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Quero um livro - Um amor sem tempo
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sábado, 1 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Soltas...
"O Claudino levantou-se às apalpadelas. Notei que tacteava muito os objectos e que as mãos deslizavam sobre as beiras dos móveis. Deitou a sopa na malga e o polegar metido dentro dava-lhe conta de quando estaria quase cheia. Estava pior da vista. Percebi que à falha de visão se associara uma desabituação de ver o mundo, talvez procurando outro que lhe fosse mais a contento."
"E metia-me asco o público que ria desbocado, que ria do excêntrico, ria do ridículo, ria da diferença grotesca que menoriza os seres humanos, ria em manifestação se superioridade perante as deformações e aberrações da natureza- Ria-se porque ainda se sentia a salvo de qualquer fatalidade, ria-se em forma de esconjuro para espantar o azar que lhe pudesse bater ao ferrolho e deixá-lo tão ou mais disforme que os anões."
"Aquele odor evocava-me sempre a cor verde. Não tinha dúvidas de que cheirava a verde. E recordei como os cheiros têm cor: o cheiro salgado do mar é profundamente azul, de um azul carregado, espumoso; o cheiro terroso a esboroar-se, das searas de centeio é dum amarelo-acastanhado; assim como o cheiro da morte é o preto."
"E metia-me asco o público que ria desbocado, que ria do excêntrico, ria do ridículo, ria da diferença grotesca que menoriza os seres humanos, ria em manifestação se superioridade perante as deformações e aberrações da natureza- Ria-se porque ainda se sentia a salvo de qualquer fatalidade, ria-se em forma de esconjuro para espantar o azar que lhe pudesse bater ao ferrolho e deixá-lo tão ou mais disforme que os anões."
"Aquele odor evocava-me sempre a cor verde. Não tinha dúvidas de que cheirava a verde. E recordei como os cheiros têm cor: o cheiro salgado do mar é profundamente azul, de um azul carregado, espumoso; o cheiro terroso a esboroar-se, das searas de centeio é dum amarelo-acastanhado; assim como o cheiro da morte é o preto."
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Um amor sem tempo
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 264
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722344432
Colecção: Grandes Narrativas
Há livros que, logo nas primeiras páginas, ficamos arrebatados e apaixonados pela história. Não foi o caso deste. Custou-me a entrar, talvez porque o primeiro facto que nos é retratado me pareceu um pouco... como direi? Tolo, descabido. Assistimos à morte de vários pombos correio, mortos a tiro por alguém que não ficamos a saber quem é... Este facto é-nos relatado por Eduardo, um jovem que regressa à sua aldeia natal, ao fim de alguns anos de afastamento.
E é através das suas palavras que vamos "entrando" aos poucos neste livro de Carlos Machado que considero muito bem escrito. Palavras cuidadas, com descrições simples e completas, mas sem serem massudas, localizando-nos no tempo com bastante cuidado e rigor histórico e onde as personagens, sobretudo Eduardo, são caracterizadas no seu aspecto interior com muita exactidão. Fiquei fascinada como este autor me conseguiu conquistar, pois quando começo a "torcer o nariz"...
O escritor vai povoando este romance com salpicos de uma realidade que, muitos de nós, conheceu bem: o pós 25 de Abril, nos momentos altos de uma revolução, onde as ideias fervilhavam e as pessoas de mentalidades e de ideias políticas diferentes se confrontavam entre si... uns eram pró-Salazar, outros contra.
Revivemos, também, uma outra época em Portugal, durante a 2ª Guerra Mundial, onde a extracção de volfrâmio ilegal e a sua posterior venda era uma realidade, feita, muitas vezes, por indivíduos que não lhes interessava a que "lado" vendiam: era-lhes indiferente se era vendido aos "aliados" ou a Hitler. O volfrâmio era utilizado nas ligas metálicas do armamento.
O retrato psicológico das personagem, como referi, está muito bem conseguido. Eduardo surge-nos como alguém que se encontra apaixonado por uma amiga de infância mas que o medo, a vida, o tempo e a distância impedem de assumir. Como sucede na realidade, por vezes...
O mistério, a intriga estão presentes de uma forma que nos prende a atenção. Aconselho vivamente! Leiam.
P.S. Este livros foi o 1º que ganhei num passatempo! Veio direitinho da Presença. Espero que não seja o último...
P.S. Este livros foi o 1º que ganhei num passatempo! Veio direitinho da Presença. Espero que não seja o último...
Terminado em 29 de Dezembro de 2010.
Estrelas: 4*
Sinopse
Após seis anos de ausência, Eduardo regressa à aldeia onde nasceu para vender a propriedade da família, votada ao abandono desde a morte do avô. «Ia ficar pouco tempo», pensava encostado a uma árvore do carvalhal que bordejava a aldeia. Mas, subitamente, uma sucessão seca de tiros fez reverberar o ar sólido do estio e acabou com a paz daquele dia. Os famosos pombos-correio de Severino Sarmento, o homem mais poderoso da terra, tinham sido traiçoeiramente abatidos. E é, então, que se dá o reencontro de Eduardo com o seu passado e com todos aqueles que o marcaram de forma indelével. Sobretudo Mariana, a bela filha de Severino e seu grande amor. Carlos Machado, num romance apaixonante, conduz-nos através de uma trama que tem lugar nos tempos agitados do pós-25 de Abril e que nos coloca, sem moralismos, perante fraquezas e grandezas da natureza humana.
Um pouco de História
Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal encontrava-se sob o regime do Estado Novo, sob o governo de António de Oliveira Salazar. Oficialmente, Portugal declarou em 1939 a neutralidade - apesar da antiga Aliança Luso-Britânica - tendo-a mantido até ao final das hostilidades.
Salazar entendia ter Portugal pouco a ver com a política europeia, sendo a sua vocação essencialmente ultramarina, pelo que o interesse português era o de afastar-se o mais possível desse conflito.
Comercialmente, Portugal exportava produtos para os países em conflito, como açúcar, tabaco, e volfrâmio. O volfrâmio cujo preço subiu em flecha desde o início das exportações, sendo que para a Alemanha, a exportação foi interrompida em 1944 por imposição dos Aliados. Até ao final da guerra as exportações para a Alemanha foram pagas com ouro canalizado via Suíça.
Para tentar fortuna bastava não ter escrúpulos e ter, isso sim, um bom sentido da oportunidade.As terras ricas em volfrâmio eram disputadas por ingleses e alemães. O volfrâmio era o mineral que temperava o aço, tão necessário e utilizado para o material bélico.
(Retirado da Wikipédia e resumo de "A febre do ouro negro" da RTP)
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