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quarta-feira, 20 de julho de 2016

A convidada Escolhe: Mataram a Cotovia

"Mataram a Cotovia", Harper Lee, 1960
"To kill a Mockingbird" era um livro que já me tinha sido recomendado e que foi recentemente reeditado na sequência da morte da autora, em Fevereiro deste ano, aos 89 anos.
É um livro admirável, poético, denso, sobre o qual há muito a dizer e reflectir, mas que encerra uma lição essencial: a luta contra a intolerância, o racismo e o preconceito é um caminho difícil, mas inevitável. É um livro sobre a infância, sobre o crescimento, sobre a aprendizagem do mundo dos adultos feita pela jovem Scout, pelo irmão Jem e pelo amigo Dill, colega de aventuras e brincadeiras. O facto de Scout Finch, a narradora, ser uma menina entre os seis e os nove anos permite-nos ver o mundo com os olhos límpidos que só uma criança consegue ter.
A história passa-se nos Estados Unidos, em meados dos anos 30 do século passado, num pequeno condado preconceituoso e fechado sobre si mesmo. Com uma população estratificada, sem grandes motivos de interesse para além da coscuvilhice das senhoras que se encontram para beber chá, fazer obras de caridade e frequentar a igreja, as famílias de gente pobre, ignorante e desempregada que vive paredes meias com a lixeira e a comunidade negra segregada e apenas tolerada porque é mão-de-obra indispensável nos trabalhos domésticos ou nas plantações de algodão, Scout, Jem e o pai Atticus Finch são as personagens principais de onde irradia toda a narrativa.
Scout é uma miúda demasiado avançada que aprendeu a ler sozinha e para quem a escola é um tédio, aliás como para os meninos mais pobres para quem a escola não diz nada, limitando-se a aparecer todos os anos apenas para o primeiro dia de aulas. Scout não se enquadra no padrão estereotipado da menina, nem pela maneira de vestir, nem pelas brincadeiras, nem pelas respostas que dá à professora. Educada pelo pai, um advogado da terra que vive sozinho com os filhos e com a cozinheira Calpurnia, desde sempre o relacionamento entre pai e filhos foi no sentido de desenvolver neles a autonomia, o sentido de justiça e de liberdade, não lhes dando respostas acabadas ou formatadas, antes dando-lhes a possibilidade de aprenderem com os erros e fazendo o seu próprio caminho.
Nas férias de Verão, quando têm a possibilidade de ter o amigo Dill para brincarem, é todo um mundo que se abre de imaginação, de criatividade, de descobertas, de testar limites e vencer os medos, criando o seu próprio espaço de liberdade e de novas aprendizagens. Scout não se livra, porque brinca com dois rapazes ligeiramente mais velhos do que ela, de ser chamada de "menina" sempre que se nega nalguma brincadeira ou tem alguma atitude de medo. Como antes referi é muito interessante o facto de a narradora ser uma criança, porque nos permite ter a percepção que as crianças têm dos pais e dos adultos. Para Scout, o pai que tinha 50 anos era um velho e achava que ele não fazia nada, pois passava o tempo a ler e a escrever no seu escritório e não ia à caça nem fazia nada do que os outros pais dos seus amigos faziam!
A segunda parte do livro corresponde a um período mais avançado na idade dos jovens e na entrada num período menos despreocupado da vida de Scout e de Jem. O irmão deixa de olhar para ela da mesma maneira, as brincadeiras já não são as mesmas, Jem nem sempre tem vontade de alinhar com ela, prefere estar só e nem sempre tem paciência para ela. Por outro lado, por vezes assume um papel mais protector, "resguardando-a" relativamente a certas conversas ou assuntos, o que irrita sobremaneira Scout que detesta sempre que o irmão diz "Isso, ela não percebe." E uma vez, quando o irmão a adverte para que não mate um bicho-de-conta, ela considera que o irmão está cada vez a parecer-se mais com uma rapariga.
É nesta segunda parte do livro, que Scout e Jem pela primeira vez entram no mundo da comunidade negra, que só conheciam pela sua ligação a Calpurnia, a cozinheira. A primeira vez que vão com Calpurnia à Igreja da Alforria descobrem que aquele é um mundo diferente do seu. Uma igreja despojada de adornos ou riquezas, sem livros de hinos, porque praticamente todos são analfabetos, em que se recolhe dinheiro para ajudar os membros da comunidade que estão em situação aflitiva. Mas onde, à semelhança das outras igrejas, a mulher é vista como um ser inferior e impuro, o que não passa despercebido aos sentidos atentos de Scout.
Atticus Finch é um homem só na sua luta contra a segregação e a injustiça e o ter aceitado ser advogado de defesa de um negro acusado de ter violado uma branca, incita sobre ele os ódios, a maledicência e a incompreensão de praticamente toda a comunidade branca, independentemente do estrato social. São admiráveis os capítulos que correspondem ao julgamento de Tom Robinson, o desfilar das testemunhas, os interrogatórios dos advogados de defesa e de acusação, o comportamento do juíz, do público e a enorme lição que para Scout, Jem e Dill também presentes, constitui o veredicto do júri que condena um inocente, fruto do preconceito, do racismo e da ignorância.
Esta é uma história de coragem, de integridade, optimista relativamente ao que há de bom nos seres humanos. O advogado Atticus Finch era um homem genuinamente bom, justo e íntegro, que praticava a igualdade e que acreditava intrinsecamente na bondade dos seres humanos. A única vez que Scout ouviu um dia o pai falar em pecado foi para lhe dizer que podia matar todos os gaios-azuis que encontrasse, caso conseguisse acertar-lhes, mas que era pecado matar uma cotovia. A explicação foi-lhe dada por uma vizinha: "As cotovias não fazem nada a não ser cantar belas melodias para nós. Não estragam os jardins das pessoas, não fazem ninhos nos espigueiros, só sabem cantar com todo o sentimento para nós. É por isso que é pecado matar uma cotovia."
É uma satisfação que esta obra esteja incluída na lista de livros do Plano Nacional de Leitura. Oxalá seja usufruída por muitos/as e muitos/as jovens. Uma lição admirável de cidadania.


