Gosta deste blog? Então siga-me...

Indique o seu email para receber actualizações

Também estamos no Facebook e Twitter

Mostrar mensagens com a etiqueta Delphine de Vigan. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Delphine de Vigan. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 3 de maio de 2019

"Lealdades" de Delphine de Vigan

Tinham-me avisado que esta leitura era forte, pesada. Tendo adorado o livro anteiror desta autora, estava preparada para algumas reviravoltas. Achei este um pouco diferente do anterior e ainda bem que a autora não se fica pelo mesmo registo. Gosto de ser surpreendida! 
Mas achei-o pequeno. Queria mais e sei que quem escreve o poderia ter feito. Acabou rápido demais. Não que isso o prejudique pois considero-o uma grande leitura. Os vários capítulos alternam entre alguns narradores diferentes e, assim, o leitor vai-se integrando nas várias vidas que pululam em torno de um menino de 8/9 anos, que habita à semana ora com o pai, ora com a mãe.
O final é abrupto! Sem esperarmos, a última palavra é lida. Fiquei sem chão, a pensar se gostava ou não de tal facto. Embora saiba que isso não vai agradar a muitas pessoas, depois de o ter assimilado por uns momentos, consigo dar a mão à palmatória: gostei muito do final em aberto. O meu lado positivo pôs-se logo a sussurrar finais cheios de esperança mas, infelizmente, todo o enredo sugere algo de muito mau. 
Um livro pequeno, lido em 24 horas! Pequeno mas carregado de sentido, verosímil, que traduz a realidade de muitas crianças espalhadas pelo mundo fora. A violência, os abusos podem não ser físicos mas não são menos intensos e marcantes por isso. Um livro que nos deixa sem chão, a pensar como as vítimas podem viver sem serem reconhecidas e, mesmo desde muito pequenas, tendem a esconder as suas vivências. Pior, tendem a proteger quem lhes faz mal!
Super recomendo! Esta é a prova em como um livro de poucas páginas pode ser fabuloso!
Terminado a 22 de Abril de 2019
Estrelas: 6*
Sinopse
Este é um livro que, com profunda sensibilidade, explora mundos distantes que, afinal, têm muitos pontos em comum: a infância e a vida adulta, a autodestruição e a salvação abnegada, o sofrimento e a busca pela felicidade. Através de uma narração caleidoscópica, Delphine de Vigan apresenta-nos o drama das relações humanas, com tudo o que estas têm de mais negro e de mais belo. Lealdades, assente no equilíbrio de contrapontos, é um verdadeiro romance psicológico dos nossos tempos.
Cris

sábado, 27 de agosto de 2016

"A Partir de Uma História Verdadeira" de Delphine de Vigan

Este é um livro que terei muito gosto em reler daqui a uns tempos! Dou, por essa e muitas outras razões a nota máxima. Preciso com urgência de falar sobre este enredo fabuloso com quem já tenha lido o livro. Aqui não o posso fazer sob pena de vos contar mais do que devo. Malta amiga, fica aqui a dica...

Obrigada a interromper esta leitura quase no final porque a mala já ia muito cheia e não se justificava levá-lo quando faltavam umas dez páginas, foi com desagrado que não o levei de férias comigo. Fiz-me acompanhar de dois livros mais leves e mais pequenos mas fiquei irremediavelmente presa a um final que não descortinei e que queria desesperadamente conhecer... Ao fim dos doze dias, de muitas caminhadas e kilómetros percorridos pela Polónia, já de regresso, consegui extinguir finalmente a minha curiosidade. Conclusão?

Este é um dos melhores livros lidos este ano, sem qualquer sombra de dúvida.

A intensidade narrativa aumenta com o virar das páginas criando um suspense magnífico. A personagem principal, Delphine, é uma escritora já com provas dadas (a autora?) e, após a edição do seu último livro, vê-se a braços com um bloqueio que a impede de escrever uma linha que seja. A causa é, alegadamente, uma amiga recente que se insinua e intromete na sua vida cada vez mais, a L.

Misterioso, fascinante,  absorvente, verdadeiramente especial, este livro representou para mim uma leitura perfeita. Sentir-me dentro da personagem, conhecê-la e conhecer os seus medos, os seus bloqueios, a sua admiração crescente por L., as suas inseguranças, foi realmente um prazer.  A aniquilação da sua personalidade e, posteriormente, a sua libertação deixou-me sem fôlego. 

A escrita de Delphine de Vigan não me era desconhecida (já tinha lido e adorado Nô e Eu) mas a ideia fantástica de colocar factos pessoais numa história ficcionada faz com que o leitor, a determinada altura, não consiga discernir o que é ficção do que é realidade. Adorei isso!

E o final do livro? Aquele por que ansiei enquanto estive de férias? As últimas páginas foram lidas com sofreguidão e o final revelou-se magestoso! Um FIM* como nunca vi. A conclusão é tirada pelo leitor depois de lida a última palavra e apanhou-me de surpresa. Que significado tão grande uma palavra pode conter! E que reviravolta fenomenal!

Leitura obrigatória! O livro que eu gosteria de ter escrito, se desejasse de ser escritora...

Terminado em 22 de Agosto de 2016

Estrelas: 6*

Sinopse

Delphine crê que a sua incapacidade de escrever terá coincidido com a entrada de L. na sua vida. L. é a mulher perfeita que Delphine gostaria de ser: muito bonita, impecavelmente cuidada, de uma grande sofisticação e inteligência. L. está também ligada à escrita – é escritora-fantasma. L. insinua-se lenta mas inexoravelmente na vida de Delphine: lê-lhe os pensamentos, adivinha-lhe os desejos e necessidades, termina-lhe as frases, torna-se totalmente indispensável – é a amiga ideal. Mas, aos poucos, sabemos que ela conseguiu isolar Delphine (afastando toda a gente), que lhe lê os diários, a correspondência, que se faz passar por ela! E quer demover Delphine de escrever o livro que esta está a preparar, obrigando-a a escrever a obra que ela (L.) quer: Introduz-se, assim, na vida da amiga de forma insidiosa, permanente, por fim violenta, controlando tudo. É aqui que há um volte-face na intriga – até aí muito perto do real – e uma possibilidade autobiográfica.