Hotel Sunrise
de Victoria Hislop
Famagusta, no Chipre, é uma cidade dourada pelo calor e pela sorte, o resort mais requisitado do Mediterrâneo. Um casal ambicioso decide abrir um hotel que prime pela sua exclusividade, onde gregos e cipriotas turcos trabalhem em harmonia.
Duas famílias vizinhas, os Georgious e os Özkans, encontram-se entre os muitos que se radicaram em Famagusta para fugir aos anos de inquietação e violência étnica que proliferam na ilha. No entanto, sob a fachada de glamour e riqueza da cidade, a tensão ferve em lume brando...
Quando um golpe dos gregos lança a cidade no caos, o Chipre vê-se a braços com um conflito de proporções dramáticas. A Turquia avança para proteger a minoria cipriota turca, e Famagusta sucumbe sob os bombardeamentos. Quarenta mil pessoas fogem dos avanços das tropas.
Na cidade deserta, restam apenas duas famílias. Esta é a sua história.
sexta-feira, 20 de março de 2015
quinta-feira, 19 de março de 2015
"A Nossa Casa É Onde Está O Coração" de Toni Morrison
Já tinha pegado num livro desta autora, A Dádiva, mas larguei-o, já não sei bem porquê. Fiquei com a ideia que não tinha conseguido entrar na história e então, perdida, resolvi largá-lo. Depois de ler este livro fiquei curiosa e vou procurá-lo de novo.
As primeiras páginas lidas, expectante como estava por ter largado "A Dádiva", pareceram-me um pouco confusas. De quem e de que falavam as primeiras duas páginas escritas em itálico, escritas na primeira pessoa? Mas, a história, vinda aos poucos foi-se consolidando e eu fui ficando presa. Pedaços de vidas que nos são atirados e que vão fazendo sentido: é Frank, um homem atormentado pelos horrores da guerra da Coreia, que nos faz perceber como é difícil o seu regresso; é Cee, sua irmã, que nos relata toda a sua luta para sobreviver. É, também, todo um passado em comum que marca o presente que hoje vivem os dois, separadamente.
Mas é, sobretudo, a segregação racial vivida nessa época na América que a autora foca com profundidade. E que nos choca. Fere e magoa. Fank e Cee encontram por fim um lugar a que chamam casa, onde os seus corações sossegam e descansam. A que preço? Que deixaram para trás?
Uma leitura que deixa marcas e que recomendo. Se se sentirem perdidos, de início, continuem porque vale a pena. As peças irão encaixar-se na perfeição. E a história poderia bem ter feito parte da História, tal é a sua verosimilhança.
Terminado em 14 de Março de 2015
Estrelas: 4*+
Sinopse
Frank Money regressa da guerra da Coreia em luta com os seus fantasmas. É um homem perturbado por um profundo sentimento de culpa pelas atrocidades que se viu obrigado a cometer e pela relutância em voltar à sua cidade natal na Georgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã. Mas quando recebe uma carta avisando-o de que Cee corre risco de vida, Frank regressa, atravessando uma América dividida pela segregação. Através desta viagem, e da viagem interior que o protagonista vai fazendo, a autora dá-nos a definição do que é o lar, o lugar onde estão os nossos afetos, numa combinação entre a realidade física e social e a subtileza psicológica e emocional.
As primeiras páginas lidas, expectante como estava por ter largado "A Dádiva", pareceram-me um pouco confusas. De quem e de que falavam as primeiras duas páginas escritas em itálico, escritas na primeira pessoa? Mas, a história, vinda aos poucos foi-se consolidando e eu fui ficando presa. Pedaços de vidas que nos são atirados e que vão fazendo sentido: é Frank, um homem atormentado pelos horrores da guerra da Coreia, que nos faz perceber como é difícil o seu regresso; é Cee, sua irmã, que nos relata toda a sua luta para sobreviver. É, também, todo um passado em comum que marca o presente que hoje vivem os dois, separadamente.
Mas é, sobretudo, a segregação racial vivida nessa época na América que a autora foca com profundidade. E que nos choca. Fere e magoa. Fank e Cee encontram por fim um lugar a que chamam casa, onde os seus corações sossegam e descansam. A que preço? Que deixaram para trás?
Uma leitura que deixa marcas e que recomendo. Se se sentirem perdidos, de início, continuem porque vale a pena. As peças irão encaixar-se na perfeição. E a história poderia bem ter feito parte da História, tal é a sua verosimilhança.
Terminado em 14 de Março de 2015
Estrelas: 4*+
Sinopse
Frank Money regressa da guerra da Coreia em luta com os seus fantasmas. É um homem perturbado por um profundo sentimento de culpa pelas atrocidades que se viu obrigado a cometer e pela relutância em voltar à sua cidade natal na Georgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã. Mas quando recebe uma carta avisando-o de que Cee corre risco de vida, Frank regressa, atravessando uma América dividida pela segregação. Através desta viagem, e da viagem interior que o protagonista vai fazendo, a autora dá-nos a definição do que é o lar, o lugar onde estão os nossos afetos, numa combinação entre a realidade física e social e a subtileza psicológica e emocional.
A Escolha do Jorge: "Os Sete Loucos"
"Os Sete Loucos" é a obra mais importante do argentino Roberto Arlt publicada em 1929 e não menos revolucionária, perversa e subversiva tendo em conta as propostas como forma de reorganização social, económica e política.
O herói desta obra, Erdosan, tem vinte e quatro horas para restituir uma determinada quantia à empresa para a qual trabalha sendo este o mote para conhecer vários personagens marginais do submundo de Buenos Aires, acabando por ser envolvido no projecto da criação de uma Sociedade Secreta que substituirá o modelo vigente de então.
Já então os idealismos estavam em crise, nomeadamente o capitalismo, o comunismo e o cristianismo que já não respondiam às necessidades da sociedade, havendo a necessidade em voltar a acreditar num deus, sendo, pois, a descrença o grande problema da sociedade de então.
É neste contexto de descrença que se deverá constituir a Sociedade Secreta liderada por uma minoria que inventará uma nova religião que nada tem que ver com as religiões reveladas, ainda que funcionem enquanto tal, na medida em que a nova religião será baseada numa nova mentira muito bem contada envolvendo todos os cidadãos que passarão a acreditar novamente num deus.
A minoria detém o poder e a ciência como formas de reorganização e controlo da sociedade criando milagres apócrifos para esta mediante a tendência do momento. Só desta forma será possível levar a cabo uma revolução social em virtude da necessidade de voltar a acreditar em algo que preencha e ocupe o lugar do vazio permanente ainda que essa crença nada mais seja do que algo fabricado e conduzido pela minoria que tudo passará a controlar.
Essa minoria será constituída por aqueles que são dotados de inspiração porque têm a imaginação de criar a nova crença sendo, por essa mesma razão, os "super homens" que estão acima de quaisquer regras morais, criando, então, aquilo a que chamarão "Monstro Inocente".
É neste contexto que Erdosan, o herói de "Os Sete Loucos" se move, articulando-se com personagens peculiares e perversos como o Astrólogo, o grande mentor da Sociedade Secreta, o Rufia Melancólico, o chulo de um prostíbulo, Gregorio Barsut, o primo da mulher a quem vão extorquir dinheiro para financiar o projecto, Hipólita, a futura prostituta, entre outros marginais de Buenos Aires.
Não deixa de ser curioso que "Os Sete Loucos" foi publicado em 1929, ano em que ocorreu o Crash da Bolsa de Nova Iorque arrastando o resto do Mundo para a Grande Depressão vivida nos anos 30 e que serviu de motor para o aparecimento das ditaduras, culminando, uma década mais tarde, com a eclosão da 2ª Guerra Mundial. Depois da guerra, o Mundo ficou condicionado com a política de blocos (EUA versus URSS) e em 1989 foi derrubado o Muro de Berlim.
Atualmente vivemos confrontados com a necessidade de organizar o espaço europeu através de uma EU que condiciona cada vez mais as políticas de cada país individualmente, o que compromete seriamente a vida dos cidadãos do velho continente.
Excertos:
"Os homens só são sacudidos com mentiras. É o que dá ao falso a consciência do certo, pessoas que nunca teriam caminhado para atingir fosse o que fosse, tipos desfeitos por todas as desilusões, ressuscitam na verdade das suas mentiras. (…) Não há homem que não admita as pequenas e estúpidas mentiras que regem o funcionamento da nossa sociedade."
"- Sabe? Muitos de nós trazem em si um super homem. O super homem é a vontade no seu rendimento máximo, sobrepondo-se a todas as normas morais e executando os atos mais terríveis, como uma espécie de alegria ingénua… algo como o inocente jogo da crueldade.
- Sim e já não sentimos medo nem angústia, é como se andássemos nas nuvens.
- Claro, o ideal seria despertar em muitos homens esta ferocidade jovial e ingénua. Compete-nos inaugurar a era do Monstro Inocente. Tudo se fará, sem dúvida alguma. É uma questão de tempo e de audácia, mas quando se derem conta de que o seu espírito se afunda na latrina desta civilização, antes de se afogarem vão arrepiar caminho. O que acontece é que o homem não reparou que está doente de cobardia e de cristianismo.
- Mas, você não queria cristianizar a humanidade?
- Não, já agora… mas se esse projecto fracassar, tomaremos o caminho inverso. Nós ainda não definimos qualquer princípio e o mais prático será adoptar os mais opostos. Tal como numa farmácia, teremos as mentiras perfeitas e diversas, rotuladas para as mais fantásticas doenças do entendimento e da alma.
- Sabe que você me parece o louco da fábrica, como dizia ontem a Barsut?
- Aquilo a que chamamos loucura é a falta de hábito do pensamento dos outros. Repare, se esse carregador lhe confessasse as ideias que lhe passam pela cabeça, você fechava-o num manicómio. Naturalmente, como nós haverá poucos… o essencial é que dos nossos retiremos vitalidade e energia. Aí está a salvação.
(…)
- E a cidade será nossa (…) e seremos como deuses (…). Sabe que um dia seremos como deuses?
- É que as bestas não compreendem. Os deuses foram assassinados. Mas o dia virá em que sob o céu correrão pelos caminhos, gritando: «Amamos a Deus, precisamos de Deus». Que bárbaros! Eu não consigo perceber como é que puderam assassinar Deus. Mas nós vamos ressuscitá-lo… inventaremos uns belos deuses… supercivilizados… e que diferente será a vida!
- E se tudo fracassar?
- Não importa… virá outro… virá outro que me substituirá. Assim tem de suceder. A única coisa que devemos desejar é que a ideia germine nas imaginações… no dia em que estiver em muitas almas, sucederão coisas belas."
