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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Novidades Marcador

A PRINCESA AZUL
de Filipa Sáragga
No Reino Distante, do amor do Rei Grande e da Rainha Luz, nasce uma princesa de pele azul chamada Clara. Como todos aqueles que são diferentes, Clara, a princesa que é azul, cresce para ser amada por muitos e a ser discriminada por outros. À medida que cresce vai ter que enfrentar o bom e o mau, o justo e o injusto. A maldade que lhe infligem por ser diferente faz com que Clara chegue ao limite das suas forças e com essa dor parte à procura de uma solução, e quem sabe, bem lá no fundo também à procura de si mesma. Com a companhia da Rosa- Baú e com a ajuda dos seus sete cristais Clara vai aprender a amar, a perdoar, a respeitar, agradecer tudo o que é essencial nesta vida. 

Coração de mãe nunca se engana 
de Maria Inês Almeida
Maria Inês Almeida, a autora deste livro, encontra no seu filho, José, o parceiro ideal para escrever a mais bela das histórias. A história da vida que todos os dias liga uma mãe a um filho. Em textos simples e cheios de sabedoria, percorrem juntos um caminho que os leva a descobrir o mundo, a vida, a amizade e o amor. São momentos sinceros, divertidos, profundos, verdadeiros que não vão deixar o leitor indiferente.


A Alquimista das Cores 
de Aimee Bender
Um acontecimento traumático ocorre quando uma rapariga de cabelos dourados aparece num pomar de maçãs; uma mulher põe em prática uma fantasia com o marido e descobre que não consegue regressar à sua antiga vida sexual; uma mulher muito feia casa com um ogre e debate-se com a decisão de o deixar ou não, depois de ele devorar os filhos por acidente; e duas irmãs viajam até ao coração da Malásia, onde uma delas aprende a arte de cerzir tigres cujas listas se rasgam.

Convite Nascente


Novidade Oficina do Livro

VIVER COM DOENÇAS SEM SER DOENTE
de Maria José Costa Félix
As doenças podem ser uma experiência positiva. Ter a importante função de nos empurrar para a essência do que somos, convidando-nos a aproveitar ao máximo a vida que nos é dada, num qualquer estado de saúde. Podem revelar-nos, até quando parecemos uma pessoa frágil e sem luz, que existe uma força maior e fazer-nos vislumbrar a essência da vida.
Aqui ficam quinze casos e testemunhos de quem conseguiu ter uma atitude positiva perante a doença e de profissionais com experiência nesta área.
O nosso verdadeiro estado de saúde depende, não tanto das doenças que temos, mas sobretudo de como aceitamos o facto de podermos adoecer e das doenças poderem vir ter connosco. Poderá haver pessoas que, embora sem terem doenças, se sentem doentes e outras que, com uma doença grave, se sentem saudáveis apenas porque continuam ativas e interessadas pela vida. 

Novidade Presença

Tempo de Partir
de Jodi Picoult
Durante mais de uma década, Jenna Metcalf não deixa de pensar na sua mãe, Alice, que desapareceu em misteriosas circunstâncias na sequência de um trágico acidente. A criança que era então não conservou lembranças dos acontecimentos, mas Jenna recusa-se a acreditar que a mãe a tivesse abandonado e relê constantemente os diários que ela escrevia com as observações da sua pesquisa sobre elefantes, tentando encontrar uma pista oculta. Desesperada por obter respostas, Jenna contrata dois improváveis ajudantes, uma médium famosa por encontrar pessoas desaparecidas e um detetive que já tinha estado envolvido na investigação do desaparecimento de Alice, e parte determinada a descobrir a verdade.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A escolha do Jorge: O Diário de Mary Berg

