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domingo, 25 de setembro de 2016

Ao Domingo com... Carla Ramalho

Eu não temo estar sozinha. Gosto da minha companhia. Da voz que me
acompanha de cada vez que todas as outras se calam. Por isso adoro escrever. Não sei se isto faz de mim uma escritora, nem sequer uma boa contadora de histórias. Mas fará certamente toda a diferença nos meus dias. E isso é tudo aquilo que procuro.

Nos últimos tempos, por razões do lançamento (físico) do meu livro, Pelas Ruas de Uma Cidade Sem Nome, começaram a pedir-me autógrafos! Amigos que sempre acreditaram na minha escrita (ou que simplesmente sempre gostaram de mim); conhecidos que simpaticamente procuraram o meu livro; e desconhecidos que - heroicamente e sem pejo de preconceito - se aventuraram a gastar dinheiro na primeira obra desta ilustre desconhecida. O que me orgulha não é deixar a minha marca pessoal num livro. Ou a vã glória de me achar
especial. Não o sou. Aquilo que me preenche, por inteiro, ao ponto de me deliciar e de aproveitar cada momento desta viagem, é a ideia de haver mais alguém que aceita conhecer as minhas personagens, que vai entrar naquela cidade, caminhar pelas suas ruas. Nuas e frias. Despidas. Tal e qual como eu me apresento em cada linha que escrevo. Tal e qual como as personagens se erguem em cada página virada. E eu sou o elo de ligação entre esses dois mundos. Apenas o elo. O elemento facilitador. Aquele que ficará ao longe a torcer para que o encontro entre leitores e personagens resulte na simbiose perfeita. E só por isso vale a pena continuar a escrever. Da minha parte, como não podia deixar de ser, um único e sincero pensamento: espero que desfrutem tanto da leitura deste livro como eu desfrutei da sua escrita.

Carla Ramalho

sábado, 24 de setembro de 2016

Na minha caixa de correio

   

  

  

 

Da Editora Arena recebi A Revolução Smart Food e Menos é Mais.
O Luto É A Coisa Com Penas veio da Elsinore.
Da Chiado recebi Aamir, Um Pária Em Lisboa.
Sissi veio da Topseller. Estou curiosa com este livro e há muito que não leio um romance histórico...
Diário do Meu Suicídio foi oferta da Coolbooks depois de ter mostrado o meu interesse pela escrita do Rui, autor que participou há pouco tempo na rúbrica Ao Domingo Com...
Desperdício Zero, foi oferta da Presença. Mal posso esperar para mergulhar no livro de Bea Johnson. A alimentação saudável é um dos meus temas de eleição. Com ela, veio uma curiosidade de respeitar o meio ambiente (re)utilizando o que temos ao nosso dispôr.
Inseparável, do Clube do Autor, vai ser uma das próximas leituras. Também do Clube do Autor chegou Os Grandes Paradigmas da Pré-História e Terra Abençoada, um livro espectacular que teve agora nova edição.
Numa loja Cash Converters, adquiri Pablo la Noche. Bem baratinho por sinal. Apenas €2,50.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A Escolha do Jorge: Auschwitz

