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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Passatempo - 4* Aniversário "O Tempo Entre os Meus Livros"



E já lá vão quatro anos! Como passaram depressa! Dia 28, amanhã portanto, o blogue é pequenino...

Como não podia deixar de ser, O Tempo Entre os Meus Livros tem alguns livrinhos para vos oferecer. Um obrigado muito especial às editoras que se juntaram ao blogue e que muito gentilmente colaboraram ofertando alguns livros. São elas: Editorial Presença, Planeta, Clube do Autor, Vogais, Quinta Essência, Alfarroba, Bizâncio, Guerra e Paz.

Ē fácil participar.
Só têm de enviar email para Otempoentreosmeuslivros@gmail.com 
mencionando nome completo, morada e nick do seguidor do blogue. Só o podem fazer uma vez. Quem partilhar no FB e colocar neste post o link da partilha concorre com mais uma participação.

No entanto, quem no e-mail der os parabens ao blogue de uma forma original fica habilitado a um dos três marcadores em cortiça que a escritora Susana Machado ofereceu ao blogue e de que deixo aqui um link para poderem espreitar: http://www.facebook.com/susanamachado.autora

Os diversos passatempos sairão ao longo do dia. O blogue e as editoras não se responsabilizam por qualquer extravio dos CTT aquando do envio dos livros. Só é permitido uma participação por pessoa/morada. Os vencedores serão contactados via e-mail.

Basta enviar um só mail para ficar habilitado a todos os passatempos!

O passatempo começa a 28 Junho e termina a 12 de Julho.

Os livros a que ficam habilitados são:

-As pessoas felizes lêem e bebem café (Editora Guerra e Paz)
-A onda (Editora Vogais)
-Memórias de um mestre falsário e O indesejado ( Editora Bisâncio)
- Caminhos do coração, Uma viagem das Arábias, Diário oculto de. Nora Rute e Não podemos ver o vento (Clube do Autor)
-Arte-Terapia e O oficial e o espião (Editorial Presença)
-Pecado e Um amor na Cornualha (Quinta Essência)
-Nunca serei velho (Alfarroba)

Boa sorte e muito obrigada pela vossa presença aqui no blogue!

Cris

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A Escolha do Jorge: "O Tempo Morto É Um Bom Lugar"

Esta semana tentarei apresentar um livro num registo um pouco diferente daquele que tem sido feito nesta rubrica semanal em "O tempo entre os meus livros" ao longo dos últimos meses. Nem sempre a escolha é imediata ou que tenha de ser necessariamente um livro publicado recentemente.
Hoje o livro que proponho é o novo romance de Manuel Jorge Marmelo "O Tempo Morto é um Bom Lugar". O autor foi galardoado no início do ano com o Prémio Correntes D’Escritas à conta do seu romance "Uma Mentira Mil Vezes Repetida".
O novo romance de Manuel Jorge Marmelo foi precisamente o meu primeiro contacto com a sua obra tendo ficado com bastante curiosidade após a leitura da sinopse não sabendo ao certo o que poderia desenvolver-se a partir dali.
Devo dizer que fiquei de tal modo viciado no livro com a leitura das primeiras páginas na medida em que sabendo de antemão o que vai acontecer em função da informação disponibilizada na sinopse, ficamos com os sentidos à alerta sobretudo quando termina a primeira parte do livro após apresentadas algumas histórias ou simplesmente aquela visão da história daqueles personagens.
Imagine que Henrique Vermelho é contratado para escrever a autobiografia de Soraya Évora, uma estrela de um daqueles programas televisivos com enorme projeção nacional em que a vida privada é completamente exposta para gáudio de todos. Mas imagine também que Henrique acaba por se envolver sexualmente com Soraya e que certa manhã, não sabendo nem como nem porquê, a jovem atraente está morta ao seu lado.
Este episódio é de facto o cerne de toda a obra em que o leitor vai tentar compreender o que aconteceu e até que ponto estará Henrique envolvido ou não na morte da jovem.
Mas o complexo da questão é que Henrique decide entregar-se à polícia assumindo para tal toda a culpa na morte da jovem. Sem emprego e já na casa dos cinquenta anos, Henrique sente que nada tem a perder dadas as condições que atualmente o país atravessa, daí que sendo preso não terá de voltar a ter de se preocupar com as contas para pagar, nem com a pensão de alimentos da filha que raramente vê, nem tão-pouco com as apresentações quinzenais por auferir subsídio de desemprego e também não ter de ser chamado para frequentar formações que não servem para nada, nem para ele, nem para ninguém.
Deste modo, o tempo que Henrique passa na prisão irá ser bom ele na medida em que poderá empregá-lo na reflexão sobre a sua vida, coisa que em liberdade, não tem nem tempo nem vontade de o fazer dadas as preocupações mundanas que lhe ocupam parte do dia. É aqui que entra precisamente o título do livro, pois a prisão, a nova morada de Henrique, é afinal de contas um bom lugar esforçando-se a todo o custo por lá ficar o máximo de tempo possível.
A partir daqui, o autor da obra consegue cativar-nos de tal modo no enredo que não se tratando propriamente de um livro policial, a dada altura da narrativa acabamos mesmo por estar perante algo do género. À medida que avançamos na leitura, rapidamente percebemos que o livro funciona como a cartola do mágico de onde saem inúmeras surpresas, vários números de magia, na medida em que são várias as histórias que são apresentadas paralelamente à história da dupla Henrique-Soraya. Ficamos, pois, com a sensação de estarmos perante um livro com vários livros dentro, mas que ainda assim, está tudo de tal modo encaixado e tão bem relacionado que o leitor é completamente levado por esta arte e artimanha de quem sabe tão bem contar histórias. Tal é o caso se imaginarmos que num dos países nórdicos, provavelmente numa Islândia, um tal escritor Ólafur Bjarnason que se isola num casebre rural no intuito de escrever a história de Tristão, um bibliotecário que terá um fim ignominioso após ter cometido um sério crime que colocaria de certo modo o normal funcionamento da ditatorial Frihedlândia.
Mais à frente é contada a história de Bernardino Barbas, um escritor que foi detido por ter assassinado o seu único leitor após ter vendido escassos exemplares, o que lhe terá provocado uma angústia imensa e desse modo inviabilizaria que o seu livro, a sua frustração, não chegasse a mais ninguém, colocando-se de certa forma numa situação/posição semelhante à de Henrique.
Mas como iremos ver, à medida que avançamos para a parte seguinte da obra, talvez as coisas não tenham acontecido conforme descritas na secção anterior e o leitor é então levado a mergulhar num verdadeiro jogo de máscaras dado que terá de descobrir onde está a verdade e a mentira da ficção. Afinal quem terá escrito a autobiografia de Soraya Évora que é publicada postumamente e com uma procura extraordinária por parte de leitores ávidos de mexericos. Quem é esse escritor-fantasma?
A esta questão é o que João Abelha, um jornalista e antigo colega de Henrique vai tentar descobrir com a ajuda de algumas prostitutas que para além de serem exímias na sua profissão, têm igualmente olho e perspicácia para questões que envolvem mistério e intriga (quase) policial.
Com muito humor à mistura, Jorge Manuel Marmelo seduz-nos com um livro que para além da riqueza dos recursos que utiliza nesta multiplicidade ficcional, não se faz rogado nem perde uma oportunidade para criticar a sociedade contemporânea e o governo, sendo uma o reflexo do outro ou simplesmente duas faces da mesma moeda. A crise económica e as medidas de austeridade também estão presentes no livro, mas também não são esquecidos aqueles que têm sido os mais vulneráveis com toda a atual conjuntura de depressão económica que o país atravessa que são precisamente os mais fracos, os mais pobres e que de alguma forma têm vindo a engrossar as fileiras de quem dorme nas ruas vivendo da caridade e boa vontade alheias.
Por outro lado, "O Tempo Morto é um Bom Lugar" é um livro sobre a liberdade, desde o seu conceito até àquilo que podemos fazer com ela, assim como os seus limites, levantando várias questões de índole moral.
Ainda que com muitas histórias à mistura que se entrecruzam entre si e com tantos coelhos a saírem da cartola, Manuel Jorge Marmelo presenteou-nos com uma obra que dificilmente esqueceremos até mesmo pela sua estrutura.
Como referi no início, não li outras obras deste escritor, porém devo dizer que a sensação pós-leitura é semelhante a uma anestesia que se pretende mais e mais e mais. E mais um pouco.
"O Tempo Morto é um Bom Lugar" figurará certamente entre os melhores livros do ano ocupando igualmente "um bom lugar" nas nossas estantes.

