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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Passatempo Presença: A Carreira do Mal

Com a preciosa colaboração da Editorial Presença temos para oferecer, aos seguidores do blogue, um exemplar do último livro de Robert Galbraith, pseudónimo de J.K. Rowling, A Carreira do Mal.
Para concorrer basta responder a uma única pergunta, mandando um mail para:
otempoentreosmeuslivros@gmail.com

A pergunta é: Sob este pseudónimo que livros foram publicados cá em Portugal pela Editorial Presença?

É necessário mencionar o nome, a morada e só é permitido participar uma vez.

Este passatempo termina no dia 16 de Outubro.

Para mais informações sobre o livro ver Editorial Presença aqui!

Boa sorte a todos!

"Homens Imprudentemente Poéticos" de Valter Hugo Mãe

Cada leitura é única. Cada livro faz-nos sentir coisas diferentes e formas diferentes de ver as coisas.

Confesso que adoro quando um livro me catapultaecida como a para o seu interior, para a sua história. Isso acontece quando a fluidez da trama é intensa e quando os lugares descritos são capazes de me fazerem sentir próxima deles. Para ser sincera isso não me aconteceu aqui, nesta leitura.

Primeiro, porque a escrita de VHM não pode ser lida como se de um comboio em andamento se tratasse. Somos obrigados a parar, apreciando as frases pequenas mas tão cheias de sentido, de beleza, de poesia. E depois... depois o mais certo é a história ficar para trás. Até algumas palavras precisam de ser saboreadas, visualizadas.

Assim, perdi-me muitas vezes. Senti necessidade de parar. Voltar a trás e saborear as palavras, frases com tanto sentido, letras unidas poeticamente. A história fui captando-a aos poucos, devagar. Será que a apanhei na sua totalidade? Partes sim, claro. Creio porém, que beneficiaria se lesse novamente este livro, para que a história fosse captada na íntegra. Tenho para mim que algo poderá ter-me escapado...

A trama é passada no Japão, junto  de  Aokigahara, mais conhecida pela "Floresta dos Suicidas", no monte Fuji. Presente a luta entre o Bem e o Mal. A Morte. O Medo. A Fome. O Sofrimento. 

Creio que VHM não é para ser lido por todos. Quem for afoito que avance!

Tive a oportunidade de assistir à apresentação do livro e à comemoração dos vinte anos de escrita de VHM, no passado sábado. A proximidade, simplicidade e humor com que o autor se revelou transformou a apresentação num momento muito agradável e simpático. A entrevista em jeito de uma comversa amiga foi veita pela jornalista Teresa Sampaio. As cantoras Ana Bacalhau e Márcia deixaram a sua música embelezar a tarde agradabilíssima. Pedro Lamares brindou-nos com uma leitura de um trecho do livro. Muito bom! Ficam algumas fotos.






Terminado em 5 de Outubro de 2016

Estrelas: 4*+

Sinopse

Num Japão antigo o artesão Itaro e o oleiro Saburo vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente. A inimizade, contudo, é coisa pequena diante da miséria comum e do destino. Conscientes da exuberância da natureza e da falha da sorte, o homem que faz leques e o homem que faz taças medem a sensatez e, sobretudo, os modos incondicionais de amarem suas distintas mulheres. Valter Hugo Mãe prossegue a sua poética ímpar. Uma humaníssima visão do mundo.