São inúmeros os romances, biografias e ensaios alusivos ao Holocausto, um tema que por si só é inesgotável, não apenas pela capacidade que o assunto em si mesmo tem em continuar a chocar as pessoas passados mais de setenta anos depois da 2ª Guerra Mundial, pela necessidade, talvez, de trazer à luz novos episódios até então desconhecidos, outras histórias relacionadas com a crueldade perpetrada pelos nazis aos judeus, como forma de resgatar vidas através dos livros mantendo-as vivas através das palavras, mas também pela (in)capacidade de compreensão do ser humano no que respeita àquilo de que o Homem é capaz de levar por diante quando imbuído de um espírito, uma doutrina e um líder sádicos capazes de instaurar a loucura arrastando a Europa para um conflito bélico sem precedentes.
Todas estas publicações alusivas ao Holocausto visam sem dúvida a denúncia de uma barbárie (quase) inimaginável em pleno século XX, mas também cumpre a função de preservar a memória dos acontecimentos para as gerações futuras como forma de alerta de que o Homem "pisara o risco" no tocante a todos os códigos ético-morais instituídos na sociedade, assim como à violação do valor da vida em si mesma.
Para além dos géneros acima indicados que têm servido de base para a exploração (ou explicação) do Holocausto como denúncia dos actos ignominiosos dos nazis, podemos acrescentar a novela gráfica. Já Art Spielgelmann nos dera a conhecer "Maus", reeditado recentemente, em que o autor, filho de pais judeus polacos, apresenta uma novela gráfica em que os judeus são os ratos e os nazis os gatos, contando, dessa forma, a história dos seus pais, do mesmo modo que apresentava a ideologia nazi.
A par de Art Spiegelmann, o francês Pascal Croci (n. 1961) apresenta-nos "Auschwitz" reportando-se especificamente ao ano de 1944, e cuja narrativa decorre no campo de concentração e de extermínio de Auschwitz-Birkenau, na Polónia. Respeitando a realidade histórica, Pascal Croci, apresenta-nos uma novela gráfica de grande qualidade, fruto da sua experiência e maturidade, revelando igualmente um conhecimento profundo sobre o tema, aliando para tal, o seu exímio talento na arte do desenho.
Longe de ser uma novela gráfica para jovens, "Auschwitz" choca e inquieta profundamente o leitor pelos desenhos cujos personagens tantas vezes olham para nós de modo apavorado ou nos casos em que a morte individual ou em grupo apresentam-se-nos quase de modo fotográfico como se o autor/artista tivesse captado aquele olhar num dado momento de horror.
Baseado em testemunhos reais conforme explicado na entrevista nas últimas páginas da obra, Pascal Croci tentou reproduzir situações concretas do quotidiano no campo de concentração e de extermínio de Auschwitz-Birkenau, desde a chegada dos prisioneiros, como em Março de 1944, com a chegada de um grupo de judeus checos que rapidamente foram despojados dos seus bens para passarem às câmaras de gás para a suposta "desinfecção" e, por fim, acabarem nos fornos crematórios.
Pascal Croci chama a atenção para o aspecto da ficção que entra nesta novela gráfica, o caso específico do casal Kazik-Cessia que o autor os apresenta como sobreviventes da loucura nazi, mas acabando vítimas dos sérvios, em Tuzla, durante a guerra da Bósnia-Herzegovina, em 1993, meio século depois do final da 2ª Guerra Mundial.
É nesta relação entre as duas guerras que Pascal Croci também marca pontos, na medida em que a Europa volta a repetir os erros do passado recente através do nacionalismo efervescente que se sentia na ex-Jugoslávia após a morte de Tito, arrastando o país para o seu desmantelamento, reacendendo-se ódios do passado que culminal numa guerra sangrenta. A "limpeza ética" voltou a estar na agenda política, desta vez na Sérvia, que envolveu parte da antiga Jusgoslávia numa guerra civil, mas foi na Bósnia-Herzegovina onde o lema foi aplicado com bastante rigor e crueldade sendo assassinados milhares de cidadãos sem dó nem piedade, verdadeiros massacres, aos olhos de todo o mundo e da ONU que durante anos nada fizeram para impedir tamanha chacina no coração da Europa à beira do século XXI.
É com essa chacina que "Auschwitz" termina, ficando o alerta ao mundo como forma de evitar futuros crimes contra homens, mulheres e crianças, vítimas de políticas erradas e destruidoras de valores civilizacionais edificados com (muito) sacrifício pelas gerações passadas. A paz é cada vez mais um valor utópico olhando para o mundo à nossa volta. Mas é imperativo educar para a paz no mundo porque num mundo sem paz prevalece o terrorismo.

Texto da autoria de Jorge Navarro






quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Passatempo Pergaminho: "A Espia" de Paulo Coelho

Olá, olá! Novidades fresquinhas para os seguidores do blogue! Com a colaboração da Pergaminho temos para oferecer um exemplar do último livro de Paulo Coelho, A Espia! 

Para concorrer basta enviar um e-mail para otempoentreosmeuslivros@gmail.com com o nome, morada e completar a frase seguinte:

.............. foi a mulher mais desejada da sua época, famosa ................... que usava exóticas .................. orientais para chocar e encantar as plateias de toda a ............... .

Nada mais fácil, não?

Junto com o livro umas pequenas ofertas: alguns blocos com a capa do livro.

O passatempo decorre até ao dia 7 de Outubro.

Boa sorte! E não se esqueçam das regras habituais (apenas é permitido uma participação por pessoa/residência). O blogue e a editora não se responsabilizam por qualquer extravio aquando do envio do livro via CTT.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

"A Espia" de Paulo Coelho

Li Paulo Coelho quando adolescente. Não me lembro se gostei ou não mas, até surgir esta proposta da Bertrand, não tinha este autor na minha lista de espera... Ao ler a sinopse e ao perceber que se tratava de Mata Hari fiquei curiosa. Dela não sabia grande coisa, praticamente nada. Fui "googlar" um pouco e mais curiosa fiquei.

