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terça-feira, 15 de março de 2011

Soltas... No mar há crocodilos.


"A minha aldeia era lindíssima. Não era tecnológica, não havia energia eléctrica. Para termos luz usávamos os candeeiros a petróleo. Mas havia maçãs. Eu via a fruta a nascer: as flores despontavam diante dos meus olhos e transformavam-se em fruta(...)"

"(...) dizer que afegãos e talibãs são coisas distintas. Desejo que as pessoas o saibam. Sabes de quantas nacionalidades eram ops que mataram o meu professor?"

"Eu não gostava de incomodar. Não gostava de ser mal tratado. Mas toda a gente (eu incluído) tem grande interesse em viver, e para viver estamos dispostos a fazer coisas que não gostamos."

"Importantes são os factos. Importante é a história. Aquilo que nos muda a vida é o que nos acontece. não onde ou com quem."

"(...) estava num ponto de não retorno de tal forma que até a memória deixara de voltar, e havia dias inteiros, e semanas, em que já não me ocorria pensar na minha aldeia na província de Ghazni nem na minha mãe nem no meu irmão nem na minha irmã, como me acontecia ao início, quando a imagem deles era uma tatuagem sobre os olhos, dia e noite."

"De um dado momento deixei de existir; deixei de contar os segundos, de imaginar a chegada. Choravam os pensamentos e os músculos. Choravam o torpor e os ossos."

"Como é que se descobre um sítio onde crescer. Enaiat?
Reconhecemo-lo porque não nos dá vontade de ir embora. Claro, não por ser perfeito. Não existem lugares perfeitos. Mas existem lugares onde, pelo menos, ninguém tenta fazer-te mal."

segunda-feira, 14 de março de 2011

Recomeçar!


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 280
Editor: Objectiva
ISBN: 9789896720650

Foi ao ler a sinopse que me decidi ler este livro e, de facto, dei por bem empregue esta leitura de sábado. Adoro quando um livro me transporta para realidades diferentes e verídicas. 

É pela mão de um menino afegão de 10 anos (idade aproximada), que viajei para países como o Afeganistão, o Paquistão, o Irão, a Turquia, a Grécia e a Itália. Sentimos o seu sofrimento quando a sua mãe, porque a situação no Afeganistão é perigosa para si, o deixa ficar, depois de uma viagem arriscada, quase sem aviso e sem grandes despedidas, num campo de refugiados no Paquistão. Pensamos na dor que terá passado sua mãe ao abandoná-lo a um destino incerto, porém melhor que o que o esperaria na sua aldeia natal...

As suas tentativas de recomeçar de novo, num sítio onde se sinta bem e seguro, levam-no a nunca desistir e, mesmo com os sucessivos repatriamentos, 
Enaiat resiste a deixar-se afundar pelo desespero.

Quando este menino, feito homem à pressa, mostra aos Serviços que concedem a autorização de residência em Itália, um jornal onde uma criança afegã mata um outro ser humano e diz: "esta criança poderia ser eu!" é-lhe concedido, finalmente o visto de permanência nesse país que escolheu para sua casa e que o acolheu. Nessa altura suspiramos de alívio, tal foram as atribulações por que passou...

A capa esconde bem o seu conteúdo. Belíssimo este livro! Recomendo vivamente. 

Terminado em 12 de Março de 2011

Estrelas: 5*+, sem sombra de dúvida!

Sinopse

"Há três coisas que nunca deves fazer na vida, querido Enaiat, por motivo nenhum. A primeira é consumir drogas. Não acredites nelas. Promete-me que não o farás. Prometido. A segunda é usar armas. Ainda que alguém faça mal à tua memória, às tuas recordações ou aos teus afectos. Promete-o. Prometido. A terceira é roubar. O que é teu pertence-te; o que não é, não. E jamais intrujarás quem quer que seja, querido Enaiat, está bem? Serás hospitaleiro e tolerante com toda a gente. Promete-me que assim farás. Prometido." 

Enaiatollah tinha dez anos e prometeu. Não sabia ainda que essas seriam as últimas palavras que escutaria da mãe antes de esta o deixar num campo de refugiados no Paquistão. Porque nasceu no Afeganistão no seio de uma minoria, e porque teve o azar de perder o pai precocemente, foi arrancado de casa aos dez anos. O seu corpo em crescimento já não cabia na cova onde corria a esconder-se sempre que batiam à porta de casa. É com este trágico acto de amor que começa a nova vida de Enaiatollah Akbari, assim como a incrível viagem que o levará até Itália, passando pelo Irão, pela Turquia e pela Grécia, onde descobre que no mar há crocodilos. 
Uma odisseia que o obrigou a enfrentar a miséria e a nobreza humanas, mas que não conseguiu roubar-lhe o sorriso de criança.
Nascer no Afeganistão significa crescer à pressa. Enaiatollah precisou de esquecer a infância para poder sobreviver, mas encontrou finalmente um lugar para viver a idade que realmente tem. Esta é a sua história.