Assim Nasceu Portugal, vol II e As Primeiras Quinze Vidas de Harry August foram ganhos nos passatempos do Clube dos Passatempos.
sábado, 19 de novembro de 2016
Na minha caixa de correio
Assim Nasceu Portugal, vol II e As Primeiras Quinze Vidas de Harry August foram ganhos nos passatempos do Clube dos Passatempos.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
A escolha do Jorge: O Palácio do Riso
“O Palácio do Riso” é uma das obras mais representativas do chileno Germán Marín (n. 1934) e que agora conheceu a edição portuguesa através da Antígona constituindo uma das apostas editoriais neste final de ano.
Publicado inicialmente em 1995, “O Palácio do Riso” é um romance que tem como pano de fundo a ditadura militar de Pinochet, especificamente, a Villa Grimaldi, que foi uma das casas de tortura mais conhecidas durante o período compreendido entre 1973 e 1990 tendo recebido o epíteto de “o palácio do riso”.
A memória exerce o papel fundamental nesta obra complexa de Germán Marín que procura reconstituir as peças do puzzle da vida do narrador que ao descrever aspectos marcantes da sua vida vai construindo assim um passado histórico comum a milhões de cidadãos chilenos.
Aparentemente simples, a narrativa conta-nos o regresso de um exilado político que, ao passar junto à antiga Villa Grimaldi, recorda com certa nostalgia os tempos áureos da mansão que antes de 1973 pertencera a um antigo colega seu de escola, Antonio, com quem privou durante os primeiros anos da sua adolescência. Conheceu o fausto da mansão, as mobílias, os jardins, a piscina e a família de Antonio, recordando assim momentos ternos e doces associados a uma adolescência feliz que se guarda com saudade.
A narrativa avança e o leitor é tolhido pela doçura da escrita de Germán Marín na medida em que a nostalgia de outros tempos também é despertada, porém, aqui e acolá, o narrador dá-nos conta das mudanças da Villa Grimaldi e a sua transformação num dos mais de mil centros de detenção e de tortura no período da ditadura militar no Chile. O leitor que até dado momento se encontrava em estado de graça, rapidamente é confrontado com descrições atrozes e repugnantes face a situações específicas de tortura posta em prática pelos agentes da DINA, a polícia política do país, em relação àqueles que considerava subversivos e, por isso, perigosos para o sistema e para o país.
“A casa que eu deificava no início da adolescência, quando Antonio me convidava, tinha caído numa degradação absoluta, transformada agora num antro de dor onde rivalizavam os agentes desta prisão secreta, montados nos costados das vítimas.” (p. 112)
Entre detenções, torturas e assassinatos, foram milhares as pessoas que desapareceram durante a ditadura militar em detrimento de um país que se pretendia limpo de inimigos e de pessoas consideradas perigosas. E para cumprir esse objectivo, a melhor forma seria cortar o mal pela raiz sem hesitações. “Limpar o país era doloroso, mas, como a História demonstrava, não havia anestesia para isso. Só se podia amputar a quente.” (p. 109)
Num país que mergulhou no medo da repressão, em que cada um é polícia dos seus vizinhos e familiares, não é difícil que acabe por vir a cair nas malhas da polícia política passando ou não pelo processo completo de detenção, correcção (tortura) e, quiçá, morte com desaparecimento do corpo.
“O medo causava naquela época um enorme desassossego entre as pessoas, o que fazia aumentar as apreensões que se viviam diariamente, ainda que a delação, encorajada a partir de cima, fosse moeda corrente.” (p. 85)
A dado momento, a narrativa adquire um tom agressivo à medida que o narrador procura incessantemente Monica, uma antiga namorada do final da sua adolescência, e que para sempre marcou a sua vida associando-a à ideia de amor da sua vida. Porém, desconhece se Monica terá caído nas malhas da polícia política ou se se terá associado a ela devido a certos desvios no agir e a histórias mal contadas, permanecendo, dessa forma, a dúvida até ao final da narrativa.
Mas esse tom agressivo, lacónico, e que não poupa nas palavras ao leitor, sendo certeiro nas resoluções tomadas para com os detidos, ficamos a saber mais alguns dos métodos de tortura levados a cabo no “palácio do riso” através de María del Carmen, uma antiga funcionária da Villa Grimaldi durante a ditadura militar, confessando-se então arrependida dos seus actos proclamando com frequência que “Deus é injusto” e vestindo-se como um anjo sempre que saía à rua. Segundo María del Carmen referia-se aos detidos como “os desgraçados não mereciam viver no erro das suas ideias” (p.119) e assim, se por um lado mostrava arrependimento dos seus actos, de outra forma confirmava que não havia outra forma de sair da Villa Grimaldi a não ser pela via da verdade e, deste modo, como forma de alertar a consciência das mulheres detidas “tinha por hábito, a fim de as desanimar, obrigar as novas prisioneiras a ver-se ao espelho, depois de lhes tirar a venda; vê-te pela última vez, porque nunca mais te verás assim, dizia-lhes.” (p. 106)
A consolidação das detenções pela via das sucessivas torturas na Villa Grimaldi é comparada a um processo de animalização dos detidos tornando os prisioneiros em animais inofensivos, sendo a forma como se expressava a vitória do sistema político e militar face aos indivíduos subversivos, inimigos do Estado, traduzindo-se assim no seu aniquilamento.
“(…) Muitos dos detidos sofriam um processo de animalização. Os rostos cada vez mais pálidos e mortiços começavam a adoptar os traços fisionómicos de diversos exemplares zoológicos – lagartos, cães, carneiros.” (p. 121) “(…) A vitória não consistia necessariamente em provocar a morte do outro, mas em obter a satisfação do seu aniquilamento, transformando-o num animal inofensivo e, sobretudo, dócil e mudo.” (p. 123)
“O Palácio do Riso” apresenta-se assim como a ponte entre a literatura e a História recente do Chile na medida em que havendo ainda tanto por se fazer em matéria da História, numa época em que o passado recente dos chilenos continua a ser um trauma para tantas famílias vítimas da ditadura militar, a literatura ocupa esse espaço vazio desocultando (ou revelando) factos históricos ignominiosos transversais a todo um país e a uma sociedade.