Almerinda Bento

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Planeta

Os vencedores deste passatempo, foram:

 

Arnaldo Santos de Santo Tirso.


Pedro Moutinho Freitas de Lisboa

Obrigada à Editora Planeta pela oferta dos livros.
Os vencedores serão contactados via E-mail.
Parabéns!



Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Presença

O vencedor deste passatempo, foi:


Manuela Colaço de Vila Verde

Obrigada à Editorial Presença pela oferta do livro.
A vencedora será contactada via e-mail.
Parabéns!

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Manuscrito

O vencedor deste passatempo foi:


Fernando Carmo de Aveiro.
Carina Pereira de Alhos Vedros.
Vera Loureiro de Abade de Neiva, Barcelos.

Obrigada à editora Manuscrito pela oferta dos livros.
Os vencedores serão contactados via e-mail.
Parabéns!

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / TopSeller

O vencedor deste passatempo foi:


Ana Paula Garcia de Loures.

Obrigada à Editora Topseller pela oferta do livro.
A vencedora será contactada via e-mail.
Parabéns!

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Porto Editora

O vencedor deste passatempo, foi:


Maria Helena Costa de Almada.

Obrigada à Porto Editora pela oferta do livro.
A vencedora será contactada via e-mail.
Parabéns!

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Guerra e Paz

O vencedor deste passatempo, foi:


Ondina Matos de Lisboa

Obrigada à Editora Guerra e Paz pela oferta do livro.
A vencedora será contactada via e-mail.
Parabéns!

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Clube do Autor

Os vencedores deste passatempo, foram:


Carolina Alves de Olhão.


Angelina Costa de Setúbal.


Agostinho Magalhães de Custoias.




Maria Isabel Magalhães de Grijó.


Obrigada à Editora Clube do Autor pela oferta dos livros.
Os vencedores serão contactados via e-mail.
Parabéns!

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Saída de Emergência

O vencedor deste passatempo, foi:


Filipe Martins do Porto.

Obrigada à Editora Saída de Emergência pela oferta do livro.
O vencedor será contactado via e-mail.
Parabéns!

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Bertrand

O vencedor deste passatempo, foi:


Joana Lopes de Leiria.

Obrigada à Editora Bertrand pela oferta do livro.
A vencedora irá ser contactada por e-mail.
Parabéns!