Excertos:
"Apesar do grande número de experiências que acumulei na vida, nem sempre saudáveis ou amenas, e só muito raramente úteis, nunca me tinha acontecido acordar ao lado de um cadáver. Senti surpresa e espanto, estupefacção, susto, pânico e medo, tudo ao mesmo tempo e sem ordem nenhuma. De modo irracional e irreflectido tentei sacudir a Soraya pelos ombros e devolvê-la à vida como se fosse um brinquedo escangalhado. Esbofeteei-a para que acordasse e abracei-lhe o corpo inerte, e só depois de tudo me ocorreu questionar-me sobre o que tinha acontecido e como era possível que estivesse morta, que tivesse morrido assim inesperadamente e sem sentido, criando-me mais um problema que eu não sabia como resolver, e logo naquelas circunstâncias tão esdrúxulas, deixando-me, se calhar, outra vez sem trabalho e sem dinheiro, a braços com a autobiografia inacabada e fantasma de uma celebridade desvanecendo-se e já perdendo a cor, cujo espectro talvez estivesse naquele instante pairando no quarto e observando o meu desatino." (p. 31)


"Deixei há muito tempo de gostar de gente. Existe um ou outro indivíduo notável, mas, em conjunto, as pessoas são uma massa lamentável. Onde há tirania, são tiranos ou entregam-se à vilania do silêncio e da delação. Onde existe liberdade, ou aquilo a que comummente se chama liberdade, são sempre capazes de se porem de acordo para eleger os tipos mais desaconselháveis e capazes de prejudicarem ou defraudarem quem os escolheu. E depois reconduzem-nos quantas vezes for possível até serem forçados a optar por outro energúmeno qualquer (quando o primeiro já se tenha governado bastante).
Na última campanha eleitoral que acompanhei enquanto jornalista, o misantropo em que me fui transformando sorria interiormente e revoltava-se ao mesmo tempo. Os candidatos dos dois ou três partidos que sempre nos governam rivalizavam na distribuição de sandes de presunto, bonés e porta-chaves. Os eleitores quase se atropelavam para alcançarem as dádivas que os políticos lhes levavam aos bairros sociais, esquecidos de todas as vilanias que os respectivos partidos haviam cometido ao longo de décadas. Os partidos do costume lideravam largamente as sondagens e os estudos de opinião – e um deles acabou por ganhar as eleições sem que eu tivesse conseguido decidir o que execrava mais: os políticos que compravam votos com sandes de presunto ou as pessoas que se vendem e embrutecem por tão pouco." (pp. 76-77)
Texto da Autoria de Jorge Navarro

quarta-feira, 25 de junho de 2014

"As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café" de Agnès Martin-Lugand

O título original, a capa fantástica e a opinião de uma amiga foi o quanto bastou para colocar este livro no cimo da pilha cá de casa. Fiz bem. Devorei-o muito rapidamente. A escrita fluida, a história com um tema que me atraiu contribuiram para esta leitura rápida que não me tomou mais de uma parte de Domingo.

