Gosta deste blog? Então siga-me...

Indique o seu email para receber actualizações

Também estamos no Facebook e Twitter

Mostrar mensagens com a etiqueta Aravind Adiga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aravind Adiga. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Soltas... O último homem na torre.


"Ali, naquela praia situada a norte dos arredores sofisticados de Bombaim, metade da areia estava reservada aos ricos, que defecavam nas torres, e a outra metade aos moradores dos bairros-de-lata, que faziam o mesmo no mar."

"Voltar para quê? Que interesse é que aquilo tem? Nas aldeias, Rosie o homem é um mero animal social: vive para agradar ao pai, ao avô, aos irmãos, aos primos. À casta, À comunidade. Aqui na cidade é livre."

"Não tardou, os dois homens estavam sentados num restaurante ali próximo. Ajwani afugentou um rato de debaixo da mesa com um pontapé."

"Começou a dizer mal da vida. De tanta coisa má que poderia ter apanhado em Falkland Road: gonorreia, sífilis, sida, fora logo escolher a pior de todas: peso na consciência."

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O último homem na torre de Aravind Adiga


Edição/reimpressão: 2011
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722345408
Coleção: Grandes Narrativas

Há livros que são como o amor à primeira vista, uma paixão intensa, avassaladora e muito rápida! Outros há, que se parecem com um amor daqueles que vai crescendo aos poucos, alimentado por pequenos-grandes acontecimentos e que são regados todos os dias para que floresça em beleza! Este livro enquadra-se nesta última classificação. 


Comecei a lê-lo, não devido à sinopse, mas pelo seu autor. Adiga impressionou-me com o seu "Tigre branco", que classifiquei de "brutal". Em "O último homem na torre", a sua escrita não é menos forte e leva-nos, lentamente, por caminhos de Bombaim, fazendo-nos imaginar uma cidade super-povoada, de fortes contrastes, marcada pela falta de água e energia, suja até! Visualizamos os lugares como se lá estivéssemos, sentimo-nos invadir pelos sentimentos que fervilham neste livro!


As personagens são-nos apresentadas aos poucos: juntam-se para intimidar, coagir, assustar alguém que se mantém fiel a si próprio e aos seus princípios. A cobiça move muitos desses personagens e não há limite algum que os impeça de atingir o seu fim. A natureza humana é-nos mostrada tanto no seu melhor como no seu pior!


Um pouco morna no princípio, esta é uma obra que se vai saboreando e entranhando em nós, lentamente, e, quando acabamos a sua leitura e fechamos o livro, apetece-nos reflectir sobre os motivos que levam o ser humano a tomar decisões tendo como pano de fundo o dinheiro... e se essas decisões não têm consequências, então a sociedade e os seus valores precisam de ser repensados!



Terminado em 22 de Junho de 2011

Estrelas: 4*

Sinopse

O Último Homem na Torre é o novo e muito aguardado romance de Aravind Adiga autor de O Tigre Branco, o celebrado Booker Prize de 2008. A acção passa-se em Mumbai (Bombaim), uma imensa metrópole onde coexistem mundos de pobreza e privação, uma gananciosa e empreendedora camada de novos-ricos e uma pequena burguesia orgulhosa das suas tradições e dos seus princípios morais… É o caso dos moradores das Torres A e B, propriedade da Cooperativa de Habitação Vishram, inaugurada em 1959. Apesar de todos os problemas que afligem os moradores, quando o empresário e construtor civil Dharmen Shah lhes oferece uma generosa indemnização para que deixem as suas casas a fim de ali construir um luxuoso complexo de apartamentos, a primeira reacção destes é de recusa. O contrato contém no entanto uma cláusula perversa, que pouco a pouco irá minar os laços de solidariedade entre os vizinhos e fazer subir o clima de tensão entre todos, colocando-os em situações limite. Nesta galeria de tipos humanos, que seduz pela sua diversidade e riqueza, reflecte-se a própria cidade, afinal a grande protagonista deste romance.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O tigre branco de Aravind Adiga


Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 248
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722341004
Colecção: Grandes Narrativas

Que dizer deste livro?

