Que livro este! Antes de mais, quero dizer-vos que adorei a capa (sim, os meus olhos são os primeiros a avisar-me que “preciso” de um determinado livro!). O abraço que se sente ao olhá-la fez-me bem.
Depois, quero referir que é impossível ficar indiferente a esta leitura. Já não é o primeiro livro que leio sobre acontecimentos pessoais de um autor falecido pouco tempo após a sua publicação. Como este. E isso pesa muito. É um relato fortíssimo contado por Ada sobre períodos da sua vida, sobretudo o nascimento de sua filha Daria, portadora de uma incapacidade muito grande, "holoprosencefalia", e a sua luta com um cancro aos cinquenta anos. Passado e presente mesclados criam momentos de muita empatia com esta mulher lutadora, que tudo fez para que a filha tivesse o melhor do mundo (terapia e amor) e que sabe escrever muito bem, com sentimento mas com uma clareza impressionantes.
As suas palavras tiveram tal peso na minha leitura que, mesmo agora, pouco posso falar sobre esses momentos lidos sem vivenciar de novo o que senti na altura. É um retrato visceral que tem um enorme impacto para quem o lê. Estejam preparados para uma leitura forte, impactante, dura, sobre momentos de dor que ninguém devia viver. Considero-o, no entanto, um hino à vida, ao amor.
Uma reflexão profunda sobre a doença, o aborto, a deficiência por parte de quem já cá não está. Este livro recebeu o Prémio Strega 2023. Esta autora italiana não o pode receber em mãos.
Para reler. Recomendadíssimo.
Terminado em 25 de Fevereiro de 2025
Estrelas: 6*
Sinopse
O destino de Daria, a filha, começa a escrever-se quando um diagnóstico
inesperado vem ensombrar o seu nascimento. A vida de Ada, a mãe, sofre
um enorme sobressalto quando, quase aos cinquenta anos, descobre que uma
doença grave lhe consome o corpo e encurta os dias. Mais do que
sentença de morte, o cancro que lhe vai roubando as forças torna-se uma
oportunidade para se dirigir à filha e contar-lhe a sua história.
Tudo passa pelos corpos de Ada e Daria: as lutas quotidianas, a raiva,
os segredos, mas também as alegrias inesperadas e os momentos de uma
ternura infinita. Dilacerantes, as palavras que a mãe oferece à filha
atravessam o tempo – passado e presente entrelaçam-se numa dança que
parece eterna.
Vencedor do prestigiado Prémio Strega 2023, Como o Ar é um
romance de extraordinária força. Relato do inabalável amor entre mãe e
filha, é também uma história de coragem em que cada momento é oferecido
ao leitor como uma dádiva.
Cris