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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"O Ultimo Beijo da Mamba Verde" de Cesário Borga

Quando inicio um livro novo, uma nova viagem começa. Custa-me largar o antigo e custa-me mergulhar de novo num livro diferente. Creio ser essa a razāo por nāo me interessar por contos. O que gosto mesmo é estar no interior de uma história, sentir-me bem com os personagens, como se verdadeiramente os conhecesse.

Este livro do autor Cesário Borga, foi um voltar às origens. África pertence à minha infância e, pese embora todas as minhas recordaçōes sejam de um tempo de paz e, neste livro, a acçāo passar-se na época da Guerra Colonial, nāo posso deixar de recordar com saudade alguma terminologia nativa, os cheiros descritos, o calor humano e climático, a simpatia e empatia tāo pura que se gerava entre as gentes de África. Voltei à casa das minhas recordaçōes. 

E, no entanto, aqui fala-se de guerra, de quem lá nasceu e espera que a paz se torne realidade, de quem para lá foi combater os "turras", das atrocidades cometidas e de quem ficava impune. Fala-se também de amor e de racismo, desse contraste tāo profundo gerado por essas duas palavras de casamento tāo distante.

Gostei muito desta leitura. Embora o autor, subtilmente, tivesse tido o cuidado de explicar os termos usados pelas gentes moçambicanas, algumas palavras, creio eu, deveriam ter uma explicaçāo no pé de cada página. Poderá existir quem as nāo domine. Eu nāo tive problema. África está-me no sangue.

Terminado em 10 de Novembro de 2017

Estrelas: 5*

Sinopse
Moçambique, região de Tete, 1972. A cantina de Arnaldo Salima é o local do mato onde todos se encontram: tropas portuguesas do aquartelamento, militares rodesianos em operações ocasionais, brancos de Tomboza, pretos da sanzala de Xangu, prostitutas, agentes da PIDE... Homem jovem, cordato e tranquilo, Salima está longe de imaginar que aquela noite — programada para uma farra de homenagem aos rodesianos — se irá transformar no primeiro de uma série de acontecimentos que levarão a tempos cruéis marcados pelo lado mais sinistro da guerra. "O Último Beijo da Mamba Verde" relata a história de gente simples, que apesar de viver no meio da guerra sonhava ser feliz e, sem saber como, acaba afundada em tragédias. Um romance sobre a Guerra Colonial que cruza, numa perspectiva original na Literatura Portuguesa, a guerra no mato e as histórias das pessoas, moçambicanos e portugueses, civis e militares, brancos e negros, que a viveram e aí viviam.

Cris

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

"Ethel, Amanhã em Lisboa" de Cesário Borga

Com uma capa sugestiva, uma sinopse que deixava antever uma trama passada durante um periodo da história sobre o qual me apaixonei há muito tempo e que nunca me canso de ler (o Holocausto) este livro estava na minha wish list mal o vi. 
Aprender um pouco mais com a leitura de um livro dá-me um verdadeiro prazer. E os romances de época possuem quase sempre algo que desconhecemos ou pelo menos que já não nos lembrávamos e que é bom relembrar, sendo que em ambos os casos, a leitura é como que uma tomada de consciência dos valores e dos factos de então.

Se, em certas passagens, esta obra parece um romance leve, outras há que nos transportam para o tempo em que Lisboa era um "paraíso" para todos os que fugiam do regime hitleriano. Confesso que foi por esta razão que a trama me prendeu.

Ethel, judia holandesa e Edgar, jovem traficante de volfrâmio, apaixonam-se rapidamente. Quase "à primeira vista'! Gostei, sobretudo, quando o romance adquire uma maior consistência e se torna mais plausível, mais real. Jogando entre dois espaços temporários, o autor manipula com mestria dados históricos e um doce romance, facto que nos prende irremediavelmente.

Se gostarem de ler sobre esta época e vos apetecer ler algo que faz a ponte entre um apaixonado romance e um periodo muito doloroso da História, então este é o vosso livro!