De uma forma intimista, a personagem principal, Diane, vai-nos contando como a sua vida de uma forma abrupta se alterou completamente. O sonho em que se tinha transformado a sua vida desmoronou com o acidente que vitimou os dois seres que mais amava.

Sem grandes dramas mas de uma forma muito realista, colocamo-nos na vida destroçada de Diane, nas suas, ainda que breves, tentativas de voltar a viver, nunca conseguindo, no entanto, afastar-se do mundo que acabara de perder... A importância da amizade, dos amigos que nada pedem mas que estão presentes, também é aqui realçada. Ainda haverá futuro? A que preço?

Uma leitura que me deu muito prazer, mesmo tratando-se de um tema pesado! Um livro que queremos ter na nossa estante. Daqueles que não nos podemos separar... Recomendo.

Terminado em 22 de junho de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

O romance que conquistou mais de 150.000 leitores em França.
Depois da morte do marido e da filha num brutal acidente de automóvel, Diane fecha-se em casa durante um ano, imersa em recordações, incapaz de reagir. Mas, quando já nada parece poder mudar, é precisamente uma dessas recordações que a faz escolher Mulranny, uma pequeníssima aldeia na Irlanda, como destino.
Instalada numa casa em frente ao mar, Diane é gentilmente recebida por todos os habitantes - todos menos um. Será Edward, o bruto e antipático vizinho, a resgatar Diane da apatia em que parece estar novamente a mergulhar. Primeiro, pela ira e pelo ódio. Mas depois, contra todas as expectativas, pela atracção. Como enfrentar este turbilhão de sentimentos? O que fazer com eles?

terça-feira, 24 de junho de 2014

A Convidada Escolhe: Os Guerreiros do Arco-Íris

Ikal é o narrador deste livro, um dos onze guerreiros do arco-íris, heróis desta história passada numa longínqua ilha da Indonésia. O autor, um jovem escritor indonésio, quis, com este livro, falar da sua experiência pessoal numa escola muito pobre da ilha de Belitong, paradoxalmente riquíssima em estanho. Em 2004, quando no final de uma campanha de apoio às vítimas do tsunami, viu em Aceh uma jovem mulher empunhando um cartaz que dizia "Venham. Não desistam da Escola" decidiu cumprir uma promessa que tinha feito a si próprio de escrever sobre a sua experiência escolar e de vida, a qual só foi possível devido à persistência e total empenhamento da professora e do director da escola.
Numa comunidade muito pobre em que a maioria dos seus habitantes não tinham noção de que a educação é um direito humano básico, tudo começou quando dez pais foram capazes de quebrar o ciclo de pobreza e de ignorância enviando os seus filhos para a escola. Todo o desenrolar da acção é uma luta constante para que a pobre escola não feche ou seja derrubada pelas máquinas da grande empresa de prospecção de estanho. A firmeza, a determinação, a convicção para que os sonhos sejam realidade, a entreajuda e a solidariedade, o exemplo e aposta no que de melhor há nos seres humanos para se superarem são os ingredientes que permitiram àqueles dois professores manter a escola de pé e instruir e dar dignidade àqueles meninos e meninas.
Para além do estudo, aquelas crianças aprendem com a observação da natureza, são felizes e brincam com o que a natureza lhes dá, descobrem as suas potencialidades e usam a sua criatividade no processo de crescimento e de aprendizagem. A descoberta do primeiro amor, o poder da literatura que leva o nosso jovem narrador a conseguir "viajar" para a longínqua aldeia de Edensor em Inglaterra, o papel de heróis tão mediáticos mas distantes como são Bruce Lee ou John Lennon são aspectos que fazem parte do processo de crescimento de Ikal. Sendo esta uma escola religiosa com uma missão muito marcada, é interessante a diferenciação das personagens na sua caracterização, na marca das suas personalidades pelos olhos e memória do narrador enquanto menino e passados alguns anos quando a vida o levou a reencontrar os "guerreiros do arco-íris" agora mais velhos e com percursos tão distintos daquilo que se poderia supor. A vida é feita de sonhos, de planos, de contratempos, de frustrações, de superação ou de derrotas, mas pelo menos aquela escola deu-lhes uma ferramenta muito importante: o pior de tudo é descrermos de nós próprios; é em nós que está a possibilidade de mudança.
A propósito da realidade social de pobreza versus riqueza que se vive na ilha de Belitong e na Indonésia de Suharto derrubado em 1998, o autor não deixa de fazer uma crítica à colonização holandesa e japonesa que sendo substituída pelo poder indonésio mantém no entanto uma postura colonial e feudal. O poder apenas muda de mãos, mas continua a proteger os ricos e os poderosos e a discriminar e esquecer os pobres e aqueles que não têm voz.
Sendo uma obra marcada por um forte optimismo e crença na imensa capacidade da humanidade em se superar e do papel da educação e da Escola para tal, fruto da experiência pessoal do autor a partir da sua escola, no fim do livro há uma vigorosa crítica ao materialismo e ao capitalismo que subverteu a essência da escola, tornando-a um meio para se obter fama e enriquecer, em vez de ser um meio de valorização dos indivíduos enquanto seres que aspiram ao conhecimento, ao progresso e à civilização.
Sintetizando, este livro é um elogio à profissão de(a) professor(a), um manifesto sobre o poder da escola e da educação, a sua capacidade de fazer com que as pessoas se atrevam a sonhar, a superarem-se e a ser obreiras do seu futuro, mesmo quando as adversidades são imensas e os recursos praticamente nulos.
Almerinda Bento

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Experiência na Cozinha: Receitas Para Todos os Dias

A minha primeira experiência com este livro da Joana Roque foi a Salada Fria de Salmão. Fresca e rápida, fi-la num instante! Devo dizer que era sucesso garantido visto que o salmão é um peixe que todos cá em casa adoram e se forem lombos sem espinhas... Melhor ainda!

