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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Na minha caixa de correio


Esta semana o correio cá de casa andou mais folgado...
Da editora Companhia das Letras recebi A Resistência de Julian Fuks. Muito obrigada!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Resultado do Passatempo "Filipa de Lencastre"

Anunciamos finalmente o resultado do passatempo onde, com a gentil colaboração dos Livros Horizonte, sorteámos um exemplar do livro de Isabel Stilwell, D. Filipa de Lencastre, a Rainha Que Mudou Portugal.

Não posso deixar de vos dizer o quanto gostei deste livro. A escrita desta autora é imperdível. Consegue relatar-nos acontecimentos históricos com tanta paixão e pormenores que nos perdemos nessas vidas dos que foram nossos reis. Adorei! Para a semana sairá a minha opinião...

Mas voltando ao que aqui me trouxe: dos 237 participantes foi seleccionado pelo Sr. Random o n* 11 que corresponde a:

- Marília Gonçalves de Lisboa.

Muitos parabéns Marília! Espero que gostes desta leitura tanto ou mais do que eu!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A Escolha do Jorge: "O Universo Concentracionário"

David Rousset (1912-1997) é um dos mais prestigiados filósofos franceses do século XX. A sua experiência nos campos de concentração de Buchenwald e Neuengamme, entre 1943 e 1945, serviram de base à publicação de "O Universo Concentracionário", em 1945, poucos meses após o final da 2ª Guerra Mundial.
Parco em palavras e com frases de um modo geral curtas, David Rousset assenta a sua tese nas questões essenciais de ordem técnica do Nacional-Socialismo que desde a ascensão de Hitler ao poder houve a necessidade de "mistificar" a realidade social, económica e política apresentando os "responsáveis" a perseguir, a saber "o comunista, o judeu e o democrata (p. 73) relegando-os para campos de trabalho forçado cuja finalidade era a morte, adiada por três a quatro meses. Fortemente assente na propaganda, o Nacional-Socialismo compreendeu desde cedo que só por esta via toda a sociedade seria mobilizada, passando por uma lavagem ao cérebro intensa, desenvolvendo em paralelo uma verdadeira indústria da morte.
Muitas vezes mal interpretado pelas suas ideias, David Rousset opta por refletir sobre "o osso em detrimento da carne" na medida em que compreendendo a fonte compreendemos de forma (quase) dedutiva toda a máquina que vitimou milhões de pessoas. As histórias particulares raras ou poucas vezes têm um nome associado ao longo do ensaio e quando assim acontece é somente com o objetivo de encorpar uma dada ideia, de exemplificar em concreto um pensamento. Neste ensaio o judeu não é destacado em detrimento do comunista ou do social-democrata, igualmente perseguidos, detidos e aniquilados. Os perseguidos encontram-se todos em pé de igualdade e ao serviço da grande máquina de guerra.
"O Universo Concentracionário" é um pequeno ensaio dado as poucas mais de cem páginas que o constituem, no entanto, dada a complexidade que apresenta e a dureza de algumas ideias que caem como pedradas no charco capazes de esmagar o leitor. Apresenta-se também como uma obra de referência para os estudiosos sobre os campos de concentração durante a 2ª Guerra Mundial tendo sido um dos contributos mais importantes na obra "As Origens do Totalitarismo" de Hannah Arendt.
A par de "Se Isto é um Homem" de Primo Levi, "O Universo Concentracionário" de David Rousset constituem duas faces da mesma moeda, na medida em que no caso específico de Primo Levi apresenta a sua experiência pessoal com inúmeras descrições desde a sua prisão, deportação para Auschwitz e libertação. Paralelamente às suas experiências pessoais, Primo Levi, engenheiro químico, apresentou ao mundo não só uma importante obra de cariz histórico, mas é também do ponto de vista literário uma das obras de referência da segunda metade do século XX constituindo um importante registo com a missão de manter a História viva e que a Humanidade não volte a conhecer tamanhas atrocidades que envergonham e magoam o ser humano na sua essência, naquilo que de mais belo tem.
O leitor não vai encontrar em "O Universo Concentracionário" a descrição de experiências do género das de Primo Levi, não que o autor seja uma pessoa desprovida de emoções e sentimentos, mas o objetivo é explicar e compreender a máquina, o universo concentracionário, a base que levou ao extermínio em massa. David Rousset aborda a questão da burocracia excessiva, as hierarquias, os mecanismos de tortura, a corrupção entre aqueles que de alguma forma exercem o poder sobre um determinado número de reclusos sendo eles próprios também reclusos nalgumas situações, e ainda a máquina psicológica tão bem oleada capaz de transformar o recluso num verdadeiro "cadáver vivo" até ao seu extermínio inevitável.
"Os campos, pela sua existência, instalam na sociedade um pesadelo destrutivo, eternamente presente, à mão de semear. A morte apaga-se. A tortura triunfa, sempre viva e activa, pairando como um arco sobre o mundo aterrado dos homens. Não se trata somente de reduzir ou paralisar uma oposição. A arma é singularmente de uma eficiência muito maior. Os campos castram os cérebros libres.
Os campos: sombrias e altaneiras cidades solitárias da expiação; o que justifica o «desporto» nos campos em estado puro, a tortura nua como uma espada nova sempre desembainhada. O trabalho é entendido como meio de castigo. Os concentracionários-mão-de-obra são de interesse secundário, preocupação alheia à natureza íntima do universo concentracionário. Psicologicamente, cimenta-se através do sadismo de obrigar os detidos a consolidarem os instrumentos do seu aniquilamento." (pp. 70-71)
Há passagens em "O Universo Concentracionário" em que o leitor é obrigado a parar e reler novamente face a algumas ideias que à primeira vista possam ser interpretadas como inacreditáveis, chocantes até. Pessoalmente, foi a primeira vez que li uma obra sobre campos de concentração que apresenta as questões nestes termos, chegando a ironizar e até a fazer algum humor como forma de sobrevivência (que poderia ser interpretado como desdém ou simplesmente como piada de mau gosto) e, a meu ver, parece-me que é esse um dos pontos em que reside a originalidade do pensamento de David Rousset. Por essa razão, esta obra constitui um importante documento do ponto de vista histórico e também filosófico e que, à semelhança das obras de Primo Levi, remetem para a necessidade da manutenção da memória histórica.
Face ao exposto e concretizando com as palavras do próprio David Rousset, o que pensar sobre os campos de concentração e nos milhões de vítimas da máquina de morte nazi, a saber:
"Ainda é muito cedo para fazer o balanço positivo da experiência concentracionária, mas ele revela-se desde já rico. Tomada de consciência dinâmica do poder e da beleza do facto de viver, em si, brutal, desprovido completamente de todas as superestruturas, de viver mesmo no meio das piores derrocadas ou dos mais graves retrocessos. Uma frescura sensual da alegria edificada sobre a mais completa ciência dos escombros e, por consequência, um endurecimento na acção, uma obstinação nas decisões, em resumo, uma saúde mais vasta e intensamente criadora." (p. 111)
David Rousset teve um papel fundamental não só no que respeita ao tema que alude em "O Universo Concentracionário" remetido para o capítulo negro que a Humanidade conheceu durante a 2ª Guerra Mundial, mas também exerceu uma voz determinante na denúncia dos crimes cometidos pelo regime totalitário comunista na União Soviética nos anos que se seguiram à guerra sendo uma realidade desde os anos 20 que arrastou milhões de cidadãos para a realidade dura e desumana dos gulags que em tantos aspetos se assemelham aos campos de concentração nazis.
David Rousset deixa ainda, em jeito de conclusão, um alerta para a sociedade alemã (e também para a humanidade) sobre o perigo das estruturas herdadas do Nacional-Socialismo na nova estrutura socioeconómica e política em construção no pós-guerra. As suas considerações têm um impacto de tal forma clarividente que atravessa décadas, cujo alerta (ou aviso) assenta como uma luva nas sucessivas encruzilhadas face às sucessivas manipulações a que o mundo está sujeito em detrimento dos poderes em confronto existentes na tentativa de dividir para reinar.
"A existência dos campos é um aviso. A sociedade alemã, quer devido à sua estrutura económica quer à dureza da crise que a arruinou, conheceu uma decomposição ainda excepcional na actual conjuntura do mundo. Mas seria fácil mostrar que os traços mais característicos, não só da mentalidade S.S. como também dos alicerces sociais, se encontram em muitos outros sectores da sociedade mundial. Menos pronunciados, porém, e certamente sem medida comum com os desenvolvimentos conhecidos no Grande Reich. Trata-se apenas de uma questão de circunstâncias. Seria um logro, e criminoso, pretender que é impossível aos outros povos fazerem uma experiência semelhante por terem uma natureza diferente. A Alemanha interpretou com a originalidade inerente à sua história a crise que a levou ao universo concentracionário. Mas a existência e o mecanismo desta crise ligam-se aos fundamentos económicos e sociais do capitalismo e do imperialismo. Sob um novo figurino, ainda podem aparecer amanhã efeitos semelhantes. Trata-se, por conseguinte, de travar uma batalha muito precisa. O balanço concentracionário é, quanto a isto, um maravilhoso arsenal de guerra. Os antifascistas alemães internados há mais de dez anos devem ser preciosos companheiros de luta." (pp. 111-112)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

