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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

"Paz Traz Paz" de Afonso Cruz

É bonito este livro. Embora não seja habitual nas minhas escolhas este género de livros (Poemas? Pequenas relexões?) sendo do AC, como costumamos dizer num dos grupos de leitura a que pertenço, foi com agrado que peguei nele e comecei a ler.

O AC sabe brincar com as palavras, que brotam deste livro (como cogumelos?), e é delicioso saborear as pequenas frases cheias de profundidade, às vezes engraçadas mas sempre com um segundo sentido. Não é para ser lido rapidamente porque se perderiam os pormenores. Por essa razão, intercalei com outro.

A mensagem que está por detrás das palavras e que o título traduz um pouco, é enorme. Um pequeno gesto de amor pode desencadear um mundo de amor, em mudança, em movimento. Um pequeno gesto de indiferença, de desamor, pode chegar bem longe e contaminar a terra inteira.

Fisicamente o livro também é belo. Pequeno, capa dura, com desenhos ilustrados pelo autor.

Embora não sendo um tipo de leitura habitual em mim, e talvez por isso não saiba dar o valor merecido, este livro tocou-me verdadeiramente porque algumas passagens são belíssimas.

Terminado em 26 de Dezembro de 2019

Estrelas: 4*+

Sinopse
Da narradora d’O LIVRO DO ANO, aquela menina que carrega um jardim na cabeça e atira palavras aos pombos, chega-nos um novo diário com os seus pensamentos, inquietações, experiências e os sonhos de melhorar o mundo através de pequenos gestos ou actos heroicos, atacando o absurdo com o absurdo e a noite com canteiros de flores. Páginas feitas de inusitada poesia, para leitores de todos os feitios. Até os normais

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

"Princípio de Karenina" de Afonso Cruz

Nāo sou muito dada a gargalhadas quando leio um livro. É mais fácil soltar uma lágrima do que conseguir que a minha garganta se liberte e se ria... Mas sabem quando vocês nāo se conseguem conter e riem baixinho, quase interiormente? Foi o que aconteceu comigo neste livro. É a escrita de Afonso Cruz no seu melhor. Vou-vos mostrar um exemplo...

O narrador faz um périplo pela sua infância caminhando pelos seus oito anos até à idade adulta. Às tantas referindo-se a uma tia, comenta: "Eu ia com as tias à missa, incluindo aquela que ia morrer dali a seis meses." Assim, a seco. Nāo segurei o riso interior, aquele que nos faz abrir o sorriso cá de dentro.

Com capítulos pequenos, esta história é contada na primeira pessoa. O narrador, filho único, dirige o seu discurso a uma filha. Relembra o passado e vai desfiando pequenos acontecimentos enquanto salta no tempo sem que o leitor se dê conta disso. Ele (como se chama mesmo esse pai? Será que alguma vez o seu nome foi referido?) possui uma deformidade num dos pés (pé boto), que sente como tal, enquanto que para sua māe é vista como algo positivo que o livrará de problemas maiores. Mais do que o pé deformado, ele entende que a educaçāo dada pela figura parental é que o impediu de viver, conhecer mundo (o "estrangeiro", como refere). Indeciso, sem garra, deixa-se levar e até manipular, pelas vontades dos outros .

Gostei desta leitura. Escrita inconfundível de Afonso Cruz. Possuidor de uma larga cultura, é com gosto que se leem os seus escritos. Escritos esses que me fazem sempre procurar informaçōes na Wikipédia. Desta feita foi sobre o Cambodja, Pol Pot e os crimes por ele cometidos.

Outra das características que encontro neste escritor é, frequentemente, dizer certas coisas ao leitor sem as referir por palavras. É algo que paira no ar, que o leitor pressente, subentende. Acho isso fantástico! Contar uma parte importante da história sem nada dizer directamente. Muito bom!

Tenho de vos confessar que as últimas páginas fizeram com que alterasse as estrelas que pensei dar a partir  da leitura de metade do livro. Se antes eram cinco, passaram indubitalvelmente para seis! Que final! Aprontem os vossos coraçōes. Este é um final à "Afonso Cruz"! Quem já leu algumas obras do autor vai perceber o que digo. E Afonso, explica lá o título que eu nāo cheguei lá...

Terminado em 9 de Fevereiro de 2019

Estrelas: 6*

Sinopse
Um pai que se dirige à filha e lhe conta a sua história, que é a história de ambos, revelando distâncias e aproximando-se por causa disso, numa entrega sincera e emocional.

Uma viagem até aos confins do mundo, até ao Vietname e Camboja, até ao território que antigamente se designava como Cochinchina, para encontrar e perceber aquilo que está mais perto de nós, aquilo que nos habita. Um pai que ergue muros de silêncio, uma mãe que faz arco-íris de música, uma criada quase tão velha como o Mundo, um amigo que veste roupas de mulher, uma amante que carrega sabores e perfumes proibidos. São estas algumas das inesquecíveis personagens que rodeiam este homem que se dirige à filha, que testemunham - ou dificultam - essa procura do amor mais incondicional.

Uma busca que nos leva a todos a chegar tão longe, para lá de longe, para nos depararmos connosco, com as nossas relações mais próximas, com os nossos erros, com as nossas paixões, com as nossas dores e, ao somar tudo isto, entre sofrimento e júbilo, encontrar talvez felicidade.