"O Diário de Mary Berg" foi publicado inicialmente em 1945, aproximadamente um ano depois de a autora ter chegado aos EUA após ter sobrevivido à experiência de três longos anos no gueto de Varsóvia, seguidos de seis meses na prisão Pawiak nas proximidades do gueto e ainda outros seis meses num campo de internamento, em Vittel (França) a aguardar troca de prisioneiros para então poder viajar em segurança rumo aos EUA.
O livro chega-nos agora às livrarias na sequência da comemoração dos 70 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz sendo, pois, mais uma preciosidade que ficamos a conhecer e que de alguma forma nos alarga o conhecimento no que respeita à construção do gueto de Varsóvia assim como ao seu funcionamento.
Contado na primeira pessoa, Mary Berg é filha de uma judia com nacionalidade norte-americana e de pai igualmente judeu e comerciante de obras de arte. A família vivia confortavelmente em Lodz e acabou por se refugiar em Varsóvia no seguimento das violentas perseguições aos judeus. Iludidos com a ideia de que na capital polaca as condições de vida seriam melhores para esta comunidade, muitos judeus migraram em número significativo para Varsóvia sendo posteriormente integrados no gueto que foi edificado acolhendo 400 000 judeus que viviam com inúmeras dificuldades.
Desde a sua entrada no primeiro dia de construção do gueto de Varsóvia em 1940, Mary Berg recolhia informação vária sobre a vida dos judeus no gueto, as condições de higiene, o difícil acesso à alimentação, os maus tratos por parte dos alemães, as doenças frequentes como o tifo e as mortes frequentes cujo número aumentava à medida que as condições de vida do gueto se agravavam.
A par das más condições de vida dos judeus do gueto, Mary Berg elucida-nos também que graças ao elevado nível cultural dos judeus, desde cedo foram constituídas escolas clandestinas incluindo escolas religiosas, muitos grupos de teatro e associações culturais proliferaram no gueto durante pelo menos um ano, restaurantes e cafés com concertos ao vivo, a referência à moda ditada pelas judias com posses que impunham as cores das épocas no vestir e no calçar, os grupos de apoio aos necessitados, nomeadamente aqueles que mendigavam por uma côdea de pão e um abrigo.
O número de casamentos judeus aumentou nos primeiros meses de existência do gueto ainda que proibidos pelos nazis, embora a solução tenha passado por emitir as respectivas certidões com data anterior à implementação da lei.
A necessidade de companhia e afeto por parte das pessoas contribuiu igualmente para a existência de relacionamentos atípicos entre pessoas com uma grande diferença de idades na medida em que se tentava a todo o custo lutar contra a solidão e, consequentemente, uma eventual morte devastada pela doença e tortura na sequência das mortes dos demais elementos da família.
As frequentes perseguições e agressividade face aos judeus contribuiu para a integração do "Pequeno Gueto" no "Grande Gueto" obrigando a uma nova mudança de residência, cada vez mais difícil, por parte dos judeus afetos àquelas ruas (bairro) de Varsóvia que se tornavam cada vez mais apertadas à medida que continuava a aumentar o número de judeus que ou por iniciativa ou por imposição se dirigiram para Varsóvia.
À medida que o gueto de Varsóvia caminhava para a asfixia em termos de habitantes, os nazis adotaram uma atitude ainda mais agressiva passando a enviar milhares de judeus em vagões para o campo de concentração de Treblinka, sobretudo quando se impôs a "solução final para a questão judaica" que levou milhões de judeus para campos de concentração e de morte até ao final da guerra.
Os judeus que eram deportados para o campo de concentração de Treblinka partiam da "Umschlagplatz", um ponto ferroviário criado propositadamente com esse objetivo e que se situava nas imediações do gueto de Varsóvia.
Graças ao facto de a mãe de Mary Berg beneficiar de nacionalidade americana, toda a família acabou por ser transferida para a prisão Pawiak que se situava igualmente nas imediações do gueto, aguardando por uma troca eventual de prisioneiros de guerra alemães por judeus com várias nacionalidades várias de todo o continente americano. Após três anos de experiência no gueto de Varsóvia, a família de Mary Berg passou seis meses naquela prisão que se traduziram em seis meses de fome profunda, entre outros maus tratos a que estavam sujeitos.
É precisamente durante este período de prisão que se intensificam os ataques e consequentes massacres aos judeus do gueto, testemunhados pelos gritos e banhos de sangue que podiam ser testemunhados parcialmente da prisão de Pawiak.
As deportações aumentaram em massa e o assassinato de judeus sem dó nem piedade intensificaram-se fazendo jus ao desejo de extermínio do povo judeu por parte dos nazis.
Mary Berg só terá verdadeiramente consciência desta realidade quando foi transferida para Vittel, em França, ficando "internada" a aguardar finalmente a autorização para sair definitivamente da Europa. É durante esse internamento que Mary reencontra uma amiga do gueto de Varsóvia que lhe relata os últimos acontecimentos tortuosos por parte dos nazis aos judeus na sequência da resistência armada por parte destes tendo ficado o acontecimento conhecido por Insurreição do gueto de Varsóvia que teve lugar em 1943.
No início de março de 1944, Mary Berg e a sua família embarcaram no navio «Gripsholm» a partir de Lisboa rumo aos EUA chegando a Nova Iorque a 15 de março.
"O Diário de Mary Berg" mostra-nos o outro lado da guerra, na perspetiva de uma adolescente judia com uma capacidade (quase) inata para a descrição dos factos deixando ao leitor a responsabilidade em ajuizar sobre os vários acontecimentos descritos. Mary Berg descreve-nos uma guerra no contexto da 2ª Guerra Mundial, uma "guerra" pela sobrevivência que se traduziu numa dolorosa resistência e resiliência por parte dos judeus em relação ao jugo alemão.


Excertos:
"5 de fevereiro de 1941
(…)
A cada dia que passa há cada vez mais «sonhadores de pão» nas ruas do gueto. Os olhos estão velados por uma névoa que é de outro mundo… Sentam-se, em geral, no outro lado da rua diante das montras das lojas que vendem comida, mas os seus olhos já não veem o pão que existe atrás do vidro, que talvez lhes pareça um paraíso distante e inacessível." (p. 81)

"Agosto de 1942

Por trás dos portões de Pawiak vivemos também todo o terror que campeia no gueto. Não temos conseguido dormir nas últimas noites. O barulho dos tiros e dos gritos de desespero enlouquece-nos. Tenho de reunir todas as minhas forças para escrever estas notas. Já perdi a conta dos dias e nem sei que dia é hoje. Mas que importa isso? Estamos aqui numa pequena ilha, no meio de um oceano de sangue. Todo o gueto [de Varsóvia] se afunda em sangue. Vemos literalmente sangue humano derramado de fresco, podemos cheirá-lo. O mundo exterior saberá alguma coisa do que aqui se passa? Porque não vem ninguém em nossa ajuda? Não consigo continuar a viver; a minha força esvaiu-se. Quanto tempo teremos de aqui ficar a assistir a tudo isto?
Há alguns dias foi levado de Pawiak um grupo de cidadãos de países neutros. Só que os alemães não devem tê-los conseguido usar para uma das trocas. Da minha janela, avistei vários camiões cheios de pessoas e tentei ver, entre elas, caras que conhecesse. Passado pouco tempo, o guarda da prisão [de Pawiak] veio ter connosco, ofegante, e disse-nos que os cidadãos de países europeus neutros que eram judeus foram levados para o ‘Umschlagplatz’ para serem deportados." (p. 232)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Passatempo Presença


E pensando no Dia da Mãe, O Tempo Entre os Meus Livros com a preciosa colaboração da Editorial Presença, tem para oferecer aos seus seguidores um exemplar de "Mãe" de Alejandro Palomas.

O passatempo decorre até ao dia 25 Abril.

Para mais informações veja Editorial Presença aqui!