"A Filha Desaparecida" de Jane Shemilt

Gosto tanto quando um livro prende a minha atenção completamente! Porque, às vezes, estou a ler sem ler e, no fim da página, dou-me conta disso tendo de voltar e reler essas partes que deixaram a minha imaginação fugir...

Definitivamente não foi o caso desta leitura. A narradora, por quem sentimos uma empatia imediata, conta-nos a sua história. Acreditando pertencer a uma família feliz, Jenny sente-se afortunada por possuir uma carreira plena de sucessos, uma família onde os seus três filhos constituem o centro e uma marido atencioso. Acredita plenamente nisso e sente-se grata também. Quando a sua filha de quinze anos desaparece misteriosamente o seu mundo começa a ruir aos poucos.

Nada do que referi da história parece inédito. Então, o que levou a que quisesse desesperadamente chegar ao fim destas páginas, saber o final da história? Creio que o segredo é pegar em situações comuns e dar-lhes um toque íntimo. Neste caso, a narradora confia-nos os seus segredos, os seus pensamentos, os seus medos, as suas fraquezas numa confidência que nos conquista completamente e torna-nos ávidos! Queremos acabar com o seu sofrimento trazendo-lhe a filha de volta!

O fio condutor desta história é o mesmo e mantém-se durante todas as páginas do livro: que aconteceu a Naomi? Um relato muito fiel do que deverá ser o desaparecimento de um filho.

Gostei muito e recomendo!

Terminado em 6 de Fevereiro de 2016

Estrelas: 5*

Sinopse

As horas passam mas Naomi não aparece. A noite avança e Jenny desespera. A filha adolescente já devia ter voltado da escola, onde participou numa peça de teatro. A vida de Jenny, uma médica casada com um neurocirurgião de sucesso, está prestes a mudar.
Um ano depois da noite fatídica, Naomi continua desaparecida. A polícia procurou em vão e os piores cenários (rapto ou homicídio) parecem hipóteses remotas. A busca obsessiva de Jenny, que não desiste da filha, sugere outra explicação: as pessoas em quem confiava e que julgava conhecer têm escondido segredos - sobretudo a própria Naomi.

Para mais informações sobre este livro, consulte o site da Editorial Presença aqui.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A Convidada Escolhe: "O Que o Dia Deve à Noite"

É um romance pungente. Passa-se na Argélia colonizada, num ambiente habitado por pessoas tristes, oprimidas e desamparadas, em que a vida de Younes/Jonas e da sua família é marcada pelo peso da fatalidade e de um destino inelutável e de sujeição aos desígnios de um deus. A partida da aldeia para a cidade de Orão é o primeiro confronto com um mundo totalmente desconhecido, não só pelas construções modernas e requintadas dos bairros ricos, habitados por uma elite essencialmente europeia, mas também pelos padrões de vida em que as mulheres não usavam véu, ao invés daquilo a que estava habituado na sua aldeia recôndita, onde as mulheres se deviam afastar e esconder-se quando algum homem se aproximava de casa. Mas também a cidade rica tem o seu reverso: os bairros miseráveis que iam crescendo com os que fugiam da pobreza em busca de uma ilusória vida melhor. Foi para aí que a família de Younes foi viver na busca da dignidade, mas mais uma vez, é a "selva" e a lei do mais forte que se impõem ao quotidiano do jovem muçulmano. Só a solidariedade natural entre as mulheres que habitam aquele bairro miserável consegue gerar alguma humanidade no quotidiano deprimente e hostil em que se movem.

A separação dos pais é a resposta que o pai de Younes encontra para dar algum futuro ao filho. A mudança para casa de um tio farmacêutico, ligado a círculos da intelectualidade política nacionalista é um choque, pois é um corte afectivo doloroso, apesar do amor que os tios lhe dispensam, tratando-o como um filho. Já aquando da saída da aldeia, Younes tinha sido obrigado a deixar para trás o seu cão, seu único amigo e confidente e agora era dos pais e da irmã que se via privado.
Com uma personalidade solitária e introvertida, incapaz de assumir uma postura de luta pela sobrevivência no mundo hostil dos miúdos agressivos e brutamontes do bairro miserável, Younes/Jonas vive o sofrimento e o mal-estar de alguém que não está bem com a sua condição, que se sente perdido e desenraizado. A guerra rebenta na Europa; na Argélia a resistência ao colonialismo começa a dar sinais de vida, a repressão dos manifestantes pela independência é feroz e milhares de muçulmanos são massacrados. O racismo contra os árabes está latente e Younes é confrontado com essa realidade. Há uma ambivalência e uma indefinição nele próprio, até na forma como é visto pelos outros e por ele mesmo: Younes o muçulmano, ou Jonas o europeu? É claro que numa sociedade em grande tensão e conflito, um dia Younes/Jonas terá de escolher um lado.

O seu estatuto social como filho adoptivo do farmacêutico põe-no em contacto com outros jovens que irão marcar o seu destino. É um período feliz e despreocupado marcado pelos verões na praia, os bailes, os encontros e desencontros amorosos, os ciúmes, sendo que ele e os três amigos eram "inseparáveis como os dentes dum garfo, vivíamos para nós próprios e o mundo éramos nós os quatro." Émilie torna-se o objecto da paixão dos jovens adolescentes, o centro do conflito de sentimentos que, em última análise, irá marcar as vidas de Younes e de Émilie e será um aspecto central neste romance. O amor procurado, o amor desejado, o amor reprimido, o amor não revelado, o amor não correspondido, o amor como uma urgência de vida e que, quando se renuncia ao amor, passa-se ao lado da vida e não se vive plenamente. É essa uma das grandes lições deste romance, em tudo marcado por uma tristeza, uma incapacidade de agarrar a felicidade, por preconceito, por incapacidade de se libertar de dogmas. Como o próprio Younes reconhece em determinada altura "Nada está escrito. Na maior parte dos casos, continuamos a ser os principais artífices das nossas infelicidades. Os nossos erros somos nós que os fabricamos com as nossas mãos. Quanto ao que chamamos de fatalidade, trata-se apenas da nossa obstinação em não assumir as consequências das nossas pequenas e grandes fraquezas".