Terminado em 17 de Janeiro de 2015

Estrelas: 4*

Sinopse

Uma história de amor entre uma jovem judia em fuga e um traficante de volfrâmio, passado durante a II Guerra Mundial entre a famosa estação de comboios de Canfranc e Lisboa. Tomar o comboio para Lisboa é visto por Ethel, 18 anos, holandesa, judia de ascendência portuguesa em fuga desde Paris, como um perigoso e arriscado passo para um amanhã cintilante de liberdade e para uma existência feliz ao lado da paixão de uma vida: Edgar. Mas em Lisboa, os alemães e os negociantes de volfrâmio adstritos às forças do regime fazem-nos regressar à condição de fugitivos. Uma história de ajuste de contas com o passado.
No tempo marcado por esta fuga e esta chegada, Ethel, Amanhã em Lisboa é uma história de amor entre uma judia e um traficante de volfrâmio que começa em Canfranc, a famosa estação ferroviária nos Pirenéus, posto de fronteira franco-espanhola, controlado pelos alemães durante a II Guerra Mundial, mas por onde refugiados judeus, espiões, intelectuais, artistas e escritores banidos tentam, apesar de tudo, a fuga para território livre.
Tomar o comboio para Lisboa é visto por Ethel, 18 anos, holandesa, judia de ascendência portuguesa em fuga desde Paris, como um perigoso e arriscado passo para um amanhã cintilante de liberdade e para uma existência feliz ao lado da paixão de uma vida: Edgar. Mas em Lisboa, os alemães e os negociantes de volfrâmio adstritos às forças do regime fazem-nos regressar à condição de fugitivos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O agente da Catalunha de Cesário Borga


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 292
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896573317

Gostei muito deste livro! Rapidamente o autor soube como me aproximar dos personagens e das suas causas políticas. Revisitei lugares e situações que estão no âmago de uma época que muitos já esqueceram ou fazem por esquecer e isso agradou-me bastante.

Uma leitura que prende constantemente a nossa atenção e que, reconhece-se perfeitamente, traduz vivências que Cesário Borga terá tido em primeira mão ou ouvido falar por aqueles que viveram situações idênticas.

O enredo não tem momentos mortos, a acção decorre maioritariamente no Portugal de Salazar com descrições perfeitas do que era a vida naquela época: os locais, os hábitos e as limitações impostas, mas também situa com muito rigor as acções que a um nível clandestino se praticavam cá. E foi com muito prazer que me inseri no meio do grupo de resistentes e me tornei sua amiga...

Gostei particularmente do final desta história. Não porque ele tivesse um happy end, mas porque o realismo dominou todo este livro e ele teria de terminar assim mesmo. Para que as coisas fizessem sentido, porque é da História que estamos a falar, embora esta obra se trate de um romance!

Recomendo!

Terminado em 18 de Dezembro de 2012

Estrelas: 5*+

Sinopse


Quando a Europa é surpreendida pelo começo da guerra civil de Espanha e, inconsciente, prefere manter-se à distância, não percebendo que faiscava ali o negrume nazi, a Catalunha vive momentos de entusiasmo e é apontada como um farol de esperança ao derrotar as tropas franquistas. 

Jorge, o português, torna-se Jordi, o miliciano, e encontra nas barricadas, mais do que uma razão de viver, uma razão de amar a liberdade na figura de Alba - a bela e indomável guerrilheira catalã, mulher livre como o vento e que nenhum homem ou lei parecem poder alguma vez vergar. Enviado de novo à sua Lisboa natal numa missão de destruição do fascismo e da aliança política entre Franco e Salazar, Jordi volta a ser Jorge e, entre explosivos, flores e um plano de atentado ao ditador português, descobre-se prisioneiro de Isaura, cuja aparente doçura mal esconde uma obstinação e uma vontade férrea em desbravar os horizontes que lhe foram vedados. 

Numa Lisboa onde política, guerrilha e espionagem traçam os rumos da Europa, Cesário Borga coloca o seu conhecimento da história portuguesa e espanhola do século XX ao serviço de um talento literário surpreendente, que envolve o leitor numa história trepidante e inesquecível, onde a liberdade é uma força romântica capaz de abrir todas as prisões.