E fiz assim:

Cozi as batatas partidas em bocados e as ervilhas (quando a água das batatas ferveu juntei as ervilhas congeladas). Grelhei o salmão (temperado com sal e pimenta) num fio de azeite.

Juntei as batatas, o salmão, as ervilhas e tomate chucha partido ao meio. Piquei uma cebola pequena e coentros frescos. Juntei ao preparado anterior.

Numa taça coloquei azeite, sumo de limão e mortarda Dijon. Misturei bem e deitei por cima da salada! Vejam como ficou:

"A Cor do Coração" de Barbara Mutch

Falar de um livro que nos toca o coração não é tarefa fácil! Sobretudo quando a História, que está por detrás da historia que nos é contada, é de tal forma grandiosa que nos impede de encontrar as palavras correctas, ou pelo menos, aquelas que consideramos perfeitas para traduzir o que nos vai cá dentro.

A Cor do Coração poderia ser facilmente sibstituído por A Cor de África já que o enredo passa-se num país de contrastes, de amores e ódios profundos: a África do Sul! Em simultâneo acompanhamos a vida de Ada, a filha de uma criada negra, e toda a história do Apartheid, a luta de um povo pelos seus direitos.

Bem escrita e não tendo momentos monótonos, a história cativa muito rapidamente. É-nos contada, maioritariamente, por Ada, mas tem breves apontamentos de um diário escrito por Cathleen, a sua patroa. A amizade que as une vai fazê-las ultrapassar os dissabores que a vida, através das pessoas, lhes dá. Uma amizade que durou uma vida inteira, que perdurou muito depois dela, através de Ada, e que estava acima de qualquer preconceito.

Ada é uma criança inocente com um dom para a música. Cathleen sente-o e transmite-lhe os seus conhecimentos. Ensina-lhe a ler, escrever e a tocar piano. Ada aprende rapidamente e as suas mãos transformam a música que toca! Mas sendo negra o mundo está-lhe negado. O Apartheid prende-lhe os movimentos, condiciona-a. O seu segredo impede-a de lutar por aquilo que acha certo mas enfrenta o mundo que a rodeia, um mundo a duas cores: branco e preto.

Verosímil esta história? Pareceu-me que sim, que ela retrata, em muitos aspectos, a história do povo sul africano. Recomendo muitíssimo. Uma leitura que me deu muito prazer.

Terminado em 20 de Junho de 2014

Estrelas: 6*

Sinopse

Este romance de estreia de Barbara Mutch tem vindo a conquistar os meios literários internacionais, pela peculiar delicadeza e a sensibilidade que a sua escrita revela. A história inicia-se nas terras do Karoo, na África do Sul, onde uma jovem irlandesa chega para desposar o noivo que não vê há cinco anos e aí constituir família. O livro revela-nos as pouco ortodoxas ligações que se vão tecendo entre os diferentes personagens. Com o rebentar da Segunda Guerra Mundial tudo muda dolorosamente naquela casa, até que uma guerra se instala no próprio país — o apartheid—, dilacerando ainda mais as já fragilizadas relações. A Cor do Coração é, acima de tudo, um romance inteligente e desafiador, que retrata o drama e o sofrimento de duas mulheres capazes de se elevarem acima da crueldade e do preconceito em nome dos valores mais genuinamente humanos.

domingo, 22 de junho de 2014

Ao Domingo com... Rui Teixeira

Portanto, no princípio era o Verbo. E o Verbo se fez luz, e sombra, e cores e cheiros, e gente-gente, e gente-bicho ou bicho-gente, um Universo inteiro nas histórias que contavam os mais velhos. E havia livros que ilustravam as histórias. E amigos de verdade. E outros, imaginários, que repetiam e a quem repetia as histórias ouvidas. E os personagens das histórias misturavam-se e invadiam outros enredos e medravam, e novas histórias daí se criavam. E havia, ubíquos, o Bem e o Mal. E havia uma Moral, e o Bem ganhava sempre.
      E o Verbo eram letras e palavras que ganhavam forma e permaneciam, e foi estreada uma caneta nova no exame da quarta classe, e escreviam-se cartas onde se partilhavam alegrias ou tristezas, e afectos.
      A Guerra mostrou o valor da Paz, a Paz aplacou os horrores da Guerra, as histórias falavam de gente que se confundia com bichos e de bichos que se comportavam como gente.
      E uma pessoa, um escritor, foi à sala de aula mostrar Um Girassol Que se Chamava Beatriz. e a pessoa, que se chamava Eduardo, não escrevia com maiúsculas a seguir à pontuação, e ensinou que o sonho e a capacidade de despertar emoções se sobrepõem à regra. E o Mundo foi minguando, um livro era uma janela por onde fugia a Cem Anos de Solidão e o mundo era mais pequeno que o coração que, por crescer, às vezes doía. Um Saramago, chamado José, levantou-se do chão para contar outra História do Cerco de Lisboa e mostrou que não há apenas uma verdade e que esta pode ser corrigida e deve ser procurada no coração. E o mundo não voltou a ser o mesmo.

      A Escola deu lugar à Vida, ainda que seja vida aquela e não deixe esta de ser uma escola e as histórias quiseram confundir-se com a própria vida. E um homem chamado Pepetela começou um livro por portanto, e escreveu sobre uma Geração que se deixou manietar pela vida, abandonado a Utopia de ser e fazer diferente e melhor.
      E fizeram-se dois mundos, o de-lá-de-fora, onde acontecia a vida, e o de-cá-de-dentro, onde habitava o sonho e onde as vozes de outrora contavam novas e velhas histórias. O mundo de-cá-de-dentro cresceu até ser uma sala com estantes e livros, e cadernos e lápis. E um computador, que é uma porta entre os dois mundos. E, um dia, as novas histórias já não cabiam no mundo de-cá-de-dentro e forçaram a saída para o de-lá-de-fora e assim nasceu um Camaleão que é uma janela para uma vida com vidas dentro, numa viagem que se inicia em Angola, assiste ao estertor do império e desagua num Portugal novo. Como um velho e esquecido baú que, uma vez aberto, revela memórias, emoções e sentimentos de um menino que, enquanto cresce, se metamorfoseia para se manter ligado a um Mundo que se revolve e transforma de forma suave e quase imperceptível, por vezes, ou rápida e violentamente, por outras. 

