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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A paixão numa ilha


Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 216
Editor: Casa das Letras
ISBN: 9789724618272

Este livro foi-me aconselhado por um dos meus "vizinhos" do Anobii (http://www.anobii.com) e realmente vale a pena! Este autor tem uma escrita toda sua, peculiar, sui generis, muito fluída, com frases por vezes muito compridas com uma graça especial.

Algumas das situações descritas pareceram-me um pouco forçadas, como por exemplo o assassínio do bebé e algumas cenas de sexo mais explícito mas, no entanto, é-nos relatado muito bem o modo de vida dos pescadores nas Ilhas Canárias, os problemas da seca nessas ilhas, a emigração ilegal feita em barcos sem as condições necessárias e os desencontros que o amor proporciona.

Recomendo!

Terminado em 28 de Setembro de 2010 

Estrelas: 4*

Sinopse



Uma ilha, um amor adolescente, uma fantasia, um mito e uma seca torturante. A visão mágica da vida de uma comunidade de pescadores nas Ilhas Canárias.
O Ano da Seca decorre na Ilha Menor - retrato da ilha canária de El Hierro -, onde uma seca desesperante greta quer a geografia insular, quer as almas dos seus habitantes: enquanto os vulcões ardem, explodem os sentimentos feridos de personagens debruçadas sobre o abismo das paixões, sobre o segredo profundo dos seus corações exauridos até ao limite. 
Romance coral onde cruzam os seus destinos dois amantes demasiado jovens, um visionário que escreve nas paredes, um cão apaixonado até ao tutano, e mesmo a presença fantasmagórica de um bebé morto que ameaça todos os habitantes da ilha... Com uma força expressiva verdadeiramente surpreendente, Víctor Álamo de la Rosa afirma-se como um dos narradores mais singulares da recente literatura espanhola. O inusitado desenvolvimento metafórico e a perícia linguística deste romance salpicam o leitor, inundando-o de sensações. Experiência no limite, leitura inesquecível.

Soltas...

"Estava muda por dentro e por fora, e os sentidos tinham fugido para as zonas inóspitas do seu ser, procurando refúgio num corpo que sobrevivia agora entregue às fauces da tempestade, ao furacão que a arrasava arrancando-lhe pele raiz todos os fiapos de alegria que tinha reunido na sua ainda curta vida, nos seus momentos de exaltação sensorial com aquele jovem que fora o seu eu durante anos e que agora já lá não estava, já não existia mais para a amar e a tornar tão sua à sombra quente de uma gruta."

"Coisa dos ignotos caminhos da precisão da intuição, porque a ambos, tanto a Aquilino como a Efigenia, se lhes meteu no peito a um mesmo tempo uma mesma angústia, uma igual opressão que até no recém-nascido influiu, levando a agitar-se e a cabecear na barriga da mãe apressando-se finalmente a nascer, querendo também, fazer-se ao mar da vida."

"Mas não podia ser assim tão doce, tão denso o torpor que ia sentindo tão profundamente, esse desmaiamento, tão a arrebatar-lhe todas as forças, tão usurpador que vai e volta esquecendo-se de tudo e de si para entrar noutro espaço, noutra dimensão aberta no tempo para somente ela e ele, ela nele, ela sendo ele e nele uma sombra de brilhos, um feixe de fogo, um instante total de celebração, um borbulhar alegre de sangue que sangra feliz desmedindo gengivas, veias, abrindo a alma ao tropel da fome. O beijo."

"E então um dia foi reconfortante obter uma conclusão, o consolo de ter a certeza de que a felicidade não existia senão muito pontualmente, e que arriscar a vida toda na sua busca era abraçar uma utopia, sentir plena a incómoda certeza de ser humano."