Aqui, neste livro, a personagem fala-nos na primeira pessoa e, com a escrita de um autor que está habituado a falar com os fãs através das letras que junta em palavras simples mas que tocam o coração, cria-se um ambiente que leva o leitor a acreditar que Mata Hari foi injustamente acusada de espionagem aquando da Primeira Guerra Mundial. Defesa bem elaborada pelo autor, através de situações ficcionadas que tive muito gosto em ler. É difícil saber ao certo se a acusação teria algo de veridíco mas, gostei de acreditar que não. Mata Hari foi acusada de traição quando deveria ter sido acusada, sim, de ser um espírito livre e de alguém que não desejava ter amarras de qualquer espécie. Uma mulher numa época errada. Mesmo hoje, certamente, haveria quem lhe apontasse o dedo...

Famosa por ter no seu leito alemães e franceses, Mata Hari acabou por ser fuzilada, acusada de traição. Creio que Paulo Coelho conseguiu dar voz a uma mulher que sentiu de perto o sucesso através das suas danças exóticas mas, soube também, descrever com precisão as suas (possíveis) angústias e seus últimos pensamentos ao ver-se confinada a uma cela suja e sem higiene.

Com uma escrita muito visual e simples, Paulo Coelho chega rapidamente ao leitor fazendo-o desejar ler todas as páginas até ao final. Final que mesmo adivinhado, não torna a leitura menos aprazível...

Gostei e recomendo!

Terminado em 15 de Setembro de 2016

Estrelas: 5*

Sinopse

«Tudo o que sei é que o meu coração é hoje uma cidade-fantasma, povoado por paixões, entusiasmo, solidão, vergonha, orgulho, traição, tristeza. E não consigo desenvencilhar-me de nada disso, mesmo quando sinto pena de mim própria e choro em silêncio. Sou uma mulher que nasceu na época errada e nada poderá corrigir isso. Não sei se o futuro se lembrará de mim, mas, caso isso ocorra, que nunca me vejam como uma vítima, e sim como alguém que deu passos com coragem e pagou sem medo o preço que precisava de pagar.»
Mata Hari foi a mulher mais desejada da sua época: a famosa bailarina que usava exóticas danças orientais para chocar e encantar as plateias de toda a Europa; a confidente e amante dos homens mais ricos e poderosos do seu tempo; a mulher com um passado enigmático que despertava o ciúme e a inveja das senhoras da mais alta aristocracia parisiense. Uma mulher que ousou libertar-se do moralismo e dos costumes provincianos das primeiras décadas do século XX - e pagou caro por isso. Em A Espia, Paulo Coelho evoca de forma magistral a vida desta magnífica mulher, que nasceu à frente do seu tempo, apresentando-a ao leitor contemporâneo como uma poderosa lição de força e de liberdade.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"Verão Sem Homens" de Siri Hustvedt

Ouvi há pouco tempo uma entrevista com a autora e seu marido, Paul Auster, na TV. Eu, que raramente vejo algo dessa caixa (mágica ?) porque prefiro ver a magia que se encontra nas páginas de um livro, fui a correr à estante buscar este. Escolhi-o por ser ter um reduzido número de páginas do que outro que cá tenho dela, mas como a experiência revelou-se positiva, vou puxar o Verão Ardente para mais próximo de mim. Os livros cá em casa mudam de lugar com frequência... Os mais longe, na sala, vêm muitas vezes passar uns dias comigo, aqui ao quarto, lugar onde me estendo para sonhar um pouco.

Resultado desta leitura? - perguntam vocês. Gostei da escrita de Siri Hustvedt. É descomplicada, fluída mas faz uma coisa, pelo menos neste livro, que não aprecio muito. Interpela o leitor, chama por ele, interroga-o, obrigando-o a participar, levando-o a opinar. Sinceramente não aprecio isso. Faz-me sair do meu sonho de dentro da história. Faz-me sentir "eu". E aqui, na leitura, gosto de me sentir personagem. Escolho com frequência uma com a qual me identifico e, pumba! Mergulho nela. Ora, se me obrigam a opinar sobre algo, sou forçada a sair de dentro dela e voltar para mim... Mas isso foi um aparte, porque não foi tantas vezes quanto isso que tal coisa aconteceu.

O que gostei, sobretudo, foi a forma inteligente que a autora arranjou para falar de vários temas, actuais e muito pertinentes hoje em dia. O que se passa num casamento quando um dos conjuges trai o outro, as diferentes formas de malvadez que podem grassar na adolescência, transformando-se muito facilmente em bulling, e a velhice, esse mundo de perda permenente, onde a morte está próxima e a amargura e a desesperança pode dominar o carácter de alguém que presente esse fim próximo.

Uma pausa num casamento de muitos anos. Um bom motivo para olhar em redor e aproveitar a vida.

