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domingo, 10 de dezembro de 2017

Ao Domingo com... Filipa Sommerfeldt Fernandes


Desde muito pequena que adoro ler. Em miúda, chegava a levar uma lanterna para a cama e a acende-
la debaixo dos lençóis para continuar com a leitura – já depois da minha mãe me ter dado um beijinho de boa noite e apagado a luz.
      Mais do que adorar ler, adoro livros. As bibliotecas fascinam-me... fico emocionada quando olho para paredes enormes e vejo lombadas diferentes de tantos livros que eu ainda não li. Quando viajo, entro nas grandes livrarias e fico por lá, meia perdida, mas entusiasmada folheado, tocando, cheirando... adoro livros!
      Abrir um livro e ler as primeiras linhas pode ser um momento mágico: uma porta que se abre para um mundo que por algum tempo é só nosso. Um mundo em que conseguimos ir muito além das palavras escritas e que nos transporta para o centro de aventuras, emoções, amores, crimes... um livro consegue fazer-nos rir e chorar. Sentir raiva, pena, amor...
      Mas foi só quando fui Mãe, quando senti este Amor maior do que eu, que percebi que também gosto de contar histórias. Muito. Ver os seus olhos brilhar, a respiração parar por segundos quando estou numa parte mais emocionante, rirem-se nos momentos divertidos e engraçados, ficarem sonolentos e tranquilos quando estou mesmo a acabar... é das sensações mais maravilhosas do meu dia. O final perfeito.

Daí que este meu novo livro – o quarto – seja novamente de histórias. Eu sei que o mundo não é cor-de-rosa, mas nas minhas histórias não há bruxas, bichos maus, ninguém quer comer, envenenar ou por ninguém a dormir para sempre...nas minhas histórias há miúdos com “dificuldades” de miúdos: neste caso, com dificuldades para comerem de forma variada, para comerem sem o tablet, para experimentarem alimentos novos...são histórias para divertir, mas também para descomplicar e para que os mais pequenos (e os pais) se revejam e consigam melhorar um momento que deveria ser feliz e tranquilo: o jantar em família.

Trabalho com pais diariamente sobre questões como o sono dos mais pequenos ou a forma como se alimentam. Parecem questões fáceis, mas quando não correm bem podem arruinar a harmonia de uma família. Daí que este livro seja para crianças e para pais. Para além disso, as ilustrações do Pedro Benvindo dão o toque mágico que todos os livros precisam e se arrancar gargalhadas a alguns e ajudar outros a encarar a comida de forma mais pacífica, eu fico muito feliz. Lá em casa as histórias foram todas testadas e...aprovadas. São contadas todos os dias da semana.
Ao domingo à noite torna-se tudo mais especial: são eles que as contam a mim.

Filipa Sommerfeldt Fernandes

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Para Os Mais Pequeninos: Mog, a Gata Esquecida


Uma gata esquecida, que faz disparates atrás de disparates, e que pensa que ninguém gosta dela é o mote para uma história engraçada, cheia de peripécias mas que tem um final feliz!

Mais um livro da Gata Mog para entreter os mais pequeninos! Já aqui vos falei de outro livro de Judith Kerr.

Espreitem algumas imagens para ficarem com uma ideia do conteúdo deste livro que constitui uma bonita prenda para este Natal que aí vem...





