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sexta-feira, 22 de março de 2019

A Escolha do Jorge: “O Chefe de Estação Fallmerayer”


“O Chefe de Estação Fallmerayer”
Joseph Roth
(Assírio & Alvim)

“(…) Fallmerayer perseguia o estranho aroma do couro da Rússia e o indistinto perfume da mulher, que um dia se deitara na sua cama, sobre o seu travesseiro, debaixo do seu cobertor.” 
(p. 48)

É sempre uma agradável surpresa a (re)edição das obras de Joseph Roth (1894-1939), considerado um dos grandes escritores do século passado e também um dos últimos escritores que encerram o fim de toda uma tradição judaica que se perdeu com a 2ª Guerra Mundial. Joseph Roth é um valor seguro nas letras e, tanto os seus romances como as novelas/contos estão imbuídos de valores morais na sua articulação com uma espécie de justiça de carácter universal a par de uma estética capaz de deixar o leitor inebriado com as suas palavras e cenários criados.

“O Chefe de Estação de Fallmerayer” constitui uma das últimas novelas de Joseph Roth, publicadas na década de 30, quando o escritor já se encontrava bastante doente, ainda que dedicasse muito do seu tempo à escrita. Esta novela, a par de “A Lenda do Santo Bebedor” e “O Leviatã” são pequenas pérolas da literatura contemporânea que, em boa hora estão a regressar às livrarias e, no seu conjunto, são reveladores de um espírito quase profético de Joseph Roth face ao que estaria por acontecer na Europa e no Mundo, no que concerne ao desaparecimento da cultura judaica no Velho Continente, na sequência do genocídio e holocausto perpetrados pelo regime nazi.

Esta novela – ou este conto - em particular tem como pano de fundo a Áustria nas vésperas da 1ª Guerra Mundial (1914-1918) e Adam Fallmerayer como principal protagonista, sendo um chefe de estação de caminho-de-ferro de uma pequena estação situada a um par de horas de Viena. Numa certa noite, Adam Fallmerayer percebeu que o seu destino iria mudar na sequência de um acidente grave com duas composições, tendo ficado inebriado com Anja Walewska, uma das sobreviventes do acidente, que viajava da Ucrânia rumo à Itália a fim de se encontrar com o seu marido.

Durante alguns dias, Adam Fallmerayer deu guarida a esta visitante inusitada até que, por indicação do médico, pudesse então dar continuidade ao seu périplo. Adam Fallmerayer ficou completamente extasiado por um sentimento de amor que nunca experimentara em oposição ao seu casamento realizado por conveniência.

O episódio acima descrito veio a marcar por completo a vida pacata de Adam Fallmerayer, assim como o seu destino, na medida em que “Fallmerayer perseguia o estranho aroma do couro da Rússia e o indistinto perfume da mulher, que um dia se deitara na sua cama, sobre o seu travesseiro, debaixo do seu cobertor.” (p. 48)

O início da 1ª Guerra Mundial, em 1914, foi o mote para Adam Fallmerayer romper em definitivo com a sua vida passada, em como com os laços familiares aos quais pertencia, aproveitando a guerra para ir atrás do seu sonho que se converterá em desgraça. “Tinha o sentimento de uma gratidão infinita para com o destino, que o conduzira à guerra e a este local e, em simultâneo, um medo indescritível de tudo o que então estava prestes a acontecer-lhe. A guerra, a ofensiva, o ferimento, a proximidade da morte: eram acontecimentos pálidos em comparação com o que estava para vir.” (p. 50) “A guerra tinha de durar eternamente, e o serviço prestado por Fallmerayer naquele local e naquele posto tinha de ser eterno.” (p. 62)

O desejo de procurar Anja Walewska foi a volúpia que o levou a cometer actos inconsequentes ao ponto de desafiar o seu próprio destino. Adam Fallmerayer cega com estes excessos em busca do amor, mas conhece-o e vive-o fugazmente ao ponto de a felicidade extrema estar prestes a acontecer com tudo o que poderia desejar na vida, mas o destino troca-lhe as voltas, acontecendo a Adam Fallmerayer o que vem a acontecer à cultura judaica na Europa, anos mais tarde.

