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sábado, 12 de maio de 2012
Soltas... Como carne em pedra quente
"Tudo aconteceu fora do meus alcance, são assim os importantes importantes. A primeira vez que me senti viva foi quando me disseram que estava morta."
"Até os beijos envelhecem, mamã. Sabias? Sabias. Virá arrependido e atrasado em demasia. O teu beijo para mim."
"E se respondesse, não obrigada, como a um convite para o cinema? Ainda não quero morrer. É cedo: quarenta e cinco anos. As análises sentenciaram e o médico anuiu com a cabeça: tem de aceitar. Onde estava Ele?"
"Como é que uma mãe diz a uma filha pela segunda vez que vai morrer? Ensaiei o discurso, até imaginei onde pôr as mãos, sempre mais difíceis de arrumar do que as palavras. Depois desisti."
"Nunca te esqueças. O interior é o que se vê quando se esquece o resto."
Como carne em pedra quente de Ana Sofia Fonseca
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 156
Editor: Clube do Autor
ISBN: 9789897240010
Li, já não sei onde, um comentário muito positivo sobre este livro. Ouvi, também, uma entrevista na Antena 1, "À volta dos livros", e fiquei curiosa. Daí a pegar nele foi um pequeno passo...
O que nos leva a pegar num determinado livro e colocá-lo em cima da enorme pilha dos "to read"? Creio que as palavras mágicas desta vez estavam numa frase na sinopse: "A tentar gravar quem foi - para se deixar à filha, para não morrer por inteiro..."
Laura é uma mulher como tantas outras. Luta contra uma doença que sabe vencedora. Entre gravações que faz à filha conta-lhe, conta-nos, o seu passado e dos seus familiares mais próximos. A forma como a autora encontra para se expressar, de deixar Laura expressar-se (já que o livro é escrito na primeira pessoa) é que torna esta obra diferente. Possuindo uma escrita peculiar, poética até, cheia de figuras de estilo, Ana Sofia consegue fazer chegar até nós uma mulher com muitas facetas - não somos todos assim? - que sente que a doença lhe bateu à porta mais vezes que o merecido.
Livro pequeno, com poucas páginas, não é para ser lido rapidamente. Aliás acho que não o conseguem fazer, mesmo que o desejassem. Às vezes é necessário voltar atrás para perceber o sentido das frases, para sentir melhor o que Laura/Ana Sofia nos querem dizer. Demorei uns dias a acabá-lo e acho que se, um dia, o reler o meu entendimento será mais completo, pois captarei mais pormenores, mais riquezas.
Recomendo para quem queira saborear a arte de escrever em português. Para se ler em voz alta, como fiz sempre que pude (e quando ninguém olhava!).
Terminado em 10 de Maio de 2012
Estrelas: 4*+
Sinopse
Laura, 45 anos. Estas páginas são ela. Mulher entre a vida e a morte. Presa entre o passado e o futuro. A tentar gravar quem foi - para se deixar à filha, para não morrer por inteiro, para selar contas com a memória. À beira do fim, a reviver o início. Quase a loucura, quase a lucidez. A sombra da mãe. A infância em África, a vida tecida em Lisboa. A doença a atingir a normalidade dos dias. A armadilha de um grande amor. E a lembrança da avó. Histórias a cruzarem-se, a darem as mãos sem aviso. Porque, na vida, todas as realidades são vizinhas.Este livro é uma viagem com partida da cabeça de uma mulher, passagem pelas vidas dos que a rodeiam e pelo país, do Estado Novo até hoje.
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