Texto da autoria de Jorge Navarro
O herói desta obra, Erdosan, tem vinte e quatro horas para restituir uma determinada quantia à empresa para a qual trabalha sendo este o mote para conhecer vários personagens marginais do submundo de Buenos Aires, acabando por ser envolvido no projecto da criação de uma Sociedade Secreta que substituirá o modelo vigente de então.
Já então os idealismos estavam em crise, nomeadamente o capitalismo, o comunismo e o cristianismo que já não respondiam às necessidades da sociedade, havendo a necessidade em voltar a acreditar num deus, sendo, pois, a descrença o grande problema da sociedade de então.
É neste contexto de descrença que se deverá constituir a Sociedade Secreta liderada por uma minoria que inventará uma nova religião que nada tem que ver com as religiões reveladas, ainda que funcionem enquanto tal, na medida em que a nova religião será baseada numa nova mentira muito bem contada envolvendo todos os cidadãos que passarão a acreditar novamente num deus.
A minoria detém o poder e a ciência como formas de reorganização e controlo da sociedade criando milagres apócrifos para esta mediante a tendência do momento. Só desta forma será possível levar a cabo uma revolução social em virtude da necessidade de voltar a acreditar em algo que preencha e ocupe o lugar do vazio permanente ainda que essa crença nada mais seja do que algo fabricado e conduzido pela minoria que tudo passará a controlar.
Essa minoria será constituída por aqueles que são dotados de inspiração porque têm a imaginação de criar a nova crença sendo, por essa mesma razão, os "super homens" que estão acima de quaisquer regras morais, criando, então, aquilo a que chamarão "Monstro Inocente".
É neste contexto que Erdosan, o herói de "Os Sete Loucos" se move, articulando-se com personagens peculiares e perversos como o Astrólogo, o grande mentor da Sociedade Secreta, o Rufia Melancólico, o chulo de um prostíbulo, Gregorio Barsut, o primo da mulher a quem vão extorquir dinheiro para financiar o projecto, Hipólita, a futura prostituta, entre outros marginais de Buenos Aires.
Não deixa de ser curioso que "Os Sete Loucos" foi publicado em 1929, ano em que ocorreu o Crash da Bolsa de Nova Iorque arrastando o resto do Mundo para a Grande Depressão vivida nos anos 30 e que serviu de motor para o aparecimento das ditaduras, culminando, uma década mais tarde, com a eclosão da 2ª Guerra Mundial. Depois da guerra, o Mundo ficou condicionado com a política de blocos (EUA versus URSS) e em 1989 foi derrubado o Muro de Berlim.
Atualmente vivemos confrontados com a necessidade de organizar o espaço europeu através de uma EU que condiciona cada vez mais as políticas de cada país individualmente, o que compromete seriamente a vida dos cidadãos do velho continente.
Excertos:
"Os homens só são sacudidos com mentiras. É o que dá ao falso a consciência do certo, pessoas que nunca teriam caminhado para atingir fosse o que fosse, tipos desfeitos por todas as desilusões, ressuscitam na verdade das suas mentiras. (…) Não há homem que não admita as pequenas e estúpidas mentiras que regem o funcionamento da nossa sociedade."
"- Sabe? Muitos de nós trazem em si um super homem. O super homem é a vontade no seu rendimento máximo, sobrepondo-se a todas as normas morais e executando os atos mais terríveis, como uma espécie de alegria ingénua… algo como o inocente jogo da crueldade.
- Sim e já não sentimos medo nem angústia, é como se andássemos nas nuvens.
- Claro, o ideal seria despertar em muitos homens esta ferocidade jovial e ingénua. Compete-nos inaugurar a era do Monstro Inocente. Tudo se fará, sem dúvida alguma. É uma questão de tempo e de audácia, mas quando se derem conta de que o seu espírito se afunda na latrina desta civilização, antes de se afogarem vão arrepiar caminho. O que acontece é que o homem não reparou que está doente de cobardia e de cristianismo.
- Mas, você não queria cristianizar a humanidade?
- Não, já agora… mas se esse projecto fracassar, tomaremos o caminho inverso. Nós ainda não definimos qualquer princípio e o mais prático será adoptar os mais opostos. Tal como numa farmácia, teremos as mentiras perfeitas e diversas, rotuladas para as mais fantásticas doenças do entendimento e da alma.
- Sabe que você me parece o louco da fábrica, como dizia ontem a Barsut?
- Aquilo a que chamamos loucura é a falta de hábito do pensamento dos outros. Repare, se esse carregador lhe confessasse as ideias que lhe passam pela cabeça, você fechava-o num manicómio. Naturalmente, como nós haverá poucos… o essencial é que dos nossos retiremos vitalidade e energia. Aí está a salvação.
(…)
- E a cidade será nossa (…) e seremos como deuses (…). Sabe que um dia seremos como deuses?
- É que as bestas não compreendem. Os deuses foram assassinados. Mas o dia virá em que sob o céu correrão pelos caminhos, gritando: «Amamos a Deus, precisamos de Deus». Que bárbaros! Eu não consigo perceber como é que puderam assassinar Deus. Mas nós vamos ressuscitá-lo… inventaremos uns belos deuses… supercivilizados… e que diferente será a vida!
- E se tudo fracassar?
- Não importa… virá outro… virá outro que me substituirá. Assim tem de suceder. A única coisa que devemos desejar é que a ideia germine nas imaginações… no dia em que estiver em muitas almas, sucederão coisas belas."
Texto da autoria de Jorge Navarro
quarta-feira, 18 de março de 2015
"A Casa das Rosas" de Andréa Zamorano
Começando por um primeiro capítulo que nos deixa em choque e intrigados porque não o entendemos na perfeição, esta obra prende de imediato.
As primeiras páginas decidem muitas vezes a disposição que tenho perante um livro: ou devoro-o ou vou lendo mais calmamente. Neste caso não houve dúvidas. As páginas passaram a voar, tanto mais que o primeiro narrador, fazendo um relato na primeira pessoa, introduz um mistério que me deixou curiosa. No final, desvendado que estava, fui reler as duas primeiras páginas. Gostei de o fazer. Pormenores que se encaixaram, pequenas peças que fizeram todo o sentido.
Alternando de narrador, de espaço temporal e até de assunto, por vezes na mesma página, sem que o leitor se perca na leitura, este livro é uma delícia. Mistura também ficção, algo mágica, com pequenos eventos verdadeiros que nos são explicados em notas de pé de página.
A trama passa-se no Brasil, mais propriamente em São Paulo, por volta de 1983. A sinopse é suficientemente elucidativa, sem que avance pormenores e conte a história, pelo que aconselho a sua leitura. Uma mãe que se separa da filha, sem sabermos porquê, um pai tirano/amoroso (demais?), um bicho que fala, um mistério por desvendar...
Recomendo vivamente esta leitura. Gostei muito e não fora a quantidade industrial de livros em lista de espera, teria todo o gosto em lê-lo de novo. Iria certamente encontrar novas forma de me enfeitiçar pelas palavras da autora, que desconhecia, e que talvez possa encontrar por aqui na capital... (A autora é brasileira e mora entre nós há muitos anos possuindo um espaço de restauração). Leiam, se puderem!
Terminado em 13 de Março de 2015
Estrelas: 5*
Sinopse
Esta é a história extraordinária de Eulália, uma jovem da classe média de São Paulo. Os inusitados acontecimentos que marcam a sua vida nesse período épico da vida brasileira, entre 1983 e 1984 (a campanha das eleições diretas, marco no combate pela democracia), vão transportar o leitor para um mundo onde realidade e fantasia coexistem e se entrelaçam. Ao longo dessa história, haverá uma mãe desaparecida, um vestido de noiva, um detetive solitário, um jardineiro que sabe demais, um deputado poderoso, um perfume de rosas, uma fuga através da cidade em chamas, um animal que fala, um fantasma que aparece e desaparece, um poeta mexicano que só mais tarde irá surgir nos livros de Roberto Bolaño, um português dono de um boteco em São Paulo - e um final empolgante e inesperado.
A estreia de uma autora brasileira a viver em Portugal há longos anos.
O cruzamento de duas ortografias da mesma língua.
As primeiras páginas decidem muitas vezes a disposição que tenho perante um livro: ou devoro-o ou vou lendo mais calmamente. Neste caso não houve dúvidas. As páginas passaram a voar, tanto mais que o primeiro narrador, fazendo um relato na primeira pessoa, introduz um mistério que me deixou curiosa. No final, desvendado que estava, fui reler as duas primeiras páginas. Gostei de o fazer. Pormenores que se encaixaram, pequenas peças que fizeram todo o sentido.
Alternando de narrador, de espaço temporal e até de assunto, por vezes na mesma página, sem que o leitor se perca na leitura, este livro é uma delícia. Mistura também ficção, algo mágica, com pequenos eventos verdadeiros que nos são explicados em notas de pé de página.
A trama passa-se no Brasil, mais propriamente em São Paulo, por volta de 1983. A sinopse é suficientemente elucidativa, sem que avance pormenores e conte a história, pelo que aconselho a sua leitura. Uma mãe que se separa da filha, sem sabermos porquê, um pai tirano/amoroso (demais?), um bicho que fala, um mistério por desvendar...
Recomendo vivamente esta leitura. Gostei muito e não fora a quantidade industrial de livros em lista de espera, teria todo o gosto em lê-lo de novo. Iria certamente encontrar novas forma de me enfeitiçar pelas palavras da autora, que desconhecia, e que talvez possa encontrar por aqui na capital... (A autora é brasileira e mora entre nós há muitos anos possuindo um espaço de restauração). Leiam, se puderem!
Terminado em 13 de Março de 2015
Estrelas: 5*
Sinopse
Esta é a história extraordinária de Eulália, uma jovem da classe média de São Paulo. Os inusitados acontecimentos que marcam a sua vida nesse período épico da vida brasileira, entre 1983 e 1984 (a campanha das eleições diretas, marco no combate pela democracia), vão transportar o leitor para um mundo onde realidade e fantasia coexistem e se entrelaçam. Ao longo dessa história, haverá uma mãe desaparecida, um vestido de noiva, um detetive solitário, um jardineiro que sabe demais, um deputado poderoso, um perfume de rosas, uma fuga através da cidade em chamas, um animal que fala, um fantasma que aparece e desaparece, um poeta mexicano que só mais tarde irá surgir nos livros de Roberto Bolaño, um português dono de um boteco em São Paulo - e um final empolgante e inesperado.
