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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

"Yoro" de Marina Perezagua

Quando estava a meio desta leitura senti-a, no mínimo, como muito estranha. Muito estranha mas, ao mesmo tempo, muito boa, excelente mesmo! No final tudo fez sentido com as peças a encaixarem-se como um íman que as puxava para o lugar certo. Imaginei, no final da última página, como seria possuir esta história dentro de mim e cortá-la em pedaços e baralhá-los de forma a permitir ao leitor conhecê-los aos poucos... No fundo, imaginei-me dentro da cabeça da autora que, sendo dona desta narrativa, soube, com tanta mestria, explorar e contar de forma sublime um relato tāo duro e diferente do habitual.

Nāo posso desvendar mais do que a sinopse revela sob o risco de vos contar demais. Mas posso dizer-vos que precisam de um estômago forte pois, creio, ninguém está preparado para tanta dureza e em cada página ouvir, relato após relado, como o Homem consegue ser tāo cruel. A maldade na sua forma mais crua e dura.

Posto isto, se o vosso estômago aguentar, digo-vos que precisam de ler este livro. Nalgumas partes senti-me perdida na história, sem saber qual a sua direcçāo e o seu sentido mas a autora, nas māos de H, uma sobrevivente de Hiroxima, relembra-nos amiúde que está a explicar o motivo do seu crime. Sim, logo no início sabemos que H cometeu um crime e que se dirige a alguém que a procura por esse motivo, explicando as razōes que a levaram a isso. Escreve páginas e páginas contando a sua vida. Nada nos prepara para o que ela escreve. Nada!

Um livro duríssimo e desconcertante. Marina Perezagua atinge o leitor com pequenas farpas vindas de acontecimentos que tiveram lugar na nossa História Mundial (Hiroxima, Ferrovia da Morte na Brimânia, Campos de Refugiados no Congo/Goma, sāo alguns exemplos) e que denigrem o carácter do Homem, criando uma narrativa única e imperdível.

Terminado em 11 de Fevereiro de 2018

Estrelas: 6*

Sinopse
«Concluí que, se tivesse de escolher um nome para nós, escolheria "os que trazemos a bomba dentro de nós", dado que a manhã em que um bombardeiro B-29 lançou o Little Boy em Hiroxima foi só o início da detonação. Noventa por cento de todo o mal que sofreríamos, nós, os sobreviventes, iria sendo doseado minuto a minuto, mês a mês, ano a ano, emprenhando-nos desse mal que, se fosse abortado, seria só para nos abortarmos com ele.» Yoro é uma odisseia assombrosa pelos lugares mais profundos e negros da mente humana. Ecoando Dom Quixote, Wim Wenders e Herzog na sua tensão narrativa, este romance é a busca de uma mulher por identidade, justiça, compaixão e maternidade. H, a narradora e protagonista, confessa um crime nas primeiras páginas. E, em tom desafiante, continua, pedindo ao leitor que se atreva a ler a sua história, a sua confissão. H nasce em 1945, no momento da explosão da Little Boy sobre Hiroxima. Anos depois H conhece Jim, um soldado norte-americano que procura, desde a guerra, uma criança que lhe foi entregue e depois retirada: Yoro. Apaixonados, percorrem o mundo seguindo as mais ténues pistas, até que, na viagem final, a verdade — complexa e perturbadora — revela o crime de H e a sua razão. Torrencial, cru, pendendo entre polos opostos — amor e desespero, encontro e confusão, descoberta e prisão —, Yoro carrega nas suas páginas o caos pós-Segunda Guerra Mundial, o encontro frontal com a sexualidade e o mundo, a violência da linguagem e da lógica.

Cris

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