"(...) então eu pergunto-me se os homens conseguirão algum dia não se matar uns aos outros."
"E pela primeira vez perguntara a mim mesmo porque é que no mundo há quem tenha fraques coloridos à farta e quem tenha apenas remendos no cu."
"Por que será que , quando pensa naquela rapariga que não sabe ler nem escrever, mas que tem uns olhos que valem por todos os analfabetos do mundo, as suas mãos tremem?"
"Ao ouvir aquela história, penso na arte da escrita, que é como uma 'dentelle' (renda), não sei como se diz em italiano correcto, uma 'dentelle' feita à mão, que tem a capacidade de nos fazer sonhar. Feliz de ti, que vives por entre os livros!"
"Sabe contar tão bem, o Eça! A arte é isto: fazer-nos viver as coisas como se as tivéssemos à nossa frente. Fazer-nos sentir os sabores, fazer-nos ver as cores, fazer-nos sentir arrepios."
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domingo, 17 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
Na próxima semana, talvez de Alberto Nessi
Páginas: 168
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722522717
Um dos meus sítios de passagem (e quase estadia!) frequente é uma das Livrarias Bertrand, junto do meu local de trabalho. Gosto de entrar, de sentir e ver os livros... Possui várias mesas onde os livros estão deitados o que facilita o meu "trabalho" e assim não tenho de procurá-los pelas suas lombadas!
Como tal este livrinho pequeno despertou a minha atenção! Não conhecia nada de José Fontana, para além, é claro, da praça com o mesmo nome em Lisboa... A sinopse pareceu-me reveladora de um livro especial, daqueles que quase passam despercebidos mas que nos enchem as medidas!
Pois! Não foi bem isso que aconteceu. Não é uma leitura fácil e, confesso, que houve partes, em que a tendência para avançar mais depressa foi maior do que a minha capacidade de leitura. Alberto Nessi, com a sua forma poética (e um tanto dispersa) de nos relatar situações "vividas e sentidas" por José Fontana, colocou à prova a minha capacidade de concentração!
Fiquei, contudo, a par da situação política de então (período compreendido entre 1871 a 1876), que desconhecia quase por completo. José Fontana, livreiro e homem muito interessado por questões políticas e filosóficas foi, na época, um "revolucionário", participando activamente em reuniões e encontros clandestinos com o intuito de debaterem várias aspectos sociais relacionados com a qualidade (ou falta dela!) de vida dos trabalhadores. As primeiras greves, a criação da Fraternidade Operária, a Comuna de Paris, a Internacional Socialista... Tudo isto é intercalado com histórias do seu passado, do seu local de nascença e das razões que o levaram a vir para Portugal (nasceu na Suíça). Amigo pessoal de figuras importantes, como Antero de Quental e Eça de Queiroz, era um orador nato e colocava ao serviço dos outros os seus conhecimentos e levou até ao fim da sua vida, mesmo estando gravemente doente, essa sua "missão". E... adorava ler! Uma história de vida que é merecedora da nossa atenção.
Todos os livros adquiridos por nós têm, também "a sua história", algumas delas engraçadas, outras curiosas. O "como" chegaram até nós... Uns parece que nos chamam pelas capas ou pelas sinopses que possuem, outros são-nos oferecidos e, como tal, não temos o poder da escolha...Este foi uma pequena mistura dos dois factores que acabei de referir e quero agradecer, aqui, esta oferta, tanto mais que não conheço pessoalmente a(s) pessoa(s) que, gentilmente, me enviou este livro!
Terminado em 15 de Abril de 2011
Estrelas: 3*
Sinopse
Para alguém como José Fontana terá sido uma grande aventura, descer das montanhas suíças até ao mar dos descobridores, e, finalmente, aí tornar-se livreiro e intelectual numa grande cidade europeia, amigo do poeta Antero de Quental e colaborador de revistas e jornais. A viagem desde a oficina de relojoeiro na Suíça até à histórica Livraria Bertrand em Lisboa. Das fantasias infantis à descoberta do socialismo nos primórdios do movimento operário onde só pensar que se tinham direitos já era uma revolução e um motivo de esperança. A história de um José Fontana existencial e ideológico narrada por Alberto Nessi num romance profundamente humano, e que reflecte as grandes preocupações sociais do século XIX convidando-nos a uma constante comparação com o presente e com o desejo de justiça e solidariedade.
Um pouco sobre uma vida
José Fontana era suíço, nascido e criado em Valle di Muggio, um vale perdido do Cantão de Ticino, no sul do território suíço, na actual fronteira com a Itália. Ainda muito jovem fixou-se em Lisboa, onde em 1854 já aparece como relojoeiro.
Sendo operário, foi um dos defensores das classes trabalhadoras e propagandista do socialismo. Destacou-se na luta pela melhoria das condições de vida e trabalho do operariado, promovendo o associativismo e o cooperativismo. Influenciado pelas ideias de Bakunine, em 1872 redigiu os estatutos da Associação Fraternidade Operária que mais tarde daria origem ao Partido Socialista Português, do qual é considerado um dos fundadores. Grande amigo de Antero de Quental, colaborou na redacção dos estatutos do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas.
Escreveu em vários jornais operários e dirigiu cartas a Karl Marx e a Friedrich Engels. Nos últimos anos da sua vida filiou-se na Maçonaria.
