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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

"Estou na tua casa" de Lucy Clarke

Adoro! Adoro quando um livro me faz vibrar, me deixa inquieta, por momentos quase sem respirar tal a impaciência que sinto ao virar as páginas para engolir de um trago todo o ambiente e saber mais do enredo!

Tinha ouvido já opiniões favoráveis mas limitei-me a olhar para as estrelas dadas porque não gosto de saber muito sobre o livro que vou ler. Prefiro entrar nele e ser surpreendida! Mesmo assim, as muitas
estrelas atribuídas pelas "livrólicas" fez aumentar as expectativas, que não foram de todo, defraudadas. Bem pelo contrário!

A escrita desta autora mantém-nos em estado de alerta, fazendo o leitor suspeitar de tudo e de todos os personagens que gravitam à volta da protagonista, uma jovem escritora de sucesso, com prazos apertados para a entrega do seu segundo livro e sem inspiração para o terminar. Para além do assunto interessar a todos os livrólicos (os processos da escrita, seus avanços e recuos), o mistério começa a adensar-se visto Elle suspeitar que alguém mexeu nas suas coisas e lhe envia mensagens nada simpáticas. No entanto, vai surgindo uma dúvida no leitor: "Até que ponto a saúde mental da escritora não estará comprometida já que há mistérios do passado por resolver e a pressão a que está sujeita é muito grande?"

Surge, assim, o seu passado em episódios intercalados com os acontecimentos presentes e que nos vão dando conta de segredos por revelar relacionados com possíveis abusos. Mais um motivo para o leitor se deleitar com inúmeras dúvidas...

Para além disso, a meio do livro, alguns pequenos capítulos são "escritos" por esse intruso mas não se descortina o motivo das pequenas sabotagens o que ainda cria um suspense acrescido em quem lê.
Elle chega a duvidar do seu estado mental, tal a confusão em que se vê metida!

Um thriller inquietante, cheio de segredos, de reviravoltas que me prendeu como há muito não acontecia, o que me levou a dar 6 estrelas. 
Uma vontade de ler devagar e, ao mesmo tempo, de devorar as últimas páginas e saltar frases!

Recomendadíssimo!

Terminado em 7/09/2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Estou dentro da tua casa…. Elle vive sozinha numa casa isolada e magnífica em frente ao mar. Um dia, decide alugá-la por um curtíssimo período de tempo. Durante as duas semanas em que está fora, corre tudo bem. E quando regressa, continua tudo bem. Não há nada a apontar… exceto a arrepiante sensação de que não está sozinha.

Dentro da tua cabeça....
Será apenas a sua imaginação a pregar-lhe partidas? Afinal de contas, Elle é escritora e tem uma imaginação fértil. Mas então como se explica o estilhaço de vidro que encontra na alcatifa? As dedadas na janela? A mensagem gravada na sua secretária?

E conheço o teu segredo...
Aterrorizada, Elle sente-se uma prisioneira na sua própria casa. Terá alguém desenterrado o segredo que ela sempre guardou tão bem? Como fazer para expulsar um intruso invisível? Alguém que ela própria deixou entrar? Realista, tenso e absolutamente aterrador, Estou na Tua Casa vai fazê-lo pensar duas vezes antes de abrir as portas da sua casa a estranhos.

Cris

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Apresentação do livro de Márcia Balsas, "Voar no Quarto Escuro"


Estávamos lá quase todas, as amigas da Márcia dessa coisa dos livros! E a livraria fez juz às palavras lindas quer do Luís Ricardo Duarte, o apresentador do livro, quer da Sara Lutas, a editora. A Ana Marques da Silva leu (bem!) alguns trechos, sem desvendar mistérios! A Márcia esteve igual a si própria, serena. Se estava nervosa não se notou.

O espaço não podia ter sido melhor escolhido. A livraria Almedina na Rua da Escola Politécnica era a antiga "Oficina de Vidro e Mosaicos de Arte Ricardo Leone" e agora é um espaço acolhedor e típico. CHEIO DE LIVROS! 

