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terça-feira, 11 de abril de 2017

A convidada escolhe: "Deus não mora em Havana"

O ambiente de Havana numa narrativa viva e colorida, que nos faz sonhar com um país sobejamente conhecido como destino de férias. Uma leitura carregada de cheiros e de sons que reproduzimos em imagens imaginárias. Uma viagem inebriante conduzida por Jonava. A escrita fluída e cativante de Yasmina exerceu um enorme fascínio sobre mim, que li quase sem descanso. Não conhecia e cheguei a pensar que se tratava do nome de uma mulher e no entanto, é um homem que tão bem o faz.
Cantar era a vida de "Don Fuego", o sopro incendiário das Caraíbas que se vê impedido de o fazer quando o Buena Vista é vendido e se depara com dificuldades em regressar ao palco. Vai tomando o pulso à vida e à realidade que o rodeia. Para agravar o quadro, apaixona-se perdidamente por uma jovem. No fim, uma aventura. Panchito, o velho sábio e trompetista excecional, que se refugiou com o seu cão Orfeo numa velha barraca depois da glória, é o mistério que procurei desvendar durante toda a narrativa.
A história é simples e o desfecho, possível, apesar de uma ou outra reviravolta que não se fazia esperar. De qualquer modo, o melhor, é mesmo a magia que já ouvi contar e consegui sentir sobre aquela ilha e aquele povo. Um prazer de ler!

"Em Havana, Deus perdeu a sua cotação. Nesta cidade que trocou o seu brilho de outrora por uma humildade militante feita de privações e de abjurações, a pressão ideológica liquidou a fé. " (pag.44)

"Em Havana, vivem várias familias num mesmo apartamento. Desde 1959 e da revolução castrista, a população centruplicou, mas a cidade não aumentou, como se uma maldição a mantivesse cativa de um passado tão flamejante como o inferno." (pag.49/50)

Vera Sopa

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