Rui Teixeira

sábado, 21 de junho de 2014

Convite Chiado Editora


Um livro numa frase



"Mais tarde descobri que as notas musicais também eram como as palavras: significavam uma coisa quando tocadas sozinhas, e outra completamente diferente quando tocadas em conjunto."

In Na Cor do Coração de Barbara Mutch, pág. 24

Na minha caixa de correio

  

  

  

  

  



  

  



Oferta das editoras:
Marcador: Encontro em Itália
Planeta: As Luzes de Setembro, Na Cama das Rainhas e O Amante
Chiado: A Espada de Santa Clara
Porto Editora: Infância Roubada
Quinta Essência: Um Amor na Cornualha e Roma 40 D.C.
Todos os outros vieram da minha última visita à Feira do Livro. Fizeram Hora H e trouxe, por exemplo, os do Marc Levy por 3,60€. Trouxe também alguns que eram livro do Dia.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Novidade Esfera dos Livros

Coaching para Pais

de Cristina Valente
Educar é decidir entre vários caminhos. Educar implica reflectir sobre o que queremos para os nossos filhos. Como os queremos educar? Que adultos queremos que sejam no futuro? Nenhum de nós nasceu com a competência para ser pai ou mãe. E a intuição não basta. É preciso trabalho e ter vontade de aprender. É necessário adquirir ferramentas e fazer uso de estratégias que nos permitam educar com alegria! Ao longo destas páginas, a psicóloga Cristina Valente, especialista em coaching parental, ensina-nos todas estas competências que levam a uma educação democrática baseada na colaboração, dignidade e respeito mútuo entre pais e filhos. Uma educação que orienta sem impor, reforça regras fundamentais para o seu crescimento, que não é permissiva, mas que exercita a autoridade e não o autoritarismo, que partilha responsabilidades e ensina valores.

  • Ensinar os nossos filhos a aprenderem com os erros,
  • A transformar sentimentos negativos em positivos,
  • Perceber o poder de fazer perguntas e de ouvir as respostas
  • Encarar de mente aberta os desentendimentos entre irmãos
  • Conhecer estratégias para criar autonomia à mesa e no sono
  • Ensinar-lhes conceitos fundamentais para a vida como a responsabilidade, a resiliência, o respeito pelo outro.

Estes são alguns dos temas que a autora aborda neste livro essencial. Ser pai e mãe é uma profissão para a vida. Uma missão que escolhemos e da qual não nos podemos demitir, mesmo nos momentos em que estamos mais cansados, quase à beira de um ataque de nervos e sem esperança. Educar é respeitar, apoiar, compreender, aprender a desafiarmo-nos todos os dias. Educar é amar.  

Novidade Marcador

O Leão
de Nelson DeMille
John Corey, ex-detetive de Homicídios da Polícia de Nova Iorque e agente especial da Brigada Antiterrorista, está de volta. Infelizmente para Corey, Asad Khalil, o terrorista líbio conhecido com o Leão, também.
Da última vez, que Khalil rumou aos Estados Unidos, foi apenas para provocar o ato terrorista mais horrendo que alguma vez ocorreu em solo americano. Enquanto Corey e a sua parceira, a agente Kate Mayfield, o perseguiam pelo país, Khalil eliminou metodicamente as suas vítimas, uma por uma, e a seguir desapareceu sem deixar rasto. 
O Leão é uma máquina assassina novamente à solta que está em missão de vingança, e John Corey não vai conseguir pará-lo a menos que consiga encontrar e matar Khalil.

Novidade Planeta

Amor, Açúcar e Canela
de Amy Bratley
Na sua missão de construir o lar perfeito, com passarinhos a chilrear e uma cerca de madeira pintada de branco, Juliet depara-se com um obstáculo sério – a realidade. 
Na primeira noite que passa com o namorado no apartamento novo de ambos, descobre que Simon dormiu com a sua melhor amiga. 
Criada numa família disfuncional com segredos que a perseguem, Juliet não está disposta a construir o seu ninho sobre um ramo partido. 
Destroçada e em busca de um escape para as suas angústias, Juliet retira-se para o mundo reconfortante dos manuais de artes domésticas dos anos de 1950 deixados pela avó, que ensinam truques como «ponha uma fita no cabelo para alegrar o dia do seu marido» e, embora saiba que isso não a vai levar a lado nenhum, descobre que a costura está outra vez na moda. 
Assumindo o controlo da sua vida, Juliet está decidida a ter um lar com coração. Mas quem ficará com o dela?