A estreia de uma autora brasileira a viver em Portugal há longos anos.
O cruzamento de duas ortografias da mesma língua.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Resultado do Passatempo "A Nossa Casa é Onde Está o Coração"
E quem foi a vencedora deste livro que apetece devorar?
O Sr. Random.Org escolheu o n* 39 dos 389 participantes/ seguidores do blogue pelo que só me resta dar os parabéns à .vencedora e anunciar quem foi a felizarda:
- Maria Salete Saleiro de Alenquer
Muitos parabéns! Vais receber em breve um exemplar e espero que passes óptimos momentos de leitura!
Para mais informações sobre o livro ver Editorial Presença aqui!
O Sr. Random.Org escolheu o n* 39 dos 389 participantes/ seguidores do blogue pelo que só me resta dar os parabéns à .vencedora e anunciar quem foi a felizarda:
- Maria Salete Saleiro de Alenquer
Muitos parabéns! Vais receber em breve um exemplar e espero que passes óptimos momentos de leitura!
Para mais informações sobre o livro ver Editorial Presença aqui!
sábado, 14 de março de 2015
sexta-feira, 13 de março de 2015
Novidade Porto Editora
Hotel Sunrise de Victoria Hislop
Famagusta, no Chipre, é uma cidade dourada pelo calor e pela sorte, o resort mais requisitado do Mediterrâneo. Um casal ambicioso decide abrir um hotel que prime pela sua exclusividade, onde gregos e cipriotas turcos trabalhem em harmonia.
Duas famílias vizinhas, os Georgious e os Özkans, encontram-se entre os muitos que se radicaram em Famagusta para fugir aos anos de inquietação e violência étnica que proliferam na ilha. No entanto, sob a fachada de glamour e riqueza da cidade, a tensão ferve em lume brando...
Quando um golpe dos gregos lança a cidade no caos, o Chipre vê-se a braços com um conflito de proporções dramáticas. A Turquia avança para proteger a minoria cipriota turca, e Famagusta sucumbe sob os bombardeamentos. Quarenta mil pessoas fogem dos avanços das tropas.
Na cidade deserta, restam apenas duas famílias. Esta é a sua história.
Novidade Marcador
A Canção dos Maorisde Sarah Lark
Elaine e Kura movem-se entre as suas raízes britânicas e o apelo ao povo Maori, forjando o próprio destino ultrapassando as circunstâncias da vida numa terra paradisíaca.
Esta é a história de duas primas completamente diferentes, mas com uma coisa em comum: a sua força interior.
Kura com ascendência maori tem uma atitude diferente perante a vida e perante os homens, é muito mais despreocupada. O campo não lhe desperta qualquer interesse, apesar de ser herdeira da quinta do seu pai. O seu grande desejo é tornar-se uma grande cantora. Enquanto Elaine, herdou da sua avó, o carácter e o gosto pela criação de ovelhas e por passear a cavalo. Mas as suas escolhas amorosas recam sempre em homens errados, o que faz dela uma mulher desencantada.
A relação entre as duas mulheres não é a melhor porque Elaine inveja a beleza e a arte de sedução de Kura. Mas a vida dá muitas voltas e acabam por partilhar uma vida de luta e conquista numa pequena cidade mineira isolada do mundo.
Novidade Companhia das Letras
FIMde Fernanda Torres
Cinco amigos cariocas, velhos, vêem o fim aproximar-se a passos largos. Quase a cortar a meta da vida, recordam paixões e traições antigas, cobardias e vergonhas, manias e inibições. No Rio de Janeiro dos anos 60, onde se conheceram, uniu-os a folia, as festas de álcool, mulheres e droga. Pelo meio, aconteceu a vida: casamentos, separações, filhos, contas por pagar, sonhos por cumprir. Além de um passado de excessos e de um presente de frustrações, pouco têm em comum. Álvaro vive sozinho, passa o tempo de médico em médico e não suporta a ex-mulher. Sílvio é um drogado que não larga os vícios nem na velhice. Ribeiro é um rabo-de-saia atlético que ganhou nova vida ao descobrir o Viagra. Neto é o chato da turma, marido fiel até ao último dia. E Ciro, o Don Juan invejado por todos — mas o primeiro a cair. À volta destes cavaleiros cariocas, movem-se as mulheres — esposas, amantes, filhas e mães — amargas, neuróticas, ternurentas, sedutoras, enganadas e resignadas.
Juntos compõem um mosaico do Rio de antes e de agora. Há graça, sexo, sol e praia nas páginas de Fim., mas também há melancolia. Fernanda Torres, premiada actriz, estreia-se nas letras com um romance fora de série: sagaz, viril, profundo, cru, pleno de humor e vitalidade. Um livro que vai e vem como a vida e a morte: sem desculpas.
quinta-feira, 12 de março de 2015
A Escolha do Jorge: O Livro de Jón
"O Livro de Jón" do islandês Ófeigur Sigurðsson (n. 1975) é a mais recente aposta da Cavalo de Ferro no que respeita à literatura daquele país no seguimento de outros autores que publicou anteriormente, nomeadamente Hálldor Laxness, Sjón, Thor Vilhjálmsson e mais recentemente Jón Kalman Stefánsson. "O Livro de Jón" valeu a Ófeigur Sigurðsson a atribuição do Prémio da União Europeia para a Literatura.
Baseado nas crónicas de Jón Steingrímsson (1728-1791) que ficou conhecido por «reverendo do fogo» por ter permanecido na região de Síða, no Sul da Islândia, aquando da erupção vulcânica do Katla, em 1755, recolhendo informação sobre o acontecimento, por um lado, e ajudando a população a enfrentar a calamidade, por outro.
"Todos os autores de relatórios concordam que a caldeira do Katla no glaciar de Mýrdalur começou a vomitar a 17 de Outubro de 1755, antes do meio-dia, mais concretamente às dez horas, no seguimento de um grande terramoto. Anteriormente, no dia 11 de Setembro, terramotos tinham abalado a região norte, tendo sido originados na ravina do Katla (…) Ninguém o põe em causa. Eu também gostaria de culpar o Katla pela severidade gelada na Primavera e no Verão no Norte do país, pelo mau clima, pela debilidade, pela proliferação de insectos, pelos danos sobre o feno e, consequentemente, pelas mortes e fome…" (p. 103)
Numa época em que a Islândia enfrentava a necessidade de aumentar a sua população, o país-ilha depara-se com algumas erupções vulcânicas que vitimam mortalmente muitas pessoas e animais, diminuindo drasticamente a área dedicada à prática da agricultura que dependia da Dinamarca no que
respeita a meios técnicos para o efeito.
Apresentando uma população entregue a si própria e totalmente dependente da Dinamarca em termos políticos à qual paga pesados tributos, a Islândia sente a necessidade de reverter a situação apostando fortemente na educação, dotando a população de conhecimentos científicos capazes de desenvolver o país, libertando-se do jugo do país dominador.
Neste sentido, "O Livro de Jón" incide inúmeras vezes na necessidade de valorizar o ensino tirando a população da ignorância, tornando-a capaz de encarar o país como um projeto comum. São várias as passagens da obra que fazem alusão, primeiro à constatação da ignorância em que vive a população e a necessidade de alterar essa situação. A ausência de estudos e de conhecimentos produz reações características quando em confronto com situações de calamidade como é o caso da erupção vulcânica evidenciada na seguinte passagem: "As pessoas acreditam na aproximação do Dia do Juízo Final e entram em pânico com todos os seus pecados e assuntos mal resolvidos ao longo da vida, ou simplesmente não sabem o que se passa."(p. 102)
Em resposta à constatação evidenciada acima, "O bispo ficou chocado com a situação porque faz um grande esforço para aumentar a educação no país e elevar os padrões. Ele teve de ver com desgosto todos aqueles labregos nos cargos, fossem eles pastores, meirinhos ou outros, porque eles não faziam nada pela educação, nem por si mesmos, nem pela comunidade." (pp. 137-138)
É precisamente esta ignorância que é necessário combater de modo a libertar todo um povo da sua condição de subserviência. Como refere Ófeigur Sigurðsson na décima primeira carta desta obra, "(…) A ignorância é o pior crime, e o mais prolongado… criado com a ignorância… tão, tão
prolongado…" (p. 69).
Nesta linha de pensamento, também Thor Vilhjálmssom, outro autor islandês, na sua obra "Arde o Musgo Cinzento" (Cavalo de Ferro) faz igualmente alusão à ignorância como um dos principais inimigos da humanidade quando refere "No conhecimento é que está o poder. Que vos tornará livres. A ignorância é o pior tirano da humanidade, um demónio." (p. 78)
É neste sentido que Jón Steingrímsson, o personagem principal da obra, toma consciência da importância do seu papel no contexto da crise vulcânica não só como contributo para as gerações futuras no tocante à História da Islândia enquanto testemunha ocular dos acontecimentos, mas
também de que forma as suas observações podem dar o seu contributo para a ciência. Do mesmo modo, também foram recolhidos outros testemunhos junto da população que têm como objetivo a compreensão mais abrangente da erupção vulcânica enquanto fenómeno da natureza.
"As pessoas disseram que, pouco antes do aparecimento do fogo, tinham ficado com os ouvidos entupidos, sentiram um fedor frio a enxofre e que os rios inicialmente secaram e depois voltaram a correr. Isto foi sempre um sinal de actividade vulcânica. A seguir, o fogo abre um buraco no gelo, por entre o qual cai a água, provocando terramotos.
(…)
Eu, como estudioso autodidacta da passagem do tempo e da História, tenho a obrigação de descrever a erupção num relatório pormenorizado, de acordo com a verdade, sem exageros, uma vez que sou testemunha e porque vejo com os meus próprios olhos e ouço com os meus ouvidos, cheiro com o meu nariz, (…), de modo que a minha boca, a minha mente e a minha mão deixem apenas o justo testemunho, em interesse da ciência, de toda a realidade vista para completar a história de Hellar."
(pp. 83-84)
É esta recolha de informação, este olhar atento que conduz ao desenvolvimento científico, transformando gradualmente a ciência naquilo que conhecemos nos nossos dias.
"E. & B. trabalham arduamente para terminarem o relatório sobre a erupção do Katla, embora esta continue sem cessar, e apressam-se a terminar as medições e os registos para os enviarem à Sociedade Científica em Copenhaga, onde será impresso, enquanto ainda prevalece a sede de conhecimento pelo desastre natural. Os antecedentes, sob a forma de terramotos, são já conhecidos, além de trabalharem em descrições quotidianas. Assim, são exploradas as consequências que o fogo e a cheia glacial têm sobre as terras, as quintas e as pessoas." (p. 101)
"O Livro de Jón" é igualmente um livro importante na medida em que é um reflexo da cultura e mentalidade não só da Islândia, mas também dos países nórdicos em geral, na medida em que há inúmeros pontos em comum entre os vários países setentrionais, nomeadamente a melancolia (ou a "angst nórdica") a que tantas vezes aqueles países estão associados.