O final do romance, passados quarenta anos sobre o fim da guerra de libertação da Argélia que levou ao êxodo massivo de muitos cidadãos argelinos para França, é o reencontro de Younes com os amigos de infância e o fechar de alguns assuntos em aberto. É a reconciliação com alguém há muito desavindo, é o sarar de feridas abertas, é o olhar para a vida de frente como algo que há que festejar e não remoer um passado que não volta mais. Se o tom geral do romance é triste, o autor quis, no entanto, dar ao/à leitor/a uma perspectiva positiva, valorizando a vida e o amor como questões preciosas de que não podemos abrir mão nem deixar escapar.

Almerinda Bento

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

"O Paraíso Segundo Lars D." de João Tordo

Depois de acabar de ler há poucos dias O Luto de Elias Gro e sabendo que este era o segundo desta trilogia não quis deixar passar muito tempo e peguei neste "Paraíso".

Nunca sei o que dizer quando acho que o livro não chegou até mim... A obra está bem escrita, não tivesse ela por detrás a mão de João Tordo, um autor que gosto e admiro pelas reviravoltas que consegue efetuar no decurso das suas histórias e pela sua escrita segura e clara. No entando, fui cometida por uma tristeza que não sei explicar, uma melancolia que me roubou a esperança de um final aprazivel que espero sempre quando leio freneticamente qualquer livro. Mesmo quando o final é triste, porque muitas vezes ele é semelhante à vida, eu mantenho a esperança até ao fim, a esperança que algo mude e que o terminus da leitura não seja como eu temia. E essa esperança, esse querer ler depressa, faz-me devorar as suas páginas. Ora neste livro, senti seguramente que fui dominada por uma melancolia, uma tristeza que acompanhou também os personagens durante o todo o livro e que o final da história seria um pouco mais do mesmo: triste e sem esperança.

Sinto que precisaria de ler de novo este livro. Para buscar nele a esperança que procuro sempre numa leitura mesmo quando a história é triste.

Ufa! Que confusão! É assim mesmo que me sinto. Não sabendo explicar melhor, fico por aqui. Vou ler, mal seja editado, o terceiro livro do trilogia para desfazer estes sentimentos. Até porque gostei muito da ideia deste livro nos contar a história do (suposto) autor de O Luto de Elias Gro...

Terminado em 1 de Fevereiro de 2016

Estrelas: 4*

Sinopse

Numa manhã de Inverno, Lars sai de casa e encontra uma jovem a dormir no seu carro. Ele é um escritor sexagenário e, poucas horas mais tarde, parte em viagem com a jovem deixando para trás um casamento de uma vida inteira e um romance inédito: O luto de Elias Gro.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Ao Domingo com... Joel Neto

E, então, porque não podemos viver de outra maneira, escrevemos. E cai-nos o cabelo e apodrecem-nos os dentes, como dizia Flannery O’Connor.
E somos uns chatos. E somos maus maridos e maus filhos e maus amigos. E sentimos culpa, e sentimo-nos indignos de estima, e continuamos, mesmo assim, a não responder quando falam connosco.
E não telefonamos nos anos, nem aparecemos nos churrascos, nem vamos ao café. E, se vamos, a única coisa de que falamos é disso: do livro. E tudo aquilo sobre que se conversa pode servir o livro, caso contrário não nos importa.
E somos os maiores quando um parágrafo nos sai bem, e ficamos de rastos quando não encontramos um verbo. E sabemos que tem de ser mesmo assim, porque se não for o romance fica uma merda.
Mas sentimos culpa na mesma.
E não pagamos as contas, e esquecemo-nos de pedir a garrafa do gás, e calçamos meias de pares diferentes. E de repente queremos fumar dois maços de cigarros e beber meia garrafa de uísque, sozinhos no jardim, a olhar para a noite e a chorar.
E temos de fazer um esforço para mudar de roupa, e não cortamos as unhas, e pomos lembretes no telemóvel para tomar os antibióticos e dar a comida ao cão. E conduzimos depressa, e arranjamos chatices com as Finanças, e é uma sorte chegarmos vivos ao fim do dia, e às vezes acontece até não chegarmos.
E queremos desistir, e queremos ter um trabalho braçal, e queremos ser amigos. E queremos ser maridos e pais e atenciosos. E, quando ainda não perdemos de vez a esperança, escrevemos coisas como esta, para nos justificarmos.
E exageramos imenso. Mas continuamos escrevendo.

Joel Neto

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Na minha caixa de correio

  

  

  




  



  




Comprados: os quatro livros de Elena Ferrante. Tenho ouvido falar tão bem!
Ofertados pela Quinta Essência: Escrava do Estado Islâmico e Caminhos Sombrios.
Do Clube do Autor vieram Pai Nosso, A Ninfa do Lago e Emagreça sem Fome ( com receitas muito boas e saudáveis que quero experimentar...)
Da editora Guerra e Paz, Os Olhos da Rita. Em breve um texto de Rita Bulhosa na rúbrica Ao Domingo Com...
Vindo da Bertrand, Uma Mulher de Coragem. Creio que será a minha estreia com Danielle Steel.
Comprado por 3€ numa loja Cahs Converters, O Modelo.
                                         Oferecido ao meu marido, Chegar Novo a Velho.
                                     O Erro de Deus foi aferta do autor, Carlos Queirós.
                                             Da Planeta chegou Mais Maldito Karma.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Escolha do Jorge: A Cova