A Escolha do Jorge: O Choque da Queda

Nathan Filer (n. 1981) é enfermeiro de doenças mentais e regista com frequência muitas das experiências que tem tido com os doentes nos hospitais por onde tem passado, material esse que de alguma forma lhe serviu de inspiração para a redação de "O Choque da Queda", o seu primeiro romance que lhe valeu em 2013 dois importantes prémios literários no Reino Unido, nomeadamente o COSTA BOOK AWARD e o COSTA BOOK AWARD para Primeiro Romance.
Com uma escrita apelativa desde a primeira página, Nathan Filer entra no corpo e alma de Matthew Homes, um jovem de dezoito anos que relata a sua vida desde os oito, idade em que ocorre o acidente trágico que vitimou mortalmente o seu irmão Simon na sequência de uma brincadeira.
Não entraremos em detalhes da história até porque à medida que avançamos na narrativa há muitos momentos que são mesmo previsíveis, mas ainda assim estamos perante um livro que só conseguimos largar quando chega precisamente ao fim.
Não se percebe exatamente se Matthew aos oito anos já evidenciava sintomas de esquizofrenia, doença de que vem claramente a padecer durante a adolescência, mas a conjugação do sentimento de culpa com a dor da perda do irmão poderão estar de alguma forma na origem da doença que tem como consequências diretas a dificuldade de relacionamento com familiares e amigos evidenciando em dadas situações um comportamento agressivo, verbal e/ou físico. De referir ainda como tónica central da doença a incapacidade de distinguir a realidade das alucinações frequentes que passa a ter como se uma fosse a continuação da outra ou como se de alguma forma ambos os planos se confundissem.
À medida que os anos vão passando e entrando Matthew na crise da adolescência, a situação agrava-se porque sente dolorosamente a falta do irmão confundindo-se a certa altura da narrativa a dor infinita com a necessidade de perdão por parte de Simon que passa a estar cada vez mais presente em todas as suas atividades do quotidiano quase sentindo que um e outro são uma e a mesma pessoa em certos momentos.
É esta crise de identidade bafejada por sérias alucinações que fazem com que Matthew chegue a pôr em perigo a sua própria integridade física conduzindo em certa medida a um internamento e/ou ao aumento das doses da medicação que o afastam cada vez mais da realidade ficando completamente debilitado física e psicologicamente, dando, pois a ideia de uma contradição.
"A Mamã desapareceu a certa altura, depois as luzes apagaram-se e ela voltou com um bolo de anos de chocolate com dezoito velas acesas. Toda a gente cantou em coro Happy Birthday. O Simon incluído.
Estava nas chamas.
É claro que estava nas chamas.
Uma enfermeira agarrou-me pelo pulso, conduziu-me rapidamente para a sala de tratamentos, onde colocou os meus dedos empolados debaixo da torneira da água fria. Não faço ideia do que fiz, sei apenas que tentava agarrá-lo.
Mudaram-me outra vez a medicação. Mais efeitos secundários. Mais sedativos. Por fim, o Simon tornou-se mais distante. Procurei-o nas nuvens de chuva, nas folhas mortas, nos olhares enviesados. Procurei-o nos lugares onde esperava encontrá-lo. Na água da torneira. No sal derramado. Pus-me à escuta nos espaços entre as palavras." (p. 225)
Nos momentos de lucidez, Matthew passa a escrito a sua história recuando novamente aos oito anos onde e quando tudo começou, sendo, pois, esta a história que nos chega às mãos como narrador que nunca põe de lado os momentos e vivências mais críticas da sua doença.
Matthew tem a consciência de que irá sempre viver com a doença e que inevitavelmente regressará ao hospital com uma nova recaída, mas com a ajuda da família e da equipa que o tem apoiado, conseguiu um feito notável, a reconciliação com o irmão ainda que nos momentos de menor lucidez oiça mais ou menos Simon mediante a medicação que toma.
"Falei-vos do meu primeiro internamento no hospital, mas voltei a ser internado depois. E sei que voltarei a sê-lo. Movemo-nos em círculos, esta doença e eu. Somos electrões que andam à volta dum núcleo.
(…)
Assim sendo, junto estas páginas às outras da pilha e fica tudo como está. Escrever sobre o passado é revivê-lo, é vê-lo desenrolar-se outra vez. Pomos recordações em bocados de papel para saber que elas existirão sempre. Mas esta história nunca foi uma evocação, é a descoberta duma maneira de esquecer. Não conheço o final, mas sei o que vem a seguir. No corredor, dirijo-me para o som da Festa do Adeus. Mas não chego lá. Vou virar à esquerda, depois à direita e abrir a porta de entrada com as duas mãos.
Hoje não tenho mais nada que fazer.
É um começo." (pp. 251-252)
Assim, a dor e a loucura são as faces da mesma moeda ao longo de "O Choque da Queda", livro que certamente o leitor não sairá ileso. Com momentos igualmente hilariantes alternados com outros de profunda alucinação e até agressividade, o livro conquista-nos também com momentos doces e ternos que dificilmente esqueceremos.
Ficção à parte, este é igualmente um livro que nos ajuda a compreender o mundo (in)compreensível das alucinações, da loucura. Como se a realidade em que vivemos não tivesse a sua dose de esquizofrenia…
"A doença mental vira as pessoas para dentro. É o que eu acho. Mantém-nos presos eternamente no sofrimento das nossas próprias mentes, da mesma maneira que a dor duma perna partida ou dum dedo cortado se apodera da nossa atenção, agarrando-a com tanta força que a perna boa ou o polegar inteiro parecem deixar de existir." (p. 226)

Texto da autoria de. Jorge Navarro

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Resultado do Passatempo A Cor do Coração

Venho hoje, aqui, apresentar o vencedor deste livro magnífico. É certo que ainda vou a meio mas estou a gostar imenso! Espero que o vencedor o aprecie também. Sim, porque desta vez temos um vencedor!

Com 327 participações foi escolhido, pelo Sr. Random, o número 186 que corresponde a:

- Guilherme Freitas de Lisboa


Muitos parabéns! Espero que gostes! A Editorial Presença far-te-á chegar muito o livro muito em breve.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O Homem Duplicado, o livro, o filme e a minha opinião

O FILME
Publicado recentemente pela Porto Editora, o livro O Homem Duplicado chega ao grande ecrã numa adaptação livre do realizador Denis Villeneuve, com o ator Jake Gyllenhaal no papel principal. A estreia nos cinemas portugueses e brasileiros está marcada para amanhã, um dia após a data de falecimento de José Saramago, a 18 de junho de 2010.
O filme, de produção canadiana e espanhola, venceu já o prémio Méliès d'Argent no Festival Internacional de Cinema Fantástico da Catalunha, em Sitges, sendo considerado o melhor filme fantástico europeu do ano. No Canadá, O Homem Duplicado recebeu cinco prémios no Canadian Screen Awards, o principal galardão de cinema do país. Além de melhor realização e melhor fotografia, o filme foi distinguido pela melhor música e montagem e Sarah Gadon eleita a melhor atriz secundária.

