Gosta deste blog? Então siga-me...

Indique o seu email para receber actualizações

Também estamos no Facebook e Twitter

sexta-feira, 27 de março de 2015

Novidade Esfera dos Livros

O Dia-a-Dia em Portugal na Idade Média
de Ana Rodrigues Oliveira
Como se nascia e se vivia em Portugal, na Idade Média? Que preocupações havia na educação dos filhos? Como era o poder do rei e a sua relação com os grupos sociais privilegiados? Como se sentia a religião nesta época? Como era a saúde e a doença e como se tratavam os vários males? Como conviviam os grupos minoritários, fossem eles religiosos, como os judeus e mouros, fossem sociais, como as mulheres mundairas? O que se festejava e como? Como se vivia e se morria? Estas são algumas das perguntas a que a historiadora Ana Rodrigues Oliveira responde ao longo de um livro fundamental para perceber o quotidiano em Portugal entre os séculos XI e XV. Partindo de exemplos concretos e num texto acessível e simples, oferece-nos uma visão abrangente desta época, desde a saúde, à política, passando pela religião, o casamento, a vida doméstica ou a prostituição. Porque a História não é contada apenas recordando os grandes feitos, mas também através da vivência e dos comportamentos de um povo ao longo dos tempos.

quinta-feira, 26 de março de 2015

A Escolha do Jorge: "Thérèse Desqueyroux"

Publicado em 1927, "Thérèse Desqueyroux" é a mais significativa obra de François Mauriac (1885-1970) que foi agraciado com o Nobel de Literatura em 1952.
Partindo de um caso verídico que passou pelo tribunal em França, François Mauriac ficou de tal forma sensibilizado que procurou reconstituir toda uma história acabando por nunca abandonar a personagem Thérese Desqueyroux que continuou a figurar nas suas obras publicadas posteriormente.
Acusada de envenenar o marido Bernard, Thérèse acredita que poderá ainda obter o perdão deste e, de alguma forma, da sociedade em geral. Pertencentes a família de importância numa certa região, Thérèse e Bernard estiveram desde sempre ligados entre si através de laços que uniam as duas famílias desde tempos quase imemoriais.
Mas o que poderá uma jovem mulher pretender matar o seu marido? Conseguirá por ventura acumular tanto ódio, tanta raiva ao ponto de perder a noção da realidade intentando contra a vida do seu marido? Será que a falta de amor por este é por si só a razão motivadora de tal ato ignominioso? Mas o que está verdadeiramente na origem deste ato? Terá Thérèse consciência da perda dessa mesma consciência sendo, pois, conduzida por uma "força diabólica", como afirma a dada altura na narrativa?
"Que lhe diria ela? Por que confissão começar? Serão as palavras suficientes para conter este confuso encadeado de desejos, de decisões, de actos imprevisíveis? Como fazem todos aqueles que conhecem os seus crimes?... «Eu não conheço os meus crimes. Não sei o que quis. Nunca soube para onde tendia essa força diabólica dentro e fora de mim: eu própria me assustava com o que ela destruía pelo caminho…»" (pp. 20-21)
Mas o que será pior para Thérèse? Ter sido absolvida pelo facto de o seu marido ter deposto a seu favor ou ter sido presa por um determinado período de tempo apartada da família e dos amigos?
É este dilema que Thérèse nos apresenta ao longo da narrativa que evolui com um forte sentimento de tensão a aumentar no decorrer da leitura. A reflexão intimista por parte de Thérèse parte da ideia de a personagem ser apresentada como um monstro pelo facto de ter tido a desfaçatez de ter intentado contra a vida do seu marido e, depois, vir a ser transformada num objeto, acabando encurralada em casa para bel-prazer do marido sendo levada quase até à morte.
Mas para Thérèse, o que é verdadeiramente a morte se já se sentia morta antes de ter cometido um crime de morte?
É esta deambulação através da angústia de Thérèse que o leitor dificilmente esquecerá graças a uma escrita tão madura de François Mauriac. Este é o tipo de obras que após a leitura de algumas páginas rapidamente concluímos que estamos perante uma grande obra literária, assim como de um autor que domina com grande mestria a arte da escrita e do encantamento dos leitores.

Excertos:
"Onde está o princípio dos nossos actos? O nosso destino, quando pretendemos isolá-lo, assemelha-se àquelas plantas que queremos arrancar com todas as suas raízes." (p. 23)

"«Pobre Bernard – que até nem é pior do que qualquer outro! Mas o desejo transforma o ser que se nos abeira num monstro que não se lhe assemelha. Nada nos separa mais do nosso cúmplice do que o seu delírio: sempre vi Bernard mergulhar no prazer – e eu fingia-me morta, como se, ao menor gesto, aquele louco, aquele epiléptico, pudesse estrangular-me. Quase sempre, no ápice do prazer, descobria subitamente a sua solidão; a lúgubre insistência interrompia-se. Bernard voltava atrás e encontrava-me como que numa praia onde eu tivesse sido lançada, com os dentes cerrados, fria.»" (p. 37)
"Que cómico que tu és, com o teu medo da morte! Nunca sentes, como eu, a sensação profunda da tua inutilidade? Não? Não achas que a vida das pessoas como nós se assemelha já terrivelmente à morte?" (p. 57)
"E nada poderá suceder de pior do que essa indiferença, esse desprendimento total que a separa do mundo e do seu próprio ser. Sim, a morte em vida: ela experimenta a morte, tanto quanto o pode experimentar uma pessoa viva." (p. 85)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 25 de março de 2015

"Cavalo de Fogo - Gaza" de Florencia Bonelli

Para quem já leu os dois livros anteriores desta trilogia percebe muito bem a minha necessidade em pegar neste livro mal o vi... Podem ler aqui a minha opinião sobre eles.

Demorei bastante mais a lê-lo do que o desejado porque as suas 670 páginas correspondem a "dez kilos" quando temos por hábito andar a pé (lol!) o que tornou impossível levá-lo comigo. Intercalei esta leitura, por isso, com outros livros igualmente bons mas sentindo sempre o chamamento vindo de muitos personagens deste livro.

