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sábado, 13 de abril de 2013

Um livro numa frase



"A vida troca a volta aos seres humanos com a mesma intensidade e surpresa que as fases da Lua movem as marés".

In Luísa Castel Branco,Diz-me só as verdades, pág. 162
Frase escolhida por: Cris

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Convite Presença


Novidade Editora Objectiva


Mildred Pierce
de James M. Cain


Mildred Pierce foi abençoada com umas pernas de fazer perder a cabeça, jeito para a cozinha e uma personalidade que não é para brincadeiras.
Tudo isso lhe foi útil quando teve de sobreviver ao divórcio e à pobreza e abrir o caminho de saída da baixa classe média. Mas Mildred tem também duas fraquezas: uma tendência para se apaixonar por homens indolentes e uma devoção irracional pela filha mimada e egoísta.
Cain é um observador nato da natureza humana, das suas idiossincrasias, fraquezas e motivações. Mildred Pierce, o romance de 1941, é de uma força emocional devastadora e executa uma crítica social contundente. Mildred Pierce, a heroína, é uma personagem memorável, com cujas ambições e mágoas qualquer leitor poderá identificar-se.

Convite Chiado Editora


Novidades Bizâncio


A Linguagem É a minha Pátria
de Jorge Semprún

No Verão de 2010, Jorge Semprún dedicou-se a uma série de conversas com Franck Appréderis, seu amigo de há décadas, que deu origem a um programa emitido pela France Télévisions. De modo simultaneamente íntimo e pudico, Jorge Semprún regressa ao conjunto da sua obra, tanto literária como cinematográfica, e ao seu percurso político: resistente comunista deportado para Buchenwald, militante clandestino em luta contra o franquismo e ministro da Cultura de Felipe González. Testemunha e actor das convulsões da história do século XX, fala com franqueza e simplicidade: «Tenho mais recordações do que se tivesse mil anos.» O relato ímpar da vida de um homem extraordinário. Uma revisitação do século XX por um dos mais empenhados protagonistas da história recente da Europa.



Uma Paixão Humana
O Seu Cérebro e a Música
de Daniel J. Levitin

Este é o primeiro livro que conduz a um entendimento científico abrangente sobre o modo como experimentamos a música e sobre o papel ímpar que desempenha nas nossas vidas. Como Oliver Sacks afirmou, o professor Daniel Levitin é uma das poucas pessoas no mundo que poderiam escrevê-lo. Uma Paixão Humana é um encontro entre os dois mundos magníficos da Arte e da Ciência e está destinado a ser um marco na história da cultura. Esta investigação sem precedentes do papel da música na evolução humana e no nosso quotidiano abarca a Psicologia, a Neurociência e exemplos musicais de Mozart a Eminem, passando por Bach, Count Basie, Creedence Clearwater Revival e tantos outros. Levitin demonstra que estamos todos mais musicalmente equipados do que pensamos, pois os nossos cérebros estão dotados para a música. Alguns especialistas de referência defenderam durante muito tempo que a música é um elemento decorativo que vive de forma parasita nas franjas da natureza humana. Levitin, pelo contrário, defende e demonstra de modo convincente que a música é uma paixão da essência da natureza humana, talvez mais fundamental para a nossa espécie do que a linguagem. 


Cozinha Fácil para Homens que não sabem Estrelar um Ovo
de João Viegas

Aqui não vai encontrar nenhum manual de Cozinha Portuguesa, Alentejana ou mesmo Açoriana. Dificilmente, também, irá dar de caras com aquele Cabrito à Padeiro ou o Pargo Assado no forno, que era a especialidade da sua mãe, que, de acordo com a sua opinião, cozinha como nenhuma outra mulher à face da Terra. Em contrapartida, terá dezenas de receitas divertidas, modernas, saborosas, fáceis e com raízes e influências de muitas latitudes. Não garanto que a Carne de Vaca com Espargos e Molho de Ostras seja exactamente igual à que o último imperador comia com pauzinhos, mas uma coisa é certa... depois de saborear, e de repetir esta iguaria, vai sentir-se como um verdadeiro... imperador. Mais do que o purismo, privilegiei o sabor, o visual e a simplicidade. Que me perdoem os «fundamentalistas» mas com este livro não se pretende ganhar estrelas Michelin. O objectivo é transmitir o prazer que cozinhar nos pode dar (e aos amigos que convidarmos) e mostrar que a cozinha, mesmo a original, criativa, internacional e cosmopolita, não é nenhum «bicho de sete cabeças», e está ao alcance de todos nós.