Ficam algumas fotos:




 

 

 

Cris

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

"O Homem dos Sussurros" de Alex North

Primeiro desafio de uma amante de livros (físicos) superado! A viagem destas férias obrigou-me a ler o meu primeiro livro num e-book. Custou? Nem por isso. Este formato possui algumas características que apreciei deveras: o seu peso reduzido, o diccionário incluído, o facto de se poder escrever notas. Há um facto, porém, que terei de "trabalhar" em mim: gosto de "ter" os livros comigo. E assim parece que nada possuo. Mas é o primeiro passo para conseguir viver sem acumular (afirmo isso para mim própria, tentando convencer-me!). Porém posso dar-vos mil razões para lerem um livro em papel... mas todas elas vocês já conhecem, não é?

Mas vamos à opinião. Gostei muitíssimo desta leitura. Bem escrito, conseguindo manter o leitor costantemente intrigado com o que parecem ser aspectos sobrenaturais mas, ao mesmo tempo, fazendo com que procuremos soluções mais credíveis para esses acontecimentos "paranormais". Intenso e perturbador q.b.

A nossa atenção prende-se muito facilmente tanto mais que trata-se de desaparecimentos / mortes envolvendo crianças. Tive pena que, no decorrer do enrredo, xxxxx tivesse morrido (não estavam à espera que fizesse um spoiler, pois não?) mas a história fica mais credível assim porque dá-lhe um aspecto mais real. Mais uma vez, confesso, não depreendi nada do final, se bem que nestas coisas não seja de todo uma perita em resolver mistérios! Começo por desconfiar de todos e depois é-me difícil eliminar suspeitos.

O enredo avança caminhando entre passado e presente. Uma investigação policial surge quando uma criança é raptada. Tudo aponta para um serial killer que, há vinte anos, assassinou outras crianças. O modus operandi é idêntico. No entanto, ele encontra-se preso. Como explicar tantas semelhanças? É chamado o investigador que conseguiu desventar o mistério e capturar o assassino nessa altura.

Paralelamente, somos confrontados com os sentimentos de um pai que, tendo ficado viúvo há pouco tempo, sente que não é tão competente como gostaria de ser para criar o filho. O falecimento da esposa veio agravar o afastamento entre os dois. Sentimentos de culpa, medo de fracassar, amor difícil de transmitir, tudo se mistura nesse pai que ama desmedidamente esse filho mas não sabe lidar com a morte da mulher, que era o elo de ligação. Pai e filho, Tom e Jake, têm pela frente muitos desafios e muitos fantasmas a ultrapassar. E que é que esta família tem a ver com o rapaz raptado e com o serial killer?

Com um misto de terror e momentos sinistros, de aspectos ditos sobrenaturais,  thriller e drama, esta obra tem tudo para ser um sucesso. Eu gostei muito e recomendo, especialmente para quem gosta deste pacote onde tantos géneros literários se misturam! Sim, porque não se esqueçam que "Se deixares a porta entreaberta ouvirás os sussurros na certa"

Terminado em 30 de Agosto de 2019

Estrelas: 5* 

Sinopse
Após a morte da mulher, Tom Kennedy muda-se com o seu filho, Jake, de 7 anos, para uma pacata povoação chamada Featherbank em busca de um recomeço de vida. Mas Featherbank tem um passado sombrio.

Há 20 anos, Frank Carter, um perverso assassino em série, raptou e assassinou cinco rapazes. Ficou conhecido como «o Homem dos Sussurros», pois atraía as suas vítimas à noite sussurrando-lhes da janela. Logo após o seu quinto homicídio, Frank acabou por ser detido.

Estando o assassino atrás de grades, Tom e Jake não deveriam ter motivos de preocupação. Só que agora um novo rapaz desapareceu, e as semelhanças entre este acontecimento e os crimes de há 20 anos são desconcertantes. É então que Jake começa a comportar-se de modo estranho?

Diz escutar sussurros vindos do lado de fora da janela do seu quarto...

Cris

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Experiências na Cozinha: "Vegan Para Todos"

Este livro é para terem na vossa cozinha, quer sejam vegans ou não. Ou então podem seguir o André e a Rita nas redes sociais. Possuem o blogue Cocoon Cooks. Passem por lá. Vão encontrar receitas muito boas e são simples de fazer. Eles têm muito para vos ensinar e vocês, desde que tenham a mente aberta a novas experiências, têm muito a provar. Os seus pratos são deliciosos!