“O Chefe de Estação Fallmerayer” deixa-nos num limbo de emoções, entre o amor e o desejo para a sua concretização e a melancolia, traços já conhecidos da escrita de Joseph Roth. O escritor tem esta infinita capacidade de mexer com a estrutura emocional do leitor de modo a deixar-lhe as marcas do fascínio como se de magia se tratasse. Joseph Roth é e continuará a ser um escritor que soube brincar e manipular as palavras transformadas em sentimentos, sem prejuízo de terem um impacto quase profético naquilo que estaria de por vir. E sim, Joseph Roth é um caminho seguro a trilhar!

Texto da autoria de Jorge Navarro

quinta-feira, 21 de março de 2019

A Convidada escolhe: "Marianna Sirca"

Marianna Sirca, Grazia Deledda, 1915

Grazia Deledda, quem conhece? Depois de Selma Lagerlöf, Grazia Deledda foi a segunda mulher a receber o prémio Nobel da Literatura em 1927. Natural de Nuoro, uma terra isolada da Sardenha onde nasceu e viveu até aos 25 anos, altura em que foi viver para Cagliari, a capital. Casa em 1900, com 29 anos e vai viver para Roma até ao final dos seus dias, em 1936. No entanto, a vivência da infância e juventude na sua terra natal e a cultura e tradições sardas muito enraizadas nela são os traços da sua escrita pictórica e muito expressiva.

“Marianna Sirca” é uma das poucas obras traduzidas em português e editadas pela Sibila Publicações, de entre a muito vasta obra desta escritora. É a história de um amor impossível. Uma mulher jovem, que recebeu por herança um rico património por parte de um tio padre com quem viveu até à sua morte, apaixona-se por um homem mais novo. As diferenças de classe e de estatuto social entre os dois são a impossibilidade de concretização desse amor. Ela uma rica proprietária de terras e de rebanhos; ele um antigo criado da casa, actualmente fugido à justiça por se ter tornado bandido.

Mas Marianna, farta de ser a menina obediente, esquecida de si própria para responder às necessidades dos outros e escrava até da criada Fidela que a controla, decide responder ao chamamento do coração e recusar as convenções e o destino que a família e a sociedade esperam dela: “Marianna, faz a vontade a quem te quer bem. Obedece.”. A afirmação de que quem manda nela é ela, a firmeza das suas convicções e das suas escolhas são incompreensíveis para os outros, que não aceitam aquilo que consideram insanidade. Afinal não é por ser uma mulher solteira, rica e livre que é mais livre do que Simone, o homem por quem se apaixona e que se esconde da justiça. Como ela diz num diálogo com a criada, o que é afinal a liberdade? Será que somos verdadeiramente livres?

Os outros temas deste livro, para além do amor, da liberdade, do estatuto submisso que é esperado por parte das mulheres, são a coragem, a cobardia e a honra. As personagens não são lineares, avançam, vacilam, são verdadeiramente humanas e com contradições, mesmo quando as suas personalidades são fortes. Não são doces nem cândidas, tal como a natureza agreste onde vivem, pintada pela pena da Grazia Deledda. A neve quando cai, ou a chuva quando ensopa as roupas e o corpo têm o seu reverso quando o calor e o Sol inclementes do Verão se fazem sentir. Ao lermos conseguimos sentir a escuridão dos bosques, o som do regato que corre, a frescura da água da fonte, os sons da noite, e a presença da Lua na sua diversidade.

O casamento que nenhum padre se prestou a celebrar tem a sua expressão final e muito visual no ritual da morte de Simone. A despedida da mãe, a presença do padre que lhe dá a extrema unção, a deposição do anel de diamante que havia sido roubado no dedo de Marianna para ser devolvido a Nossa Senhora dos Milagres. Um quadro muito forte em que sobressai a cor do sangue nos lençóis que enfaixam Simone, o sofrimento do ferido de morte e a dor das duas mulheres que mais o amaram e que são impotentes para o salvar. E em tudo isto uma profunda religiosidade a envolver a cena da morte.

Sendo um livro muito datado há, no entanto, nos sentimentos e reacções das personagens uma actualidade intemporal que corresponde à condição humana. Não foi certamente por acaso que o membro da academia sueca que atribuiu em 1927 o prémio Nobel da Literatura a Grazia Deledda, referiu que na sua obra “todos os caminhos conduzem ao coração humano”.

Em boa hora Sibila Publicações se lembrou de editar esta escritora sarda tão pouco divulgada e conhecida entre nós.