Texto da autoria de Jorge Navarro
Publicado inicialmente em 1995, “O Palácio do Riso” é um romance que tem como pano de fundo a ditadura militar de Pinochet, especificamente, a Villa Grimaldi, que foi uma das casas de tortura mais conhecidas durante o período compreendido entre 1973 e 1990 tendo recebido o epíteto de “o palácio do riso”.
A memória exerce o papel fundamental nesta obra complexa de Germán Marín que procura reconstituir as peças do puzzle da vida do narrador que ao descrever aspectos marcantes da sua vida vai construindo assim um passado histórico comum a milhões de cidadãos chilenos.
Aparentemente simples, a narrativa conta-nos o regresso de um exilado político que, ao passar junto à antiga Villa Grimaldi, recorda com certa nostalgia os tempos áureos da mansão que antes de 1973 pertencera a um antigo colega seu de escola, Antonio, com quem privou durante os primeiros anos da sua adolescência. Conheceu o fausto da mansão, as mobílias, os jardins, a piscina e a família de Antonio, recordando assim momentos ternos e doces associados a uma adolescência feliz que se guarda com saudade.
A narrativa avança e o leitor é tolhido pela doçura da escrita de Germán Marín na medida em que a nostalgia de outros tempos também é despertada, porém, aqui e acolá, o narrador dá-nos conta das mudanças da Villa Grimaldi e a sua transformação num dos mais de mil centros de detenção e de tortura no período da ditadura militar no Chile. O leitor que até dado momento se encontrava em estado de graça, rapidamente é confrontado com descrições atrozes e repugnantes face a situações específicas de tortura posta em prática pelos agentes da DINA, a polícia política do país, em relação àqueles que considerava subversivos e, por isso, perigosos para o sistema e para o país.
“A casa que eu deificava no início da adolescência, quando Antonio me convidava, tinha caído numa degradação absoluta, transformada agora num antro de dor onde rivalizavam os agentes desta prisão secreta, montados nos costados das vítimas.” (p. 112)
Entre detenções, torturas e assassinatos, foram milhares as pessoas que desapareceram durante a ditadura militar em detrimento de um país que se pretendia limpo de inimigos e de pessoas consideradas perigosas. E para cumprir esse objectivo, a melhor forma seria cortar o mal pela raiz sem hesitações. “Limpar o país era doloroso, mas, como a História demonstrava, não havia anestesia para isso. Só se podia amputar a quente.” (p. 109)
Num país que mergulhou no medo da repressão, em que cada um é polícia dos seus vizinhos e familiares, não é difícil que acabe por vir a cair nas malhas da polícia política passando ou não pelo processo completo de detenção, correcção (tortura) e, quiçá, morte com desaparecimento do corpo.
“O medo causava naquela época um enorme desassossego entre as pessoas, o que fazia aumentar as apreensões que se viviam diariamente, ainda que a delação, encorajada a partir de cima, fosse moeda corrente.” (p. 85)
A dado momento, a narrativa adquire um tom agressivo à medida que o narrador procura incessantemente Monica, uma antiga namorada do final da sua adolescência, e que para sempre marcou a sua vida associando-a à ideia de amor da sua vida. Porém, desconhece se Monica terá caído nas malhas da polícia política ou se se terá associado a ela devido a certos desvios no agir e a histórias mal contadas, permanecendo, dessa forma, a dúvida até ao final da narrativa.
Mas esse tom agressivo, lacónico, e que não poupa nas palavras ao leitor, sendo certeiro nas resoluções tomadas para com os detidos, ficamos a saber mais alguns dos métodos de tortura levados a cabo no “palácio do riso” através de María del Carmen, uma antiga funcionária da Villa Grimaldi durante a ditadura militar, confessando-se então arrependida dos seus actos proclamando com frequência que “Deus é injusto” e vestindo-se como um anjo sempre que saía à rua. Segundo María del Carmen referia-se aos detidos como “os desgraçados não mereciam viver no erro das suas ideias” (p.119) e assim, se por um lado mostrava arrependimento dos seus actos, de outra forma confirmava que não havia outra forma de sair da Villa Grimaldi a não ser pela via da verdade e, deste modo, como forma de alertar a consciência das mulheres detidas “tinha por hábito, a fim de as desanimar, obrigar as novas prisioneiras a ver-se ao espelho, depois de lhes tirar a venda; vê-te pela última vez, porque nunca mais te verás assim, dizia-lhes.” (p. 106)
A consolidação das detenções pela via das sucessivas torturas na Villa Grimaldi é comparada a um processo de animalização dos detidos tornando os prisioneiros em animais inofensivos, sendo a forma como se expressava a vitória do sistema político e militar face aos indivíduos subversivos, inimigos do Estado, traduzindo-se assim no seu aniquilamento.
“(…) Muitos dos detidos sofriam um processo de animalização. Os rostos cada vez mais pálidos e mortiços começavam a adoptar os traços fisionómicos de diversos exemplares zoológicos – lagartos, cães, carneiros.” (p. 121) “(…) A vitória não consistia necessariamente em provocar a morte do outro, mas em obter a satisfação do seu aniquilamento, transformando-o num animal inofensivo e, sobretudo, dócil e mudo.” (p. 123)
“O Palácio do Riso” apresenta-se assim como a ponte entre a literatura e a História recente do Chile na medida em que havendo ainda tanto por se fazer em matéria da História, numa época em que o passado recente dos chilenos continua a ser um trauma para tantas famílias vítimas da ditadura militar, a literatura ocupa esse espaço vazio desocultando (ou revelando) factos históricos ignominiosos transversais a todo um país e a uma sociedade.