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Marcador

O vencedor deste passatempo, foi:


Catarina Gonçalves de S. Bartolomeu de Messines.

Obrigada à Editora Marcador pela oferta do livro.
A vencedora será contactada via e-mail.
Parabéns!

Resultado do Passatempo 6º Aniversário / Suma de Letras

Os vencedores deste passatempo, foram:


Manuel Palmeira de Lisboa



Vanessa Pereira do Barreiro.


O meu obrigada à Editora Suma de Letras pela oferta dos livros.
Os vencedores serão contactados via e-mail.
Parabéns!

sábado, 16 de julho de 2016

Na minha caixa de correio

  

  

Uma semana em cheio com livros que queria muito ler, todos ofertados pelas editoras! Foram eles:
O Livro das Receitas Vegan de Magda Roma e Mónica Venda, Esfera dos Livros.
O Segredo de João das Regras de Frederico Duarte Carvalho, Planeta.
Refeições de Maria de Magnus M. Barrow, Vogais.
O Fim do Silêncio de Suzanne Redfearn, Topseller.
O Silêncio do Mar de Yrsa Sigurdardöttir, Quetzal.
Segunda Vida de S. J. Watson, Jacarandá.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

"Naquela Ilha" de Ana Simão

Um romance leve e fresco que se lê num dia de férias, bom para uma tarde na praia. Uma escrita simples mas cativante, um enredo um pouco previsível mas que se lê com agrado.

Um amor (impossível?) entre duas pessoas onde a grande diferença de idades pode separar. Golpes do destino fazem perceber que a vida merece ser vivida sem que os preconceitos invadam as nossas decisões.

O cenário onde decorre o enredo e os factos historicos são verídicos o que traz uma mais valia a esta história. Imaginar a Ilha da Berlenga é possível com as belíssimas descrições da autora, mesmo a quem, como eu, ainda não a foi visitar. O medo da grande agitação do mar na travessia (mais uma vez o comprovei nesta obra!) tem-me afastado da ilha...

Para românticas incorrigíveis este romance vem mesmo a calhar. Experimentem.

Terminado em 12 de Julho de 2016

Estrelas : 4*

Sinopse

«Parece que ainda estou a ouvir aquela voz nova. Fecho os olhos e procuro-a dentro de mim. Consigo escutá-la. Gosto dela. É uma voz rouca de mel, serena e macia. Foi a única voz que ouvi quando regressei a mim. Estava tão perto e as outras tão longe. Não sei quanto tempo estive ausente, mas foi aquela voz que me trouxe à vida. Nunca a vou esquecer. Nem quero. Percebi naquele instante que estava viva e em segurança. E isso foi bom. Não sei quem é. Queria tanto agradecer-lhe: salvou-me a vida. Não sei como o vou encontrar. Já perguntei, mas ninguém sabe.»

terça-feira, 12 de julho de 2016

"Mandalas e Haikus" de Inês de Barros Baptista


E porque férias são sinónimo de descontração, deixo-vos aqui uma foto de uma das pinturas mais bonitas que foi feita por aqui nesta semana! A "pintora" Inês, uma amiga cá de casa, anda em artes e suplantou todas as outras pinturas feitas com este belíssimo trabalho, mas o que importa mesmo é pegar em lápis ou canetas e pôr a imaginação a trabalhar... e o cérebro a descansar! A ideia, que li algures, é ocupar as mãos para desocupar a cabeça.



Um obrigado especial ao Clube do Autor que gentilmente ofereceu este livro ao blogue, livro que vai continuar connosco estas férias tanto mais que os haikus, colocados ao lado das imagens, são belíssimos.



Sinopse

A autora é a referência portuguesa da arte-terapia há mais de dez anos.
Pintar enquanto medita ou meditar enquanto pinta. São 40 Mandalas desenhadas à mão e respetivos Haikus. Cada página pode ser destacada para fazer quadros.
Mandala é um termo sânscrito que quer dizer círculo ou círculo sagrado e que, simbolicamente, representa o universo. Haiku é uma composição poética japonesa de três versos que traduz as relações profundas entre o homem e a natureza. Para colorir e meditar!

segunda-feira, 11 de julho de 2016

"Uma Senhora Nunca" de Patrícia Müller

Quem leu Madre Paula percebe a razão que me levou a ler esta obra. A escrita de Patrícia Müller é de tal forma arrebatadora e a trama desse romance histórico tão intensa que leva o leitor a sentir-se parte integrante dela. Adorei Madre Paula, como podem ver aqui.