Cynan Jones (n. 1975) é considerado atualmente um dos escritores mais talentosos do Reino Unido tendo três romances publicados até ao momento sendo "A Cova" (2014) aquele que o tem catapultado para o reconhecimento dada a atribuição de alguns prémios literários. É precisamente "A Cova" que acaba que ser publicada através da Cavalo de Ferro constituindo a primeira grande aposta da editora neste início de ano.
"A Cova" coloca em confronto a realidade citadina com o mundo rural, por vezes apresentadas numa verdadeira rota de colisão. A vida do campo através da cadência das estações do ano acompanhada das rotinas próprias de cada período não só contrastam com a vida da cidade que tão bem conhecemos, como também reflete a vida dura que as pessoas levam, com gestos por vezes agressivos na tentativa de estabelecer a ordem natural das coisas ou simplesmente o curso da natureza. A par desta ruralidade à qual impõe alguma violência fruto da determinação perante a vida, somos ainda confrontados com comportamentos à margem da lei cujas práticas ilícitas se relacionam com a violação dos direitos dos animais no intuito de satisfazer desejos de malvadez.
O leitor é imediatamente confrontado com algumas cenas da mais pura crueldade cometida a um texugo que é abandonado à beira da estrada criando a expectativa para o que terá acontecido ao animal para que estivesse à beira da morte. As cenas são apresentadas com um tal realismo que cada detalhe, cada movimento, é reconstruído pela nossa mente e até pelos nossos ouvidos.
Acredite-se que Cynan Jones não poupa o leitor a certos detalhes. Ninguém sai ileso depois de ler "A Cova", não que se apresente como um thriller, embora exista um pouco de mistério em torno da narrativa.
À medida que a narrativa vai evoluindo, constatamos que as descrições de profunda crueldade alternam com cenas de uma ternura inusitada capazes de nos comover até às lágrimas ainda que "A Cova" decorra num ambiente duro e sempre tenso.
São poucos os personagens nesta obra sendo Daniel o personagem principal e o único que tem nome atribuído. Os demais personagens são identificados por uma das suas características físicas.
Daniel é um indivíduo relativamente jovem que perdeu a sua esposa há poucas semanas através de um acidente que a vitimou mortalmente. Daniel vive na quinta que sempre pertenceu à sua família tendo um enorme rebanho de ovelhas a seu cargo, ocupando-se da sua alimentação e ajuda no nascimento dos cordeiros cuja época do ano vive agora em pleno.
A sua inconformidade perante a morte inesperada da sua esposa contrasta com a fase de nascimentos de massa de cordeiros. Este contraste entre a vida e a morte acompanha toda a narrativa através de descrições que marcarão o leitor de forma indelével.
A mãe de Daniel reforça o papel de apaziguadora da ordem na família, tanto no que respeita ao pai meio paralisado na sequência de um AVC e em relação ao luto do filho. Daniel conclui que "o papel é que permite sobreviver" (p. 53), é a mãe, como todas as mães que tomam para si as dores do mundo, atenuando de alguma forma o sofrimento dos seus filhos. Daniel precisa de tempo e de espaço para lidar com o seu sofrimento, estando ainda num período de luto permanente com o coração a sangrar de dor infinita face à perda inusitada da sua esposa. A mãe de Daniel "abraçou-o, então, e sentiu a gigantesca devastação que havia dentro dele". (p. 53)
Há um momento crucial face ao sentimento de dor e perda por parte de Daniel que é transferido para o gato, sendo, um dos mais belos excertos de "A Cova", a saber:
"O gato entrou apressadamente, fugindo ao mau tempo, e esfregou-se nos fardos, depois dirigiu-se para o canto e instalou-se, e o amor que ele sentia transferiu-se calmamente para o gato. Os seus olhos encheram-se de lágrimas. Olhou para o gato, refreou as lágrimas e sentiu-se sorrir desesperadamente.
- Oh, Deus – disse. – És tão boa. Era tão bom ter-te.
O gato aproximou-se e sentou-se ao pé dele, e, durante algum tempo, permaneceram naquela posição, sob o som confortável da chuva, e a proximidade do gato era quase insuportável." (p. 37)
"A Cova" apresenta o homem como um ser maravilhoso, mas ao mesmo tempo visceral. O milagre do nascimento associado ao sémen, sangue, entranhas, odor leitoso tornam o homem capaz de lidar com a vida em geral, com a capacidade de lutar pela vida à sua volta, quer se trate de pessoas ou de animais, como o caso de Daniel que não sente qualquer pudor na forma como ajuda as suas ovelhas a darem à luz os seus cordeiros.
"Há ali uma geografia interiorizada, familiar e mamífera, como se algo distante guiasse as mãos dele em redor do cordeiro que ainda se encontra dentro dela, avaliando a constituição do bebé, e aquilo que ele faz, que poderia ser repelente, é-lhe de alguma forma confortável, o calor, o balão quente e gorduroso. Só visualmente existe vergonha. Os fluidos e os esforços maternais estão para além desta, são demasiado ancestrais para sentir vergonha, e ele compreende que está em acção uma força poderosa e vital, equânime com o seu instinto e segura de si." (p. 17)
"A Cova" é apresentada em certa medida como uma metáfora onde se conjugam a vida e a morte, a coragem e o medo, a bondade e a crueldade tendo a natureza como a garantia de uma ordem à medida que segue o seu curso em oposição ao desequilíbrio causado por parte do homem quando este atua de forma desumana, irracional e cruel.
Neste sentido, a ação de Daniel no auxílio das suas ovelhas a darem à luz ou o facto de tudo fazer ao seu alcance para salvar um cordeiro bebé órfão em que lhe enfia um tubo pela boa até ao estômago para o poder alimentar contrasta com a crueldade sem precedentes daqueles indivíduos que vivem na mesma região e que se divertem com as lutas entre cães caçadores e texugos capturados de forma ilegal aguardando pacientemente a primeira vítima num ambiente de verdadeira carnificina.
Em ambos os casos, as cenas são visualmente muito fortes, intensas, pejadas de emoção, dor, perturbação, repulsa e náusea.
Outro dos episódios marcantes do livro tem a ver com o facto de Daniel debater-se com a vida de um certo cordeiro bebé tentando salvá-lo a todo o custo dada a sua fragilidade. Daniel hesita na decisão entre lutar para salvar o cordeiro e poupá-lo ao sofrimento. Movido pela dor no decurso do luto, Daniel luta contra a morte tentando salvar o cordeiro em oposição à atitude pragmática de seu pai que perante situações análogas "esmagaria a cabeça do cordeiro" (p. 79) evitando o sofrimento durante a vida. A vida rural é de tal forma dura e cruel que aquilo que se aprende acaba por chocar com os valores de quem vive na cidade. Segundo o pai de Daniel, "por vezes é preciso escolher entre um sofrimento rápido e um sofrimento lento". (p. 79)
A vida de Daniel está repleta deste conjunto de contradições sem que tenha propriamente consciência disso mesmo pelo facto de as viver de modo intenso porque sempre fizeram parte do seu mundo, na sua relação com a natureza.
É nesta relação com a natureza que Daniel caminha para a concretização do seu destino, fatídico, por sinal. Na tentativa de estabelecer a harmonia no mundo que o rodeia, a sua ação vai colidir com as intenções de terceiros…

Texto da autoria de Jorge Navarro

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Resultado do Passatempo Presença/Brunch


Agradecendo a colaboração da Editorial Presença, anunciamos a vencedora do passatempo Brunch esperando que, com esta leitura, os seus dias fiquem ainda mais saudáveis e deliciosos!
Das 226 participações foi selecionado o nº 63 que corresponde a:
-Manuela Colaço de Vila Verde
Parabéns! A editora irá enviar-te o livro muito em breve!
Para mais informações sobre o livro ver Editorial Presença aqui!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

"O Luto de Elias Gro" de João Tordo

Não foi o primeiro livro de João Tordo que li (O Bom Inverno). Sei que gostei dos outros mas não consigo comparar essas leituras e a sua escrita com este livro. Tão pouco importa, não é? Gosto da sua forma de escrever e tive prazer neste Luto de Elias...

Quem nos conta esta história não é Elias, um homem de fé, o pastor de uma pequena ilha com poucos habitantes. É o narrador, ao qual nunca chegamos a saber o nome, que nos fala na primeira pessoa e nos conta a sua história. Chegado à ilha procura a paz e indiferença que a solidão pode trazer, certo de que nada mais o espera, senão a morte, depois de ter perdido quem mais amava.

Este processo de luto, este abandono interior, essa vontade de nada fazer que o assola, arrasta-o para situações extremas. Junto com este relato, o narrador fala-nos de Elias, da sua filha Cecília, de Alma e de outros habitantes dessa ilha que o acolheu. Ficamos presos a esse declínio que assistimos, sem nada poder fazer, e partilhamos dos seus momentos de dor e de um certo desleixo também.

E ficamos a saber que muitas pessoas à nossa volta fazem o seu luto também. Às vezes é mais pessado que o nosso, ou pelo menos tão igualmente intenso. Foi uma das coisas que o narrador ficou a saber também.
O final é intenso, arrebatador. João Tordo encontrou a medida certa de o terminar! Gostei muito deste final que achei perfeito!