Mas falemos um pouco deste livro. A sua introdução dá-nos uma ideia de como podemos desmistificar o que é ser "vegan", como é fácil adaptar e substituir ingredientes desde que conheçamos as opções que temos à nossa volta. Mostra-nos que ingredientes comprar, que utensílios ter, como usar o livro.

Depois passamos à paparoca!  Sumos, leites vegetais, pequenos almoços, pratos e doces docinhos. Há de tudo um pouco...

Escolhemos, eu e a Palmira, uma sopa que nos pareceu deliciosa. A sopa, para quem é português, é das comidas de que mais temos saudades quando estamos longe de casa. A escolha desta receita foi um pouco o "dois em um" porque, na verdade, trata-se de duas receitas. Fizemos o Caldo de Legumes da pág. 232 (podemos congelá-lo para substituir o caldo de legumes de compra e que faz tão mal!) que serviu de base para a Sopa Aromática de Grão e Curgete, pág 110, que fizemos logo de seguida.

Todas as cobaias aprovaram! Estava simplesmente maravilhosa!

Ficam então as fotos das duas receitas: da sopita e do caldo de legumes!







Cris e Palmira

terça-feira, 10 de setembro de 2019

A Convidada escolhe: "As Sombras de Leonardo da Vinci"


As Sombras de Leonardo Da Vinci, Christian Gálvez, 2014

Não é fácil escrever sobre este livro. Identificado como “romance histórico” “fruto de vários anos de investigação exaustiva sobre a vida de Leonardo da Vinci”, não consegui abstrair-me de um certo preconceito relacionado com jornalistas que se tornaram verdadeiras estrelas pop depois de terem começado a escrever livros apoiados em grandes campanhas de marketing que fazem com que os seus livros passem a figurar durante semanas nas montras das livrarias e no top de vendas! Talvez seja mesmo só preconceito. Sobre o autor, Christian Gálvez, na badana do livro pode-se ler que “Desde 2009, divide-se entre o trabalho em televisão e a investigação sobre Leonardo da Vinci, vivendo entre Madrid e a Toscana. É um dos mais conhecidos especialistas internacionais do artista.” Também na capa, o leitor é alertado para o conteúdo do livro que vai fazer sobressair a faceta do homem, mais do que a do génio.
Quem não sabe que Leonardo da Vinci foi genial? Que imaginou máquinas e inventou engenhos que só vários séculos depois da sua morte foram realizados? Que as suas pinturas são obras de arte que atraem milhões de visitantes de todo o mundo? Que utilizou técnicas pioneiras e que, embora tendo vivido num período de grande incentivo e apoio às artes, se distinguiu de todos os seus pares por ser o maior? A sua genialidade foi objecto de estudo de especialistas e de produção de milhares de obras sobre a sua arte e dimensão multidisciplinar.
Mas a sua figura como pessoa e a interpretação de algumas das suas obras têm sido objecto de imensas teorias e controvérsia. Daí, ter sentido a necessidade de, ao ler “As Sombras de Leonardo da Vinci” de Christian Gálvez, confrontar informação com outros livros sobre Leonardo da Vinci. Reconheço que a parte material e visível da obra é bem mais fácil de ser trabalhada do que a personalidade, os sentimentos e atitudes de um homem que viveu 67 anos e cuja vida foi marcada por traições, desafios e vicissitudes, mas uma energia fora do vulgar que fez dele também um sobrevivente.
O início do livro situa-se em 1519 no dia 2 de Maio, data da sua morte, em França, na região do Loire onde viveu os últimos três anos da sua vida, a convite do rei de França, Francisco I. É a cena da morte, onde está acompanhado do rei e das pessoas que lhe são mais queridas, cena essa a que voltaremos no final do livro. Nascido da relação ocasional do pai, um importante notário de Florença, com Caterina uma jovem escrava, esse nascimento não desejado pelo pai marca-o, ao contrário do amor que a mãe lhe devota, mesmo quando o acompanhamento do seu crescimento e educação lhe são impedidos e o afastamento do filho lhe é imposto.
Os diversos capítulos que constituem o livro e que não surgem por ordem cronológica são cenas da vida de Leonardo da Vinci, em criança, na oficina do mestre Andrea Verrocchio, nos calabouços do Palazzo del Podestá em Florença, na sequência duma acusação anónima de homossexualidade, na sua oficina, em Florença, na Abadia de Montserrat, em Milão, Roma ou em França. A desenhar, a projectar, a planear, a dissecar cadáveres, a inventar, a experimentar, a estudar, a “voar”.
As rivalidades entre as oficinas dos artistas, a Europa em mudança, a Península Itálica dividida, as guerras entre os Médici, a Igreja e os papas, o nepotismo reinante, as teorias e os protagonistas que queriam reformar a Igreja de Roma, os encontros e desencontros, amizades e inimizades com outros artistas da época (Sandro Botticcelii, Michelangelo, Rafael, Maquiavel) tudo isto nos dá este livro do escritor madrileno. Um romance histórico documentado no final do livro com uma listagem exaustiva das personagens do romance, dos papas, dos Médici e dos Sforza que reinaram em Roma, Florença e Milão durante o período de vida de Leonardo da Vinci, assim como os reis de Espanha e de França do mesmo período.
Se Leonardo da Vinci conseguiu salvar Lorenzo de Médici do atentado dos Pazzi, lançando-se da cúpula de Santa Maria del Fiore para a Piazza della Signoria e assim usando pela primeira vez a sua máquina voadora; se Leonardo da Vinci conseguiu escapar da fogueira de Girolamo Savonarola lançando-se ao rio Arno e usando o seu escafandro que o impediu de morrer afogado; se Leonardo da Vinci se vingou dos três torcionários que o torturaram quando ele esteve preso acusado de práticas homossexuais; se Leonardo da Vinci viveu em Barcelona (Abadia de Montserrat) antes de ir para Milão; se a explicação que Francesco Melzi deu ao rei de França sobre o quadro de Mona Lisa corresponde ao pensamento e intenção de Leonardo da Vinci ao pintá-lo é a verdadeira…
Tantos “ses”! As minhas dúvidas.
A minha certeza: Leonardo da Vinci foi um homem genial, o símbolo maior do Renascimento, alguém com uma capacidade muito superior ao comum dos mortais, sempre a querer superar-se.
O difícil consegue-se, o impossível tenta-se.”