Cris

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

"Onde Cantam Os Grilos" de Maria Isaac

Esta é uma história contada por um adulto mas relembrando os seus tempos de menino, criado que foi numa imensa herdade, sem fim à vista. Pelo menos, os seus olhos de menino não queriam muito aproximar-se dos limites dessa herdade que lhe transmitia, assim, segurança e protecção. Nunca soube quem eram os seus pais nem tão pouco como tinha ali vindo parar. Isso não fazia diferença nenhuma. Crescera entre as salas dos patrões e os quartos dos criados e o relato dos acontecimentos é feito com a inocência de quem é criança e de quem deseja muito pertencer ao mundo dos adultos. Os seus segredos, as suas conversas e esse mundo dos crescidos constituiam uma tal tentação que o levavam a escutar frequentemente atrás das portas e em esconderijos secretos...
      Bem cedo o leitor apercebe-se que algo terrível aconteceu e que a tranquilidade vivida na herdade tem os dias contados. Mas o relato continua devagar, os pormenores revelados lentamente. A meio do livro as páginas voam com os segredos que julgamos descortinar... porque aos olhos de uma criança as verdades são dificeis de entender e é sempre nessa perspectiva que a história nos é contada. E, por vezes, aquilo que uma criança revela tem consequências que ela própria não sabe nem consegue prever.
      Entre o revelar acontecimentos e o mantê-los em segredo, a autora soube criar no leitor um interesse crecendo para que, no final, tudo fizesse sentido e tudo fosse explicado. Gostei da escrita contida mas clara, das palavras utilizadas, próprias e adequadas a um menino de 10 anos, que quer desesperadamente, sentir-se em família e que busca a compreensão e o amor. 

Recomendo!

Terminado a 3 de Dezembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
Formiga foi deixado nos degraus da casa da Quinta do Lago, ainda bebé, e desde então que nunca de lá saiu. O mistério da sua chegada são apenas mais algumas linhas acrescentadas à longa história da Quinta e que a assombra de lendas e maldições. São muitos os infortúnios das várias gerações dos Vaz, uma fonte inesgotável de mistérios fascinantes para a imaginação do rapazinho deslumbrado pela vida da família que venera com uma curiosidade atrapalhada. Formiga corre e trepa a árvores, empoleira-se em ramos, faz-se invisível, inventa um pouco de tudo para conseguir acompanhar conversas, ouvir mais uma palavra.

      Mas o último segredo que ele descobre revela-se demasiado grande para a curiosidade bem-intencionada de uma criança, e um erro põem fim à sua infância. Uma história doce e desengonçada, contada na voz de um adulto que fala pela criança que foi um dia.

Cris

domingo, 3 de dezembro de 2017

Ao Domingo com... Cláudia Cruz Santos

Nenhuma Verdade se Escreve no Singular é o meu primeiro romance e quando comecei a escrevê-lo não sabia ainda que se ia transformar num livro. Começou por ser só um conjunto de apontamentos num caderninho de notas que trazia na carteira e que aos poucos fui descobrindo que me ajudava a fugir do quotidiano e a fazer as pazes com a vida.
Nasceu por isso devagar e por acaso, suponho que como grande parte das coisas importantes que nos acontecem. Se quisesse dizer sobre o que é esta história, resumindo-a numa palavra, acho que escolheria “liberdade”. Está sempre em causa a sua procura, quer no plano colectivo de uma sociedade que pretenda ser mais humana, quer no plano individual dos desígnios de cada um.
Amália é o eixo deste livro e é uma juíza. Pelo seu tribunal passam pessoas que foram acusadas pela prática de crimes e que arriscam perder a liberdade se forem condenadas a uma pena de prisão. A juíza sofre cada vez mais com a dificuldade em encontrar uma única e inquestionável verdade que legitime essa decisão de prender, porque por trás de cada acontecimento existem pessoas com versões diferentes. Há demasiadas verdades, sobretudo quando Amália deixa de ver traficantes, homicidas ou ladrões e começa a confrontar-se com a diversidade dos respectivos percursos e com a especificidade dos vários problemas, perguntando-se se as respostas não deviam ser outras e mais diversas.
Por outro lado, na sua vida pessoal, Amália quer ser livre e estar com os outros, mas ainda não sabe como. Acredita que talvez possa encontrar algum sentido de resposta num quadro onde foi pintada uma mulher que está dentro de uma gaiola e que segura as chaves que poderia usar para se libertar. E vai à procura, seguramente dos outros, mas sobretudo de si mesma.
Também para mim este é um livro sobre a minha demanda pessoal de liberdade. Com ele escolhi, mesmo sem o saber no início, tornar-me em quem quero ser.