domingo, 9 de outubro de 2016

Ao Domingo com... Catarina Janeiro

Não pares.
Corre. Corre. Como se a escuridão não te fosse engolir, como se o próximo degrau não te esgotasse a alma. Corre. Não podes parar. Os cavalos, atrás de ti, vão esmagar-te se hesitares, se pensares neles somente.
Não penses, corre.
Como se os ramos dos arbustos não te fustigassem a cara, como se as lágrimas não brotassem secas. Corre. Como se soubesses o caminho, como se fosses a lado algum. Corre.
Não penses, corre.
Os sonhos pesam quando estamos a fugir, as recordações são elásticos que esperam sempre voltar à menor tensão. Não te lembres, corre. Corre para o passado que não cumpriste, corre para tudo o que deixaste por fazer. Corre.
Sempre em frente, corre.
É tudo o que te resta. Foge dos cavalos negros, bestas de músculo que não vais conseguir vencer. Não desistas, corre. Insiste até ao fim. Os ossos quebrados aguentam um pouco mais. Não faças barulho. Não deixes o quente da exaustão afogar a tua esperança. Corre.
Não penses porquê, corre.
Se pensares eles apanham-te e tudo está perdido. Mexe-te só. Corre. Faz. Estes cavalos de fogo rugem cegos sem razão. Não os podes domar, não os podes vencer.
Sou a voz na tua cabeça, a que te obriga a continuar. A que te impede de te despedaçares sob cascos afiados de cavalos a vapor. Confia em mim. Só eu te posso salvar. Corre.
Não penses, corre.
Pensar vai gastar-te energia, não podes dar-te a esse luxo se queres sobreviver. Não te escondas, eles encontram-te. Não te lamentes, eles ouvem-te e alimentam-se. Os cavalos aproximam-se, na tua retaguarda perseguem-te em todas as direções.
Não sintas, corre.
Não sintas o cansaço, não sintas as dores. Corre até ao sol nascer, agora os cães também no teu encalço. Não os deixem sentirem o cheiro. O medo. O cansaço. O vazio.
Até o sol nascer, corre.

Não acordes. Não acordes. Não acordes.

Catarina Janeiro

sábado, 8 de outubro de 2016

Na minha caixa de correio

  

  


Comprados: Pela Sua Saúde, Naturopatia, As Delícias de Ella e Uma Estranheza em Mim.
Oferta da Editorial Presença: A Carreira do Mal. Atenção ao passatempo que está próximo!
Oferta da Palneta: Oferenda à Tempestade.

Novidade Presença

A Carreira do Mal
de Robert Galbraith
Quando recebe um misterioso embrulho, Robin Ellacott fica horrorizada ao descobrir que lá dentro se encontra a perna de uma mulher.
O seu chefe, o detetive privado Cormoran Strike, mostra-se menos surpreendido mas está igualmente alarmado. Strike calcula que quatro pessoas do seu passado possam ser os responsáveis e sabe que qualquer uma delas é capaz de semelhante brutalidade.
Com a polícia concentrada num suspeito que Strike considera não ser o culpado, este e Robin decidem investigar os mundos sombrios e retorcidos dos restantes três suspeitos. No entanto, à medida que se desenrolam mais acontecimentos macabros, o tempo esgota-se…
Um enredo intrincado e complexo, repleto de desenvolvimentos inesperados, A Carreira do Mal é também uma história comovente de um homem e de uma mulher que se deparam com uma encruzilhada pessoal e profissional. Não será capaz de largar este livro.

Para saber mais informações sobre este livro, aceda ao site da Editorial Presença aqui.

Novidade Marcador

O Homem de Gelo 
de John Sandford
É inverno nos bosques remotos e escuros do Wisconsin. Mas os arrepios sentidos pelo xerife local nada têm que ver com o frio da estação. A extravagância do crime que tem em mãos é nova para ele: um homem, uma mulher, uma criança, assassinados com um machete; e as cinzas da casa queimada espalham-se sobre o gelo e a neve.
Em desespero, o xerife recorre à ajuda de Lucas Davenport, um agente policial introvertido que tem uma cabana nas redondezas. Davenport aceita o convite com relutância, mas não tardará a ter motivos para lamentar tal decisão. Ao perscrutar as cinzas do caso, emergem outros crimes chocantes. Torna-se claro que o mal anda à solta naqueles bosques, um mal que lhe é estranho mas que está, ao mesmo tempo, mais perto do que ele imagina.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Convite Quetzal


Novidade Clube do Autor

Memórias de Um Escravo
de Laila Lalami
Século XVI. Para salvar a família, um homem faz um sacrifício inusitado: vende-se a si próprio como escravo. Este romance relata a história desse homem que ninguém quis escutar, a sua viagem por um continente por desbravar e a sua derradeira luta pela liberdade.
Em 1572, Mustafa parte com o seu dono, um conquistador espanhol, em busca de um novo mundo. A expedição tinha como objetivo principal encontrar o ouro e a fama em território americano. Um ano após o início da travessia marítima, a armada é praticamente dizimada. Sobrevivem apenas quatro homens - Mustafa, a quem os espanhóis chamavam Estebanico, Alonso del Castillo, Andrés Dorantes e o respetivo escravo - empenhados em conquistar o novo território.

