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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quando o passado nos persegue


Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 308
Editor: Oficina do Livro
ISBN: 9789895551798
Colecção: Ficção

Este livro surpreendeu-me muito! Não que eu estivesse à espera de não gostar, tanto mais que me foi recomendado por uma amiga (obrigado Teresa!), mas talvez pela capa, achei que seria um pouco "antigo", démodé seria a palavra certa.

Enganei-me. É bem feito, para não fazer juízos antes do tempo, ou neste caso, antes da leitura! 

É uma roda viva este romance! Explico porquê: o narrador muda constantemente, o passado cruza-se com o presente de uma forma que não nos deixa descansar... e tudo isto sem perdermos o fio à meada, sem nos perdermos na leitura. Sentimos necessidade de avançar, de não largarmos o enredo.

Estamos quer na época da Revolução em Portugal, no tempo das F.P. 25 de Abril, como vinte e tal anos mais tarde. Escrito de uma forma quase poética, "Gestos esquecidos" faz-nos reler algumas frases de tão bonitas e tão cheias de conteúdo que são, ao mesmo tempo que nos impele a ler rapidamente, tal é a vontade de chegar ao fim. E o fim arrebata de tão surpreendente que é.


Já ouviram falar da teoria efeito borboleta: segundo a cultura popular, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo? ou, mais popularmente,  que um bater de asas de uma borboleta em Tóquio provoca uma tempestade em Nova Iorque? Às vezes as relações humanas são exemplo disso... Fez-me lembrar isso mesmo, esta história. De como as nossas acções, por mais simples que nos pareçam, podem determinar, em grande medida, o futuro dos nossos descendentes e o nosso, claro!

Muito bem conseguido este livro de um autor que, sinceramente, nunca tinha ouvido falar! Recomendo.

Terminado em 14 de Dezembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse

Duas famílias, dois ideais, um amor marcado pelos excessos da revolução.
Portugal, anos 80. Virgílio é militante operacional das Forças Populares - 25 de Abril. Numa das acções revolucionárias em que participa mata José Trinan, empresário do Norte, e fere gravemente uma das filhas. João Pedro, filho de Virgílio, só aos 18 anos toma conhecimento, pela voz de um juiz, das actividades do pai. 
Mais tarde, quando decide partir em busca das suas raízes, o seu caminho cruza-se com o de Dulce, filha de José Trinan. Depois de viverem dias de paixão intensa, João Pedro decide contar-lhe toda a verdade. E tudo muda a partir daí. 
Prendendo o leitor da primeira à última página, Gestos Esquecidos é um romance que nos apresenta um retrato fiel de uma época muito peculiar do Portugal contemporâneo e nos recorda como são indefiníveis os limites desse território misterioso que é o amor.

Um pouco de História:

Forças Populares 25 de Abril (FP-25) foram uma organização terrorista de extrema-esquerda que operou em Portugal entre 1980 e 1987.
Parte significativa dos seus militantes procediam das antigas Brigadas Revolucionárias.
Entre 1980 e 1987, as FP 25 foram responsáveis por 13 homícidios - aos quais acrescem ainda as mortes de 4 dos seus operacionais - 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos e viaturas de transporte de valores[1].
O julgamento dos seus crimes foi incompleto, quer por prescrição de alguns dos processos, quer pela dificuldade em identificar os autores materiais dos factos. (Retirado da Wikipédia)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Soltas...

"Ao som das sirenes dos carros de polícia e das ambulâncias que gemiam urgências, os terroristas deixaram apressadamente, com pedaços de névoa nos olhos, o local do crime. Nesse instante profético, Virgílio viu empalidecer, entre os pedaços de chuva negra que caía, a estrela com que sonhara e duvidou, naquele momento tenebroso, do mundo novo que se propusera, deste jeito, fazer nascer."

"Beijava-te e rodopiava contigo pelos nossos corpos adentro e olhava-te bem de perto, o hálito quente do beijo misturado com as gotas de suor nosso, as garras dos nossos dedos misturando-se com a carne irrequieta, houve momentos em que chegámos a ser um só.Mas cedo partias mesmo ali ficando."

"Quando um semáforo passou a verde e a menina se levantou, com a Abelha Maia agarrada contra o peito, olhou e contemplou num instante que pareceu uma infinidade, um rosto e uns olhos tensos de um homem que suplicava, mudamente, que o tempo parasse. Mas o tempo explodiu e tudo se desfez à sua passagem."

"Chovia e ficámos em frente do jazigo, ali estavam meu pai e minha irmã, Agora rezamos menina! E eu que no colégio, aprendera tudo, tim-tim por tim-tim, atrapalhei-me no pai-nosso, as palavras saíram distorcidas e engasgadas, e acabei a chorar, molhava-me por dentro mas também por fora, Nem prestas para rezar, menina!"

"Agarrou-o por um ombro, Podes chamar-me tudo (...) vê lá o que te permito sem me ofender. Mas se me chamas isso tudo, que não sou, não te esqueças de me chamar também amigo!"

"A memória é uma casa grande, tão grande quanto a ausência. Na memória cabe tudo o que somos, incluindo o que quisemos olvidar e também tudo o que nunca seremos, mas que gostaríamos de ter sido."