Novidade Porto Editora


O Mistério do Lago
de Arnaldur Indriđason


O nível das águas do lago Kleifarvatn tem vindo a descer lentamente na sequência de um terramoto. Uma hidróloga local está a estudar o estranho fenómeno quando descobre uma ossada humana com um
buraco no crânio e, ao lado, um velho aparelho de rádio com inscrições em cirílico quase ilegíveis. A Polícia é enviada ao local e o inspetor Erlendur e a sua equipa ficam a cargo da investigação, que os
levará a pesquisar desaparecimentos ocorridos na Islândia na década de sessenta. As pesquisas conduzem-nos inevitavelmente às embaixadas do ex-bloco soviético e a antigos estudantes islandeses
das juventudes socialistas, bolsistas na Alemanha de Leste em plena Guerra Fria.
Um romance carregado de mistério que confirma Arnaldur Indriđason como um dos grandes nomes do policial nórdico.

Convite Vogais Editora


Novidade Matéria-Prima Edições

Os Petiscos da Filipa
de Filipa Vacondeus


Perante a riqueza da nossa cozinha, Filipa Vacondeus sentiu a necessidade de partilhar as suas receitas mais tradicionais, mais saborosas, para que perdurem e passem de geração em geração.
O livro Os Petiscos da Filipa é um convite à redescoberta da cozinha nacional, com requinte, com sabor e aquele toque caseiro que, no fundo, é o tempero com que as avós marcaram a nossa infância.
Encontra iguarias como pataniscas de polvo, favinhas com presunto, tibornada de sardinhas, iscas maravilhosas, tarte de bacon, tâmaras e queijo de cabra, entre muitas outras.
Saiba como cozinhar bem, à moda antiga mas com uma apresentação moderna, pela mão da cozinheira mais querida de Portugal.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Diz-me só a verdade de Luísa Castel Branco


Edição/reimpressão:2012
Páginas:340
Editor:Clube do Autor
ISBN:9789897240478

Estava bastante curiosa com este livro e foi essa curiosidade que me fez tirá-lo da estante. Os livros da Luísa provocam em mim sentimentos diferentes. Adorei "Alma e os mistérios da vida"! "Não digas a ninguém" não o acabei...E "Em nome do filho" gostei muito.

"Diz-me só a verdade" provocou em mim um misto de sentimentos, uma mistura das diferentes sensações que tive aquando da leitura dos seus livros anteriores. 

É uma leitura leve mas os sentimentos que transparecem nas suas páginas, expressos pelos personagens, nada têm de leves. Bem pelo contrário. Eles são um tumulto de vontades, de paixões muitas vezes reprimidas e que explodem subitamente quando abafados durante muito tempo!

A escrita de Luísa Castel-Branco é descontraída, o ritmo bastante dinâmico, as situações descritas fazem-nos lembrar um Portugal de há algum tempo, cheio de convenções, de regras. Consegue manter um ritmo narrativo rápido e os personagens fogem dos esteriótipos, possuindo atitudes muitas vezes extremas e estranhas para o leitor comum (estou a lembrar-me, por exemplo, da mãe da Francisca, a personagem principal, que sente pela filha um ódio tão profundo que me é muito estranho entender enquanto mãe...).  

Conta-nos uma história de amor, uma história de vida (de Francisca) repleta de dores e tristezas mas também de alegrias e de um sentido amor pelos outros. Gostamos de imediato dessa personagem e embrenhamo-nos nas peripécias da sua familia e de seus amigos. Gostei bastante mas "Alma, e os mistérios da vida" continua, para mim, a ser o meu primeiro amor!

Terminado em 5 de abril de 2013

Estrelas: 4*

Sinopse

Francisca tem quarenta e dois anos, três filhos e um casamento com o seu primeiro amor. Mas a sua vida aparentemente feliz encontra sombras do passado e um presente sem as luzes que sonhara para si.

A vida desta mulher cruza-se com a saga de duas famílias unidas pelo passado e divididas por um presente armadilhado por desejos de vingança e revelações esmagadoras. Entretanto, a chegada de uma carta inesperada denuncia um segredo e muda o destino de Francisca.







quarta-feira, 10 de abril de 2013

O melhor do mês de Março


As minhas opiniões aqui e aqui!
Duas obras que não precisam de muitas apresentações... Testemunhos vivos que merecem ser lidos.







terça-feira, 9 de abril de 2013

A convidada escolhe... A casa dos Espíritos


Este é o primeiro romance de Isabel Allende. Primeiro, grande e magistral romance de Isabel Allende e da literatura da América Latina.