29 Agosto, 2019
Almerinda Bento




segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Convite Minotauro: Apresentação de "Voar no Quarto Escuro"


"Voar No Quarto Escuro" de Márcia Balsas

Não me pude impedir de fazer uma leitura mais crítica deste livro. Digo já que o resultado de tal exame foi "passado com distinção"! Passo a explicar...

Conheço a Márcia. Nestas coisas dos livros, conhecemos leitores e alguns aspirantes a escritores. A Márcia e eu pertencemos, já há mais de seis anos, ao mesmo grupo de leitura, a um dos que faço parte. A Márcia é uma pessoa calma, directa, que dá a sua opinião sobre o que lê sem pejo nem medos. Lê em voz alta muito bem, escreve ainda melhor. Já escreveu alguns contos que foram publicados. Os contos em geral não me atraem, não sei porquê. Ou melhor, sei. Acabam depressa demais, só isso. 

Sabia que a Márcia andava a escrever. A sua ausência dos encontros de leitura espelhava isso mesmo. Não sabia que era um romance. Pegar nele fez-me medo. Teria de dar a minha opinião sobre ele. Nem a Márcia esperava outra coisa, nem eu poderia ir contra o que acredito. Mas depois de o terminar as palavras rolaram facilmente. A opinião nasce com facilidade. É bom este livro!

Cada capítulo, um personagem. Eduarda, Alice, Celeste, Catarina, Adelaide, Ema, Beatriz, Célia. Peguei num papel e num lápis, como faço sempre quando o risco de me perder é grande. Quem é quem e o que faz. Depressa deixei de anotar. Elas, essas mulheres, estavam lá na minha cabeça, todas distintas, com personalidades diferentes, com acontecimentos passados e presentes que as distinguiam na perfeição. Gostei. 