16 Março 2019
Almerinda Bento

segunda-feira, 18 de março de 2019

"O Rouxinol" de Kristin Hannah

Desafio qualquer um a ler este livro! Quando já quase meio mundo o tinha lido e falado maravilhas dele, achei que era altura de lhe pegar. Morava há tanto tempo nas minhas estantes que, quanto mais falavam dele, mais eu me retraía para o ler... Foi mais uma leitura conjunta com algumas meninas de blogues e canais que me fez decidir. Ia a medo, confesso. Quando as expectativas são altas...

Que dizer? Como não gostar? A escrita é simples embora denotando uma apurada pesquisa sobre os temas tratados, todos relacionados com a II Guerra. Mas o enredo é fabuloso, de uma envolvência crescente que nos faz querer esquecer por completo as nossas obrigações diárias... e parar por completo para ler! As últimas 100 páginas são terríveis! Mesmo que não sejam sensíveis desafio-vos a poisar o livro para irem dar uma volta. As imagens que o vosso cérebro visionou com a leitura acompanhar-vos-ão, tenho a certeza!

Não vos vou contar a história, é verdade, mas volto a desafiar-vos para esta leitura. Este NÃO é mais um livro sobre o holocausto. É UM dos livros, um dos tais! 

Terminado em 14 de Março de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Na tranquila vila de Carriveau, Vianne despede-se do marido, Antoine, que parte para a frente da batalha. Ela não acredita que os nazis vão invadir a França… mas é isso mesmo que fazem, em batalhões de soldados em marcha, em caravanas de camiões e tanques, em aviões que enchem os céus e largam as suas bombas por cima dos inocentes. Quando um capitão alemão reclama a casa de Vianne, ela e a filha passam a ter de viver com o inimigo, sob risco de virem a perder tudo o que têm. Sem comida, dinheiro ou esperança, e à medida que a escalada de perigo as cerca cada vez mais, é obrigada a tomar decisões impossíveis, uma atrás da outra, de forma a manter a família viva. Isabelle, a irmã de Vianne, é uma rebelde de dezoito anos, que procura um objetivo de vida com toda a paixão e ousadia da juventude.

Enquanto milhares de parisienses marcham para os horrores desconhecidos da guerra, ela conhece Gäetan, um partisan convicto de que a França é capaz de derrotar os nazis a partir do interior. Isabelle apaixona-se como só acontece aos jovens… perdidamente. Mas quando ele a trai, ela junta-se à Resistência e nunca olha para trás, arriscando vezes sem conta a própria vida para salvar a dos outros. Com coragem, graça e uma grande humanidade, a autora best-seller Kristin Hannah capta na perfeição o panorama épico da Segunda Guerra Mundial e faz incidir o seu foco numa parte íntima da história que raramente é vista: a guerra das mulheres.

O Rouxinol narra a história de duas irmãs separadas pelos anos e pela experiência, pelos ideais, pela paixão e pelas circunstâncias, cada uma seguindo o seu próprio caminho arriscado em busca da sobrevivência, do amor e da liberdade numa França ocupada pelos alemães e arrasada pela guerra. Um romance muito belo e comovente que celebra a resistência do espírito humano e em particular no feminino. Um romance de uma vida, para todos.

Cris

sábado, 16 de março de 2019

Na minha caixa de correio

  

  

  

  
Comprados numa promoção da Wook:
-A Arte de Matar Dragoēs, Vidas Entrelaçadas e Transatlântico.

Comprado num alfarrabista:
- A Cidade nos Confins do Céu

Ofertados pelas editoras:
- OHomem das Castanhas - Suma de Letras
- Rosa Branca , Floresta Negra -  Minotauro
- Memórias de Uma Vida em Guerra - Topseller
- Uma Noite em Lisboa - Saída de Emergência
- A Aluna Americana - Porto Editora
-  Os Meninos de Varsóvia -  Porto Editora
- A Alegria das Pequenas Coisas - Arena
- Santa Bakita - Porto Editora

sexta-feira, 15 de março de 2019

A convidada escolhe: "Em tudo havia beleza"

Pensamentos soltos, à deriva, numa verdadeira catarse. Palavras da vida de um homem. A contemplação dos mortos. Muitos e curtos capítulos que facilitam em muito a leitura. Em tudo havia beleza.

A morte, o desamparo que ele confundia com pobreza, o envelhecimento, o divórcio e a paternidade, a saudade e o amor, numa época e numa família classe média-baixa que não me é estranha. Curiosas particularidades que nesta demanda pela compreensão do seu passado, eu encontre paralelos com o meu.