Boa sorte!

terça-feira, 14 de abril de 2015

A Convidada Escolhe: A Rapariga que Roubava Livros

Há livros que nos deixam num estado indescritível, de belos, sensíveis, inspiradores. Tinha visto o filme e tinha saído da sala de cinema naquele estado de felicidade e com a sensação de tempo bem gasto a ver uma obra belíssima. Era, pois, preciso ir à origem, ao livro que lhe deu material e inspiração e o livro é, verdadeiramente, belo.
Markus Zusak, o autor, é um jovem filho de mãe alemã e pai austríaco que ele nomeia e a quem agradece a inspiração, quer na dedicatória inicial quer nos agradecimentos no final do livro. Sem as histórias que eles lhe contaram sobre a guerra, nunca este livro teria podido ser escrito por ele.
O livro é invulgar e todo ele é feito de delicadeza, de poesia, de ternura e muita sensibilidade. As frases curtas frequentemente usadas dão mais força a toda a narrativa e aos diálogos entre as personagens.
A narradora é a Morte, sem mãos a medir naquele período horrendo que foi a declaração de guerra de Hitler ao mundo "… em 1943, eu estava praticamente em toda a parte", a qual escolhe a pequena Liesel Meminger – a rapariga que roubava livros – para nos contar a sua história, desde a viagem de comboio que faz com a mãe e o irmão até uma pequena cidade dos arredores de Hamburgo onde irá viver com os futuros pais adoptivos e o seu percurso no encontro com as palavras, os livros e as pessoas. Na macabra banalidade da morte, há histórias que sobressaem e esta da jovem Liesel toca a Morte que nos convida a acompanhar esta menina desde os finais de 1938 até 1945. Liesel é a heroína que sai dos padrões e dos estereótipos da menina bem comportada; ela joga à bola na rua com os rapazes, acompanha os rapazes para roubarem fruta e rouba livros!
Através da aprendizagem da leitura, ela ganhou o gosto da escrita que a levou a escrever sobre a sua vida e a sua experiência. Aprendeu a saborear as palavras e a aprofundar os seus sentidos, as suas nuances, as suas contradições. Um dicionário é afinal um livro extraordinário pelo mundo que nos abre! Aprendeu que com as palavras se podem descrever o céu e fazer um relato meteorológico a alguém que há meses está privado de ver a luz do sol, por estar escondido numa cave porque é judeu.
O que pode um livro? O que podem as palavras? Através dos livros, que a princípio nem sequer sabia ler, mas que exerciam sobre ela um fascínio irresistível, ela aprendeu a sua tremenda força. Era a serenidade que transmitia às pessoas aterrorizadas numa cave, quando os aviões lançavam as bombas mortíferas sobre a cidade; era a esperança da recuperação quando lia ao jovem judeu moribundo escondido pelos pais na cave da sua casa; era a companhia à vizinha cujos filhos tinham partido para a guerra.
Mas há também um momento de desespero de Liesel em que ela se rebela contra as palavras e diz " Para que servem as palavras? Por que haviam elas de existir? Sem elas não haveria nada disto. Sem palavras o Fuhrer não era nada" numa referência ao poder terrível que as palavras podem ter quando estão nas mãos de ditadores ou de gente sem pingo de humanidade.
Este livro é muito rico na análise dos sentimentos e da época. O povo alemão não é confundido com o Fuhrer e seus cães de fila. Os alemães são apresentados como vítimas de uma guerra para a qual foram arrastados e que lhes trouxe morte, fome e miséria. É sobretudo através das crianças que esse retrato é feito: como é a sua vida em condições adversas, como se habituam a viver perdendo a presença dos pais, como crescem cedo demais sem poderem aceder a uma infância normal. O autor também não esbate os sentimentos contraditórios que a guerra provoca nas pessoas que a vivem e que lutam desesperadamente pela sobrevivência: medo, alívio, remorso, vergonha e culpa. Sobretudo o sentimento de culpa por viver, por estar vivo.
Um livro que aconselho mesmo!

Almerinda Bento

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Convidada Escolhe: A Sombra dos Dias


Já o tinha comprado e na segunda vez que o li, de novo instalou-se a profunda admiração.
Num súbito impulso fui ao Diário de Notícias, à caça dum autógrafo e dumas palavras. Vim de lá duplamente rica! Afinal o Gui não era uma mera personagem. Era um ser magnifico de carne e osso e ainda hoje recordo o brilho ladino desses olhos azuis, dum homem corajoso chamado Guilherme de Melo.
O livro, de carácter autobiográfico e escrito na 3ª terceira pessoa, fala de um rapaz que nasceu, cresceu, iniciou a sua carreira de jornalista, insaciavelmente curioso, ávido de sensações e emoções e amante de Moçambique até à medula.
Na descoberta do corpo, constatou que não era como os demais, sufocou os seus impulsos, casou com uma mulher e na sequência dum acidente pediu a anulação do casamento, deixando cair a máscara, ao sentir que não podia viver senão como homossexual, condição esta que assumiu corajosamente num mundo preconceituoso.

É uma memória de vida, com textos poderosos, poéticos por vezes, de alguém que sempre deu a cara sem hipocrisia, doesse a quem doesse.
Em Outubro de 1974, na sequência dos acontecimentos que levaram à independência, muda-se definitivamente para Lisboa, indo trabalhar para o Diário de Notícias, onde trabalhou até à reforma em 1996.
Viria a morrer em Lisboa em 2013, com 82 anos.

Ana Mafalda Salvado

domingo, 12 de abril de 2015

Na minha caixa de correio

  

  

  



  

Oferta da Topseller,  A Lista de Prioridades e. O Diário de Mary Berg.
Da Quinta Essência chegou o último da Jude Deveraux.
Três Pianos é o livro de uma querida amiga, a Paula Dias.
O Acabadora e Há Mil Anos Qu e Aqui Estou foram comprados em segunda mão. 
Emprestados por um amigo os restantes três...
Por qual começar?



sábado, 11 de abril de 2015

Passatempo Planeta

Mais uma vez, agradecendo desde já a simpática colaboração da editora Planeta, O Tempo Entre os Meus Livros tem para sortear entre os seus seguidores um exemplar de "28 Dias" de David Safier.

O passatempo decorre até 21 de Abril!

Ficamos à espera da vossa participação e desejamos que o Sr Random esteja convosco e vos dê sorte!

Fica aqui o comentário que saiu no blogue!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Novidade Presença


Na cosmopolita Barcelona, celebra-se mais uma passagem de ano e aproxima-se a meia-noite. Amalia, aos 65 anos, consegue finalmente realizar o seu sonho: reunir toda a família. Mãe, obra narrada pela voz do filho mais velho, conta a história desta mulher encantadora e combativa, de uma alegria contagiante, que com a sua imensa generosidade entretece uma rede de fios invisíveis que liga e protege os seus, e é capaz de aliviar o silêncio de uns e inspirar outros a acreditar na vida. Amália sabe que é o momento de agir e não está disposta a deixar que nada a desvie do seu propósito. Uma história que arrebatará o coração de todos aqueles que a lerem e que é uma verdadeira homenagem a todas as mães do mundo.

