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terça-feira, 21 de Outubro de 2014

A Convidada Escolhe: A Obra ao Negro

Era um livro que tinha na minha estante há já muitos anos, mas cuja leitura fui sempre adiando, até que finalmente me decidi, tanto mais que a personalidade da autora me fascinava, desde que há alguns anos havia lido um livro de George Rousseau sobre a sua vida, editado pelas edições ASA, para além de apreciações muito favoráveis de amigos/as sobre a obra de Marguerite Yourcenar.
A elaboração de "A Obra ao Negro" que partiu de um escrito da juventude da autora, como ela própria explica numa nota no final do livro, foi sujeita a um longo período de maturação, com pausas prolongadas, até que finalmente a autora pegou nas páginas iniciais do seu escrito de 1925 e fez uma obra marcante, publicada em 1968, a qual é considerada uma obra-prima do romance contemporâneo.

A autora criou uma personagem fictícia – Zenão – e com ele construiu um romance histórico que decorre durante o século XVI, ou seja, entre o fim da Idade Média e o início do Renascimento, um período de grandes convulsões e transformações que decorrem da reforma protestante e das suas consequências. Na primeira parte da obra – A Vida Errante – Zenão é um jovem de 20 anos natural de Bruges, onde nasceu e estudou para a vida eclesiástica, mas de onde parte, movido pela vontade de conhecer novos mundos, mas também de se conhecer e superar "A questão, para mim, é ser mais do que um homem." À semelhança de muitos homens da Renascença, Zenão percorreu o mundo, pôde conhecer outras realidades, aprofundou conhecimentos e alargou os seus campos de interesse e com eles as suas inquietações e sede de saber. Zenão tem várias profissões e afasta-se do clericato que lhe teria proporcionado uma vida segura: é alquimista, filósofo e médico. Escolhe o caminho mais difícil, o caminho da descoberta, da experimentação, do risco. Aqueles eram tempos negros dominados pelo terror da peste negra e também pela arbitrariedade dos detentores do poder – a Igreja e o poder temporal – em que a justiça era exercida pelo Santo Ofício em autos de fé, execuções sumárias, enforcamentos, fogueiras! Era o tempo em que todo o descontente era rotulado de protestante. O Concílio de Trento ditava as normas da contra-reforma, "O que não é como eles, é contra eles." considerava Zenão amargamente, ou "Os ventos eram cada vez menos favoráveis à liberdade de opinião".

Apesar de em certa altura Zenão ter regressado à sua terra – A Vida Imóvel – escondendo-se sob um nome falso e exercendo a profissão de médico num hospício, ajudando e curando os mais desfavorecidos, a verdade é que essa clandestinidade foi descoberta e Zenão foi considerado culpado de vários crimes pelos seus escritos, as suas viagens, as suas amizades e companhias: espião, infiel, apóstata, ligado a práticas de magia e sodomia! Num processo cheio de falsidades e contradições, o importante para o Santo Ofício era culpabilizá-lo mesmo que não houvese provas ou elas se baseassem em falsas acusações.

Mesmo no final – A Prisão – quando lhe é proposto que rejeite todo um percurso de vida feito de escolhas e se retrate das ideias que expôs nos seus livros, de modo a protelar um fim ignominioso na fogueira, Zenão mais uma vez escolhe a forma como decide acabar, recusando ser objecto do espectáculo degradante dado ao povo faminto e oprimido mas dominado pela superstição e hipocrisia instituídas, de o ver ser consumido pelas chamas da Inquisição.

Esta obra, cuja elaboração, como antes referi, se prolongou ao longo de décadas de forma descontínua, reflecte um profundo conhecimento e paixão da autora pelo século XVI e por diversas figuras que marcaram a história dessa época, desde reis e raínhas, pintores, filósofos e pensadores, alguns dos quais considerados heréticos pelos seus escritos e obras e que Marguerite Yourcenar retratou em "A Obra ao Negro" através de Zenão e de outras personagens que interagem com o herói deste grande romance.

Não poderei deixar de referir, para terminar, a cuidada e impecável tradução da 2ª edição a que tive acesso, feita por uma equipa de luxo: António Ramos Rosa, Luísa Neto Jorge e Manuel João Gomes

Almerinda Bento

Resultado do passatempo: O Grande Rebanho

E como sei que estão na expectativa para saberem qual foi o resultado e quem foi o vencedor deste passatempo, aqui vai...
Dos 327 participantes/seguidores o Sr. Random escolheu o n* 207 que correspondeu a:

- Daniela Marques Pereira de Esmoriz

Os meus parabéns! Espero que gostes desta leitura. A editora enviar-te-á o livro muito em breve!
Para mais informações sobre o livro ver Editorial Presença aqui...

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

"Haatchi e Litle B" de Wendy Holden

Há livros que leio e fico com uma grande dose de respeito pelas pessoas que neles venho a conhecer. Algumas pessoas conseguem, pela força e coragem demonstradas, construir uma rede de simpatia e admiração infindável. Há quem não goste de ler este tipo de livros. Eu gosto. Porque são inspiradores. Porque com a força que demostram fazem-nos sentir insignificantes mas também cheios de fé no ser humano.

Owen é um menino especial, que nasceu com Síndrome de Schwartz-Jampel, uma doença rara que lhe afeta os musculos provocando-lhe dores e impedindo o seu crescimento normal. Haatchi, é um cão que foi abandonado numa linha de caminho de ferro e que ficou sem uma pata. O amor que os une fez com que Owen, ou Litle B, como é carinhosamente conhecido, ultrapassasse os seus medos e inseguranças por ser diferente. As atenções a que sempre era alvo por ser "diferente" passaram a ser dirigidas a Haatchi, à sua história. Owen passou a comunicar sem medos.