Resgatar o passado para se reconciliar com o presente. A herança genética e a educação que, na solidão se repensa na ligação com os outros. A lei de Ordesa.

Sem filtro, sem destoar, sem intenção de brilhar, este livro tornou-se um sucesso. Não creio que seja para todos. Não sei se é uma autoficção, romance ou biografia, mas gostei e li sem parar, apesar de estranhar.

Vera Sopa

terça-feira, 12 de março de 2019

"Depois de Mim" de Emily Bleeker

Descobri recentemente as "leituras conjuntas" e, confesso, estou fã. Vamos comentando durante a leitura, facto que me agrada muitíssimo e acabo por acelerar a leitura que tenho em mãos. Li este livro em conjunto com a M. João Covas do canal "Livros? Gosto" e a M. João Diogo do blogue "A Biblioteca da João".

Esta obra fez-me sentir um misto de emoções diferentes. A escrita é simples e isso faz com que a leitura seja fluída. No entanto, creio que a dúvida esteve sempre presente quase até ao fim da leitura. Passo a explicar: Luke acaba de perder a esposa. Ambos lutaram sem sucesso contra um cancro que não lhes deu sossego. Depois da sua morte começa a receber cartas dela durante quase um ano. Nesse espaço de tempo vários mistérios tomam conta da vida de Luke. Começa a desconfiar de sua esposa, Natalie e nós, leitores, duvidamos também. Não vou aprofundar para não vos contar mais que o necessário. No entanto, o facto de Luke ir recebendo várias cartas fez com que achasse, até quase ao final, que se tratava de algo pouco credível. Uma carta, acredito que quem sabe que a sua vida tem os dias contados, tem vontade de escrever, mas tantas... Isso fez-me ficar na dúvida durante toda a leitura. 

Mas dou a mão à palmatória! No final tudo faz sentido e as peças dos mistérios encaixam todas. Somos confrontados com um enredo com mistérios, romance, segredos de uma vida, violência doméstica, o luto. Gostei muito e recomendo!

Terminado em 11 de Março de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
Querido Luke,
Deixa-me começar por dizer que te amo…
Eu não queria deixar-te…

Luke Richardson regressou a casa depois do funeral de Natalie, a sua amada esposa, pronto para enfrentar a tarefa de criar os seus três filhos sozinho. Mas não está preparado para o que encontra no chão, à sua espera - um envelope azul, com o seu nome escrito por Natalie. A carta, escrita no primeiro dia do tratamento oncológico da mulher, revela ser a primeira de muitas. Luke está convencido de que elas são genuínas, mas quem as deixa na sua caixa do correio?

À medida que a sua obsessão com as cartas cresce, Luke descobre segredos há muito enterrados que o fazem questionar tudo o que sabia sobre a sua mulher e a sua família. E uma escolha impõe-se: conseguirá Luke encontrar forma de viver sem Natalie ou ficará para sempre perdido no passado que as cartas encerram?

Cris

sábado, 9 de março de 2019

Na minha caixa de correio

  

Oferta da editora Saída de Emergência, Depois de Mim. Jå o estou a ler...

 Ofertas do marido: As Mulheres no Castelo e O Conde de Monte Cristo I

sexta-feira, 8 de março de 2019

A Convidada escolhe: "Os enamoramentos"

Adiei ler o magnifico romance de Javier Marías "Os enamoramentos" porque sabia que seria uma leitura sentida e com sentido. Uma prosa cuidada que implica ler e reler para memorizar o que bem soube exprimir. Convicções e sentimentos são postos em causa com uma narrativa que trata o que concerne a morte violenta e inesperada de um homem, elemento de um casal feliz e admirado por María Dolz, num apaixonante tratado sobre a natureza humana.

Percepções, anseios, luto, traição, amor, tudo é exposto a um novo olhar (de quem lê) em que se torna impossível não se rever e não ficar marcado pelas palavras do autor. Não são palavras vãs, de efeito, uma vez que várias são as passagens que nos tocam nalguma fibra sensível enquanto a narradora divaga sobre enamoramentos, numa história que funciona em espiral revelando novos contornos das personagens e da trama.

Não é uma história banal, apesar de o parecer, pelo modo como é contada. Exigente e algo densa, não creio que agrade a todos. Contudo, adorei.

