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quarta-feira, 1 de maio de 2024

"Fahrenheit 451" de Ray Bradbury

Confesso que me custa ler obras onde mundos imaginários imperam e, por


essa razão, são poucos os livros que leio de ficção científica / distopias. Mas os que li, gostei e passadas algumas páginas o desconforto vai desaparecendo. Aconteceu com este livro, que queria há muito ler, e do qual todos me falavam bem.

O que muitas vezes acontece é que algumas situações que são descritas e que à partida são irreais acabam por nos ser familiares, ou porque o mundo já as viveu ou porque o medo/perigo que elas venham a acontecer é grande. Este livro é exemplo disso.

Foi escrito em 1953 e é impressionante a crítica profunda nele contida a um mundo em que o mais fácil e permitido é não pensar, não sentir, em que os livros são objectos perigosos e que precisam de ser abolidos. Muitos ditadores pensaram o mesmo e a História do nosso mundo assim o mostra. A educação, para alguns, é perigosa porque leva à crítica, ao pensamento.

O prefácio da edição da Saída de Emergência, refere que só deve ser lido no final. Assim o fiz. Retirei uma frase que fez todo o sentido para mim: "Quando saiu nos Estados Unidos, em 1953, Fahrenheit 451 foi lido como um manifesto contra a censura, como um panfleto contra todas as inquisições. Estaline tinha morrido nesse ano, a memória de Hitler ainda estava bem viva (...)".

É um mundo distópico sim, este que Ray Bradbury nos apresenta mas algumas reflexões fazem sentido hoje no mundo actual. Os bombeiros servem, não para apagar os fogos, mas para incendiar os livros; as pessoas vivem alienadas com as televisões que ocupam paredes inteiras das casas e que lhes fornecem "famílias" fictícias. Guy Montag é bombeiro. É muito interessante acompanhar o seu desabrochar, mas não me quero alongar para não vos contar demasiado.

Muito interessante. Leiam. Reflictam.

Terminado em 10 de Abril de 2024

Estrelas: 5*

Sinopse

Como uma mensagem mais relevante do que nunca, venha descobrir o clássico profético de Ray Bradbury sobre o poder da resistência à tirania política. Guy Montag é um bombeiro. O seu emprego consiste em destruir livros proibidos e as casas onde esses livros estão escondidos. Ele nunca questiona a destruição causada, e no final do dia regressa para a sua vida apática com a esposa, Mildred, que passa o dia imersa na sua televisão. Um dia, Montag conhece a sua excêntrica vizinha Clarisse e é como se um sopro de vida o despertasse para o mundo. Ela apresenta-o a um passado onde as pessoas viviam sem medo e dá-lhe a conhecer ideias expressas em livros. Quando conhece um professor que lhe fala de um futuro em que as pessoas podem pensar, Montag apercebe se subitamente do caminho de dissensão que tem de seguir. Mais de sessenta anos após a sua publicação, o clássico de Ray Bradbury permanece como uma das contribuições mais brilhantes para a literatura distópica e ainda surpreende pela sua audácia e visão profética.

5 comentários:

  1. Gosto de distopias, elas sempre abordam eventos que poderia ser realidade caso "os donos do mundo" continuem com tanta insensatez.

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  2. Não é um género literário que me cative mas, se calhar, tenho que lhe dar oportunidade e talvez acabe por me surpreender :)

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