Sabendo, deste modo, que a escrita da autora era apaixonante e que merecia um acolhimento especial da minha parte, tenho de vos falar, também, de dois factores que influenciaram positivamente a minha vontade de ler esta obra: o título e a capa. Com este título, que parece inacabado, Patrícia Müller deixa-nos imaginar a sua continuação. Uma Senhora Nunca... Com uma crítica social fortíssima a uma época que vai desde 1910 e se estende até 1982, o título consegue acompanhar constantemente os acontecimentos narrados e o leitor nunca se esquece dele. Escolha perfeita!

A capa, por sua vez, para além de esteticamente muito bela, traduz na perfeição aquilo que uma senhora deveria ser segundo os padrões da época. Recatada, serena mas, imaginamos nós, um poço de mistério. Enigmática! Até que ponto esse padrão não seria somente uma fachada? Que pensamentos e acções esconderiam essas senhoras?

Com uma obra de ficção inspirada na sua bisavó, Patricia Müller vai aos poucos contando-nos a história de Maria Laura, dos seus ancendentes e descendentes. Escrita pautada por um humor subtil que cativa o leitor, este romance de época possui, como já referi, uma forte crítica social e lança-nos num turbilhão de emoções ao acompanharmos os segredos e mistérios, os amores e desamores dos personagens. Reconheço que no início não foi fácil entrar na escrita tão peculiar de Patrícia Müller mas ao fim das primeiras cinquenta páginas comecei a sentir-me em casa e a tratar por tu Maria Laura, Policarpo e Maria da Glória, seus pais que tanto a marcaram pela ausência como pela presença constante, Lucinda, sua filha. A eles juntaram-se os amantes, as histórias de amores impossíveis, os segredos bem escondidos, os futuros incertos, a determinação de mulheres que desejavam viver a sua vida sem imposições e até a loucura e a morte, aquela parte do futuro que não conseguimos alterar.

Um romance que recomendo sem dúvida alguma!

Se quiserem espreitar vejam aqui a participação da autora na rúbrica Ao domingo com... em que fala um pouco sobre este seu livro.

Terminado em 9 de Julho de 2016

Estrelas: 5*

Sinopse

A resistência aos turbilhões sentimentais, a vitória da vida sobre o tempo que nos devora. Maria Laura é senhora desde que nasceu. Oriunda de uma família antiga e latifundiária, nunca trabalhou um dia na vida. Casa-se, tem filhos, gere um país próprio - o apartamento onde mora numa zona rica de Lisboa. Cuida de vivos e mortos com uma devoção cristã. Depois, enlouquece de medo e de rancor perante todas as mudanças que vêm com a Revolução de Abril de 1974. Esta é a vida de Maria Laura, da sua insignificância e das suas memórias familiares, mas também é a história de um amor proibido, filho do marido, a da obsessão em cumprir regras que nunca discutiu, a da demência que é a antecâmara da morte - e a resistência aos turbilhões sentimentais, a vitória da vida sobre o tempo que nos devora. Esta é também uma história romântica, violenta e voluptuosa da vida dos seus pais e filhos, extensões naturais dos braços tentaculares da Senhora. E uma narrativa natural, intimista e sexual do século xx: uma família que vive com o poder e a glória - e que tudo perde com o 25 de Abril.

domingo, 10 de julho de 2016

Ao Domingo com... João Leal

Escrevo porque gosto de criar histórias que ainda ninguém imaginou e do
processo de as tentar escrever do modo mais eficaz possível. Acho que entreter alguém é uma tarefa nobre. Gosto do contrato invisível que se estabelece entre o escritor de ficção e o leitor, em que o primeiro propõe um pequeno mundo que o segundo decide aceitar mesmo sabendo que não é a realidade.