Sem ser de uma forma lamechas, esta obra conta-nos quais as dificuldades por que ambos passaram e quão grande o amor pode ser e transformar quem ama. Haatchi marcou não só a vida do pequeno Litle B mas também a de muitas outras pessoas já que foi treinado como cão de terapia.

Uma lição de vida. Um livro que adorei ler.

Terminado em 13 de Outubro de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

Numa noite gelada em janeiro de 2012, Haatchi, o cão, foi atingido na cabeça e abandonado numa linha de caminho de ferro para ser atropelado por um comboio. O maquinista viu demasiado tarde o adorável pastor-da-anatólia de cinco meses. De alguma forma, o aterrorizado cachorrinho sobreviveu à perda de sangue da pata e cauda parcialmente cortadas e conseguiu rastejar para um lugar seguro.
Felizmente, Haatchi foi resgatado, embora os veterinários não tenham conseguido salvar-lhe a pata e cauda. Um apelo no Facebook chamou a atenção de um casal de bom coração, Colleen Drummond e Will Howkins, que também são o pai e a madrasta de Owen (conhecido na família como Little B, ou seja Little Buddy, «amiguinho»). Um olhar para o focinho expressivo de Haatchi disse-lhes tudo o que precisavam de saber e o sortudo cão mudou-se para casa da família Howkins apenas seis semanas depois de quase ser morto. Owen, agora com oito anos, tem uma doença genética rara que faz com que os seus músculos estejam permanentemente tensos. Em grande parte confinado a uma cadeira de rodas, era um menino reservado e ansioso com dificuldade em fazer amigos. Mas quando Owen acordou na manhã depois de Haatchi chegar, apaixonou-se imediatamente pelo cão mutilado que, por sua vez, acabou por salvá-lo.

sábado, 18 de Outubro de 2014

Na minha caixa de correio


 
  

  



Os Bolos Na Caneca foi aferta da Editorial Presença! Em breve vou experimentar alguns... Não se esqueçam do passatempo que ainda está a decorrer!
Estou Nua E Agora? É emprestado do Segredo dos Livros.
Todos o s outros vieram dos passatempos do JN.



sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Novidade Casa das Letras

Ideias com Amor e Lima
de Maria de Melo Santos
Com quatro ingredientes essenciais, Amor, Confiança, Inspiração e Motivação, apresentamos 89 ideias para fazer você mesma.
Ideias com Amor e Lima desperta o lado mais curioso de cada um de nós e ensina como tornar pequenas ideias em magníficos projetos, através materiais e técnicas simples. Projetos para nós, para os que nos rodeiam, para a casa, como forma de distribuir carinho e viver mais intensamente o dia a dia.
Aprenda a fazer presentes diferentes e especiais, a decorar a sua casa reutilizando materiais ou objetos antigos, a criar os seus próprios eventos sem ter de recorrer a mais ninguém. E delicie-se ainda com receitas inspiradoras e decorações florais de sonho.
Um livro apaixonado que a vai deixar viciada e adepta de trabalhos manuais.

Convite Presença


quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

A Escolha do Jorge: A Tristeza dos Anjos

Depois da publicação do aclamado "Paraíso e Inferno" do islandês Jón Kalman Stefánsson em 2013, eis que a Cavalo de Ferro Editores surpreende os seus leitores com a edição do segundo título da trilogia intitulado "A Tristeza dos Anjos" publicado recentemente.
No volume "Paraíso e Inferno", o rapaz (de quem continuamos sem saber o nome) teve como missão devolver um livro emprestado ao capitão cego Kolbein após o falecimento do seu amigo Barður. Para cumprir tal façanha foi preciso percorrer uma parte considerável da Islândia até chegar ao seu destino.
Sendo órfão, o rapaz foi acolhido e acarinhado por estranhos que não tendo qualquer ligação entre si, tinham a solidão em comum acabando por se unir como se de uma família se tratasse na verdadeira aceção da palavra.
O segundo volume da trilogia "A Tristeza dos Anjos" inicia pouco tempo depois da chegada do rapaz a este núcleo familiar surgindo rapidamente uma nova missão que tem tanto de desafiante como de perigosa que é acompanhar o carteiro Jens numa das suas três a quatro viagens anuais rumo ao norte da Islândia com o objetivo de distribuir a correspondência aos seus habitantes.
Esta viagem assumirá um papel importante da vida do rapaz acabando por funcionar como uma espécie de ritual de passagem da adolescência para a vida adulta atendendo à sua forte ligação ao mundo da literatura e da poesia impedindo-o de certa forma de encarar o mundo com objetividade e realismo.
A viagem longa pelo país-ilha é realizada em pleno inverno, estação do ano que tantas vezes é identificada como o inferno branco naquele que é considerado o fim do mundo atendendo ao vazio humano existente ao longo de muitos quilómetros sem que se aviste vivalma.
A viagem que tem várias paragens para descanso e entrega da correspondência é também um momento de grande alegria para os habitantes perdidos no meio da ilha sem verem qualquer vizinho de aldeias circundantes durante os meses da estação branca. Estas visitas ajudam a quebrar o isolamento, a solidão e a tristeza durante o inverno, além de servir como uma forma de saber as novidades do sul e das localidades circundantes.
Estas visitas que enchem a alma tanto dos viajantes como dos residentes convergem, regra geral, para a importância dos livros na vida das pessoas como forma de aprendizagem, forma de quebrar o isolamento e redenção face ao vazio imenso pelo qual são esmagados durante o longo inverno interrompido somente pelo breve e idílico verão.
A longa jornada do rapaz e de Jens parece ser engolida pela própria natureza que em diversos momentos oferece inúmeros perigos, confundindo-se com a própria vida havendo comunicação permanente entre vivos e mortos através de um véu muito ténue. A dureza extrema do inverno arrasta os humanos para esse limiar entre vivos e mortos na medida em que aqueles que já partiram ora servem de protecção aos vivos, ora tentam a todo o custo arrastá-los para o mundo solitário e eterno conquistado pela morte. São vários os momentos em que é necessário o rapaz e Jens fazer um esforço quase sobre-humano para continuarem vivos, afastando para tal a força e o domínio da morte.
Nesta viagem dura e complexa para o qual o leitor também é arrastado, somos levados a questionar o sentido da vida, bem como a eterna questão desde o início da humanidade relativamente ao nosso destino depois da morte incluindo os bons momentos por que passámos em vida.
Entre perigos vários, vivos e mortos, livros e muitas histórias com bebida à mistura, Jón Kalman Stefánsson volta a conquistar-nos com uma escrita limpa graças à sua simplicidade levantando questões com que também nós nos defrontamos ao longo da vida.
Ficamos assim a aguardar o terceiro volume da trilogia.