Capa bela, porém, sóbria. Como gosto. Recomendo. Fiquei curiosa, como referi, com outro livro da autora que cá tenho. Registo igual? Vamos ver. Este está aprovado!

Terminado em 12 de Setembro de 2016

Estrelas: 4*+

Sinopse

«Há tragédias e há comédias, não é verdade? E são frequentemente semelhantes, um pouco como os homens e as mulheres. Uma comédia depende de parar a história exactamente no momento certo.»
Esta é a voz de Mia Fredrickson, a viperina e trágico-cómica narradora de Verão Sem Homens.
Mia é obrigada a examinar a sua vida no dia em que, sem pré-aviso e depois de trinta anos de casamento, o seu marido lhe pede "um tempo". Após um período de internamento num hospital psiquiátrico, ela decide passar o Verão na sua cidade natal, onde a mãe vive num lar de idosos. Sozinha em casa, Mia entrega-se à fúria e à autocomiseração. Mas, lenta e ardilosamente, a pequena comunidade rural insinua-se na sua esfera pessoal. Os "Cinco Cisnes" - um surpreendente grupo constituído pela sua mãe e as amigas -, a jovem vizinha, as adolescentes que frequentam o seu workshop de poesia… uma multiplicidade de vozes, vulnerabilidades, pequenas tiranias e desafios que resultarão na mais improvável das relações.

domingo, 18 de setembro de 2016

Ao Domingo com... Rui Miguel Almeida

O que eu mais queria, quando miúdo, era mudar o mundo. Cedo me apercebi das suas injustiças e, se quiser ser totalmente sincero, houve uma altura em que consegui acreditar que tinha nascido para as endireitar. Já adolescente, esforcei-me por aprender a tocar guitarra. Os acordes certos e uma letra acutilante podem mudar muita coisa. Continuo a acreditar nisso. Tempos depois, pousei a guitarra e peguei na caneta. Continuava um miúdo cheio de ilusões, mas tocar bem guitarra deixou de ser uma delas. Dediquei-me a cimentar palavras umas nas outras. Tinha coisas para dizer ao mundo, eu sentia-as a latejar dentro do peito.
Pelos dedos, foram-me escorrendo linhas e anos de vida. As linhas foram-se tornando textos, que se foram avolumando numa gaveta. Não por timidez.

Sempre li muito, comparava-me com os mestres e era como ir jogar à bola, depois de ver um jogo do Ronaldo ou do Messi. Os anos, esses seres implacáveis, além de quilos e cabelos brancos, deram-me a melhor das princesas e dois filhos que me devolvem sorrisos e um mágico brilho nos olhos a cada instante. Também por eles, escrevo ainda. Continuarei sempre a escrever.

Os textos, esses, vão saindo aos poucos da gaveta. Alguns talvez se transformem em livros que deixarão tudo na mesma. Se há esperança que acalento ainda, é a de que os meus filhos se transformem em fantásticos seres humanos. Se há coisa de que o mundo precisa para poder mudar, é tão só isso.

E eu quero muito dar o meu pequeno contributo.

Rui Miguel Almeida

sábado, 17 de setembro de 2016

Na minha caixa de correio

  

Três livros muito esperados:
Viver sem ti, oferta da Porto Editora (vou ler Viver Depois de Ti para ler logo de seguida este) passou para a frente da pilha!
Da Marcador chegou-me A Terapeuta e Milagre no Rio Hudson.
O meu obrigada às editoras parceiras do blogue!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Novidade do escritor Miguel Quintas Martins

A Alma do pecado
de Miguel Quintas Martins

A palavra “pecado” esteve durante muitos séculos, inerente a um contexto religioso, para descrever as desobediências à vontade de Deus. Hoje em dia é um termo utilizado até pelo mais fervoroso ateu para retratar atos que vão contra os valores éticos e morais da humanidade.

O livro de contos “A Alma do Pecado” são pequenos relatos de realidades inimagináveis para muitos, mas reais para os que acreditam que o mundo está repleto de malignidade.

Sete contos, sete pecados, sete vidas...Desafio então o leitor a descobrir quais os pecados implícitos em cada uma das histórias e a pensar se são meras contradições ao desenvolvimento da sociedade humana ou algo que vive em cada um de nós…

Novidade Elsinore

O luto é a coisa com penas

de Max Porter

«Como lembrança, como aviso, como pincelada de noite ao alvorar. Como uma pequena fresta no pensar. Dar-te-ei qualquer coisa em que pensar, segredei eu. Ele acordou e não me encontrou no meu da escuridão do seu trauma.»

