Gosta deste blog? Então siga-me...

Indique o seu email para receber actualizações

Também estamos no Facebook e Twitter

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O meu TOP 2014


Estes foram os livros que em 2014 dei 6*. As opiniões são isso mesmo e valem o que valem...

"Materna Doçura" de Possidónio Cachapa 
"Stoner" de John Williams 

"A Casa Azul" de Cláudia Clemente 
 

"Na Montanha de Hitler" de Irmgard A Hunt

"Deixem Falar as Pedras" de David Machado 

"Terra de Milagres" de João Felgar 
 

"Sou o Último Judeu" de Chil Rajchman
 

"As Estrelas Brilham na Cidade" de Laura Moriarty 
 

"Os Aquários de Pyongyang" de Kang Chol-Hwan
 

"A Cor do Coração" de Barbara Mutch

"Os Aromas do Amor" de Dorothy Koomson

"Holocausto Brasileiro" de Daniela Arbex

"A Casa Negra" de Peter May

"A Rapariga de Auschwitz" de Eva Schloss

"O Olhar de Sophie" de Jojo Moyes

"O Jardim das Torres Invisíveis" de Qais Akber Omar

"O Filho Perdido de Philomena Lee" de Martin Sixsmith


"Fome" de Knut Hamsun"

"A Onda" de Sonali Deraniyagala

domingo, 18 de janeiro de 2015

Ao Domingo com... Margarida Pizarro


O meu percurso na escrita foi inesperado. O facto de ser uma devoradora de livros, levou-me a ter uma enorme vontade de começar a escrever.
Tenho outra profissão que adoro, mas a escrita acabou por ser algo que me tornou uma pessoa ainda mais feliz.
Quando comecei a minha aventura na escrita, entrei num processo libertador e ao mesmo tempo fui ficando prisioneira do próprio enredo da minha história e as ideias não paravam de surgir. Após escrever mais de duzentas páginas em menos de um mês, comecei a acreditar que realmente tinha de levar esta paixão para a frente. Entretanto, passados seis meses finalizei o meu primeiro livro.
Escrever, para mim, é um desafio mental muito estimulante e acima de tudo enriquecedor para a alma. 


O meu romance "Em Busca das Borboletas" está dividido em dois volumes, e não é apenas uma história de amor, é muito mais que isso. É também uma história de amizade, que nos transporta para o mundo fascinante da moda e para o cenário apaixonante da política americana.
Através de uma escrita fácil e fluída este romance revela a evolução de Maria Mendes,  uma luso-americana, de família humilde que decide ir estudar para Nova-york, onde conhece Alicia e Joan que se tornam as suas melhores amigas. As suas companheiras, que provêm de famílias afortunadas, fazem com que Maria entre num mundo bem diferente de tudo a que estava habituada. Através delas, conhece Dale Sloan, o seu grande amor, com o qual vive uma paixão arrebatadora.
Mal acabei a história deste livro, comecei logo a pensar e a tirar  notas para o próximo. No entanto com as apresentações, e todo o tempo que tive que dedicar à promoção do primeiro livro, tive que parar um pouco. Mal possa, vou retomar a escrita da nova história, e já tenho o enredo delineado na minha cabeça. O novo livro será novamente um romance, mas com uma história totalmente diferente da anterior, embora com Nova York, uma vez mais como plano de fundo.



Margarida Pizarro

Passatempo Pack de Natal Planeta - actualização

No recente passatempo Pack de Natal Planeta, verificou-se que o vencedor foi uma das seguidoras do nosso blogue que tem ela própria um blogue dedicado também a estas coisas dos livros, com parceria com a editora. Por essa razão e porque a bloguer pode aceder com facilidade aos livros oferecidos, a editora decidiu sortear de novo um Pack dos livros em questão, a saber, A Casa Azul de Cláudia Clemente e A Princesa Branca de Philippa Gregory.