É o primeiro de uma trilogia, embora cronologicamente verse sobre a vida da última geração dos del Valle. Como é típico de Isabel Allende, as personagens são únicas, mágicas e inesquecíveis. Partindo do casal Severo del Valle e Nivea que já conhecíamos de “Retrato a Sépia”, a história da família vai-se-nos desvendando ao longo dos cinquenta anos em que as personagens se movem. As filhas Rosa, a bela e Clara, a clarividente. Clara terá uma filha, Blanca e dois gémeos Nicolau e Jaime, totalmente diferentes e com posicionamentos e
personalidades até conflituantes. Outras personagens invulgares surgem na narrativa e vão também ter implicação no seu desenrolar como Pedro Tercero Garcia, Amanda, Miguel, Jean de Satigny, Esteban Garcia, Férula, as três irmãs Mora, Tránsito Soto.

Esteban Trueba figura truculenta, contraditória, brutal, frágil, carrasco e vítima surge como um dos narradores dos acontecimentos e acompanha o desenrolar da acção desde o início até final. Noivo de Rosa acaba por não conseguir casar com ela devido à morte inesperada da belíssima jovem. Irá casar com Clara, irmã de Rosa, figura com poderes especiais, que consegue fazer mover objectos, muitas vezes alheada do que a rodeia, mas também presente e actuante em momentos dramáticos e que, para além da sua ligação aos espíritos, tem o hábito de escrever nos seus “cadernos de anotar a vida”. Estes cadernos, salvos miraculosamente do fogo, vão ser preciosos e fundamentais como material de trabalho de Alba, neta de Esteban Trueba e de Clara. Alba irá fazer a reconstituição da história desde o
bisavô Severo e a bisavó Nívea até à actualidade, ou seja, desde os anos 20 do século passado até ao período imediatamente a seguir ao derrube do Presidente Allende, isto é, a época do terror do general Pinochet. Alba é pois a narradora do livro tal como Esteban Trueba, sendo que é através dos olhos de ambos que este livro da memória nos é aberto.

Também as casas, os espaços onde as personagens se movem são mágicos e neste romance elas são também verdadeiras personagens com períodos de crescimento, apogeu, declínio e morte. Las Tres Marias, a casa do campo, primeiro, um monte de ervas e de casebres habitados por seres a viver em condições infra-humanas transformada numa casa senhorial, arrasada pelo terramoto, de novo erguida com o esforço dos camponeses e trabalhadores sem direitos, depois ocupada no tempo da reforma agrária e novamente incendiada e despojada dos que sempre nela trabalharam. A Casa da Esquina, a casa da cidade, refúgio de Clara depois que decidiu abandonar definitivamente a sua relação matrimonial com Esteban Trueba na sequência da cena de violência de que foi vítima. Aí, para além de manter as suas relações com os espíritos, de acolher as suas amigas e de ir acrescentando espaços, divisões e esconderijos tão úteis futuramente e tão necessários à realização pessoal e social de quantos lá viviam, esta casa tornou-se um verdadeiro labirinto.

Este é um livro que dificilmente se esquece e em que ao(a) leitor(a) é dada a oportunidade de ler/ver cenas e situações de grande realismo e crueza. Desde a cena de violência e brutalidade em que Esteban bate na mulher até a deixar inanimada e sem vários dentes, à indecisão e ao conflito interior de Amanda em lidar com a necessidade de fazer um aborto e a sensibilidade de Jaime na resposta ao problema e vulnerabilidade da jovem namorada do seu irmão Nicolau, até às descrições de puro sadismo dos esbirros e carrascos do regime dos generais.

O livro tem outro aspecto muito interessante que é o ir dando sinais e pistas para acontecimentos posteriores, assim aguçando o interesse de quem lê e desvendando traços e situações que as previsões já haviam anunciado.

Não posso deixar de mencionar as referências ao Poeta ao longo de todo o livro. Nunca o seu nome é referido, embora desde sempre se saiba que este livro também é um tributo a ele, o poeta Pablo Neruda, cujo falecimento ocorreu poucos dias depois do golpe militar e cujo funeral acompanhado por tão poucas pessoas e vigiado por soldados armados de metralhadoras, aparece aqui como o primeiro grito de resistência do povo à tirania. Antes do
primeiro capítulo, Isabel Allende escolhe uma estrofe de Neruda para iniciar o seu romance:

“Quanto vive o homem, por fim?
Vive mil anos ou um só?
Vive uma semana ou vários séculos?
Por quanto tempo morre o homem?
Que quer dizer para sempre?”