Para mais informações veja Editorial Presença aqui!

Data de Publicação: 15 Abril 2015

Novidades Porto Editora

Dias de Sangue e Glória

de Laini Taylor

Karou, antiga estudante de Arte, quimera revenante e aprendiz de ressurrecionista, tem finalmente as respostas que sempre procurou. 
Sabe quem é − e o que é. Porém, com este conhecimento vem outra verdade que ela daria tudo para desfazer: amou o inimigo e foi traída, e um mundo inteiro sofreu por isso.
Agora, sacerdotisa de um castelo de areia numa terra de poeira e estrelas, profundamente só, Karou tenta recriar o universo do seu passado, contribuindo, com a sua dor e a sua mágoa, para a volta gloriosa das quimeras.
Porém, sem Akiva, e sem o seu sonho de amor partilhado, o caminho da esperança afigura-se impossível de trilhar.
Repleto de desgosto e beleza, segredos e escolhas impossíveis, Dias de Sangue e Glória encontra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra tão antiga como o tempo.


Corrupção
de C. J. Sansom
O ataque a França levado a cabo por Henrique VIII não correu conforme esperado e agora uma enorme frota de navios de guerra franceses está estacionada no Canal da Mancha preparada para a revanche. Enquanto a armada inglesa se organiza em Portsmouth, o 
reino procura recrutar homens para formar o maior exército de sempre. 
É neste ambiente conflituoso que o serjeant Shardlake receberá um pedido de ajuda da rainha Catherine Parr para investigar o estranho suicídio do filho de uma antiga criada. A investigação obrigá-lo-á a viajar, juntamente com o seu assistente Barak, até Portsmouth, onde se deparam com uma cidade preparada para a guerra. O Mary Rose, o emblemático e temido navio de Henrique VIII, será testemunha das mais terríveis e surpreendentes revelações, graças às quais Shardlake conseguirá resolver o caso.

Novidade TopSeller


Novidade Clube do Autor

O Bom Alemão 
de José Manuel Saraiva

José Manuel Saraiva fez a Guerra Colonial na Guiné e dedicou a sua vida profissional ao jornalismo. Das memórias desses tempos guardou a matéria para melhor entrar na vida das personagens do seu novo romance. O Bom Alemão conta a história de Nicole e Fritz, dois jovens que têm muito pouco em comum para além de um passado marcado pela Segunda Guerra e por sucessivos desaires amorosos. As circunstâncias especiais em que se conhecem geram, porém, entre eles um sentimento de total confiança mútua e cumplicidade que sempre faltara às suas vidas.
Mas Fritz é um homem destroçado por uma herança demasiado penosa e não consegue afastar as dúvidas de Nicole sobre a sua verdadeira natureza. Confrontados com os seus próprios limites de perdão e de tolerância, serão arrastados para um desfecho imprevisível e irreparável.
Neste livro, José Manuel Saraiva lança-se num exercício de memória sobre os conflitos armados e sobre as dores que perduram após o fim da guerra. Trata-se de uma viagem a mundo povoado por medos, angústias e sofrimento. Num estilo vivo e apaixonado, o autor transporta o leitor às feridas do período nazi ao mesmo tempo que reflete sobre a complexidade da condição humana.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A Escolha do Jorge: Auschwitz Um Dia de Cada Vez