"Era uma mágoa tão profunda, uma dor que emergia de tão fundo, que nem as lágrimas conseguiam ascender, porque naqueles abismos inóspitos reinava apenas uma barra de gelo à deriva, o ranger odioso da solidão campeando à sua vontade. Nesse estado até o simples acto de respira se complicava, porque inspirar fundo era impossível, como se o ar não conseguisse aproximar-se dessas funduras para abrir de par em par as comportas do alívio."

domingo, 26 de setembro de 2010

Uma palavra tua de Elvira Lindo

Edição/reimpressão: 2010



Páginas: 192
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722343244
Colecção: Grandes Narrativas

Já tinha há algum tempo este livro na estante em espera. 
Achei a leitura agradável, com uma escrita fluída e que se lê rapidamente em dois pedaços de tarde. Nada de muita emoção nem de algo arrebatador, mas não se pode dizer que seja um romance que não resulte visto que as personagens possuem "alma" própria.

Narrado por Rosário, conseguimos entrar tanto dentro de si mesma como de Milagros, sua amiga, e vamos construindo duas personagens, um pouco complexadas e carentes, que a vida não ajudou a superar determinados traumas.

Leitura leve mas que nos leva a terminar o livro sem nos aborrecermos.

Terminado em 26 de Setembro de 2010

Estrelas: 3*

Sinopse

Galardoado com o Premio Biblioteca Breve 2005, Uma Palavra Tua traz-nos as histórias de vida de Rosário e Milagros, duas mulheres desajustadas, dois percursos existenciais que se cruzam nas ilusões e realidades que dão forma ao medo de não merecerem ser felizes. Uma amizade feita de encontros e desencontros, de solidariedade e de influências mútuas entre duas varredoras de rua madrilenas, duas pessoas comuns, com vidas comuns que escondem uma natureza indomitável, grandiosa. Um romance arrebatador, irónico, que adquire a profundidade da nobreza humana de uma tragédia antiga no mundo contemporâneo.

Soltas...

"E falava de uma forma um pouco pomposa, como se fosse uma especialista, falava das pessoas, de mim, da vida,desunhava-se a falar, como se estivesse dentro do assunto, falava por falar e era daquelas pessoas que não conhecem o ponto parágrafo;(...)."

"São coisas a que nos acostumamos, habituamo-nos a que a desconsideração das pessoas não nos faça mossa. Ganha-se um calo na alma igual aos das mãos."

"Às vezes a inteligência é um veneno para a felicidade."

"E se, desde pequenos, nos repetirem as coisas muitas e muitas vezes, acabamos por acreditar nelas, agindo de acordo com a imagem que os nossos pais têm de nós. Ela, de tanto repetir que eu não era inocente, tirou-me a inocência, embora eu fosse inocente."

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ai João, João!


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 292
Editor: Dom Quixote
ISBN: 9789722041379

"Pois é, João! Apetece-me dizer: Com esta é que me lix....!" Tenho de dar a mão à palmatória com este livro de João Tordo!

Explico porquê: Comprei o livro e estava bastante curiosa pois já tinha lido dois livros deste autor ("Hotel Memória" e "As três vidas") e tinha gostado bastante. Mas quando li a sinopse achei a história tola, sem jeito, tanto mais que, como tenho dito, prefiro livros que me façam viajar para lugares ou acontecimentos que tenham um fundo de verdade...nem que seja um "fundinho" pequenino! 

Nas primeiras 100 páginas (mais ou menos) não mudei a minha opinião e só continuei a ler porque o autor escreve excepcionalmente bem. A história pareceu-me fraca (quem sou eu para afirmar tal coisa?!) mas está, repito, muito bem escrito, o que me levou a ficar curiosa: "Como se vai desenvencilhar João Tordo?" e "Porque tem tantas críticas positivas?"

A certa altura, a história torna-se tão absorvente e o mistério é tal que não consegui largar o livro. Mais: não consegui adivinhar o desfecho, nem sequer apontar para um dos possíveis fins... o que, modéstia à parte, não me acontece muitas vezes neste tipo de livros, onde o suspense tem lugar na primeira fila.

Diferente do tipo de leitura que gosto e prefiro ler, este livro merece, no entanto e indiscutivelmente, cinco estrelas, pois é de uma imaginação sem limites! Deixo uma crítica: perdi uma aula de ginástica e quase um almoço porque tive de acabar de o ler, tal era a urgência ... Isso não se faz, João! Ai, ai...  