Após um novo sorteio aleatório foi apurado como vencedor:

- Florbela Maria Marques Filipe da Cova da Piedade

Parabéns ao novo vencedor!

sábado, 17 de janeiro de 2015

Na minha caixa de correio










Comprados numa loja Cash Converters, UmJardim em Badalpur e Nuca te Deixarei Morrer. Comprados pelo título, sinopse e preço baixo...
Do Liga e Ganha, vieram A Ilha do Medo, Uma Menina Está Perdida..., As Aventuras Periféricas e A Família Sogliano.
Da Editora Topseller, Ao Encontro do Destino. O meu obrigada!
Da Esfera dos Livros chegou o último da Esther Mucznik, Auschwitz, Um  Dia de cada Vez. Gostei muito do livro anterior desta escritora, livro de não ficção que se lê quase como um romance.
Com preços mini, mini, comprei na Wook os cinco últimos. Com o de Mia Couto tive uma surpresa... É tão MINI!!!!!  É um conto com 38 páginas. Confesso que não sou grande apreciadora de contos. Será que é desta que mudo de atitude e que vou ser conquistada?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Novidade Presença

O Bicho-da-Seda
de Robert Galbraith
Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa.No decorrer da investigação, torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais. Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo.E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado... 

Para conhecer mais pormenores sobre este livro, consulte o site da Presença aqui.

Novidade Esfera dos Livros

Auschwitz, Um Dia de cada Vez

de Esther Mucznik
«Um companheiro de Auschwitz pergunta a Primo Levi por que motivo já não se preocupa com a higiene. Ele responde simplesmente: “Para quê, se daqui a meia hora estarei de novo a trabalhar com sacos de carvão?” É desse companheiro que recebe a primeira e talvez principal lição de sobrevivência: “Lavarmo-nos é reagir, é não deixar que nos reduzam a animais; é lutar para viver, para poder contar, para testemunhar; é manter a última faculdade do ser humano: a faculdade de negar o nosso consentimento”.» A capacidade de sobrevivência do ser humano é notável e, por mais terrível que fosse a existência em Auschwitz, todos os dias se lutava para sobreviver apesar de a morte estar ao virar de cada esquina. O campo de concentração de Auschwitz é sinónimo do mal absoluto preconizado pelo nazismo. Foi ali que judeus e ciganos serviram de cobaias às diabólicas experiências médicas, que acima de um milhão de seres humanos foram gaseados e que mais de 200 mil homens, mulheres e crianças morreram de fome, frio e doença, de exaustão e brutalidade, ou simplesmente de solidão e desesperança. No entanto muitos presos resistiam à total desumanização esforçando-se por manter alguma dignidade. Cuidar da higiene, ler, escrever, desenhar, ajudar alguém a sobreviver ou até a morrer eram actos que atribuíam condição humana a quem parecia ter desistido de viver. Esther Mucznik, autora dos livros Grácia Nasi e Portugueses no Holocausto, dá-nos a conhecer o dia-a-dia de Auschwitz através das vozes daqueles que ali acabaram por perecer e dos seus carrascos, do insuportável silêncio das crianças massacradas, das mulheres e homens violentados em bárbaras experiências médicas, mas também através dos relatos daqueles que sobreviveram para contar e manter viva a memória do horror da máquina de morte nazi. Para que ninguém possa alguma vez esquecer. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A Escolha do Jorge: O Abutre

Franz Kafka (1883-1924) é um dos mais importantes escritores do século passado que ficou conhecido através de obras como "Metamorfose", "O Processo" ou "O Castelo".

