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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Apresentação de "O Grande Livro dos Hambúrgueres Vegetarianos" n' "O Botanista"


Foi com muito gosto que aceitei o convite da Arte Plural Edições para participar num evento de apresentação d'O Grande Livro dos Hambúrgueres Vegetarianos, no Restaurante O Botanista, ontem dia 21. 

A conversa fluiu gostosamente e a prova que se seguiu, de três receitas de hambúrgueres, não podia ter corrido melhor. À volta da mesa, risos, dicas e receitas juntaram-se ao requinte na degustação dos pratos apresentados que, diga-se, estavam deliciosos. Difícil foi escolher o vencedor! Entre o Hambúrguer Berlinense, o Hambúrger Bombaim e as Fajitas de Cogumelos "venha o diabo e escolha" como se costuma dizer... Estavam deliciosos, todos! 

Sou suspeita na minha apreciação porque adoro comida vegetariana mas as meninas convidadas que estavam presentes não me pareceram que estivessem a fazer nenhum frete... Muito pelo contrário! 

O livro está muito completo, não só com diferentes receitas de veggie burguers mas também com molhos, cremes e maioneses vegetais, picles, saladas, pães e alguns acompanhamentos. As fotos, então, estão de babar, de tão lindas e apetitosas! Fazemos um périplo pela gastronomia de vários cantos do mundo com comidas vegetarianas típicas de regiões tão diferentes quanto bonitas!

Eis algumas fotos tiradas: 

 




 



Cris

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Resultado do Passatempo Círculo de Leitores: "A Sombra do Passado"

O Tempo entre os meus livros, com o colaboração da editora Círculo de Leitores, tem o prazer de anunciar a vencedora do livro "A Sombra do Passado" que estará presente no clube de leitura dia 7 de Março, onde falaremos um pouco sobre as nossas impressões ao ler este livro.

E a vencedora é: Maria João Covas de Lisboa

Sei que a este passatempo poucas pessoas puderam participar porque as condições especiais impediram muita gente de o fazer. Para compensar, o blogue está a preparar um passatempo com dois livros aqui das estantes. Novos, claro! Estejam atentos!

Cris

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

"Filhos à Venda" de Kristina McMorris

Olhem para a capa. Imaginem uma história, sem ler a sinopse. Pensaram em algo contado por uma criança? Uma criança abandonada e suas desventuras? Um regresso ao passado de alguém que se viu na contingência de vender um filho? Pois é! As capas enganam. Desta feita para melhor.

Esta obra não é lamechas como a capa faz parecer. É de leitura compulsiva e começa por referir como um pequeno deslize de um jornalista que deseja ascender no seu jornal pode complicar em muito a vida de alguém. Mas fala-nos também de como os sentimentos humanos podem e devem gerir as nossas vidas, de como os valores íntegros não devem ficar esquecidos na labuta do dia a dia.

Só o final, a meu ver, ficou aquém do que esperava. Queria um final não tão previsível. Que não acabasse tão bem. Queria algo que me marcasse, que eu não pudesse esquecer. Mas, acredito, que este final vai satisfazer a maioria dos leitores. Serei demasiado exigente? Não me peçam para tentar dar um final diferente... Se o soubesse fazer, seria escritora! 

Tudo o resto foi perfeito. Com uma acção crescente de intensidade, de muito fácil entendimento, uma história plausível. Foi engraçado perceber, no final do livro, pelas palavras da autora, que um artigo, uma foto verídica deram azo a uma história que prende o leitor porque parece real e porque está bem contada. Precisamente porque o enredo está apelativo sem momentos mortos.

Adorei saber que a autora se baseou numa história verídica na altura da Grande Depressão nos EUA, de como uma foto e um acontecimento serviram para gerar uma história de ficção muito boa.

Recomendo sem reservas. 

Terminado em 15 de Fevereiro de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Uma história comovente de perda e redenção, inspirada em impressionantes acontecimentos reais.

Em 1931, o repórter Ellis Reed depara-se com uma cena angustiante. Duas crianças encontram-se no alpendre de uma casa rural e ao seu lado está uma tabuleta onde se pode ler:

Vendem-se duas crianças

Aquele anúncio, um reflexo das dificuldades brutais que inúmeras famílias americanas enfrentaram após a queda da bolsa em 1929, leva Ellis a tirar uma fotografia à cena. Quando Lillian Palmer, sua colega no jornal, encontra a fotografia, sugere a sua publicação ao chefe de redação. Ellis revela-se contra, mas percebe que aquela imagem pode conduzir à sua grande oportunidade de progredir na carreira.

Acidentalmente, a fotografia é destruída, e Ellis tem de regressar à casa para voltar a fotografar a cena. Ao encontrar a casa vazia, toma uma decisão: recria uma cena semelhante numa casa vizinha, com novas crianças, e tira outra fotografia.

A imagem acaba por ser publicada, e as consequências são devastadoras. Ellis e Lillian sabem que um grande erro foi cometido, e vão ter de decidir quanto estão dispostos a arriscar para salvar uma família fraturada.

Cris

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Para os Mais Pequeninos: "Os Direitos Vão à Escola"

Um livro que dá a conhecer às crianças, de uma forma colorida e suave, os seus direitos para que ela os possa reconhecer, em si e nos outros. Se for o caso, tomar consciência que pode pedir ajuda.

