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domingo, 19 de setembro de 2010

O povo Ibo


Vencedor do Orange Prize 2007
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 544
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892305387
Colecção: Romance

Com base numa situação de guerra verídica, esta escritora leva-nos para África, mais propriamente para a Nigéria e para os conflitos que se traduziram em golpes de estado, situações de fome extrema, corrupção e assassinatos entre diferentes etnias (Ibos e Iorubas), numa guerra em que os civis foram, como sempre, os maiores prejudicados. O abuso do poder levado ao extremo...

São 500 páginas escritas com mestria, onde os personagens tomam corpo, desenvolvem a sua personalidade e vão-se interligando uns com os outras com o decorrer da acção. Se bem que os acontecimentos não sejam verdadeiros, não nos é difícil imaginar o que se terá passado nesta guerra entre a Nigéria e o Biafra em 1967/70.

Espectacularmente enriquecido com o dialecto Ibo, "vivemos" as personagens intensamente, as suas penas e dores, todas as suas alegrias e sofrimentos. Muito bom!

Um pouco de História:


"A República do Biafra foi um estado secessionista no sudeste da Nigéria. O Biafra era habitado maioritariamente pelo povo ibo e existiu de 30 Maio de 1967 a 15 de Janeiro de 1970.
Em 1960 a Nigéria tornou-se independente do Reino Unido. De forma semelhante aos outros novos estados africanos, as fronteiras do país não tinham sido desenhadas de acordo com territórios antigos. Daí surgiu que a região norte desértica do país contivesse estados muçulmanos feudais semi-autónomos, enquanto que a população do sul era predominantemente cristã e animista. O seu precioso petróleo, principal fonte de receitas, localizava-se no sul do país.
Após a independência, a Nigéria estava dividida por linhas étnicas, com os haussas e os fulanis no norte, os iorubas no sudoeste e os ibos no sudeste. Em resposta a motins ocorridos no ano anterior, de onde tinham resultado 30 000 ibos mortos e aproximadamente um milhão de ibos refugiados, em Janeiro de 1966, um grupo maioritariamente constituído por ibos, levou uma revolta militar com o objetivo de se separar da Nigéria." (retirado de wikipédia)


Terminado em 18 de Setembro de 2010

Estrelas: 5*

Sinopse


Com uma elegância apenas ao alcance dos grandes escritores, Chimamanda Ngozi Adichie entrelaça as vidas de cinco personagens inesquecíveis: Ugwu, um humilde criado de treze anos a quem o mundo se desvendará pela mão do seu senhor, Odenigbo, que, na intimidade da sua casa, planeia uma revolução. Este jovem professor universitário mantém uma relação apaixonada e sensual com a bela e mágica Olanna, cuja irmã gémea, Kainene, é alvo do amor desesperado de Richard, um jovem inglês a braços com o seu papel de homem branco em África.

Todos eles vão ser forçados a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição. Todos eles vão assistir ao desmoronar da realidade tal como a conheciam devido a uma guerra que tudo transformará irremediavelmente.

sábado, 18 de setembro de 2010

Soltas...

"Fitou-o, deslumbrada. Assim era o amor: uma sucessão de coincidências que ganhavam significado e se tornavam milagres."

"Sempre que escorria a água de uma panela de feijão cozido, Ugwu olhava para o lava-louça sujo e viscoso e pensava que era igual a um «político»."

"Será o amor esta necessidade insensata de te ter ao meu lado a maior parte do tempo? Será o amor esta segurança que sinto nos nossos silêncios? Será essa sensação de pertença, de plenitude?"

"Talvez, afinal, ele não fosse um verdadeiro escritor. Lera algures que, para um verdadeiro escritor, nada era mais importante do que a sua criação literária, nem sequer o amor."

"Olhou para o seu tronco peludo e nu, e para a sua nova barba e os seus chinelos rotos, e, de repente, a hipótese de ele morrer - de todos eles morrerem - tornou-se tão evidente que foi como se uma mão se lhe fincasse no pescoço e lhe apertasse a garganta à laia de aviso. Abraçou-o com força."

"A guerra prosseguiria sem eles. Olanna expirou, inundada de uma raiva espumosa. Era precisamente essa sensação de inconsequência que a empurrava do medo extremo para o extremo da fúria. A sua vida tinha de ser importante. Ia parar de viver apaticamente, à espera de morrer."

"(...) enquanto ela desenrolava a bandeira de pano e lhes explicava os símbolos. Vermelho era o sangue dos irmãos massacrados no Norte, preto era o luto por eles, verde era a prosperidade que o Biafra teria um dia e, por último, o meio sol amarelo representava o futuro glorioso."

"(...) pôs-se a observar as crianças. Elas corriam fatigadas pela relva ressequida, com paus nas mãos a fingir que eram armas, imitando o som de disparos e levantando nuvens de poeira enquanto se perseguiam umas às outras. Até o pó parecia não ter forças. Estavam a brincar à guerra. Quatro meninos. Ontem eram cinco."