O Terra Fresca nasceu numa tarde anónima de fim de semana em que assisti na Internet a uma troca de argumentos acerca de uma questão que divide teólogos há 500 anos. No final dessa acalorada discussão acerca da Predestinação, surgiram-me duas questões. « E se existisse alguém com possibilidade de criar outras pessoas a partir do nada? E se esse criador pudesse definir os pensamentos das suas criaturas, pensando estas que mantinham o livre-arbítrio?»

Pensei então em alguém que, sem o saber, tivesse nascido com essa capacidade e surgiu-me a imagem de uma rapariga a escrever, desesperada, no jardim de um chalet em plena Serra de Sintra.

Vivi com os personagens do Terra Fresca durante quatro anos. Pensei neles várias vezes ao dia e à noite tentava escrever. Entretanto, cá fora, na minha vida, as coisas iam mudando. Nasceu a minha terceira filha, desapareceram-me pessoas importantes, aconteceu-me algo inesperado que desfez o modo como encarava a vida e mudei de cidade. E, enquanto tudo isso ia acontecendo, os personagens lá estavam à minha espera, sempre prontos a avançarem quando eu os ia buscar a esse lugar que a ficção habita dentro de mim, sempre prontos a serem passados para o ecrã do computador ou para a superfície da folha de papel.

Para grande surpresa minha, surgiu, num desses momentos de casting, um dos personagens principais. O meu irmão Daniel não sobreviveu ao nascimento prematuro com 7 meses de gestação. Era três anos mais novo do que eu e sempre me questionei sobre como teria sido a minha vida se ele tivesse nascido e crescido connosco. Mudei-lhe o nome para David, convidei-o para a história, fi-lo conhecer a família Alonso e acabou por ser fundamental para o enredo do Terra Fresca.

Porque escrevo? Porque preciso de exercitar a imaginação. Percebo que poderá não ser tão nobre ou fundamental como outras razões que escritores apresentam. Escrevo para o leitor que sou, não para o escritor que sou.

João Leal

sábado, 9 de julho de 2016

Na minha caixa de correio

 



Ofertas:
Da Elsinore, Preparação Para a Próxima Vida.
Da Marcador, Naquela Ilha.
Da Quetzal, A Partir de Uma História Verdadeira.
Da Arena, Retox.
Do Clube do Autor, Ouro Preto.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Novidade Planeta

O Segredo de João das Regras
de Frederico Duarte Carvalho
Joaquim Barata, o jornalista que sofre de curiosidade insaciável, está remetido a uma vida pacata e a trabalhos de subsistência.
Mas o SIAC vem pôr termo a essa paz doméstica, na pessoa de Orlando Neves e de um pedido aparentemente inocente: ir a um consultório médico perguntar a um reputado psiquiatra da capital o que sabe ele do chamado segredo de João das Regras...
A partir daqui, Joaquim Barata vê-se envolvido numa trama que lhe prova uma vez mais que se «a curiosidade matou o gato» o pode também matar a ele.
Mas estão em jogo muitas mais vidas: as de todos aqueles que calhem a passar numa das mais populosas praças da cidade à hora em que lhe é marcado um encontro propositadamente fatal.
Avisar as vítimas é impossível – resta-lhe confiar nos recursos dos homens da secreta para neutralizarem o assassino e perceber porque é tão letal O Segredo de João das Regras...

Novidade Clube do Autor

Ouro Preto
de Sérgio Luís de Carvalho
Sérgio Luís de Carvalho é autor de uma vasta obra composta essencialmente por romances inspirados em factos reais e livros de divulgação de histórica. Ouro Preto é o título do seu novo romance, um livro que remete o leitor para uma Lisboa deslumbrada pelo brilho do ouro do Brasil e amesquinhada pela pobreza.
Entre a comédia e a tragédia, este romance baseado em factos reais transporta-nos para o cenário ostensivo e bizarro do Portugal setecentista.
Estamos em pleno século XVIII, vivem-se perigosas manobras políticas, segredos de alcova, amores, desamores e traições insinuam-se por detrás das procissões, dos autos de fé e das festas cortesãs. Sejam bem-vindos ao reinado de D. João V, o rei que nos fez sonhar com o ouro preto.