Excertos:

"As mulheres aqui no fim do mundo sabem como acordar o fogo do sono e fazem-no todas as manhãs há muitas centenas de anos. Lá fora, no mundo, grandes homens contemplaram o homem e o universo, descobriram planetas; foram criados versos; imperadores, reis e generais destruíram a vida à sua volta. Assim subiu e desceu a história pelo mundo fora, os anos juntam-se em séculos e, durante todo o tempo, as mulheres aqui no fim do mundo acordaram diante de Deus e dos homens para se ajoelharem à lareira e soprarem para os pedaços de feno a que tinham confiado o fogo na noite anterior. Pode demorar até uma hora a despertar o fogo de manhã; sopram até começarem a suar, sopram mas não desistem; o que é a vida sem fogo e rodeada de gelo? Sopram e cansam-se; os seus olhos brilham quando o fumo finalmente surge, ou ficam molhados quando este lhes cai sobre os rostos ao mesmo tempo. O fumo fá-las chorar. É bom chorar aqui. As crianças morrem, os sonhos morrem, o brilho desvanece e desaparece e aqueles que não choram transformam-se em pedra. Elas sopram nas fagulhas e choram porque conseguimos acordar da morte o fogo, mas não as pessoas."(pp. 124-125)

"Os mortos não deambulam pelas montanhas, nem sob o Sol de verão nem no inverno impiedoso, embora, é evidente, devesse ser agora primavera, exceptuando que aqui na Islândia nunca há primavera, para falar a verdade; não conhecemos esse prazer, é inverno e depois chega o verão relutante; não há nada no meio. Os mortos não vão a lado nenhum, simplesmente jazem parados no chão, a sua carne apodrece, os seus ossos transformam-se em pó e terra, e com o passar do tempo tornam-se fertilizante para a vegetação que absorve a luz do Sol e a chuva e anima a existência. Assim, tudo tem o seu objetivo, ou tentamos, por vezes, convencer-nos disso." (p, 218)

"Para onde foram todos os bons momentos que eles viveram; transforma-se em nada na morte? (…) O mar está cheio de vidas afogadas, mas as pessoas só apanham peixe, nunca vidas mortas; o rapaz grita porque não podemos remar para o mar da morte e ir buscar aqueles de que sentimos falta, remexendo-nos à noite numa agonia silenciosa, o que podemos fazer para ir buscar aqueles que partiram demasiado cedo?; a vida não tem qualquer capacidade e não há palavras que possam quebrar as leis, não há frases com poder suficiente para ultrapassar o impossível? (p. 271)
Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

"Não Digas Nada" de Mary Kubica

Que leitura empolgante esta! Aparentemente sabemos com o que lidamos.

Por um lado, a trama decorre com momentos de um passado não muito longínquo: Mia, filha de um juíz demasiado duro e de uma mãe submissa e pouco presente, é raptada. É o "Antes". Sentimos o seu medo ao conviver com o raptor, a sua insegurança. O desespero de sua mãe. A quase indiferença do pai. As buscas dirigidas pelo inspector Gabe.

Por outro, a autora intercala o "Depois" do rapto quando Mia já se encontra em segurança, em casa. O trauma sofrido impede-a de recordar o que lhe aconteceu, a sua mente afastou algo que a incomoda e que desconhecemos por completo. Síndrome de Estocolmo, já ouviram falar?

Varios narradores relatam-nos os acontecimentos e, sobretudo, os seus sentimentos. Mia, claro! Mas também Colin, o seu raptor, Eve, sua mãe e o Inspector Gabe. Com todos, por razões diferentes, criamos uma certa empatia. Vamos balançando os nossos sentimentos entre a repulsa e a quase empatia com o raptor. Sentimentos contraditórios, eu sei, mas que imprimem um ritmo de leitura voraz.

O mistério mantém-se sempre durante todo o livro. Mesmo quando julgamos estar na posse de todos os elementos. E digo "julgamos" porque o final sofre uma reviravolta surpreendente. Afinal, não é isso que se pretende de um bom thriller? Recomendo esta leitura, sobretudo se querem ficar presos às páginas de um livro!