Vivenciamos através dele uma existência que não é a nossa , tão diferente que, muitas vezes, se torna difícil imaginar que pertença (ou que pertenceu)  verdadeiramente a uma realidade.

Índia. Castas, submissão levada ao extremo de seres humanos a outros, poluição, sujidade, revolta, vingança, poder, corrupção, tudo se encontra neste livro...

O livro é uma longa carta que Balram, "o Tigre Branco" escreve ao Primeiro Ministro Chinês onde conta como conseguiu passar de uma casta muito baixa a um empresário rico, como ultrapassou os seus valores e as suas obrigações familiares, como se corrompeu e como corrompeu outros para conseguir subir na escala social, em suma, como passou da "escuridão" à "luz", como ele próprio diz.

Retrata bem uma Índia que para nós é desconhecida pois parece-me que contém muita informação verídica. Gostei mas, ao mesmo tempo, fiquei um pouco aturdida com tanta corrupção e falta de valores em todas as castas, numa sociedade injusta e violenta. Mas sim, vale a pena!

Terminado em 26 de Outubro de 2010

Estrelas: 4*

Sinopse

O Tigre Branco arrebatou por unanimidade o Man Prémio Booker Prize de 2008, um dos mais prestigiados galardões literários a nível mundial. Ainda antes da sua nomeação para o prémio, O Tigre Branco era já apontado como um dos melhores romances do ano e Aravinda Adiga como uma grande revelação e um extraordinário romancista. A shortlist para o Booker era composta por candidatos muito fortes, muito embora O Tigre Branco tenha conquistado o júri a uma só voz. Romance de estreia, entrou de imediato nas preferências dos críticos, que o classificaram como "uma estreia brilhante e extraordinária". O livro revela uma Índia ainda muito pouco explorada pela ficção, a Índia negra, violenta e exuberante das desigualdades socioculturais. Toda a obra é uma longa carta dirigida ao Primeiro-Ministro chinês, escrita ao longo de sete noites. O autor da carta apresenta-se como o tigre branco do título, e auto-denomina-se um "empreendedor social". Descrevendo a sua notável ascensão de pobre aldeão a empresário e empreendedor social, o autor da carta, Balram, acaba por fazer uma denúncia mordaz das injustiças e peculiaridades da sociedade indiana. Fica assim feito o retrato de uma sociedade brutal, impiedosa, em que as injustiças se perpetuam geração após geração, como uma ladainha que se entoa incessantemente ao ritmo de uma roda de orações. São muito poucos os animais que conseguem abrir um buraco na vedação e escapar ao destino do cárcere eterno. O Tigre Branco é um deles.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Soltas...

"O corpo de um homem rico é como uma almofada de algodão da melhor qualidade, branca, macia e sem marcas. Os "nossos" são diferentes. (...) A história dum homem pobre está-lhe escrita no corpo, com uma caneta de ponta aguçada."

"Tu, jovem, és um fulano inteligente, honesto e vivaz entre este magote de rufias e imbecis. Em qualquer selva, qual é o animal mais raro...a criatura que só aparece uma única vez em cada geração?
- O tigre branco.
- E é isso mesmo que tu és, nesta selva."

"Porque é que o meu pai nunca me ensinara a lavar os dentes com espuma leitosa? Porque é que ele me educara com um autêntico animal? Porque é todos os pobres têm de viver no meio de tanta imundície, de tanta fealdade?"

"Escova. Escova. Cospe.
Escova. Escova. Cospe.
Oxalá um homem pudesse cuspir o seu passado com a mesmo facilidade."

"Nunca na história da humanidade tão poucos deveram tanto a tantos. Neste país,  um punhado de indivíduos treinou os restantes 99.9 por centro - tão fortes , talentosos e inteligentes como eles em todos os aspectos - para uma existência condenada à servidão perpétua: uma servidão tão forte que podemos entregar a chave da emancipação nas mãos deste homem que ele no-la devolverá com uma imprecação."

"Porque motivo é que o Galinheiro funciona? Como é que consegue aprisionar tantos milhões de homens  e de mulheres com tanta facilidade? Em segundo lugar, será possível um homem escapar do Galinheiro?"