Claro que sabemos (ou esperamos com uma "certeza certezinha"!) que os dois principais protagonistas ficavam juntos mas esse facto não deixa que nos emocionemos e que fechemos o livro com um suspiro de satisfação, pois as aventuras e desventuras sofridas por Eliah e Matilde são tantas que não conseguimos parar de ler.

Para além destes personagens, muitos outros povoam estas páginas e nos conquistam também pela sua força e determinação, pela luta que estabelecem do bem contra o mal, pelos seus vícios e lutas interiores... É inegável também que ficamos a conhecer melhor toda uma situação socio-política que envolve a Faxa de Gaza, deixando-nos estarrecidos com pormenores narrados daquele conflito que sentimos verdadeiros! Foi realmente uma das componentes desta obra que mais gostei e que se verificou de igual modo nas anteriores com outras situações políticas/ económicas/ sociais narradas.

Uma trilogia que, possuindo um pouco de tudo (romance, suspence, factos verídicos),  recomendo sem resevas!

Terminado em 22 de Março de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

Matilde e Eliah voltam a separar-se. No Congo, as esperanças de uma vida em conjunto desvaneceram-se ao ritmo dos ciúmes e das circunstâncias hostis.
Matilde, cirurgiã pediátrica, refugia-se na sua paixão: o trabalho humanitário que leva a cabo para a organização Mãos Que Curam. O seu novo destino é a Faixa de Gaza, o território mais densamente povoado do mundo, onde a prioridade diária é a sobrevivência. Eliah, por seu lado, obriga-se a esquecer Matilde e a pôr fim à obsessão que o prende a ela.
Estará esta enorme paixão condenada a perecer nas ruínas de um mundo, também ele, em risco? Ou serão o amor, uma força mais poderosa do que todo o mal que os rodeia, e a vontade de ficarem juntos, contra tudo e contra todos, suficientes para unir Eliah e Matilde para sempre?
Uma soberba conclusão da história iniciada com Cavalo de Fogo - Paris e continuada em Cavalo de Fogo - Congo.

segunda-feira, 23 de março de 2015

"28 Dias" de David Safier

Habituada que estava a que este autor abordasse assuntos sérios com muito humor, quando vi este livro fiquei bastante curiosa. O tema em si fez com que me decidisse: tinha de o ler!

Gosto quando um autor não se mantém na mesma linha, na sua zona de conforto e quando consegue variar a sua abordagem a um tema. Baseado em factos verídicos sobre o Gueto de Varsóvia mas com uma heroína, de apenas 16 anos, totalmente ficcionada, Safier consegue fazer-nos imaginar como seria ser judeu em 1043, como era ter medo e coragem ao mesmo tempo. E, sobretudo, como era ser jovem nessa época. Como se consegue sonhar/amar quando se está rodeado de destruição e morte.

Mira é uma jovem que apenas quer sobreviver e alimentar a sua pequena irmã e a mãe. Num ambiente hostil, feroz, desumano. Circunstâncias várias levam-na a desafiar-se a si própria e a lutar. Matar para sobreviver, com os inevitáveis e inenarráveis remorsos e sonhos destruídos. Mira apenas quer viver. Terá direito a isso quando tudo à sua volta desaparece?

"Que tipo de pessoa queres ser?"- questiona-se ela muitas vezes, quando confrontada com situações extremas. Ao fazê-lo, somos intimados a questionarmo-nos também. Que tipo de pessoas queremos ser?

Achei importante relembrar que no Gueto de Varsóvia também houve resistência e que muitos lutaram por se manter à tona, muitos lutaram por todos os que não conseguiram resistir. 28 dias foi o tempo que durou a que ficou conhecida como a Revolta do Gueto de Varsóvia. Alguns, poucos, conseguiram fugir. Os restantes foram massacrados sem piedade.

Um livro para se ler num ápice, pese embora as suas quase 360 páginas! Leiam que vão gostar. Ah! E se ainda não leram "Maldito Karma" façam-no rapidamente. Prometo que, num estilo completamente diferente, vão soltar umas belas gargalhadas!

Terminado em 17 de Março de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

Varsóvia, 1943. Mira, uma jovem de 16 anos, sobrevive graças ao contrabando de alimentos no gueto onde os nazis aprisionaram os judeus. O seu único objectivo é o de proteger a mãe e a irmã mais nova. Quando os habitantes do gueto começam a ser deportados para os campos de concentração, Mira junta-se à Resistência. Na maior aventura das suas vidas conseguem fazer frente às SS muito mais tempo do que haviam imaginado. 28 dias. 28 dias nos quais Mira terá de decidir a quem pertence o seu coração. A Daniel, um rapaz que toma conta das crianças órfãs, ou a Amos, um membro da Resistência, cujo objectivo é matar tantos nazis quanto possa.
David Safier arrancou sorrisos de milhões de leitores em todo o mundo com Maldito Karma. Agora leva-o ao limite da emoção com um grande romance, sobre o amor e a coragem, passada num dos episódios humanos mais esmagadores da História.

domingo, 22 de março de 2015

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

  
Ofertas das editoras:
Viver com doenças sem ser doente,  Vítimas da Tradição da Asa e Oficina do Livro- Leya
Hotel Sunrise da Porto Editora
A Canção dos Maoris da Marcador
A Torre de Vigia e O Endurance da Planeta Manuscrito
Emprestados:
Sombras sobre o Cairo 
Comprados:
Na loja Cash Converters, Viver e Morrer nos Cárceres do Santo Ofício, So o Tempo o Dirá, Um Brilho no Escuro, Hereges e Xerazade
Na Presença online com a oferta de leve3 pague 1 vieram Rumo à Liberdade, Uma Vida em Mil Pedaços Os Pequenos mundos do Edifício Yacoubian


sábado, 21 de março de 2015

Desassossego da Liberdade

Olá, olá!
Neste mundo dos livros uma das mil coisas boas que nos acontecem frequentemente é conhecermos "gentes" que, tal como nós, gostam de ler e, falar dos livros que se lê é algo que nos encanta sempre e sempre... Um dos grupos a que pertenço, a Roda dos Livros, tem contribuído em muito para essa partilha que se tem mostrado sempre generosa tanto para quem dá como para quem recebe, ou melhor dizendo, para quem ouve.
Hoje quero-vos dar a conhecer um livro de contos, o Desassossego da Liberdade! Com contos de gente gente conhecida, de gente desconhecida e da Márcia! A Márcia (vocês conhecem-na do Blogue Planeta Marcia) escreveu um conto que foi seleccionado (conto muito bom por sinal!).
Precisam da nossa ajuda para a publicação do livro. Vamos pensar nisso?
Consultem aqui!