Terminado em 11 de Outubro de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

Um thriller psicológico intenso e de leitura compulsiva, Não Digas Nada revela como, mesmo numa família perfeita, nada é o que parece.
Tenho andado a segui-la nos últimos dias. Sei onde faz as compras de supermercado, a que lavandaria vai, onde trabalha. Nunca falei com ela. Não lhe reconheceria o tom de voz. Não sei a cor dos olhos dela ou como eles ficam quando está assustada. Mas vou saber.
Filha de um juiz de sucesso e de uma figura do jet set reprimida, Mia Dennett sempre lutou contra a vida privilegiada dos pais, e tem um trabalho simples como professora de artes visuais numa escola secundária.
Certa noite, Mia decide, inadvertidamente, sair com um estranho que acabou de conhecer num bar. À primeira vista, Colin Thatcher parece ser um homem modesto e inofensivo. Mas acompanhá-lo acabará por se tornar o pior erro da vida de Mia.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

A Convidada Escolhe: Imperatriz Isabel de Portugal

"Imperatriz Isabel de Portugal" da escritora, historiadora e investigadora Manuela Gonzaga é uma biografia histórica exaustivamente documentada, sobre a que é considerada a princesa mais bela do seu tempo e uma das rainhas mais amadas de Espanha dado o seu casamento com Carlos V, rei de Espanha e Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Como refere a autora, salvo raras exceções, é notória a falta de informação sobre a vida das rainhas na idade média e renascimento pelo que teve que socorrer-se e cotejar várias fontes, nomeadamente as crónicas sobre os homens do seu tempo, pai, irmão, marido. Outra fonte muito utilizada são as muitas cartas trocadas entre a Imperatriz e seu marido durante as longas ausências deste. Na verdade Carlos V, dada a enormidade do seu império e na qualidade de soberano mais poderoso da Cristandade, vê-se sucessivas vezes confrontado com as ambições de Filipe I de França, seu primo e seu principal inimigo, com problemas com o papa e ainda com o perigo turco, o que o leva a enfrentar guerras em várias frentes e ausentar-se de Castela por largos períodos. A Isabel de Portugal, Rainha de Castela e Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico, dada a educação que tivera na corte de seu pai e a fluência com que falava castelhano, não foi difícil desempenhar, de forma altamente positiva, as funções que o Imperador delegava na " mui querida e mui amada mulher", nas suas longas ausências. Isabel nas suas regências enfrentará sempre com grande dignidade e sapiência todas as dificuldades que se lhe apresentam, incluindo a crónica crise financeira e exerceu sempre na perfeição o seu papel de soberana, de esposa e mãe. Foi uma união de amor que se prolongou para além da morte da imperatriz a que o imperador desgostoso sobreviveu 18 anos.

É, assim, uma obra que se lê com agrado, sobre uma princesa de Portugal, bela e inteligente, filha de D. Manuel I e de D. Maria de Aragão e Castela , irmã de D. João III, mãe de Filipe II de Espanha - I de Portugal e avó de D. Sebastião, e que desempenhou um papel altamente importante ao lado de seu marido, na história da Península Ibérica e da Europa na primeira metade do século XVI.
Esta obra, "Imperatriz Isabel de Portugal", inclui cerca de 50 páginas com referências aos documentos, estudos e livros que a historiadora consultou. Contudo, o livro lê-se com o interesse de um romance, deliciando o leitor com todos os detalhes que envolveram não só a vida de Isabel de Portugal como de várias personagens históricas do seu tempo, uma Europa do século XVI, conturbada por inúmeras ambições e interesses e em plena reforma religiosa.

Texto da autoria de Maria Fernanda Pinto

Passatempo "Bolos na Caneca"


O blogue tem para oferecer aos seus seguidores, com o apoio da Editorial Presença, um livro bem docinho, "Bolos na Caneca" de Lene Knudsen.

O passatempo decorre entre 14 e 26 de Outubro.

Para mais informações ver Editorial Presença aqui.

Boa sorte!



segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

"À Beira do Lago Encantado" de Barbara Cartland

Livro pequeno, escrita fluente, romance passado em Inglaterra no reinado de D Eduardo VII, em 1905, intrigas palacianas tempos antes da I Guerra Mundial foi sinónimo de algumas horas mergulhada nas páginas do livro de Barbara Cartland, escritora de quem nunca tinha ouvido falar mas que escreveu mais de 700 livros! Espantados? Pois! Também eu mas fui confirmar na Wikipedia...

É um livro óptimo para quem gosta de um misto de romance de época com algumas pitadinhas de um romance "cor de rosa". Embora saibamos, ou melhor, sintamos que vai acabar bem o amor proibido de Mariska e Arkley, não adivinhamos como se vão desembaraçar dos "problemas" que lhes barram o caminho.

Confesso que gostei especialmente do ambiente da época que a autora soube contextualizar e retratar muito bem, e que, sem isso, na minha opinião, esta obra poderia passar por um simples romance light.

Terminado em 5 de Outubro de 2014

Estrelas: 4*

Sinopse

Marienbad, 1905. A Europa está a preparar-se para a guerra e os países aliam-se uns com os outros e contra outros.
Mariska fica surpreendida e chocada quando o Alto Comando alemão espera que ela faça o papel de espia - e com medo da fúria do marido, caso recuse.
Em Marienbad para informar o rei Eduardo VII dos últimos acontecimentos no palco europeu, Lorde Arkley conhece a bela e infeliz Mariska. Ela é casada com o sádico príncipe Friederich de Wilzenstein, um homem condenado a uma cadeira de rodas pelos efeitos da bomba de um anarquista.
Arkley e Mariska são atraídos para uma assustadora teia de intrigas e espionagem numa história dramática com um final surpreendente.

domingo, 12 de Outubro de 2014

Um Livro Numa Frase



"O sorriso dela ē diferente de todos os sorrisos que eu conheço, não lhe está preso na boca, foge, é como se lhe escapasse para várias partes do corpo."

In "Deixem Falar as Pedras" de David Machado, pág. 13

sábado, 11 de Outubro de 2014

Alex Cross/ Surpresa Topseller

E é tão bom receber um livrinho no Sábado! Foi entregue pelos CTT na sexta mas, como não estava, uma vizinha ficou-me com ele e entregou-mo hoje... Veio com um livrinho para anotações, daqueles óptimos para anotar os livros da wishlist. Obrigada Topseller!