"Auschwitz Um Dia de Cada Vez" é o mais recente trabalho de Esther Mucznik cuja edição surge na sequência da comemoração dos 70 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz. O presente livro é a obra que sucede a "Portugueses no Holocausto" (2012), colocando a escritora entre um dos nomes mais significativos no que respeita ao estudo do Holocausto no nosso país.
"Auschwitz Um Dia de Cada Vez" é uma obra que incide essencialmente na temática dos campos de concentração criados durante o regime nazi antes e durante a 2ª Guerra Mundial com maior enfoque em Auschwitz (próximo de Cracóvia, Polónia) que assumiu não só o registo de campo de concentração, mas também de extermínio, tornando-se inevitavelmente naquilo que é frequentemente designado por símbolo do Holocausto.
Com o objetivo de levar a cabo a "solução final para a questão judaica", Hitler e os seus esbirros transformaram o III Reich na maior máquina de morte conhecida na História que levou ao extermínio de mais de seis milhões de judeus durante a 2ª Guerra Mundial.
Neste sentido, "Auschwitz Um Dia de Cada Vez" faz-nos novamente sentar na carteira da escola e recordar inúmeros aspetos daquele que foi o período mais negro do século XX, além de nos acrescentar novos testemunhos, vítimas dos nazis durante a guerra.
São muitas as descrições de puro terror descritas ao longo das 300 páginas do livro, reflexo de um sadismo e loucura deliberados perpetrados pelos nazis aos judeus e outras minorias. As experiências médicas, as torturas, a fome, as fracas condições de higiene e as frequentes doenças e epidemias constituíram igualmente o triste cenário a que milhões de pessoas estiveram sujeitas face a desígnios superiores, incompreensíveis, tudo legitimado pela defesa da tão defendida «raça ariana».
Ao longo deste livro foram três as questões que frequentemente me assolavam o pensamento, a saber: 1. A incompreensão e inconformidade desta tragédia sem precedentes; 2. A incapacidade da justiça atuar face aos criminosos; 3. As lições que a Humanidade deverá tirar do Holocausto.
Em relação à primeira questão, dou voltas ao pensamento sempre que leio sobre esta temática e o resultado esbarra sempre na incompreensão face ao que aconteceu, levando inúmeras cidades europeias à destruição vitimando milhões de pessoas que perderam as suas casas, bens e familiares, muitos deles mortos em câmaras de gás nos campos de concentração. Por muito que leia e muitos documentários que veja sobre esta temática, restam duas palavras: incompreensão e inconformidade. Como foi possível um país como a Alemanha com uma cultura notável, de impacto e referência a nível mundial na área da música, da filosofia, entre outras, ter sido completamente iludida por um indivíduo como Adolfo Hitler ao ponto de apoiar e embarcar num sonho verdadeiramente terrífico?
A segunda questão prende-se com a incapacidade da justiça face ao julgamento e condenação de muitos criminosos de guerra que ficaram totalmente impunes face ao sucedido.
O querer esquecer depois da guerra contribuiu para que antigos SS e dirigentes nazis se integrassem na nova sociedade civil que emergia então das cinzas do após-guerra, normalizando, aos poucos, a vida e o estado da Alemanha no que respeita à sua reconstrução.
Assim, este esquecimento forçado contribuiu, neste sentido, para uma ineficácia da aplicação da justiça que levasse a cabo a ideia de "desnazificação" (na verdadeira aceção da palavra) que ainda hoje clama por milhões de vítimas inocentes. Afinal, é lícito questionarmos à boa maneira platónica «o que é a justiça?» quando temos conhecimento que mais de 85% de elementos que pertenceram às SS não foram sequer a julgamento. Exemplo paradigmático e revoltante é o caso concreto de Mengele, conhecido como «o carniceiro de Auschwitz» que se refugiou na América do Sul tendo acabado por morrer no Brasil, em 1979.
A terceira questão relaciona-se com as lições que a Humanidade deverá aprender com a experiência do Holocausto. Passaram precisamente 70 anos após o fim da 2ª Guerra Mundial e tantos conflitos assolaram o Mundo desde então, contribuindo para a morte de milhares e milhares de vítimas. Temos o caso específico da chacina que teve lugar nos Balcãs, no coração da Europa, durante os anos 90, cuja guerra na Bósnia conduziu ao genocídio de mais de 8000 mil bósnios em Srebrenica. Atualmente podemos referir por exemplo o caso específico da guerra civil que assola a Síria há mais de dois anos, além de outros conflitos circunscritos no Médio Oriente, em África e outras partes do globo.
Em todos estes conflitos poderíamos falar de "holocaustos" que acontecem diariamente vitimando milhares de pessoas que perdem o seu direito e lugar neste mundo e que, à semelhança do que aconteceu durante a 2ª Guerra Mundial, continuamos sem conseguir pôr cobro a estas situações.
Se por um lado é importante não esquecer o Holocausto, é imperativo (pelo menos deveria ser assim) que houvesse efetivamente o esforço em evitar que iniciem outros e novos conflitos, cujo fim é sempre o mesmo, a morte gratuita.
Dentro deste ponto sobre o papel da História e as lições que a Humanidade deverá tirar daquele capítulo negro e trágico, ocorreu-me também um aspeto que nunca foi (propositadamente) enunciado no decorrer da obra, sobretudo no epílogo subordinado ao tema «Não nos esqueçam!». Este exercício de a Humanidade retirar lições da História é feito sempre numa perspetiva de evitarmos potenciais conflitos, mas também numa perspetiva de termos o Mundo de um lado e os judeus do outro. Esta ideia de "nós e os outros" é em si mesma uma fonte geradora de conflitos atendendo ao conflito israelo-palestiniano que tem lugar há décadas cujo o início aconteceu pouco depois da criação do Estado de Israel, em 1948.
Creio que este assunto teria constituído um capítulo final, ideal, deste livro "Auschwitz Um Dia de Cada Vez" na medida em que se olharmos para o permanente conflito que opõe israelitas e palestinianos, encontramos aqui muitos pontos em comum com a chacina praticada durante a 2ª Guerra Mundial, sobretudo se atentarmos aos guetos a que as comunidades palestinianas se encontram submetidas (muito embora lhe atribuam outros nomes), não esquecendo a quase inexistência do estado Palestiniano quando observamos um mapa político em que esse país nada mais é do que um conjunto de "ilhas" no seio do Estado de Israel que gradualmente se impõe, ganhando terreno aos seus adversários.
Não querendo defender um povo em detrimento de outro, esta questão assolou diversas vezes o meu pensamento durante a leitura de "Auschwitz Um Dia de Cada Vez" na medida em que, no meu entender, também será lícito questionar quais foram as lições que os judeus aprenderam com a História do século XX quando atualmente a sua política de força assume características semelhantes às do carrasco nazi.
Em jeito de conclusão, gostaria de referir alguns dos nomes de intelectuais que teorizaram sobre o Holocausto e que Esther Mucznik alude ao longo deste seu novo livro cujos testemunhos são uma presença constante, nomeadamente, Shlomo Venezia, Jean Arémy, Simone Weil, Primo Levi, Elie Wiesel e Imre Kertész, entre outros.
Nesta lista imensa de nomes e de testemunhos, confesso ter estranhado não haver qualquer referência a Hannah Arendt ainda que de forma ténue haja pelo menos uma referência e de modo superficial à ideia de "banalidade do mal". No meu entender, numa obra de referência como este "Auschwitz Um Dia de Cada Vez", teria sido importante fazer a ponte com Hannah Arendt num dos capítulos finais na medida em que se trata da pensadora que teorizou a ideia de "banalidade do mal", tema relativamente ao qual se debruçou durante vários anos ao referir-se ao nazismo especificamente.
Termino o presente texto com um excerto que me parece refletir algumas das ideias trazidas a estas linhas e que de alguma forma nos ajuda a compreender e a reposicionarmo-nos no Mundo, assim como na relação com os outros:
"A História ensina, mas não tem alunos», escreveu Ingeborg Bachmann, o que significa que não aprendemos com ela. Apesar de omnipresente, a memória do Holocausto pouco nos tem ajudado a detectar nos outros conflitos os sinais da tragédia… Por quê? Porque não basta o «Nunca mais». Como afirmou Imre Kertész, (…), o problema de Auschwitz não é a sua memória, é a sua própria existência, e se quisermos reflectir e aprender os ensinamentos que nos pode trazer, não bastam as proclamações e um vago conhecimento, é necessário um conhecimento aprofundado do que aconteceu. A memória não é uma virtude, nem um dever, é uma faculdade. Mas é uma faculdade falível, sujeita a manipulações permanentes." (p. 299)

Texto da autoria de. Jorge Navarro

quarta-feira, 8 de abril de 2015

"Uma Fortuna Perigosa" de Ken Follett

Desafio quem ainda não leu Ken Follett a fazê-lo! Aposto que vai gostar e apaixonar-se pela escrita deste autor. Se é certo que ele possui vários livros sobre diferentes conteúdos também é certo que em todos eles se nota uma pesquisa exaustiva sobre os temas tratados o que revela uma busca alargada sobre assuntos variados, não cansando nunca o leitor.