Cláudia Cruz Santos

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A Escolha do Jorge: “Pequenos Delírios Domésticos”


“Há sítios no mundo que não estão lá.” (p. 69)

Vencedora por duas vezes com o Prémio APE de Novela e Romance, com as suas duas primeiras obras “Que Importa a Fúria do Mar” (2013) e “Não se pode morar nos olhos de um gato” (2016), Ana Margarida de Carvalho presenteia os seus leitores com o seu primeiro livro de contos, publicado recentemente. “Pequenos Delírios Domésticos”, título emprestado a partir de uma letra de Sérgio Godinho, a autora volta novamente a dar cartas no domínio das letras. Se os romances anteriores, pejados de grande fôlego, e revelando, aos poucos, uma escritora que se afirma no contexto da literatura portuguesa contemporânea, esta nova obra, apresenta uma escritora capaz de surpreender também no campo da narrativa breve.
      Partindo de histórias que têm eco na actualidade, nacional e internacional, Ana Margarida de Carvalho introduz-nos Man-hu-el, o jihadista português, treinado na Síria, que regressa a Portugal para cometer um atentado; Saadi, um refugiado sírio, que se faz passar pelo irmão, falecido no decurso da fuga para a Europa; Raji que serve de mediador entre um judeu e um palestiniano, no que concerne ao direito de posse da terra na Cisjordânia. Ou ainda a temática dos refugiados em massa que olham para a Europa como um porto seguro e que são engolidos no mar, nos muitos naufrágios que têm lugar no Mar Mediterrâneo.