Na minha caixa de correio

  

  

 


Para Sempre e Um avião Sem ela comprei na Feira da Ladra a um preço muito simpático.
No Céu a Olhar Por Mim, foi oferta da Esfera dos livros.
O Grande Rebanho, oferta da Editorial Presença. Aproveitem o passatempo que está a decorrer!
O Palácio de Inverno, foi oferta da Casa das Letras.
Surpreende-me, oferta da Planeta.
O Pintassilgo ganhei num passatempo da Presença!
A Segunda Pele da Acácia Mimosa foi-me gentilmente oferecido pela autora, Ana Gil Campos.
Muito obrigada às editoras que prontamente realizam os meus sonhos...

O Pintassilgo/Foto/Editorial Presença



E com esta foto fui umas das vencedoras do passatempo da Presença e pude escolher um livro das novidades deste mês... Escolhi O Pintassilgo, claro! Já tinha comprado o do Follett... Obrigada Editorial Presença!


sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Novidades Presença

O Grande Rebanho
de Jean Giono
No ano em que se assinala o centenário do início da Primeira Guerra Mundial, a Presença publica aquele que é um dos grandes romances europeus sobre o tema e um clássico da literatura do século XX, O Grande Rebanho. O autor, tendo ele próprio participado no conflito, denuncia os horrores e o absurdo da guerra, descrevendo-os com um realismo chocante em algumas das cenas bélicas mais cruas alguma vez recriadas em termos literários. Temos a perceção da vulnerabilidade da vida humana diante da violência numa visão que é profundamente humanista e que contrapõe sempre a essa violência uma forte presença da natureza e do ser humano.
Para mais informações sobre este livro. consulte a Editorial Presença aqui.


Bolos na Caneca
de Lene Knudsen
Mais de 30 receitas para fazer deliciosos bolos individuais em apenas alguns minutos.
Os bolos são feitos diretamente em canecas ou taças, misturando os ingredientes e levando ao micro-ondas. Perfeitos para várias ocasiões... no intervalo de um filme, à chegada do trabalho, como sobremesa rápida ou simplesmente para satisfazer o desejo de um bolo... ao momento e sem revolucionar a cozinha.
Há muito por onde escolher: bolo de limão, bolo de caramelo, bolo de cenoura, fondant de chocolate, brownie e muito, muito mais!
Para mais informações sobre este livro, consulte a Editorial Presença aqui.

Convite Editorial Planeta


Novidades Planeta

O Homem que era Salazar
de autor anónimo
O autor do presente conto, que não o assina, pois não deseja que, à semelhança do que aconteceu com o actor da história original, o confundam com o personagem principal, espera que não vejam este trabalho com o sentimento de alguém que faz a apologia do salazarismo e do Estado Novo. 
Deseja tão-somente que se faça hoje uma reflexão dos 40 anos de democracia que já temos, sem esquecer os 40 anos de poder que foi dado a Salazar.
É nesta intersecção histórica em que nos encontramos que devemos imaginar como seria Portugal se, tal como aconteceu no caso real de Pedro Montoya, aparecesse por aí novamente o ditador Salazar.
E as consequências deste rompante perdulário foram dramáticas para o povo daquele pequeno-grande
país à beira do Atlântico, a braços com crises de vários tipos, atolado em dívidas e em dúvidas sobre o seu futuro, mas muito consciente das glórias do seu passado...

Surpreende-me
de Megan Maxwell 
Björn é um atraente advogado a quem a vida sempre sorriu. 
É um homem ardente, alérgico ao compromisso e agrada-lhe desfrutar da companhia feminina nos seus jogos sexuais. 
Melanie é uma mulher de acção. Como piloto do exército americano está acostumada a levar a vida ao limite, no entanto, a sua principal missão é a de lutar como mãe solteira pelo bem-estar da filha. 
Quando o destino os põe frente a frente, a tensão entre eles torna-se evidente. O que no começo foi um encontro hostil, pouco a pouco irá converter-se numa atracção irresistível. 
Conseguirão estes dois titãs entender-se?

Novidade Clube do Autor

A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário
de Denis Thériault
Bilodo vive sozinho em Montreal num apartamento que divide com o seu peixinho Bill. É aí que todas as noites passa longas horas lendo a correspondência alheia antes de a entregar aos destinatários. Há muito que o carteiro mantém aquele ritual: Bilodo abre as cartas com cuidado e põe-se a imaginar como serão as vidas daquelas pessoas. É o seu segredo.
É assim que um dia Bilodo descobre as cartas de Ségoléne. Ela corresponde-se com Grandpré, um mestre na arte de bem escrever poesia, e as cartas que ambos trocam são compostas por apenas três linhas. Escrevem poemas haiku um ao outro.
Um dia, durante ronda, o carteiro testemunha um trágico acidente. Grandpré fora atropelado e acaba por morrer. Bilodo toma então uma decisão arriscada: meter-se na pele de Grandpré e continuar a escrever a Ségoléne.
E assim começa uma história de amor, uma relação única, intensa e bela, vivida apenas através das cartas e dos poemas que trocam entre si. Mas durante quanto tempo poderá Bilodo continuar a viver aquela mentira – e aquele amor?
Num registo intimista e tocante, Thériault explora neste livro os temas do amor, do sonho e das dimensões inconscientes do espírito humano.

Novidade Marcador

Doces da Nossa Vida 
de Virgílio Nogueiro Gomes
Percorrendo a história da Doçaria Tradicional Portuguesa, o autor leva-nos por uma viagem que ultrapassa fronteiras. Do açúcar ao chocolate, passando pelo mel e pelos ovos doces. Virgílio Gomes revela-nos segredos salpicados pelas receitas, contextos e ambientes que originaram esses doces que povoam o nosso imaginário. 
É de amor que nos fala este livro. Amor pela família, pelas tradições, pelas raízes. Do amor que se vive e de que se faz uma cozinha.