Escrito de uma forma simples, de fácil entendimento, esta história apresenta-nos os mais básicos direitos destes pequeninos seres indefesos ao personalizá-los nalgumas crianças vestidas de cores coloridas, com adereços simples mas com significado, que vão entrando na sala de aulas e que vão dando a conhecer alguns dos direitos que representam. Ao mesmo tempo, mostram que algumas crianças ainda vivem sem eles e alerta-os para esse facto.

Com imagens que mostram o doce e o horror, este livro é um alerta. Óptimo também para pais e educadores. Ora vejam:

 

 

Cris

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

"A Casa" de Paco Roca (Graphic Novel)


Lida em pouco tempo, esta graphic novel, soube-me a pouco. Mas fez-me pensar.
Soube-me a pouco porque fui apanhada meio desprevenida com o final abrupto. Nāo reparei que as páginas estavam a esgotar-se e fiquei sem chāo, de repente, com o final. Acabou tāo depressa! 
Mas mesmo assim faz pensar, indiscutivelmente. Três irmāos, depois da morte do pai, vāo-se lembrando de pormenores vividos em que o pai foi protagonista ao mesmo tempo que decidem vender a casa em que ele vivia e que já nāo visitavam há muito. 
É um livro que fala-nos de perdas, de luto, de coisas que ficaram por dizer e por fazer às pessoas que amamos. É normal sentir que se podia ter feito ou dito mais qualquer coisa depois da morte de alguém que nos é próximo. Creio que é um processo que faz parte do luto. Uma parte de nós diz que dissemos e fizemos o que podiamos, outra diz-nos que poderiamos ter feito ou dito muito mais. Saber encontrar o equilíbrio entre estes dois seres que "habitam" em nós é um processo que pode demorar.
Um livro para ler e apreciar. Para pensar, refletir. Olhar em volta e alterar comportamentos, o nosso sobretudo. Porque o mundo muda quando nós mudarmos.
Terminado em 10 de Fevereiro de 2019
Estrelas: 5*
Sinopse
Ao longo dos anos, o dono de uma casa enche-a de recordações, testemunhos silenciosos de uma vida. Uma casa é a imagem fiel do seu dono. Como os casais que vivem longos anos juntos. Assim, quando o seu ocupante desaparece para sempre, o recheio da casa fica intacto, à espera do regresso do seu dono. Os três irmãos que protagonizam esta história, tornam um ano após a morte do seu pai à casa de família onde cresceram. A sua intenção é vendê-la, mas em cada velharia que deitam fora, enfrentam as suas memórias. Temem estar a apagar o passado, a memória do seu pai, e as suas próprias memórias.  

Cris

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Na minha caixa de correio

  

  



Comprado num alfarrabista, A Rapariga do Tambor.

Oferta do maridāo no Dia dos Namorados,  A História

Ofertados pelas editoras parceiras:
- O Colecionador de Pecados, Casa das Letras
- 5 Mudanças Antes, Durante e Depois do Cancro, Oficina do Livro
- Reciclar, Decorar e Organizar, Esfera dos Livros
- Porque Dormimos?,  Saída de Emergência/ Desassossego.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Novidade Esfera dos Livros

A Grandeza das Coisas sem Nome
de Enrique Arce

No dia em que recebe um Tony que o consagra como um dos grandes atores da Broadway, Samuel recebe também a notícia da morte da sua irmã em Madrid. Regressa à sua terra natal para assistir ao funeral e para reencontrar o seu pai, de quem nada sabia há 35 anos. Na mala leva o prémio para lhe oferecer e provar que venceu na vida. “Ao funeral de um ente querido trazemos uma coroa de flores para prestar homenagem ao morto e não uma de louro para nos vangloriarmos” foi a única coisa que recebeu em troca. Ao enfrentar o seu passado, os segredos da sua família, as suas traumáticas memórias de infância, Samuel inicia uma viagem de transformação interior. Pelo caminho descobre o poder do amor, da amizade, do perdão, a importância de aprender com os erros e os fracassos e de enfrentarmos os nossos medos para conquistarmos o bem mais preciso que temos: a nossa própria vida.  Enrique Arce, ator da mundialmente conhecida série A Casa de Papel, estreia-se na literatura com uma história comovente, surpreendentemente sincera, que nos transforma de maneira iniciática.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Novidade Arte Plural

O Grande Livro dos Hambúrgueres Vegetarianos
de Nina Olsson

Há muito que os hambúrgueres deixaram de ser fast food; hoje em dia, são sinónimo de slow food de qualidade, um formato que engloba todas as possibilidades que a imaginação gastronómica consiga abarcar... sobretudo nas versões vegetarianas e veganas.
A variedade de ingredientes faz com que as combinações sejam inúmeras, por isso a chef, food stylist e fotógrafa Nina Olsson apresenta aqui uma verdadeira volta ao mundo dos hambúrgueres, com as receitas organizadas geograficamente.
O Grande Livro dos Hambúrgueres Vegetarianos é o único livro de veggie burgers de que alguma vez vai precisar: versões com todos os sabores que vão satisfazer o paladar mais requintado e ainda dicas indispensáveis para a anatomia do hambúrguer perfeito.