Este livro impregnou-me de sentimentos. Extraordinário.

Vera Sopa

quinta-feira, 7 de março de 2019

"A Sombra do Passado" de Nikola Scott

Acabei há pouco de ler este livro. De coração cheio é como me sinto. Uma história ficcionada que poderia ter acontecido porque, no meio do enredo, encontramos dados que se baseiam em factos que realmente tiveram lugar na década de 50, princípios de 60.

Depois de ter lido a nota da autora, reflecti um pouco no papel da mulher na guerra, a II neste caso. Lutou e apoiou em tempos de guerra o seu país mas acabada ela, a moralidade voltou e tentou confiná-la de novo às quatro paredes do lar. Com uma educação sexual quase inexistente, quem se atrevesse a colocar "o pé fora do baralho" e engravidasse, era imediatamente afastado da família numa tentativa de esconder "a pouca vergonha" sendo que "as culpas" iam directamente para quem carregava o novo ser... As adopções forçadas, os "lares" para os quais elas eram enviadas até o problema desaparecer eram uma constante. Muito interessantes as notas da autora.

O enredo passa-se maioritariamente em Londres, em duas épocas temporais: 1958 e 2000. É através de duas narradoras que nos contam a sua história na primeira pessoa que vamos tomando conhecimento deste enredo fabuloso, cheio de mistério, que nos envolve e nos apaixona. Sem ser melodramático, toca o leitor e viajamos no passado juntamente com as personagens.

A leitura foi compulsiva. Gosto tanto quando as páginas voam sem que me aperceba delas... Com uma escrita tão simples quanto apelativa, a autora mostra-nos um pouquinho da sua prodigiosa imaginação. O enredo é ficcionado sim, mas poderia ter acontecido na realidade. E é este sentimento de que o que se lê poderia ser verdade que me apaixonou completamente. 

Nota máxima à escrita da autora, que me arrebatou por completo. As personagens são credíveis, os seus sentimentos são por nós partilhados. Uma empatia perfeita, tanto com Addie como com a sua māe, Elizabeth.

Livro de capa dura, como deveriam ser todas. Título perfeito e foto da capa que tem tudo a ver. Recomendo sem reservas!

Terminado em 5 de Março de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
1958. A bela e inocente Elizabeth Holloway vai passar o verão a Hartland, uma magnífica propriedade no litoral do condado de Sussex, no Sul de Inglaterra.
Para a jovem, os Shaws são um modelo  de sofisticação. Contudo, quando Elizabeth  se apaixona, ninguém a avisa de que os  seus sonhos são perigosamente ingénuos. Quarenta anos mais tarde, a filha de Elizabeth, Addie, encontra uma estranha à sua porta que afirma ser sua irmã gémea. Addie recusa-se  a acreditar na declaração - até que o seu pai admite que as circunstâncias do seu nascimento não foram as que ela supõe.
A revelação desafia tudo o que Addie achava que sabia sobre a mulher brilhante e difícil que tinha sido a sua mãe. Agora, ela e a sua nova irmã Phoebe vão descobrir a extraordinária história de uma criança perdida, e o segredo  de um verão radioso que mudou a vida  de uma mulher para sempre.

Cris

quarta-feira, 6 de março de 2019

Para os Mais Pequeninos: "Papá das Pernas Longas"


Quem convive com estes seres pequeninos sabe que, quando se põem a questionar, são um sem fim de perguntas que se abatem sobre nós... Por vezes, por detrás delas está o medo, às vezes sem motivo, de ficarem sós ou de que os pais os abandonem! 

Como pano de fundo deste livro engraçado está a mensagem de que, haja o que houver, um pai faz (ou devia poder fazer!) tudo para que nunca se sintam abandonados... Então à pergunta de "como me vens buscar ao infantário se o teu carro não pegar?" surgem páginas deliciosas, cheias de imaginação, de como um pai ultrapassa todos os problemas para conseguir ir buscar o filho à escola.

Ora vejam as imagens:

 

 




Cris

terça-feira, 5 de março de 2019

"O Dia Antes da Felicidade" de Erri de Luca

Livro pequeno, conteúdo denso sem ser pesado demais. 

Contado na 1ª pessoa, o narrador é um jovem de 18 anos que recorda o seu passado, a sua infância de orfão, criado por uma mãe adoptiva que, aqui nesta obra, não é figura relevante. Está-se em Itália alguns bons anos depois da II Guerra (1960, por aí). As datas não são reveladas abertamente. Pequenas dicas fazem-nos calculá-las. Mas isso também não é relevante para o enredo. 