      Estes “Pequenos Delírios Domésticos” reflectem, em inúmeras situações, a escrita jornalística da autora. Um olhar atento, crítico, interrogativo também, mostra-nos a realidade, tantas vezes absurda, surreal, mas também caricata, sem perder, no entanto, a oportunidade de esquartejar com a navalhinha da crítica o mundo louco em que vivemos.
     Quem fica indiferente aos múltiplos vídeos nos noticiários sobre a imigração clandestina em massa com que a Europa se defronta nos últimos anos? Perante imagens que nos incomodam ainda que nos deixem, na maior parte dos casos, sem saber como agir, também não ficamos indiferentes a reflexões como “Somos um caixote de caroços, lançados fora, náufragos dos nossos próprios corpos. E o mar, mesmo que não fertilize, está com uma disposição caridosa de acolher.” (p. 43)
      Nos recentes anos da crise vivida sob a égide da troika, foram vários os jovens que, não tendo nada a perder, sem valores, sem estudos, sem referências e já com uma adolescência marcada por pequenos e grandes delitos, aderiram ao jihadismo. Treinados no Médio Oriente e com células espalhadas em toda a Europa, Portugal não escapou à regra, tendo sido até detectada uma dessas células nos arredores de Lisboa. O conto “A troca” refere-nos algo que segue em linha com essa tendência. “Man-hu-el era o único português da companhia. Gabavam-lhe a frieza com que assistia aos chicoteamentos, aos decepamentos e às execuções, a rapidez a manejar armas de alta precisão, a firmeza dos dedos no garrote, a fidelidade com que decorava passagens sagradas. Aprendia rapidamente. Por isso, foi o reconvertido seleccionado para uma missão suicida, considerada de médio impacto.” (p. 23)
      A par deste género de episódios, à autora não escapa uma oportunidade para fazer a crítica social sobre os bairros periféricos da capital e do contraste entre ricos e pobres e pobres que se querem fazer passar por gente bem, mais não seja à conta de uma renovação da casa com o selo do IKEA. A crítica é igualmente extensível à forma como actualmente se faz jornalismo, um jornalismo pobre, de entretenimento das massas e que em nada promove a reflexão dos telespectadores, no caso da televisão, especificamente. É esta a herança jornalística de Ana Margarida de Carvalho que é transposta nestes contos, de forma magistral, como num outro excerto de “A troca”: “Abriu um pouco mais os cortinados, extravagantemente estilizados, que a mãe, sabendo do seu inesperado regresso, correu a comprar no IKEA, nada mais dissonante que o design nórdico estampado às janelas de um prédio-gaiola, quase todas as vidraças enjauladas, como se cada vizinho temesse a avidez do próximo e resguardasse dos outros a pobreza de cada um, num desses bairros que costumam aparecer nos noticiários, enxameados de muito adjectivo, advérbio, pontos de exclamação, tiros e alaridos vários, para entretenimento do espectador, bancada de telejornal.” (pp. 19-20)
      Delírios, devaneios ou estados de alma, a par de situações caricatas que estão no limiar entre a realidade e a ficção, a racionalidade e o absurdo, tornam este livro um verdadeiro deleite para o leitor. Contos como “O nome que te deram antes de nasceres” é provavelmente o mais hilariante e que se relaciona com os mistérios de Fátima e com um dilema, pertinente por sinal, para os habitantes locais. “Como é que pago uma promessa a Fátima, vivendo em Fátima? (…) E a solução chegou-lhe, enfim, tão límpida como uma manhã de Maio, depois do trovejar nocturno. A questão era complicar. Fazer o percurso de rastos, sim, havia de cumpri-lo, mas debaixo do chão. Através de um túnel” (p. 128) E o cumprimento da promessa vai conduzir a um “milagre”, a um acontecimento inusitado, mas esse ficará para o leitor saborear oportunamente.
      Para finalizar e dando um pouco a ideia de eterno retorno, o leitor é esgamado com “Chão zero”, o conto de abertura, que está relacionado com os incêndios de Outubro que devastaram por completo a casa dos bisavós da escritora, numa aldeia do concelho de Santa Comba Dão. É impossível ficar indiferente a este conto, dos mais breves do livro, mas com tanto sentimento, tanta nobreza, tantas memórias. As imagens da tragédia que assolou o país durante meses a fio, num Verão que parecia interminável, Portugal e fogo andaram de mãos dadas e todo um país mergulhou num luto que ainda hoje é incompreensível dados os acontecimentos recentes.
      Se o tempo nos arrasta e estica nas suas rodas com os olhos postos no futuro e num destino que se vai cumprindo, há algo em nós que olha para trás, que procura raízes, uma ordem, uma identificação, pessoal e familiar, cultural também, um passado, tantas vezes ancestral que já não nos pertence, mas que herdámos algo e ao qual pertencemos. A dada altura na vida, perante acontecimentos funestos ou porque a vida assim se nos impõe, procuramos esse Sebald que há em nós. As memórias associadas a objectos, lugares, cheiros, transportam-nos para um universo que procuramos compreender e que tantas vezes nos foge. A vida segue o seu curso rumo ao futuro, mas o passado, com tempo, deixa as suas marcas até porque, inevitavelmente, o procuraremos.
      “A minha infância é um esgoto atravancado de detritos. A minha infância tem esse cheiro a fumo nos cabelos e cinzas debaixo das unhas. Um cansaço granítico, uma velhice súbita nos pés. Não sei se estou dentro ou fora, se saí de ti, se entrei em ti, desconheço-te tão bem quanto te conheço. Perco-me cá dentro, entre restos, sobras, remanescências vãs, numa casa sem bússola, mas se conseguisse subir ao sótão talvez avistasse de lá a serra e a neve no cume, e reconhecia-te outra vez. Como se mantém a vista se não existe janela para me debruçar… Como me agarro ao corrimão de uma escada que já não há… Como avanço pelo corredor de sustos e escuridão, se ele está a céu aberto e não tem princípio, só fim… Como caminho nesta inexistência de chão, feita de vidros, pedras trituradas e pregos – foi o que restou… Como se faz para soterrar algo que me inclui…” (p. 11)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

"Para Lá do Inverno" de Isabel Allende

É facil gostar da escrita corrida e escorreita de Isabel Allende. Assim como é fácil entrar nas histórias que conta e nos personagens que retrata. Prima pela simplicidade nos diálogos e numa forte caracterização dos personagens que levam o leitor a conhecê-los em profundidade através desses mesmos diálogos.

