
Tudo isto a propósito de ter "tropeçado" há dias, numa livraria, com este último livro do Gonçalo Cadilhe e, mal o folheei e li umas diagonais, disse a mim próprio: "andas sempre a olhar para as mesmas prateleiras... nunca reparaste no género?" Sabia que existia mas nunca tinha verdadeiramente experimentado. Acho que encontrei o meu estilo de leitura.
E posso dizer que foi uma agradável revelação. O estilo de escrita do autor é realmente cativante e permite galgar páginas com prazer e sem esforço.
Revela-nos um Santo António viajante num trajecto que ele terá feito desde Coimbra até Itália e França, passando pelo norte de África. Onde os factos não se encontram suficientemente documentados, o autor deduz, de uma forma convincente, os caminhos que terá provavelmente tomado. De qualquer forma, não senti falta de eventuais "rigores históricos estritos". No caminho da descrição dos lugares e trajectos, ficam-me deste livro, as referências que o autor nos deixa à história, cultura e costumes dos lugares e dos povos que encontra. E ainda a descrição de episódios, peripécias e contactos com pessoas reais, com nome próprio, que pontuam aqui e ali a narrativa e a enchem de vivacidade.
Fiquei fã de Gonçalo Cadilhe. Terminado este, rebobinei o seu percurso como escritor e já me atirei ao "Planisfério Pessoal". Estou quase a meio das 350 páginas. Quebrei o enguiço. Já faço maratonas...
Abílio Delgado
Sinopse
De Lisboa a Pádua, o escritor-viajante Gonçalo Cadilhe faz uma viagem com muitas paragens e revelações históricas sobre a vida de Santo António, seguindo os passos do santo em plena época medieval.Santo António nasce por volta de 1190; Portugal acabava de ser fundado e, na época, a cidade de Lisboa corria o risco permanente de voltar a cair as mãos dos mouros. Santo António não nasceu António, mas Fernando. Foi batizado de Fernando Bulhão, da família dos Bulhões, e mais tarde assumirá então o nome de Santo António. Ficou conhecido no entanto como Santo António de Pádua, porque os santos ficavam conhecidos com o nome do lugar onde faleciam. No caso de Santo António, ele falece em Pádua, é aí que começa o seu caminho celestial.
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