Terminado em 30 de Janeiro de 2016

Estrelas: 4*+

Sinopse

Numa pequena ilha perdida no Atlântico, um homem procura a solidão e o esquecimento, mas acaba por encontrar muito mais.
A ilha alberga criaturas singulares: um padre sonhador, de nome Elias Gro; uma menina de onze anos perita em anatomia; Alma, uma senhora com um coração maior do que a ilha; Norbert, um velho louco que tem por hábito vaguear na noite; e o fantasma de um escritor, cuja casa foi engolida pelo mar.
O narrador, lacerado pelo passado, luta com os seus demónios no local que escolheu para se isolar: um farol abandonado, à mercê dos caprichos da natureza - e dos outros habitantes da ilha. Com o vagar com que mudam as estações, o homem vai, passo a passo, emergindo do seu esconderijo, fazendo o seu luto, e descobrindo, numa travessia de alegria e dor, a medida certa do amor.
O luto de Elias Gro é o romance mais atmosférico e intimista de João Tordo, um mergulho na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A Convidada Escolhe: Sementes Mágicas

«Sementes Mágicas» de V.S. Naipaul, tem como personagem principal Willie Chandran, um imigrante indiano, a mesma do seu livro "Metade de uma vida", pelo qual recebeu o Prémio Nobel em 2001. Não tive oportunidade de ler este último livro e não tenho a certeza se me fez ou não falta. A história é continuação, percebe-se, da vida de Willie, indivíduo sempre insatisfeito e com dificuldades de integração, que depois de deixar a Índia para ir estudar para Londres, onde tentou ser escritor, casou, foi para África, e aí permaneceu 18 anos sem nunca ter tido vida própria. Por altura da descolonização, que o deixou indiferente, deixou a mulher e ei-lo em Berlim a viver com a irmã, continuando sem objetivos. Então a irmã persuade-o a regressar à sua Índia Natal, que renegara na juventude, para se juntar a um movimento clandestino que supostamente luta em defesa das castas inferiores oprimidas. Ele parte, mas não conseguindo encontrar as pessoas certas, acaba por se envolver e fazer parte de movimentos clandestinos cuja causa ele não compreende muito bem e que se movimentam numa Índia rural, hostil e miserável. Esta parte do livro é muito interessante porque além de transportar o leitor a lugares inimagináveis, florestas, vilas paupérrimas, lugares sem condições mínimas de sobrevivência, fá-lo entrar na mente dos companheiros de Willie ficando a conhecer as verdadeiras razões da sua opção. Nunca podem estar no mesmo lugar, por causa da clandestinidade e as operações que efetuam parecem nunca alcançar o efeito desejado. Levam uma vida de bandidos e salteadores e muitos se perguntam porque a prosseguem ao fim de 10 ou 20 anos. Uns por hábito, outros com medo da polícia, outros ainda por loucura, após tanto sofrimento. As populações passivas, pelas quais supostamente lutam acabam por não acreditar neles e até os desprezar. Têm muitas baixas e muitas dificuldades em recrutamento. O autor analisa com mestria os sentimentos e o pensamento destas pessoas, verificando que todos eles foram estudantes ou conheceram uma vida melhor nas cidades e que depois obrigados a voltar ao ambiente pobre e familiar de origem, sentem uma enorme frustração, que resulta em idealismos e rebeldia. Muitos transformam-se em psicopatas, dada a vida miserável que levam. Willie permanece neste ambiente alguns anos acabando por entrar também na clandestinidade quando é referenciado pela polícia. Sem nada que o prenda àquela luta sem fim à vista, entrega-se à polícia, julgando poder justificar-se, mas é preso. Passado tempo com os esforços da irmã e de amigos de Londres, consegue que o libertem e parte para esta cidade, que encontra muito diferente da que conhecera. Vive em casa de um antigo amigo que também não tem uma vida fácil. Arranja um emprego, faz um curso de formação e descobre a sua vocação para ser arquiteto, mas como sempre abandona a ideia. Tem agora 50 anos e sempre à deriva, continua sem encontrar um significado para a sua vida. Na última parte do livro, partindo da vida complicada do amigo de Willie, o autor aproveita para abordar as dificuldades, alienação e excessos da vida londrina na década de 80. É um livro pessimista, onde o autor observa com minúcia as grandes contradições, diferenças sociais e o fanatismo da era moderna.

Maria Fernanda Pinto

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

"A Mulher Com Sete Nomes" de Hyeonseo Lee

Falar deste livro não é tarefa fácil, nem tão pouco classificá-lo! Atribuir estrelas quando se trata de uma Auto-biografia? E porque não?, pensei.

Já me tenho deparado com histórias de vida tão fantásticas e tão intensas que parecem saídas da imaginação de alguém. Imaginem então:
Um país onde o que é ensinado na escola baseia-se em factos construidos para sublimar as qualidades quase angelicais de alguém que governa o país. Onde a informação que chega às pessoas sobre o mundo e o que se passa nele é quase nula e a História é deturpada para fazerem crer que o país onde se vive é o melhor. Onde a fome grassa e o suborno impera. Onde o medo de "desaparecer" caso se faça algo proibido é muito, o medo de ser denunciado por algo é tanto que todos usam máscaras de satisfação e contentamento por se viver num paraíso. Fugir dali seria uma opção se se pensasse que os países em redor viveriam melhor e a tentativa de fuga valeria correr o risco da pena a cumprir: a prisão em campos de concentração, espancamentos e muito provavelmente o enforcamento.

E quando, através de pequenas coisas, nos apercebemos que talvez as coisas não fossem bem assim, e gostariamos muito de espreitar o país vizinho que está ali à distãncia de poucos metros e depois voltar ao fim de algumas horas, o ideal é, em segredo, subornar os guardas que impedem a passagem para a outra margem de um rio gelado.

Imaginem que não conseguem voltar. Já não podem porque serão apanhados e presos. E com vocês toda a vossa familia que ficou.

Imaginem... Esperem! O pior é que toda esta história não é fruto da imaginacão da autora e sim a sua vida. A sua fuga da Coreia do Norte para a China. O seu medo de ser apanhada e ser repatriada. A sua ida para a Coreia do Sul. Tinha 17 anos quando fugiu, passaram mais de dez quando finalmente chegou a bom porto. Mas e se quisesse ir buscar a mãe à sua terra natal?
Um livro que devem ler. De verdade.

Terminado em 26 de Janeiro de 2016

Estrelas: 6*

Sinopse

História de uma refugiada da Coreia do Norte.
Relato da vida de Hyeonseo na Coreia do Norte, da sua fuga e da coragem que demonstrou, enquanto adolescente solitária e vulnerável, para levar por diante a sua vida na China. Doze anos e duas vidas depois, regressou à fronteira da Coreia do Norte, decidida a empreender a arriscada missão de levar a mãe e o irmão para a Coreia do Sul, numa jornada árdua, difícil e tão perigosa quanto se possa imaginar.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Na minha caixa de correio

  

  

 


Oferta de um amigo, Contos de Cães e Maus Lobos de V.H.Mãe
A Filha Desaparecida e Brunch foram ofertados pela Editorial Presença.
Milagre e Amemo-nos Uns Aos Outros chegaram da Porto Editora.
Da Esfera dos Livros vieram A Corporação Invisível e Obrigaste-me a Matar-te.
Da Quinta Essência chegou Estranhos ao Luar.


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Novidade Saída de Emergência

O Aprendiz de Gutenberg
de Alix Christie
«Peter Schoeffer é um jovem ambicioso à beira de alcançar o sucesso como escriba em Paris quando o seu pai adotivo, o rico mercador Johann Fust, o convoca à cidade de Mainz para conhecer um homem extraordinário.
Gutenberg, inventor de profissão, criou um método revolucionário – há quem diga blasfemo – de produção de livros: uma máquina a que chama de prensa. Fust está a financiar a oficina de Gutenberg e ordena a Peter que se torne o seu aprendiz. Ressentido por ser forçado a abandonar uma carreira tão prestigiante como escriba, Peter inicia a sua aprendizagem na “arte mais negra”.
À medida que as suas habilidades crescem, assim também cresce a admiração por Gutenberg e a dedicação a um projeto ousado: a impressão de cópias da Bíblia Sagrada.
Mas quando forças externas se alinham contra eles, Peter vê-se num dilema entre os velhos costumes e as novas criações que ameaçam transformar o mundo. Conseguirá ele encontrar uma forma de superar os obstáculos numa batalha que poderá mudar a História?»