É HOJE! MAR-À-TONA ... Em Poesia


NOTA À IMPRENSA, RÁDIOS E BLOGUES/SITES
MAR-À-TONA … em Poesia

Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa vão celebrar o Dia Mundial da Poesia no decorrer do IV Sarau Mar-à-Tona em poesia que vai ter lugar no próximo dia 21 de Março, pelas 21:00, na Biblioteca Diana Bar, na Póvoa de Varzim.
O tema eleito para esta edição é: AS CORES DO MAR.
Durante o Sarau vai ser apresentada a Antologia de Poesia As Cores do Mar, preparada especificamente para o evento, uma edição da Modocromia Edições e do grupo Poetas Poveiros. A capa, expressamente preparada para o efeito, é da autoria da artista plástica bracarense Adriana Henriques.
Nela participam poetas de todo o território nacional e de outros países da lusofonia, sobretudo do Brasil e Angola, além dum convidado especial, de nacionalidade italiana.
O Sarau está aberto ao público em geral, e contará com a presença de muitos dos poetas que participam na Antologia, além de um valioso leque de artistas.
De realçar entre os participantes o valioso leque de declamadores os animadores musicais, de canto e de expressão artística, bem como a presença de alguns pintores que trarão obras de pintura criadas para o efeito, aludindo às Cores do Mar, telas que estarão presentes ao público no decorrer do Sarau. (ver anexo com programação detalhada).
Gostaríamos de contar com o vosso habitual apoio na divulgação do evento.
As nossas saudações culturais.
Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa
(José Sepúlveda)

sexta-feira, 20 de março de 2015

Novidade Presença


Inglaterra, 1866. O verão anuncia-se quente e, numa tarde de maio, um jovem morre afogado numa pedreira inundada de água. O incidente ocorre em Windfield School, uma escola frequentada por rapazes oriundos de classes abastadas, permanece encoberto em mistério conduzindo a uma trágica saga de amor, poder e vingança que envolve sucessivas gerações de uma família de banqueiros. A história decorre entre a riqueza e a decadência de uma Inglaterra vitoriana, entre a City londrina e colónias distantes. O leitor acompanha a família Pilaster durante o período áureo do império britânico. Ken Follett inspirou-se num caso real de bancarrota ocorrido no século XIX para escrever este romance extraordinário.

Para mais informações veja Editorial Presença Aqui!

Novidade Nascente


Novidade Marcador

1089
de Emílio Miranda
Ano de 1089. Uma nação em formação ergue-se na bruma do tempo, movida pelo forte e leal braço do povo, pelo arrojo de senhores feudais e pela fé nos ditames da Igreja e dos seus ministros. 
Num velho mosteiro, são muitas e sinceras as preces, mas também as manobras pela conquista do poder nesse novo território.

Novidade Esfera dos Livros

Os Segredos do III Reich
de Guido Knopp
O III Reich durou apenas doze anos, mas marcou profundamente a História alemã e mundial. Nas últimas décadas muito se tem descoberto sobre este regime que semeou o terror e a morte por toda a Europa. Mas muito estava ainda por desvendar. Guido Knopp, jornalista especializado em História alemã, revela-nos neste livro muitos dos segredos do III Reich desconhecidos até agora. As verdadeiras origens familiares de Hitler, sobre as quais tentou criar um verdadeiro mito; a proveniência do dinheiro que permitiu ao Führer financiar as suas campanhas e sustentar uma vida luxuosa; ou os mistérios sobre as suas mulheres, uma história que começa com a estranha morte da sua sobrinha e termina com o suicídio de Eva Braun. Mas também outras figuras do regime estavam envoltas em mistério: as lendas que envolvem a história de Erwin Rommel, as mentiras a partir das quais Albert Speer construiu a sua biografia de «bom nazi» ou a vida privada de Himmler, as suas fantasias, os crimes por si cometidos e a sua enigmática morte. Um livro indispensável para compreender melhor o fenómeno do nazismo e a tragédia da Segunda Guerra Mundial.

Novidades Planeta

Escrevam a Dizer Quem Foi ao meu Funeral
de Celso Filipe 
A alemoa apareceu morta na Lagoa Salgada... Se fosse algum forasteiro, apesar da gravidade do caso ninguém se afligiria por de mais. Policial alentejano, que retrata com amor e muito humor a realidade de uma típica aldeia do Sul do país, com os seus habitantes característicos, as suas idiossincrasias, manias e modos de estar.

Sacrifício a Moloc
de Asa Larsson
Um grupo de caçadores mata um urso nos bosques perto de Kiruna. Quando abrem a barriga do animal, encontram restos humanos entre as vísceras.


Segredos de uma Condessa Respeitável
de Lecia Cornawall
Lady Isobel Maitland não se pode dar ao luxo de ser apanhada fazendo qualquer coisa, mesmo remotamente, escandalosa, ou corre o risco de perder tudo o que tem de mais querido. Mas uma noite, num jardim escuro num baile de máscaras, Isobel cede à tentação e permite que um namorisco inocente com o marquês de Blackwood se transforme em paixão.

Novidades Clube do Autor

A Noite Sonhada 
de Màxim Huerta
"A Noite Sonhada" é uma história tocante sobre a busca da felicidade. O leitor vai descobrir neste romance que a viagem mais intensa da vida é aquela que nos leva em direção ao amor. Mais do que o segredo guardado por um menino durante anos sobre o que aconteceu numa noite há muitos anos, que mudou drasticamente a vida da sua família, este é um livro sobre laços familiares profundos e um amor sem igual.