O espírito inquietante e perturbador são manifestamente alguns dos pontos a assinalar nas obras do autor checo chegando mesmo as suas histórias a assumir um caráter dilacerante ao leitor que tantas vezes questiona a razão de tanta incompreensão e absurdo. Procurar a lógica de tanta ilógica nas narrativas de Kafka sem, contudo, perder o fio condutor e sem perder a sequência do texto é algo que o leitor tem de colocar de lado deixando-se simplesmente entrar nas obras marcadas pelo ritmo desse mesmo absurdo e incompreensão.
Herdeiro de toda uma tradição judaica bem enraizada na Checoslováquia do início do século XX, Kafka consegue, com rigor e grande mestria, transmitir através dos seus textos, o espírito de sacrifício, resistência, sofrimento e até resignação do povo judeu que se autodenomina de povo eleito ainda que alguma ideia/consciência de culpa esteja de certo modo subjacente nesse próprio modo de ser e de pensar.

Estas mesmas ideias encontram-se espelhadas nos contos de Kafka, nomeadamente na colectânea "O Abutre" que integra "A Biblioteca de Babel" – Coleção de literatura fantástica dirigida por Jorge Luis Borges, publicada pela Editorial Presença.

Um misto de surrealismo e de expressionismo está igualmente patente nestes contos que têm todos o seu quê de estranho ou mesmo de absurdo, mas sem que percamos a vontade de conduzir a leitura até ao fim na medida em que esse pendor misterioso e estranho atraem-nos por se tratar de histórias e personagens totalmente atípicos quando em comparação com a generalidade das obras que habitualmente lemos.

É precisamente o conto que dá título à colectânea que aqui será partilhado.
"Era um abutre que não parava de me dar bicadas nos pés. Já me tinha rasgado as botas e as meias e começava agora a atacar-me os próprios pés. Investia sem parar, levantava voo, esvoaçava inquieto à minha volta, em círculos, e retomava o seu trabalho. Apareceu então um senhor que ficou a observar aquilo durante algum tempo, até que me perguntou porque é que eu suportava as investidas do abutre: «Mas se estou indefeso…», justifiquei-me. «Ele apareceu e quando começou com as bicadas é claro que o quis enxotar. Na verdade, até tentei estrangulá-lo, mas um bicho destes tem imensa força. E depois também já tentou saltar-me para a cara, por isso preferi sacrificar os pés, que agora já estão quase despedaçados.» «Como pode permitir que o torturem dessa maneira», insistiu o senhor, «um tiro e acabou-se o abutre.» «Acha que sim?», perguntei. «E então não pode tratar disso?» «Com todo o gosto», disse o senhor. «Só tenho que ir a casa buscar a espingarda. Consegue esperar mais uma meia hora?» «Isso é que eu já não sei», respondi, e mantive-me assim, paralisado pela dor, durante algum tempo, até que disse: «Por favor, tente lá, seja como for.» «Está bem», disse o senhor, «vou apressar-me». Durante a conversa o abutre tinha ficado sossegado, à escuta, olhando ora para mim, ora para o senhor. Pude então ver que percebera tudo, pois levantou voo, dobrou-se para trás tanto quanto podia, para ganhar balanço, e, como um lançador de dardo, espetou com toda a força o bico da minha boca. Em queda, pude ainda sentir, liberto, como ele se afogava, sem hipótese de salvação, no oceano transbordante e sem fundo do meu sangue." (pp. 17-18)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Convidada Escolhe: O Vento Assobiando nas Gruas

Lídia Jorge é uma escritora portuguesa que muito admiro. A forma como traça o perfil de Milene Leandro, a personagem central de "O Vento assobiando entre as Gruas" é de uma delicadeza e sensibilidade verdadeiramente tocantes.

A narrativa vai-nos sendo apresentada e desvendada ao longo de mais de quinhentas páginas e há um tom de tragédia ao longo de todo o livro pontuado por frases curtas do tipo "Nós só saberíamos depois" que deixam o/a leitor/a preso/a à narrativa desde a primeira página. A narrativa é feita num suspense, num remeter para a frente, para a urgência de desvendar o futuro, os segredos.

Considero que é uma obra extremamente bem elaborada, rigorosa, perfeita.

