Fui para a Idade Média numa viagem maravilhosa com este livro! E que viagem esta!
A história é fantástica e com um começo brilhante que me agarrou logo no primeiro parágrafo. Senão vejam (coloco aqui só um pouquito):
"Sou mulher e escrevo. Sou plebeia e sei ler. Nasci serva e sou livre. Vi na minha vida coisas maravilhosas. Fiz na minha vida coisas maravilhosas. Durante algum tempo o mundo foi um milagre. Depois a escuridão voltou. A pena estremece entre os meus dedos cada vez que o arìete investe contra a porta. Um portão sólido de metal e madeira que não tardará em ficar em pedaços. Pesados e suados homens de ferro amontoam-se à entrada. Vêm buscar-nos."
E começamos assim a inteirarmo-nos da história de vida desta mulher (Leola) que adivinhamos cheia de carácter e força numa época em que as mulheres não tinham voz activa em nada. Com uma escrita fluída, intensa, a autora mistura ficção com a realidade histórica dessa época e uma pitada de fantasia, tão leve que me pareceu plausível. Adorei tudo na verdade!
Leola faz-se passar por homem, disfarce mais ou menos conseguido consoante as situações por que passa. A sua vida sofre alterações tais que o leitor não se entedia mesmo quando as descrições sobre as guerras, lutas e confrontos o poderiam fazer.
Este livro é, também, sobre a liberdade, o papel da mulher, a intolerância, os vicíos que comandam as acções, sobre identidade. A personagem principal não é estática vai crescendo e é com gosto que vamos verificando que a sua personalidade sofre modificações.
O ritmo de leitura não é constante sendo que há partes lidas freneticamente e outras em que o leitor pode "descansar" porque são mais lentas. Embora possa parecer estranho, gostei disso também.
Recomendo muito esta leitura caso encontrem o livro porque creio estar esgotado. Há sempre a optima opção de ir dar um passeio a uma biblioteca...
Terminado em 23 de Fevereiro de 2026
Estrelas: 6*
Sinopse
Considerado pela revista Qué Leer como o melhor romance espanhol de 2005.
Sob uma pele de ferro, o coração de Leola palpita por aventura, e a sua coragem leva-a numa turbulenta viagem rumo à liberdade.
Num tumultuoso século XII, Leola, uma camponesa adolescente, despe um guerreiro morto num campo de batalha e veste as suas roupas para se proteger sob um disfarce viril. Assim começa o vertiginoso e emocionante relato da sua vida, uma peripécia existencial que não é apenas de Leola mas também nossa, porque este romance de aventuras com ingredientes de fantástico fala-nos, na verdade, do mundo actual e do que todos nós somos.
A História do Rei Transparente é uma insólita viagem a uma Idade Média desconhecida, relatada de uma forma tão vívida que quase se consegue sentir na pele, uma fábula que comove pela sua grandeza épica. Original e poderoso, o novo romance de Rosa Montero tem essa força transbordante dos livros destinados a converterem-se em clássicos.
Cris

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