Vera Cruz
de João Morgado
VERA CRUZ leva-nos ao período áureo dos descobrimentos portugueses e resulta de uma profunda e inédita investigação histórica levada a cabo pelo autor.
Inspirado numa das principais personagens da história dos Descobrimentos, VERA CTUZ reconstrói a vida de Pedro Álvares Cabral e os tempos e as mentalidades da época, dando ao leitor a oportunidade de navegar lado a lado com o grande descobridor português.
Excepcional rigor da investigação e hábil na reconstrução dos tempos e espaços da época, João Morgado apresenta assim um romance rico em factos históricos, revelando as manobras dos bastidores do poder: as rivalidades com Vasco da Gama, as intrigas palacianas e as reflexões que cunham a dimensão humana desta personalidade.
Ao longo das mais de 500 páginas do livro, o autor descreve com talento narrativo as espantosas aventuras do navegador que aportou em quatro continentes e comandou a maior frota alguma vez saída dos portos portugueses. Eis Pedro Álvares Cabral e VERA CRUZ.

Novidade Porto Editora

Hotel Sunrise
de Victoria Hislop
Famagusta, no Chipre, é uma cidade dourada pelo calor e pela sorte, o resort mais requisitado do Mediterrâneo. Um casal ambicioso decide abrir um hotel que prime pela sua exclusividade, onde gregos e cipriotas turcos trabalhem em harmonia.
Duas famílias vizinhas, os Georgious e os Özkans, encontram-se entre os muitos que se radicaram em Famagusta para fugir aos anos de inquietação e violência étnica que proliferam na ilha. No entanto, sob a fachada de glamour e riqueza da cidade, a tensão ferve em lume brando...
Quando um golpe dos gregos lança a cidade no caos, o Chipre vê-se a braços com um conflito de proporções dramáticas. A Turquia avança para proteger a minoria cipriota turca, e Famagusta sucumbe sob os bombardeamentos. Quarenta mil pessoas fogem dos avanços das tropas.
Na cidade deserta, restam apenas duas famílias. Esta é a sua história.

Convite Nascente


Convite Esfera dos Livros


quinta-feira, 19 de março de 2015

"A Nossa Casa É Onde Está O Coração" de Toni Morrison

Já tinha pegado num livro desta autora, A Dádiva, mas larguei-o, já não sei bem porquê. Fiquei com a ideia que não tinha conseguido entrar na história e então, perdida, resolvi largá-lo. Depois de ler este livro fiquei curiosa e vou procurá-lo de novo.

As primeiras páginas lidas, expectante como estava por ter largado "A Dádiva", pareceram-me um pouco confusas. De quem e de que falavam as primeiras duas páginas escritas em itálico, escritas na primeira pessoa? Mas, a história, vinda aos poucos foi-se consolidando e eu fui ficando presa. Pedaços de vidas que nos são atirados e que vão fazendo sentido: é Frank, um homem atormentado pelos horrores da guerra da Coreia, que nos faz perceber como é difícil o seu regresso; é Cee, sua irmã, que nos relata toda a sua luta para sobreviver. É, também, todo um passado em comum que marca o presente que hoje vivem os dois, separadamente.

Mas é, sobretudo, a segregação racial vivida nessa época na América que a autora foca com profundidade. E que nos choca. Fere e magoa. Fank e Cee encontram por fim um lugar a que chamam casa, onde os seus corações sossegam e descansam. A que preço? Que deixaram para trás?

Uma leitura que deixa marcas e que recomendo. Se se sentirem perdidos, de início, continuem porque vale a pena. As peças irão encaixar-se na perfeição. E a história poderia bem ter feito parte da História, tal é a sua verosimilhança.

Terminado em 14 de Março de 2015

Estrelas: 4*+

Sinopse

Frank Money regressa da guerra da Coreia em luta com os seus fantasmas. É um homem perturbado por um profundo sentimento de culpa pelas atrocidades que se viu obrigado a cometer e pela relutância em voltar à sua cidade natal na Georgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã. Mas quando recebe uma carta avisando-o de que Cee corre risco de vida, Frank regressa, atravessando uma América dividida pela segregação. Através desta viagem, e da viagem interior que o protagonista vai fazendo, a autora dá-nos a definição do que é o lar, o lugar onde estão os nossos afetos, numa combinação entre a realidade física e social e a subtileza psicológica e emocional.

A Escolha do Jorge: "Os Sete Loucos"