Convite Bertrand


Novidade Bertrand

A Seta do Tempo
de Martin Amis
A história começa na América, onde Tod T. Friendly, o protagonista, vive e pratica medicina. Mais tarde, embarcará para Lisboa e daí seguirá para Auschwitz, onde será médico assistente do Tio Pepi, uma personagem inspirada na sinistra figura de Mengele.
Tod estranha o estado do mundo que habita: as pessoas ficam mais jovens (ele inclusive), a seguir ao 2 de outubro vem o 1 de outubro, e até os diálogos começam do fim e se dirigem para o início. A sua consciência – a verdadeira narradora da história – é incapaz de alterar o seu comportamento ou de o fazer compreender as implicações dos seus atos. Tod tem, de facto, dificuldade em compreender tudo o que o rodeia, mas não faz nada para mudar a situação. De vez em quando tem a visão de um homem de bata branca com botas pretas.

Novidades TopSeller



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

"O Meu Nome É Lucy Barton" de Elizabeth Strout

De leitura rápida, mas nem por isso fácil, este livro coloca-nos perante todo o sofrimento de Lucy, a personagem principal, ao voltar à sua infãncia pobre, destituída de amor. Este reviver de algumas questões mal resolvidas e sentimentos que lhe ficaram retidos, guardados no seu interior, foi uma das consequências da visita que Lucy teve quando acamada num hospital por problemas pós operatórios.

Sua mãe surge inesperadamente ao seu lado e fica alguns dias junto da sua cabeceira. Isso não seria de estranhar se a proximidade da relação não tivesse sido sanada há anos... Lucy conseguiu escapar do ambiente da sua infância que a oprimia, da falta de amor, dos seus medos que quase atingem o terror, mas essa visita inesperada lança-a novamente no mundo que a atormentou em criança. As recordações voltam e ela (re)visita a sua infància. Se bem que essas conversas que tem com sua mãe se mostrem dificeis e nenhuma fale das feridas que ainda lá estão...

Lucy viaja pelo passado mais longínquo mas também pelo mais recente. E nós também. Gostei, por isso, desta leitura que se faz rápida mas que deixa marcas. Uma vez mais retrata-se a infãncia e sua importância na formação da personalidade do ser humano. Recomendo!

Terminado em 3 de Outubro de 2016

Estrelas: 4*+

Sinopse

Lucy Barton está numa cama de hospital, a recuperar lentamente de uma cirurgia que deveria ter sido simples. As visitas do marido e das filhas são escasssas e pouco aproveitadas por Lucy. A monotonia dos dias de hospital é quebrada pela inesperada visita da mãe, que fica cinco dias sentada à sua cabeceira. Mãe e filha já não se falavam há anos, tantos quantos os que Lucy passou sem visitar a casa onde cresceu e os que a mãe passou sem a visitar em Nova Iorque, nem sequer para conhecer as netas. Reunidas, as duas trocam novidades e cochichos sobre os vizinhos de infância de Lucy, mas por baixo da superfícies plácida da conversa de circunstância pulsam a tensão e a carência que marcaram a vida de Lucy: a infância de pobreza e privação no Illinois, a vontade de ser escritora e a desconfortável sensação de não pertencer a lado nenhum, a fuga para Nova Iorque e a desintegração silenciosa do casamento, apesar da presença luminosa das filhas. Com um passado que ainda a atormenta e o presente em risco iminente de implosão, Lucy Barton tem de focar para ver mais longe e para voltar a pôr-se de pé. Mais do que uma história de mãe e filha, este é um romance sobre as distâncias por vezes insuperáveis entre pessoas que deveriam estar próximas, sobre o peso dos não-ditos no seio das relações mais íntimas e sobre a solidão que todos sentimos alguma vez na vida. A entrelaçar esta narrativa está a voz da própria Lucy: tão observadora, sábia e profundamente humana como a da escritora que lhe dá forma.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A Rapariga no Comboio: o livro e o filme