Os últimos capítulos que se passam no período negro da ditadura são motivo para Isabel Allende nos falar da censura, das palavras proibidas como democracia, companheiro, sindicatos, do encerramento da Faculdade de Filosofia e de “muitas outras que abrem as portas do pensamento…” E também da surpresa que é o confronto com o medo que tolhe as pessoas e as leva a fazer actos insuspeitados, desde a maior maldade à mais genuína
solidariedade e coragem.

São muitos os aspectos que podiam ser aqui trazidos, tão fértil em ideias e reflexões é esta “Casa dos Espíritos”, mas neste momento em que vivemos numa Europa e num país em profunda crise e instabilidade e em que se quer assacar as culpas a quem não as tem, trago aqui os temas da justiça e da caridade que por duas vezes são abordados no livro.

“ – Isto serve para nos tranquilizar a consciência, minha filha – explicava a Blanca. – Mas não ajuda os pobres. Eles não necessitam de caridade mas sim de justiça.”

(…)

“Alba compreendeu que tinham retrocedido aos tempos antigos, quando a avó Clara ia ao Bairro da Misericórdia substituir a justiça com a caridade. Só que agora a caridade era mal
vista.”

Certamente o facto de ser sobrinha de Salvador Allende e de ter vivido no Chile à época do golpe militar não é alheio à intenção que levou Isabel Allende a escrever este romance e a tratar o tema do terror, da impunidade, da barbárie, da ausência de liberdades e direitos vividos pelo povo chileno naquela época. Ela quis registar a memória para que não se esqueça o que é a ditadura, para que não se repitam os mesmos erros! Este é pois um livro da
memória.

Almerinda Bento

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A Herdade de Jane Smiley



Edição/reimpressão:
 

Páginas:
 
448

Editor:
 
Livraria Civilização Editora

ISBN:
 
9789722634793


Há livros que entram na nossa vida como um turbilhão, a sua leitura faz-se velozmente e é também rapidamente que nos apaixonamos pela sua história. Outros penetram-nos devagarinho e é lentamente que vamos saboreando a sua história. Foi o caso deste livro!

A sinopse intrigou-me e instigou-me a lê-lo. É pela voz de Ginny que vamos tomando conhecimento do enredo e a história da sua família vai-nos sendo apresentada. Gostamos de imediato desta personagem. Íntegra, recta. Já do seu pai não podemos dizer o mesmo... E, bem devagar, tomamos conhecimento dos segredos que os envolvem, das coisa que ficam por dizer, dos sentimentos mais profundos que envolvem esta família. E de repente a revolta da personagem principal é tal, face aos segredos que descobre, que o seu comportamento interior sofre uma mudança tão profunda e radical que somos surpreendidos pelos seus actos de uma grande crueza. Mas a nossa empatia perante esta personagem mantem-se porque ela já nos conquistou definitivamente!

Uma leitura que se quer pausada e reflexiva para absorvermos bem tanto as descrições do modo de viver da época como a espectacular caracterização dos personagens que sendo de tal forma intensa leva-nos a julgar conhecer em profundidade o seu interior mais recôndito, os seus pensamentos e desejos mais profundos.

Quando pensamos que esta vai ser uma leitura morna, sem grandes altos e baixos,  compreendemos  que estamos presos às descrições feitas por Ginny e o conteúdo verosimel do enredo torna esta narrativa uma boa aposta.

Terminado em 31 de Março de 2013

Estrelas: 4+

Sinopse


O romance A Herdade, best-seller vencedor do prémio Pulitzer, foi escrito por uma das maiores romancistas americanas da atualidade. A propriedade de Larry Cook é a maior de Zebulon County, Iowa, e um reflexo do seu trabalho e perseverança. De um momento para o outro, Larry, um homem orgulhoso e possessivo, decide reformar-se e doar a propriedade às suas três filhas, numa atitude pouco típica do seu temperamento. Ginny e Rose, as filhas mais velhas, ficam surpreendidas com a atitude do pai mas ansiosas por aceitar. Caroline, a mais nova, tem algumas dúvidas e, de imediato, o pai exclui-a. Em A Herdade, Jane Smiley transpõe a história de O Rei Lear para a atualidade e, ao fazer isso, lança uma nova luz sobre o original de Shakespeare ao mesmo tempo que o transforma de forma subtil. Este romance surpreendente foi galardoado com os dois prémios literários mais prestigiados da América, o Prémio Pulitzer para ficção e o National Book Critics’ Circle Award.