A história de uma fábrica – Fábrica Conservas Leandro 1908 – intimamente ligada à história da família Leandro é afinal o retrato de uma sociedade ao longo de décadas, o retrato de uma elite que governa os destinos das pessoas de uma região, que se sente no direito de fazer a seu bel prazer, desrespeitando direitos fundamentais e interferindo sempre que a sua "ordem" pré-estabelecida é de algum modo posta em causa. E por isso, não há qualquer pejo em anular e despersonalizar, se tal for condição de sobrevivência e de inatingibilidade da classe dominante. A ganânia, o poder, as classes sociais, o racismo, a fama, o sucesso, a corrupção, o choque de culturas são alguns dos ingredientes de que é feito este excelente romance de Lídia Jorge.

É também uma história de solidão e de amor solitário. Milene recorda constantemente um Verão especial em que ela e mais dois primos viveram um verão inesquecível. Agora que precisa de desabafar e que eles estão longe, faz longos telefonemas para o atendedor de chamadas do primo João Paulo que lá longe, no Massachusetts, nunca atende. É também com a empregada que partilha sentimentos e emoções e com quem estabelece um pacto de silêncio; é o destino dos seres invisíveis.

A numerosa família Mata vinda de Cabo Verde – a 3ª vaga – tem neste romance um papel igualmente relevante. Desde Felícia, mulher-chave em toda a família, forte, lutadora, incentivadora dos sonhos dos filhos, cujos sonhos a atormentam e são o presságio de algo de terrível que há-de acontecer, até à velha matriarca – Ana Mata – que tudo ouve e vê, mas não é ouvida nem compreendida pelos seus, pois o seu mundo continua lá bem longe na África natal. E depois os homens, cada um seguindo o seu destino e em que Antonino, o gruísta, acaba por ter também um papel fundamental na narrativa.

Parabéns Lídia Jorge pelas belas horas de leitura que nos proporciona.

Almerinda Bento

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

"Materna Doçura" de Possidónio Cachapa

Que bom foi terminar o ano com uma surpresa tão maravilhosa! O livro foi-me emprestado por uma amiga, que mo recomendou, mas nada me fez acreditar que me esperaria tão óptima leitura! Convenhamos que a capa e o título não brilham assim tanto, que nos façam pegar nele. E é pena, muita pena, porque o seu interior é brilhante! Tenho aqui outro livro deste escritor mas habita nas estantes dos "não lidos", como tantos outros...

Tendo acabado de ler um livro brilhante (Stoner de John Williams) é a "medo" que pego noutro, receosa que a nova leitura não me satisfaça. E se juntar a isso uma certa impaciência que me consome os dias e que me tem impedido de ler quanto gostaria, o resultado poderia ser um enrolar de uma leitura que nunca mais terminaria... Mas não foi nada disso que me aconteceu! A escrita do autor é cheia de acção, viva, com humor. A história desenrola-se entre o passado e o presente de um personagem muito sui generis, um misto de um "bom menino", de "galã" e "marialva", sem que o leitor perca o fio condutor.

Repito: uma surpresa muito boa e inesperada que a capa e o título não fariam supor!

Terminado em 31 de Dezembro de 2014 ( mais propriamente nas primeiras horas de dia 1/Janeiro)

Estrelas: 6*

Sinopse

Ninguém sai ileso de um grande amor. Ou da falta dele. Esta é uma história de fronteiras. E de reencontros. Os homens têm coração de mulher. Deixam-se amar em silêncio. As mulheres têm força de homens. São elas que mais fazem avançar a acção. A materna doçura não precisa de cédula nem de parto. A grande mãe preta e o irredimível solteirão amam os filhos que não tiveram. Este romance faz-se com um infinito «M» de mãe. Numa escrita viciante e cheia de surpresas, a língua portuguesa funciona como chave de «reconhecimento» entre personagens supostamente estranhas. Ninguém diga que conhece a última geração de ficcionistas portugueses se não tiver lido e relido este livro.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Um livro Numa Frase



"Era um belo animal, inteiro, só que fora solto num campo cercado, e assim a liberdade derivava apenas de não saber que permanecia fechado em circunstâncias diferentes."