Deste modo, é fácil dizer que se gostou do que se leu. Que se fez parte da história, que se viveu "dentro" dela. Um assassinato, três pessoas que se vêm envolvidas sem querer com um morto e está criado o mote para se falar, como pano de fundo, de um problema gravíssimo que assola quase todo o mundo, a migração clasdestina, o tráfico humano e as máfias que lucram com isso. Ah, e o amor, sempre o amor, que faz com que este romance possa parecer ligeiro. Isabel Allende não se esqueceu de colocar uma pitada de romance que sempre atrai o leitor e derrete o seu coração...

Gostei deste livro, contado num tom ligeiro mas que nos fala com profundidade de alguns problemas que assolam já há muito a nossa sociedade.

Terminado em 27 de Novembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
«No meio do inverno, aprendi por fim que havia em mim um verão invencível.»
Albert Camus 

Isabel Allende parte da célebre frase de Albert Camus para nos apresentar um conjunto de personagens próprios da América contemporânea que se encontram «no mais profundo inverno das suas vidas»: uma mulher chilena, uma jovem imigrante ilegal guatemalteca e um cauteloso professor universitário.

Os três sobrevivem a uma terrível tempestade de neve que se abate sobre Nova Iorque e acabam por perceber que para lá do inverno há espaço para o amor e para o verão invencível que a vida nos oferece quando menos se espera.

Para lá do inverno é um dos romances mais pessoais da autora: uma obra absolutamente atual que aborda a realidade da migração e a identidade da América de hoje através de personagens que encontram a esperança no amor e nas segundas oportunidades.

Cris

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A Convidada Escolhe: "A Menina Silenciosa"

Chateou-me levar este romance policial para todo o lado, contudo sabia que não me iria conseguir separar dele e que todos os momentos livres seriam aproveitados para ler mais um pequeno capítulo. Mais um e não último livro da série Sebastian Bergman. Ainda bem. Não o podia perder e não quero perder o próximo. E assim, um grande livro lê-se num instante.

O início é a percepção de duas crianças. E um assassinato brutal e frio de uma familia com duas crianças. A Unidade de Homicídios da Polícia Sueca como Riksmord é chamada a intervir. A equipa, de cinco elementos, está um tanto desiquilibrada, uma vez que cada um deles se debate com crises pessoais na sequência de acontecimentos anteriores, agravado pela ausência de um dos elementos que se encontra a recuperar. Senti a falta de Ursula. A ligação e interação entre eles e Sebastian Bergman é essencial para o sucesso deste romance. 

Não tão violento como se poderia esperar, consegue supreender com tantas reviravoltas perfeitamente plausíveis e quase casuais. E Sebastian, surge mais conectado com uma testemunha e não só, o que o pode ajudar a recuperar da culpa e da dor da perda da sua própria familia.  Mulherengo, impaciente e arrogante é um psicólogo criminal carismático.

Possivelmente, o melhor livro da série Sebastian Bergman desta dupla de escritores. A perseguição do assassino à única testemunha é realmente trepidante. E o final, mais uma vez, deixou-me admirada e empolgada. A seguir... 

Vera Sopa

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Para os Mais Pequeninos: Ter Um Irmão É...

Como se entende pelo título, este livrinho é especialmente dedicado para aqueles pequeninos que vão
ter um maninho nos tempos mais próximos, e das duas uma: ou estão muito desejosos de o receber ou, pelo contrário, não simpatizam muito com essa ideia.

Para os pequenotes que estão no primeiro caso é um livro perfeito para lhes mostrar o que podem "fazer" com um mano: as brincadeiras em conjunto, sobretudo. Para os não simpatizantes dessa ideia é um livro que os pode fazer mudar de opinião. A amizade crescente entre manos é o foco desta história encantadora. 