Novidade Bertrand

Uma mulher de coragem
de Danielle Steel
Uma inesquecível história de guerra e coragem... Annabelle Worthington tem 19 anos e nasceu em berço de ouro, na sociedade de Nova Iorque. Mas tudo se desmoronou com o naufrágio do Titanic. Annabelle torna-se voluntária e ajuda os pobres.Desiludida com o seu primeiro amor, Annabelle foge para França, arrasada pela guerra, e trabalha como enfermeira na guerra, salvando vidas. Quando a guerra acaba, começa uma nova vida em Paris, agora é médica, casada, mãe e esquece o mundo que deixou para trás. Até que um encontro inesperado a obriga a regressar a Nova Iorque, já uma mulher diferente, e a reconstituir as peças do puzzle que é o seu passado.

Novidade Clube do Autor

Rosa Brava
de José Manuel Saraiva 
Em 1368, D. Leonor Teles de Menezes, a mulher mais desejada do Reino, casa com o morgado de Pombeiro, D. João Lourenço da Cunha. O matrimónio é imposto por seu tio, D. João Afonso Telo, conde de Barcelos. Mulher fora do tempo, aceita contrariada o casamento, que a melancolia da vida do campo não ajuda a ultrapassar. Por isso, decide abandonar o marido e parte para Lisboa, para gozar a vida de riqueza e luxúria que a Corte proporciona. Perversa e ambiciosa, não tem dificuldade em seduzir o jovem monarca, D. Fernando, alcançando, desse modo, o poder que sempre desejou. Mas a nobreza, o clero e o povo não veêm com bons olhos esta aliança de adultério com o Rei. E menos ainda quando a formosa Leonor Teles se envolve com o conde Andeiro... Rosa Brava é um romance baseado na investigação histórica que, por entre intrigas palacianas, traições, assassínios e guerras com Castela, reinventa, numa linguagem cativante, uma das personagens mais fascinantes da História de Portugal.

Novidade Porto Editora

Milagre 
de Deborah Smith
Sebastien de Savin é um brilhante cirurgião cuja habilidade e arrogância representam uma mistura explosiva. No passado, um segredo obscuro foi o responsável pelo endurecer do seu coração, até que um milagre acontece. O milagre dá pelo nome de Amy Miracle, uma rapariga tímida com um emprego de verão nas vinhas da família de Savin e a última pessoa pela qual alguém como Sebastien esperaria apaixonar-se.
Um acaso junta-os: graças a Sebastien, Amy escapa de uma vida de pobreza e abusos psicológicos, adquire autoconfiança e progride numa carreira de sucesso. Graças a Amy, Sebastien reaprende a rir e desperta para o amor. No entanto, a vida real separa-os. Embora tendo passado pouco tempo juntos, a memória desses preciosos momentos assombra-os durante anos. Até ao dia em que os seus caminhos se cruzam novamente…

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A Escolha do Jorge: Dora Bruder

Foi a primeira vez que li uma das obras de Patrick Modiano (n. 1945), Prémio Nobel de Literatura em 2014, e foi interessante que (re)descobri no final do ano passado o livro "Dora Bruder" da prestigiada colecção "Pequenos Prazeres" das Edições ASA, aquando da reorganização do escritório. Perdi a conta às vezes que numa ou outra livraria peguei na recente edição do livro publicado pela Porto Editora na sequência da atribuição do Prémio Nobel ao escritor. Pelas opiniões que fui recolhendo ao longo dos meses, constatei que o escritor não é propriamente consensual quanto à preferência dos leitores. Mesmo tratando-se de um livro pequeno, acabei por nunca o adquirir sem que me recordasse que já tinha uma das edições, a segunda por sinal, em meu poder. Durante as arrumações e seleção de livros, fiquei contente quando redescobri o livro estando anotado o ano de 2001 como ano da aquisição do mesmo..
Ontem decidi então pegar no livro e aventurar-me na escrita de Patrick Modiano tendo ficado bastante surpreendido com a forma como o escritor apresenta as ideias, assim como o que esteve na origem de "Dora Bruder".
Gosto particularmente daqueles livros que fazem a ponte entre a História e a Literatura, não se resumindo apenas à História meramente factual, nem ao romance pelo romance por muito que conte uma boa história. Gosto de romances que adquirem em certa medida as características dos ensaios na medida em que, neste caso em particular, a história da vida de Dora Bruder mistura-se e confunde-se com a História propriamente dita.
Livros como "Dora Bruder" fazem-me recordar os tempos dos estudos em História e, em particular, uma cadeira que muito apreciei sendo, pois, Teoria da História e do Conhecimento Histórico. É este questionar a História cujas dúvidas se mantêm que conduz ao estreito relacionamento entre os caminhos trilhados pela Humanidade e o saber histórico propriamente dito. É este contínuo questionar a vida para compreender a História e compreender de que forma os acontecimentos históricos determinam e/ou condicionam a ação do indivíduo particularmente na sua relação com o outro (família, sociedade) que gosto de ver reflectidos nos romances que mais aprecio, uma vez que nos ajudam igualmente a questionar, a refletir, sem que nos apresentem apenas uma história pela história em si mesma como a comida rápida pronta a comer.
Quando este questionar é transposto de modo contínuo em obras como "Dora Bruder", o autor consegue a proeza de apresentar um livro cuja fusão entre a História e a Literatura saia ainda mais enriquecida e, consequentemente, o leitor também.
Patrick Modiano parte de uma premissa simples apresentada na primeira página do livro, vejamos:
"Há oito anos, num velho jornal, o "Paris-Soir", datado de 31 de Dezembro de 1941, dei na página três com uma rubrica: «De ontem para hoje». Já quase no fim, li:
PARIS
Procura-se uma rapariga, Dora Bruder, 15 anos, 1m55, rosto oval, olhos cinzento-acastanhados, casaco desportivo cinzento, camisola em tom bordeaux, saia e chapéu azul-marinho, sapatos leves castanhos. Endereçar todas as indicações ao Sr. E à Srª Bruder, Alameda Ornano, nº 41, Paris" (p. 5)
Partindo deste pequeno anúncio, Patrick Modiano tenta desvendar o que aconteceu à adolescente Dora Bruder, onde vivia, quem eram os seus pais, onde estudava até descobrir as razões do seu desaparecimento.
A partir da premissa cima indicada, o autor compreende que perante uma nova descoberta, acaba por descobrir uma Paris que nalgumas situações já não existe como o caso de edifícios e ruas que já não existem, uns na sequência da 2ª Guerra Mundial, outros relacionados com a reconstrução e modernização da cidade desde a 2ª Guerra Mundial até aos nossos dias.
Este reavivar a memória histórica da cidade de Paris é outra das questões com grande enfoque em "Dora Bruder". Este escavar as entranhas de um passado que teima em se ocultar está presente em toda a obra sentindo o leitor a necessidade de trazer à luz o máximo de dados possível como forma de contributo para a construção da memória coletiva.
"Dora Bruder" reaviva a mancha negra do século XX através da força que o Nacional-Socialismo teve na Alemanha e na Áustria na década de 30 culminando com a eclosão da 2ª Guerra Mundial que vitimizou mais de seis milhões de judeus (holocausto).
Dora Bruder apesar de ter nascido em França e de ser detentora de cidadania francesa, o seu pai, Ernest Bruder, era judeu austríaco, de Viena, e a sua mãe, Cécile Burdej, também judia, era natural de Budapeste, na Hungria.
Partindo de dados biográficos concretos, o autor leva esta busca incessante até às últimas consequências, tal como se tratasse de uma obsessão transformada numa questão de dever moral na medida em que era imperativo manter viva a memória não só de Dora Bruder, mas de todos aqueles que foram vítimas do holocausto. Assim, trazendo à luz estas histórias de pessoas reais que se perderam no esquecimento levadas pelo rio do tempo constitui uma forma de manter a História viva.
Patrick Modiano procurou a rua onde vivia Dora Bruder, o colégio em que estudou, a prisão e internato por onde passou até ao derradeiro destino final que foi Auschwitz. Certidão de nascimento, registos de matrícula e de frequência no colégio, registos da Polícia do tempo da Ocupação Nazi, entre outro género de documentos, o autor tentou a todo o custo reconstruir os passos de Dora Bruder desde que desapareceu do colégio a 14 de dezembro de 1941 até ter sido internada antes da sua deportação para o campo de concentração.
A determinação do autor em reconstruir o quotidiano de Dora Bruder é notável na medida em que à beira do desespero de causa, eis que surgem novos dados, mas é precisamente nesses hiatos para os quais não há respostas que Patrick Modiano conclui que é na ausência de respostas que Dora Bruder está viva e livre de toda a perseguição e onde podia em certa medida ser feliz sem que os carrascos nazis a perseguissem.