 Mas, a magia de Ken Follett está longe de se ficar por aqui...
É na forma da sua escrita, no seu discurso, que reside o poder que este autor exerce na atenção do leitor. Quando se dá por isso as páginas já voaram e chega-se perigosamente perto do final mesmo sem querer. Sim, porque é disso mesmo que se trata: não se quer abandonar, nem terminar, um relato que nos está a levar para outros lugares, outras épocas, e nos está a saber bem!

Este livro, mais uma vez, cumpriu com essa missão: transportou-me para a Inglaterra do século XIX, numa viagem que fiz com muito prazer. Os lugares, os hábitos e costumes das classes poderosas vs classes de menos posses, as finanças e as intrigas que manipulam o poder, os amores impostos, os que jogam ao amor e também, claro está, o amor verdadeiro e as dificuldades que encontra. Os personagens apaixonam-nos de imediato, mesmo aqueles que possuem um carácter malévolo e que vencem através do mal têm o condão de nos enfeitiçar e quase desejamos que nada lhes aconteça e que no final sofram uma reviravolta convertendo-se em pessoas de bem... Corajosas, manipuladoras, intriguistas, sofredoras, vencedoras, todas elas captam a nossa atenção pelos mistérios que encerram.

Intrigas e corrupção política e financeira, suspence, traição, assassinatos, misturados com uma dose de romance q.b. fazem deste romance um livro a pegar e não mais largar. Percorremos trinta anos nestas quinhentas e tal páginas, sempre desejando que não tenham fim. Recomendo fortemente!

Para mais informações vejam Editorial Presença aqui!

Terminado em 5 de Abril de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

Inglaterra, 1866. O verão anuncia-se quente e, numa tarde de maio, um jovem morre afogado numa pedreira inundada de água. O incidente ocorre em Windfield School, uma escola frequentada por rapazes oriundos de classes abastadas, permanece encoberto em mistério conduzindo a uma trágica saga de amor, poder e vingança que envolve sucessivas gerações de uma família de banqueiros.
A história decorre entre a riqueza e a decadência de uma Inglaterra vitoriana, entre a City londrina e colónias distantes. O leitor acompanha a família Pilaster durante o período áureo do império britânico. Ken Follett inspirou-se num caso real de bancarrota ocorrido no século XIX para escrever este romance extraordinário.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Passatempo Marcador

O Tempo Entre os Meus Livros tem o prazer de vos anunciar mais um passatempo que vos vai deliciar!

Gentilmente cedido pela Editora Marcador, temos para oferecer, aos seguidores do blogue, um exemplar do último livro de Possidónio Cachapa, Viagem ao Coração dos Pássaros.

Para se habilitarem a este sorteio só têm de responder acertadamente às questões seguintes, obedecendo às regras habituais!

O passatempo termina dia 17 deste mês.

Boa sorte!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

"A Bastarda de Istambul" de Elif Shafak

O título deste livro atraiu-me de imediato. A capa também, devo confessá-lo. Já a leitura não se fez tão rápida quanto desejaria. Fui intercalando com outros livros e isso dispersou-me um pouco não entrando de imediato na história descrita.

Nunca me passou pela cabeça largá-lo porque um mistério prendeu a minha atenção (e ainda bem que não o fiz).
Já o livro ia a meio quando a história fez sentido e se juntaram as peças todas, ou melhor, as personagens principais, Asya e Armanoush. E aí sim, a minha atenção focou-se na história com um mistério a desvendar, no meio de uma Turquia cheia de cheiros e sabores, costumes e tradições, para nós Ocidentais, um pouco estranhos e diferentes. Com uma boa dose de loucura, as personagens deste livro são maioritariamente mulheres que são ou desejam ser independentes, muito embora certos costumes as limitem e condicionem. Ficar a conhecê-los revelou-se um prazer e estimulou a minha leitura.

Através dessas duas personagens, uma Arménia e outra Turca, e tendo como pano de fundo o antigo conflito ArménioTurco ("entre 1915 e 1923 sofreu o que os historiadores consideram o primeiro genocídio do século XX, perpetrado pelo Império Otomano e negado até hoje pela República da Turquia. As mortes são estimadas em 1,5 milhão de arménios e a deportação de milhões de outros, fazendo com que a Arménia tenha uma diáspora gigantesca pelo mundo, de descendentes que fugindo das perseguições, tomaram o rumo de países como França, Estados Unidos, Argentina, Brasil, Líbano e muitos outros."- retirado da Wikipédia) , vamos deslindando o mistério que está por detrás delas.

Se bem que, no início, tenha tido alguma dificuldade em distinguir os nomes das personagens escolhidos pela autora, depois fui-me entranhando na história e gostando, tanto mais porque a autora aborda variados temas sociais polémicos em relação ao papel e liberdade das mulheres.

Deixo-vos o link de uma entrevista dada por Elif Shafak que me pareceu muito interessante:
http://observador.pt/2015/02/10/mulheres-criam-os-filhos-como-pequenos-sultoes/

Terminado em 2 de Abril de 2015

Estrelas: 4*

Sinopse

Numa tarde de chuva em Istambul, uma mulher entra num consultório médico. «Preciso de fazer um aborto», declara. Tem dezanove anos de idade e é solteira. O que acontece naquela tarde mudará para sempre a sua vida.
Vinte anos mais tarde, Asya Kazanci vive com sua família alargada em Istambul. Devido a uma misteriosa maldição que caiu sobre a família, todos os homens Kazanci morrem aos quarenta e poucos anos, e por isso é apenas uma casa de mulheres. Entre estas destaca-se a bela e rebelde mãe de Asya, Zeliha, que dirige um estúdio de tatuagens; Banu, que recentemente descobriu que é vidente; Feride, uma hipocondríaca obcecada com a iminência da tragédia.
Quando a prima de Asya, Armanoush, uma arménio-americana, vem para ficar, segredos de família há muito tempo escondidos, relacionados com o passado tumultuoso da Turquia, começam a ser revelados.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A Escolha do Jorge: Comédia em Modo Menor