Novidade TopSeller


Novidade Porto Editora

A Primeira Guerra Mundial
de John Keegan
Há precisamente 100 anos, em 1914, eclodia a Primeira Guerra Mundial. Com ela nascia o mundo moderno e, sem perceber os seus contornos, não se pode ter uma ideia da história do século xx – das origens do nazismo à emergência da Rússia Soviética, do  desmembramento da Europa Central ao crescente poderio do movimento operário, dos conflitos no Médio Oriente à consolidação dos Estados Unidos como potência mundial.
John Keegan, antigo docente da Academia Militar de Sandhurst e especialista em assuntos de Defesa do The Daily Telegraph, dá-nos neste livro um panorama completo e claro desses quatros anos que transformaram a história do nosso mundo.

Novidade Esfera dos Livros

No Céu a Olhar Por Mim
de Marta Aragão Pinto
A notícia atingiu-me como um raio: o meu pai tinha falecido, tinha partido para sempre. Não estava preparada para o que estava a acontecer. Depois da morte da minha mãe, passados dois anos, era o meu pai que me deixava… Sentia que não ia aguentar, que não tinha forças para suportar mais esta perda num tão curto espaço de tempo. Como ia conseguir levantar-me, olhar a vida de frente e arranjar coragem para continuar? Para abraçar as minhas filhas, para apoiar o meu irmão, para continuar a acreditar que a vida ainda merecia ser vivida?
Com a morte da minha mãe senti que um pedaço de mim me tinha sido arrancado. Acompanhei a sua doença, mas nunca acreditei que ela pudesse morrer, mesmo quando a vi fraca e cansada. Não estava preparada. Naquela altura pensei que nunca poderia sentir uma dor maior do que aquela. Mas estava enganada… A vida mostrava-me que era possível uma dor mais profunda: a de quem perde o pai e a mãe. 

Novidade Casa das Letras

O Palácio de Inverno
de Eva Stachniak
A implacável ascensão de Catarina, a Grande, vista através dos olhos da jovem espia da imperatriz na Rússia do século XVIII.
Quando Vavara, uma jovem órfã polaca, chega à ofuscante e perigosa corte da imperatriz Isabel em Sampetersburgo, é iniciada em tarefas que vão desde o espreitar pela fechadura até à arte de seduzir, aprendendo, acima de tudo, a ser silenciosa – e a escutar.
Chega, então, da Prússia Sofia, uma frágil princesa herdeira, a potencial noiva do herdeiro da imperatriz. Incumbida de a vigiar, Vavara em breve se torna sua amiga e confidente e ajuda-a a mover-se por entre as ligações ilícitas e as volúveis e traiçoeiras alianças que dominam a corte.
Mas o destino de Sofia é tornar-se a ilustre Catarina, a Grande. Serão as suas ambições mais elevadas e de longo alcance? Será que nada a deterá para conquistar o poder absoluto?

quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

A Escolha do Jorge: "Menina Julia"

Menina Júlia é uma peça de teatro do sueco August Strindberg (1849-1912) publicada em 1888 e à semelhança de outras obras do autor, a mulher desempenha um papel crucial, nomeadamente no que respeita à sua emancipação sendo colocada numa posição de destaque social que a permite, de alguma forma, levar avante o poder de decisão. Aqui, a Menina Júlia é a filha de um conde e que na noite de S. João, seduz João, um dos empregados de seu pai que é noivo de Cristina, a cozinheira da família. João é levado pelo jogo não inocente da Menina Júlia que, em ambos os casos, não medem as consequências dos seus atos perante a sociedade na medida em que há nítida e claramente uma oposição no que respeita ao grupo social a que cada um pertence.
A história que se desenrola ao longo daquela noite de solstício terá um final trágico muito semelhante ao das tragédias gregas tendo em conta o cunho moral que a envolve.
August Strindberg ainda que defensor da igualdade das mulheres perante os homens, mostra-nos que nem sempre as escolhas das mulheres são as mais acertadas correndo o sério risco de ficar com a cabeça a prémio na medida em que, neste caso concreto, a Menina Júlia, teve de optar entre o julgamento por parte da sociedade e o suicídio. Moral da história: Um simples ato inconsequente poderá originar um conflito ético sem precedentes.
Excertos:
" JOÃO Pega de criados, p*** de lacaios, cala-me essa boca e põe-te a andar daqui! És tu quem me vem ensinar a não ser ordinário? Ninguém da minha condição alguma vez foi tão ordinário como tu foste esta noite. Julgas que alguma rapariga do pessoal seria capaz de se atirar a um homem dessa maneira? Viste alguma vez uma rapariga da minha classe atirar-se assim a um homem? Eu nunca vi. Assim, só os animais e as prostitutas.
JÚLIA (aniquilada) Continua. Bate-me, espezinha-me, que é o que eu mereço. Sou miserável. Mas acode-me! Se há um caminho para sair disto tudo, salva-me.
JOÃO (maior gentileza) Eu não nego a minha parte na honra de a ter seduzido, mas julga que alguém no meu lugar teria arranjado coragem para avançar para si sem sentir que estava a ser chamado? Eu ainda estou espantado…
JÚLIA E orgulhoso.
JOÃO Porque não? Embora deva admitir que uma vitória tão fácil não é razão para perder a cabeça.
JÚLIA Continue a bater-me.
JOÃO (levantando-se) Não. E perdoe-me por tudo o que lhe disse. Nunca bati em quem não se podia defender, sobretudo numa mulher. Não posso negar que estou feliz por ter descoberto que afinal o que nos deslumbrava cá em baixo era só um reflexo da lua e que o dorso do falcão é cinzento também, tão cinzento como o pó que o cobre dessa cor suave, e que as unhas polidas podem encher-se de negro, e que o lenço perfumado às vezes está sujo! O que me custa é ter de me aperceber de que aquilo que eu procurava atingir não é mais elevado, nem mais sólido. Custa-me vê-la caída mais baixo que a sua cozinheira, tal como me custa quando vejo as flores do outono desfeitas pela chuva, transformada em lama.
JÚLIA Está a falar comigo como se fosse já meu superior.
JOÃO E sou. Eu posso fazer de si uma condessa, mas você sabe que não me pode fazer conde.
JÚLIA Mas eu sou filha de um conde, coisa que você nunca poderá ser.
JOÃO Mas poderei ser pai de condes, se…
JÚLIA Você é um ladrão. Eu não sou.
JOÃO Há coisas piores que ser ladrão – muito abaixo disso. Ao serviço de uma casa, eu vejo-me a mim próprio como membro da família, como uma criança da casa, e ninguém vai falar de roubo se a criança colher um morango de um arbusto carregado de frutos. (A sua paixão ressurge) Menina Júlia, você é uma mulher extraordinária, demasiado generosa para um homem como eu. Foi atrás de uma loucura qualquer e agora para remediar o seu erro tenta convencer-se de que me ama. Mas não ama, sente-se atraída pelo meu corpo, o que apenas quer dizer que esse amor não é melhor do que o meu. Eu é que não me sentiria bem a ser visto como um animal e a nunca ganhar o seu amor.
JÚLIA Tem a certeza disso?"
In Menina Júlia de August Strindberg, pp. 50-52
Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