Texto da autoria de Jorge Navarro
terça-feira, 15 de novembro de 2016
"A Magia do Acaso" de Tiago Rebelo
Já li alguns livros de Tiago Rebelo. Não posso dizer que fiquei surpreendida com A Magia do Acaso porque reconheci a sua escrita fluída, cheia de momentos do dia a dia, de personagens que poderia reconhecer em algumas pessoas que vivem ao meu redor ou de quem já ouvi falar.
Não posso dizer que fiquei apaixonada por todos esses personagens. Cumpriram bem o seu papel, ao caminharem por estas páginas e alguns tiveram o condão de me irritar sobremaneira pelas suas indecisões, pelos seus erros, pelas confusões criadas. Tal qual algumas pessoas que deambulam por esta vida e que se cruzam connosco e que, confesso, me esgotam a paciência. Apeteceu-me gritar-lhes, "cresçam!", como me apetece dizer isto de viva voz a certas pessoas que conheço... Creio que o autor soube retratar com mestria alguns comportamentos que grassam por aí. E também como o acaso pode acontecer, as coincidências, fazendo com que a magia se torne realidade.
Gostei, entretive-me e irritei-me ao mesmo tempo com a trama destas páginas... Nada, acredito, que Tiago Rebelo não esperasse! Para as meninas que gostam de um romance com laivos de cor-de-rosa, com muita traição, intriga, encontros e desencontros amorosos. Um romance leve, apesar dos temas tratados poderem ser mais complicados do que parecem. Com um final feliz. Para alguns personagens, pelo menos.
Como o imprevisto pode mudar algumas vidas!
Terminado em 12 de Novembro de 2016
Estrelas: 4*
Sinopse
Sofia, secretária num escritório de um famoso advogado, casada com André, um bem-sucedido administrador de uma empresa do ramo imobiliário, e eterna sonhadora, sente-se insatisfeita com a confortável vida que leva. Num encontro improvável conhece Bernardo, um fascinante homem de negócios. Apesar do charme inebriante deste e da inesperada atracção que sente não se decide a pôr em causa o seu casamento. Mas um acontecimento inesperado encarregar-se-á de fazer tremer os pilares da vida monótona que hesita em deixar. Após inúmeros encontros e desencontros, peripécias e reviravoltas, Sofia consegue finalmente fazer uma ruptura total com a vida que levou até aqui, virar a página e entregar-se por completo a Bernardo. Os sonhos e a magia do acaso vencem sempre.
Cris
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
"Sete Anos Bons" de Etgar Keret
Foi através de uma amiga que ouvi falar deste escritor israelita. Ela já leu outros livros do autor e é fã da sua escrita
repleta de humor. Quando soube que sairia um livro seu pela Sextante, fiquei curiosa e expectante. Daí à apresentação do livro com a presença do autor, no passado dia 4 no Corte Inglês, foi um pequeno passo. Gostei muito de o ouvir. Irrequieto, mordaz, com um humor negro que descomplica situações graves ou até trágicas.
Fui para casa e, no dia seguinte, depois de ter terminado a leitura que tinha em mãos, peguei de imediato no livro. Pequenas crónicas do seu dia a dia que, não fora esse humor que referi, poder-se-iam tornar uma leitura pesada. Alternando de situações cómicas a outras mais graves, onde a guerra e os conflitos que grassam no seu país, servem de pano de fundo para muitas histórias, o autor tem um modo peculiar tanto de as narrar como de se sair dessas situações caricatas.
Esta narrativa, que traduz um pouco da sua vida e de seus familiares em Tel Aviv, é um retrato original e peculiar dos sete anos que vão desde o nascimento de seu filho até à morte de seu pai. Pequenos contos ou crónicas interligadas, como lhes queiramos chamar, que se lêem com um sorriso na cara mas que traduzem, também, como se vive em Israel em tempo de guerra e conflitos.
Uma leitura simultaneamente bela e triste; alegre, divertida e para refletir. Recomendo! Só é pena ter acabado tão depressa.
Terminado em Novembro de 2016
Estrelas: 5*
Sinopse
Se um rocket pode cair sobre nós a qualquer momento, que importância tem despejar o lixo? E os pássaros do jogo «Angry Birds», lançados raivosamente contra pobres porquinhos, não lembram terroristas?
Com particular ironia, Etgar Keret relata neste livro histórias de sete anos da sua vida: o nascimento do filho, a terrível história da sua irmã ultraortodoxa e dos seus onze filhos, a trajetória dos seus pais sobreviventes do Holocausto, encontros com taxistas stressados, viagens de avião, noitadas literárias agitadas, ameaças de bombas, a morte do pai.
Um livro extraordinário sobre a vida de hoje em Israel e no mundo, onde o humor e a emoção se combinam com uma boa dose de absurdo.
Cris
sábado, 12 de novembro de 2016
Na minha caixa de correio
Vitória, ofertado pela Manuscrito, chegou-me já há algumas semanas mas ainda não o tonha colocado nesta rúbrica. Vejam a minha opinião.
Delícias Sem Lactose foi oferta da Arte-Plural/ Bertrand. Estou a escolher uma receita deliciosa para vos mostrar...
Pela mão da Porto Editora chegou-me As Raparigas.
O Rapaz dos Blocos foi oferta da Marcador.
Numa loja Cash Converters comprei O Elefante e o Maruti e Amanhecer com Monstro Marinho.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Novidade Chiado Editora
Terceira Solidãode Marta Cruz Machado
A solidão e a tristeza, tantas vezes inerentes a esta faixa etária, são aqui substituídas pelo diálogo e pela partilha.
Para um idoso, ter alguém que lhe dê atenção tem muitas vezes um efeito terapêutico. Conversar e partilhar são um bálsamo para quem está só.
Um livro intimista, com um desfecho muito emotivo, que nos leva à reflexão.
Novidade Clube do Autor
Ode TriunfalEdição bilingue ilustrada
de Fernando Pessoa
Esta edição do poema magistral sobre o triunfo do sentir volta a reunir a equipa que deu nova vida aos versos de Fernando Pessoa A Tabacaria e Ode Marítima.