Ver um filme depois de ter lido o livro pode, às vezes, ser uma desilusão. Ou não. Geralmente é isso que faço: leio primeiro e depois vejo o filme. E gosto de ler com uma distância temporal sufuciente para não reparar nos pequenos pormenores do livro para quais, o filme, naturalmente, não tem espaço. O timing aqui n'A Rapariga no Comboio foi perfeito. Tive a oportunidade de ler o livro em versão de avanço em Maio de 2015 (podem ler a minha opinião aqui!), tempo suficiente para não me cingir aos acontecimentos que se passam no livro e que poderiam ter sido modificados na tela.
Achei o fime muito, muito interessante! Tal como o livro, conseguiu manter o suspense, colocando-nos ao lado da personagem principal, muito bem interpretada por Emily Blunt, e acompanhando o decorrer dos acontecimentos do seu ponto de vista.
Para os amantes de cinema, um filme a ver. Para os leitores, a minha sugestão é que podem ir ver à vontade, sem medos de se sentirem desiludidos pois o filme está à altura do livro. Gostei muito e agradeço à Topseller o convite para assistir à ante-estreia.




terça-feira, 4 de outubro de 2016

A Escolha do Jorge: Kallocaína

"Kallocaína" de Karin Boye (1900-1941) constitui uma das mais recentes apostas da Antígona que apresenta pela primeira vez no mercado português a mais emblemática das obras da escritora sueca. Desde a sua publicação, em 1940, "Kallocaína" tornou-se uma obra rapidamente reconhecida tornando-se num clássico moderno da literatura sueca contemporânea elevando a escritora a uma das mais emblemáticas da Suécia no século XX.
"Kallocaína" inscreve-se no contexto das mais importantes distopias publicadas ao longo do século passado. Herdeira das influências de obras como "Nós" de Zamiatine e de "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, a obra apresenta alguns dos principais pontos que mais tarde, George Orwell veio a publicar com "1984", o seu livro mais representativo publicado em 1949.
Karin Boye construiu um regime totalitário cuja originalidade assenta na fusão entre o nazismo e o comunismo reflectindo, em certa medida, o resultado da sua passagem pela Alemanha ainda durante a fase de ascensão de Hitler, assim como a visita à URSS no período estalinista. Se cada um dos regimes ditatoriais é sobejamente conhecido com todas as consequências levadas a cabo no intuito de concretizar projectos políticos alucinantes que ceifaram a vida a milhões de pessoas culminando num conflito à escala mundial, em "Kallocaína" temos um regime totalitário que arruína por completo os cidadãos reduzidos à categoria de "consoldados" do Estado, em que todos são vigiados e controlados por todos, ficando despidos de todo e qualquer sentimento e pensamento, verdadeiros homens-máquinas.
O químico Leo Kall é apresentado como figura central da narrativa, um indivíduo obediente do sistema e convicto de todo um quadro de valores defendidos pelo Estado. A missão de Leo Kall é desenvolver uma substância, um "soro da verdade", a kallocaína, que neutraliza qualquer culpado face à evidência perante a verdade e sempre em defesa e segurança do Estado.
O medo instala-se. O medo mina e corrói. A desconfiança em relação aos outros torna-se regra culminando com as sucessivas denúncias. Denunciar para evitar ser denunciado torna-se assim a arma mais poderosa do Estado que, com a ajuda da kallocaína, desumaniza todo e qualquer indivíduo, na medida em que neste estado totalitário não existe espaço para sentimentos e pensamentos, daí que a solução é torná-los públicos também. Se cada consoldado pertence ao Estado, tudo o que lhe é inerente também lhe pertence, tornando assim o Estado ainda mais forte porque é vigilante por excelência.
Os sentimentos e pensamentos tornam o homem anti-social e potencialmente revolucionário, criminoso, um inimigo do Estado que é necessário eliminar, eliminando, desta forma, a diferença entre o domínio privado e o público.
Karin Boye apresenta-nos assim uma realidade distópica assente em deformações que identificou no seu tempo, antes e durante a 2ª Guerra Mundial, tendo por base os princípios que regiam o nacional-socialismo (nazismo) e o comunismo (estalinismo) e que aniquilaram milhões de pessoas que foram perseguidas por ambos os regimes.
Mas em todas as distopias temos sempre um herói que começa a reflectir e a questionar, passando a desenvolver sentimentos relativamente aos quais não estava preparado. A grande aventura inicia com essa descoberta, embora em "Kallocaína" não exista propriamente um "happy end". Um mal maior aproxima-se e este estado totalitário acaba por ser engolido por um estado totalitário ainda mais feroz.
Visionário ou não, este romance de Karin Boye tem como subtítulo "Romance do Século XXI" e, em boa verdade, continuamos a identificar na obra inúmeras "deformações" da realidade do nosso tempo, nestas duas primeiras décadas do virar do século, constituindo um alerta face a sinais que, tendo como base a realidade histórica, poderão estar na origem de políticas verdadeiramente corrosivas e nefastas capazes de minar o mundo, como a peste, uma peste que contamina até as economias reais e virtuais à conta dos mercados e bolsas invisíveis onde o verdadeiro inimigo se esconde e ninguém sabe quem é.