Encontre nestas páginas mais de 50 hambúrgueres e dezenas de pães, molhos e acompanhamentos com que nunca sonhou.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

"Princípio de Karenina" de Afonso Cruz

Nāo sou muito dada a gargalhadas quando leio um livro. É mais fácil soltar uma lágrima do que conseguir que a minha garganta se liberte e se ria... Mas sabem quando vocês nāo se conseguem conter e riem baixinho, quase interiormente? Foi o que aconteceu comigo neste livro. É a escrita de Afonso Cruz no seu melhor. Vou-vos mostrar um exemplo...

O narrador faz um périplo pela sua infância caminhando pelos seus oito anos até à idade adulta. Às tantas referindo-se a uma tia, comenta: "Eu ia com as tias à missa, incluindo aquela que ia morrer dali a seis meses." Assim, a seco. Nāo segurei o riso interior, aquele que nos faz abrir o sorriso cá de dentro.

Com capítulos pequenos, esta história é contada na primeira pessoa. O narrador, filho único, dirige o seu discurso a uma filha. Relembra o passado e vai desfiando pequenos acontecimentos enquanto salta no tempo sem que o leitor se dê conta disso. Ele (como se chama mesmo esse pai? Será que alguma vez o seu nome foi referido?) possui uma deformidade num dos pés (pé boto), que sente como tal, enquanto que para sua māe é vista como algo positivo que o livrará de problemas maiores. Mais do que o pé deformado, ele entende que a educaçāo dada pela figura parental é que o impediu de viver, conhecer mundo (o "estrangeiro", como refere). Indeciso, sem garra, deixa-se levar e até manipular, pelas vontades dos outros .

Gostei desta leitura. Escrita inconfundível de Afonso Cruz. Possuidor de uma larga cultura, é com gosto que se leem os seus escritos. Escritos esses que me fazem sempre procurar informaçōes na Wikipédia. Desta feita foi sobre o Cambodja, Pol Pot e os crimes por ele cometidos.

Outra das características que encontro neste escritor é, frequentemente, dizer certas coisas ao leitor sem as referir por palavras. É algo que paira no ar, que o leitor pressente, subentende. Acho isso fantástico! Contar uma parte importante da história sem nada dizer directamente. Muito bom!

Tenho de vos confessar que as últimas páginas fizeram com que alterasse as estrelas que pensei dar a partir  da leitura de metade do livro. Se antes eram cinco, passaram indubitalvelmente para seis! Que final! Aprontem os vossos coraçōes. Este é um final à "Afonso Cruz"! Quem já leu algumas obras do autor vai perceber o que digo. E Afonso, explica lá o título que eu nāo cheguei lá...

Terminado em 9 de Fevereiro de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Um pai que se dirige à filha e lhe conta a sua história, que é a história de ambos, revelando distâncias e aproximando-se por causa disso, numa entrega sincera e emocional.

Uma viagem até aos confins do mundo, até ao Vietname e Camboja, até ao território que antigamente se designava como Cochinchina, para encontrar e perceber aquilo que está mais perto de nós, aquilo que nos habita. Um pai que ergue muros de silêncio, uma mãe que faz arco-íris de música, uma criada quase tão velha como o Mundo, um amigo que veste roupas de mulher, uma amante que carrega sabores e perfumes proibidos. São estas algumas das inesquecíveis personagens que rodeiam este homem que se dirige à filha, que testemunham - ou dificultam - essa procura do amor mais incondicional.

Uma busca que nos leva a todos a chegar tão longe, para lá de longe, para nos depararmos connosco, com as nossas relações mais próximas, com os nossos erros, com as nossas paixões, com as nossas dores e, ao somar tudo isto, entre sofrimento e júbilo, encontrar talvez felicidade.

Cris

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A Convidada Escolhe: "Luanda, Lisboa, Paraíso"


