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sábado, 21 de janeiro de 2012

Uma questão de orgulho de Linda Carlino


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 376
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722347051
Coleção: Grandes Narrativas

Sabe-me bem ler, de quando em vez, um romance histórico. E, se bem que os prefira baseados em vidas femininas, porque os acho mais ricos em acontecimentos e pormenores, desta feita o escolhido foi este livro, editado há poucos dias pela Presença, em que o rei Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano, é o protagonista.

Bem caracterizado, com todos os seus defeitos (morais e físicos) bem patentes, foi com um certo espanto que constatei o quanto este rei influenciou as vidas em seu redor, dispondo delas como se de meros joguetes se tratassem e obtendo proveitos dessas decisões egoístas, decisões tomadas em nome de Deus e do Império. Casamentos realizados por conveniência política, onde a vontade das mulheres não era tida em conta e onde as crianças, logo desde cedo, eram destinadas a cumprir o seu papel e muitas vezes afastadas dos pais.


As relações entre Carlos V e o Papa são representativas das lutas de poder que na época, e durante muito tempo, se estabeleceram entre as duas partes, cada uma tentando obter mais regalias para si, em detrimento de quem os rodeava. Tudo em nome de Deus e do bem da nação!!! Em nome da fé católica e do Império praticaram-se, como todos sabemos, muitos actos cruéis e traições.


Por outro lado, paralelamente a estas características que nos criam uma certa repulsa pelo personagem (Carlos V é-nos apresentado como alguém frio, egoísta, dominador, caprichoso) tomamos conhecimento de outro lado seu, alguém que soube amar a sua esposa (portuguesa por sinal) e ter por ela um respeito sem limites, mesmo depois da sua morte.


Fiquei curiosa, precisamente, em relação essa mulher que soube amar Carlos V. A sua vida daria certamente um bom romance histórico. Curiosa ainda mais fiquei com a vida da mãe deste rei (Joana, "a louca") e espero ter oportunidade de ler em breve o primeiro romance desta escritora, precisamente com esse título. Fechada, em cativeiro por muitos anos, por ordem desse filho ávido do poder, pareceu-me encerrar em si qualidades que muito aprecio nessas mulheres que não tinham escolha nem poder de decisão sobre as suas vidas e que, mesmo assim, se rebelavam com as armas que tinham em seu poder.


Um dos aspectos que achei curioso e que dá ao livro um mistério significativo, é a presença, de quando em vez, de um narrador desconhecido, que nos vai dando uma perspectiva diferente e mais afastada dos acontecimentos. Alguém misterioso e sobrenatural que nos conta pormenores da história, como se estivesse distanciado no tempo e pudesse fazer uma análise dos acontecimentos mais verídica e acertada...


Gostei desta leitura. Considero que a autora conseguiu caracterizar bem todas as personagens, tanto através dos seus actos como da forma como as outras personagens falam ente si, pois criei empatia com algumas e detestei outras (fiquei deveras "irritada" com a prepotência deste senhor!). Aconselho!

Terminado em 20 de Janeiro de 2012

Estrelas: 4*

Sinopse

Carlos V tem sido considerado o maior imperador do Sacro Império Romano desde Carlos Magno, mas terá sido mesmo? Neste romance, a autora deixa-nos com uma visão bastante cética daquele que foi um dos homens mais poderosos da Europa no século XVI. Nesta história de poder, paixão e arrependimento poderemos encontrar um elenco de personagens inesquecíveis que vai fazer o leitor rir ou chorar: amigos e família em cómicas confrontações lembrando Carlos ; criados oferecendo as suas honestas opiniões; um narrador, no seu inimitável estilo ‘objetivo’, oferecendo-nos com frequência revelações bastante acusatórias numa perspetiva mais completa e por vezes surpreendente dos acontecimentos recordados por Carlos…

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