Excertos:
"E quem aguentaria ver isso? Obrigado, mas não por alguém. Obrigado pelo vazio e pelo frio… o gelo total que nos ameaça a todos. Comunidade, chamam-lhe vocês… comunidade? Fundidos uns nos outros? E é isso que gritam, cada um do seu lado do abismo. Não terá havido um momento, um único, na longa evolução das gerações, em que se poderia ter escolhido um outro caminho? O caminho tem de atravessar o abismo? Nenhum momento em que se pudesse ter impedido o carro armado do Poder de avançar em direcção ao vazio? Haverá um caminho para lá da morte que conduza a uma nova vida? Haverá um lugar sagrado onde o destino se reverta?" (p. 210)

"O que sei é que pais doentes e professores doentes estão a criar crianças ainda mais doentes, até a doença se ter tornado a normalidade e a saúde uma visão assustadora. De seres solitários nascem seres ainda mais solitários, de seres amedrontados nascem outros ainda mais amedrontados… Onde poderá estar escondida uma única semente de saúde que seja, que possa crescer e romper através do carro armado?..." (p. 212)

"Sou uma pequena peça na engrenagem. Sou um ser a quem roubaram a vida… E contudo: sei agora que isto não é verdade. Deve ser a kallocaína que me dá uma esperança irracional; tudo parece fácil, claro e pacífico. Ainda estou vivo, apesar de tudo o que me roubaram, e sei agora que ‘aquilo que sou vai para algum lado’." (p. 212)

Texto da autoria de Jorge Navarro

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

"Inseparável" de Kate Hamer

Opá! Como gostei de ler este livro! Achei espectacular como a autora conseguiu, a partir daquilo que se poderia chamar "o pior receio de todas as mães", o desaparecimento de um filho, construir duas histórias que são narradas em paralelo pelos protagonistas principais e que só no final confluem uma na outra.

Carmel tem 8 anos. Desaparece e sua mãe, Beth, desespera à sua procura. No entanto, o pesadelo que poderia durar apenas e só uns longos minutos, torna-se em algo inimaginável para qualquer mãe. É levada para longe e os dias, para Beth, passam lentamente transformando-se num terror permanente. Os sentimentos desta mãe tocam o leitor e emocionam-no fortemente.

No entanto, a história de Carmel não é aquela que se espera. Creio, e isto sem contar demasiado para não defraudar espectativas, que a autora consegue manter o leitor numa ansiedade permanente pois teme-se sempre que algo de ainda mais terrível aconteça à pequena Carmel...

Muito bem conduzida, a trama deixou-me sempre expectante e mesmo sentindo que o final só poderia ser um único, ele não me desiludiu. Antes pelo contrário. Sinceramente? Adorei! Creio que vocês vão ler tão avidamente como eu o fiz. Recomendadíssima esta narrativa a duas vozes que bem poderia ter acontecido tal a verosimilhança da história!