Convite Quetzal


Novidade Casa das Letras

Nem Acredito Que É Saudável
de Sara Oliveira
É possível comer algo saboroso, apetecível e nutricionalmente equilibrado sem abdicar do que é doce!
Ter uma alimentação mais cuidada pode ser fácil, mais constante e sem retorno, neste livro, a autora do blogue Nem acredito que é saudável partilha connosco mais de 50 receitas de saborosos doces saudáveis. Das granolas e barras de cereais para pequenos-almoços nutritivos; biscoitos, bolachas e trufas perfeitos para as pequenas pausas; bolos e muffins que vão fazer as delícias em qualquer lanche; mousses, pudins, gelados e sorvetes que enriquecerão todo o tipo de refeição; aos doces e cremes para barrar que serão um mimo para qualquer ocasião que irá querer partilhar.
O cuidado com os ingredientes e com o tornar algo nutricionalmente mais equilibrado é o caminho daqueles que procuram uma alimentação mais saudável. 
Acredite que é possível, experimente cozinhar, prove, ofereça e partilhe. É tudo uma questão de escolhas!

Novidade Nascente

O Monge Urbano
de Pedram Shojai
Já alguma vez se sentiu culpado por faltar ao ginásio? Já alguma vez se sentiu culpado por faltar a uma aula de ioga? Aprendeu a meditar mas acabou por desistir? Arrepende‑se de não passar tempo suficiente com os seus filhos, com o seu marido ou a sua mulher, com os amigos ou com os seus pais, que estão a envelhecer? Tem uma pilha de livros na mesinha de cabeceira para a qual olha todas as noites, perguntando‑se quando lhes pegará? Já lhe aconteceu regressar de umas férias a sentir‑se esgotado e menos preparado para enfrentar a vida do que antes de partir? Sente‑se stressado, cansado ou simplesmente aborrecido com a rotina em que vive? Bem‑vindo ao mundo moderno.

Novidade TopSeller


quarta-feira, 6 de julho de 2016

"Uma Boa Mulher" de Jill Alexander Essbaum

Como é que um livro, nas suas últimas duas frases, pode ser tão brutal? Não é minha intenção contar-vos nada que transpareça e vos faça perceber o fim desta obra mas gostava de deixar claro o quanto a escrita desta autora nos leva e encaminha para tal final. Mas, no entanto não estamos preparados para esse desfecho, nem tão pouco o desejamos.

Mas comecemos pelo princípio de tudo... Anna, a personagem central, é uma mulher que, decidida a acompanhar o marido para o seu país natal, a Suíça, se vê a braços com sentimentos de insegurança misturados com um enorme tédio. A língua diferente, os costumes desconhecidos e os poucos amigos que conseguiu arranjar são a desculpa (perfeita?) para uma série de adultérios a que não tenta pôr fim. Muito pelo contrário, o sexo voraz comanda a sua vida e vê-se metida em situaçôes que a confundem e a trazem cada vez mais insatisfeita.

A escrita da autora é de uma cadência rápida, intercalando momentos passados com os seus amantes e com questôes colocadas pela psicanalista que frequenta, e momentos presentes, onde se percebe o quanto Anna está cada vez mais enredada nas mentiras que prega ao marido e aos que vivem perto dela.

E se durante todo o livro nos conseguimos distanciar das atitudes de Anna, chegando a criticá-la pelo tamanho das mentiras em que se envolve, já nas últimas páginas isso não é conseguido. A personagem embrenha-se no leitor e nós sentimo-la dentro de nós. E aí a crítica já não sai fácil... Embora não querendo a nossa percepção face à personagem, altera-se.

Escrita profunda, bem conseguida, intensa. Por vezes, explícita sem ser grosseira, porque esporádica. Personagem bem caracterizada, de sentimentos contraditórios reflexo da vida agitada que possui que são descritos de uma forma especial, clara e transparente, criando no leitor um misto de empatia e repulsa.

Ide ler que vale bem a pena! Anna é uma boa mulher. A maior parte das vezes, pelo menos.

Terminado em 4 de Julho de 2016

Estrelas: 5*

Sinopse

Complexo e íntimo, Uma Boa Mulher é a história de uma mulher que enfrenta o vazio no seu casamento e procura dar um novo sentido à sua vida. Este é um romance que explora a sensualidade e o desejo em toda a sua força libertadora e subversiva.