Excertos:
"Em 1924, Ernest Bruder casa-se com uma rapariga de dezassete anos, Cécile Burdej, nascida a 17 de Abril de 1909 em Budapeste. Não sei onde se realizou o casamento e ignoro o nome dos padrinhos. Que acaso presidiu ao seu encontro? Cécile Burdej vinha de Budapeste e chegara a Paris um ano antes, com os pais, as quatro irmãs e o irmão. Uma família judia originária da Rússia, mas que se fixara sem dúvida em Budapeste no princípio do século.
Depois da primeira guerra, a vida era tão dura em Budapeste como em Viena, e foi preciso voltar a fugir para o Ocidente. Tinham ido dar a Paris, ao asilo israelita da Rua Lamarck. No mês da sua chegada à Rua Lamarck, três raparigas, com catorze, doze e dez anos de idade, haviam morrido de febre tifoide.
Será que na altura do casamento Cécile e Ernest Bruder já habitariam na Rua Liégeard, em Sevran? Ou viveriam num quarto de hotel em Paris? Nos anos que se seguiram ao casamento, e após o nascimento de Dora, moraram em quartos de hotel.
Deixaram poucas marcas atrás de si. Quase anónimas. Não se destacam de certas ruas de Paris, de certas paisagens de arrabalde onde descobri, por acaso, que haviam morado. O que se sabe deles resume-se amiúde a um simples endereço. E esta precisão topográfica contraste com o que ignoraremos da sua vida para todo o sempre – esse hiato, esse bloco de desconhecido e de silêncio." (pp. 22-23)

"E, no meio de todo este brilho e desta agitação, custa-me a acreditar que estou na mesma cidade em que se encontravam Dora Bruder e os pais, e também o meu pai quando tinha menos vinte anos que eu. Invade-me a sensação de ser o único a estabelecer a ligação entre a Paris daquele tempo e a de hoje, o único a recordar-me de todos estes pormenores. O laço adelgaça-se por momentos e parece em vias de romper-se; noutras noites, a cidade de ontem surge-me em reflexos furtivos por detrás da actual." (p. 42)

Texto da autoria de Jorge Navarro

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A Convidada Escolhe: "Mataram o Sidónio"

"Mataram o Sidónio" de Francisco Moita Flores é, como diz no livro o próprio autor, uma ficção e cito:
«Porém, é uma ficção que se fundamenta num documento decisivo, uma fonte impressa em 1921 e que é, nem mais nem menos, a autópsia do Presidente da República Sidónio Pais. É uma separata dos Archivos do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, Série B, Vol. V, e intitula-se Exames Periciais no Cadáver do Presidente da República Dr. Sidónio Pais, no Vestuário e na Arma Agressora. É assinado por Asdrúbal d’Aguiar, um dos mais proeminentes médicos legistas portugueses dos inícios do século XX. O documento que inspira este livro é citado em dezenas de trabalhos científicos, no entanto, apenas mobilizado para o aparato erudito". "O intrigante relatório forense conduziu a outras pesquisas nos arquivos do Instituto de Medicina Legal e às diversas reconstituições feitas na época pelos jornais de Lisboa.»
É uma obra com uma narrativa bastante atraente que faculta ao leitor muitos conhecimentos sobre a época em que a mesma se situa. Ao mesmo tempo é uma história de amor, onde os momentos bem-dispostos, que são imperdíveis, não lhe faltam.
A ação passa-se em 1918, ano decisivo para as ciências forenses em Portugal. É o ano da criação dos institutos de medicina legal e da criação da Polícia de Investigação Criminal-suportada por laboratórios e produzindo prova com fundamentação científica. Sidónio Pais, a pedido de Azevedo Neves, diretor da então Morgue, assinara os respetivos decretos, decisões que iriam modificar radicalmente a relação da medicina legal com a polícia e com os tribunais.
Contudo, no final de 1918 a ciência forense está a dar os primeiros passos, sendo pouco aceite nos tribunais que aplicam a justiça, que é baseada em confissões arrancadas sob tortura dos presos.
É o ano da tragédia de La Lys e, também, do Armistício que conduziu ao fim da Primeira Guerra Mundial. É o ano da "espanhola" a pandemia gripal influenza pneumónica que surge, no Portugal republicano, fragilizado e faminto, que se transformou num verdadeiro desastre que terá morto mais de cem mil pessoas, durante quatro meses.
É em plena crise desta pandemia que assolava também Lisboa, que se deu o assassinato do Presidente Sidónio Pais, cujo consulado se iniciara em dezembro de 1917, com um golpe de militar e que terminava assim em tragédia. Este assassinato permanece um mistério. A polícia havia prendido um suspeito, e tornara-se uma verdade indesmentível e absoluta para a área política também, que Sidónio Pais fora assassinado por José Júlio da Costa, muito embora as suas confissões fossem muito contraditórias. Os jornais confirmavam esta versão. Mas havia outras verdades. Os resultados da autópsia solicitada pelo juiz de instrução que verificara muitas falhas no processo, foram de tal maneira surpreendentes que anulavam completamente a hipótese de ter sido o acusado, José Júlio da Costa, o autor do crime. Este morreria 30 anos depois sem nunca ter sido julgado, o que confirma a dúvida sobre a sua culpa. Moita Flores, utilizando as técnicas forenses em que se encontra sobremaneira à vontade, reconstrói o homicídio e elabora um interessantíssimo romance, pleno de teses, aproveitando para apresentar ao leitor as mais importantes personalidades da época ligadas à medicina como Asdrúbal de Aguiar, diretor interino do Instituto de Medicina Legal em substituição de Azevedo Neves, que se encontrava, na altura, a desempenhar funções governativas, em agradecimento a Sidónio Pais, Júlio de Matos, Miguel Bombarda, etc.. Dá, ainda, uma ideia de como era, à época, a justiça e a medicina legal em Portugal.
Gostei muito.
Maria Fernanda Pinto

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

"Arquipélago" de Joel Neto

Mal acabei de ler, senti que este livro tinha consistido para mim uma leitura muito especial. Especial na sua grandeza, na sua forma, na maneira como está escrito e como os Açores, mais propriamente a Ilha Terceira, estão descritos. Só quando terminei a sua leitura é que me apercebi da sua dimensão. Uma sensação de paz, como acontece quando as coisas se encaixam nos seus lugares de sempre, como se finalmente tudo fizesse sentido, acometeu-me.