E que vos dizer da escrita da Márcia? Algumas palavras sabiamente colocadas juntas umas das outras, um toque de poesia, ligeiro, que não farta mas que nos faz voltar atrás para as apreciar, uma beleza! 

A história? São várias, todas tendo a Mulher como protagonista, que se vão entrelaçando devagarinho. Em todas essas mulheres um elo que urge descortinar. É o amor, o desespero, a infelicidade e a solidão que aqui estão retratados e que as acompanham.

O título? Gosto. Sugere uma caminhada pela vida muito embora esta possa ser agri-doce. Um voar sem asas ou com elas partidas. No fundo é sobre histórias de mulheres de hoje que nos fala este livro. Porque as histórias podem ser macabras, duras e feias. Mas retratam a vida.

É um romance, este livro da Márcia, mas creio que a sua paixão pelos contos está aqui bem retratada. São várias histórias, de várias mulheres, que se entrelaçam. Vale a pena degustar as palavras desta minha amiga! (Olha pra mim tão vaidosa: conheci uma escritora antes de ela o ser, lol).

Recomendo!

Terminado em 25 de Julho de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Sou eu a minha prisão, agora. Até acordar cercada por grades, algures.»

Eduarda apenas sonhara em refazer a sua vida após a morte do marido, que a deixou sozinha no mundo com uma filha adolescente. Não desconfiou que essa nova casa, com um novo companheiro, a conduziria a uma vida de violência, destinada ao esquecimento. Anos de submissão encaminham-na para uma noite de tempestade.


Este é o momento em que as paisagens tão dissonantes da vida de seis mulheres se entrelaçam de uma forma inegável, numa demanda pelo significado da vida. Mães, filhas, amigas, amantes, casas devastadas pela dúvida e pela loucura - todas obrigadas a enfrentar o medo de voar no quarto escuro.

Cris

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Passatempo Mensal "Toca a comentar"

Olá. Cá está de novo o blogue para uma nova "rentrée" depois de umas férias fabulosas! 

E para começar em beleza lembrei-me de premiar os seguidores que participam activamente no blogue comentando os posts e, por outro lado, incentivar também os mais tímidos a fazê-lo. 

Gosto de vos "ouvir", de saber o que pensam sobre os livros, se já os leram ou pretendem ler. No fundo, de interagir com quem tem a "pachorra" de me ler ou de ler as opiniões dos convidados do blogue. 

Assim, mensalmente irei sortear um livro pelos seguidores que expressarem a sua opinião, aqui no blogue, comentando os posts do blogue. Por cada comentário será considerada uma participação para este passatempo mensal. 

O livro a sortear será divulgado no fim do mês mantendo assim a expectativa em alto. Tentarei sempre que possível ter dois livros de modo a que o vencedor escolha o que mais lhe agradar. 

O vencedor será divulgado dia 1 do mês seguinte, através de um post, e terá 5 dias para responder e enviar a sua morada via mail. Caso o não faça, será sorteado novo vencedor. Na hipótese de este não responder, não será feito novo sorteio. 

Os livros a sortear poderão ser livros lidos mas em estado novo. 

Estes passatempos mensais ir-se-ão manter até Junho do ano que vem. 

Resta somente desejar boa sorte a todos e que apreciem a leitura dos livros sorteados! 

Cris

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Férias

O blogue vai de férias. Adivinham para onde? 
Em Setembro recomeçamos com alguns novos projectos.







quinta-feira, 22 de agosto de 2019

"A Oeste Nada de Novo" de Erich Maria Remarque

O autor coloca-se na pessoa do protagonista desta história, Paul Bäumer, um jovem soldado alemão de 19 anos, que juntamente com a sua turma, incentivados por um professor, alistou-se para combater na Primeira Guerra. Escrita crua, pormenorizada, descritiva, que impressiona. Encontram-se a 8 km da linha da frente, algures entre a Flandres e o Vosges, e o seu pelotão é chamado a combater com frequência. Um ir e vir à linha da frente que os esgota muitíssimo, tanto mais que a alimentação que lhes dão é insuficiente. Inexperientes, sujeitos a um superior que os amachuca constantemente tanto física como psicologicamente, Paul vê os amigos e colegas de carteira a tombar.

