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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

"Nāo Te Afastes" de David Machado

Foi o nome do autor que me chamou a atençāo. A capa, seguida da sinopse fez o resto: tinha de ler este livro! Sim, eu sei que é um livro juvenil e o que eu gosto mesmo, quando nāo se trata de ler livros "para a minha idade", é ler livros infantis. Muitas das vezes devido às imagens e áquilo que com elas podemos ensinar aos miúdos. Mas este livro era do David (nāo o conheço pessoalmente mas permitam-me que o trate assim porque lhe reconheço a escrita) e tinha de o ler.

Oh pá! Gostei verdadeiramente de me embrenhar nesta leitura! Simples, verdadeira e comovente q.b.! Só me imaginava a lê-la a uma criança (se bem que, acredito, um miúdo do final do 2º ano já o conseguisse fazer sozinho) e ver a reacçāo dela às aventuras passadas pelo pequeno Tomás. Imaginaçāo nāo faltou ao autor e nāo foi difícil mergulhar na história muito embora a calamidade nela narrada nunca tenha acontecido em Portugal. 

Gostei da escrita, dos dois narradores existentes (o passado é contado pelo próprio Tomás, revivendo-o intensamente e o presente é narrado na terceira pessoa por um narrador omnisciente), da mudança perceptível da grafia quando se passa de um para o outro, da construçāo do jovem personagem cheio de coragem mas também cheio de dúvidas e de medos. 

Leitura que devorei e que aconselho a quem gosta de ler livros infantis/juvenis. 

Terminado em 10 de Novembro de 2018

Estrelas: 5*

Sinopse
Após a morte do pai, Tomás acredita que, por sua causa, coisas más acontecem; e, para proteger a mãe e os amigos, decide deixar o lugar onde viveu toda a sua vida.
Mas o país é apanhado por um furacão e, de um dia para o outro, o rapaz vê-se no meio de ruínas e inundações, perdido e desesperado. É, porém, no meio da tragédia que encontrará o mais inesperado dos amigos...

"Não te Afastes" é uma história comovente e fascinante sobre o desgosto da perda e o poder curativo da amizade.

Cris

terça-feira, 6 de junho de 2017

"Debaixo da Pele" de David Machado

      Li de David Machado o Índice Médio de Felicidade e fiquei conquistada pela sua escrita e pela história que narra. Depois li Deixem Falar as Pedras. Também gostei muito! Quando soube que tinha mais um romance passei à frente da pilha que cá tenho em casa. Devo dizer-vos que gostei muito da capa e da sinopse. Fiquei curiosa. 
      Se gostei? Sim, claro e as estrelas que atribuí refletem isso. No entanto, confesso que tive de fazer um esforço para me concentrar pois o emaranhado entre personagens, narrador, história escritas dentro da história é tal que me faz sentir, ainda hoje passados alguns dias, que numa nova leitura poderia aproveitar melhor esta narrativa. 
      Com muita imaginação, a acção começa com uma história dentro da história, facto que surpreende o leitor quando se dá conta disso. Confesso que a achei um pouco sem sentido mas depois a explicação surgiu... E é a partir daqui que necessitam de estar atentas, com os sentidos despertos e com atenção redobrada! O tema (ou os temas?) é actual: os abusos, os maus tratos infligidos e a sua influência directa na personalidade futura da vítima. O abusador, também ele uma vítima? A vítima, um futuro abusador? Conseguirão aceitar o amor dos outros quando não se amam a si mesmos?
      Uma história intrincada que preciso de ler de novo. Houve pormenores que certamente me escaparam e por essa razão vou colocá-lo de novo na pilha. Fiquei curiosa e pretendo reler algumas partes.
      Mesmo assim, é um romance surpreendente, com histórias estranhas, pelo seu dramatismo, dentro da própria história, com um narrador que questiona, participativo, interventivo. Revelador de uma grande imaginação, de uma mente em ebolição, pareceu-me. Se quiserem um desafio, avancem. Este é o livro!