"Os Sete Loucos" é a obra mais importante do argentino Roberto Arlt publicada em 1929 e não menos revolucionária, perversa e subversiva tendo em conta as propostas como forma de reorganização social, económica e política.
O herói desta obra, Erdosan, tem vinte e quatro horas para restituir uma determinada quantia à empresa para a qual trabalha sendo este o mote para conhecer vários personagens marginais do submundo de Buenos Aires, acabando por ser envolvido no projecto da criação de uma Sociedade Secreta que substituirá o modelo vigente de então.
Já então os idealismos estavam em crise, nomeadamente o capitalismo, o comunismo e o cristianismo que já não respondiam às necessidades da sociedade, havendo a necessidade em voltar a acreditar num deus, sendo, pois, a descrença o grande problema da sociedade de então.
É neste contexto de descrença que se deverá constituir a Sociedade Secreta liderada por uma minoria que inventará uma nova religião que nada tem que ver com as religiões reveladas, ainda que funcionem enquanto tal, na medida em que a nova religião será baseada numa nova mentira muito bem contada envolvendo todos os cidadãos que passarão a acreditar novamente num deus.
A minoria detém o poder e a ciência como formas de reorganização e controlo da sociedade criando milagres apócrifos para esta mediante a tendência do momento. Só desta forma será possível levar a cabo uma revolução social em virtude da necessidade de voltar a acreditar em algo que preencha e ocupe o lugar do vazio permanente ainda que essa crença nada mais seja do que algo fabricado e conduzido pela minoria que tudo passará a controlar.
Essa minoria será constituída por aqueles que são dotados de inspiração porque têm a imaginação de criar a nova crença sendo, por essa mesma razão, os "super homens" que estão acima de quaisquer regras morais, criando, então, aquilo a que chamarão "Monstro Inocente".
É neste contexto que Erdosan, o herói de "Os Sete Loucos" se move, articulando-se com personagens peculiares e perversos como o Astrólogo, o grande mentor da Sociedade Secreta, o Rufia Melancólico, o chulo de um prostíbulo, Gregorio Barsut, o primo da mulher a quem vão extorquir dinheiro para financiar o projecto, Hipólita, a futura prostituta, entre outros marginais de Buenos Aires.
Não deixa de ser curioso que "Os Sete Loucos" foi publicado em 1929, ano em que ocorreu o Crash da Bolsa de Nova Iorque arrastando o resto do Mundo para a Grande Depressão vivida nos anos 30 e que serviu de motor para o aparecimento das ditaduras, culminando, uma década mais tarde, com a eclosão da 2ª Guerra Mundial. Depois da guerra, o Mundo ficou condicionado com a política de blocos (EUA versus URSS) e em 1989 foi derrubado o Muro de Berlim.
Atualmente vivemos confrontados com a necessidade de organizar o espaço europeu através de uma EU que condiciona cada vez mais as políticas de cada país individualmente, o que compromete seriamente a vida dos cidadãos do velho continente.
Excertos:
"Os homens só são sacudidos com mentiras. É o que dá ao falso a consciência do certo, pessoas que nunca teriam caminhado para atingir fosse o que fosse, tipos desfeitos por todas as desilusões, ressuscitam na verdade das suas mentiras. (…) Não há homem que não admita as pequenas e estúpidas mentiras que regem o funcionamento da nossa sociedade."
"- Sabe? Muitos de nós trazem em si um super homem. O super homem é a vontade no seu rendimento máximo, sobrepondo-se a todas as normas morais e executando os atos mais terríveis, como uma espécie de alegria ingénua… algo como o inocente jogo da crueldade.
- Sim e já não sentimos medo nem angústia, é como se andássemos nas nuvens.
- Claro, o ideal seria despertar em muitos homens esta ferocidade jovial e ingénua. Compete-nos inaugurar a era do Monstro Inocente. Tudo se fará, sem dúvida alguma. É uma questão de tempo e de audácia, mas quando se derem conta de que o seu espírito se afunda na latrina desta civilização, antes de se afogarem vão arrepiar caminho. O que acontece é que o homem não reparou que está doente de cobardia e de cristianismo.
- Mas, você não queria cristianizar a humanidade?
- Não, já agora… mas se esse projecto fracassar, tomaremos o caminho inverso. Nós ainda não definimos qualquer princípio e o mais prático será adoptar os mais opostos. Tal como numa farmácia, teremos as mentiras perfeitas e diversas, rotuladas para as mais fantásticas doenças do entendimento e da alma.
- Sabe que você me parece o louco da fábrica, como dizia ontem a Barsut?
- Aquilo a que chamamos loucura é a falta de hábito do pensamento dos outros. Repare, se esse carregador lhe confessasse as ideias que lhe passam pela cabeça, você fechava-o num manicómio. Naturalmente, como nós haverá poucos… o essencial é que dos nossos retiremos vitalidade e energia. Aí está a salvação.
(…)
- E a cidade será nossa (…) e seremos como deuses (…). Sabe que um dia seremos como deuses?
- É que as bestas não compreendem. Os deuses foram assassinados. Mas o dia virá em que sob o céu correrão pelos caminhos, gritando: «Amamos a Deus, precisamos de Deus». Que bárbaros! Eu não consigo perceber como é que puderam assassinar Deus. Mas nós vamos ressuscitá-lo… inventaremos uns belos deuses… supercivilizados… e que diferente será a vida!
- E se tudo fracassar?
- Não importa… virá outro… virá outro que me substituirá. Assim tem de suceder. A única coisa que devemos desejar é que a ideia germine nas imaginações… no dia em que estiver em muitas almas, sucederão coisas belas."

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 18 de março de 2015

"A Casa das Rosas" de Andréa Zamorano

Começando por um primeiro capítulo que nos deixa em choque e intrigados porque não o entendemos na perfeição, esta obra prende de imediato.

As primeiras páginas decidem muitas vezes a disposição que tenho perante um livro: ou devoro-o ou vou lendo mais calmamente. Neste caso não houve dúvidas. As páginas passaram a voar, tanto mais que o primeiro narrador, fazendo um relato na primeira pessoa, introduz um mistério que me deixou curiosa. No final, desvendado que estava, fui reler as duas primeiras páginas. Gostei de o fazer. Pormenores que se encaixaram, pequenas peças que fizeram todo o sentido.

Alternando de narrador, de espaço temporal e até de assunto, por vezes na mesma página, sem que o leitor se perca na leitura, este livro é uma delícia. Mistura também ficção, algo mágica, com pequenos eventos verdadeiros que nos são explicados em notas de pé de página.

A trama passa-se no Brasil, mais propriamente em São Paulo, por volta de 1983. A sinopse é suficientemente elucidativa, sem que avance pormenores e conte a história, pelo que aconselho a sua leitura. Uma mãe que se separa da filha, sem sabermos porquê, um pai tirano/amoroso (demais?), um bicho que fala, um mistério por desvendar...

Recomendo vivamente esta leitura. Gostei muito e não fora a quantidade industrial de livros em lista de espera, teria todo o gosto em lê-lo de novo. Iria certamente encontrar novas forma de me enfeitiçar pelas palavras da autora, que desconhecia, e que talvez possa encontrar por aqui na capital... (A autora é brasileira e mora entre nós há muitos anos possuindo um espaço de restauração). Leiam, se puderem!

Terminado em 13 de Março de 2015

Estrelas: 5*

Sinopse

Esta é a história extraordinária de Eulália, uma jovem da classe média de São Paulo. Os inusitados acontecimentos que marcam a sua vida nesse período épico da vida brasileira, entre 1983 e 1984 (a campanha das eleições diretas, marco no combate pela democracia), vão transportar o leitor para um mundo onde realidade e fantasia coexistem e se entrelaçam. Ao longo dessa história, haverá uma mãe desaparecida, um vestido de noiva, um detetive solitário, um jardineiro que sabe demais, um deputado poderoso, um perfume de rosas, uma fuga através da cidade em chamas, um animal que fala, um fantasma que aparece e desaparece, um poeta mexicano que só mais tarde irá surgir nos livros de Roberto Bolaño, um português dono de um boteco em São Paulo - e um final empolgante e inesperado.
A estreia de uma autora brasileira a viver em Portugal há longos anos.
O cruzamento de duas ortografias da mesma língua.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Resultado do Passatempo "A Nossa Casa é Onde Está o Coração"

E quem foi a vencedora deste livro que apetece devorar?