Ode Triunfal é um poema do heterónimo Álvaro de Campos, poeta que surge como reflexo do ardor futurista de Fernando Pessoa. Apesar da observação do mundo que rodeia Fernando Pessoa naquele início do século XX, o poeta não deixa também de olhar para o futuro e canta-o na sua poesia.
O poema, traduzido por Richard Zenith, foi todo ilustrado por Pedro Sousa Pereira.
Novidade Bertrand
Sedade Alessandro Baricco
Na França de 1861, a tranquilidade do jovem Hervé Joncour, comerciante de ovos de bicho-da-seda, é abalada quando uma epidemia assola a criação dos fiadores europeus e o obriga a procurar a preciosa mercadoria no Japão, a milhares de quilómetros de Lavilledieu, onde vivia com a mulher Hélène.
Começa, então, um novo ciclo na sua vida. Em viagens perigosas, repletas de descobertas e sofrimentos, Hervé muda e sente fortemente o antagonismo de culturas e a intensa atração pelo desconhecido que se personifica na jovem concubina de Hara Kei.
Novidade Porto Editora
O Último Paraísode Antonio Garrido
Em 1929, o jovem e experiente Jack Beilis tinha o seu próprio carro, usava fatos feitos à medida e frequentava os melhores clubes de Detroit. Mas a crise brutal que nesse ano atingiu a América atirou-o, como a milhares de compatriotas, para os braços da fome e do desespero. Forçado a sair do país após cometer um crime, foge para a União Soviética, o império idílico onde a todos era igualmente garantido o direito à felicidade, sem suspeitar dos insólitos incidentes que o destino ainda lhe reserva. Inspirado em acontecimentos reais, este thriller combina magistralmente factos históricos, suspense e romance, resultando numa extraordinária reinvenção do mito do sonho americano.
Novidade Companhia das Letras
Nem Todas as Baleias VoamDe Afonso Cruz
Será possível vencer uma guerra com a música? Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, que tinha como missão cativar a juventude de Leste para a causa americana. Organizando concertos com grandes nomes do jazz nos países do bloco soviético, os americanos acreditam poder seduzir o inimigo e ganhar a guerra.
É neste plano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista de blues, exímio e apaixonado, que vê sons em todo o lado e pinta retratos tocando piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro, sem deixar rasto, sem deixar uma carta de despedida.
Erik Gould tentará de tudo para a reencontrar, mas não lhe resta mais esperança do que o acaso. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que fará a diferença graças a uma caixa de sapatos.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
"O Rapaz no Cimo da Montanha" de John Boyne
Neste
ano que está quase a findar, li alguns livros destinados a um público
mais jovem. Este é um deles. O tema interessa-me claro, mas não tive
dúvidas em pegar neste livro porque o seu autor é-me bastante querido
por ter escrito um livro que todos vocês deviam ler, independentemente
da idade que possam ter: O Rapaz do Pijama às Riscas (a minha opinião
aqui!).
Um
pouco na sequência desse livro, o autor aborda de novo o tema do
Holocausto entendio e visto na perspectiva de uma criança, com toda a
inocência que ela possui. Desta vez, é pela voz de um menino filho de
mãe francesa e pai alemão, Pierrot, o narrador desta história, que nos
vamos apercebendo vagamente dos horrores da guerra. Pierrot, mais tarde
chamado Pieter, cresce na inocência mas também com perdas importantes (o
pai e a mãe). E esta inocência que o acompanha no seu crescimento passa
depois a um estado de "cegueira", que o impele a admirar Hitler e o
impede de ver como se transforma num rapaz prepotente e mau, onde a
ambição do poder o mina e destroi.
Envolvi-me
rapidamente nesta história que creio ser uma leitura ideal para os
nossos jovens a partir dos oito, nove anos. Pois se até um adulto a lê
com prazer... Mistura-se aqui, sabiamente, alguns factos reais com
ficção e tenho, por isso, de parabenizar o autor por mais este livro.
Uma boa oferta para quem muitas vezes não sabe o que oferecer aos
leitores mais novos. Os horrores passados nessa época não são descritos
com pormenores que possam ferir alguma susceptibilidade ao jovem leitor
mas dependem um pouco da sua intuição e das perguntas que possa fazer a
quem o acompanhar nesta leitura, facto que gostei bastante.
Recomendo
para um público mais jovem (ou para um adulto que, como eu, goste de se
aventurar por mais de um género diferente de leituras)!
Terminado em 5 de Novembro de 2016
Estrelas: 5* (juvenil)
Sinopse
Pierrot é filho de mãe francesa e pai alemão. Quando fica órfão, com apenas sete anos de idade, tem de abandonar Paris para ir viver com uma tia, a única familiar que lhe resta, numa casa nos Alpes Bávaros.
Mas não estamos numa época qualquer: decorre o ano de 1936 e a Segunda Guerra Mundial está na iminência de eclodir; nem tão-pouco estamos numa casa qualquer: a casa no cimo da montanha, onde a tia trabalha e para onde Pierrot se muda, é nada mais nada menos que a Berghof, a casa-refúgio de Adolf Hitler.
Facilmente Pierrot se torna menos francês e mais alemão, deixando-se seduzir pelo poder da farda e pela força da mensagem nazi. mas… a que custo? E se aconteceu a Pierrot, não poderia também acontecer a cada um de nós?
terça-feira, 8 de novembro de 2016
"Vitória, de Amor e de Guerra" de Luísa Beltrão
Primeiro,
confesso, foi a capa que atraiu o meu olhar. A sinopse confirmou a
minha escolha. Não tinha ainda lido nada de Luísa Beltrão. Gostei muito
desta leitura e pretendo ir à apresentação do livro, no próximo dia 28
de Novembro pois acredito que será bastante interessante. Estou curiosa e
quero ouvir a Rita Ferro falar de uma leitura que tem tantos pedaços da
nossa História.