domingo, 7 de abril de 2013

Ao Domingo com... Afonso Cruz


Escrevo porque sempre gostei de livros e de ler. Tenho, até à data, dez livros publicados, alguns para
crianças, mas que também podem ser compreendidos pelos mais crescidos; alguns romances e enciclopédias. Ilustro porque sempre gostei de desenhar, mesmo quando ainda não sabia desenhar. Bebo cerveja, durmo a sesta, cozinho. Tenho dois filhos tão antigos quanto eu, porque não há nada nem ninguém que não tenha nascido no Big Bang. Tenho várias guitarras, vários banjos, vários ukuleles, várias harmónicas, e várias vozes. Prefiro as roucas, que dão mais terra e mais barriga e mais órgãos. A música fica mais sólida e dá para partir em fatias como os bolos. Toco na banda The Soaked Lamb. Viajei por muitos países, apenas para tentar perceber o lugar de onde saí. Como dizem os Abokowo: Sobe a uma árvore se lhe queres ver as raízes.

Afonso Cruz

sábado, 6 de abril de 2013

Um livro numa frase




"Amiúde é mais difícil desfazermo-nos de um livro do que obtê-lo. Ligam-se a nós num pacto de necessidade e de esquecimento, como se fossem testemunhas de um momento das nossas vidas ao qual não regressaremos."

In A Casa de Papel, Carlos María Domínguez, Pág. 15
Frase escolhida por: Teresa Carvalho

Novidade MARCADOR

Inverno de Sombras
de L.C.Lavado


Em 1833, em Lisboa, cinco monges reúnem-se para decidir o destino a dar a uma caixa secreta e à sua chave. Muitos anos depois, uma família ainda as guarda, escondidas do mundo através das gerações. Mas há alguém que entende que é a chegada a hora desse poder lhe pertencer e está decidido a encontra-las e a fazê-las mudar de mãos.
Os protagonistas desta história são seres mágicos, feiticeiros poderosos sedentos de sangue. Entre guerras e lutas, nasce uma história de amor inesquecível. Difícil será distinguir quem são os bons e os maus nesta trama.
Numa autêntica caça ao tesouro, as peças vão-se movendo como um jogo de xadrez, com momentos em que o tempo pára e é preciso suster a respiração.

Video de apresentação pela autora:  http://www.youtube.com/watch?v=J1yR3epPy10

Na minha caixa de correio

             
   
   
O Estilete assassino, Mentiras e diamantes e Uma promessa de felicidade são emprestados pelo SdL. Vou gostar dos três de certeza!
Da Fnac online vieram, com uns preços óptimos, Os excluidos, À procura de Nouf, Tudo por amor e a neblina do passado...
Amizades improváveis e Valores de família comprei em segunda mão.
A filha do papa ganhei no JN.
Do Clube do Autor, o livro de Clara Pinto Correia, Ponto pé de flor.
Da Bizâncio, os Jardins de canela.
Com uma capa lindíssima, O tempo entre nós da Asa. Também da Asa, Menina rica, menina pobre e Nasci num harém.
A última muralha ganhei no JN.
Uma semana em cheio!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Novidade Civilização


A Volta ao Mundo em 80 Pratos 
de David Loftus

“A Volta ao Mundo em 80 Pratos é como o Top of the Pops da comida excitante – as melhores garfadas num livro extraordinário”, escreve Jamie Oliver no prefácio do delicioso livro de David Loftus, uma excelente compilação de receitas inspiradoras, com fotografias de grande beleza, ideal para amantes de viagens e de comida que lhes permite escolher o seu destino e saboreá-lo.
David Loftus anda 350 dias por ano na estrada a fotografar chefes de cozinha e pratos deliciosos pelos quatro cantos do Mundo. Em A Volta ao Mundo em 80 Pratos, partilha o melhor que foi encontrando ao longo das suas viagens. No trilho da personagem criada por Júlio Verne, Loftus mostra os tesouros da cozinha que foi encontrando nas suas inúmeras viagens. O mundo em 80 pratos. David Loftus já recebeu inúmeros prémios e, recentemente, foi considerado o 65.º fotógrafo mais influente do mundo.