A tensão da espera nos abrigos que os esvazia. As ratazanas esfomeadas. O cheiro intenso, o som atordoador, a escuridão que vira dia com os clarões das bombas. As trincheiras destruídas. Tudo é descrito com cuidado e ao pormenor. O leitor ouve, sente e vê. Na frente de combate a vida a depender do acaso, a sorte em estar vivo. As balas que atingem não se sabe quem, os obuses que matam indiscriminadamente, os estilhaços que ferem com o intuito de ceifar vidas. À espera de uma morte que não se sabe se ou quando virá.

Por outro lado, são-nos descritas situações algo hilariantes como aquela em que Paul e um amigo decidem roubar um ganso para o assar. Depois de algumas peripécias em que estão envolvidos Paul, dois gansos e um cão da raça bullmastiff, os dois amigos encontram-se num barracão onde fazem uma fogueira. Lá fora, o som que uma guerra faz: explosões causadas pelas bombas, o barulho dos aviões, o matraquear das metralhadoras, gritos! Não fora o leitor "ouvir" perfeitamente o barulho e "ver" o cenário descrito, até pareceria uma cena cómica. O horror e o sorriso juntos em quem lê. 

Paul sente que a sua vida e a dos seus companheiros nunca será a mesma. Aliás, acha que foi completamente destruída com esta guerra que, para ele, não faz sentido nenhum. 

Uma obra a ler, sem sombra de dúvida. Um retrato psico-sociológico muito bem elaborado das consequências de uma guerra. Uma crítica social e política que valeu ao autor a sua ida para a Suíça, dado que este livro constituiu, segundo os nazis, um "acto de traição contra os soldados alemães que combateram na frente" (Epílogo). Uma obra ficcionada, mas muito visual, e que terá, muito provavelmente, muitas vivências de Erich Remarque.

Recomento para quem tem um estômago forte. Muito bom mesmo!

Terminado em 17 de Agosto de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Nas trincheiras, um a um, os rapazes começam a tombar em combate…

Em 1914, um professor chauvinista incentiva uma turma de estudantes alemães — jovens e idealistas — a alistar-se para a “guerra gloriosa”. Todos o fazem, movidos pelo ardor e pelo patriotismo próprios da juventude. Mas o seu desencanto começa logo durante a recruta brutal. Mais tarde, ao embarcarem no comboio que os levará à frente de combate, veem com os próprios olhos as feridas terríveis sofridas sob o impacto das bombas e a metralha implacável. É o seu primeiro vislumbre da realidade da guerra. Não será o último.


Cris

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Experiências na Cozinha: O Menu da Semana

Este é um bom livro para quem pretende mudar a sua alimentação, ou simplesmente alterar a forma de cozinhar, - introduzindo alimentos e combinações de alimentos que fogem à comida tradicional - mas que sente dificuldades quer na sua escolha, quer na organização e planeamento.

Tem muita informação útil sobre a forma como devemos conservar os diversos alimentos, os tempos de preparação e, ainda sugestões de menus semanais, com as respectivas receitas.

Foi difícil escolher uma receita deste livro, para vos mostrar, porque são todas muito apelativas e de fácil execução.

Acabámos por escolher a receita de amaranto com ervilhas e bimis (que substituimos por brócolos) por ser um cereal, ou melhor, ou pseudocereal, ainda relativamente desconhecido, mas que tem muito valor nutricional; é uma excelente fonte de proteína, não tem gluten e é rico em fibras, vitaminas e minerais.

Tal como o blogue "Made by Choices", da mesma autora - a Vânia Ribeiro - de onde retiramos tantas ideias sempre deliciosas, e de que somos seguidoras, este livro também tem um lugar de destaque na nossa biblioteca de gastronomia. 







Palmira e Cristina

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Para os Mais Pequeninos: O Livro dos Ursos

Todos sabemos que as crianças possuem uma predilecção especial pelos animais e, às vezes, aqueles que só podem ter de peluche - como os ursos - são os seus preferidos.