A
temática tem como pano de fundo não só a Primeira Guerra Mundial mas um
pouco a História de Portugal e dos conflitos que abalaram o mundo e
este nosso país, às vezes tão fechado nos seus costumes e valores, desde
1858 até 1923. Uma lição de História muito aprazível, nada enfadonha,
subtilmente dada pela autora ao contar-nos a história de Vitória que,
partindo para França, onde se encontra o seu marido que faz parte do
Corpo Expedicionário Português, pretende ajudar no esforço de guerra.
E
é com alguns saltos temporais que ficamos a conhecer a história dos
seus antepassados mas também de que forma a guerra lhe alterou a forma
de pensar, os hábitos adquiridos durante toda a sua vida. Embora
impaciente, porque parece nascer um romance logo nas primeiras páginas
entre Vitória e um paciente médico, a autora faz-nos esperar durante
toda a trama, deixando em aberto essa questão. E não é que gostei disso?
Admito que, no
entanto, o que mais gostei foi essa viagem no tempo que me situou
historicamente nessa época, porque falar da História com mestria não
creio ser tarefa fácil. Fazer uma panorâmica interessante dos
acontecimentos quer do que se passava em Portugal quer no mundo em
geral, sem cair num desenrolar maçudo dos factos, não é para todos,
não!
Gostaria que a autora tivesse explorado um pouco mais a ligação afetiva que nasceu
entre a protagonista e o médico doente, desenvolvendo, talvez, mais o passado deste médico misterioso, tão respeitado. Senti falta disso quando finalmente se chega à
história dos dois apaixonados.
De qualquer forma, li com muito prazer esta leitura que se faz rápida e fluída.
Terminado em 31 de Outubro de 2016
Estrelas: 4*
Sinopse
Na madrugada de 4 de novembro de 1917, quando faziam exatamente cento e três dias sobre a saída de Vitória de Lisboa, Andrew dava entrada no hospital de Arras. E a vida de Vitória altera-se para sempre. Desde que entrara no cenário de guerra, um cenário onde numa questão de segundos se podia viver ou morrer, ficar louco, cego ou sem braços, Vitória aprendera que a vida nos conduz, de forma sinuosa, para constantes acasos. Chegara a França para acompanhar o marido, soldado do contingente português na Primeira Guerra Mundial, deixando para trás os filhos e a família tradicional que a moldara. Ela era apenas um elo de uma longa cadeia que vem de trás e se continua. Um acaso fá-la ingressar no corpo de enfermagem como voluntária num hospital inglês e, por outro acaso, estava de serviço naquela madrugada em que ficou incumbida de cuidar do soldado da cama sete. Um herói de guerra, médico, celebrizado nas trincheiras por salvar vidas. Luísa Beltrão regressa à escrita com um romance poderoso de amor e de guerra. Pelos olhos de Vitória vemos passar a calamidade do conflito que assolou a Europa, conhecemos a história de uma família dividida pela guerra, através dos diálogos com Andrew questionamos o sentido da vida e das nossas expectativas. E sentimos a solidão, aquele vazio assustador que antecede a esperança.
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
"Concerto em Memória de um Anjo" de Eric-Emmanuel Schmitt
Quatro
contos, ou romances pequenos como gostei de lhes chamar enquanto lia
este livro. Já aqui disse que não sou apreciadora de contos. Acabam
depressa. Demasiado depressa para quem tem alguma dificuldade ao iniciar
um livro. Demoro a entrar numa história por isso não gosto quando ela
acaba. E, então, quando entro e tenho de sair porque acabou depressa...
No
entanto, ao ler lestes contos apercebi-me de como a intensidade num
conto é, quando bem feito, maior, porque num conto tudo se condensa, não
havendo gorduras supérfluas, como refere o escritor nas considerações
que faz nas últimas páginas. E, talvez por isso mesmo, o leitor mergulha
rapidamente na história, aspecto que gostei francamente.
E
fica aqui a pergunta que se impõe: o que une estes quatro contos?
Porque os agrupou o autor? Creio que em todos eles existem vários pontos
em comum. O que salta à vista é o poder de decisão do Homem, das
escolhas que faz independentemente do seu passado de horror ou de amor.
Poder escolher como se quer ser é uma das coisas que aprendemos com a
idade. A infância/adolescência marca-nos profundamente mas o que somos
enquanto adultos passa muito por aquilo que decidimos ser. E
entendam-me: disse "por aquilo que decidimos ser" e não "por aquilo que
decidimos ter".
Não
vou falar mais do meu amor/ódio pelos contos em geral, nem tão pouco revelar-vos o conteúdo destes contos em particular. Gostei, embora continue a preferir
histórias mais longas, sou sincera. Se se quiserem aventurar, creio ser
uma boa aposta, sobretudo para quem é fã deste género literário.
Adorei as considerações feitas pelo autor no final do livro sobre a feitura dos contos, de onde surgiram as suas ideias. Acho que são aspectos interessantes que despertam a curiosidade do leitor.
Terminado em 2 de Novembro de 2016
Estrelas: 4*
Sinopse
Que relação existe entre uma mulher que envenena sucessivamente os seus maridos e um presidente da República apaixonado? Qual a ligação entre um simples e honesto marinheiro e um escroque internacional que vende bugigangas religiosas fabricadas na China?Por que milagre uma imagem de Santa Rita, padroeira das causas perdidas,assume o papel de guia misteriosa das suas existências?Todas estas personagens tiveram a possibilidade de se redimir, de escolhera luz em vez da sombra. A todas foi um dia oferecida a salvação. Algumas aceitaram-na, outras recusaram-na, outras ainda não souberam reconhecê-la.Quatro histórias com ligações entre si. Quatro histórias que atravessam o que de mais comum e mais extraordinário existe na nossa vida. Quatro históriasque exploram uma questão: somos livres ou estamos presos a um destino?Será que podemos mudar?
domingo, 6 de novembro de 2016
Passatempo Bertrand: "A Outra Metade de Mim"
Temos para vos dar, logo pela manhã, uma notícia muito boa! Em parceria coma Bertrand Editora, O Tempo Entre Os Meus Livros tem para sortear, aos seguidores do blogue, um livro deveras assombroso! Mesmo ainda antes do ano acabar, posso dizer-vos que o considero a minha leitura de eleição para 2016!