SINOPSE DO LIVRO
Tertuliano Máximo Afonso, professor de História no ensino secundário, «vive só e aborrece-se», «esteve casado e não se lembra do que o levou ao matrimónio, divorciou-se e agora não quer nem lembrar-se dos motivos por que se separou», à cadeira de História «vê-a ele desde há muito tempo como uma fadiga sem sentido e um começo sem fim». Uma noite, em casa, ao rever um filme na televisão, «levantou-se da cadeira, ajoelhou-se diante do televisor, a cara tão perto do ecrã quanto lhe permitia a visão. «Sou eu, disse, e outra vez sentiu que se lhe eriçavam os pelos do corpo.» Depois desta inesperada descoberta, de um homem exatamente igual a si, Tertuliano Máximo Afonso, o que vive só e se aborrece, parte à descoberta desse outro homem.

MINHA OPINIÃO
Tive a oportunidade de ir à ante-estreia deste filme.. Não li, ainda, o livro e por essa razão não tinha expectativas nenhumas. Nem sequer tinha lido a sinopse. Fui em branco, como se costuma dizer!
Sei que no final fiquei presa à cadeira, o meu cérebro a mil... Ia descartando algumas hipóteses ao longo do filme para solucionar o enigma que nos é apresentado quase logo no início, porque, e sobretudo, se tratava de uma adaptação de um livro de José Saramago. A explicação mais simples, simplesmente não servia!
Achei o filme fantástico, depois de ter reflectido um pouco sobre ele. O final, de tão surpreendente e enigmático que é, abre um mundo de explicações. O suspense é constante, mantendo-nos presos à tela. A música, perfeita! As perguntas são muitas, as respostas... Afinal é Saramago, não é? E se as procurarmos dentro de nós?
Fiquei com uma vontade enorme de ler O Homem Duplicado. De Saramago só li Ensaio sobre a Cegueira, que adorei! Já tentei outros, mas não consegui acabar! Será que é desta que vou conseguir acabar com o enguiço? Faço figas!

"Pecado" de Sylvia Day

Vou começar logo por ser sincera: não creio que esta capa traduza com rigor o conteúdo desta obra. Quem olha para ela pensa: "Lá vem mais um!". O mercado ficou, de um momento para o outro, inundado de livros de cariz erótico mas quem pensa que esta obra é mais uma a juntar às que aí circulam, engana-se. Ē um livro com um conteúdo sexy, sem dúvida, caliente! Porém, reduzi-lo a isso seria lamentável.

É o que eu chamo um romance de época e com várias histórias em paralelo, todas elas com um enredo que prende a atenção do leitor. Viajamos para Inglaterra e somos confrontados com temas como os casamentos combinados, o papel reduzido da mulher na sociedade de autrora e as convenções sociais, os maus tratos e a violência doméstica, a prostituição... Aflora também, ao de leve, a escravatura e a sua relação com a economia de então.

Sinceramente não sei qual das duas partes mais gostei. Estão bem doseadas mas queria ver mais desenvolvido os aspectos focados no parágrafo anterior. Assim, o livro seria um pouquito maior, lol!

Centrando-se na relação de Jessica e Alistair e no passado conturbado de ambos, esta obra lê-se com um prazer crescente. Para quem gosta de um romance picante, sensual, sem extremos nem excessos e de, ao mesmo tempo, saborear um romance de época, este é o livro indicado. Venha o próximo pois este é o primeiro de uma série que a autora tem em maõs.

Terminado em 12 de Junho de 2014

Estrelas: 4*+

Sinopse

Numa noite quente de verão, a apenas algumas horas do seu casamento, a discreta Lady Jessica Sheffield testemunhou uma cena da qual nunca irá recuperar. Vê o jovem Alistair Caufield numa cena ferozmente íntima com uma mulher muito mais velha. Chocada, mas estranhamente excitada, ela manteve silêncio sobre o que viu, e caminhou até ao altar como esperado. Mas, ao longo de anos de um casamento sereno e normal, a imagem de Caulfield continuou na sua imaginação, alimentando sonhos muito ilícitos...
Alistair fugiu da tentação da debutante recatada com o fogo da paixão nos olhos para as Índias Ocidentais. Enquanto comerciante bem-sucedido, tem pouco em comum com o jovem libertino que ela conhecia. Mas quando, sete anos depois, a recém-viúva Jessica sobe a bordo do seu navio para uma viagem até à Jamaica, os sete anos de prazeres negados são mantidos em xeque apenas por algumas camadas de seda… e pela certeza de que renderem-se irá consumir os dois...

terça-feira, 17 de junho de 2014

A Convidada Escolhe: "A Longa Viagem de Gracia Mendes"

"A Longa Viagem de Gracia Mendes" de Mariana Birnbaum é, na verdade, um relato sobre o trajeto épico e aventuroso de Gracia Mendes ou Gracia Nassi, (1510-1569), judia portuguesa e uma das mulheres mais ricas da sua época, que viria a chefiar uma das principais casas comerciais da Europa.

A narrativa é muito variada e estende-se desde o século XIII ao século XVII e tem como cenários vários países: Portugal, Espanha, Amsterdão, Veneza, Ferrara e Istambul.