Ófeigur Sigurðsson ilustra com uma passagem exemplar a questão da melancolia nórdica que passamos a citar: "A melancolia existe por si só, mas é a causa e consequência de outras emoções, como a tristeza / alegria / apatia / desinteresse / preguiça / mas também actua com fervor e excessivo consumo de aguardente. Há tristeza que anseia por tristeza. A melancolia parece-me uma tristeza nórdica, uma ternura dolorosa ou uma felicidade na mágoa." (p. 92)
A par da melancolia, Ófeigur Sigurðsson também nos oferece momentos de humor e ironia tipicamente nórdica, expressando um sentido de humor muito próprio. Uma vezes mais velada, outras mais evidente, o excerto sobre a difamação é provavelmente o momento mais hilariante de "O Livro de Jón" cujo excerto a seguir é capaz de nos fazer rir.
"A única coisa que cresce e prospera nesta altura do ano é a difamação (...) e o pior é que as calúnias não são o nome de um sumarento fruto da terra que pode ser comido. Caem mal no estômago..."
(...)
Se eu ingerisse o que os meus inimigos dizem sobre mim, ficaria com um buraco na barriga de tal modo grande que imediatamente morreria com o seu veneno; inclino-me a acreditar que algumas pessoas recebem gratificações do diabo para lesarem a minha honra, tendo em conta as muitas horas e persistência que a isso dedicam.
(…)
Sugiro que eu, o Eggert e Bjarni publiquemos uma obra literária sobre a difamação, que se poderia
chamar:
Da falta de ligação da difamação à verdade
& como ela vive do tédio & viaja entre as pessoas como vermes
& procura a saciedade nas incredulidade e estupidez,
mas como a educação limpará
os intestinos" (pp. 86-87)
No seguimento do excerto acima, "O Livro de Jón" revisita em inúmeros aspetos um outro clássico da literatura nórdica, "A Saga de Gösta Berling" da nobelizada Selma Lagerlöf (1858-1940), em que as questões relacionadas com o fantástico também estão aqui presentes nesta obra de Ófeigur Sigurðsson. Há momentos em que é difícil separar a realidade da ficção e/ou fantasia ao ponto de uma boa parte da população considerar o diabo como uma figura/personagem real que de alguma forma interage com as pessoas de modo a influenciar as suas relações do mesmo modo que o ferreiro Sintram, vestido de diabo, pretende assinar um pacto de sangue com Gösta Berling, este que se tornou uma referência não só da literatura como do imaginário nórdicos em geral.
Em jeito de conclusão, "O Livro de Jón" de Ófeigur Sigurðsson segue em linha com "Paraíso e Inferno" de um outro autor islandês, Jón Kalman Stefánsson, no que respeita à amizade e amor pelo próximo, tendo os livros como um antídoto à solidão e à redenção dos homens.
Texto da autoria de Jorge Navarro
Baseado nas crónicas de Jón Steingrímsson (1728-1791) que ficou conhecido por «reverendo do fogo» por ter permanecido na região de Síða, no Sul da Islândia, aquando da erupção vulcânica do Katla, em 1755, recolhendo informação sobre o acontecimento, por um lado, e ajudando a população a enfrentar a calamidade, por outro.
"Todos os autores de relatórios concordam que a caldeira do Katla no glaciar de Mýrdalur começou a vomitar a 17 de Outubro de 1755, antes do meio-dia, mais concretamente às dez horas, no seguimento de um grande terramoto. Anteriormente, no dia 11 de Setembro, terramotos tinham abalado a região norte, tendo sido originados na ravina do Katla (…) Ninguém o põe em causa. Eu também gostaria de culpar o Katla pela severidade gelada na Primavera e no Verão no Norte do país, pelo mau clima, pela debilidade, pela proliferação de insectos, pelos danos sobre o feno e, consequentemente, pelas mortes e fome…" (p. 103)
Numa época em que a Islândia enfrentava a necessidade de aumentar a sua população, o país-ilha depara-se com algumas erupções vulcânicas que vitimam mortalmente muitas pessoas e animais, diminuindo drasticamente a área dedicada à prática da agricultura que dependia da Dinamarca no que
respeita a meios técnicos para o efeito.
Apresentando uma população entregue a si própria e totalmente dependente da Dinamarca em termos políticos à qual paga pesados tributos, a Islândia sente a necessidade de reverter a situação apostando fortemente na educação, dotando a população de conhecimentos científicos capazes de desenvolver o país, libertando-se do jugo do país dominador.
Neste sentido, "O Livro de Jón" incide inúmeras vezes na necessidade de valorizar o ensino tirando a população da ignorância, tornando-a capaz de encarar o país como um projeto comum. São várias as passagens da obra que fazem alusão, primeiro à constatação da ignorância em que vive a população e a necessidade de alterar essa situação. A ausência de estudos e de conhecimentos produz reações características quando em confronto com situações de calamidade como é o caso da erupção vulcânica evidenciada na seguinte passagem: "As pessoas acreditam na aproximação do Dia do Juízo Final e entram em pânico com todos os seus pecados e assuntos mal resolvidos ao longo da vida, ou simplesmente não sabem o que se passa."(p. 102)
Em resposta à constatação evidenciada acima, "O bispo ficou chocado com a situação porque faz um grande esforço para aumentar a educação no país e elevar os padrões. Ele teve de ver com desgosto todos aqueles labregos nos cargos, fossem eles pastores, meirinhos ou outros, porque eles não faziam nada pela educação, nem por si mesmos, nem pela comunidade." (pp. 137-138)
É precisamente esta ignorância que é necessário combater de modo a libertar todo um povo da sua condição de subserviência. Como refere Ófeigur Sigurðsson na décima primeira carta desta obra, "(…) A ignorância é o pior crime, e o mais prolongado… criado com a ignorância… tão, tão
prolongado…" (p. 69).
Nesta linha de pensamento, também Thor Vilhjálmssom, outro autor islandês, na sua obra "Arde o Musgo Cinzento" (Cavalo de Ferro) faz igualmente alusão à ignorância como um dos principais inimigos da humanidade quando refere "No conhecimento é que está o poder. Que vos tornará livres. A ignorância é o pior tirano da humanidade, um demónio." (p. 78)
É neste sentido que Jón Steingrímsson, o personagem principal da obra, toma consciência da importância do seu papel no contexto da crise vulcânica não só como contributo para as gerações futuras no tocante à História da Islândia enquanto testemunha ocular dos acontecimentos, mas
também de que forma as suas observações podem dar o seu contributo para a ciência. Do mesmo modo, também foram recolhidos outros testemunhos junto da população que têm como objetivo a compreensão mais abrangente da erupção vulcânica enquanto fenómeno da natureza.
"As pessoas disseram que, pouco antes do aparecimento do fogo, tinham ficado com os ouvidos entupidos, sentiram um fedor frio a enxofre e que os rios inicialmente secaram e depois voltaram a correr. Isto foi sempre um sinal de actividade vulcânica. A seguir, o fogo abre um buraco no gelo, por entre o qual cai a água, provocando terramotos.
(…)
Eu, como estudioso autodidacta da passagem do tempo e da História, tenho a obrigação de descrever a erupção num relatório pormenorizado, de acordo com a verdade, sem exageros, uma vez que sou testemunha e porque vejo com os meus próprios olhos e ouço com os meus ouvidos, cheiro com o meu nariz, (…), de modo que a minha boca, a minha mente e a minha mão deixem apenas o justo testemunho, em interesse da ciência, de toda a realidade vista para completar a história de Hellar."
(pp. 83-84)
É esta recolha de informação, este olhar atento que conduz ao desenvolvimento científico, transformando gradualmente a ciência naquilo que conhecemos nos nossos dias.
"E. & B. trabalham arduamente para terminarem o relatório sobre a erupção do Katla, embora esta continue sem cessar, e apressam-se a terminar as medições e os registos para os enviarem à Sociedade Científica em Copenhaga, onde será impresso, enquanto ainda prevalece a sede de conhecimento pelo desastre natural. Os antecedentes, sob a forma de terramotos, são já conhecidos, além de trabalharem em descrições quotidianas. Assim, são exploradas as consequências que o fogo e a cheia glacial têm sobre as terras, as quintas e as pessoas." (p. 101)
"O Livro de Jón" é igualmente um livro importante na medida em que é um reflexo da cultura e mentalidade não só da Islândia, mas também dos países nórdicos em geral, na medida em que há inúmeros pontos em comum entre os vários países setentrionais, nomeadamente a melancolia (ou a "angst nórdica") a que tantas vezes aqueles países estão associados.
Ófeigur Sigurðsson ilustra com uma passagem exemplar a questão da melancolia nórdica que passamos a citar: "A melancolia existe por si só, mas é a causa e consequência de outras emoções, como a tristeza / alegria / apatia / desinteresse / preguiça / mas também actua com fervor e excessivo consumo de aguardente. Há tristeza que anseia por tristeza. A melancolia parece-me uma tristeza nórdica, uma ternura dolorosa ou uma felicidade na mágoa." (p. 92)
"A única coisa que cresce e prospera nesta altura do ano é a difamação (...) e o pior é que as calúnias não são o nome de um sumarento fruto da terra que pode ser comido. Caem mal no estômago..."
(...)
Se eu ingerisse o que os meus inimigos dizem sobre mim, ficaria com um buraco na barriga de tal modo grande que imediatamente morreria com o seu veneno; inclino-me a acreditar que algumas pessoas recebem gratificações do diabo para lesarem a minha honra, tendo em conta as muitas horas e persistência que a isso dedicam.
(…)
Sugiro que eu, o Eggert e Bjarni publiquemos uma obra literária sobre a difamação, que se poderia
chamar:
Da falta de ligação da difamação à verdade
& como ela vive do tédio & viaja entre as pessoas como vermes
& procura a saciedade nas incredulidade e estupidez,
mas como a educação limpará
os intestinos" (pp. 86-87)
No seguimento do excerto acima, "O Livro de Jón" revisita em inúmeros aspetos um outro clássico da literatura nórdica, "A Saga de Gösta Berling" da nobelizada Selma Lagerlöf (1858-1940), em que as questões relacionadas com o fantástico também estão aqui presentes nesta obra de Ófeigur Sigurðsson. Há momentos em que é difícil separar a realidade da ficção e/ou fantasia ao ponto de uma boa parte da população considerar o diabo como uma figura/personagem real que de alguma forma interage com as pessoas de modo a influenciar as suas relações do mesmo modo que o ferreiro Sintram, vestido de diabo, pretende assinar um pacto de sangue com Gösta Berling, este que se tornou uma referência não só da literatura como do imaginário nórdicos em geral.