Novidade Civilização


Império 
de Niall Ferguson
Império, o bestseller de Niall Ferguson, conta a notável história da ascensão ao poder do
Império Britânico – e da sua queda. Em tempos, vastas áreas do mapa-múndi estavam pintadas de vermelho-imperial, e a Britânia exercia o seu poder não só nos mares, mas também nas pradarias americanas, nas planícies asiáticas, nas selvas africanas e nos desertos árabes. Mas como é que uma pequena e chuvosa ilha do Atlântico Norte conseguiu tudo isto? E porque é que o império onde o Sol nunca se punha chegou por fim ao seu declínio e queda?
Império, o aclamado livro de Niall Ferguson, desvenda de forma brilhante a história imperial com todo o seu esplendor e miséria, mostrando como um grupo de bucaneiros e exploradores gananciosos abriram o caminho para o maior império de toda a história e colocaram o mundo na senda da modernidade.

Oficina de Escrita Criativa de Maria João Vieira


Convite Esfera dos Livros


Novidade Planeta


Dalila
de Eleanor de Jong
Na antiga Terra Santa, israelitas e filisteus estão envolvidos num amargo conflito. Sansão –
um adversário poderoso e invencível – foi elevado a símbolo do heroísmo israelita e os vigorosos filisteus estão desesperados para descobrir o segredo do seu poder.
Dalila – desejável, bela, sedutora, determinada e temerária – está cansada da vida de donzela recatada. Ambiciosa, quer mais da vida e é atraída por uma proposta irrecusável: descobrir onde reside o poder de Sansão.
Decide arriscar, pois o jogo da sedução é algo que a alicia. Mas este não é um jogo fácil como ganhar ou perder.
Enredada na perigosa missão que teceu, Dalila faz uma descoberta impressionante, algo que nunca teria imaginado: amar e ser amada!
Mas uma sequência de acontecimentos foi posta em movimento e só um milagre poderá mudar o curso da História…
Dalila descobre o segredo da força de Sansão, mas pagará um preço muito elevado: a morte de quem ama.

Novidades Oficina do Livro


TAMBÉM HÁ FINAIS FELIZES
de Fernanda Serrano

Um diagnóstico terrível. Uma gravidez inesperada. E uma decisão corajosa.
No dia do nascimento da sua segunda criança, por mero acaso, Fernanda Serrano tocou no peito e sentiu um caroço. O obstetra garantiu que não era nada. Mas era um cancro, como mais tarde se concluiu – e muito agressivo.
Quando soube da notícia, o sorriso mais bonito de Portugal desvaneceu-se. Mas nem o medo da morte o fizeram desaparecer.
Depois de muita luta, a actriz conseguiu ultrapassar a doença, voltar à normalidade e preparar o regresso aos palcos e à televisão. Sentia-se a renascer.
Contada pela primeira vez, esta é a história da fase mais tenebrosa na vida da actriz portuguesa. Uma história de dor e angústia, coragem e resiliência – com um final feliz.

OS ÚLTIMOS PRESOS DO ESTADO NOVO
de Joana Pereira Bastos
Depois de uma curta «Primavera Marcelista», o País assistiu a uma escalada da violência contra todos os portugueses que enfrentavam a ditadura. Entre 1973 e 1974, mais de 500 pessoas, pertencentes a vários movimentos políticos e oriundas de diferentes classes sociais, foram presas e violentados pela PIDE.
No forte de Caxias, muitas eram sujeitas às mais sofisticadas e brutais formas de tortura, ensinadas através de um manual entregue pela CIA à polícia política portuguesa, enquanto lá fora se preparava a revolução de 25 de Abril. 
Sofrendo até ao fim, os últimos presos políticos do Estado Novo só conheceram a liberdade na madrugada de 27 de Abril de 1974 – dois dias depois da revolução que pôs termo a  48 anos de ditadura.

O FIM DA INOCÊNCIA II
de Francisco Salgueiro
Com boas notas, e a estudar num dos melhores colégios de Lisboa, Gonçalo é o filho que todos os pais gostariam de ter.

Desde cedo, ele e o grupo de amigos são bombardeados com imagens sexuais em filmes, séries, videoclips, anúncios e celebridades levando a uma erotização precoce. A ausência de educação sexual por parte dos pais e colégio leva-os a investigar o extenso mundo da pornografia na internet.  
Em simultâneo, a sua impreparação para lidarem com as redes sociais leva-os a serem participantes e vítimas na busca vertiginosa de likes para ultrapassarem a mítica marca dos 1000 amigos. Eles apenas pensam nos desafios e nunca nas consequências. As drogas legais, o sexting, a masturbação online com estranhos, serem paparazzi da vida uns dos outros e a prostituição com mulheres mais velhas fazem parte do seu estilo de vida, onde o futuro não existe, apenas o logo à noite.
Depois do best-seller que abalou a sociedade portuguesa, Francisco Salgueiro regressa com uma nova história sobre os adolescentes portugueses do século 21.

