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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Escritores na Cozinha... com Célia Loureiro


Nova tradição numa simples tarte de limão…


A primeira tarte de limão “merengada” que fiz, foi há cerca de seis ou sete anos. A gulosice sempre me empurrou para o caminho (fácil) de inserir “bolo de” ou “tarte de” no Google.pt. Foi assim que aprendi a fazer arroz de pato ou bacalhau com natas. Foi assim que compreendi ainda os meandros básicos da química por detrás de um bolo, os truques que ajudam a ligar bem os ingredientes e a respeitar as matemáticas subentendidas a uns ovos bem batidos em castelo. Essa primeira tarte de limão sofreu o flagelo de uma base miserável. Além de queimada estava sobrecarregada de farinha – não tinha aquele travozinho agradável do amanteigado – e o lençol de claras de que se cobre havia abatido por completo. Desisti desse doce durante muitos anos.

Anos mais tarde voltei a sentir o chamamento da doçura do leite condensado desafiada pela acidez do limão (ou da lima, a da fotografia foi, excepcionalmente, de lima). Apresentei-a às minhas primas, num qualquer aniversário, quando não havia sequer tradição de nos juntarmos amiúde num sábado à tarde.

Entretanto veio o aniversário seguinte, e a prima que se apaixonou pela tarte teve direito a mais uma aparição deste doce que, com uma base de bolachas maria em margarina, não mais saiu mal. Num qualquer sábado pouco propício a passeios já fomos nós – avó e três netas, das quais eu sou a mais velha e a mais pequena tem sete anos – rua acima à casa da prima e dos tios, octogenários, de tarte de limão em punho. Saquetas de chá na mesa, água a ferver, pires e canecas a aguardar outro fim de tarde. Novos e velhos ali juntos, à volta da tarte de limão. As fatias a repetirem-se, a promessa de que, no novo encontro, lá estará.

E quando dei por mim, em qualquer evento familiar – aniversário do avô, dos irmãos, Páscoa, festejos pontuais ou mesmo a simples gula de fim-de-semana ocioso – lá está a tarte de limão. Lá esmago bolachas. Lá misturo gemas, leite condensado, sumo e raspas de limão. Lá bato claras um bocadinho para além do castelo, para que fiquem firmes e permitam desenhar, precisamente, castelos sobre a massa e o recheio.

A tríade de bolacha em manteiga escura, a esbater para o amarelo vivo do recheio, para o branco puríssimo das claras batidas tem aproximado a família. Tem-nos permitido, sob o seu pretexto, passar algum tempo juntos. Reencontrarmo-nos nesses serões. Sermos um bocadinho mais do que aquilo que já sabíamos que éramos uns para os outro. Nestes tempos difíceis, sabe bem encontrar alguma doçura na acidez do limão.

Ingredientes:
2 ovos
1 pacote e meio de bolachas maria – podem ter torradas/aveia
1 lata de leite condensado (costumo usar magro, para ser menos enjoativo)
1 limão – sumo e raspa
Margarina q.b.

Massa:
Com a ajuda do 1, 2, 3 – (eu não tenho, esmago-as à mão!) – desfazem-se as bolachas maria. Em seguida derrete-se margarina (penso que sejam necessárias cerca de 300-450 grs). e vai-se juntando às bolachas. O ponto certo das duas é quando a margarina está em quantidade suficiente para se conseguir moldar as bolachas na mão, sem que dispersem de imediato. Verte-se o preparado para atarteira e calca-se bem, para que forre o fundo homogeneamente. Leva-se ao congelador por 30 minutos para adquirir firmeza.

Recheio:
Numa tigela (as de cereais costumam ser suficientemente grandes) mistura-se a lata de leite condensado com sumo de 1 limão e 2 gemas (as claras são deixadas num recipiente à parte, para depois bater). Raspa-se a casca de 1 limão para o recipiente também. Bem misturado, este preparado é vertido sobre a massa da tarte quando esta já descansou os 30 minutos. Leva-se ao forno, previamente aquecido. Meto sempre na temperatura média do meu (não sei valor exacto) e deixo-a ali por 10 minutos, para que base e recheio cozam.

Cobertura:
Batem-se as duas claras em castelo, juntando 1 colher de sopa de açúcar quase no final, para que liguem melhor. Tirando a tarte do forno, cobre-se com esta camada de nuvens imaculadas. Leva-se novamente ao forno durante 5 minutos, para que os picos amareleçam um pouco. Toda a cobertura fica como que ligeiramente bronzeada. Ao fim destes 5 minutos retira-se a tarte do forno. Quem quiser pode ainda raspar mais casca de limão sobre a tarte.

Com lima fica muito bom também. Estou para experimentar fazê-la com laranja!

Célia Loureiro

3 comentários:

  1. Que tarte deliciosa!
    Beijinhos
    http://strawberrycandymoreira.blogspot.pt

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  2. Nham nham. Esta vou experimentar! Convém dizer que eu sou um zero à esquerda na cozinha mas lá vou tentando e como adoro tartes e de limão ainda mais, um dia deste experimento :)
    Teresa carvalho

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  3. A tarte de limão da minha priminha fica sempre deliciosa e já é tradição no meu aniversário a dita tarte subir pela rua acima ;) Obrigada Célia!!! Nem me atrevo a fazer ...

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