O livro é: "A Outra Metade de Mim" de Affinity Konar. Podem ver a minha opinião aqui.
O passatempo é simples. Basta responderem às seguintes questões, enviando um mail para otempoentreosmeuslivros@gmail.com, com o vosso nome e morada.
1) Como se chamam as duas gémeas, narradoras do livro?
2) Em que local se passa maioritariamente esta história?
O passatempo decorre até ao dia 20 de Novembro.
Só é permitido participar uma vez. Agradece-se a partilha do passatempo.
Boa sorte!
sábado, 5 de novembro de 2016
Na minha caixa de correio
Esta semana foi assim:
Oferta da Planeta, Desde a Sombra e os três livros, lindos de morrer, conteúdo e capa, do Zafón, de capa renovada. Boa aposta para o Natal!
A Dieta do Chá chegou da Bertrand. Já o folhei. Dicas óptimas para amantes do chá e para quem não gosta de beber água!
Sete Anos Bons chegou-me da Porto Editora. Foi ontem, no Corte Inglês, a apresentação do livro. Etgar Keret é um escritor israelita, com muito humor, algum humor negro até, que dispôs bem e fez as delícias de quem lá foi assistir. Fiquei curiosa, um livro que lerei brevemente. Foto no final deste post.
Do Clube do Autor vieram Regresso de Auschwitz e Ode Triunfal. De uma beleza irrepreensível, este último livro merece que vos mostre alguns dos seus desenhos. Fotos no final.
Druídas foi-me dado por uma amiga. Obrigada Renata! Não me avisaste que era um dos gordos...
Tens Coragem e Ronda das Mil Belas em Frol ganhei nos passatempos do JN.
Apresentação "Sete Anos Bons"
Ode Triunfal
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Novidade Planeta
O LABIRINTO DOS ESPÍRITOSde Carlos Ruiz Zafón
Na Barcelona de fins dos anos de 1950, Daniel Sempere, já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo. Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família… embora a um preço terrível. "O Labirinto dos Espíritos" é uma história electrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com "A Sombra do Vento", que alcança aqui toda a sua intensidade e tracejado, que por sua vez desenha uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida
Novidade Clube do Autor
Regresso de Auschwitzde Goran Rosenberg
Este livro pode ser encarado como uma longa carta, rigorosamente baseada em factos reais, dirigida pelo autor ao pai, sobrevivente milagroso dos campos de concentração alemães da Segunda Guerra Mundial.O autor começa por falar da sua infância, vivida numa pequena cidade do Sul da Suécia, e pretende ilustrar como o corte brutal com as raízes pode traumatizar irremediavelmente um ser humano. Foi o que sucedeu com o seu pai, cuja história é aqui revelada. Vencedor do Prémio August de Literatura, "Regresso de Auschwitz" reconstrói as memórias de uma família e dá testemunho dos horrores da guerra. Centrado na história impressionante de um homem e de uma mulher (os pais do autor, que escaparam à morte num dos mais célebres campos de concentração da História, "Regresso de Auschwitz" narra a vida de uma família depois da libertação e a convivência com as memórias do Holocausto.Inteligente e profundamente comovente, o autor desta obra recorda a criança que seguia as pegadas do pai, falando com ele, relembrando os seus esforços para iniciar uma nova vida nas sombras de um mundo que já não existe.
Novidade Manuscrito
Vitóriade Luísa Beltrão
Vitória chegara a França para acompanhar o marido, soldado do contingente português na Primeira Guerra Mundial, deixando para trás os filhos e a família tradicional que a moldara. Um acaso fá-la ingressar como voluntária no corpo de enfermagem de um hospital inglês e, por outro acaso, estava de serviço naquela madrugada em que Andrew chegou. Coube-lhe a missão de cuidar do soldado da cama sete, um herói de guerra, médico, celebrizado nas trincheiras por salvar vidas.
Luísa Beltrão regressa à escrita com um romance poderoso de amor e de guerra.
Pelos olhos de Vitória, vemos passar a calamidade do conflito que assolou a Europa, conhecemos a história de uma família dividida pela guerra, e através dos diálogos com Andrew questionamos o sentido da vida e das nossas expectativas. E sentimos a solidão, aquele vazio assustador que antecede a esperança.
Novidade Leya - Livros RTP
Cem Anos de Solidãode Gabriel Garcia Márquez
«Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.» Com estas palavras - tão célebres já como as palavras iniciais do "Dom Quixote" ou de "À Procura do Tempo Perdido" - começam estes "Cem Anos de Solidão", obra-prima da literatura contemporânea, traduzida em todas as línguas do mundo, que consagrou definitivamente Gabriel García Marquez como um dos maiores escritores do nosso tempo. A fabulosa aventura da família Buendía-Iguarán com os seus milagres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias, descobertas e condenações são a representação ao mesmo tempo do mito e da história, da tragédia e do amor do mundo inteiro.
Prefaciado por Alberto Manguel.
Novidade Bertrand
Hotel Vendômede Danielle Steel
O hotel era velho, estava em mau estado. Mas para Hugues Martin, hoteleiro de origem suíça, ele é um diamante em bruto escondido numa rua sossegada de Nova Iorque. Por isso, junta todas as migalhas que consegue para comprar o edifício e transformá-lo num dos hotéis mais luxuosos do mundo. Não tarda que o serviço e a discrição do Hotel Vendôme conquistem uma excelente reputação. É o refúgio ideal para os ricos e famosos e o lar perfeito para a família de Hugues, até que a sua jovem esposa o abandona e deixa a filha de quatro anos de ambos ao seu cuidado. Apesar disso, Heloise cresce feliz no meio de celebridades, gente da sociedade, políticos, viajantes internacionais e os inúmeros empregados do hotel, que a adoram. À medida que os anos passam e surgem desafios inesperados, Hugues e o hotel continuam a ser o centro da vida de Heloise. É seu desejo seguir os passos do pai e um dia vir a gerir o Hotel Vendôme. As lições que ela aprende com ele vão ajudá-la pela vida fora, iluminando uma história inesquecível.Bem-vindos ao Hotel Vendôme.