Em jeito de conclusão, "O Livro de Jón" de Ófeigur Sigurðsson segue em linha com "Paraíso e Inferno" de um outro autor islandês, Jón Kalman Stefánsson, no que respeita à amizade e amor pelo próximo, tendo os livros como um antídoto à solidão e à redenção dos homens.
Texto da autoria de Jorge Navarro
quarta-feira, 11 de março de 2015
Resultado do Passatempo Quinta Essência/ Especial Dia dos Namorados
Consultados os astros, aliás o Sr. Random.Org, anunciamos o vencedor do livro "Todos os Teus Beijos" de Laura Lee Guhrke, oferta gentil da Editora Quinta Essência. Dos 271 participantes foi seleccionado o número:
N* 136 - Ana Rita Bastos de Vila Cova de Perrinho
Este livro será enviado pela Editora logo que possível.
E o vencedor escolhido que completou a frase: "Todos os teus beijos..." que mais me agradou e que vai receber um exemplar de "À Beira do Lago Encantado" de Barbara Cartland, foi:- Filipa Abreu de Abraveses, Viseu.
A frase simples ficou-me marcada e quando cheguei ao fim da leitura de todas as frases enviadas, essa perdurou. A opinião, como acontece nestes casos, é subjectiva.
"Todos os teus beijos são livros novos por abrir, uma felicidade."
O livro será enviado por mim durante a próxima semana.
terça-feira, 10 de março de 2015
A Convidada Escolhe: Ana de Castro Osório
"Ana de Castro Osório" do investigador Dr. João Esteves é uma obra sobre a escritora e pedagoga, divulgadora de literatura para crianças, editora, propagandista republicana e principal dirigente e ideóloga do movimento feminista em Portugal que foi Ana de Castro Osório.
Começa por indicar cronologicamente todos os factos relacionados com a vida e época de Ana de Castro Osório desde o nascimento de seus pais até à sua morte em 1935. Seguidamente segue todo o percurso de vida desta mulher que foi conhecida e reconhecida na sua época tendo tido uma enorme projeção durante 40 anos, apresentando " Perfil de uma vida", "Vivências familiares e geográficas", "A educação cívica e patriótica", As metamorfoses feministas de Ana de Castro Osório", " O desígnio nacional e patriótico: a Cruzada das Mulheres Portuguesas", "Ana de Castro Osório literata contradiz Ana de Castro Osório feminista" e por fim o "Epílogo". O livro inclui ainda Notas e uma antologia de textos de Ana de Castro Osório publicados na imprensa.
É um livro com interesse para quem tem curiosidade ou gosta de temas relacionados com as mulheres que de uma forma ou de outra se destacaram na 1ª. República.
Mas não só, Ana de Castro Osório muito dedicada à causa republicana e à causa feminista, era sobretudo humanista e intelectual. Escritora de dimensão nacional e internacional, foi à literatura para crianças que se dedicou com mais continuidade. Foi a primeira pessoa que, em Portugal, escreveu para crianças, contos originais e traduções, pelo que é considerada a criadora da literatura infantil. Desde cedo que se interessou pela recolha de temas e contos da nossa tradição oral empenhando-se na sua transposição para a escrita, de que resultou uma valiosa obra de literatura tradicional de transcrição oral.
Ana de Castro Osório é considerada, também, uma das intelectuais mais marcantes do seu tempo, com uma vasta biografia, pelo que será sempre interessante ler tudo o que a ela diga respeito, como é o caso deste livro.
Maria Fernanda Pinto
Começa por indicar cronologicamente todos os factos relacionados com a vida e época de Ana de Castro Osório desde o nascimento de seus pais até à sua morte em 1935. Seguidamente segue todo o percurso de vida desta mulher que foi conhecida e reconhecida na sua época tendo tido uma enorme projeção durante 40 anos, apresentando " Perfil de uma vida", "Vivências familiares e geográficas", "A educação cívica e patriótica", As metamorfoses feministas de Ana de Castro Osório", " O desígnio nacional e patriótico: a Cruzada das Mulheres Portuguesas", "Ana de Castro Osório literata contradiz Ana de Castro Osório feminista" e por fim o "Epílogo". O livro inclui ainda Notas e uma antologia de textos de Ana de Castro Osório publicados na imprensa.
É um livro com interesse para quem tem curiosidade ou gosta de temas relacionados com as mulheres que de uma forma ou de outra se destacaram na 1ª. República.
Mas não só, Ana de Castro Osório muito dedicada à causa republicana e à causa feminista, era sobretudo humanista e intelectual. Escritora de dimensão nacional e internacional, foi à literatura para crianças que se dedicou com mais continuidade. Foi a primeira pessoa que, em Portugal, escreveu para crianças, contos originais e traduções, pelo que é considerada a criadora da literatura infantil. Desde cedo que se interessou pela recolha de temas e contos da nossa tradição oral empenhando-se na sua transposição para a escrita, de que resultou uma valiosa obra de literatura tradicional de transcrição oral.
Ana de Castro Osório é considerada, também, uma das intelectuais mais marcantes do seu tempo, com uma vasta biografia, pelo que será sempre interessante ler tudo o que a ela diga respeito, como é o caso deste livro.
Maria Fernanda Pinto
segunda-feira, 9 de março de 2015
"Últimos Ritos" de Hannah Kent
Recomendado por uma amiga, este romance de estreia de Hannah Kent conquistou-me logo ao fim de poucas páginas lidas.
Na capa, uma dica de como iria ser o conteúdo: "Os últimos dias de uma jovem acusada de homicídio na Islândia de 1829". Ora, assim sendo como posso ter passado toda esta leitura esperando um outro final? Esperando que não fossem mesmo "os últimos dias"? Só o posso explicar recorrendo à forte empatia que senti por essa jovem, Agnes, de seu nome! E isso deveu-se sobretudo à escrita envolvente da autora e aos pormenores que presentimos verídicos em toda a história (e que no final verificamos estarem corretos) que nos fazem esperar uma mudança ao fim anunciado. A tensão a que o leitor é sujeito por não saber se a protagonista é ou não culpada do crime que ē acusada, leva a não querer levantar os olhos desta narrativa tão empolgante!
Alternando capítulos com um narrador indefinido, escrito na terceira pessoa, e outros em que é a própria Agnes a contar a sua história, este livro consegue transportar-nos para a Islândia de 1800 e fazer-nos vivenciar os últimos dias de uma prisioneira acusada de assassinar dois homens. A ficção misturada com a veracidade de factos que foram, percebe-se, arduamente pesquisados pela escritora, é feita com mestria.
A descrição do estado físico e psicológico de Agnes é fabulosa. Podemo-nos confrontar com os seus sentimentos de revolta, as suas dores físicas, as suas dificuldades em aceitar o seu veredicto. Paralelamente, as descrições das personagens circundantes que rodeiam Agnes nos seus ultimos seis meses de cativeiro, também foram objecto de um cuidadoso retrato tanto físico como psicológico: a família que, contrariada, a acolhe em sua casa; o reverendo que foi escolhido para a acompanhar espiritualmente nos seus últimos dias, todos alteram as suas opiniões e sentimentos face à condenada.
A Islândia de 1829 aqui retratada espectacularmente: o seu clima agreste e inóspito, a escassez de bens que obriga a um trabalho duro, as paisagens sem fim... E por fim um louvor para a escolha da capa. Capa que é, não posso deixar de dizer, de uma beleza estonteante que apetece fixar por muito tempo!
Os meus parabéns a este romance de estreia de Hannah Kent! Recomendo vivamente.
Terminado em 8 de Março de 2015
Estrelas: 6*
Sinopse
Na capa, uma dica de como iria ser o conteúdo: "Os últimos dias de uma jovem acusada de homicídio na Islândia de 1829". Ora, assim sendo como posso ter passado toda esta leitura esperando um outro final? Esperando que não fossem mesmo "os últimos dias"? Só o posso explicar recorrendo à forte empatia que senti por essa jovem, Agnes, de seu nome! E isso deveu-se sobretudo à escrita envolvente da autora e aos pormenores que presentimos verídicos em toda a história (e que no final verificamos estarem corretos) que nos fazem esperar uma mudança ao fim anunciado. A tensão a que o leitor é sujeito por não saber se a protagonista é ou não culpada do crime que ē acusada, leva a não querer levantar os olhos desta narrativa tão empolgante!
Alternando capítulos com um narrador indefinido, escrito na terceira pessoa, e outros em que é a própria Agnes a contar a sua história, este livro consegue transportar-nos para a Islândia de 1800 e fazer-nos vivenciar os últimos dias de uma prisioneira acusada de assassinar dois homens. A ficção misturada com a veracidade de factos que foram, percebe-se, arduamente pesquisados pela escritora, é feita com mestria.
A descrição do estado físico e psicológico de Agnes é fabulosa. Podemo-nos confrontar com os seus sentimentos de revolta, as suas dores físicas, as suas dificuldades em aceitar o seu veredicto. Paralelamente, as descrições das personagens circundantes que rodeiam Agnes nos seus ultimos seis meses de cativeiro, também foram objecto de um cuidadoso retrato tanto físico como psicológico: a família que, contrariada, a acolhe em sua casa; o reverendo que foi escolhido para a acompanhar espiritualmente nos seus últimos dias, todos alteram as suas opiniões e sentimentos face à condenada.
A Islândia de 1829 aqui retratada espectacularmente: o seu clima agreste e inóspito, a escassez de bens que obriga a um trabalho duro, as paisagens sem fim... E por fim um louvor para a escolha da capa. Capa que é, não posso deixar de dizer, de uma beleza estonteante que apetece fixar por muito tempo!
Os meus parabéns a este romance de estreia de Hannah Kent! Recomendo vivamente.