Terminado em 23 de Setembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse

Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Soltas...

"Coxeei devagar pelo corredor, procurando evitar que a bengala fizesse demasiado barulho, e procurei um interruptor que acendesse uma luz, mas não encontrei nenhum. A perede pareceu-me morder os dedos"

"Bosco, ajoelhado, arfava. Com uma mão sobre a outra, pressionava levemente o peito de Don: a água turva saia-lhe da boca num fio contínuo, mas Don continuava morto."

"Havia muito tempo que não me sentava para escrever e dei-me conta de que tinha saudades. Tinha saudades da folha em branco, da eterna hesitação antes de começar; tinha saudades de ver as palavras formarem-se perante os meus olhos e serem conduzidas pelos meus dedos."

"Os cinco envelopes sobre a mesa olharam-me na cruel indiferença das coisas mortas. Retribuí o olhar e pressenti a melancolia de um final: fosse qual fosse, o futuro estava hipotecado."

domingo, 19 de setembro de 2010

O povo Ibo


Vencedor do Orange Prize 2007
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 544
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892305387
Colecção: Romance

Com base numa situação de guerra verídica, esta escritora leva-nos para África, mais propriamente para a Nigéria e para os conflitos que se traduziram em golpes de estado, situações de fome extrema, corrupção e assassinatos entre diferentes etnias (Ibos e Iorubas), numa guerra em que os civis foram, como sempre, os maiores prejudicados. O abuso do poder levado ao extremo...

São 500 páginas escritas com mestria, onde os personagens tomam corpo, desenvolvem a sua personalidade e vão-se interligando uns com os outras com o decorrer da acção. Se bem que os acontecimentos não sejam verdadeiros, não nos é difícil imaginar o que se terá passado nesta guerra entre a Nigéria e o Biafra em 1967/70.

Espectacularmente enriquecido com o dialecto Ibo, "vivemos" as personagens intensamente, as suas penas e dores, todas as suas alegrias e sofrimentos. Muito bom!

Um pouco de História:


"A República do Biafra foi um estado secessionista no sudeste da Nigéria. O Biafra era habitado maioritariamente pelo povo ibo e existiu de 30 Maio de 1967 a 15 de Janeiro de 1970.
Em 1960 a Nigéria tornou-se independente do Reino Unido. De forma semelhante aos outros novos estados africanos, as fronteiras do país não tinham sido desenhadas de acordo com territórios antigos. Daí surgiu que a região norte desértica do país contivesse estados muçulmanos feudais semi-autónomos, enquanto que a população do sul era predominantemente cristã e animista. O seu precioso petróleo, principal fonte de receitas, localizava-se no sul do país.
Após a independência, a Nigéria estava dividida por linhas étnicas, com os haussas e os fulanis no norte, os iorubas no sudoeste e os ibos no sudeste. Em resposta a motins ocorridos no ano anterior, de onde tinham resultado 30 000 ibos mortos e aproximadamente um milhão de ibos refugiados, em Janeiro de 1966, um grupo maioritariamente constituído por ibos, levou uma revolta militar com o objetivo de se separar da Nigéria." (retirado de wikipédia)


Terminado em 18 de Setembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse


Com uma elegância apenas ao alcance dos grandes escritores, Chimamanda Ngozi Adichie entrelaça as vidas de cinco personagens inesquecíveis: Ugwu, um humilde criado de treze anos a quem o mundo se desvendará pela mão do seu senhor, Odenigbo, que, na intimidade da sua casa, planeia uma revolução. Este jovem professor universitário mantém uma relação apaixonada e sensual com a bela e mágica Olanna, cuja irmã gémea, Kainene, é alvo do amor desesperado de Richard, um jovem inglês a braços com o seu papel de homem branco em África.

Todos eles vão ser forçados a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição. Todos eles vão assistir ao desmoronar da realidade tal como a conheciam devido a uma guerra que tudo transformará irremediavelmente.

sábado, 18 de setembro de 2010

Soltas...

"Fitou-o, deslumbrada. Assim era o amor: uma sucessão de coincidências que ganhavam significado e se tornavam milagres."