Os seus amigos resumem-se a um livreiro, que lhe empresta livros para ele devorar e devolver no dia seguinte, e o porteiro do prédio, Dom Gaetano. É com este último que ele aprende o significado da amizade, com quem partilha as tardes e em quem confidencia os seus segredos e aspirações. Dom Gaetano é mais do que um amigo. É um porto seguro, o seu porto seguro. Com ele vivência os momentos e recordações de uma guerra ainda tão presente na sua cabeça. Um herói que não se sente como tal.

Um livro para ler pausadamente porque tem frases belíssimas que nos fazem voltar atrás e saborear devagar. Não procurem um final. O fim é o princípio de uma vida noutro lugar.

Terminado a 2 de Março de 2019

Estrelas: 4*

Sinopse
A história de uma criança nascida em Nápoles durante a Segunda Guerra Mundial. Orfã, é adoptada e o livro segue o seu crescimento, a sua visão da guerra, do sofrimento humano mas também do amor e da possibilidade de alcançar a paz e a felicidade.

Cris

segunda-feira, 4 de março de 2019

"Regresso à Tua Pele" de Luz Gabás

Será que um grande amor vence a morte? Será que duas almas podem encontrar-se muitos séculos depois para celebrarem de novo a sua paixão?

Aceitar a premissa que está por detrás deste romance não foi tarefa fácil para mim mas acabei por sucumbir às duas histórias, à forma como são narradas, sobretudo a que se passa no séc. XVI, aos pormenores tão bem construídos, fruto duma investigação cuidada. Adorei saber das crenças, das lutas entre senhores feudais pelo poder, das injustiças cometidas, que povoam parte deste romance.

A escrita, para mim, foi fluída, sem momentos mortos, parados. Como referi, gostei mais da história passada em 1585. Quando surge, traz uma veracidade que a história anterior, passada nos nossos dias, não possui. Fiquei presa, literalmente, à história de Brianda e Corso, aliás às histórias das duas Briandas e dos dois Corsos.

Os personagens estão bem construídos. Observar que um mesmo personagem tem o seu lado mau e o seu lado bom, tal qual os humanos e que pode, inclusive, possuir um lado muito mau e um lado muito bom, é sempre de degustar com prazer. 

Pelo meio, uma questão histórica que, mais uma vez, envergonha o Homem. As perseguições feitas às mulheres que eram acusadas de bruxaria. Por qualquer coisa. Por nada, apenas! Na base deste romance um facto verídico: em 1592, a morte de 24 mulheres, em apenas dois meses, acusadas de bruxaria e enforcadas após tortura e confissão forçada. A comprová-lo, uma lista com os seus nomes encontrada em 1980, na província de Huesca, nos Pirenéus em Espanha.

Mesmo não acreditando na premissa em que se baseia o livro (possibilidade de reencarnação, da regressão a vidas passadas) gostei muito desta obra. Pela escrita da autora que convence o leitor, que me convenceu a mim. Mas, de qualquer forma, é bom imaginar que o amor pode suprir barreiras, mesmo as que o tempo traz, mesmo as que a morte impõe, não é? Gostei muito e recomendo!

Terminado em 27 de Fevereiro de 2019

Estrelas: 5*

Sinopse 
O passado e o presente estão entrelaçados nesta história de amor eterno, onde a sombra da bruxaria e a ganância do homem são derrotadas pela paixão de uma mulher que transcende o espaço e o tempo.

Brianda, uma jovem engenheira, deixa uma vida agitada em Madrid para regressar temporariamente à sua casa de infância, situada numa aldeia fria e isolada nos Pirenéus. Aí algo a impele a explorar as suas raízes e a descobrir um segredo de família e um novo interesse amoroso, o enigmático Corso, que desafia o destino ao restaurar a mansão negligenciada que herdou. O mistério adensa-se quando Brianda descobre outra mulher com o mesmo nome nos arquivos da aldeia, uma mulher que viveu quatro séculos antes e desafiou convenções. Numa terra convulsionada por guerras, vinte e quatro mulheres foram acusadas num dos episódios mais dramáticos da história da feitiçaria espanhola. Entre elas está Brianda, que se torna um alvo e faz uma promessa ao seu verdadeiro amor, uma promessa que pode não viver para cumprir.