Terminado em 8 de Março de 2015
Estrelas: 6*
Sinopse
domingo, 8 de março de 2015
Ao Domingo com... Patrícia Ribeiro
Olho para ti e és um sorriso maléfico rasgado numa folha. Eu alimento-te com palavrinhas aglutinadas umas nas outras e tu devolves-me uma imagem vertiginosa que já não me revela a realidade. Nunca vou conseguir compensar a quantidade de amor que nutro por ti. Antes, só me queria fundir na tua essência; agora, fujo dela e refugio-me longe, nos esconderijos mélicos do mundo. Sabes que não existe vida lá fora? Tornou-se tudo de tal forma grandioso aqui dentro que já nada me satisfaz verdadeiramente na vida mundana. Olho para a estante onde nos costumávamos encontrar e vejo-te a sorrir de novo. Está um homem a dormir enrolado num lençol e nem sequer ousa mover-se. É uma criatura plácida e ternurenta. Tem os cabelos a dar-lhe quase pela cintura e os olhos negros, mas doceis. Mexe-me suavemente, eu sinto cada pedaço de toque, mas tremo quando penso que, rapidamente, vou querer que ele saia da minha cama e que a minha solidão me engula. Se eu rasgar um pedaço de papel e sentir o impulso do vómito, a única coisa de que vou precisar para escrever é ter-te ligado à minha mão. Consegues sorrir de todo o lado, tens a boca mais larga do mundo. A minha mão vai sendo dominada por ti. Já não tanto. Como é que se domina um ser que está morto? Não há felicidade nenhuma quando as palavras não me transbordam do interior. Quero fundir-me em tudo, mas já não existe nada com que o consiga fazer. Se fugir para a imensidão da rua, vou ser agredida pelo ar frio e a cidade vai parecer desabitada e vazia. Qual é credibilidade de um corpo quando ele já não te diz nada, quando já não existe desejo? Mesmo no sono, consegue chamar por mim. Nunca se cansa. Alguém precisa de lhe dizer que o caminho para o coração de um escritor é dar-lhe tudo aquilo que o vai enlouquecer, alimentá-lo na boca com delírio. Dá-me a minha imaginação. Por favor! Dá-me a novidade, dá-me a tristeza. Dá-me qualquer coisa que pulse, incontrolavelmente, aqui dentro. Como é que uma rapariga magnífica e interessante como tu se tem em tão desconsiderada conta? Eu não sei. Verto duas lágrimas. Sou beijada. Como é que tu sabes?
Lá estou eu novamente, na mesma sala, com a ponta dos dedos a mexer na pele do pescoço dele e a pensar em muitas coisas. Olho em redor e isto não é uma sala, nem é um quarto, nem é a minha cama, nem há homem nenhum. Está uma criatura sozinha com uma caneta na mão a definhar. Vou fechar os olhos. Vou esquecer-me.
O que eu penso que existe lá fora não passa de um conjunto de normas sociais progressivas que agem sobre coisas e que, ao fim de uns quantos anos de existência, vão formalizar o que todos intitulamos, tão estupidamente, uma história. Gostava que eles soubessem ao que é que uma história realmente sabe. Gostava de saber ao que é que a vida deles realmente se cinge. Os meus limites já estão tão altos que daqui irei tombar, imparável, em direção ao chão. Uma vida no subsolo na companhia dos outros renegados. Mas eu sou, cordialmente, aceite. Nos meus olhos, a leitura da verdadeira essência que me constitui só é identificada por um conjunto muito reduzido de indivíduos que procuram em mim aquilo que o meu corpo não lhes dá, aquilo que eu escondo deles, porque senão nunca haveria amor. Porque teriam medo de mim ou eu teria medo deles. Dói-me o corpo porque já não o suporto. Eu não gosto de falar de mim. Quando me estão a atravessar, esqueço-me que o corpo tem sensações e que o
cérebro é quem as fomenta e fundo-me em tudo. O que é que tu fizeste? Eu não fiz nada, ele é que fez - digo, com a mão encostada à cabeça. - A culpa é dele. Tira-o daqui.
Patrícia Ribeiro
sábado, 7 de março de 2015
Na minha caixa de correio
A Casa das Rosas foi-me emprestado pelo Segredo dos Livros.
O Amor da Minha Vida, Entre o Agora e o Nunca, O Herói Português ganhei nos passatempos do JN.
A Nossa Casa É Onde Está o Coração foi uma cortesia da Editorial Presença.
A Linguagem das Irmãs e Memórias do Silêncio foi ofertado pela Topseller e Vogais respectivemente.
Gentileza da autora, Patrícia Ribeiro, chegou O Pijama da Gata.
Atē que a Morte nos Una foi ofericido pela Editora Suma de Letras.
O meu obrigada a estas editoras pela satisfaçao deste meu vício incorrigível!
sexta-feira, 6 de março de 2015
Novidade da autora Pat R
O Pijama da Gatade Pat R
O Pijama da Gata segue o encontro de Jonah e Crystal Philips, num ambiente nostálgico da Jazz Age. Os dois conhecem-se em Paris, quando Jonah decide ver a peça Cat’s Pajamas, protagonizada pela magnífica atriz. De volta a Nova Iorque e deslumbrado com a sua beleza, desenvolve uma obsessão que rapidamente o começa a assombrar. A expetativa e o desejo de um futuro idealizado, que nenhum deles realmente prevê, consome-os no seu presente. A atração instintiva dos dois condu-los a um quarto de motel, que começa a adquirir as características visuais da sua paixão, marcada por uma sensação de efemeridade que se vai arruinando progressivamente até ao declínio final.
Novidade Planeta
CRESSde Marissa Meyer
Neste terceiro livro de Marissa Meyer, Cinder e o capitão Thorne estão escondidos com Scarlet e Wolf. Juntos, conspiram para derrubar a rainha Levana e impedir o seu exército de invadir a Terra.
A sua melhor esperança é Cress, uma jovem presa num satélite desde a infância e que apenas tem os netscreens como companhia. Todo este tempo passado a olhar para os ecrãs fez dela uma excelente hacker.
Mas infelizmente, é obrigada a trabalhar para a rainha Levana, e recebeu ordens para localizar Cinder e o seu bonito cúmplice.
Quando o ousado resgate de Cress corre mal, o grupo desmembra-se. Cress obtém por fim a liberdade, mas com um preço mais elevado do que jamais pensou.
Entretanto, a rainha Levana não vai deixar nada impedir o seu casamento com o imperador Kai. Cress, Scarlet, e Cinder podem não ter sido designadas para salvar o mundo, mas são a única esperança do mundo.
Novidade Presença
A Nossa Casa é Onde Está o Coraçãode Toni Morrison
Frank Money regressa da guerra da Coreia em luta com os seus fantasmas. É um homem perturbado por um profundo sentimento de culpa pelas atrocidades que se viu obrigado a cometer e pela relutância em voltar à sua cidade natal na Georgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã. Mas quando recebe uma carta avisando-o de que Cee corre risco de vida, Frank regressa, atravessando uma América dividida pela segregação. Através desta viagem, e da viagem interior que o protagonista vai fazendo, a autora dá-nos a definição do que é o lar, o lugar onde estão os nossos afetos, numa combinação entre a realidade física e social e a subtileza psicológica e emocional.
Para mais informações sobre este livro, clique aqui.
Novidade Sextante Editora
Comédia em modo menorde Hans Keilson
Comédia negra em tempo de guerra, este notável pequeno romance de Hans Keilson, originalmente publicado em 1947, revela-nos um autor excecional: profundamente irónico, escrita aguda, brilhante, moderna.
É uma história de gente comum resistindo à ocupação nazi na Holanda: um casal, Wim e Marie, esconde em sua casa um judeu em fuga, Nico, e vai ter de livrar-se do seu corpo quando este morre de pneumonia.
quinta-feira, 5 de março de 2015
A Escolha do Jorge: Os Memoráveis
"Os Memoráveis" é o mais recente romance de Lídia Jorge publicado há aproximadamente um ano e que esta serve de mote para sugestão de leitura desta semana neste espaço.
Não entrando propriamente em aspectos relacionados com os personagens da ação, desenvolverei o presente texto no âmbito da questão histórica que subjaz à obra em si mesma e à forma como o tempo condiciona o modo de interpretarmos acontecimentos decisivos e de viragem na História recente do país.
O ponto de partida, assim como todo o motor da narrativa de "OS Memoráveis" assenta no dia 25 de Abril de 1974, o dia que ditou o fim de uma ditadura de quatro décadas, iniciando, desse modo, o processo de democratização e modernização do país.
Passados 30 anos (tendo em consideração que a narrativa decorre em 2004), qual é o olhar que temos daquele dia que mudou o curso da história do país? O que é que recordamos daquele célebre dia? Vislumbramos o dia 25 de Abril de 1974 ainda com clareza de espírito e objectividade? Será que somos traídos pela passagem do tempo que ofusca essas memórias? Quem foi quem naquele dia tão importante para Portugal? Qual terá sido o momento mais emblemático daquele dia ditoso?
Estas são algumas das questões que Lídia Jorge levanta neste seu romance na tentativa de "cumprir um plano de reconstrução da memória" (p. 239) pessoal e coletiva. E porque a História é complexa e mesmo sendo uma ciência, não deixa de ao longo do tempo, passadas várias décadas, serem apresentadas diferentes teses, na tentativa de (re)interpretar essa mesma memória. Aquilo que tantas vezes tem sido apelidado de golpe militar e revolução quando associados ao 25 de Abril de 1974, será que à distância de meio século ou mesmo um século, o olhar sobre a História será o mesmo? Corremos o risco, correrá a História o risco de passado um século face à data emblemática de apenas se olhar para o 25 de Abril de 1974 como um simples acontecimento como um simples acontecimento igual a tantos outros, até mesmo como um dado adquirido, reduzindo-se à idílica ideia de se associar a "Revolução dos Cravos" a uma visão romântica do acontecimento em si mesmo? E se, afinal, "o novo regime, passados todos aqueles anos, continuava tão antigo quanto o antigo"? (p. 250)
Em "Os Memoráveis" são vários os momentos em que os personagens aqui apresentados sob uma capa metafórica cujo papel no dia da revolução foi determinante quando olhado num processo conjunto, demonstram algum medo de serem esquecidos e engolidos pela própria História se nada se fizer para contrariar essa tendência esmagada pelo próprio tempo, inimigo garantido da memória. "Tenho a certeza absoluta de que no futuro ninguém irá ser esquecido. Há-de haver um lugar onde seja possível lembrarmo-nos de tudo e de todos. (…) Na verdade, o que nós próprios estávamos a fazer era apenas procurar contrariar o esquecimento, contrariar sem remédio." (p. 105)
Em jeito de conclusão, podemos questionar o que ditará efetivamente a historiografia dentro de 50 anos sobre aquele dia tão decisivo que derrubou o Estado Novo tornando Portugal num estado democrático, partilhando aqui um dos excertos decisivos de "Os Memoráveis".
