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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Escritores na Cozinha... com Casimiro Teixeira

Bolo de bacalhau
Há alguns anos atrás, descobri, pelo mero feliz acaso de me perder de propósito por
estradas desconhecidas, um restaurante de pé de estrada, nos arrabaldes de Aljezur, onde experimentei este prato tão simples, pelo qual me apaixonei, recriando-o depois em casa, vezes e vezes sem conta. Chamei-lhe "bolo de bacalhau", e, creio que é a sua simplicidade que o torna tão bom. É quase um hino à maravilhosa gastronomia alentejana, simples, simples, como tudo aquilo que é bom deve de ser: Bacalhau cozido, desfiado e sem espinhas, uma boa broa de milho, esmigalhada e embebida em azeite, espinafres escalfados, muitos coentros, muito alho, e já está. As porções são q.b. ao gosto de cada um, eu particularmente, abuso sempre um pouco nos coentros, pois viciei-me neste sabor. 

A preparação ocupa o seu tempo, mas vale bem a pena. Numa frigideira larga misturam-se os ingredientes com calma, mexendo sempre para não pegar ao fundo. Um bocadinho disto
um bocadinho daquilo, e aos poucos vai nascendo uma espécie de "roupa-velha" alentejana, pois o natal é quando um homem quiser e os apetites para aí puxarem. Não sejam tímidos com o azeite, de outro modo, isto ficará seco como as planícies alentejanas, garanto-vos, e o objectivo é ficar sedoso e húmido. Uma vez pronto, coloquem o preparado numa forma, (serve um "tupperware" redondo e côncavo) e virem-no para um prato. Voilá! É um deslumbre na boca.


Que Alguém Saiba que és um Homem
Prefácio por Luís Ferreira (Alcochete Jan/2013)

“A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.
Fernando Pessoa”

Nunca a citação inicial foi tão verdadeira para classificar uma obra, e, só por si, preencheria toda a nota de prefácio.

Ao longo da minha vida, e penso ser comum a muitos escritores, sempre procurei saber do por quê das minhas diversas reacções, dos meus sentimentos, da forma de agir, do que penso, do que faço e porque o faço. Dou por mim a meditar sobre tudo e mais alguma coisa, a deixar fluir essas reflexões sobre a forma de poesia e prosa.
É no repouso das palavras sobre o papel, que ansiosamente cumpro a ilusão de transmitir a autenticidade dos meus estados de alma, das minhas divagações, das minhas múltiplas vivências encarnadas num “eu” poético que se liberta e procura transmitir numa linguagem carregada de simbolismos tudo aquilo que me vai na alma.
Ao agarrar na obra “Que alguém saiba que és um Homem” de Casimiro Teixeira, encontro a fórmula gémea do que sinto e do que penso, um registo poético impetuoso, mesurado por um olhar cheio de sentimento consoante a respiração do momento, que através de uma poesia desprovida de métrica, entrega ao leitor todo um conjunto de confidências, de mensagens fortes, vivas e palpitantes, como se de um grito silencioso de alguém com sangue quente a correr nas veias alertasse para um espaço próprio e único, onde se move.
“Tenho sonhos doentes, que só a alma sente, anseios pisados, que por serem meus, assim os aturo.”, abre assim o primeiro poema da obra poética do nosso autor, um livro que completa uma teia poética que prende a leitura, onde o amor perfeito e imperfeito, correspondido e sofrido, do passado e presente, as memórias e o sentimento evoluem até à expiração humana de sermos melhores no tempo futuro, apesar de todos os medos que possam ai habitar.
Uma espiral de sensações que saciam a sede de quem lê. Um conjunto de afirmações e até provocações de uma alma pensante, que vive, que sente e no labirinto da vida onde se encontra como qualquer um de nós, demonstra por vezes a sua revolta, as suas dúvidas, o seu amor, afirmando a todos a sua verdadeira natureza e identidade.
“Que alguém saiba que és um Homem”, é muito mais que um livro de poesia, é uma obra que não deve ser apenas lida, porque as palavras que tacteiam os poemas através da carga simbólica a elas associada e que transportam para “momentos únicos” do nosso autor, devem ser meditadas, reflectidas e verdadeiramente sentidas.



Casimiro Teixeira

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