O Sr. Random.Org escolheu o n* 39 dos 389 participantes/ seguidores do blogue pelo que só me resta dar os parabéns à .vencedora e anunciar quem foi a felizarda:

- Maria Salete Saleiro de Alenquer

Muitos parabéns! Vais receber em breve um exemplar e espero que passes óptimos momentos de leitura!

Para mais informações sobre o livro ver Editorial Presença aqui!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Convite Nascente


Novidade Porto Editora

Hotel Sunrise 
de Victoria Hislop
Famagusta, no Chipre, é uma cidade dourada pelo calor e pela sorte, o resort mais requisitado do Mediterrâneo. Um casal ambicioso decide abrir um hotel que prime pela sua exclusividade, onde gregos e cipriotas turcos trabalhem em harmonia.
Duas famílias vizinhas, os Georgious e os Özkans, encontram-se entre os muitos que se radicaram em Famagusta para fugir aos anos de inquietação e violência étnica que proliferam na ilha. No entanto, sob a fachada de glamour e riqueza da cidade, a tensão ferve em lume brando...
Quando um golpe dos gregos lança a cidade no caos, o Chipre vê-se a braços com um conflito de proporções dramáticas. A Turquia avança para proteger a minoria cipriota turca, e Famagusta sucumbe sob os bombardeamentos. Quarenta mil pessoas fogem dos avanços das tropas.
Na cidade deserta, restam apenas duas famílias. Esta é a sua história.

Novidade Marcador

A Canção dos Maoris
de Sarah Lark
Elaine e Kura movem-se entre as suas raízes britânicas e o apelo ao povo Maori, forjando o próprio destino ultrapassando as circunstâncias da vida numa terra paradisíaca.

Esta é a história de duas primas completamente diferentes, mas com uma coisa em comum: a sua força interior. 
Kura com ascendência maori tem uma atitude diferente perante a vida e perante os homens, é muito mais despreocupada. O campo não lhe desperta qualquer interesse, apesar de ser herdeira da quinta do seu pai. O seu grande desejo é tornar-se uma grande cantora. Enquanto Elaine, herdou da sua avó, o carácter e o gosto pela criação de ovelhas e por passear a cavalo. Mas as suas escolhas amorosas recam sempre em homens errados, o que faz dela uma mulher desencantada. 
A relação entre as duas mulheres não é a melhor porque Elaine inveja a beleza e a arte de sedução de Kura. Mas a vida dá muitas voltas e acabam por partilhar uma vida de luta e conquista numa pequena cidade mineira isolada do mundo.

Novidade Companhia das Letras

FIM
de Fernanda Torres
Cinco amigos cariocas, velhos, vêem o fim aproximar-se a passos largos. Quase a cortar a meta da vida, recordam paixões e traições antigas, cobardias e vergonhas, manias e inibições. No Rio de Janeiro dos anos 60, onde se conheceram, uniu-os a folia, as festas de álcool, mulheres e droga. Pelo meio, aconteceu a vida: casamentos, separações, filhos, contas por pagar, sonhos por cumprir. Além de um passado de excessos e de um presente de frustrações, pouco têm em comum. Álvaro vive sozinho, passa o tempo de médico em médico e não suporta a ex-mulher. Sílvio é um drogado que não larga os vícios nem na velhice. Ribeiro é um rabo-de-saia atlético que ganhou nova vida ao descobrir o Viagra. Neto é o chato da turma, marido fiel até ao último dia. E Ciro, o Don Juan invejado por todos — mas o primeiro a cair.  À volta destes cavaleiros cariocas, movem-se as mulheres — esposas, amantes, filhas e mães — amargas, neuróticas, ternurentas, sedutoras, enganadas e resignadas. 
Juntos compõem um mosaico do Rio de antes e de agora.  Há graça, sexo, sol e praia nas páginas de Fim., mas também há melancolia. Fernanda Torres, premiada actriz, estreia-se nas letras com um romance fora de série: sagaz, viril, profundo, cru, pleno de humor e vitalidade. Um livro que vai e vem como a vida e a morte: sem desculpas.