Novidades Porto Editora
Sete anos bonsde Etgar Keret
Se um rocket pode cair sobre nós a qualquer momento, que importância tem despejar o lixo? E os pássaros do jogo «Angry Birds», lançados raivosamente contra pobres porquinhos, não lembram terroristas? Com particular ironia, Etgar Keret relata neste livro histórias de sete anos da sua vida: o nascimento do filho, a terrível história da sua irmã ultraortodoxa e dos seus onze filhos, a trajetória dos seus pais sobreviventes do Holocausto, encontros com taxistas stressados, viagens de avião, noitadas literárias agitadas, ameaças de bombas, a morte do pai. Um livro extraordinário sobre a vida de hoje em Israel e no mundo, onde o humor e a emoção se combinam com uma boa dose de absurdo.
Novo Exército (final da série CHERUB)
de Robert Muchamore
Um novo herói, uma nova missão…
Ryan Sharma é um agente CHERUB e, como tal, consegue infiltrarse nas vidas de criminosos altamente perigosos e reunir informação para finalmente os pôr atrás das grades.
Agora está a investigar um duplo rapto, partilhando a missão com o veterano James Adams.
Nesta que poderá ser a sua última missão, Ryan e James terão de reunir uma equipa de agentes CHERUB lendários para encontrar os reféns e os trazer para casa…
As Raparigas
de Emma Cline
Califórnia. Verão de 1969. Evie, uma adolescente insegura e solitária, avista um grupo de raparigas no parque e fica fascinada com a aura de abandono que as envolve: vestem-se de forma descuidada, andam descalças e parecem levar uma existência feliz à margem das convenções. Dias depois, Suzanne, uma das raparigas, convida Evie a acompanhá-la até às montanhas, ao rancho isolado onde vive numa comunidade organizada em torno de Russell, músico frustrado e líder carismático. Desesperada por ser aceite, Evie mergulha numa espiral de drogas e amor livre. Porém, à medida que se vai afastando da mãe e das rotinas da vida, e à medida que a sua obsessão por Suzanne se intensifica, Evie não se apercebe de que está a um passo de uma violência inimaginável, a caminho daquele momento na vida de uma rapariga em que uma simples escolha pode determinar o futuro. Um retrato excecional da fragilidade adolescente, uma reflexão sobre as decisões que nos marcarão toda a vida e uma evocação daqueles anos de paz e amor em que germinava um lado obscuro…
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
A escolha do Jorge: Céu Nublado com Boas Abertas
Nuno Costa Santos (n. 1974) publicou o seu primeiro romance no início deste ano sob o título “Céu Nublado com Boas Abertas” através da editora Quetzal.
Partindo de um dado específico familiar, uma fotografia dos seus avós maternos, o autor trilha um caminho que em tantos aspectos se assemelha às obras do alemão W. G. Sebald. A fotografia constitui a premissa, senão a base de sustentação, de todo o romance que evolui em duas partes alternadamente, duas narrativas que se fundem aos poucos numa só.
Ficamos a conhecer a história dos avós do autor ligados à ilha de S. Miguel, nos Açores, terra natal também do autor e a sua forte ligação à ilha vendo pelos sucessivos pensamentos e divagações fruto das suas caminhadas e passeios pela ilha. O regresso do autor à ilha prende-se com a busca do passado dos seus avós e, consequentemente, da necessidade de conhecer e compreender a sua própria história. A doença marcou o seu avô no início do seu casamento afastando-o da ilha durante um exílio de seis anos no continente para sucessivos tratamentos e operações, assim como, os longos períodos de
descanso no Caramulo graças à pureza do ar daquela região. Poucos foram os encontros do jovem casal durante este longo exílio, mas a perseverança, o amor e a fé contribuíram de forma decisiva para decisões sérias a serem tomadas pelo avô, além de terem constituído uma forma de alento nos momentos mais tristes.
Fruto do amor deste casal, nasce Maria Cristina que virá a ser a mãe do próprio autor.
O autor regressa aos Fenais da Luz onde os seus avós viviam, especificamente no lugar dos Aflitos, e que graças às suas descrições, o leitor pode compreender como é viver numa ilha daquele arquipélago.
A par do livro escrito pelo seu avô que ficamos a conhecer certas passagens - uma obra que se circunscreve unicamente ao período em que o seu avô esteve no continente no decurso da sua doença e sucessivos tratamentos -, Nuno Costa Santos também confronta o leitor com o “modus vivendi” da ilha de S. Miguel nos dias de hoje através de situações tão características quanto específicas de alguém que vive ou que viveu na ilha ou mesmo no arquipélago.
Esta passagem do autor por S. Miguel leva-nos a questionar os limites da própria literatura na medida em que a ficção pode misturar-se e até confundir-se com a realidade. A pobreza de algumas das pessoas com quem interage, traficantes de droga, prostitutas, presidiários, personagens estranhos e até caricatos, são todos personagens, de carne e osso, ou talvez não, que o leitor vai conhecer ao longo de “Céu Nublado com Boas Abertas”.Nunca sabemos muito bem qual é o objectivo desta obra que, à semelhança dos nevoeiros frequentes nos Açores que apelidam o arquipélago de “ilhas de bruma”, constituem uma espécie de mito, uma forma também por si mesma de contar uma história, desocultando assim todo um conjunto de “sentimentos-ilhéus” que contribuem para a compreensão e concretização da obra.
Em todo o caso, percebe-se da importância da ilha na vida do autor. “Céu Nublado com Boas Abertas” é um livro interior, pejado de pensamentos, deambulações da mente, emoções e sentimentos que não poucas vezes nos deixa num estado de melancolia.