Aqui está ele: marido e pai, romântico desarranjado e académico apaixonado por Ted Hughes, um homem perdido depois da morte súbita da sua mulher. E ali estão os seus dois filhos, a enfrentarem, como ele, a tristeza insuportável que os engoliu no seu apartamento londrino perante um vaivém de amigos bem-intencionados e um futuro de absoluto vazio.
Neste momento de desespero, são visitados pelo Corvo - antagonista, trapaceiro, curandeiro, babysitter. Este pássaro «sentimental» é atraído pelo luto da família e ameaça permanecer com eles até que não mais precisem da sua ajuda.
À medida que o tempo passa, as semanas se tornam meses e a dor se transforma em memória, esta pequena unidade de três pessoas começa a curar-se.

Novidade Pergaminho

A Espia
de Paulo Coelho

Inspirando-se na troca de correspondência entre a dançarina holandesa Mata Hari e o seu advogado, o escritor Paulo Coelho evoca de forma magistral a vida desta magnífica mulher no seu novo livro A Espia. As cartas foram escritas nas vésperas da sua execução, em França, e divulgadas publicamente há 20 anos.
Baseando-se em documentação que tem sido divulgada pelas autoridades militares alemãs e holandesas, assim como pelo MI5, Paulo Coelho recria a vida de Mata Hari através da última carta que escreveu. Toda a narrativa do livro está na primeira pessoa, dando voz à própria Mata Hari.
«Mata Hari foi uma das nossas primeiras feministas», diz Paulo Coelho. «Desafiou as expetativas masculinas do seu tempo e escolheu viver uma vida independente e nada convencional. Ainda hoje, podemos aprender muito com a sua vida, pois as acusações levadas a cabo pelos mais poderosos continuam a custar a vida a muitas pessoas inocentes.»

Novidade TopSeller

Sissi: Coragem até ao Fim
de Allison Pataki

Em meados do século XIX, a imperatriz Isabel da Áustria-Hungria — carinhosamente conhecida pelo povo como Sissi — já não é a menina ingénua e inocente de 15 anos que casou com o imperador Francisco José, mas a mãe do príncipe herdeiro e a mulher do líder de um poderoso império.
Sissi vive, no entanto, sufocada pelas regras do protocolo real e por um casamento turbulento, e por isso viaja com frequência para a sua propriedade na Hungria, o refúgio onde vive segundo as suas próprias regras e onde pode receber as visitas do conde Andrássy, por quem se apaixonou.
Contudo, trágicas notícias que chegam de Viena vão obrigá-la a regressar e a enfrentar a realidade que tanto a afugenta. Conseguirá Sissi vencer as inúmeras adversidades, as provações do amor e o sentimento de perda e continuar a ser uma imperatriz dedicada?
Estará ela à altura do desafio de manter a sua família unida e o seu direito ao trono?

Novidade Porto Editora

Viver Sem Ti
de Jojo Moyes

Louisa Clark já não é uma jovem banal a viver uma vida banal. O tempo que passou com Will Traynor transformou-a, sendo agora uma pessoa diferente que tem de enfrentar a vida sem ele. Quando um insólito acidente obriga Lou a regressar a casa dos pais, é impossível não sentir que está de volta ao ponto de partida.
Lou sabe que precisa de um empurrão que a traga de novo à vida. E é assim que acaba por ir parar ao grupo de apoio Seguir em Frente, cujos membros partilham sentimentos, alegrias, frustrações e bolos intragáveis. Serão também eles que a levarão até Sam Fielding - um paramédico que trabalha entre a vida e a morte, e o único homem que talvez seja capaz de a compreender. Mas eis que uma personagem do passado de Will surge de repente e lhe altera todos os planos, lançando-a num futuro muito diferente….
Para Lou Clark, a vida depois de Will Traynor significa reaprender a apaixonar-se, com todos os riscos que isso implica.
Em Viver Sem Ti, Jojo Moyes traz-nos duas famílias, tão reais como a nossa,
cujas alegrias e tristezas nos tocarão profundamente ao longo de uma história
feita de surpresas.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Um Livro Numa Frase




"Achei que estava a afundar-me num poço negro, aceitando finalmente que não era nada do que pensava ser, contudo de repente percebi que, à medida que encarava as minhas feridas e cicatrizes, sentia-me mais forte."