"Porque a historiografia portuguesa, essa p*** velha que só contempla quem mais lhe dá, prepara-se para fazer da minha pessoa, e dos meus companheiros de insurreição, um estandarte de ignomínia. Se não nos impusermos, (…) iremos passar à posteridade como um bando de idiotas, ou pior, como um grupo de canalhas. Mas eu não o vou permitir." (p. 217)
Texto da autoria de Jorge Navarro
Não entrando propriamente em aspectos relacionados com os personagens da ação, desenvolverei o presente texto no âmbito da questão histórica que subjaz à obra em si mesma e à forma como o tempo condiciona o modo de interpretarmos acontecimentos decisivos e de viragem na História recente do país.
O ponto de partida, assim como todo o motor da narrativa de "OS Memoráveis" assenta no dia 25 de Abril de 1974, o dia que ditou o fim de uma ditadura de quatro décadas, iniciando, desse modo, o processo de democratização e modernização do país.
Passados 30 anos (tendo em consideração que a narrativa decorre em 2004), qual é o olhar que temos daquele dia que mudou o curso da história do país? O que é que recordamos daquele célebre dia? Vislumbramos o dia 25 de Abril de 1974 ainda com clareza de espírito e objectividade? Será que somos traídos pela passagem do tempo que ofusca essas memórias? Quem foi quem naquele dia tão importante para Portugal? Qual terá sido o momento mais emblemático daquele dia ditoso?
Estas são algumas das questões que Lídia Jorge levanta neste seu romance na tentativa de "cumprir um plano de reconstrução da memória" (p. 239) pessoal e coletiva. E porque a História é complexa e mesmo sendo uma ciência, não deixa de ao longo do tempo, passadas várias décadas, serem apresentadas diferentes teses, na tentativa de (re)interpretar essa mesma memória. Aquilo que tantas vezes tem sido apelidado de golpe militar e revolução quando associados ao 25 de Abril de 1974, será que à distância de meio século ou mesmo um século, o olhar sobre a História será o mesmo? Corremos o risco, correrá a História o risco de passado um século face à data emblemática de apenas se olhar para o 25 de Abril de 1974 como um simples acontecimento como um simples acontecimento igual a tantos outros, até mesmo como um dado adquirido, reduzindo-se à idílica ideia de se associar a "Revolução dos Cravos" a uma visão romântica do acontecimento em si mesmo? E se, afinal, "o novo regime, passados todos aqueles anos, continuava tão antigo quanto o antigo"? (p. 250)
Em "Os Memoráveis" são vários os momentos em que os personagens aqui apresentados sob uma capa metafórica cujo papel no dia da revolução foi determinante quando olhado num processo conjunto, demonstram algum medo de serem esquecidos e engolidos pela própria História se nada se fizer para contrariar essa tendência esmagada pelo próprio tempo, inimigo garantido da memória. "Tenho a certeza absoluta de que no futuro ninguém irá ser esquecido. Há-de haver um lugar onde seja possível lembrarmo-nos de tudo e de todos. (…) Na verdade, o que nós próprios estávamos a fazer era apenas procurar contrariar o esquecimento, contrariar sem remédio." (p. 105)
Em jeito de conclusão, podemos questionar o que ditará efetivamente a historiografia dentro de 50 anos sobre aquele dia tão decisivo que derrubou o Estado Novo tornando Portugal num estado democrático, partilhando aqui um dos excertos decisivos de "Os Memoráveis".
"Porque a historiografia portuguesa, essa p*** velha que só contempla quem mais lhe dá, prepara-se para fazer da minha pessoa, e dos meus companheiros de insurreição, um estandarte de ignomínia. Se não nos impusermos, (…) iremos passar à posteridade como um bando de idiotas, ou pior, como um grupo de canalhas. Mas eu não o vou permitir." (p. 217)
Texto da autoria de Jorge Navarro
quarta-feira, 4 de março de 2015
Passatempo "A Nossa Casa é Onde Está o Coração"
Quem vai querer ganhar o último livro de Toni Morrison, " A Nossa Casa É Onde Está o Coração"?A capa é verdadeiramente linda e pela sinopse o conteúdo também parece ser!
Então, se é seguidor do blogue, tente a sua sorte. Quem sabe se não é desta?
O passatempo termina dia 15 Março.
Boa sorte!
Para mais informações veja Editorial Presença aqui!
terça-feira, 3 de março de 2015
A Convidada Escolhe: Um Circo Que Passa
"Um circo que passa" de Patrick Modiano, é uma obra de um dos maiores escritores franceses contemporâneos, com vários prémios ganhos e Nobel da Literatura em 2014. O universo desta obra é a cidade de Paris nos anos 60 embora com algumas alusões aos passados anos 40, pressentindo-se os efeitos da II Guerra mundial. Fala-se de investigações policiais, de bares duvidosos e de vidas com comportamentos igualmente duvidosos e misteriosos. O narrador, com 17 anos, com uma infância marcada por problemas com os progenitores, agora ausentes, relaciona-se com uma rapariga um pouco mais velha mas também com uma vida plena de mistérios. Ambos escondem a sua verdadeira realidade e não partilham os seus segredos, contudo, ambos têm o grande sonho de encontrar o amor e uma estabilidade. A polícia persegue-os com interrogatórios sobre os seus contactos. Deambulam pela cidade na esperança de resolver os seus problemas e sair do país mas a sorte não está com eles e um acidente acaba com o sonho. É um livro marcado pelos passados enigmáticos que se pressentem dolorosos dos jovens personagens, que lutam contra tudo e contra todos por um futuro risonho.
Maria Fernanda Pinto
Maria Fernanda Pinto
segunda-feira, 2 de março de 2015
"Um, Dó, Li, Tá" de M.J.Arlidge
O mote deste livro está lançado no título. Uma escolha a ser feita: matar para viver, para sobreviver a um rapto. Sacrificar para viver. Que mente perversa está por detrás disso? Como se consegue viver com a culpa mesmo tratando-se duma situação extrema? Que níveis de sofrimento aguenta um ser humano?
O início é intenso. Perturbador. Os capítulos pequenos também ajudam a introduzir a acção rapidamente e a querer ler sempre um pouco mais, dificultando o leitor quando necessita de fazer uma pausa e largar o livro.
A investigadora destacada para este caso, Helen, e Mark, um dos seus ajudantes, têm sérias dificuldades em perceber a lógica e o motivo do criminoso. As suas vidas pessoais atribuladas por passados um pouco sombrios e duvidosos interferem nos seus desempenhos profissionais e esse facto dá ao leitor uma perspectiva mais real e verosímil.
Um thriller apaixonante, repleto de cenas cruas, com um elevado grau de descrição que consegue colocar o leitor no centro dos acontecimentos e vivenciá-los. A velocidade com que o autor muda de cenários e de personagens, sem que haja confusão para quem lê, é de tal forma estonteante que somos impelidos a ler sem interrupções, viciados pela leitura fluída e cativante. Intenso e credível!
Terminado em 21 de Fevereiro de 2015
Estrelas: 5*
Sinopse
Uma jovem rapariga surge dos bosques após sobreviver a um rapto aterrador. Cada mórbido pormenor da sua história é verdadeiro, apesar de incrível. Dias mais tarde é descoberta outra vítima que sobreviveu a um rapto semelhante.
As investigações conduzem a um padrão: há alguém a raptar pares de pessoas que depois são encarcerados e confrontados com uma escolha terrível: matar para sobreviver, ou ser morto.
À medida que mais situações vão surgindo, a detetive encarregada deste caso, Helen Grace, percebe que a chave para capturar este monstro imparável está nos sobreviventes. Mas a não ser que descubra rapidamente o assassino, mais inocentes irão morrer…
Um jogo perigoso e mortal num romance de estreia arrebatador e de arrasar os nervos, que lembra filmes como Saw — Enigma Mortal e A Conspiração da Aranha.
O início é intenso. Perturbador. Os capítulos pequenos também ajudam a introduzir a acção rapidamente e a querer ler sempre um pouco mais, dificultando o leitor quando necessita de fazer uma pausa e largar o livro.
A investigadora destacada para este caso, Helen, e Mark, um dos seus ajudantes, têm sérias dificuldades em perceber a lógica e o motivo do criminoso. As suas vidas pessoais atribuladas por passados um pouco sombrios e duvidosos interferem nos seus desempenhos profissionais e esse facto dá ao leitor uma perspectiva mais real e verosímil.
Um thriller apaixonante, repleto de cenas cruas, com um elevado grau de descrição que consegue colocar o leitor no centro dos acontecimentos e vivenciá-los. A velocidade com que o autor muda de cenários e de personagens, sem que haja confusão para quem lê, é de tal forma estonteante que somos impelidos a ler sem interrupções, viciados pela leitura fluída e cativante. Intenso e credível!
Terminado em 21 de Fevereiro de 2015
Estrelas: 5*
Sinopse
Uma jovem rapariga surge dos bosques após sobreviver a um rapto aterrador. Cada mórbido pormenor da sua história é verdadeiro, apesar de incrível. Dias mais tarde é descoberta outra vítima que sobreviveu a um rapto semelhante.
As investigações conduzem a um padrão: há alguém a raptar pares de pessoas que depois são encarcerados e confrontados com uma escolha terrível: matar para sobreviver, ou ser morto.
À medida que mais situações vão surgindo, a detetive encarregada deste caso, Helen Grace, percebe que a chave para capturar este monstro imparável está nos sobreviventes. Mas a não ser que descubra rapidamente o assassino, mais inocentes irão morrer…
Um jogo perigoso e mortal num romance de estreia arrebatador e de arrasar os nervos, que lembra filmes como Saw — Enigma Mortal e A Conspiração da Aranha.
domingo, 1 de março de 2015
Ao Domingo com… Arnaldo Teixeira Santos
A simpatiquíssima Cris Delgado, por mais de uma vez, em dias diferentes, convidou-me para participar nesta rubrica que, diga-se em abono da verdade, é uma iniciativa louvável, digna de todos os elogios, pois dá uns autores a conhecer e outros, credenciados, divulgando seus pormenores e livros. Por tudo isto, a Cris está de parabéns pela rubrica e pelo que tem feito pelos autores portugueses, as suas obras em particular e pela literatura em geral, o que é justo salientar. Nessas vezes, não aceitei o amável convite dela, só pela seguinte ideia: “diz” que sou poeta (gosto de dizer que sou fazedor e dizedor de poemas), mas como componho poemas à relativamente pouco tempo – desde 2011 – e como somente tenho participado em livros de poesia colectiva, achava que não merecia o privilégio de fazer parte desta rubrica e de estar junto de tantos e credenciados autores, pois os meus companheiros dos livros de que sou co-autor, estavam em igualdade de circunstâncias que eu. Depois da insistência, da Cris, propus-lhe que
quando fosse editado o décimo livro de que fosse
co-autor, então, se ela ainda mantivesse o convite, teria o maior prazer em participar. E, chegou esse momento.