Luanda, Lisboa, Paraíso
Djamilia Pereira de Almeida
2018
A belíssima capa deste livro, o título e uma sessão em qua Djaimilia Pereira de Almeida falou sobre a sua obra foram os “ingredientes” que me atraíram para comprar “Luanda Lisboa Paraíso”. A doçura da voz e a riqueza do discurso da jovem autora angolana nesta sessão moderada por Anabela Mota Ribeiro fui encontrá-las ao longo das pouco mais de duzentas páginas do livro.
Um livro muito belo, cheio de subtilezas, de figuras de estilo na sua prosa poética. Uma história com vidas tristes, sofridas, com muitos silêncios ou com palavras que não são ditas, onde a esperança e o sonho persistem, mesmo quando a pobreza, a solidão e o desenraizamento são a marca de que é feita a vida das personagens.
Cartola e Aquiles partem de Luanda a caminho de Lisboa para um tratamento a um defeito de nascença no calcanhar de Aquiles. Lisboa é a terra com que o pai Cartola sonha, imaginada em livros, mapas e postais; para Aquiles, o filho, é terra de salvação de um defeito que carregava, colado ao nome e com o qual era alcunhado de “o coxo” ou o “Botinha” entre os colegas da escola. Desde o início que tudo aponta que será uma viagem só de ida o que é percepcionado por Glória, a mãe, paralisada e esquecida numa cama, lembrando Samsa, o insecto de “A Metamorfose” de Kafka. “Glória fechou os olhos, apertou a camisa de noite contra o peito e disse em voz alta «até amanhã, Papá» sem se permitir soltar uma lágrima, mas pressentindo também que vira o marido pela última vez.”
Lisboa é afinal uma terra onde pai e filho andam à deriva, sentindo-se estrangeiros, perdidos. A fragilidade de Cartola “caminhava sem referências” é sentida pelo filho que o acha mais pequeno, menos firme, mais envelhecido. Pai e filho pouco comunicam, cada um encerrado no seu mundo, frustrados os seus sonhos de um futuro melhor. Para Cartola, perdido numa Lisboa estranha que o enjeitava, era no cemitério dos Prazeres que encontrava o sítio onde se sentia entre iguais. Nas cartas e nos telefonemas a Glória, Cartola fantasia em palavras os sonhos que não consegue concretizar, são a idealização de um sonho impossível. Em Luanda, a escassez, a pobreza e a guerra civil são mascarados com palavras doces e pedidos simples que Glória faz ao marido, projectando num futuro risonho as memórias de tempos felizes quando eram jovens.
A Quinta do Paraíso, a caminho de Caneças é a saída possível depois de uma história de pagamentos em atraso e dívidas na pensão Covilhã. As viagens diárias do bairro para a obra são as rotinas de Cartola para quem a dureza do trabalho o faz sentir cada vez mais velho e onde Aquiles é “o coxo da obra” ou “o preto coxo”. Paraíso, mas podia ser a Jamaica, é o lugar onde diariamente se descansa o corpo depois da jornada de trabalho dura na obra. As dores do corpo são mitigadas por uma refeição melhorada quando ainda há dinheiro, ou por uma conversa à volta duma fogueira, pautada por umas anedotas e lembranças da terra longínqua, ou pela rifa do cabaz de Natal que saiu a Cartola. O vizinho Pepe, o taberneiro galego vai ser a amizade que vai nascer na relação entre duas solidões. E que se vai reforçar quando ambos constróem a barraca que ardeu numa noite. A construção da “nossa casinha”, como lhe chamam, passa a ser o objectivo que vai dar sentido às suas vidas e motivar os mais novos – Aquiles, Amândio e Iuri.
Achei este livro tão lindo, tão dramático, tão sentido, para nos dar a entender melhor a vida de tantos cidadãos imigrantes que um dia acreditaram num paraíso em Portugal ou na Europa, que foram obrigados a fugir da fome ou duma guerra civil sem sentido, que aqui vieram procurar respostas para uma saúde que não dispõem nos seus países.
Com a força das palavras que Djaimilia consegue manejar com tanta mestria e sensibilidade.
9 de Fevereiro de 2019
Almerinda Bento











segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

"A Noite Passada" de Alice Brito

Já nāo me devia surpreender a escrita de Alice Brito.

Desta feita achei-a mais acutilante, mais crítica, mais política, mais livre do que as dos seus livros anteriores, que adorei, pelo menos do que eu me lembro porque já os li aquando da sua "saída". O tempo tem o condāo de tornar tudo difuso e de nos fazer esquecer... Mas aqui está ela, inconfundível: uma escrita de fazer inveja. A sua forma de se expressar é bastante sui generis, com uns laivos de desbragamento que lhe conferem um toque único e especial que muito me agradam. O humor também está presente. Fino e aguçado.

Um narrador que me fez sorrir muitas vezes, que me fez reler algumas frases. Possuindo, por um lado, um discurso vernáculo mas com muito sentido e nada excessivo, e por outro, um que nos faz procurar no dicionário aquela palavra que, pelo sentido, achamos saber o seu significado mas queremos confirmar. Só quem domina muito bem a língua portuguesa pode ir dos 8 aos 80 sem que o leitor se sinta ofendido ou inculto.

Nas primeiras três folhas o leitor anda à deriva. Pequenos textos com os quais nāo nos conseguimos situar de todo. Depois a história arranca. A essas três páginas havemos de voltar mais tarde, depois de lido 1/3 do livro. Foi assim que fiz e, para mim, fez todo o sentido. Voltei a elas mais tarde quando as últimas páginas se fecharam nas minhas māos. 

A história narrada abarca um período de Portugal que, se bem que nāo muito afastado dos nossos dias (o que sāo cinquenta/sessenta anos?) muitos tendem a esquecer, ou porque a memória é posta de lado quando relembrar nāo é agradável ou porque já nāo o viveram. Começa por retratar o Portugal dos anos 50 e avança para as décadas seguintes. Foram tantos os pormenores que relembrei, tantos os que nāo fazem parte dos nossos dias...

Mesclados com a história principal, surgem laivos de outra história (distinguivel pela escrita em itálico) que só bem mais perto do fim começa a fazer sentido. Mas o mistério acompanha o leitor durante o livro todo. Quem sāo estes personagens que aparecem em pequenos trechos e que relaçāo possuem com os da história principal? Porém a revelaçāo final é deixada para as últimas folhas. Surpresa e entendimento. Um puzzle que se encaixa e completa, no fim e por fim. Um livro que me deu muita pica a ler.

Juntas, a Política/História de um povo e uma história bem narrada. Parabéns, Alice! Super recomendo!

Terminado em 7 de Fevereiro de 2019

Estrelas: 6*, sem dúvida alguma!