In Paulo Coelho, A Espia, pág. 84

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A Escolha do Jorge: A Vegetariana

"Tive um sonho" é o mote para o desenvolvimento da narrativa de "A Vegetariana" da sul coreana Han Kang (n. 1970) que nos apresenta uma obra intensa, cruel, dolorosa e simultaneamente terna no que concerne às relações humanas.
Yeong-hye é a personagem em torno da qual se desenrola toda a obra cujos contornos e pormenores ficamos a conhecer através do seu marido, do seu cunhado e da sua irmã através de três capítulos distintos dedicados a cada um deles.
Yeong-hye é uma mulher como tantas outras, casada e sem filhos, trabalha a partir de casa, é uma exímia cozinheira e tem um casamento igual a tantos outros casamentos e sem grandes percalços ou conflitos. Em suma, Yeong-hye leva uma vida perfeitamente comum, mas certa noite teve um sonho. Um sonho diferente.
Um sonho que marcará Yeong-hye para o resto da sua vida não deixando incólume as vidas dos seus familiares mais próximos que se moverão entre a culpa, a loucura e, em certa medida, o sobreviver a um caos que se instalou de modo inigualável e não menos doloroso.
Yeong-hye sonhou que doravante não voltaria a comer carne, revelação que surpreendeu o seu marido não apenas porque Yeong-hye era uma apreciadora de carne, mas também conhecia a arte de cozinhar a carne segundo as tradições rurais herdadas através da sua famíla.
Aquilo que o seu marido e a restante família consideravam como uma fase passageira, acabou por se revelar um drama vivido em simultâneo por todos, sobretudo no episódio de um almoço que reuniu toda a família e que, de forma totalmente inesperada, acabou por se transformar num desastre, culminando numa quase tragédia. Yeong-hye (in)voluntariamente toma uma decisão, mais por impulso, como forma de libertação, embora no caso dos demais familiares, cada um à sua maneira, se ficaram surpreendidos com o episódio, só mais tarde reflectirão sobre a sua inacção e até permissividade face à sequência de actos violentos sobre a pessoa de Yeong-hye, julgando que estavam a agir de boa fé.
Culpas sentidas, assumidas pelo menos individualmente, mas apenas a título de diálogo interior como é perceptível através de cada capítulo que envolve três dos personagens principais, o marido, o cunhado e a irmã, levou a que nunca tivesse havido a capacidade de os vários intervenientes no episódio do almoço dialogarem sobre o assunto, bem pelo contrário. A culpa confunde-se com fuga e a fuga com vergonha.
O sonho de Yeong-hye saiu-lhe caro ou terá sido a forma de se libertar totalmente entregando-se e fundindo-se com a natureza? É difícil responder na medida em que o viver em sociedade dificilmente aceita ou compreende comportamentos díspares ou decisões abruptas que vão contra certas normas ou modos de vida instituídos socialmente.
Neste caso em concreto, a escritora Han Kang apresenta-nos uma obra que retrata em certa medida a forma de vida em Seul, a capital da Coreia do Sul, uma das maiores metrópoles asiáticas e, ao contrário, daquilo que nós europeus pensamos, o quotidiano de muitas cidades daquele continente ocidentalizou-se depois da 2ª Guerra Mundial passando as pessoas a sofrer dos mesmos problemas que as sociedades ocidentais padecem, como o stress, a vida agitada do dia-a-dia, as exigências no trabalho, o exagerado número de horas por dia no trabalho, maus hábitos alimentares, intolerância, entre tantos outros aspectos. E ser vegetariano em Seul é uma decisão cada vez mais comum e isso não constitui propriamente um problema.
O problema nesta obra ou o cerne da questão é precisamente compreender se o sonho de Yeong-hye está ou não na origem de uma doença mental dado que o episódio do almoço familiar apenas potenciou o internamento de Yeong-hye num hospital psiquiátrico, daí que as culpas ficam por atribuir e assumir.
Mesmo quando a irmã de Yeong-hye decide assumir a despesa do hospital psiquiátrico, apenas o faz porque toda a família se demitiu de tal responsabilidade, e mesmo no caso das visitas tornaram-se parcas no decurso do internamento então prolongado. Mas a irmã de Yeong-hye acabará por surpreender o leitor através do amor fraterno que se vai sobrepor à culpa e à responsabilidade familiar.
Han Kang apresenta-nos uma obra marcante, singular, dura e crua que reflecte as vivências das sociedades contemporâneas não importando o continente em que as pessoas vivem e isto porque em qualquer ponto da esfera terrestre não deixamos de ser homens e mulheres em pleno uso da razão e que, perante situações de tensão, podemos perder essa mesma faculdade num ápice tornando-nos pessoas cruéis, violentas, injustas, entre tantos outros adjectivos que mancham o ser humano e a humanidade em si mesmos, embora contribuam para compreender até onde pode ir o homem em circunstâncias imprevisíveis.
Numa escrita simples e apelativa, Han Kang apresenta-nos uma narrativa que evolui para vários epicentros tempestuosos arrastando também o leitor que não sai incólume quando tudo termina. E será que termina?
"A Vegetariana" valeu à sul coreana Han Kang a atribuição do Man Booker International Prize em 2016 prometendo arrastar muitos admiradores um pouco por todo o mundo.