In "O Meu Irmão", Afonso Reis Cabral, pág. 201

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A Escolha do Jorge: O Planeta do Sr Sammier

"O Planeta do Sr. Sammler" (1970) é uma das mais conhecidas obras de Saul Bellow (1915-2005) que foi galardoado com o Prémio Nobel de Literatura em 1976.
A obra em questão surge na sequência da realização da primeira viagem do Homem à Lua tornando-se num dos maiores feitos da Humanidade e, nesse sentido, Saul Bellow criou uma narrativa que levasse o Homem à reflexão do mundo em que vive no âmbito de um quadro de valores em crise.
Tendo como personagem central o professor Sammler, judeu oriundo da Polónia e perseguido pelos nazis durante a 2ª Guerra Mundial, sentiu igualmente o ódio por parte dos polacos não judeus durante o conflito, tendo conseguido refugiar-se em Nova Iorque onde passou a viver desde então.
Após a guerra, o professor Sammler retomou aos poucos aquilo que dificilmente será considerado de normalidade após um total descalabro a que a Humanidade ficou sujeita na sequência das inúmeras atrocidades a milhões de judeus, um pouco por toda a Europa.
Decorridos praticamente 25 anos após a guerra, o mundo voltava a pasmar-se então com a viagem do Homem à Lua, desenvolvendo Saul Bellow a tese de se desenvolver um movimento que defendia a possibilidade de a Humanidade poder viajar de "armas e bagagens" para a Lua na esperança de concretizar o sonho de almejar aquilo que já não seria possível alcançar na Terra.
Como forma de contrariar esta ideia aos seus interlocutores, o professor Sammler não só não concordava com semelhante ideia, como além do mais seria inconcebível o facto de o Homem jamais ser capaz de ser feliz noutro planeta, neste caso, na Lua, quando não tentou ou não quis verdadeiramente esforçar-se por ser feliz na Terra. Tratando-se de alguém que sofreu no contexto da 2ª Guerra Mundial, era até estranho para o professor Sammler compreender como é que a Humanidade tinha perdido a esperança na construção de um Mundo melhor. Depois da destruição restou o Homem e se o Homem por um lado é capaz de destruir também é capaz de tudo alterar graças à grandeza das suas qualidades.
Temos assim em "O Planeta do Sr. Sammler" um livro repleto de esperança e humanidade que em conjunto com as demais obras de Saul Bellow permitiram associar o autor a um dos grandes contributos das letras no século XX tratando-se de um autor que compreendeu com grande empenho e dedicação a complexidade do mundo contemporâneo.

Excertos:
"Claro que o impulso, a vontade de organizar esta expedição científica só pode ser uma daquelas necessidades irracionais que constituem a vida – esta vida que julgamos poder compreender. Portanto, suponho que devemos ir ao espaço, mas só porque, enquanto humanos, é nosso destino fazê-lo. Se tratasse de uma questão racional, então seria mais racional instaurar primeiro a justiça neste planeta. Depois, quando vivêssemos num mundo de santos, e os nossos corações ansiassem pela Lua, aí sim, podíamos metermo-nos nas nossas máquinas e subir nos ares…" (p. 208)

"Quanto ao mundo, estaria realmente a mudar? Porquê? Como? Pelo facto de nos mudarmos para o espaço, abandonando a Terra? Mudaria isso o coração humano? As atitudes? Porquê, por estarmos fartos das anteriores? Não era motivo suficiente. Porque o mundo estava a desfazer-se? Bom, se não o mundo, pelo menos a América. Se não a desfazer-se, pelo menos a cambalear." (p. 247)

"«Bom, todos somos humanos, mas só até certo ponto. Alguns mais do que outros.»
«Alguns muito pouco?»
«Aparentemente, sim. Muito pouco. Imperfeitos. Insuficientes. Perigosos.»
«Pensei que todos nascíamos humanos.»
«Não é um dom inato, de modo algum. Inata é só a capacidade.»" (p. 264)

