos e abafando-a. Abriu-se com o autor do livro quando tinha já quase noventa anos. Porque como Pino disse: "Alguém muito sábio disse-me uma vez que ao abrirmos o nosso coraçāo, revelando as nossas cicatrizes, tornamo-nos humanos e imperfeitos e inteiros." E isso nāo é algo fácil, pois nāo?

Um livro que adorei ler. Que me comoveu muitíssimo. Nota máxima.

Terminado a 2 de Dezembro de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
Pino Lella não quer nada com a guerra ou com os nazistas. Ele é um adolescente italiano normal - obcecado por música, comida e miúdas, mas os seus dias de inocência estão contados. Quando a sua casa em Milão é destruída pelas bombas dos Aliados, Pino junta-se a uma via-férrea subterrânea ajudando judeus a escapar dos Alpes e apaixona-se por Anna, uma bela viúva seis anos mais velha do que ele.
Numa tentativa de protegê-lo, os pais de Pino forçam-no a alistar-se como soldado alemão - julgando que assim o manteriam longe de combate. Mas Pino é ferido e depois recrutado, aos dezoito anos, como motorista pessoal do general Hans Leyers, o caudilho de Adolf Hitler na Itália, e um dos comandantes mais misteriosos e poderosos do Terceiro Reich.
Agora, com a oportunidade de espiar o Alto-Comando Alemão, Pino luta em segredo, suportando os horrores da guerra e da ocupação, tendo a sua coragem reforçada pelo seu amor por Anna e pela vida que ele sonha que um dia compartilhar.

Cris

sábado, 1 de dezembro de 2018