Encantadoras são, também, as ilustrações! Ora vejam um pouquito do que se descobre no interior desta história:







Cris

domingo, 26 de novembro de 2017

Ao Domingo com... Susana Amaro Velho

Andei de mão dada com a Alice muitos anos. Como amigas inseparáveis. Ela habitava no meu corpo, instalada num recôndito escondido da minha cabeça criativa. Via-a em muitas coisas. E em muitos espaços. Vejo-a, ainda, claramente, a ganhar forma. A ganhar contornos. A maturar-se. E, sinto, continuarei a vê-la para sempre. 

A Alice será sempre a minha primeira personagem. A primeira a nascer das minhas mãos e cabeça que, tantas vezes, se confrontam porque a cabeça é mais rápida e ganha a corrida. É difícil acompanhar uma mente que absorve tudo, que vê tudo, que procura cheirar, ouvir, respirar o que a envolve. Como se todos os momentos e pessoas se pudessem engolir e viver dentro de mim. 

É, por isso, que escrevo. E que escrevi a Alice. E que, durante tantos e tantos anos, escrevi outros. Os que passaram pela minha vida e a deixaram, depois. Os que nela permanecem. Os que vincam a palavra “saudade” e os que não morrerão, mesmo que as linhas se acabem. É, por isso, que escrevo. Porque viver só não me chega. Ser apenas a Susana é insuficiente. Redutor. Preciso de ser mais. Mais vidas. Mais espaços neste mundo tão vasto e livre. Mais “Alices”. Preciso de construir personagens enquanto me construo e desmistifico.  Preciso de voar como um pássaro e fingir, em linhas, que voar é fácil. Como se, ao mesmo tempo, conseguisse ter asas e habitar num casulo só meu. Um cofre compartimentado onde se arrumam emoções. 

Escrever é andar de mão dada com a Alice. É andar de mão dada com um mundo vestido de cores, de cheiros, de lembranças e anseios. É construir caminhos e traçá-los em capítulos. Assim foi este. Que começou com uma carta de despedida, mas que se transformou num caminho repleto de descobertas e nascimentos. 

Susana Amaro Velho

sábado, 25 de novembro de 2017

Na minha caixa de correio

 

 

Dez Histórias Para Adormecer, sem medos nem birras. Oferta da Manuscrito Editora.
Os outros três foram comprados num alfarrabista. Estavam na lista há algum tempo...

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A Escolha do Jorge: O Anel dos Löwenskölds