Este livro fala-nos dos ursos, das diferentes espécies que existem, do seus habitats e das suas características particulares que distinguem umas espécies das outras. Não é pois um livro de histórias mas, com tantas imagens sugestivas, podem-se inventar várias dirigidas aos mais pequeninos, que estão sempre prontos a ouvir. Gestos, sons, tudo é permitido para fazer com que essas imagens se tornem reais!

Um livro que dá para algumas horas de leitura/conto muito especiais e onde podemos ensinar (e aprender!) muitas características destes animais de grande porte. Ora vejam algumas imagens:





Cris

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

"A Força do Amor" de Angela Hart

Keeley e Angela. Uma menina de 8 anos e uma mãe de acolhimento. Nunca uma leitura me colocou os nervos tão em franja! Sobretudo por passar a ter a noção de como deve ser difícil cuidar e amar crianças vítimas de abusos.

Angela e Jonathan são uma família de acolhimento e vivem em Inglaterra. Já são um casal experiente nessas andanças pois passaram em sua casa muitas crianças, por períodos mais ou menos longos. Com eles estão dois rapazes adolescentes, quando recebem uma menina com traumas e abusos psicológicos e físicos ainda não determinados. É preciso uma dose de paciência e amor muito grande pois o comportamento de Keeley não é pacífico e consegue fazer desesperar o mais santo dos homens! A mim fez-me pensar sobre estas famílias de acolhimento e a preparação que devem ter de modo a conseguirem ultrapassar a barreira que uma criança que foi abusada cria para se defender e proteger. Não reagir e não confrontar é muito difícil quando, insistentemente, as birras (e não só) surgem do nada e parecem ser infinitas! Como reagir? Como chegar ao coração de uma menina que foi magoada vezes sem conta?

O que mais me impressionou foi o facto de este livro não ser ficção. Esta obra é escrita na primeira pessoa por Angela Hart, a autora, e somos confrontados com a dificuldade do que será dar amor e manter a calma com uma criança que injuria constantemente e é malcriada ao ponto de fazer desesperar todos os que estão à sua volta. Isso juntamente com todas as regras que necessitam cumprir, pois uma criança que foi abusada precisa de atenções e cuidados especiais! Os Hart, tiveram com esta menina uma dificuldade acrescida já que nada parecia resultar. E às vezes parece que nada resulta mesmo. Só mais tarde é que se descobre que algo ficou dessa dádiva de amor.

Este livro é um relato pessoal onde a autora coloca, para além do sucedido com esta colocação, as dúvidas que teve na altura sob a melhor forma de lidar e amar uma criança com tantas dificuldades de adaptação e qual a melhor forma de a fazer revelar os traumas que sofrera. 

Recomendo muito esta leitura. Já há muito tempo que não lia nada sobre esta temática. Li alguns livros de outra autora que abordam temáticas semelhantes e de que gostei muito, Torey Hayden. Conhecem? Também fiquei muito curiosa em ler outro livro de Angela Hart que já foi publicado cá, "Ninguém me ama".

Terminado em 14 de Agosto de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Keeley, de oito anos de idade, parece a menina mais doce do mundo, mas os demónios do passado tornam o seu comportamento longe de angelical.

Ela faz com que Angela, a sua mãe de acolhimento, passe por momentos muito exigentes e difíceis enquanto trava batalhas diárias contra os seus problemas psicológicos profundamente arraigados.

Conseguirá o amor e o cuidado especializado de Angela e do seu marido, Jonathan, ajudar Keeley a triunfar contra todas as probabilidades?


Cris

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

A Convidada Escolhe: "Londres"


Londres, Virginia Woolf, 1931,32

Como é a Londres de Virginia Woolf? Quase cem anos depois, que diferenças se encontram entre a visão da escritora que nasceu, amou e viveu durante tantos anos nesta cidade e uma cidadã-turista que visita a cidade e que a dá a conhecer a outras pessoas que a visitam pela primeira vez?

