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domingo, 26 de novembro de 2017

Ao Domingo com... Susana Amaro Velho

Andei de mão dada com a Alice muitos anos. Como amigas inseparáveis. Ela habitava no meu corpo, instalada num recôndito escondido da minha cabeça criativa. Via-a em muitas coisas. E em muitos espaços. Vejo-a, ainda, claramente, a ganhar forma. A ganhar contornos. A maturar-se. E, sinto, continuarei a vê-la para sempre. 

A Alice será sempre a minha primeira personagem. A primeira a nascer das minhas mãos e cabeça que, tantas vezes, se confrontam porque a cabeça é mais rápida e ganha a corrida. É difícil acompanhar uma mente que absorve tudo, que vê tudo, que procura cheirar, ouvir, respirar o que a envolve. Como se todos os momentos e pessoas se pudessem engolir e viver dentro de mim. 

É, por isso, que escrevo. E que escrevi a Alice. E que, durante tantos e tantos anos, escrevi outros. Os que passaram pela minha vida e a deixaram, depois. Os que nela permanecem. Os que vincam a palavra “saudade” e os que não morrerão, mesmo que as linhas se acabem. É, por isso, que escrevo. Porque viver só não me chega. Ser apenas a Susana é insuficiente. Redutor. Preciso de ser mais. Mais vidas. Mais espaços neste mundo tão vasto e livre. Mais “Alices”. Preciso de construir personagens enquanto me construo e desmistifico.  Preciso de voar como um pássaro e fingir, em linhas, que voar é fácil. Como se, ao mesmo tempo, conseguisse ter asas e habitar num casulo só meu. Um cofre compartimentado onde se arrumam emoções. 

Escrever é andar de mão dada com a Alice. É andar de mão dada com um mundo vestido de cores, de cheiros, de lembranças e anseios. É construir caminhos e traçá-los em capítulos. Assim foi este. Que começou com uma carta de despedida, mas que se transformou num caminho repleto de descobertas e nascimentos. 

Susana Amaro Velho

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