É sempre uma lufada de ar fresco quando uma das obras da sueca nobelizada Selma Lagerlöf (1858-1940) é (re)editada. “O Anel dos Löwenskölds” constitui uma das mais recentes apostas da E-Primatur, que não deixa de lado os clássicos da literatura contemporânea, como forma de presentear os seus leitores.
      Ler Selma Lagerlöf é uma aposta segura. Ler Selma Lagerlöf é viajar num mundo de sonhos e de maldições onde o fantástico marca sempre presença em contraponto com o forte pendor ético-moral que se procurava transmitir assente numa base de valores que reflecte a ética protestante. Há uma ordem natural e humana que precisam ser respeitadas integralmente. O sentido de justiça é finamente apurado e tecido ao longo das obras da escritora. As narrativas de Selma Lagerlöf decorrem precisamente entre este período em que ocorre um crime ou algum acontecimento, mesmo com eco no fantástico, e que se desenrolam até apurar a verdade, punir os responsáveis e repor a paz.
      Publicado em 1925, após Selma Lagerlöf ter sido galardoada com o Nobel de Literatura
(1909), “O Anel dos Löwenskölds” segue, de um modo geral, a fórmula utilizada em “O Tesouro” (1903) – obra integrada no Plano Nacional de Leitura -, em que o leitor, nas primeiras páginas, é confrontado com o clamor da natureza face a um crime cometido e naquela localidade portuária, já em plena Primavera, as águas permanecem geladas inviabilizando a circulação dos navios. Somente quando o crime é resolvido e o culpado é punido é que a natureza cumpre o seu ciclo a preceito, restabelecendo, por assim dizer, a ordem natural das coisas e dos homens. Ainda que a narrativa culmine com um happy end, satisfeita a justiça maior e restabelecida a paz, há que manter a ordem e a organização entre as pessoas, há hierarquias a respeitar e trâmites a seguir, mesmo no amor, com pena de todos, os visados e os leitores.
      Quem é que por muito que leia e aprecie a boa literatura não fica fascinado com histórias de maldições, fantasmas, vingança, tragédias e até de amores e desamores? Nas obras de Selma Lagerlöf encontramos todos esses ingredientes, permitindo-nos viajar por mundos em que a linha que divide a racionalidade da irracionalidade se confunde. Esse é um dos segredos e da mestria da escrita de Selma Lagerlöf. Dotada de uma escrita cristalina, doce e cativante, Selma Lagerlöf inscreve-se no grupo de escritores da transição do século XIX para o século XX que marcaram legiões de outros escritores, fascinados pelos enredos e pela escrita. Ler hoje Selma Lagerlöf é perceber claramente onde está o trigo e o joio, quem são os grandes nomes da literatura, perceber os contributos de cada um. Selma Lagerlöf é grande, enorme, um monstro das letras, tendo sido a primeira mulher a ser galardoada com o Nobel de Literatura, em 1909.
      Mas um pouco de enredo desta obra tão peculiar, tão sedutora, que nos faz tremer de tanto prazer por este infindável mundo das letras, mas também o medo vertiginoso que se pode sentir perante uma maldição.
      Bengt Löwensköld é nomeado major-general pelo rei Carlos XII da Suécia na sequência dos seus notáveis préstimos nas Guerras do Norte. A par do título, o major-general recebe igualmente um vistoso anel que constituirá a fonte de todos os males, a maldição, mas a delícia dos leitores ao longo da narrativa. Bengt Löwensköld decide que deverá ser sepultado com o anel. Mas no dia do funeral, um agricultor e a sua esposa entram no túmulo e retiram o anel ao falecido. A região de Värmland é então assolada por uma maldição que atravessa gerações até que o anel regresse ao túmulo do falecido Bengt Löwensköld.

Texto da autoria de Jorge Navarro

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Para os Mais Pequeninos: 10 Histórias Para Comer Sem Birras!

Gostei verdadeiramente deste livro para os mais pequeninos. Com histórias engraçadas e didáticas, todas elas passadas à volta da mesa, das refeiçōes, dos alimentos (os malefícios do açucar verso os benefícios dos vegetais, etc) e das birras! É também sobre educaçāo. Aquela que os pais dāo ou ... nāo dāo. E que deveriam dar. 

Contar muitas histórias a brincar, ensinando tanto os pais como os meninos. As Dicas para os Pais, no final de cada história, pareceram-me muito pertinentes. Despertada tardiamente para fazer da alimentaçāo uma farmácia, tive uma certa inveja dos pais actuais que têm acesso a informaçāo que nāo existia quando os meus filhos eram pequenos. 

Graficamente o livro está perfeito. Por outro lado, as cores abundam fazendo com que a monotonia nāo se instale nas suas páginas: a cor de fundo das páginas, que vai variando, constitui uma explosāo de alegria para quem vai lendo/ouvindo a histōria! 

Uma pérola este livro. Para pais e filhos. Espreitem a página da autora no Facebook - Sleepy Time- Especialista do Sono. Fiquei muito curiosa com seus livros sobre este tema, que deixa muitos pais "doentes", o sono dos bébés ou a falta dele.

Ora vejam:









Cris

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

"Imagina Que Não Estou Aqui" de Adam Haslett

Mal acabei este livro pensei nas estrelas que lhe daria para classificar esta leitura. Nāo menos de 5, de certeza. 

Com uma escrita irrepreensível, este livro revela uma tristeza profunda que passa para o leitor de imediato. Mas, sabiamente, o autor consegue revelá-la de uma forma subtil, consciente que, de outra forma, as lagrimas se soltariam. Assim, elas ficam guardadas porque nāo sāo necessárias. Mas essa tristeza que nos  assola é denominador comum em todas as páginas, fortemente acompanhada também e por outro lado de sentimentos de alívio, esperança e retratos de amor.