Novidade Chiado Editora


Athos – Viagem dentro de um Peregrino
de Helder Palhas

Num mundo cada vez mais global são poucos os locais que ainda mantém as suas características iniciais.
Ainda menos são os locais onde as comodidades modernas e informação disponível no ciberespaço não sejam suficientes para um planeamento ao pormenor.
"Mount Athos" é uma das poucas excepções, com a particularidade de ser um centro monástico ortodoxo interdito a mulheres.
Esta obra relata as observações e pensamentos do autor durante viagem ao local onde o calendário juliano e a hora bizantina (começa ao pôr do sol) ainda vigoram.
Vai com certeza lançar o leitor numa busca na Internet e, quem sabe, incitar a que tenha uma experiência igual (infelizmente apenas para os do sexo masculino).

Noividade TopSeller


Private: Agência Internacional de Investigação
de James Patterson

«Jack Morgan, antigo fuzileiro naval e agente da CIA, herdou do seu pai a Private, uma reputada agência internacional de investigação e segurança e, com ela uma carga de trabalhos que pode levá-lo ao ponto de rutura.
Os segredos dos homens e mulheres mais poderosos chegam diariamente a Jack e aos seus agentes, que usam técnicas forenses de ponta para resolver os seus casos. Como se não lhe bastasse ter de apurar a verdade sobre um escândalo de jogo ilegal na liga de futebol americano e tentar resolver um inquérito criminal sobre as mortes selváticas de 18 raparigas, Jack ainda vai ter de desvendar o tenebroso assassínio da mulher do seu melhor amigo — e sua antiga amante.» 

Convite Esfera dos Livros


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mensagem do limbo de Carlos Queirós

Este livro foi-me gentilmente oferecido pelo autor mas devo dizer-vos que a sinopse já tinha despertado a minha atenção pois já tinha lido e gostado do livro anterior, Trilho de lobos.

Mas o tempo não é muito e o livro foi ficando na estante à espera da sua vez... Fiquei agradavelmente surpreendida porque, logo de início, o tema agradou-me e a forma como o enredo começa atrai o leitor e cativa-o instantaneamente. 

Não importa se se acredita na vida depois da morte, nem em seres que vivem num limbo depois de partirem deste mundo. O que realmente importa é a forma como o autor consegue manter o interesse durante todas as suas páginas! 

Não posso deixar de referir que houve certas partes que me impressionaram devido à crueza e realismo com que foram abordadas e fiquei a pensar nelas muito depois de ter fechado o livro. Não vou falar mais concretamente mas se pegarem no livro saberão a que me refiro.

Os personagens pareceram-me reais, uns mais que outros é certo, mas todos possuidores de defeitos e qualidades como é apanágio do ser humano. Isso agradou-me porque revelou, por parte do autor, uma atenção centrada nos aspectos psicológicos do carácter dos seres humanos que gostei de ver retratados nesta obra.

Gostei do que li!  

Terminado em 29 de Março de 2013

Estrelas: 4*+

Sinopse


Rita está em coma há dois anos, na Ala do Silêncio do piso oito, no hospital.

No corredor do rés-do-chão, Rafael espera a sua vez para a consulta de neurologia. Mais uma vez, uma violenta dor de cabeça o assolou enquanto aguardava que o Professor Pinto Fraga o chamasse para entrar. Uma criança passou na sua frente com a mão agarrada à saia de uma mulher. A menina sorriu-lhe. Teria uns cinco ou seis anos. Ele seguiu-lhe os passos até ao fundo do corredor. De súbito, a criança reapareceu-lhe à sua frente, parecendo envolta numa aura de luz. Quando Rafael tenta perceber quem era ela e porque se largou da mãe, a menina poisou-lhe a mão numa perna, a dor de cabeça desapareceu. A menina mais não era que uma alucinação – pensou. Mas a criança disse-lhe que no piso oito havia uma mulher em coma, que tinha de ser salva antes que lhe desligassem as máquinas de suporte de vida. Segundo ela, Rita Lemos, estava consciente, ouvia tudo o que à sua volta se passava, só não conseguia comunicar a pedir socorro.

