Numa ida à biblioteca, sob o pretexto da saga "caminhar faz bem", trouxe esta GN. O título influenciou a minha escolha. Foi um tiro certeiro.
Gabi Beltrán, desenhador e ilustrador, retrata com mestria as suas histórias de menino adolescente, com 14 anos, quando vivia, nos anos oitenta, num complexo bairro de Palma de Maiorca. Simples, não é? Pois não é mesmo. Famílias completamente disfuncionais, onde a profissão mais antiga do mundo funciona como, quase, o único meio de subsistência das famílias dos seus amigos, amigos esses que tinham como principal actividade o roubo para poderem financiar os seus vícios, drogas, brigas entre bandos. É um pouco disto que vamos encontrar nestas páginas. Histórias pequenas que juntas fazem um todo com sentido.
Gabi tanto mostra o seu melhor lado (como quando, por ex., ajuda frequentemente um vizinho que não se pode deslocar) como se mete em confusões, pequenos assaltos com fugas à polícia, com uma mistura de drogas e bebidas. O seu gosto pelo desenho sobressai e entre os seus amigos é conhecido por isso. Não foge ao primeiro amor, nem aos conflitos interiores próprios dessa idade. Nesse meio hostil, descobre e apaixona-se pela literatura.
É o relato, também, de uma fuga a esse meio social. Com avanços e recuos, sem direcção certa, no começo. Um caminho difícil a percorrer quando as condições ao redor não ajudam, antes pelo contrário.
Intercalando com as histórias dos quadradinhos da novela gráfica, estão páginas de texto corrido onde Gabi relata a história de seu pai, uma figura nada presente na sua vida.
A cor predominante nesta GN é o preto, o escuro sempre presente para retratar vidas difíceis, com muitos apontamentos a vermelho que sobressaem nessa escuridão. As ilustrações são muito sugestivas bem como as pequenas histórias que prendem de imediato o leitor.
Aconselho. Gostei muito.
Terminado em 1 de Fevereiro de 2022
Estrelas : 6*
Sinopse
Palma de Maiorca, anos 80. Cada esquina do bairro chino tem uma história para contar.
Gabi, o ainda adolescente protagonista, percorre as ruas do seu pequeno mundo com os seus amigos, numa constante busca para encontrar… algo.
Assim, experimenta drogas, descobre o sexo, refugia-se na literatura e no desenho.
Mais unido aos amigos do que à família, descobre que as diferenças sociais são também fronteiras, e que estas por vezes são inultrapassáveis.
Cris
Confesso que não faz muito o meu género de livros.
ResponderEliminarMas pode ser interessante sim.
Beijinhos
Comecei há pouco a ler GN. Descansa a vista e estou a aprender a gostar. Bjinho
EliminarGN não é um género que leia. Porém, pela descrição, parece interessante.
ResponderEliminarLia BD quando era miúda. Retomei há pouco.
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