São muitas páginas bem escritas, num tom calmo, muitas vezes descritivo mas belo. Lembrei-me muitas vezes de Stoner, um livro onde parece que nada acontece mas que somos incapazes de largar porque estamos pregados ao personagem, sentindo com ele tudo o que lhe acontece. Quem já leu o livro de John Williams sabe do que falo. E quem não leu e pensa que o que acabei de dizer é uma crítica por não ter gostado, desengane-se. Esta leitura vai ter nota máxima!

No entanto, quando a acção se processa calmamente e o ritmo é tranquilo, um soco atinge-nos. Adorei isso!
Não vos vou contar a história. Para isso têm a sinopse e para além do mais, não vos quero roubar a surpresa. Quero, no entanto, comentar aqui o quanto gostei de, no epílogo, o narrador ter mudado subitamente. A história passa a ser contada por uma personagem secundária, na primeira pessoa, e já sobre factos de um passado mais ou menos recente.

Uma das coisas que gosto muito de saber é o que está por detrás de um livro, a pesquisa. Ler os agradecimentos faz-me compreender o quanto um livro não é apenas o pegar na caneta e deixar a imaginação fluir. Neste caso, os pormenores são muitos e pode pensar-se que muitas partes do livro é apenas a imaginação do autor a trabalhar. Não é e, caso passe despercebido ao leitor, isso pode aperceber-se nos "agradecimentos".

Recomendo muito este Arquipélago para umas boas horas de leitura e de viagem à Ilha Terceira. Será que tenho mais algum livro deste autor na minha estante? Adoro por-me á procura...

Terminado em 23 de Janeiro de 2016

Estrelas: 6*

Sinopse

Açores, 1980. Uma criança desaparecida. Um homem que não sente os terramotos.
Quando um grande terramoto faz estremecer a ilha Terceira, o pequeno José Artur Drumonde dá-se conta de que não consegue sentir a terra tremer debaixo dos pés. Inexplicável, esse mistério há-de acompanhá-lo durante toda a vida. Mas, entretanto, é hora de participar na reconstrução da ilha, tarefa a que os passos e os ensinamentos do avô trazem sentido de missão.
Já professor universitário, carregando a bagagem de um casamento desfeito e uma carreira em risco, José Artur volta aos Açores. Durante as obras de remodelação da casa do avô, é descoberto um cadáver que o levará em busca dos segredos da família, da história oculta do arquipélago e de uma seita ritualista com ecos do mito da Atlântida. Mas é nos ódios que separam dois clãs rivais que o professor tentará descobrir tudo o que os anos, a insularidade e os destroços do grande terramoto haviam soterrado…
Usando a mestria narrativa e o apuro literário dos clássicos, bem como um dom especial para trazer à vida os lugares, as gentes e a História dos Açores, Joel Neto apresenta o romance Arquipélago, em que a ilha é também protagonista.

Passatempo "D.Filipa de Lencastre" - Livros Horizonte

Hoje, gentilmente cedido pela editora Livros Horizonte, temos um livro de Isabel Stilwell para oferecer. Trata-se de uma reedição do seu romance histórico, D. Filipa de Lencastre, a rainha que mudou Portugal. Junto é oferecido o roteiro Pelos Caminhos de Filipa de Portugal, um percurso pelos caminhos da rainha, Inglaterra, Galisa e Portugal, feito pela escritora, com indicações de trajectos, lugares pnde ficar...
O passatempo decorre até ao dia 5 de Fevereiro.
Desejo-vos boa sorte para que possam palmilhar as folhas deste livro e ficarem maravilhados com a escrita de Isabel Stilwell.

Passatempo "Brunch" - Editorial Presença

Trago-vos mais um passatempo com a gentil colaboração da Editorial Presença. Desta feita, o livro que tenho para vos oferecer é um presente para os vossos olhos e, sobretudo, para o vosso paladar: Brunch de Joana Limão, a bloguer do Limonaid.
Se gostam de comida saborosa e saudável, corram e vão espreitar o seu blog. Concorram e ponham as mãos à obra. São receitas fáceis e muito boas!
O passatempo decorre até ao dia 31 de Janeiro.
Para mais informações sobre o livro veja Editorial Presença aqui!
Boa sorte!

domingo, 24 de janeiro de 2016

Ao Domingo com... Dud@

Toda a gente tem um sonho tresloucado que adorava seguir. O meu é conseguir ser uma grande escritora.
Desde pequena que todas as pessoas próximas de mim me chamam Duda, daí ter decidido editar com esse nome. Vivo em Sines, uma cidade industrial vizinha da aldeia Porto Covo, varanda cinco estrelas para a tão famosa “Ilha do Pessegueiro”. 
Comecei a escrever aos 12 anos, altura em que fiz da leitura um passatempo, que levava o meu pai à falência. No princípio, sentia-me satisfeita mas, à medida que o tempo foi passando, os livros que lia pareciam-me todos os iguais; eu lia para encontrar algo de novo, não para chegar à conclusão que, se quisesse, eu conseguia ter aquela mesma ideia e escrevê-la. Primeiro, embirrei com os finais; depois, com o conteúdo.
Sempre tive muita imaginação. Lembro-me perfeitamente de estar na casa da minha avó de Porto Covo e passar horas a falar com alguém. Alguém que só eu via. Hoje em dia, certas pessoas já admitiram que pensavam que eu era altista. Foi uma desilusão para elas saberem que, afinal, não passava de uma miudinha imaginativa a brincar.
Editei o meu primeiro livro com 17 anos: um simples romance mas que me deixa um sorriso nos lábios sempre que o olho. Não foi uma boa experiência. Talvez por ser muito nova, talvez por outra coisa qualquer. Contudo, continuo a ter orgulho dele. Agora chego à conclusão que podia ter sido pior.

“Elfanos – O Legado” é o meu segundo livro, primeiro de literatura fantástica. A ideia surgira-me há algum tempo atrás mas resolvi não lhe mexer logo; eu precisava de assentar bem as ideias, de passar um bom bocado a olhar para esboços de tudo um pouco para decidir por onde começar e por onde devia ir. Só quando acabei os estudos, consegui avançar.
Neste momento, estou a rever o segundo livro desta colecção, onde já conto com planos para mais 3 volumes. O objectivo é conseguir editá-lo no fim do ano. Espero conseguir! Também sou leitora e não gosto de esperar muito tempo pela continuação das sagas que leio.
Deixo-vos um bocadinho do início desta aventura à qual chamei: “Elfanos – O Legado”.

“E se estivesse a cometer um erro? E se aquilo não fosse a única opção? E se houvesse outro caminho? Teria ele o direito de fazer o que estava prestes a fazer? Que direito tinha ele de invadir a vida de uma pessoa e voltar-lhe tudo de pernas para o ar, só por causa de uma coroa e de um reino?
Basta, pensou de si para si. 
Não havia alternativas. Ele já tinha pensado o suficiente, já tinha sofrido o suficiente, já tinha perdido o suficiente. Até porque não era só ele que importava: também havia o reino, também havia as Terras Brancas, aquele castelo a que chamava casa, os aldeões lá fora a que chamava povo. Não podia simplesmente ir-se e deixá-los sós.”
Elfanos – O Legado Dud@      Capital Books

Para mais informações, podem visitar a minha página: https://www.facebook.com/DudaEscritora/

Dud@