Sinopse
Um romance de amor poderoso num Portugal que ansiava pela liberdade.

Tendo Lisboa como ponto de partida, a autora conta-nos a história de uma jovem, Amélia, de famílias respeitáveis, que põe o futuro e a honra a perder quando se deita com um agente da PIDE de modos delicados e linguagem sedutora, mas capaz das maiores crueldades.

Um livro imperdível, com uma escrita fluida, que lembra a aclamada série da RTP, Conta-me como Foi, cheio de histórias de heróis e vilões anónimos, preconceitos e modas arrojadas, e o grande sonho da liberdade.

Cris

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Passatempo Círculo de Leitores - "A Sombra do Passado"

Olá, olá!

O Tempo Entre Os Meus Livros tem uma novidade fresquinha para ti, que és seguidor do blogue.

Só tens de te comprometer a ler este livro e a estar presente no dia 7 de Março (data a confirmar) às 18:30 em Lisboa em local a designar, para um clube de leitura exclusivo entre a editora "Círculo de Leitores" e cinco bloguers em que um deles serei eu.

Para participares deves enviar um email para otempoentreosmeuslivros@gmail.com com o subject "Quero estar presente" e indicando o teu nome e contacto telefónico.

Quem não gosta de falar de livros?

Sei que nem todos poderāo participar mas é uma forma de eu ficar a conhecer um dos seguidores do blogue. Outros passatempos virāo, certamente, em que todos poderāo tentar a sua sorte.

O passatempo decorre até ao dia 20 de Fevereiro. Participa se puderes estar presente no encontro e boa sorte!

Para veres o post sobre esta novidade, clica aqui.

Cris

Novidade Círculo de Leitores

A Sombra do Passado

de Nikola Scott

Um segredo antigo revelado…
Uma criança perdida, o segredo de uma mãe e um verão idílico que mudou a vida
de uma mulher para sempre...

Corre o ano de 1958, Elizabeth Holloway é enviada para longe da sua casa de Londres, para passar o verão em Hartland, uma bela propriedade no litoral do condado de Sussex, no Sul de Inglaterra. Para a linda e inocente Elizabeth, os Shaws são um modelo de sofisticação e tratam-na como se fosse da família, mas quando ela se apaixona, ninguém a avisa que os seus sonhos são perigosamente ingénuos.

Quarenta anos mais tarde, a filha de Elizabeth, Addie, encontra uma estranha à sua porta, uma mulher que afirma ser sua irmã gémea. A princípio, Addie recusa-se a acreditar nisso — até que o seu amado pai admite que as circunstâncias do seu nascimento não foram as que ela tinha sido levada a crer que foram.

A revelação desafia tudo o que Addie achava que sabia sobre a mulher brilhante e difícil que tinha sido a sua mãe. E como a vida os leva de volta ao passado de Elizabeth, Addie e sua nova irmã Phoebe descobrem a extraordinária história de uma criança perdida, o segredo de uma mãe, e um verão de ouro que mudou a vida de uma mulher para sempre.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Na minha caixa de correio

  

  


 

 

Oferecidos pelas editoras:
- Regresso à tua Pele, Marcador
- Filhos à Venda, TopSeller
- Os Blumthal, Oficina do Livro
- Os Direitos vão à Escola, D.Quixote

Comprados num alfarrabista:
- Um Beijo dado mais tarde
- Uma Pedra sobre o Rio 

Comprados numa promoção da Wook:
- As Inseparáveis
- O Eco das Cidades Vazias
- Instrumental
- A Vegetariana

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A Escolha do Jorge: “Marlboro Sarajevo”


 “O lugar da cabeça é na almofada, o resto é horror puro.” (p. 11)

Nascido na Bósnia, Miljenko Jergović (n. 1966) é considerado um dos escritores mais importantes da sua geração da ex-Jugosláviada. “Marlboro Sarajevo” é uma colectânea de contos publicada, em 1994, numa altura em que decorria o cerco a Sarajevo (1992-1996), no contexto da guerra sangrenta que opôs sérvios e bósnios. A guerra da Bósnia foi o conflito bélico mais agressivo e complexo que a Europa conheceu no pós 2ª Guerra Mundial, numa altura em que a guerra entrava nas casas das pessoas através de imagens que o mundo não acreditava ver novamente.

Durante o cerco a Sarajevo, morreram mais de 12 000 pessoas, na sua maioria civis, além de mais de 50 000 feridos e de uma população que diminuiu para pouco mais de 60% face aos valores antes do início da guerra.

É neste contexto de guerra que Miljenko Jergović nos apresenta um conjunto de histórias de gente anónima que constituem alguns dos episódios dos anos da guerra.

O autor não faz a apologia das vítimas face aos culpados, limita-se a contar as histórias de pessoas singulares, a vida banal, o dia-a-dia e de como tudo ficou diferente nos anos do cerco da cidade. Histórias de sobrevivência face à necessidade de encontrar bens alimentares, água, abrigo e combustível. Não ser apanhado nas emboscadas dos sérvios ou escapar a um qualquer sniper que vigiasse a partir das montanhas é algo que surge inúmeras vezes documentado.