Terminado em 31 de Maio de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
Júlia nunca contou toda a verdade sobre o que lhe aconteceu. Nem aos pais, que a sentem cada vez mais distante; nem às amigas, que não vê há meses. Acreditou que dessa forma seria possível esquecer tudo; mas a memória que o seu corpo guarda não pode ser apagada, e por isso, apesar dos seus dezanove anos, Júlia só deseja ficar quieta, encolhida numa vida vazia, longe de tudo e de todos.
No prédio onde mora, vive Catarina, uma menina de quatro ou cinco anos, filha de uns vizinhos cujas discussões violentas Júlia escuta através das paredes. Salvar essa criança torna-se então essencial à sua própria salvação. Mas será possível fugir do passado quando ele permanece debaixo da pele?
Eis o ponto de partida deste romance fascinante e profundamente actual, que acompanhará os momentos cruciais das vidas de Júlia e Catarina ao longo de mais de trinta anos, nos quais as suas histórias ora se entretecem, ora se afastam.

Cris

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"Deixem Falar as Pedras" de David Machado

Gosto de ler autores portugueses. Porque me surpreendem pela positiva cada vez mais.

David Machado jå me foi apresentado com o seu "Índice Médio de Felicidade". Sei que imaginação nao lhe falta! No entanto, creio que este livro superou ainda mais as minhas espectativas! Gostei que esta história me fosse apresentada por dois narradores completamente diferentes, um narrador por detrás de outro, por assim dizer.

Umas vezes é Valdemar a fazer esse papel. Conta-nos a sua história, tão profundamente ligada à história de seu avô. É um adolescente gordo e grande, apaixonado por Alice, uma vizinha e amiga que sofre de uma anorexia crescente. Valdemar toma como suas as dores do avô e vendo-o afastar-se para um mundo cada vez mais longe e que só a ele pertence, tenta, a todo o custo, ajudá-lo a não se perder nas memórias tão cruéis que transporta consigo. Nicolau Manuel, herói desventurado de uma época sombria do nosso país, é um homem marcado pelas inúmeras torturas e prisões que lhe vestiram a vida, e tem no seu neto um aliado fortíssimo.

E, se dúvidas houvesse em relação à capacidade quase sobre-humana deste ingénuo avô-herói, David Machado apresenta-nos outro narrador (ele próprio?) que questiona, que coloca hipóteses, dando-nos as respostas às dúvidas que vamos colocando interiormente, conduzindo-nos e guiando-nos na história.

Valdemar tenta recuperar as memórias do avô e, para que fiquem nas memórias de outros, escreve a sua história. História que se cruza com a História do nosso país e que é fruto de muitos desencontros e mal entendidos. História que retrata magnificamente a história de tantos portugueses que se viram, sem perceber bem porquê, dentro de celas minúsculas e sob tortura. Ao escrever as memórias do avô, Valdemar sente necessidade de utilizar na sua escrita, o mesmo utensílio que era usado antes da revolução dos cravos, a censura. E vai riscando, riscando, pedaços da história que ele próprio escreve. Não se espantem, por isso, ao encontrarem frases cortadas e riscadas. A compreensão do texto não sofre com essa censura, sendo perceptível tudo o que Valdemar nos quer contar. O mesmo não se pode dizer da vida de seu avô! A censura limita em tudo a vida de Nicolau Manuel. Tanto que chegamos a dúvidar que alguém, alguma vez, conseguisse suportar tamanha dor... Mas, Valdemar escreve e com isso perpectua a história do avô, tornando-a verídica.

Recomendo muitíssimo!

