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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Escritores na Cozinha... com Patrícia Reis


Lasanha de legumes
Não um excesso de legumes, um caldo que se anula em sabores diversos, mas com a suavidade da cenoura, do alho francês, das courgettes. Tudo começa com o corte dos legumes, estufados em azeite da terra da minha mãe, azeite de Moura, em lume brando. Depois de tudo cozinhado - com pouco sal, por não ter mão certa para o sal - coloca-se no pirex as placas da lasanha. Não perco o tempo de fazer a minha massa, como deveria ser, compro placas de lasanha já feitas. E vou fazendo camadas de legumes cozinhados, intervalando com as placas. Depois, por não ser coerente, faço o molho branco: manteiga com noz moscada, farinha e leite. Sem deixar de mexer, o molho fica pronto e gosto de o ver na mistura com a massa e com os legumes. No fim, para dar um toque de que gosto, ralo um pouco de queijo parmesão. Mais uma vez, não de pacote, gosto do gesto de ralar o queijo. Não misturo a lasanha com mais nada. Não sirvo com salada ou, se for caso, prefiro descascar duas pêras em pedaços e pequenos pedaços de parmesão temperados com pouca pimenta. Se o prato for acompanhado por um tinto do Alentejo, a refeição está garantida. Os miúdos odeiam:)

Contracorpo é um livro sobre a identidade. Quando nos tornamos mães perdemos o nome. O médico, a enfermeira, a senhora na escola responsável pela cantina têm um rótulo que nos assenta: a mãe. E ficamos assim, a medir porções de pó e de papa, a verificar se as bolachas têm gluten, se as crianças já podem experimentar isto ou aquilo. Ou então, seguimos a tradição: rabo no chão, pão na mão. Seja como for, uma coisa é certa: a cozinha muda com a entrada de uma criança - ou várias - na nossa vida. Contracorpo não é sobre nada disto. É um livro sobre uma mãe e um adolescente que procuram entender-se ao mesmo tempo que encontram a identidade respectiva. Tudo isto se passa em silêncio e, quando comem, é o que há e é mais barato: frango, massa, pão, coisas sem história. A história, aquela que importa, está neles e apenas neles.

Patrícia Reis

1 comentário:

  1. E para quem que como eu não come carne até me cresceu àgua na boca!!!
    Mas o tintinho eu bebo, do Alentejo, porque eu também o sou!!!!
    anacosta

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