Terminado a 30 de Setembro de 2016

Estrelas: 6*

Sinopse

Carmel é uma menina que está desaparecida. Mas não sabe que está perdida.
Depois do divórcio, Beth vive um medo constante. Acima de tudo, receia que a filha de oito anos, Carmel, com tendência para se furtar à vigilância maternal, possa desaparecer. Um dia, com efeito, o seu pior receio concretiza-se. Um sábado, numa manhã de nevoeiro, Beth leva a filha a um festival infantil ao ar livre, separam-se por breves instantes e Carmel nunca mais torna a ser vista. Vestindo o casaco vermelho de que tanto gosta e que a transforma ao mesmo tempo numa mancha reconhecível e num alvo fácil de identificar, Carmel acaba por cair nas mãos de um homem que lhe diz ser o avô há muito desaparecido. Não tendo outro remédio senão ficar entregue à sua nova família, a menina apercebe-se, à medida que os dias se transformam em semanas e meses, de que o avô possui um dom muito especial... Destroçada, Beth empreende uma busca desesperada e solitária, nunca perdendo a fé no reencontro. Carmel, por seu turno, empreende também uma estranha e angustiante viagem, que a obriga a recorrer a todo o engenho que a caracteriza desde pequena, a fim de manter sempre na sua mente (e na memória) a imagem da mãe.
Alternando entre a história de Beth e o relato de Carmel, numa prosa apaixonante e que nos deixa em suspenso até ao fim, Inseparável é um romance inesquecível.

domingo, 2 de outubro de 2016

Ao Domingo com... Ricardo Gomes

Um dia todos os novos livros serão escritos por máquinas. O leitor, palavra que deixará de existir, será mais um consumidor e poderá escolher de entre várias entidades emissoras de livros (editoras bye-bye) qual a história que quer. Escolhe a personagem principal, os amigos e inimigos, poderá escolher o ambiente em que a história se passará, se quer ser surpreendido ou se quer algo a que esteja já habituado. Os mais afoitos até terão uma hipótese de escolher algo aleatório, mas serão poucos a fazê-lo. O número de páginas, se tem erotismo ou não, se querem que a história seja semelhante à de algum autor antigo, dos que escreviam com uma pena, uma caneta ou num antigo Mac.
O consumidor vai percorrer várias opções e vai escolhendo o caminho para o seu livro. A diferença reside nas emissoras de livros, que terão menus mais ou menos elaborados, mais ou menos desfechos. Algoritmos ultra complexos, para os dias de hoje claro, criam a história em menos de 2 minutos. Sai em papel, não acreditem na treta do online. As pessoas voltarão sempre ao papel. Até porque a mesma máquina que cria os livros, os aceita de volta e recicla-os num piscar de olhos.
Claro que existirão sempre escritores humanos, mas servem apenas como termo de comparação e validação das máquinas. Em provas cegas, os consumidores terão que ler livros escritos por máquinas e por gente de carne e osso. Digo terão porque realmente existirá a obrigação de fazer parte do sistema, caso se queira ser consumidor. Confirmando-se que a máquina equivale ao mais surpreendente dos humanos, o processo continua tirando-se uma ou outra possível medida de melhoria para o sistema de emissão de livros.
Dir-se-á que os livros terão perdido o romantismo, a individualidade, a magia.
Muito possivelmente até uma rebelião virtual numa das centenas de redes sociais pode acontecer. Intitular-se-ão os românticos e apontam o dedo ao mecanicismo da escrita.
No entanto, as provas cegas serão cada vez mais elucidativas, as máquinas sabem escrever.
Até esse dia, é bom que cada um de nós tenha a oportunidade de se expressar e de pôr no papel as histórias que lhe percorrem o imaginário.
Aamir é a personagem de uma dessas histórias. Um tipo banal como eu teve a oportunidade de o criar, e de o deixar à solta nas ruas de Lisboa, onde sobrevive numa indigência banhada a álcool.

Ricardo Gomes

sábado, 1 de outubro de 2016

Na minha caixa de correio

  

  

  


Do Liga e Ganha vieram: A Duquesa de Mantua, Os Conjurados, Retrato Mortal, Caminho de Ulisses e Os Quatro Cantos do Império.
Da Alfaguara, O Meu Nome É Lucy Barton.
Da Objectiva veio  Os Amantes.
A Rainha Santa chegou pelas mãos da Esfera dos Livros.
Homens Imprudentemente Poéticos foi uma oferta da Porto Editora.
O meu obrigada a estas editoras! Chegar a casa e ser recebida quase diariamente por livros é.... :)

Na minha caixa de correio

  

  




Domingo passado fui dar uma vista de olhos pela Déja Lu, uma livraria de livros usados (em óptimo estado!) cuja venda de livros reverte a favor da Associação de Trissomia 21.
Fui dar uma vista de olhos, como disse, mas ficou-me lá o coração. Deixo algumas fotos para perceberem porquê...
Estes foram os livros que se agarraram às mãos.