Entre os inúmeros pontos de interesse da cidade tão presente nos seus Diários, Virginia Woolf escolhe como “roteiro” neste The London Scene seis aspectos, correspondentes a seis ensaios escritos na Primavera de 1931 e publicados em Dezembro desse mesmo ano e ao longo de 1932 na revista Good Housekeeping.
Começa pelas docas, pela azáfama do porto, com as entradas constantes de navios vindos da Índia, da Austrália, da América, de todo o mundo, trazendo e levando produtos ao sabor das necessidades e do gosto das populações. A dança dos guindastes é constante e a sujidade e o lixo não são coisas boas de se ver, em contraste com Oxford Street onde se encontram “refinado(s) e transformado(s)” os produtos trazidos e deixados em bruto nas docas de Londres. Mas Virginia Woolf alerta que Oxford Street “não é a rua mais distinta de Londres”, tanto mais que aqui “há demasiadas pechinchas, demasiados saldos” para concluir que “Tendo em conta tudo isto – os leilões, os carrinhos de mão, as pechinchas, o esplendor – não se pode dizer que seja refinado o carácter de Oxford Street.” Nesta maré que é Oxford Street tudo é transitório como os nossos desejos, veloz como as notícias, reflectindo que “o encanto da moderna Londres está em ser feita não para durar, mas para passar.”
Depois da “Maré de Oxford Street” Virginia Woolf leva-nos a visitar as casas do casal escocês Thomas e Jane Carlisle em Chelsea e de Keats em Hampstead. Sem água canalizada, todo o trabalho de aquecimento e transporte de água para os banhos desde a cozinha até ao terceiro andar da casa dos escoceses, em que a Sra. Carlisle e a criada se afadigavam, tornavam esta casa num campo de batalha contra o frio e o pó. Virginia Woolf diz que esta casa é marcada pelo mês de Fevereiro, ao contrário da casa de Keats, uma casa despojada de móveis, com muita luz e em que reina a Primavera.
A Catedral de Saint Paul e a Abadia de Westminster não podiam deixar de ser referidas como locais marcados pela vastidão, pela serenidade e pela presença de grandes estadistas e homens de acção que aqui repousam e onde se encontram os seus nomes e estátuas jazentes. Não menos digno de nota, uma inscrição que leu na parede de uma pequena igreja – St. Mary-le Bow – onde a memória e as qualidades de um homem comum ficaram imortalizadas.
O confronto entre o perene e o transitório que Virginia Woolf faz na referência às estátuas dos homens que ficaram na história e que existem na cidade e o dia-a-dia das pessoas comuns é aprofundado no ensaio sobre a Câmara dos Comuns. Aqui, os deputados são comparados a um “bando de pássaros num campo de terra lavrada.” ”Estes homens pouco se distinguem das pessoas normais” mas são eles que decidem da paz ou da guerra, ou das coisas mais comezinhas como a velocidade a que se pode conduzir em Londres. Virginia Woolf dificilmente os vê transformados em estátuas. “Os dias do indivíduo e do poder pessoal terminaram de vez”. e conclui que a democracia transformou o Parlamento. No entanto, o seu optimismo não é excessivo pois a democracia ainda avança a custo, lentamente e é vigiada por inúmeros polícias…
Finalmente, o último ensaio é o delicioso e pouco lisonjeiro retrato de uma londrina. Chama-lhe Sra. Crowe. É “uma coleccionadora de relações”, recebe um grupo restrito de amigos para o chá das cinco, os quais alimentam com as suas conversas frívolas a bisbilhotice de que são feitas as suas vidas. Afinal de contas para eles e para a Sra. Crowe, Londres não passava de uma aldeia e a bisbilhotice era tudo o que queriam da vida.
A ideia que perpassa da cidade de Londres nestes ensaios escritos em 1931 é de uma cidade trepidante, em que as pessoas se acotovelam, com multidões sempre apressadas, havendo até referência a turistas (pág. 67). “Os únicos sítios tranquilos …são os cemitérios.” A trepidação e o encanto da sua cidade testemunhados por esta ilustre londrina, continuam a atrair milhões de turistas um século depois. Como seria “The London Scene” escrito por Virgínia Woolf em 2019? Numa página do seu Diário de 5 de Maio de 1924 escrevia “Londres fascina, saio e é de imediato um mágico tapete colorido e eis-me transportada para a beleza, sem ter sequer de mexer um dedo.”

Mouriscas, 3 de Agosto de 2019
Almerinda Bento