quinta-feira, 12 de março de 2015

A Escolha do Jorge: O Livro de Jón

"O Livro de Jón" do islandês Ófeigur Sigurðsson (n. 1975) é a mais recente aposta da Cavalo de Ferro no que respeita à literatura daquele país no seguimento de outros autores que publicou anteriormente, nomeadamente Hálldor Laxness, Sjón, Thor Vilhjálmsson e mais recentemente Jón Kalman Stefánsson. "O Livro de Jón" valeu a Ófeigur Sigurðsson a atribuição do Prémio da União Europeia para a Literatura.
Baseado nas crónicas de Jón Steingrímsson (1728-1791) que ficou conhecido por «reverendo do fogo» por ter permanecido na região de Síða, no Sul da Islândia, aquando da erupção vulcânica do Katla, em 1755, recolhendo informação sobre o acontecimento, por um lado, e ajudando a população a enfrentar a calamidade, por outro.
"Todos os autores de relatórios concordam que a caldeira do Katla no glaciar de Mýrdalur começou a vomitar a 17 de Outubro de 1755, antes do meio-dia, mais concretamente às dez horas, no seguimento de um grande terramoto. Anteriormente, no dia 11 de Setembro, terramotos tinham abalado a região norte, tendo sido originados na ravina do Katla (…) Ninguém o põe em causa. Eu também gostaria de culpar o Katla pela severidade gelada na Primavera e no Verão no Norte do país, pelo mau clima, pela debilidade, pela proliferação de insectos, pelos danos sobre o feno e, consequentemente, pelas mortes e fome…" (p. 103)
Numa época em que a Islândia enfrentava a necessidade de aumentar a sua população, o país-ilha depara-se com algumas erupções vulcânicas que vitimam mortalmente muitas pessoas e animais, diminuindo drasticamente a área dedicada à prática da agricultura que dependia da Dinamarca no que
 respeita a meios técnicos para o efeito.
Apresentando uma população entregue a si própria e totalmente dependente da Dinamarca em termos políticos à qual paga pesados tributos, a Islândia sente a necessidade de reverter a situação apostando fortemente na educação, dotando a população de conhecimentos científicos capazes de desenvolver o país, libertando-se do jugo do país dominador.
Neste sentido, "O Livro de Jón" incide inúmeras vezes na necessidade de valorizar o ensino tirando a população da ignorância, tornando-a capaz de encarar o país como um projeto comum. São várias as passagens da obra que fazem alusão, primeiro à constatação da ignorância em que vive a população e a necessidade de alterar essa situação. A ausência de estudos e de conhecimentos produz reações características quando em confronto com situações de calamidade como é o caso da erupção vulcânica evidenciada na seguinte passagem: "As pessoas acreditam na aproximação do Dia do Juízo Final e entram em pânico com todos os seus pecados e assuntos mal resolvidos ao longo da vida, ou simplesmente não sabem o que se passa."(p. 102)
Em resposta à constatação evidenciada acima, "O bispo ficou chocado com a situação porque faz um grande esforço para aumentar a educação no país e elevar os padrões. Ele teve de ver com desgosto todos aqueles labregos nos cargos, fossem eles pastores, meirinhos ou outros, porque eles não faziam nada pela educação, nem por si mesmos, nem pela comunidade." (pp. 137-138)
É precisamente esta ignorância que é necessário combater de modo a libertar todo um povo da sua condição de subserviência. Como refere Ófeigur Sigurðsson na décima primeira carta desta obra, "(…) A ignorância é o pior crime, e o mais prolongado… criado com a ignorância… tão, tão
prolongado…" (p. 69).
Nesta linha de pensamento, também Thor Vilhjálmssom, outro autor islandês, na sua obra "Arde o Musgo Cinzento" (Cavalo de Ferro) faz igualmente alusão à ignorância como um dos principais inimigos da humanidade quando refere "No conhecimento é que está o poder. Que vos tornará livres. A ignorância é o pior tirano da humanidade, um demónio." (p. 78)
É neste sentido que Jón Steingrímsson, o personagem principal da obra, toma consciência da importância do seu papel no contexto da crise vulcânica não só como contributo para as gerações futuras no tocante à História da Islândia enquanto testemunha ocular dos acontecimentos, mas
também de que forma as suas observações podem dar o seu contributo para a ciência. Do mesmo modo, também foram recolhidos outros testemunhos junto da população que têm como objetivo a compreensão mais abrangente da erupção vulcânica enquanto fenómeno da natureza.
"As pessoas disseram que, pouco antes do aparecimento do fogo, tinham ficado com os ouvidos entupidos, sentiram um fedor frio a enxofre e que os rios inicialmente secaram e depois voltaram a correr. Isto foi sempre um sinal de actividade vulcânica. A seguir, o fogo abre um buraco no gelo, por entre o qual cai a água, provocando terramotos.
(…)
Eu, como estudioso autodidacta da passagem do tempo e da História, tenho a obrigação de descrever a erupção num relatório pormenorizado, de acordo com a verdade, sem exageros, uma vez que sou testemunha e porque vejo com os meus próprios olhos e ouço com os meus ouvidos, cheiro com o meu nariz, (…), de modo que a minha boca, a minha mente e a minha mão deixem apenas o justo testemunho, em interesse da ciência, de toda a realidade vista para completar a história de Hellar."
(pp. 83-84)
É esta recolha de informação, este olhar atento que conduz ao desenvolvimento científico, transformando gradualmente a ciência naquilo que conhecemos nos nossos dias.
"E. & B. trabalham arduamente para terminarem o relatório sobre a erupção do Katla, embora esta continue sem cessar, e apressam-se a terminar as medições e os registos para os enviarem à Sociedade Científica em Copenhaga, onde será impresso, enquanto ainda prevalece a sede de conhecimento pelo desastre natural. Os antecedentes, sob a forma de terramotos, são já conhecidos, além de trabalharem em descrições quotidianas. Assim, são exploradas as consequências que o fogo e a cheia glacial têm sobre as terras, as quintas e as pessoas." (p. 101)
"O Livro de Jón" é igualmente um livro importante na medida em que é um reflexo da cultura e mentalidade não só da Islândia, mas também dos países nórdicos em geral, na medida em que há inúmeros pontos em comum entre os vários países setentrionais, nomeadamente a melancolia (ou a "angst nórdica") a que tantas vezes aqueles países estão associados.

Ófeigur Sigurðsson ilustra com uma passagem exemplar a questão da melancolia nórdica que passamos a citar: "A melancolia existe por si só, mas é a causa e consequência de outras emoções, como a tristeza / alegria / apatia / desinteresse / preguiça / mas também actua com fervor e excessivo consumo de aguardente. Há tristeza que anseia por tristeza. A melancolia parece-me uma tristeza nórdica, uma ternura dolorosa ou uma felicidade na mágoa." (p. 92)

A par da melancolia, Ófeigur Sigurðsson também nos oferece momentos de humor e ironia tipicamente nórdica, expressando um sentido de humor muito próprio. Uma vezes mais velada, outras mais evidente, o excerto sobre a difamação é provavelmente o momento mais hilariante de "O Livro de Jón" cujo excerto a seguir é capaz de nos fazer rir.
"A única coisa que cresce e prospera nesta altura do ano é a difamação (...) e o pior é que as calúnias não são o nome de um sumarento fruto da terra que pode ser comido. Caem mal no estômago..."
(...)
Se eu ingerisse o que os meus inimigos dizem sobre mim, ficaria com um buraco na barriga de tal modo grande que imediatamente morreria com o seu veneno; inclino-me a acreditar que algumas pessoas recebem gratificações do diabo para lesarem a minha honra, tendo em conta as muitas horas e persistência que a isso dedicam.
(…)
Sugiro que eu, o Eggert e Bjarni publiquemos uma obra literária sobre a difamação, que se poderia
chamar:
Da falta de ligação da difamação à verdade
& como ela vive do tédio & viaja entre as pessoas como vermes
& procura a saciedade nas incredulidade e estupidez,
mas como a educação limpará
os intestinos" (pp. 86-87)
No seguimento do excerto acima, "O Livro de Jón" revisita em inúmeros aspetos um outro clássico da literatura nórdica, "A Saga de Gösta Berling" da nobelizada Selma Lagerlöf (1858-1940), em que as questões relacionadas com o fantástico também estão aqui presentes nesta obra de Ófeigur Sigurðsson. Há momentos em que é difícil separar a realidade da ficção e/ou fantasia ao ponto de uma boa parte da população considerar o diabo como uma figura/personagem real que de alguma forma interage com as pessoas de modo a influenciar as suas relações do mesmo modo que o ferreiro Sintram, vestido de diabo, pretende assinar um pacto de sangue com Gösta Berling, este que se tornou uma referência não só da literatura como do imaginário nórdicos em geral.
Em jeito de conclusão, "O Livro de Jón" de Ófeigur Sigurðsson segue em linha com "Paraíso e Inferno" de um outro autor islandês, Jón Kalman Stefánsson, no que respeita à amizade e amor pelo próximo, tendo os livros como um antídoto à solidão e à redenção dos homens.