Chamavam-lhe Nico. Mas Nico não era o seu verdadeiro nome. Wim e Marie consideraram que assim seria mais fácil ao embarcarem na aventura em acolher um judeu perseguido pelo regime nazi. Vivia-se em plena guerra e Wim e Marie aliaram-se a tantos outros concidadãos holandeses e recolheram um judeu em sua casa por uma questão de patriotismo e humanidade, demonstrando, dessa forma, que a Holanda era um país em que verdadeiramente se sentia o conceito de liberdade religiosa antes da invasão nazi.
Wim e Marie tiveram de ajustar a sua vida e os seus hábitos à circunstância de passar a ter a tempo inteiro um visitante sem data marcada para a sua saída. Wim e Marie tinham igualmente consciência de que o mínimo passo em falso poderia ser fatal para todos.
Mas o que significa para Nico este porto de abrigo sem data marcada para o fim conflito que assola a Europa? Uma prisão dentro de uma prisão? Uma prisão silenciosa que a qualquer momento poderá acabar num campo de concentração e de extermínio, destino de tantos outros milhares de judeus?
Qual é a história de Nico? Quem foi a sua família? O que perdeu quando começou a guerra? Quem perdeu na guerra? Wim e Marie não saberão e nós também não.
Episódios caricatos e com alguma tensão com o medo sempre à espreita estão sempre presentes nesta "Comédia em Modo Menor" de Hans Keilson (1909-2011) culminando com a inesperada doença e morte de Nico e com a necessidade de Wim e Marie se libertarem do corpo sem darem nas vistas por olhos mais atentos.
É na tentativa de o casal se ver livre do corpo de Nico que percebem que deixaram várias pistas que os poderá incriminar, acabando, também eles, por se esconderem de tudo e de todos para que não sejam apanhados, vivendo, dessa forma, uma experiência muito semelhante à de Nico quando estava escondido em sua casa.
É com algum humor (por vezes negro) que Hans Keilson, escritor judeu alemão/holandês conseguiu retratar na novela "Comédia em Modo Menor" um pouco das experiências por que passaram muitos holandeses durante a 2ª Guerra Mundial.
Apesar de o escritor ter conseguido sobreviver durante a guerra graças à alteração do nome, não conseguiu que os seus pais não fossem deportados para Auschwitz onde acabaram por morrer, acontecimento que o marcou durante o resto da vida deixando-lhe um forte sentimento de culpa.

Excertos:
"Nico então apressava-se a pensar noutra coisa, nos tormentos, no horror a que sem dúvida não teria podido fugir mas a que escapara para vir cair noutra forma de tortura. Murmurava para si mesmo: - Em todo o lado nos esperam o tormento e o horror. Em todo o lado." (p. 15)

"- (…) Eu próprio assisti a vários partos. Quatro bebezinhos judeus. Rapazes fortes. Berram como berram todos os bebés quando vêm ao mundo. E esse é que é o perigo! Alguém pode ouvi-los! Os vizinhos! Em casais sem filhos, ao fim de doze, catorze anos de infertilidade, de repente nascem filhos. As crianças são mandadas, evidentemente, para outras famílias.
Wim e Marie trocaram um olhar e sorriram. Por mais que a situação fosse grave, e até um pouco triste, não puderam deixar de rir-se. Passava-se cada coisa! Mas ele tinha razão. Em todo o lado nascem crianças, nos abrigos antiaéreos, durante os bombardeamentos, e mais depressa do que o recomendável. Onde quer que a morte espreite, a vida segue em frente. E quanto à situação em que estavam, era melhor ter um morto na cama do que uma mulher com um recém-nascido aos berros. Também nisto ele tinha razão." (pp. 22-23)

"Um segredo! Não se tratava só de o terem escondido; ele próprio era o segredo, a sua pessoa, a sua vida. À sua volta havia toda uma terra de ninguém, desconhecida e impenetrável. Não havia ponte que abarcasse essa distância. Mesmo quando ainda era vivo, tudo quanto lhe ouvia dizer, tudo quanto via, a voz dele, os movimentos, eram como uma coisa vista da outra margem do rio por entre a bruma que sobe da água e distorce uma visão clara, e confundiam-se rapidamente com as espirais impessoais e sem cor do nevoeiro. Agora estava morto e tinham-no levado de casa, mas no seu lugar tinha ficado um segredo, um último vestígio." (pp. 83-84)
Texto da autoria de Jorge Navarro

terça-feira, 31 de março de 2015

A Convidada Escolhe: Palácio da Lua

Palácio da Lua de Paul Auster, um livro extraordinário que não será fácil esquecer.

"Foi no Verão em que o Homem caminhou pela primeira vez na Lua. Eu era muito jovem nessa altura, mas não acreditava que viesse a haver um futuro. Queria viver perigosamente, pegar em mim e levar-me tão longe quanto possível e, depois, quando lá chegasse, logo veria o que me acontecia. Como veio a verificar-se, quase não cheguei lá…"

Assim começa a narrativa de Marco Stanley Fogg, que, órfão de mãe e sem conhecer o pai, é criado pelo tio Victor, músico, com uma vida nem sempre fácil e com quem aprendeu uma certa filosofia de vida. O dinheiro que recebe de indemnização da companhia de transportes responsável pelo atropelamento e morte da mãe vem a constituir, depois da morte do tio, o único meio de financiar os seus estudos na universidade. Quando os finaliza encontra-se só, sem dinheiro, sem forças, nem espírito para encarar a situação. Restam-lhe os 1492 livros que o tio Victor lhe deixara que, com muito desgosto, vai vendendo para se manter. Por fim, vê-se na situação de mendigo contra a qual não sente forças para lutar, resignando-se. Quanto bate no fundo é encontrado por amigos que o salvam de morrer. Recuperado, arranja emprego em casa dum intelectual idoso, de temperamento irascível, rico, cego e paralítico. A sua função é ler alto, passear o patrão e ter paciência. Aqui começa uma nova e fantástica história. A história do senhor Thomas Effing, que a dada altura da sua vida se fizera desaparecer para a família. Depois de contar várias histórias curiosas a Fogg, resolveu que antes de morrer queria deixar escrito todas as peripécias do seu passado. Descobre-se que o senhor Effing tinha um filho que julgava que o pai morrera. Fogg fica encarregado de, após a morte de Effing, lhe entregar o seu obituário. É assim que Marco conhece Solomon Barber, professor universitário, autor de vários livros, o primeiro dos quais uma também história fabulosa baseada nos factos e lendas que lhe foram sendo contadas, na infância e juventude, sobre o desaparecimento do seu pai. Coincidência das coincidências Fogg acaba por descobrir que Solomon Barber é o pai que nunca conseguira conhecer e que Effing era seu avô. Solomon Barber morre e ele volta a encontrar-se só, andando de um lado para o outro até gastar o último dólar da herança, na continuação do desejo de se descobrir a si próprio, e quem sabe de um novo mundo, o mundo dos seus próprios sonhos.