"Serpentina" de Mário Zambujal

Quando leio um livro de Mário Zambujal sei o que espero e tenho-o como garantido! Um livro com uma história divertida, cheio de humor e pequenos detalhes que me fazer sorrir amiúde!

Foi assim com "Histórias do Fim da Rua" e "Cafuné".
Foi assim com "Serpentina" também! Bruno D. L. Bracelim é o personagem principal e narrador desta divertida história. Criança enferma e débil, foi criada com a madrinha, senhora rica e de posses. Os pais emigraram para um tal de estrangeiro com o irmão. As peripécias por que passa posteriormente e o discurso muito sui generis adotado pelo autor fazem-nos encarar esta divertida história de uma forma leve mas, ao mesmo tempo, surpreendente, transformando uma história simples em algo especial.

Creio que fica demonstrado, mais uma vez, que as palavras possuem um poder inaudito. É a forma de as colocar no papel que estabelece a diferença entre um romance banal e um especial. Mário Zambujal escolhe-as com mestria, revelando um humor subtil que me encantou verdadeiramente.

Escrevendo estrangeirismos em português, como é o caso de "pê-jota", "imeile", "tualete", "pê-esse-pê", faz-nos sorrir frequentemente. A boa disposição é uma constante neste livro! Era  essa a intenção do autor? Objectivo amplamente atingido!

Terminado em 4 de Outubro de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

Para Mário Zambujal, o mais importante é saber que os leitores se divertem com os seus livros. É nisso que se concentra quando agarra na caneta e se põe a imaginar peripécias, enredos e personagens. Serpentina não fugiu à regra e arrisca-se a ser o romance mais divertido do ano.
Nele acompanhamos as reviravoltas na vida de Bruno Bracelim - primeiro a partida da família para o Canadá, quando ainda menino, e depois um acidente de trânsito, já em adulto - e divertimo-nos com as situações armadilhadas de um destino tão imprevisível quanto animado.
Num estilo inconfundível, eis um supremo divertimento em que a imaginação e o humor se entrelaçam com a reflexão e a emoção.

terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Passatempo "O Grande Rebanho"


Há muito tempo que não tinhamos aqui um passatempo! Este vai agradar certamente aos leitores que, como eu, adoram livros no tempo da I e II Guerra!

Assim O Tempo Entre os Meus Livros, com o apoio da Editorial Presença, tem para sortear pelos seus seguidores um exemplar de "O Grande Rebanho" de Jean Giono a quem responder acertadamente às questões colocadas.

Para mais informações sobre o livro, ver Editorial Presença aqui.

O passatempo decorre entre 7 a 19 de Outubro.

Boa sorte!

segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

"Madre Paula" de Patrícia Müller

É muito bom poder apreciar um romance e com ele ficar a conhecer melhor a nossa História! História que foi fértil em amores entre os nossos reis e plebeias. D. João V ficou conhecido pelos seus inúmeros "casos" breves e ligeiros mas sobretudo pelos amores com Soror Paula que se prolongou por treze anos.

Amor carregado episódios de raiva por parte de Paula mas também de uma forte entrega física e possuidor de uma inquietação permanente, por ambas as partes, que tinha origem num amor explosivo que só podia ser vivido dentro das portas do Convento de Odivelas.

A autora soube captar muito bem o ambiente da época com uma escrita simples mas intensa, promenorizada q.b. sem ser massuda, transportando-nos facilmente para a época, fazendo-nos visualizar muito bem com as suas descrições, os locais, as personagens e, principalmente, os seus sentimentos.

"Apaixonei-me pelo poder, amei o homem por detrás dele." Num tom intimista ficamos a conhecer, através do relado de Madre Paula, tanto o seu amor desmedido pelo rei e mais tarde por José, filho desse amor, como a sua imensa sede de poder. Filha de um ourives pobre que se viu obrigado a colocar duas das filhas num convento por não ter condições de as sustentar, Madre Paula sentiu-se excluída e maltratada por suas companheiras de convento, muito ricas. Poder vingar-se estava nos seus sonhos, esteve posteriormente nas suas mãos...

Gostei muito deste romance histórico sobretudo porque Patrícia Müller soube com mestria fazer-me recuar no tempo e participar, qual personagem escondido, em todos os episódios deste amor arrojado e proibido! Recomendo!