Miljenko Jergović tem o talento de mostrar sentido de humor sem ser chocante na forma como expõe algumas das suas histórias, do mesmo modo que leva o leitor à reflexão de que não há guerras inteligentes, além das vítimas que a guerra provoca, inocentes na sua maioria. A guerra conduz também à perda da racionalidade quando implementa actos de profunda barbárie, em linha com os crimes hediondos perpetrados pelos nazis durante a 2ª Guerra Mundial.

Há histórias de uma violência atroz que nos esmagam e que nos levam a reflectir sobre como é possível um ser humano odiar tanto ao ponto de sacrificar a vida de terceiros. O que há no mundo e na vida que seja o motivo de alguém tirar a vida a outra pessoa? A incompreensão instala-se ao longo de várias histórias porque Miljenko Jergović apresenta aquilo em que o homem se pode tornar, naquilo que de pior pode vir a ser.

Mas Miljenko Jergović alterna com histórias de profunda humanidade em que o espírito de entreajuda e de sacrifício, de partilha e de tolerância face às diferenças culturais de uma cidade que sempre se pautou por ser a cidade mais tolerante do mundo onde coexistiam pacificamente pessoas das três religiões monoteístas capazes de viver em harmonia, na medida do possível como até então.

Contos como “O Senhor” comovem-nos pela sensibilidade que transportam face à capacidade de os homens praticarem a caridade sem olhar a meios, sobretudo numa época de grande contenda e sacrifício para todos. Este é na minha opinião o mais belo conto da presente colectânea. Os gestos de bondade e de gratidão quando menos se espera é algo marcante e de uma lição imensa de humanidade.

Este é seguramente um dos contos em que perante a contrariedade e face a tantas e tantas guerras e conflitos armados que já conhecemos depois da guerra da Bósnia, nos anos 90, leva-nos a ter esperança na humanidade que é capaz de fomentar a paz entre os homens.

Ler “Marlboro Sarajevo” foi uma forma de revisitar Sarajevo e embora tal tenha somente acontecido alguns anos depois da guerra, é uma das cidades que mais me marcaram ao perceber que a sua população tentava ainda sobreviver ao trauma da guerra, não esquecendo os sinais evidentes das marcas das balas e granadas nos edifícios, das milhares de pedras tumulares muçulmanas dispostas nas encostas da cidade por ter havido necessidade de encontrar solo para enterrar os mortos porque os cemitérios não eram suficientes ou das pessoas que iniciavam as conversas com “Antes da guerra…” ou “Depois da guerra…” Havia sempre um antes e um depois da guerra porque essa pareceu-me que ainda era visível nos seus rostos e pensamentos.

“Marlboro Sarajevo” de Miljenko Jergović constitui uma surpresa literária a par de ser uma obra que se impõe nos dias complexos em que vivemos, numa altura em que ódio e racismo marcam presença assídua nas televisões, impondo-se gradualmente como se se tratasse de algo natural ao ser humano e à humanidade, da Mentira que aos poucos adquire rosto de Verdade.

Num contexto de guerra, “Marlboro Sarajevo” é também um hino à civilização, a tudo quanto o homem ao longo da História construiu como forma de legado para as gerações futuras.

Excertos:
“O ódio que eu conhecia era demasiado individual para que dele nascesse um mal colectivo. Os Bósnios odiavam demoradamente, com persistência e deleite, mas em completa desorganização. Tinha de chegar alguém com canhões, tanques e aviões para organizar esse ódio. Quem detonava o morteiro, tive a sensação disso, fazia-o para matar alguém próximo de si, alguém que tinha insultado com demasiada frequência, e com quem provavelmente resolveria os seus mal-entendidos numa rixa de café. Com os punhos ou com a faca.” (p. 140)

“Todos os dias a situação confirmava cada vez mais a Mentira sobre o ódio bósnio, a mentira sobre este país de intolerância glacial. Mas como ninguém fez nada pela Verdade, ela deixou de funcionar como argumento. Se alguma vez escreverem uma História, não acredito que ela seja tão pouco mencionada. Nem sequer como uma nota de rodapé. A Verdade será ofensiva, mesmo se alguém se atrever a dizê-la, tanto para os Sérvios como para os Croatas e os Muçulmanos. Os primeiros incitaram ao crime e cometeram-no, e os outros, na sua desgraça, acreditaram que aqueles tinham razão, que tinham de pensar como eles e fazer o que eles faziam. Tudo o que acontecer a seguir será apenas o reflexo dessa catarse do Mal, mas não terá nenhuma ligação com o que a Bósnia e Sarajevo eram.” (p. 142)

“Não se pode registar nem memorizar todas as bibliotecas particulares da cidade de Sarajevo que foram incendiadas. Também não existe ninguém para quem merecesse a pena fazê-lo. Mas como a chama de todas as chamas e o fogo de todos os fogos, como a cinza e o pó finais e míticos, recorda-se o destino da Biblioteca Universitária de Sarajevo, a famosa Vijecnica, cujos livros arderam durante um dia e uma noite. Isto aconteceu, depois de um silvo e de uma explosão, há exactamente um ano. Talvez na mesma data em que tu estás a ler isto. Acaricia com ternura os teus livros, forasteiro, e lembra-te que são pó.” (pp. 153-154)

Texto da autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

"Está Nas Tuas Māos" de Margarida Fonseca Santos

Peguei neste livro para participar no desafio no Instagram #24horas1livro, e fiquei maravilhada com a capacidade que este livro tem de, em pouco tempo e em poucas palavras, tocar num assunto tāo sério e desconhecido para a maior parte da populaçāo. 