O tumor que Rafael transportava no cérebro criou a si próprio e a outros a grande dúvida: a criança misteriosa seria uma alucinação ou alguém enviado de uma outra dimensão para comunicar uma emergência?



terça-feira, 2 de abril de 2013

A convidada escolhe: O canto de Aquiles e A frágil doçura do bolo de limão

Há livros que exercem uma atração inexplicável sobre mim. Já o tenho referido. Não sei se é o título, a

capa, o autor, a sinopse ou as criticas mas o certo é que qualquer um destes fatores, num determinado momento e com um determinado estado de espírito conjugam-se para uma imperiosa necessidade de ler.  
Assim aconteceu, não com um mas com dois livros extraordinários recentemente. Os autores eram desconhecidos mas depois destas obras serão referência obrigatória de leitura.

"O Canto de Aquiles" de Madeline Miller 

e 

"A frágil doçura do bolo de limão" de Aimee Bendler

Romances singulares, magistralmente escritos em que o enredo cinge-se principalmente em sentimentos e relações pessoais. O amor. 

Cada palavra em cada frase para ler pausadamente e interiorizar, seja pela beleza textual ou pelo sentido das mesmas. Talvez estes romances outro mérito não tenham senão o de mudar mentalidades, ou pelo menos, de fazer questionar e duvidar de dados adquiridos. Que somos todos diferentes mas essa diferença não deve ser para desvalorizar mas para incrementar e potenciar. 

Romances suaves mas não leves e fúteis. Romances em que o nosso tempo é bem empregue porque são absorventes e viciantes.

Não gosto de comentários longos e também não gosto de contar demais, assim espero espicaçar a curiosidade para que se deixem atrair e perder nestes dois bons romances.

Vera Sopa

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Tempo para falar de Helen Lewis


Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 152
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896572877


Relato impressionante de uma época que não devemos esquecer! 

Escrito de uma forma crua, na primeira pessoa, sem uma grande adjectivação mas sem esconder a realidade dos factos vividos, esta leitura fez-me lembrar o livro de Primo Levi, Se isto é um homem. 

Tempo para falar conta-nos como viver podia, nessa época, estar ligado ao factor sorte e Helen teve a sua cota parte de sorte no meio de todo o terror em que viveu. Saber que conseguiu refazer a sua vida no meio dos destroços que restaram do seu corpo e da sua personalidade foi, sem dúvida, um incentivo para conseguir ler o seu livro até ao fim, com esperança. Mas não sendo uma leitura fácil, é necessária, obrigatória!


Lembro uma frase que retive na memória que me custou a ler, que reli com uma dor profunda e que revela o carácter humano no seu pior... Depois da libertação, quando pediam (a autora e uma amiga) uma chávena de chá no centro da Cruz Vermelha em Praga, disseram-lhes que àquela hora não havia pois o centro ia fechar.
E passo a reproduzir:
"-Quanto tempo estiveram no campo de concentração?
-Três anos.
-Bem, se aguentaram lá durante três anos também podem passar mais uma noite sem uma chávena de chá." (Pag. 137)

Cruel, demasiadamente cruel para quem tinha acabado de sair de um pesadelo bem real! Recomendo, sobretudo para quem, como eu, gosta de ler relatos verídicos dessa época histórica em que alguns homens eram apenas números, números a abater.

Um livro para reler, sem dúvida alguma! Recomendo vivamente!

Terminado em 27 de Março de 2013

Estrelas: 6*

Sinopse


A crítica não ficou indiferente a um testemunho pungente que nos toca o coração.
«Em Tempo para Falar, Helen Lewis traça-nos um mapa do Inferno e, ao fazê-lo, oferece-nos uma obra de arte sem mácula. Nunca põe um pé em falso ao guiar-nos através de uma paisagem de pesadelo. A sua voz não se altera, o seu estilo permanece simples. Uma forma modesta de se exprimir que esconde a angústia da recordação.» Michael Longley

«É a história de um sofrimento quase inacreditável, mas contada de uma maneira que quase infunde alegria no leitor… notável pela sua simplicidade e lucidez elegíacas, pelo ímpeto irresistível, pela integridade insuperável e pela impressionante ausência de autocomiseração e rancor. Em suma, de abordagem fácil, empolgante e de uma honestidade evidente… todos deviam lê-la.» Independent

«O que distingue este livro de todos os relatos em primeira mão do Holocausto é a capacidade evidenciada por Lewis para descobrir traços de humanidade, onde, com toda a justiça, não tinha razões para os ver… recusa-se a desumanizar mesmo aqueles que tentaram arrancar-lhe tudo quanto tinha de humano - um feito raro para qualquer pessoa na sua situação.» Guardian