Cris

sábado, 2 de março de 2019

Na minha caixa de correio

  

  

  

  


  

 


Esta semana foi um tal chegar de livros que superou tudo o que eu pudesse imaginar! É certo que muitos foram presentes de aniversário mas o que importa é que todos contribuiram para aumentar o meu sorriso!
Entāo esta semana foi assim...

Ofertados pelas editoras parceiras:
- Um Clarão de Luz, Editorial Presença. Quem não conhece Jodi Picoult vá a correr pesquisar!
- A Piscina, Bertrand. Fiquei curiosa com a amizade improvável entre uma idosa e uma jovem.
- A Sombra do Passado, Círculo de Leitores. Capa dura, com a qualidade a que o Círculo de Leitores nos habituou.
- Papá das Pernas Longas, Ediçōes Fábula. Já espreitei. Como resistir?
- Romeu e Julieta, Clube do Autor. Será que com esta belíssima edição eu avanço para esta leitura?
- A Arte do Bem-Estar, Leya. Destaque para este belíssimo livro tanto pela qualidade do mesmo como pelo conteúdo. Quem segue o meu IG - @cris.delgado1 pode espreitar algumas fotos...

As prendinhas de aniversário foram:
- A Mulher Transparente e Salvação de Ana Cristina Silva, uma autora que  aprecio muito pela sua escrita e temas que aborda. Ainda desconhecida para muitos, infelizmente! Ofertados pelas colegas de trabalho.
- As Benevolentes de J. Littell, oferta do marido. Um calhamaço! Quase mil páginas.
- A Ilusão de Merit de Colleen Hoover, oferta do filho mais velho.
- Uma Questão de Conveniência de Sayaka Murata, oferta de uma amiga (espreitem o blogue dela - https://lerprazeradquirido.blogspot.com/)

E ainda comprei, em segunda mão:
- Guerra e Terebintina de Stefan Hertmans
- Persuasão Feminina de Meg Wolitzer
- Nevoeiro em Agosto de Robert Domes
- Uma História Antiga de Jonathan Littell


sexta-feira, 1 de março de 2019

A Convidada Escolhe: "Salvação"