É um livro dirigido a um público juvenil mas que todos devem ler. As doenças ditas "dos idosos", como por exemplo as artrites, podem atingir crianças, adolescentes. Do nada. Sem grandes explicaçōes. As famílias nāo estāo preparadas para receber este presente envenenado e os jovens tampouco. 

Os narradores deste livro sāo múltiplos. Desde o adolescente, até aos pais, à irmā mais pequena, aos amigos, aos professores, à médica que o segue e trata. Tudo é um pretexto para abordar, pelos diversos pontos de vista, esta doença e os problemas físicos e psicológicos que acarreta. Um mundo desconhecido para mim. Um alerta para todos, dirigido sobretudo aos mais jovens.

Uma mensagem de força e esperança para quem lida com esta doença! Gostei muito de me sentir mais próxima, porque mais conhecedora de uma doença que nāo sabia existir, de quem sofre com ela. 

Terminado em 3 de Fevereiro de 2019

Estrelas: 5*

Existe em Portugal a 


Poderá aceder ao respectivo site aqui.

Sinopse
Crescer é um desafio enorme. Às vezes, é difícil decidir que caminho devemos seguir. A Escolha É Minha é uma coleção sobre as opções que tens de tomar todos os dias com histórias de vida contadas por jovens tais como tu. Está nas Tuas Mãos é uma história que bem podia ser a tua ou, quem sabe, a de alguém que conheces.

Guilherme não consegue entender, está assustado. E a razão não é para menos: saber que tem uma doença crónica parece-lhe a pior notícia possível. A família, os amigos e os professores interrogam-se sobre as consequências para o quotidiano e para o futuro de Guilherme. Todos têm de aprender a lidar com este problema, mas a doutora Cristina, uma médica fantástica, vai ajudá-los a conhecer a doença e as formas de agir para diminuir as dores, as lesões e o desânimo.

A força da amizade e do amor vai transformar por completo a vida de Guilherme, tornando-o feliz e realizado. Vem daí e descobre a importância de nunca desistir!

Cris


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

"Beautiful Boy" de David Sheff

Este livro é (preparem-se !) brutal! Talvez tenha sido uma das leituras mais pesadas que li nos últimos tempo. Bem sei que leio muitos livros sobre a II Guerra e todos os horrores cometidos aí mas, se o Homem aprendeu com o sucedido (e às vezes tenho a certeza que nāo!, nessas alturas, estou a ler sobre coisas que aconteceram no passado. Aqui, estou a ler sobre um tema intemporal. O flagelo da droga é sobre ontem, hoje e, infelizmente, amanhā.

Este livro fala-nos da dor de um pai que lutou (luta!) contra as drogas que consumiram a vida do seu filho. Mas é um relato tāo honesto, tāo sentido, que o nosso coraçāo fica apertadinho. Para quem tem filhos, entāo, é hora de agradecer, de questionar e, sem querer, de comparar. O que leva um jovem a experimentar? Porque alguns ficam agarrados e outros nāo? 

Escrever sobre a dor, a dor pessoal, nāo deve ser tarefa fácil porque torna-se um reviver constante do passado. Nāo deve ser fácil também porque existe a culpa, esse sentimento que atordoa, invade e engole quem escreve sobre um tema tāo doloroso. Foi isso que este pai fez. Falou sobre a sua dor e a dor do seu filho, falou do que sentiu ao saber-se impotente, desamparado, assustado e sem descanso. Sim porque como ele refere, os toxicodependentes quando estāo sobre o efeito das drogas têm um alivío momentâneo. Quem os ama, nāo. Nunca tem.

Uma mescla de sentimentos passa para o leitor: a culpa e a esperança, a solidāo e a angústia. E sempre a esperança. Mas sempre o "nunca saber". As recaídas ao fim de anos de sobriedade. E a esperança, sempre a esperança.

Muito bom! Muito forte! Recomendadíssimo. Tenho de ver o filme.

Terminado em 3 de Fevereiro de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
«Que aconteceu ao meu filho? E à nossa família? Que fiz eu de errado?» Estas foram perguntas dolorosas que martirizaram David Sheff durante o longo período de dependência de drogas do seu filho Nic e de várias tentativas de recuperação.
Antes de se tornar toxicodependente, Nic Sheff era um rapaz encantador, alegre e divertido, um aluno excelente, praticante de desporto e adorado pelos dois irmãos mais novos. A toxicodepência fez dele um débil fantasma de si mesmo, que mentia, roubava e vivia na rua.

Neste livro, David Sheff descreve os primeiros sinais de aviso - a negação, os telefonemas de madrugada - «É o Nic?», «É da polícia?», «É do hospital?» -, e como a sua preocupação com Nic se tornou obsessiva, um vício em si mesmo e um peso tremendo para toda a família. Mas, graças à sua experiência de jornalista, David dedicou-se a uma intensa pesquisa de todos os meios de tratamento disponíveis que pudessem salvar o seu filho. E, mais importante ainda, recusou-se a desistir de Nic.