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 11 de março de 2015

Resultado do Passatempo Quinta Essência/ Especial Dia dos Namorados

Consultados os astros, aliás o Sr. Random.Org, anunciamos o vencedor do livro "Todos os Teus
Beijos" de Laura Lee Guhrke, oferta gentil da Editora Quinta Essência. Dos 271 participantes foi seleccionado o número:
N* 136 - Ana Rita Bastos de Vila Cova de Perrinho
Este livro será enviado pela Editora logo que possível.

E o vencedor escolhido que completou a frase: "Todos os teus beijos..." que mais me agradou e que vai receber um exemplar de "À Beira do Lago Encantado" de Barbara Cartland, foi:
- Filipa Abreu de Abraveses, Viseu.
A frase simples ficou-me marcada e quando cheguei ao fim da leitura de todas as frases enviadas, essa perdurou. A opinião, como acontece nestes casos, é subjectiva.
"Todos os teus beijos são livros novos por abrir, uma felicidade."
O livro será enviado por mim durante a próxima semana.

terça-feira, 10 de março de 2015

A Convidada Escolhe: Ana de Castro Osório

"Ana de Castro Osório" do investigador Dr. João Esteves é uma obra sobre a escritora e pedagoga, divulgadora de literatura para crianças, editora, propagandista republicana e principal dirigente e ideóloga do movimento feminista em Portugal que foi Ana de Castro Osório.
Começa por indicar cronologicamente todos os factos relacionados com a vida e época de Ana de Castro Osório desde o nascimento de seus pais até à sua morte em 1935. Seguidamente segue todo o percurso de vida desta mulher que foi conhecida e reconhecida na sua época tendo tido uma enorme projeção durante 40 anos, apresentando " Perfil de uma vida", "Vivências familiares e geográficas", "A educação cívica e patriótica", As metamorfoses feministas de Ana de Castro Osório", " O desígnio nacional e patriótico: a Cruzada das Mulheres Portuguesas", "Ana de Castro Osório literata contradiz Ana de Castro Osório feminista" e por fim o "Epílogo". O livro inclui ainda Notas e uma antologia de textos de Ana de Castro Osório publicados na imprensa.
É um livro com interesse para quem tem curiosidade ou gosta de temas relacionados com as mulheres que de uma forma ou de outra se destacaram na 1ª. República.
Mas não só, Ana de Castro Osório muito dedicada à causa republicana e à causa feminista, era sobretudo humanista e intelectual. Escritora de dimensão nacional e internacional, foi à literatura para crianças que se dedicou com mais continuidade. Foi a primeira pessoa que, em Portugal, escreveu para crianças, contos originais e traduções, pelo que é considerada a criadora da literatura infantil. Desde cedo que se interessou pela recolha de temas e contos da nossa tradição oral empenhando-se na sua transposição para a escrita, de que resultou uma valiosa obra de literatura tradicional de transcrição oral.
Ana de Castro Osório é considerada, também, uma das intelectuais mais marcantes do seu tempo, com uma vasta biografia, pelo que será sempre interessante ler tudo o que a ela diga respeito, como é o caso deste livro.

Maria Fernanda Pinto

segunda-feira, 9 de março de 2015

"Últimos Ritos" de Hannah Kent

Recomendado por uma amiga, este romance de estreia de Hannah Kent conquistou-me logo ao fim de poucas páginas lidas.

Na capa, uma dica de como iria ser o conteúdo: "Os últimos dias de uma jovem acusada de homicídio na Islândia de 1829". Ora, assim sendo como posso ter passado toda esta leitura esperando um outro final? Esperando que não fossem mesmo "os últimos dias"? Só o posso explicar recorrendo à forte empatia que senti por essa jovem, Agnes, de seu nome! E isso deveu-se sobretudo à escrita envolvente da autora e aos pormenores que presentimos verídicos em toda a história (e que no final verificamos estarem corretos) que nos fazem esperar uma mudança ao fim anunciado. A tensão a que o leitor é sujeito por não saber se a protagonista é ou não culpada do crime que ē acusada, leva a não querer levantar os olhos desta narrativa tão empolgante!

Alternando capítulos com um narrador indefinido, escrito na terceira pessoa, e outros em que é a própria Agnes a contar a sua história, este livro consegue transportar-nos para a Islândia de 1800 e fazer-nos vivenciar os últimos dias de uma prisioneira acusada de assassinar dois homens. A ficção misturada com a veracidade de factos que foram, percebe-se, arduamente pesquisados pela escritora, é feita com mestria.

A descrição do estado físico e psicológico de Agnes é fabulosa. Podemo-nos confrontar com os seus sentimentos de revolta, as suas dores físicas, as suas dificuldades em aceitar o seu veredicto. Paralelamente, as descrições das personagens circundantes que rodeiam Agnes nos seus ultimos seis meses de cativeiro, também foram objecto de um cuidadoso retrato tanto físico como psicológico: a família que, contrariada, a acolhe em sua casa; o reverendo que foi escolhido para a acompanhar espiritualmente nos seus últimos dias, todos alteram as suas opiniões e sentimentos face à condenada.
A Islândia de 1829 aqui retratada espectacularmente: o seu clima agreste e inóspito, a escassez de bens que obriga a um trabalho duro, as paisagens sem fim... E por fim um louvor para a escolha da capa. Capa que é, não posso deixar de dizer, de uma beleza estonteante que apetece fixar por muito tempo!

Os meus parabéns a este romance de estreia de Hannah Kent! Recomendo vivamente.

Terminado em 8 de Março de 2015

Estrelas: 6*

Sinopse