Excertos:
"A minha mulher tinha posto na mesa, para o jantar, alface e massa de soja, sopa de algas sem a habitual carne ou amêijoas, e kimchi.
- Mas que raio…? Quer dizer que, por causa de um sonho ridículo qualquer, decides deitar fora a carne toda fora? Já pensaste no quanto essa carne custou?
Levantei-me da cadeira e abri o frigorífico. Estava praticamente vazio – as únicas coisas que restavam eram farinha de miso, pó de chili, chili congelado e um pacote de alho picado.
- Faz-me uns ovos estrelados. Hoje estou mesmo esganado. Nem sequer almocei decentemente.
- Também deitei fora os ovos.
- O quê?
- E deixei de beber leite.
- Isto é inacreditável. Estás a dizer-me para não comer carne?
- Não podia deixar aquelas coisas continuarem no frigorífico. Não seria correto.
Como era possível que fosse tão egoísta? Fixei os seus olhos baixos, a sua expressão calma de autodomínio. Só a ideia de que ela podia ter este lado egoísta, de alguém que fazia o que lhe apetecia, era já inconcebível. Quem diria que ela podia ser tão insensata?"

"Como explicar os quatro meses que se seguiram a esse dia? Continuou a perder sangue durante mais umas duas semanas e, depois, o corte sarou e a hemorragia cessou. Mas tinha a sensação de que ficara com uma ferida aberta dentro do corpo. Aliás, parecia até que essa ferida se tornara maior do que ela, que todo o seu corpo estava a ser sugado para o negrume das suas entranhas."

"Pela calma com que aceitava tudo, ele via-a como qualquer coisa de sagrado. Fosse humano, animal ou planta, ela não poderia decerto ser considerada "uma pessoa", mas também não era exatamente uma criatura selvagem - talvez mais um ser misterioso com características de ambas."
"Como explicar os quatro meses que se seguiram a esse dia? Continuou a perder sangue durante mais umas duas semanas e, depois, o corte sarou e a hemorragia cessou. Mas tinha a sensação de que ficara com uma ferida aberta dentro do corpo. Aliás, parecia até que essa ferida se tornara maior do que ela, que todo o seu corpo estava a ser sugado para o negrume das suas entranhas."

Texto da autoria de Jorge Navarro

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A Convidada Escolhe: Assim Começa o Mal

Demorei consideravelmente mais tempo a ler este romance do que o habitual. A qualidade da escrita de Javier Marías impôs um ritmo lento em que frequentemente relia passagens de uma beleza ímpar e tão lúcidas e assertivas como poucas vezes tive oportunidade de ler.Um analista da natureza humana, quer em termos colectivos ou individuais.
Para mim tratou-se de uma estreia auspiciosa de um autor deveras apreciado como o grande romancista espanhol da actualidade.
"Assim começa o mal e o pior fica para trás" é o que diz a citação de Shakespeare que parafraseara para se referir ao benefício ou conveniência, prejuízo comparativamente menor de renunciar a saber aquilo que não se pode saber. Segredos perpassam toda a trama num suspense que desassossega quem procura desvendar o mistério que influencia no tempo a vida do casal de protagonistas: Eduardo Muriel e Beatriz Noguera. A açao passa-se em Madrid na década de 80 à medida que o narrador Juan de Vere contextualiza o que se passou. O médico Van Vehten, personagem secundária está ligada a um segredo que Juan é incumbido de saber.
A desdita de um casamento que durante anos assentou numa mentira que quando revelada nada pode suster. O segredo que procurei descortinar sem atinar.
Lentamente é explorada a curiosidade e encaminhado o leitor numa reflexão profunda sobre o mal de uma sociedade após uma ditadura e a memória de abusos e vilanias que ao encolhermos os ombros deixamos o pior para trás porque é passado mas aquiescemos ao mau que é aquilo que está por vir.  
Romance marcante para a altura certa. Altamente recomendado mas com parcimónia.
  

Vera Sopa

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A convidada Escolhe: História do Novo Nome - Juventude

"História do Novo Nome - Juventude " - Elena Ferrante, 2012.