Autêntico e profundamente comovente, este é o testemunho da dedicação e do amor por um filho à beira do abismo. Agora também numa adaptação cinematográfica com Steve Carrell como protagonista.

Cris

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

"Estou Viva, Estou Viva, Estou Viva" de Maggie O'Farrell

Foi-me emprestado este livro pela Isa do canal Jardim de Mil Histórias mas vou ter de o comprar! Às vezes pergunto-me porque razāo tenho de comprar um livro que já li se, acho, nāo vou ter tempo para o reler... Coisas que só um amante de livros consegue perceber!!!! Mas sim, o livro é muito bom. Mas mesmo tendo lido opiniōes muito positivas, senti uma certa relutância ao pegar nele. Nāo me parecia que um livro que tratasse de questōes de "quase morte" seria para mim... E afinal li com prazer, porque a escrita é cuidada mas simples, as situaçōes descritas tocam-nos porque se parecem com momentos vividos por nós, nas nossas vidas (e que deixamos passar sem reparar neles!), se bem que, por razōes de doença, a autora tivesse estado bem mais perto da morte que eu algum dia estive. 

Pouco mais há a dizer. O final surpreende e vale o livro todo. 

Esperei mais uns dias para escrever a minha opiniāo, para que ela fosse mais pensada e já vi que nāo resultou. O que gosto mesmo de fazer é escrever ainda a quente, com o coraçāo nas māos. Liçāo aprendida. Mas recomendo esta leitura, sim.

Terminado em 26 de Janeiro de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse
«Quando és criança, ninguém te diz: "vais morrer". Tens de descobrir isso por ti. Algumas pistas são: a tua mãe a chorar e, depois, a fingir que não estava a chorar; não deixarem os teus irmãos virem visitar-te; a expressão de preocupação, gravidade e um certo fascínio com que os médicos olham para ti; a maneira como as enfermeiras se esforçam por não te olharem nos olhos; familiares que vêm de muito longe para te verem. Quartos de hospital isolados, procedimentos médicos invasivos e grupos de estudantes de Medicina também são sinais claros. Ver ainda: presentes muito bons.»

Uma doença na infância que deveria ter sido fatal, uma fuga em adolescente que quase termina em desastre, um encontro assustador num caminho isolado, um parto arriscado num hospital com falta de pessoal - estes são apenas quatro dos dezassete encontros com a morte que Maggie O'Farrell, autora multipremiada e uma das vozes mais interessantes da literatura atual, relata na primeira pessoa. São histórias verdadeiras e fascinantes que impressionam, comovem, arrepiam e, sobretudo, nos fazem recordar que devemos parar, «respirar fundo e ouvir o bater do coração».

Cris

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Na minha caixa de correio

  
Chegados cá a casa, ofertados pelas editoras:

- Coraçāo Frio, Circulo de Leitores
- Sobe a Maré Negra, Quetzal
-Mude de Horário, Mude de Vida, Pergaminho

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

"Comboio Para o Paquistāo" de Khushwant Singh

Pouco tenho a dizer sobre este livro. Foi-me difícil entrar no tema retratado porque ele próprio é de difícil compreensāo. Muçulmanos, hindus e sikhs. Uma guerra que tem por base a religiāo e em que os ódios se misturam. Como resultado, a morte de gente inocente.

Alguns personagens tomam lugar de destaque sem que haja uns mais importantes que outros. Pequenas histórias das suas vidas sāo descritas e o contexto social em que decorrem é árido, desprovido de amor.

Fiquei incomodada com a temática e, no entanto, sinto que nāo captei toda a História por detrás desta história contada por Khushwant Singh. Nāo domino de todo este período da História da Índia mas sinto que, mesmo após esta leitura, nāo o captei totalmente. Esse período sangrento, o fim do colonialismo inglês na Índia e a criaçāo do novo Estado do Paquistāo, ficou marcado com sangue e ódio. Sente-se isso nestas páginas e, como referi, isso incomodou-me.

Nāo posso dizer que foi uma leitura empolgante e que tenha lido com prazer mas isso deveu-se ao tema tratado e ao ambiente descrito porque nāo cheguei a compreendê-lo bem.

Terminado a 29 de Janeiro de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
Mano Majra é uma povoação numa zona remota de fronteira, onde sikhs e muçulmanos viveram juntos e em paz ao longo de séculos. Mas tudo muda quando um dia, no fim do Verão, aparece o "comboio fantasma". A sua carga silenciosa anuncia um período de sombras e de discórdia e traz consigo a ameaça da guerra à tranquilidade idílica da aldeia. A semente do ódio está lançada e Mano Majra não será mais a mesma. No entanto, é neste cenário ameaçador que irrompe na aldeia o namoro entre Jugga, um jovem sikh que passa a vida a entrar e sair da prisão local e de Nooran, a filha do mullah. Uma história de amor impossível que transcende tudo e todos, um «Romeu e Julieta» indiano.
Neste livro, que lançou o seu nome a nível internacional, Khushwant Singh serve-se da sua brilhante prosa para denunciar um dos mais esquecidos e sangrentos episódios da história da humanidade: o fim do colonialismo inglês na Índia e criação do novo estado do Paquistão. Uma história brutal com repercussões que duram ainda nos dias de hoje.

Cris