Após o término deste livro fiquei com uma sensação mista de prazer e confusão. Explico porquê.
A acção passa-se numa pequena vila italiana ("Uma vila é um lugar onde todos sabem tudo sobre todos", pag 54) e a narradora é uma jovem advogada, Lea Russo. É através dela que entramos nessa pequena vila onde os segredos, aparentemente, são do conhecimento geral de todos os habitantes...
No entanto, a morte de Vittoria, uma senhora já com alguma idade e que todos achavam de convivência agradável vem mostrar que nada é o que parecia ser. A morte, aparentemente :) foi acidental mas Lea, um pouco com o conhecimento que tem de Vittoria e com alguma investigação, vai pondo isso em causa. Quem é afinal, Vittoria?
Até aqui o livro foi despertando em mim um interesse crescente tanto mais que somos levados pela autora a duvidar e a querer saber mais sobre os segredos que fizeram parte da vida de Vittoria. A análise psicológica das personagens está muito bem conseguida e fiquei presa rapidamente a esta leitura.
Aquilo que as pessoas revelam de si e aquilo que elas preferem calar aos outros, eis-nos chegado ao título do livro. Até que ponto conhecemos verdadeiramente alguém? Conhecemos apenas fragmentos da vida das pessoas.
Referi anteriormente que tinha ficado confusa também e esse sentimento está relacionado com o final do livro que achei abrupto e não conpreendi. Percebi que a intenção do livro está precisamente no título do livro e a explicação da causa da morte não é o objectivo final (este livro não é um policial ou thriller!) mas achei o final demasiado rápido.
Terminado em 25 de Abril de 2026
Estrelas: 4*
Sinopse
Quando a morte de alguém numa aldeia pacata traz consigo a revelação de um passado silencioso, começa a revelar-se quem diz e quem cala segredos alheios…
Scauri, no mar Tirreno, a menos de duas horas de Nápoles e de Roma, é o destino habitual de mais de cem mil veraneantes; mas no inverno é uma aldeia pacata, nem bonita nem feia, onde vive a jovem advogada Lea Russo que, apesar de tudo, talvez preferisse morar num lugar mais sofisticado. Mesmo assim, a chegada de Vittoria, uma mulher citadina de meia-idade que veio acompanhada de Mara – uma rapariga que não se sabe se é sua filha adotiva, protegida ou amante –, acabou por animar as hostes daquele lugar, sobretudo porque Vittoria é muitíssimo interessante e comunicativa (embora nunca deixe saber mais de si própria do que realmente quer) e por ali prometeu ficar, dado que comprou casa em Scauri. Como seria de esperar, Lea e Vittoria tornam-se, com o tempo, grandes amigas.
Depois de um fim de semana fora, em casa de amigos, a notícia que Lea e o marido recebem no regresso é terrível: Vittoria foi vítima de um estúpido acidente na banheira e morreu.
Lea fica incrédula e, quando fala com Mara sobre o assunto, não se convence do que esta lhe conta; e menos convencida fica de que se tratou de um mero acidente quando aparece na aldeia para tratar de testamentos e heranças o distinto marido de Vittoria… Este é um romance extremamente original entre o policial, a história do meio pequeno e a narrativa psicológica, em que a revelação de um passado silencioso se opõe diante de um presente estridente. Em Quem Diz e Quem Cala, cada página é uma surpresa, tudo pode sempre mudar.
Cris

Sem comentários:
Enviar um comentário