Terminado em 2 de Outubro de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

Lisboa, início do século XVIII da Graça de El Rei D. João V. Paula, a filha pobre de um ourives, deixa a azáfama das ruas de Lisboa para ingressar no Mosteiro de São Dinis, em Odivelas. Não é Deus quem a chama, mas sim a necessidade de um pai que já não a pode sustentar. Quis o destino, porém, que aquela rapariga de pé descalço se viesse a tornar na mais conhecida freira da nossa história. E numa das mulheres mais poderosas de um reino que vivia no extravagante esplendor pago com os escravos de África, com o ouro do Brasil…
Madre Paula é a história desse amor proibido, entre o Rei-Sol português, D. João V, e a famigerada freira de Odivelas. Um amor intenso, maior que tudo, que levou o rei a ignorar o bom senso e a tomar a freira como amante, confidente e conselheira.
D. João V sempre teve uma predileção por mulheres bonitas, mas Paula foi o seu grande amor. Permaneceram juntos, secretamente, mais de uma década, e chegaram a ter um filho. A história entre um dos homens mais poderosos do mundo e a plebeia que a Deus traiu inscreve-se na categoria de mito, mas é bem real, nas páginas do romance de estreia de Patrícia Müller. Juntos enfrentaram intrigas palacianas, a ameaça do castigo divino, o ciúme e os jogos de poder. E a quase tudo resistiram - pois durante uma década, para D. João V, Madre Paula foi a sua única e verdadeira rainha.

domingo, 5 de Outubro de 2014

Ao Domingo com... Ana Gil Campos

Hoje, eu e o leitor passamos o Domingo aqui, neste espaço da Cristina, O tempo entre os meus livros. Obrigada por nos receber tão bem, Cristina. Mas como a Internet tem o poder mágico de nos transportar para sítios onde não imaginávamos estar, está aqui comigo, caro leitor, na sala da minha casa em São Paulo. Provavelmente já tinha escutado o barulho constante dos carros e das motos apesar de ser Domingo. Eu já não os ouço. Passa um avião tão perto que arrasta consigo todos os sons da cidade. Já passou. Voltam os sons dos transportes terrestres. Da varanda vemos edifícios e edifícios que parecem construir uma cidade gigante de legos. Aquelas copas verdes e densas pertencem ao Museu da Casa Brasileira. É lá que os pássaros vivem e onde cantam e dançam músicas tropicais. Havemos de lá ir noutro dia. É servido de chá? Sente o aroma doce dos frutos vermelhos? É o meu preferido. Espero que goste também. Não se queime! Acabei de o fazer. 

Como é Domingo vou contar-lhe três segredos… Sente-se no sofá, por favor. O Domingo é o dia perfeito para se contar e escutar segredos. Se contamos segredos é porque queremos que alguém os ouça, mas, para se saber escutar segredos é necessário disponibilidade de tempo. O Domingo é perfeito para isso. Precisamos de tempo para que, ao escutarmos um segredo, este não ganhe mais ou menos importância do que realmente tem.

O primeiro segredo que lhe conto é como me sinto neste momento. Sinto uma ansiedade perfeita da conjugação da saudade que se irá dissipar, porque brevemente regresso ao meu país, com o entusiasmo pelo dia do lançamento da obra A Segunda Pele da Acácia Mimosa, a história da Sara, uma maçona do séc. XXI que descobre o verdadeiro segredo maçónico. Vivo estes dias que confluem apressados para uma ansiedade feliz.

O segundo segredo que lhe conto é algo que ainda não contei a ninguém… Não. Não vou revelar o segredo maçónico. Esse segredo pertence à Sara. O segredo que lhe conto é o motivo que me levou a escrever sobra a maçonaria. É muito simples. Tinha um buraco enorme dentro do mim. Um buraco criado pela curiosidade em saber mais sobre a maçonaria, especialmente sobre a maçonaria feminina. Assim, resolvi preencher este buraco com conhecimento e foi assim que nasceu a Sara.

O terceiro segredo… O terceiro segredo é algo que quero mostrar… Mas que vontade de lhe contar! Não posso. Não me leve a mal mas quero mostrar este segredo no dia do lançamento da obra A Segunda Pele da Acácia Mimosa. Além disso, não é um segredo que se escuta, é um segredo que se toca, que se sente. Não, não se trata do livro, isso seria muito evidente. É outra coisa que quero mostrar no dia 24 de Outubro. Mas que vontade de contar-lhe agora aquilo que vou mostrar! Não posso. Tenho de me controlar.

Até breve. Um bom resto de Domingo e, se puder, abrace e beije quem ama, com o coração aberto. Diga o quanto ama àqueles que ama sem os empecilhos da vergonha, do receio ou da preguiça. O tempo passa em segundos cheios de pressa. Enquanto não sabemos o futuro, o nosso futuro é o nosso presente, e não há nada mais valioso na vida do que poder sentir neste futuro presente o brilho do olhar de quem mais amamos.

Com estima,
Ana Gil Campos

Biografia
Ana Gil Campos, bracarense que divide o seu tempo entre o Porto e São Paulo, escreve o primeiro romance, A Segunda Pele da Acácia Mimosa. Colaborou com a revista Exame de 2011 a 2013 e escreveu para o Expresso de 2009 a 2014. Mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade do Porto, afirma que não escolheu ser escritora mas que foi a escrita que lhe exigiu atenção desde muito cedo como uma necessidade irrequieta e vital. Para si viver é entregar-se de forma nua e sequiosa à escrita. Atualmente escreve o seu segundo romance e dedica-se com regularidade ao seu blog (www.anagilcampos.blogspot.com).

sábado, 4 de Outubro de 2014

Na minha caixa de correio

  




Do Clube do Autor, o novo livro de Mário Zambujal, um autor que aprecio muito: Serpentina.
Da Marcador, Lusitana Fado (que capa linda, ah?)
Do Liga e Ganha vieram 3 livros,  A Viagem dos Cem Passos,  D. Maria II e A Família Sogliano.
Comprádos em segunda mão, os dois primeiros volumes de uma trilogia: Autlander