Salvação
Ana Cristina Silva
2017
Este é o quinto livro de Ana Cristina Silva que leio, onde mais uma vez a autora revela a sua mestria em analisar e transmitir-nos estados de alma das personagens que cria. Desta vez, um escritor e o seu sofrimento pela perda da mulher, vítima de doença. A incapacidade de evitar-lhe a morte e de prever que a doença seria irreversível geram nele remorso e um profundo abatimento. Agarrando-se ao último pedido formulado pela mulher – que escrevesse um novo romance – somos levados ao longo de quinze meses, tempo que o narrador leva a escrever o livro, a acompanhar o seu luto. Criando uma personagem – David Negro – e uma época – séculos XVI e XVII em Portugal e na Europa – o escritor narrador vai transpor para a escrita os seus sentimentos de impotência e de perda definitiva da mulher através da personagem criada, ao mesmo tempo em que traça um paralelo entre duas épocas da história da humanidade em que a intolerância e o fanatismo, em nome de deus – Cristo, Moisés ou Maomé – e das religiões, persistem de forma feroz. Embora inicialmente seja para ele vaga e incerta a forma como o livro irá evoluir, no entanto, a ideia do tema é clara desde o início: Deus e os seus crimes.
David Negro, com mais de 90 anos, a viver em Amesterdão e sentindo que a sua vida está a chegar ao fim, escreve uma longa carta à filha que deixou quando ela tinha nove anos, forçado a fugir de Portugal por ocasião da perseguição aos cristãos novos pelo Santo Ofício. Não tendo conseguido salvar a mulher, expressa nessa carta os sentimentos de culpa, remorso e cobardia e pede à filha que o perdoe, embora duvide que a carta que lhe está a escrever, alguma vez lhe chegue às mãos e mesmo que a consiga escrever até ao fim, dado o seu precário estado de saúde. Tendo passado por Paris quando as ideias de Lutero e de Calvino geram acesos debates teológicos entre cristãos e quando acabara de ocorrer o terrível massacre de S. Bartolomeu, em que protestantes foram massacrados pelos soldados do rei, parte para Hamburgo onde está instalada uma importante comunidade de cristãos novos fugidos de Portugal. Aí, juntamente com Rodrigo de Castro, outro médico que havia estado ao serviço do rei Filipe II de Espanha, mas que também fora obrigado a fugir para Hamburgo, tentam, com os parcos conhecimentos de medicina à época, responder à terrível calamidade de peste que dizimou milhares de pessoas. Segue-se Amesterdão, onde toma conhecimento de Uriel da Costa um homem de pensamento livre, crítico das religiões, proscrito pela comunidade e pelos fanáticos liderados pelo rabino. Perseguido pelos judeus sefarditas, açoitado e humilhado publicamente, acaba por encontrar no suicídio a única saída para o seu sofrimento moral.
Ao mesmo tempo em que o narrador vai avançando no seu livro, o tempo vai fazendo o seu trabalho, não apagando o desgosto, mas dando-lhe novos contornos. “O sofrimento do luto é assim: um longo corredor que não é possível passar a correr.” Da fase inicial de corte e alheamento com o mundo circundante, de desinteresse pela vida, até um dia em que ao abrir a televisão se depara com o atentado de Paris. Atenta no discurso dos fanáticos do Daesh, em tudo igual ao dos frades dominicanos dos autos-de-fé do tempo de David Negro. Mas agora, quatro séculos depois, a intolerância e o medo abrem as notícias dos telejornais e fazem manchetes nos jornais: Paris, Nice, Istambul… em nome de um deus.
Enquanto vai escrevendo o seu livro, o narrador apercebe-se de que o peso da ausência da mulher deixa de ser tão presente e obsessivo e culpabiliza-se, como se o seu luto estivesse a esmorecer e tal fosse sinal de menos amor pela mulher, de traição à sua memória. Sofia, a mulher morta, tinha tido a clarividência que só através de um novo livro, o marido conseguiria sair da depressão do luto. Tal como a longa carta de David Negro à sua filha Inês da Paz é um “livro de memórias” e funciona como uma possível forma de quebrar uma ausência não desejada e uma espiação por um laço que se quebrou, este livro é afinal uma salvação para ambos: escritor e personagem.
A escrita como salvação. O trabalho como salvação.
Um livro excelente, cuja leitura aconselho vivamente.
22 de fevereiro de 2019
Almerinda Bento





quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

"O Dia Em Que Perdemos a Cabeça" de Javier Castillo

A convite da editora Suma de Letras fui ao Instituto Cervantes no fim da tarde de ontem para ouvir o autor falar sobre esta obra, do seu processo de construção, do tempo despendido no planeamento e na escrita do enredo deste livro. Muito simpático e falador, Javier Castillo, contou, por exemplo que escreveu este thriller durante o seu percurso diário de casa para o seu emprego e vice-versa. Um fim de tarde muito agradável - fotos abaixo.

Em relação ao livro refiro-vos que possui um começo arrojado e fulminante que prende o leitor logo na primeira página. Durante a leitura as mudanças de rumo são frequentes e, por isso, nem cheguei a desconfiar do que se iria passar nas páginas seguintes. Os capítulos curtos, cirúrgicos, reflectem o desejo do autor em criar um enredo cheio de reviravoltas e interesse. 

Confesso que a dada altura achei que uma das explicações criadas para revelar a razão da existência das mortes que se verificaram, era um pouco doida, com pouco realismo mas tudo no final se encaixa perfeitamente e faz sentido.

Terminado em 17.02.2019

Estrelas: 5*

Sinopse
Centro de Boston, 24 de Dezembro, um homem caminha nu, trazendo nas mãos a cabeça decapitada de uma jovem mulher.

O Dr. Jenkins, director do centro psiquiátrico da cidade, e Stella Hyden, agente do FBI, vão entrar numa investigação que colocará em risco as suas vidas e a sua concepção de sanidade. Que acontecimentos fortuitos ocorreram na misteriosa Salt Lake City há dezassete anos? E por que estão todos a perder a cabeça agora?

Com um estilo ágil e cheio de referências literárias- Garcia Márquez, Auster e Stephen King - e imagens impactantes, Javier Castillo contruiu um thriller romântico narrado a três tempos que explora os limites do ser humano e rompe com a estrutura tradicional dos livros de suspense.

Amor, ódio, estranhas práticas, intriga e acção trepidante inundam as páginas deste thriller romântico, que se converteu num fenómeno editorial antes da sua publicação em papel.

 





Cris