"Sempre que escorria a água de uma panela de feijão cozido, Ugwu olhava para o lava-louça sujo e viscoso e pensava que era igual a um «político»."

"Será o amor esta necessidade insensata de te ter ao meu lado a maior parte do tempo? Será o amor esta segurança que sinto nos nossos silêncios? Será essa sensação de pertença, de plenitude?"

"Talvez, afinal, ele não fosse um verdadeiro escritor. Lera algures que, para um verdadeiro escritor, nada era mais importante do que a sua criação literária, nem sequer o amor."

"Olhou para o seu tronco peludo e nu, e para a sua nova barba e os seus chinelos rotos, e, de repente, a hipótese de ele morrer - de todos eles morrerem - tornou-se tão evidente que foi como se uma mão se lhe fincasse no pescoço e lhe apertasse a garganta à laia de aviso. Abraçou-o com força."

"A guerra prosseguiria sem eles. Olanna expirou, inundada de uma raiva espumosa. Era precisamente essa sensação de inconsequência que a empurrava do medo extremo para o extremo da fúria. A sua vida tinha de ser importante. Ia parar de viver apaticamente, à espera de morrer."

"(...) enquanto ela desenrolava a bandeira de pano e lhes explicava os símbolos. Vermelho era o sangue dos irmãos massacrados no Norte, preto era o luto por eles, verde era a prosperidade que o Biafra teria um dia e, por último, o meio sol amarelo representava o futuro glorioso."

"(...) pôs-se a observar as crianças. Elas corriam fatigadas pela relva ressequida, com paus nas mãos a fingir que eram armas, imitando o som de disparos e levantando nuvens de poeira enquanto se perseguiam umas às outras. Até o pó parecia não ter forças. Estavam a brincar à guerra. Quatro meninos. Ontem eram cinco."

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pois também não...


Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 430
Editor: Oficina do Livro
ISBN: 9789895552221

Pois! Este também não me convenceu... desisti.

Não terminado

Estrelas: 1*

Sinopse


às vezes a nossa vida começa quando alguém nos empurra para dentro dela. Uma leitura fascinante.
No momento em que Martin Grace põe o pé na "casa de café" de Filadélfia que Cornelia Brown dirige, a vida dela muda para sempre. Solto e charmoso, cara chapada de Cary Grant, Martin deixa Cornelia nas nuvens. Porém, no fim de contas, Martin será mais o mensageiro da mudança do que a própria mudança… Entretanto, do outro lado da cidade, Clare Hobbes, uma menina de onze anos de idade, é obrigada a sobreviver por conta própria, depois de a mãe, cada vez mais perturbada, ter uma crise e desaparecer. Inspirada em muitos órfãos das histórias que leu, Clare consegue ter coragem para procurar o pai. Quando pai e filha aparecem no café, Cornelia e a menina criam uma ligação tão inesperada quanto profunda. Juntas descobrem que o essencial na vida é sabermos ao certo o que amamos e porquê. Marisa de los Santos escreve com uma minúcia cheia de delicadeza, capaz de trazer à luz as perdas e as alegrias da vida.

domingo, 12 de setembro de 2010

Rebeca


Edição/reimpressão: 2001
Páginas: 352
Editor: Livros do Brasil
ISBN: 9789723808889
Colecção: Dois Mundos

Romance bem escrito, muito envolvente, com mistério suficiente para nos manter interessadas e agarradas ao livro durante um fim-de-semana inteiro e não nos fazer desistir, se bem que não é o meu género preferido. Li boas críticas em diferentes blogs.

Só. Queria mais. Esperava mais. Queria ter aprendido alguma coisa...