Tal como acontecera com o primeiro volume desta tetralogia, "História do Novo Nome", o volume dedicado à Juventude das duas amigas, tem uma estrutura e uma técnica narrativa que prendem o/a leitor/a de forma poderosa ao longo de quase quatrocentas páginas.
A partir de um encontro entre as duas, na Primavera de 1966, altura em que Lila confia a Lena uma caixa de metal com oito cadernos para que os guarde com a promessa de não os ler, Lena – a narradora – desvenda o que foram aqueles anos desde o casamento de Lila e a altura em que Lena já não vivia em Nápoles.
É um período muito tumultuoso, cheio de peripécias e de cenas, talvez em demasia! O final do primeiro volume de "A Amiga Genial" prenunciava que o casamento de Lila iria ser marcado desde o início por um desencontro total, não só pela personalidade indomável de Lila, mas pela própria cultura de poder patriarcal de Stefano. "As coisas tortas endireitam-se" ou "Tu já não és Cerullo. És a senhoar Carracci e deves fazer aquilo que eu te digo" são palavras de aviso de Stefano na viagem de núpcias. Também a irmã de Stefano, quando Lena lhe pergunta por Lila, lhe responde com um sorriso pérfido "vai aprendendo…" Há um pacto de silêncio entre as mulheres relativamente à violência doméstica, porque todas são vítimas e todas se comprazem sempre que mais uma de entre elas é vítima. "Além disso, não havia ninguém no bairro, principalmente entre o sexo feminino, que não achasse que ela precisava há muito tempo de uma boa zurzidela. Por isso as pancadas não haviam causado escândalo e em relação a Stefano até fizeram crescer a simpatia e o respeito, ali estava um que sabia ser homem." Repete-se o padrão machista; é a história de " A Fera Amansada" de Shakespeare!
Depois de um casamento e de todo o investimento que tal acarretou não há lugar a rejeições, nem a recusas, nem a divórcios. "Víramos os nossos pais baterem nas nossas mães desde a infância". O casamento era para a vida e implicava descendência, mas Lila é uma jovem de dezassete anos e não suporta os corpos das mulheres que habitam o bairro, que se transformam com o trabalho doméstico, com as gravidezes, com as pauladas; para Lila, a gravidez era "um vazio dentro de mim, uma doença".
Enquanto Lila sobrevive na sua gaiola "dourada" de mulher casada, Lena vive dividida e cheia de dúvidas sobre o interesse em continuar a estudar, ou antes, submeter-se ao destino de todas as raparigas do bairro; casar, ter uma vida "normal", ter um trabalho normal. Tal como sucedera quando eram crianças e andavam na escola, há um mimetismo entre as duas, como se fossem gémeas, siamesas, uma relação de dependência, uma tensão constante, uma competição, uma relação de amor-ódio que as leva a aproximarem-se, mas também a afastarem-se durante longos períodos. As dúvidas de Lena que constantemente a assaltam e a levam a pensar que não consegue lutar contra o destino da sua origem de rapariga do bairro pobre, que a fazem duvidar das suas capacidades e valor quando é confrontada com pessoas de outros meios que falam de realidades que não vêm nos livros da escola vão persistir. Quando parte para Pisa para estudar na Universidade e mais tarde quando decide escrever um manuscrito na terceira pessoa sobre as suas experiências, Lena oscila constantemente entre a segurança e a insegurança. O uso do dialecto como forma identitária na sua relação com as pessoas do bairro ou o uso de um italiano perfeito e burilado na escola, na universidade, nas conversas com pessoas cultas ou influentes é outro aspecto que põe Elena Greco (Lena/Lenú) em constante confronto e conflito consigo própria.
Mas, um tanto ou quanto inesperadamente, o sonho infantil de riqueza que Lena e Lila tinham acalentado de um dia virem a escrever um romance – em crianças tinham tido a experiência da escrita de "A Fada Azul" – vai materializar-se na publicação do manuscrito de Lena, transformado num romance e na sua presença em sessões de divulgação e de apresentação do livro.
Lila permanece em Nápoles. Lena ganha asas e os seus horizontes vão até Pisa e Milão, mas a política e o mundo fora das fronteiras de Itália vão abrir-se para ela.

Almerinda Bento

sábado, 10 de setembro de 2016

Na minha caixa de correio

  

  

  

 


Não terão o meu ódio, editora Objectiva, chegou e peguei logo nele! Um relato impressionante. A opinião está já no blogue.
Da Planeta, O Milagre de Teresa. Gosto muito de ler biografias de quem respeito e admiro..
Da Saída de Emergência veio Quanto Tempo Falta Para o Abismo. Autor português, Mário Cordeiro.
Da editora Nascente, um livro de uma blogger Carina Barbosa. Espreitem o Veggitable e digam de sua justiça. Eu estou sempre lá, adoro!
Da Bertrand, chegou-me O Exército Perdido e Santuário. Aa sinopses agradaram-me.
Os restantes livros ganhei nos passatempo do JN.