Perguntamo-nos várias vezes ao longo da obra qual é o sentido ou a tese da mesma quando a narrativa ou as duas narrativas evoluem de forma entrelaçada e acabamos por compreender que “Céu Nublado com Boas Abertas” é isso mesmo, um conjunto de histórias que permite ao autor reencontrar-se consigo e com a sua família tendo a ilha como seu refúgio e ponto de equilíbrio e de inspiração também e, neste caso em concreto, esta obra confirma o autor como um perfeito contador de histórias.
De todos as experiências e histórias contadas por Nuno Costa Santos neste seu romance, destacaria duas que se apresentam de uma forma divertida, mostrando a adaptação dos Açores à modernidade, mantendo para todos os efeitos, o rigor das tradições e os seus rituais, como por exemplo um imigrante chinês ser o mordomo da Festa do Espírito Santo numa das freguesias da ilha. Mas também um visitante da ilha que apresenta tanto de sério como de lunático e, perante casos assim, o melhor é dar um pouco de conversa para se ficar a saber que a visita à ilha de S. Miguel surge na sequência do cumprimento de um desejo de Franz Kafka e, a partir daí, surgem as histórias mais mirabolantes imaginando Franz Kafka a residir em Ponta Delgada e a trabalhar numa empresa de transitários na Rua dos Mercadores ou dedicando-se unicamente à escrita, “A Metamorfose” rezaria da seguinte forma: “Quando Gregos Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de medusa.” (p. 191)
Excerto:
“Entra a voz do locutor:
- Temos connosco o senhor Zhang. O senhor Zhang é o primeiro mordomo do Espírito Santo originário da China. Está bem-disposto, senhor Zhang?
- Estou, estou. Boa tarde a todos.
Um chinês que fala num português seguro.
- Então como é que tudo aconteceu? Como é que a população o elegeu mordomo das Festas do Espírito Santo?
- Fui eu que avancei com a proposta e aceitaram. Tive a ajuda do senhor Alfredo Neves, que conhece toda a gente. Ele foi o mordomo em vários anos e disse que eu sou uma pessoa de confiar. Foi importante.
- Há quanto tempo é que vive nos Açores?
- Seis anos. Seis anos e três meses.
Por detrás das palavras continua a passar a música. Os sinos e os gongos calaram-se. Só ficaram as flautas.
- Permita-me que faça o comentário. Não é habitual as comunidades chinesas interagirem muito com as comunidades locais. Como é que começou a contactar com as pessoas da terra?
- Com naturalidade.
Silêncio no estúdio. Apenas a música continua a passar, enquadramento sonoro entre o misterioso, o bizarro e o divertido.
- Pode explicar um pouco melhor?
- A minha mulher gosta de viver cá. Os meus filhos estão na escola da freguesia. Todos os anos participamos nas festas do Espírito Santo e achei que podia contribuir.
- Posso perguntar-lhe se é católico?
Ouve-se um riso, presumo que do senhor Zhang.
- Sou confucionista. Mas acho que os católicos estão muito bem nas festas do Espírito Sa…
- Desculpe senhor Zhang. Vamos ter de interromper – diz, nervoso, o locutor. – Recebemos uma notícia importante para toda a população. O traficante Étienne Bouchiére conseguiu evadir-se do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada e anda a monte pela ilha. Não se sabe ao certo como é que tudo aconteceu, mas vamos apurar os factos junto das autoridades.
Desligo o rádio. Demasiada informação, demasiadas ocorrências, demasiadas nacionalidades. Acabo de sobreviver a mais um ataque de asma e quero dormir.” (pp. 118-119)
Texto da autoria de Jorge Navarro
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
"Desperdício Zero" de Bea Johnson
Creio ser a primeira vez que, ainda sem acabar um livro, venho aqui fazer um post. Pela urgência do tema, sobretudo! Porque o livro que estou a ler não pode ser lido como se de uma corrida se tratasse e sim, com um lapis e papel à mão, lentamente, para apontar todas as dicas das coisas que quero alterar, aos poucos, na minha vida.Não estranhem, pois, se daqui a uns tempos, voltar a postar sobre este livro. Se vos disser que nunca tinha ouvido falar de Bea Johnson é a mais pura das verdades. Não tinha, mas fiquei fã do seu estilo de vida. Já há muito que tento alterar os meus hábitos alimentares e digo-vos que não é coisa fácil porque (para mim) o açucar é realmente um vício (que mata) e do qual é difícil sair. Basta uma primeira dentada e...
Mas o conceito de Bea não se traduz apenas na alimentação (saudável) mas sim em todo um estilo de vida em prol de um planeta saudável. Um estilo de vida sem desperdícios (o mais possível, claro!). É uma aventura de tentativas e erros mas o importante é nunca desistir! Um guia prático para ter à mão, com muitas soluções que ajudar-nos-ão a poupar, reciclando, reutilizando. Uma ajuda individual ao Planeta Terra, o nosso planeta, uma ajuda que é muito mais do que podemos supor. Um, mais um, mais um, mais um...
Fazer do menos, mais. Comecemos por coisas que nos podem parecer pouco mas que se transformarão em muito se formos muitos também. Um estilo de vida mais amigo do ambiente.
Entrem numa livraria, folheiem este livro e digam de vossa justiça. Não valerá a pena tê-lo na nossa mesinha de cabeceira?
Para saber mais sobre este livro, consultar o site da Editorial Presença aqui.
Terminado em 1 de Novembro de 2016.
Estrelas: 5*
Sinopse
Que tal implementar em sua casa e na vida uma filosofia de desperdício zero? Com o livro Desperdício Zero, aprenderá a erradicar o lixo da sua vida passo a passo.
A autora demonstra os benefícios que usufruímos de um estilo de vida sem desperdícios: para isso, basta recusar aquilo de que não precisamos, reduzir o consumo, reutilizar e reciclar tudo aquilo que não podemos recusar.
Deste modo, melhorará o seu estilo de vida, a sua saúde, poupará mais dinheiro e tempo, e proporcionará um futuro melhor para si, para a sua família e para o planeta.
Bea Johnson é a guru do «desperdício zero em casa». A sua filosofia de vida tem como base os cinco cinco “erres”: recusar, reduzir, reutilizar, reciclar e decompor (rot).
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