Não gosto muito de referir a mim próprio, porque para mim, não acho bem nem correcto. As outras pessoas, se quiserem, é que poderão referir-se sobre os autores e as suas obras, mas respeito quem pense de maneira diferente. No entanto, terei de dizer alguma coisa, pois é da praxe. Literariamente, assino os livros de que faço parte, como Arnaldo Teixeira Santos (é parte do meu nome de baptismo) para não se confundir com o conhecido poeta e escritor angolano Arnaldo Santos, nascido em Luanda. Eu, nasci e resido na actual cidade de Santo Tirso, distrito do Porto. Comecei a compor poesia tarde (não sou jovem) mas, penso, que ainda fui a tempo.
Já há muitos anos que sou colaborador de jornais regionais e apresentador de espectáculos e, durante muitos anos, também, fui locutor de rádios locais. Portanto, tenho uma boa parte da minha vida dedicada à comunicação social de que tanto gosto.
Estou, também, inserido em várias actividades culturais e desportivas, mas que para esta rubrica, penso eu, não tem cabimento referir.
Como comecei na poesia? Tem uma explicação, como (quase) tudo na vida. Agradeço este meu enorme prazer a duas pessoas e a uma instituição: ao meu pai, já falecido, que tinha estantes com centenas de livros e, daí, comecei a interessar-me por eles, pela literatura; ao grande amigo, professor, poeta e escritor Miguel Almeida, que soube da sua existência, confesso, por eu ter ganho um passatempo no blogue “Close Up!”, em 23 de setembro de 2011, com um livro de poesia seu, “Ser Como Tu”, agradecendo ao Miguel, dizendo também, que tinha alguns poemas meus na gaveta e ele respondeu-me, propondo para eu concorrer ao projecto colectivo de poesia “Palavras Nossas – Colectânea de Novos Poetas Portugueses” e foi assim que comecei a participar como co-autor em livros, ganhando o gosto e, a partir daí, comecei a concorrer aos novos projectos colectivos de poesia da Esfera do Caos Editores, tendo posteriormente, também, à de outras editoras; a instituição, é a Câmara Municipal de Santo Tirso (onde trabalhei 21 anos), que realiza anualmente o evento “A Poesia Está Na Rua”e, a partir da minha participação, comecei a compor os meus primeiros poemas e nunca mais parei com eles.
Nestes últimos tempos, os meus poemas são quase todos sonetos, a variante da Poesia de que eu gosto mais, de compor e de ler. Gosto imenso dos poemas da Florbela Espanca, Luís Vaz de Camões e, também, admiro poetas como Manuel Maria Du Bocage, Cesário Verde, Antero de Quental, entre outros.
No pretérito dia 21 de Fevereiro, realizou-se o lançamento, em Lisboa, da “Grande Antologia de Poesia e Texto Poético da Lusofonia”, volume 1, da Sinapis Editores, grupo Alêtheia, mas que eu, infelizmente, não pude estar presente, sendo o 10º livro de que sou co-autor. Fazem parte 156 co-autores, oriundos dos países de língua portuguesa. Aqui deixo um dos sonetos meus incluído na obra:
Sempre Que Alguém de Amor Me Fala
Sempre que alguém de amor me fala
Eu pergunto se nele acredita
Pois é uma palavra sã, bendita
E um doce odor sempre exala.
Se nele acredita vivamente
Ou, então, lhe passa mesmo ao lado
Não estando assim enamorado
E pelo amor mesmo nada sente!
Eu aconselho o amor sempre ter
E nunca desistir de o cultivar
Para em tudo sempre poder vencer
Assim, o amor sempre prevalece
Pois na vida devemos sempre amar
Aos olhos de todos se enobrece.
Bibliografia:
Palavras Nossas – Colectânea de Novos Poetas Portugueses, Vol.II (2012); Entre o Sono e o Sonho - Antologia de Poesia Contemporânea, Tomo I, Vol.IV (2013) e Vol.V (2014); Poesia Sem Gavetas, Parte II (2013) e Parte III (2014); Terras Vividas e Sonhadas – Os Poetas e os Lugares (2013); O Mundo da Lua – Antologia de Poesia e Prosa (2014); Contigo, Para Sempre: As Mais Belas Declarações de Amor (2014); 1ª Antologia “Amantes da Poesia” (2014); Grande Antologia de Poesia e Texto Poético da Lusofonia, Vol.I (2015).
Mais três livros de que sou um dos co-autores em breve terão os seus lançamentos, a saber: Livro Solidário Letras da Lagôa de Óbidos, a 7 de Março; Antologia de Poesia e de Prosa-Poética Portuguesa Contemporânea “Templo de Palavras” e Tempo Mágico – Colectânea de Poesia e Texto Poético da Lusofonia, ambos ainda sem data de edição.
A terminar, queria agradecer uma vez mais à Cris Delgado, em particular pelo seu trabalho desenvolvido em prol dos autores portugueses e suas obras e pela literatura em geral. Bem-haja.
Arnaldo Teixeira Santos
(Fevereiro de 2015)
quando fosse editado o décimo livro de que fosse
co-autor, então, se ela ainda mantivesse o convite, teria o maior prazer em participar. E, chegou esse momento.
Não gosto muito de referir a mim próprio, porque para mim, não acho bem nem correcto. As outras pessoas, se quiserem, é que poderão referir-se sobre os autores e as suas obras, mas respeito quem pense de maneira diferente. No entanto, terei de dizer alguma coisa, pois é da praxe. Literariamente, assino os livros de que faço parte, como Arnaldo Teixeira Santos (é parte do meu nome de baptismo) para não se confundir com o conhecido poeta e escritor angolano Arnaldo Santos, nascido em Luanda. Eu, nasci e resido na actual cidade de Santo Tirso, distrito do Porto. Comecei a compor poesia tarde (não sou jovem) mas, penso, que ainda fui a tempo.
Já há muitos anos que sou colaborador de jornais regionais e apresentador de espectáculos e, durante muitos anos, também, fui locutor de rádios locais. Portanto, tenho uma boa parte da minha vida dedicada à comunicação social de que tanto gosto.
Estou, também, inserido em várias actividades culturais e desportivas, mas que para esta rubrica, penso eu, não tem cabimento referir.
Como comecei na poesia? Tem uma explicação, como (quase) tudo na vida. Agradeço este meu enorme prazer a duas pessoas e a uma instituição: ao meu pai, já falecido, que tinha estantes com centenas de livros e, daí, comecei a interessar-me por eles, pela literatura; ao grande amigo, professor, poeta e escritor Miguel Almeida, que soube da sua existência, confesso, por eu ter ganho um passatempo no blogue “Close Up!”, em 23 de setembro de 2011, com um livro de poesia seu, “Ser Como Tu”, agradecendo ao Miguel, dizendo também, que tinha alguns poemas meus na gaveta e ele respondeu-me, propondo para eu concorrer ao projecto colectivo de poesia “Palavras Nossas – Colectânea de Novos Poetas Portugueses” e foi assim que comecei a participar como co-autor em livros, ganhando o gosto e, a partir daí, comecei a concorrer aos novos projectos colectivos de poesia da Esfera do Caos Editores, tendo posteriormente, também, à de outras editoras; a instituição, é a Câmara Municipal de Santo Tirso (onde trabalhei 21 anos), que realiza anualmente o evento “A Poesia Está Na Rua”e, a partir da minha participação, comecei a compor os meus primeiros poemas e nunca mais parei com eles.Nestes últimos tempos, os meus poemas são quase todos sonetos, a variante da Poesia de que eu gosto mais, de compor e de ler. Gosto imenso dos poemas da Florbela Espanca, Luís Vaz de Camões e, também, admiro poetas como Manuel Maria Du Bocage, Cesário Verde, Antero de Quental, entre outros.
No pretérito dia 21 de Fevereiro, realizou-se o lançamento, em Lisboa, da “Grande Antologia de Poesia e Texto Poético da Lusofonia”, volume 1, da Sinapis Editores, grupo Alêtheia, mas que eu, infelizmente, não pude estar presente, sendo o 10º livro de que sou co-autor. Fazem parte 156 co-autores, oriundos dos países de língua portuguesa. Aqui deixo um dos sonetos meus incluído na obra:
Sempre Que Alguém de Amor Me Fala
Sempre que alguém de amor me fala
Eu pergunto se nele acredita
Pois é uma palavra sã, bendita
E um doce odor sempre exala.
Se nele acredita vivamente
Ou, então, lhe passa mesmo ao lado
Não estando assim enamorado
E pelo amor mesmo nada sente!
Eu aconselho o amor sempre ter
E nunca desistir de o cultivar
Para em tudo sempre poder vencer
Assim, o amor sempre prevalece
Pois na vida devemos sempre amar
Aos olhos de todos se enobrece.
Bibliografia:
Palavras Nossas – Colectânea de Novos Poetas Portugueses, Vol.II (2012); Entre o Sono e o Sonho - Antologia de Poesia Contemporânea, Tomo I, Vol.IV (2013) e Vol.V (2014); Poesia Sem Gavetas, Parte II (2013) e Parte III (2014); Terras Vividas e Sonhadas – Os Poetas e os Lugares (2013); O Mundo da Lua – Antologia de Poesia e Prosa (2014); Contigo, Para Sempre: As Mais Belas Declarações de Amor (2014); 1ª Antologia “Amantes da Poesia” (2014); Grande Antologia de Poesia e Texto Poético da Lusofonia, Vol.I (2015).
Mais três livros de que sou um dos co-autores em breve terão os seus lançamentos, a saber: Livro Solidário Letras da Lagôa de Óbidos, a 7 de Março; Antologia de Poesia e de Prosa-Poética Portuguesa Contemporânea “Templo de Palavras” e Tempo Mágico – Colectânea de Poesia e Texto Poético da Lusofonia, ambos ainda sem data de edição.
A terminar, queria agradecer uma vez mais à Cris Delgado, em particular pelo seu trabalho desenvolvido em prol dos autores portugueses e suas obras e pela literatura em geral. Bem-haja.
Arnaldo Teixeira Santos
(Fevereiro de 2015)
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