Terminado em 12 de Setembro de 2010

Estrelas: 3+

Sinopse

A consagração de Daphne du Maurier e da sua obra não é apenas a do êxito, mas, de justiça, a de uma escritora ilustre e de um romance perfeito no seu género, que ficará como um exemplo típico, e da maior categoria literária, da ficção que alia ao "suspense" um fino gosto estilístico e uma apurada penetração psicológica. Rebeca é, de facto, esse livro - aliciante, absorvente, vibrante de humanidade e de mistério.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sobre o holocausto



Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 176
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789724153575




Colecção: Romance Jovem
Faixa etária: a partir dos 13 anos

Gostei. É um livro escrito de uma forma muito simples, para uma faixa etária a partir dos 13 anos, partindo do princípio que os "nossos" jovens com essa idade já sabem o que foi o holocausto e as palavras "Auschwitz" e "fuhrer" não lhes são estranhas.

O narrador é Bruno, um menino alemão de 9 anos, cheio de inocência e de ironia que, mesmo tratando-se deste tema, nos faz sorrir...

Lê-se num ápice e o desenrolar desta história não nos previne para o desfecho final, desconcertante mas, ao mesmo tempo, sublime, acho eu.

Como crítica posso apontar duas gafes que, para um livro didáctico como este, creio não serem admissíveis... São palavras que, estando incorrectas, mudam o sentido à história! No livro que possuo fiz as devidas correcções, para que os meus dois filhos mais novos possam ler e perceber esta história que, certamente, lhes vou recomendar! Cinco estrelas, definitivamente!

Terminado em 10 de Setembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse

Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…

Soltas...



"Ah, essas pessoas - disse o pai, meneando a cabeça e sorrindo ligeiramente.- Essas pessoas...Bem nem sequer são pessoas, Bruno.
-Não são?
-Bem, pelo menos, no modo como nós entendemos o termo."

"Heil Hittler!- disse Bruno, o que, pensava ele, era outra maneira de dizer"Bem então adeus e tem uma boa tarde."

"Nem sequer tinha a certeza de alguma vez a ter visto com outra coisa vestido que não fosse a farda de criada.(...)tinha de admitir que devia haver mais alguma coisa na vida dela para além de servir a sua família. Ela devia ter pensamentos próprios."

"Mas afinal qual era exactamente a diferença? E quem decidia quais as pessoas que usavam pijamas às riscas e as que usavam uniforme?"

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um instante ao vento de André Brink



Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 272
Editor: Camões e Companhia
ISBN: 9789896372262

Começo pelo final do livro: gostei muito, reli-o mais duas vezes para o saborear, para o sentir melhor. Em seis pequenos parágrafos a continuação desta história, que bem podia ser verídica, faz-nos relembrar uma realidade, até há bem pouco tempo, presente em África: as pessoas de primeira categoria e as de segunda...

Fala-nos do estatuto da mulher face ao homem no séc. XVIII, da escravatura e da pertença de alguém a outra, de África e dos seus segredos, da revelação e da entrega entre dois seres, do auto-conhecimento, de sobrevivência...

O autor revela-nos o seu profundo conhecimento da África do Sul, fazendo-nos descobrir uma terra onde as plantas têm uma função essencial tanto na alimentação como na saúde; onde a sobrevivência está dependente do conhecimento, da sorte e de se ser o mais forte; onde as então tribos existentes coexistem com a natureza de uma forma equilibrada.

Escrito espectacularmente, cheio de termos desconhecidos para nós - mas tendo o cuidado de ter em rodapé o seu significado - este livro pede-nos a nossa atenção, sobretudo nas primeiras folhas, já que, parágrafo a parágrafo, o narrador muda e a acção altera do tempo presente para o passado. Nada que não nos habituemos... e que, com o decorrer da leitura, se torna algo de natural.

Terminado em 8 de Setembro de 2010

Estrelas:5*

Sinopse



Uma mulher branca e um homem negro perdidos na selva do interior sul-africano. Ela é uma mulher educada e totalmente indefesa no meio da selva; ele é um escravo foragido, o elemento mais baixo aos olhos da sociedade do século XVIII. Ambos se conhecem apenas a si mesmos… e vão percorrer um longo caminho de regresso à civilização.





“Os escritores e intelectuais da nossa sociedade foram elementos-chave para enfrentar e quebrar a tirania do silêncio. As suas obras continuaram a demonstrar, mesmo nos anos mais negros, que as vozes sul-africanas da justiça e razão não seriam silenciadas.”
Nelson Mandela