Quem o conheceu descreveu-o como bom, sensível, de una inteligência brilhante, com um poder de comunicação e de persuasão invulgares, notável como orador, sagaz como analista das situações, dotado de uma intuição fora do comum….[2] Um contemporâneo escreveu: As Conferências do Casino, aquelas célebres conferências que iniciaram o movimento democrático em Portugal, foram obra sua e de Antero de Quental […]. No Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas eclipsava Fontana os maiores oradores do seu tempo.[3]
Antero de Quental, seu amigo inseparável, escreveu: A Revolução convivia no Cenáculo. E em meio àquele punhado de revolucionários utópicos, contava-se José Fontana, empregado da Livraria Bertrand, muito alto, muito magro, sempre vestido de preto..[4]
Atormentado pela tuberculose, suicidou-se a 2 de Setembro de 1876. Com apenas 35 anos de idade, era sócio-gerente da Livraria Bertrand, onde tinha começado a sua vida profissional como empregado em meados da década de 1860.
O seu funeral teve a participação de uma enorme multidão, perante a qual discursaram Eduardo Maia e Azedo Gneco.
Entre 1977 e Junho de 2008 o Partido Socialista teve uma instituição denominada Fundação José Fontana[5] com a finalidade promover o desenvolvimento do associativismo e do sindicalismo e em particular à formação de quadros sindicais. A Fundação José Fontana foi o embrião da UGT, que teria o seu primeiro congresso na cidade do Porto, em Janeiro de 1979. A extinção das fundações Antero de Quental e José Fontana, em Junho de 2008, deu lugar à criação da Fundação Respública.
Tendo como tema a vida de Fontana foi publicada em 2008 a obra La prossima settimana, forse, um romance histórico da autoria do escritor suíço Alberto Nessi.
José Fontana é lembrado na toponímia de Lisboa, onde a Praça José Fontana marca o lugar onde esteve prevista a construção de um monumento desenhado por Azedo Gneco que nunca chegou a materializar-se. Outras povoações também o lembram nas suas ruas e praças, nomeadamente Oeiras, Cascais, Loures, Almada, Moita, Setúbal e Sintra.
Um pouco sobre uma vida
José Fontana era suíço, nascido e criado em Valle di Muggio, um vale perdido do Cantão de Ticino, no sul do território suíço, na actual fronteira com a Itália. Ainda muito jovem fixou-se em Lisboa, onde em 1854 já aparece como relojoeiro.
Sendo operário, foi um dos defensores das classes trabalhadoras e propagandista do socialismo. Destacou-se na luta pela melhoria das condições de vida e trabalho do operariado, promovendo o associativismo e o cooperativismo. Influenciado pelas ideias de Bakunine, em 1872 redigiu os estatutos da Associação Fraternidade Operária que mais tarde daria origem ao Partido Socialista Português, do qual é considerado um dos fundadores. Grande amigo de Antero de Quental, colaborou na redacção dos estatutos do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas.
Escreveu em vários jornais operários e dirigiu cartas a Karl Marx e a Friedrich Engels. Nos últimos anos da sua vida filiou-se na Maçonaria.
Quem o conheceu descreveu-o como bom, sensível, de una inteligência brilhante, com um poder de comunicação e de persuasão invulgares, notável como orador, sagaz como analista das situações, dotado de uma intuição fora do comum….[2] Um contemporâneo escreveu: As Conferências do Casino, aquelas célebres conferências que iniciaram o movimento democrático em Portugal, foram obra sua e de Antero de Quental […]. No Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas eclipsava Fontana os maiores oradores do seu tempo.[3]
Antero de Quental, seu amigo inseparável, escreveu: A Revolução convivia no Cenáculo. E em meio àquele punhado de revolucionários utópicos, contava-se José Fontana, empregado da Livraria Bertrand, muito alto, muito magro, sempre vestido de preto..[4]
Atormentado pela tuberculose, suicidou-se a 2 de Setembro de 1876. Com apenas 35 anos de idade, era sócio-gerente da Livraria Bertrand, onde tinha começado a sua vida profissional como empregado em meados da década de 1860.
O seu funeral teve a participação de uma enorme multidão, perante a qual discursaram Eduardo Maia e Azedo Gneco.
Entre 1977 e Junho de 2008 o Partido Socialista teve uma instituição denominada Fundação José Fontana[5] com a finalidade promover o desenvolvimento do associativismo e do sindicalismo e em particular à formação de quadros sindicais. A Fundação José Fontana foi o embrião da UGT, que teria o seu primeiro congresso na cidade do Porto, em Janeiro de 1979. A extinção das fundações Antero de Quental e José Fontana, em Junho de 2008, deu lugar à criação da Fundação Respública.
Tendo como tema a vida de Fontana foi publicada em 2008 a obra La prossima settimana, forse, um romance histórico da autoria do escritor suíço Alberto Nessi.
José Fontana é lembrado na toponímia de Lisboa, onde a Praça José Fontana marca o lugar onde esteve prevista a construção de um monumento desenhado por Azedo Gneco que nunca chegou a materializar-se. Outras povoações também o lembram nas suas ruas e praças, nomeadamente Oeiras, Cascais, Loures, Almada, Moita, Setúbal e Sintra.
(retirado da Wikipédia)
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