Terminado em 28 de Setembro de 2014

Estrelas: 6*

Sinopse

No dia em que se ia casar, Nicolau Manuel foi levado pela Guarda para um interrogatório e já não voltou. Viveu, assim, quase toda a vida na urgência de contar a verdade a Graça dos Penedo, a noiva que mais tarde lhe seria arrebatada pelo alfaiate que lhe fizera o fato do casamento. Porém, sempre que se abria uma possibilidade, uma ameaça desviava-o dramaticamente do seu destino - e agora, meio século volvido, está velho de mais para querer mudar as coisas, gastando os dias com telenovelas. De tanto ter ouvido ao avô a sua história rocambolesca, Valdemar - um rapaz violento e obeso apaixonado pela vizinha anoréctica - não desistiu, mesmo assim, de fazer justiça por ele. E, ao encontrar casualmente a notícia da morte do alfaiate, sabe que chegou a hora de ir falar com a viúva: até porque essa será a única forma de resgatar Nicolau Manuel da modorra em que se deixou afundar.
Alternando a narrativa dos sucessivos infortúnios de Nicolau Manuel - que é também a história de Portugal sob a ditadura, com os seus enganos, perseguições e injustiças - com a de um adolescente que mantém um diário com numerosas passagens rasuradas como instrumento de luta contra o mundo -, Deixem Falar as Pedras é um romance maduro e fascinante sobre a transmissão das memórias de geração em geração, nunca isenta de cortes e acrescentos que fazem da verdade não o que aconteceu, mas o que recordamos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

"Índice Médio de Felicidade" de David Machado

Mal acabei de ler este livro surgiu uma pergunta dentro de mim: "Será que este autor tem outros livros?"

Depois de pesquisar um pouco, reparei na sinopse e na capa do "Deixem falar as Pedras" que vou querer ler em breve... Mas voltemos ao Índice Médio de Felicidade: gostei muito desta leitura. Rapidamente entrei na história e criei empatia com o personagem principal, Daniel.

A escrita do autor é clara, límpida, com poucos floreados. Como gosto. As palavras aparecem no lugar certo. Algumas, mais rudes, também. Não me feriram. Achei que pertenciam à história, que estavam bem situados. No contexto certo.

A história relatada poder-se-ia passar com qualquer um de nós. Cenas fortes, duras. Às vezes a vida é madrasta e prega-nos partidas com as quais não contamos... Daniel viu-se, como tantos nós hoje em dia, sem emprego e, mais tarde, sem casa. Com família. Sempre acreditando que vai ultrapassar tudo. E escreve para um amigo de há longos anos, que se encontra preso, contando, acusando, relembrando.

A trama urdida pelo escritor envolve com mestria, Daniel, seus amigos próximos e sua família. O texto possui intensos e emotivos diálogos que nos envolvem na história, nos prendem e que descrevem com autenticidade aspectos do nosso Portugal de hoje.

Gostei do final. Não vos conto, fica para vocês apreciarem. Como eu fiz. Recomendadíssimo! Um daqueles livros que gostaríamos de ter sido nós a escrever...

Terminado em 13 de Outubro de 2013

Estrelas: 6*

Sinopse

Daniel tinha um plano, uma espécie de diário do futuro, escrito num caderno. Às vezes voltava atrás para corrigir pequenas coisas, mas, ainda assim, a vida parecia fácil - e a felicidade também. De repente, porém, tudo se complicou: Portugal entrou em colapso e Daniel perdeu o emprego, deixando de poder pagar a prestação da casa; a mulher, também desempregada, foi-se embora com os filhos à procura de melhores oportunidades; os seus dois melhores amigos encontram-se ausentes: um, Xavier, está trancado em casa há doze anos, obcecado com as estatísticas e profundamente deprimido com o facto de o site que criaram para as pessoas se entreajudarem se ter revelado um completo fracasso; o outro, Almodôvar, foi preso numa tentativa desesperada de remendar a vida. Quando pensa nos seus filhos e no filho de Almodôvar, Daniel procura perceber que tipo de esperança resta às gerações que se lhe seguem. E não quer desistir. Apesar dos escombros em que se transformou a sua vida, a sua vontade de refazer tudo parece inabalável. Porque, sem futuro, o presente não faz sentido.
Índice Médio de Felicidade é um romance admirável e extremamente actual sobre um optimista que luta até ao fim pela sua vida e pela felicidade daqueles que ama. Dramático e realista, mas com momentos hilariantes, confirma o talento de David Machado como um dos melhores ficcionistas da sua geração.