Envolve judeus, a inquisição e as perseguições antissemitas em Lisboa, daí os problemas e complicações que a família de Gracia e ela própria sendo mulher e judia teve que enfrentar e ultrapassar.
Era muito difícil esconder a sua religião contudo, disfarçando sempre, os negócios desta família abastada eram levados sempre avante e incrementados dada a sua grande capacidade de intermediar e comercializar, conseguindo assim, apesar da perseguição, instalar-se com alguma segurança em número considerável de cidades europeias. Os governantes sabiam aproveitar-se, também, da sua condição de judeus porque, se por um lado eram sinal de prosperidade e comércio, por outro podiam tirar vantagem exigindo subornos em troca da sua segurança. Depois da morte do marido Gracia ficou à frente dos negócios em estreita relação com o cunhado tendo demonstrado uma grande capacidade de gestão a ponto deste quando morreu lhe ter legado grande parte da sua fortuna, ficando ela responsável pela viúva e sua irmã. Surgiram então os ciúmes que levaram à denúncia às autoridades da verdadeira religião de Gracia e deram início a perseguição inclusive aos depósitos de dinheiro, obrigando-a a fazer a sua última viagem até Istambul.

É uma obra muito interessante e empolgante que envolve anos de sofrimento e de luta, chantagens, perseguições que se prolongaram até ao rapto da filha de Gracia e ao seu casamento forçado com um nobre. Realça sobretudo a força da mulher judia que consegue vencer e ultrapassar as diferenças de sexo e religião, impensável naquela época.

Gostei imenso deste livro que sendo grande não me cansou, muito pelo contrário.

Maria Fernanda Pinto

segunda-feira, 16 de junho de 2014

"No Coração da Tempestade" de Jesmyn Ward

Talvez por esta história ser narrada por Esch, uma menina de 14 anos, fiquemos tão rapidamente envolvidos nela.

Pertencendo a uma família um pouco disfuncional desde a morte da mãe (com um pai cada vez mais ausente devido à bebida que ingere), Esch e seus três irmãos preocupam-se com aspectos das suas vidas que têm a ver com o amor que sentem uns pelos outros, a necessidade de se alimentarem com os escassos recursos que possuem, a gravidez inesperada de Esch, a ninhada que a cadela Pit Bull teve, os amigos... Ao longe vão-se apercebendo que um furacão vai passar por ali, sobretudo porque o pai tenta arranjar forma de proteger a casa. O Katrina vem a caminho mas eles nunca tomaram consciência de quão grave poderia ser...

As suas disfuncionalidades como família, mas também o amor que os une, são apresentados ao longo desta obra. Por isso não se lê com ligeireza. A pobreza, a vários níveis, é realçada e doi. Doi ao ler. Embora a escrita seja fluída e fácil, o conteúdo é de uma dureza implícita que nos impressiona. Muitas partes da história ficam em aberto mas facilmente são previsíveis e o leitor pode antecipar o que fica por contar. Mesmo depois do final.

Recomendo!

Terminado em 12 de Junho de 2014

Estrelas: 5*-

Sinopse

Observando Esch, ninguém poderia adivinhar que um grande furacão, o Katrina, ameaçava seriamente a sua vida…
Ela tem apenas 14 anos e maravilha-se com tudo o que lhe acontece: descobrir o amor e ficar grávida, por exemplo, ao mesmo tempo que a cadela Pit Bull China tem uma ninhada de cães que traz uma grande alegria aos seus três irmãos: Júnior, o mais novo e curioso de todos, Skeetah, que admira aqueles cães como forças da natureza, e Randall, que espera obter com a venda da ninhada os meios para seguir uma carreira no basquetebol.
Os avisos de um furacão cada vez mais poderoso a formar-se ao largo do Golfo do México e em rota de colisão com a região pobre de Bois Sauvage, onde Esch vive, só lhe chegam como rumores vagos, principalmente do pai ausente e frequentemente bêbedo, em constante alvoroço entre alguns biscates e o recolher de materiais para fortificar a casa contra o cataclismo que se avizinha.
Pode esta família de crianças sem mãe, e de pai distante, continuar a viver os seus sonhos e fantasias no meio da pobreza e sob a ameaça de um desastre natural?
O amor que os une é praticamente o único recurso que possuem e a força da sua inocência terá de vencer a força do furacão.
Um romance magistral, que venceu em 2011 o National Book Award, o principal prémio literário dos Estados Unidos.

domingo, 15 de junho de 2014

Ao Domingo com... José Cipriano Catarino

Soprou-me o vento sobre o barro, assim fez o meu ser,  pés colados à terra, cabeça acima das nuvens.
Cozeu-me à sua imagem — irascível, instável, amigo de larguezas e de solidões. Deu-me por brinquedos imaginação e argila para os moldar — quase sempre aviões, como os que sobrevoavam as vinhas por onde corria descalço, braços abertos como asas tentando elevar-me
da mediocridade terrena, e embalado nas descidas pulava barreiras e silvados, e por instantes também eu voava, não tão alto como os jactos que traçavam no céu linhas brancas, nem como os falcões que nele planavam, nem sequer como as esquivas perdizes de voo curto — era antes esvoaçar de melro de moita em moita, coisa de metros, depois, o preço de cada sonho: trambolhão na realidade, amortecido pela terra mole sempre amiga, para outra vez  me levantar e acelerar ladeira abaixo, outra ribanceira, outro salto, outra queda... 
No seu soprar constante o vento levou-me os cabelos um por um, metaforizou as minhas ribanceiras, os meus silvados, os meus voos, só preservou a veleidade de querer elevar-me acima da terra de que me fez, isolando-me daqueles que por todo o lado protestam, resmungam, vociferam, insultam, ameaçam. 
Torno-me suspeito pelo silêncio — a minha linguagem é outra. Oiço as vozes, escuto as raivas, misturo-as, observo as vidas, confundo-as, depois moldo-as no barro da minha escrita, sopro-lhes a vida, na esperança de que se não esboroem tão depressa como o pó de que o vento me fez...

José Cipriano Catarino

sábado, 14 de junho de 2014

Na minha caixa de correio

         

  

Mais uma ida à Feira do Livro e mais uma desgraça!
Entre Leve quatro pague três e Hora H vieram estes...