Neste livro, pleno de citações eruditas, não só nos é contada a história do narrador como as histórias de todas as personagens que com ele se cruzam.

Um livro bastante interessante!

Maria Fernanda Pinto

segunda-feira, 30 de março de 2015

"De Zero a Dez" de Margarida Fonseca Santos

Gosto dos livros da Margarida. Pronto! Tem uma escrita límpida, clara, muito terra a terra, foca assuntos que nos são próximos e leem-se, portanto, com uma fluidez que nos encanta. Resumindo, é isto.

Mas há mais. Depois de acabar uma leitura dela, percebemos melhor algumas pessoas que nos rodeiam ou alguém de quem já ouvimos falar mas que não pertence ao nosso grupo de amigos. E isso, para mim, é uma mais valia enorme, mais valia que nos acrescenta algo, que alimenta e faz crescer a nossa personalidade, o nosso eu.

Não é uma escrita rebuscada, mas sim simples mas profunda. Agrada a quem lê. Produto de uma pesquisa que se adivinha grande e/ou de algo pessoal, os livros da Margarida são para se ler. Pronto!

"De Zero a Dez, A Vida no Silêncio da Dor" é um livro a quatro vozes, escrito na primeira pessoa: Leonor, doente de artrite rematoide, uma doença músculo-esclética; Maria, sua amiga incondicional; o seu médico e João Paulo, o seu namorado. Várias vozes sobre uma doença que não se vê (embora, por vezes, as deformidades sejam visíveis) mas que é sentida constantemente por quem dela sofre. A sua invisibilidade faz com que haja quem pergunte, insensivelmente, se não é uma "mania", um fingimento...

Uma história contada de uma forma simples, mas sentida, sobre algo complicado, num mundo onde a doença não tem lugar!

Terminado em 28 de Março de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

Esta é uma história sobre a dor crónica, esse mal constante e invisível, que afeta tantas pessoas. É igualmente um livro terapêutico, onde os caminhos e as estratégias para lidar com problemas de saúde crónicos se revelam a cada passo. É, sobretudo, um livro com esperança por dentro.
Leonor é uma mulher a braços com uma doença crónica, que, durante muito tempo, a deixa sem saber como avançar para lá das dores, sem saber como conviver com o cansaço da dor e com a dor do cansaço. Leonor vê a sua vida espartilhada por condicionantes que influenciam o dia-a-dia, nas mais pequenas coisas, mas também o futuro.
É através da ajuda dos amigos e de uma relação equilibrada com o seu médico que reencontra uma vida a que pode chamar sua, onde a felicidade e o empenho no trabalho passam a ser uma realidade concreta, possível e enriquecedora, uma vida onde a dor deixa de ser o centro.

sábado, 28 de março de 2015

Na minha caixa de correio

    






Cortesia da Editorial Presença, o último livro de Ken Follet, de quem sou uma admiradora insaciável!
Também gentilmente cedido pela Marcador, Quando o Sol Brilha.
 Da Planeta chegaram os livros da Asa Larsson e de Celso Filipe.
Do Clube do Autor veio Fuga de Auschwits.
Comprado a 1€ e 2,5 € na loja cash converters, Perguntem às Árvores e Os Meninos da Jamba.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Luís Miguel Rocha

Novidade Porto Editora

Fantasia para dois coronéis e uma piscina
de Mário de Carvalho
Dois coronéis discutem Portugal à beira duma piscina, num monte alentejano. Nada lhes escapa. Duas mulheres mostram-se, em tudo, contrárias entre si. Um jovem vedor de água e jogador de xadrez, de muito bom feitio, arroja-se por essas carreteiras no seu estafado Renault 4. Um tio misógino aconselha sabiamente o sobrinho. Soraia Marina, capitosa cantora pimba, embala as almas simples. Gil Vicente e o pote de Mofina Mendes também marcam presença. E um narrador curioso intervém com as suas perspicazes considerações, sob o olhar sempre atento de um mocho e de um melro, que assistem e, às vezes, comentam.

Novidade ASA

SÓ SE AMA UMA VEZ

de Johanna Lindsey
Regina Ashton já recusou tantos pretendentes à sua mão que a alta-sociedade londrina a considera uma snobe sem coração. Não podiam estar mais enganados. Órfã desde cedo, Regina é a sobrinha superprotegida de Lord Edward e Lady Charlotte Malory, a quem é muito difícil agradar. Aos olhos dos tios, nenhum dos jovens candidatos é suficientemente bom. Cansada de tão infrutífera busca, a jovem sai de casa numa noite escura, decidida a informá-los de que não pensa casar… nunca! Mas o seu plano coloca-a no sítio errado à hora errada, e é raptada por engano. A sua ira perante a arrogância do raptor, Nicholas Eden, vai inesperadamente dar lugar a sentimentos contraditórios de paixão e vergonha. Aquela noite não mais lhe sairá da cabeça.
O Visconde Nicholas Eden também tinha um plano: dar uma lição à sua amante descontente, raptando-a ao abrigo da noite. Não contava enganar-se na pessoa e arruinar a reputação de uma menina de família. Mas agora, movido pelo desejo mais desenfreado que alguma vez sentiu, é a custo que reconhece que nunca poderá casar com Regina, apesar do escândalo que paira sobre eles.
Implacável, é o destino que os uniu a afastá-los irremediavelmente, ainda que ambos saibam que um amor assim só se vive uma vez…