"Mas suponhamos que é verdade – verdade, e não um mero estado de alma, ou uma manifestação de ignorância, ou de prazer na destruição, ou o apocalipse desejado por pessoas que estragaram tudo. Suponhamos que é verdade. Ainda resta uma coisa chamada homem. Ainda existem qualidades humanas. A nossa espécie, fraca como é, lutou contra o seu próprio medo, a nossa louca espécie combateu as suas tendências criminosas. Somos um animal de génio." (p. 265)

Texto da autoria de Jorge Navarro

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

"Stoner" de John Williams

Como é que um livro com uma história normal, quase banal, tem o condão de nos "tirar deste mundo"?

A escrita fenomenal de John Williams explica esse fenómeno. Pouco mais há a dizer. Um livro espectacular, verdadeiramente obrigatório, que vem reforçar a teoria que um livro é intemporal, se bem escrito. Este romance, para quem não sabe, foi publicado pela primeira vez em 1965.

Sinto-me literalmente sem palavras. Já tinha ouvido comentários elogiosos em relação a esta obra mas nada me preparou para me sentir completamente apaixonada pelo personagem principal! Um homenzinho insignificante e brilhante ao mesmo tempo, alguém que precisa de um abanão porque momentos há em que a sua passividade nos enerva de sobremaneira mas, por outro lado, possui uma força imensa que o faz resistir a pressões psicológicas quase intransponíveis... Em suma, apaixonei-me por um personagem com um carácter díspare, confuso, algo irritante, mas, por outro lado, muito forte. Odiei quem lhe quis mal, amei quem ele amou.

Nada mais peço de um livro. Façam o favor de o ler. Eu, vou comprá-lo, já que me foi emprestado por uma amiga. Quero-o na minha estante. O quanto antes!

Estrelas: 6*

Terminado em 28 de Dezembro de 2014

Sinopse

Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams - também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade.
Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia.
Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: "É o melhor romance que ninguém leu". Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da hiper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos - se tivermos um livro a que nos agarrar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

As Melhores Escolhas do Jorge de 2014

Estando mais um ano a terminar, é comum encontrarmos nas várias publicações e blogues as típicas listas de final de ano em que os vários intervenientes passam em revista o que de melhor de viu, leu e ouviu como que em jeito de não atraiçoar a memória daquilo que de melhor ficou.
Listas são listas e valem o que valem. A sua composição é sempre subjetiva e dificilmente encontramos listas iguais.
Ao longo deste ano foram partilhadas muitas sugestões de leitura no presente blogue e chegado o último dia do ano também gostaria de destacar alguns livros que me marcaram e consequentemente enriqueceram a minha biblioteca.
A cada título farei acompanhar o link que remete para a breve recensão que foi previamente publicada ao longo de 2014:

Obras de autores portugueses:
"TEORIA DOS LIMITES" – MARIA MANUEL VIANA (TEODOLITO):
http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2014/08/a-escolha-do-jorgeteoria-dos-limites.html

"BACH" – PEDRO EIRAS (ASSÍRIO & ALVIM):
http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2014/11/a-escolha-do-jorge-bach.html

"IMPUNIDADE" – H. G. CANCELA (RELÓGIO D’ÁGUA):
http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2014/09/a-escolha-do-jorge-impunidade.html


Obras de autores estrangeiros:


"A FILHA DO LESTE" – CLARA USÓN (TEODOLITO):
http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2014/11/a-escolha-do-jorge-filha-do-leste.html

"A LENDA DA CARRUAGEM" – SIGBJøRN HøLMEBAKK (EDITORIAL DE NOTÍCIAS):
http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2014/11/aescolha-do-jorge-lenda-da-carruagem.html

"OS CÃES E OS LOBOS" – IRÈNE NÉMIROVSKY (RELÓGIO D’ÁGUA):
http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2014/06/a-escolha-do-jorge-os-caes-e-os-lobos.html