Como tema de fundo está o mundo das doenças mentais, de quem sofre de ansiedade e da dependência que os fármacos trazem à vida das pessoas que os tomam. Da instabilidade mas também do amor, da depressāo mas também da uniāo familiar e dos laços invisíveis que unem os cinco personagens retratados com tanta verosimilhança.

Sāo eles que nos contam a sua história. Confesso que o "palavreado" de Michael me cansou em certas alturas mas entendo que se tornava necessário para melhor definir e retratar o seu comportamento obssessivo. Margaret é o pilar da família, o suporte, a bengala dos seus três filhos, Alec, Celia e Michael, e de John, seu marido. E, no entanto, a sua fragilidade é visivel nas suas palavras, no seu discurso. Isso prende o leitor e a empatia criada é imediata.

Um livro muito forte sobre o impacto que as doenças mentais têm na vida familiar em geral e na vida de cada elemento de uma familia em particular. Muito bom! 


Terminado em 18 de Novembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
Quando John, noivo de Margaret, é hospitalizado devido a uma depressão profunda, ela vê-se perante um dilema: avançar com os planos de casamento ou suspendê-los? Margaret decide casar. Esta história inesquecível desenrola-se a partir desse ato de amor. 


No centro da narrativa está o filho mais velho do casal, Michael, um jovem brilhante e apaixonado por música, mas atormentado por ansiedades e comportamentos disfuncionais. Ao longo de quatro décadas, os irmãos mais novos, Celia e Alec, lutam ao lado da mãe para cuidar da existência cada vez mais preocupante e precária de Michael. Alternando os pontos de vista de cada um dos protagonistas, Imagina Que Não Estou Aqui dá vida ao amor de uma mãe pelos filhos, à incontornável dedicação dos irmãos, às implicações do sofrimento de um pai no seio familiar. E não esquece uma derradeira questão: até onde podemos ir para salvar quem mais amamos? 

Para saber mais sobre este livro, aceda ao site da Editorial Presença aqui.

Cris

domingo, 19 de novembro de 2017

Ao Domingo com... Rita Nascimento

Hoje em dia, temos pastelarias tradicionais, gourmet, vintage ou design em cada esquina – mas o melhor da boa e velha pastelaria portuguesa vai passar a estar em sua casa!

Nestas páginas, encontrará receitas para fazer os clássicos mais deliciosos da pastelaria nacional e internacional.

Sim, é mesmo possível fazer, com as suas próprias mãos e na sua cozinha:
- pastéis de nata, de coco e de feijão
- palmiers, mil-folhas, jesuítas e travesseiros
- brioches, pães-de-leite, croissants e pães-de-deus
- bolas-de-berlim, arrufadas, guardanapos e churros
- profiteroles, éclairs e duchesses
- molotofs, farófias e palitos la reine
- queques, húngaros, pirâmides e bolos de arroz
Ponha a mesa e prepare a sala: a melhor pastelaria do bairro vai ser mesmo a SUA casa!

Rita Nascimento

Resultado do Passatempo: Onde Cantam Os Grilos

E quem foi a vencedora deste passatempo que vai receber umas horas muito boas de leitura, quem foi?

Desta feita a sorte calhou a:

- Vânia Janeirinho de Algés

Muitos parabéns, Vânia! Espero que aproveites bem e disfrutes a leitura deste livro tāāāo bom!

A Cultura Editora vai enviar-te o livro muito em breve!

Cris

sábado, 18 de novembro de 2017

Na minha caixa de correio

  

  

 
Ofertados pelas editoras:
Despertar, Bertrand Editora
Receitas com Paixāo, Arte Plural
As Incríveis Aventuras da Super Miúda e As Lágrimas de Aquiles, Clube do Autor

Os restantes foram ganhos nos passatampos de JN.