Cris

terça-feira, 23 de maio de 2017

A convidada escolhe: “Nem todas as baleias voam”

      Oh, que livro! Foi assim com estas palavras que cheguei ao fim deste livro. Pura poesia, o que dizer sobre ele? Anotei tanta expressão, transcrevi períodos inteiros, não quis deixar de guardar algumas falas que mais me impressionaram e agora parece que tudo o que escrever é pequeno e pobre.
      É um tributo à música, ao jazz, à arte, mas é também um livro sobre o desencontro amoroso, o abandono, o desamparo, a amizade, o medo da morte, as cicatrizes do nazismo, a tensão entre potências naquele período a que se chamou Guerra Fria.
      Todos procuram algo, todos lutam pela esperança, a Utopia. A CIA quer dominar o mundo e neutralizar os russos, acreditando que o conseguirá fazer usando o poder do jazz. Erik Gould quer reaver a sua mulher, a única que amou na vida e que um dia desaparece, acredita que um dia ao telefonar para casa ela estará lá para o atender. Quem sabe se as mensagens que lança ao mar dentro de garrafas de cerveja algum dia chegarão até ela? Isaac Dresner anseia por um futuro perfeito sem guerras nem violências, gostaria de esquecer os horrores que testemunhou e gere uma livraria insólita – “Humilhados e Ofendidos” – que não dá lucro. Tristan anseia ser feliz, quer sentir que não está só no mundo, gostaria de não ser atormentado pela presença constante da morte e, entretanto, vai guardando numa caixa de sapatos os pequenos objectos que considera essenciais, a sua arca de sobrevivência. Tem como bússolas um atlas, onde vai traçando o roteiro imaginário da mãe que desapareceu e um “Dicionário de Sinónimos, Poético e de Epítetos”para encontrar as palavras que lhe faltam. Isaac e Tsilia são para Tristan os substitutos dos pais ausentes, tal como Clementine, a prostituta, é ouvinte, confidente atenta e relatora de escritos gnósticos. O Escritor/Homem do Chapéu Cinzento que não se quer dar a conhecer, para quem todo o processo criativo é violência e coação, até mesmo conseguir que as baleias voem! As prostitutas – Clementine e Arlette – são mulheres fortes e sabedoras, guardadoras de segredos e memórias.
      O livro parte da ideia insólita saída das mentes da CIA, numa altura de grande descrédito da administração americana, de pretender conquistar o mundo através da música, mais propriamente do jazz, uma música “desalinhada”, que encarna a revolta contra a opressão, a exploração, o racismo, ou seja, as doenças que o capitalismo gera. Levando-a até junto dos jovens russos, quem sabe os conseguiria conquistar e levá-los a rejeitar os ideais da então União Soviética? Para tal, nada como usar os “Jazz Ambassadors”, tal era o nome do plano, em digressões que entrassem no campo inimigo com uma arma diferente: a música, o jazz. Erik Gould,o pianista que respira música por todos os poros, seria o escolhido pela agência americana para essa missão insólita. Tal como o filho Tristan que sofria de sinestesia e via sentimentos, Erik Gould via notas musicais em tudo. Uma doença, uma obsessão. A arte é afinal a matéria desta obra de Afonso Cruz, inelutável quando se é capturado por ela. Clementine é exemplo disso: começou a prostituir-se por causa da música; queria comprar um fagote para poder tocar Bach.

“Um tipo larga a heroína, mas não larga a música.”
“Não imagina a quantidade de vezes que já tentei deixar a música. Mas não consigo, não se consegue, ninguém consegue.”
“ – E porque queria ele largar a música?
-Isso não sei, mas acho que por paixão, queria entregar-se a uma só, a Natasha Zimina, e o piano era uma espécie de adultério.”
“A arte é a maior estupidez humana. Serve para quê?”
“A arte é um desvio da norma. A arte é uma doença da expressividade humana.”
“- … os livros não explicam nada. 
- Então, porquê lê-los? 
- Para ignorar mais. É assim que nos tornamos cada vez mais livres.”
 “Não abras as gaiolas dos pássaros, senão morrem de liberdade.”
“Todos os sábados de manhã, acontecia-lhe a mesma coisa, uma ténue esperança de que tivesse chegado o dia, mas as notícias, a realidade, tudo desmentia essa esperança num futuro perfeito, nesse imenso sábado em que o leão se deitaria com a ovelha.”
“Haveria um imenso sábado, um dia.”
“Os milagres acontecem nos sábados em que menos esperamos.”

      Este é o primeiro livro que li de Afonso Cruz. Certamente a sua actividade multifacetada como escritor, músico, cineasta e ilustrador é a fonte de onde brota a criatividade e inspiração para “Nem todas as Baleias Voam”.

Almerinda Bento 
Maio 2017

domingo, 18 de janeiro de 2015

Passatempo Pack de Natal Planeta - actualização

No recente passatempo Pack de Natal Planeta, verificou-se que o vencedor foi uma das seguidoras do nosso blogue que tem ela própria um blogue dedicado também a estas coisas dos livros, com parceria com a editora. Por essa razão e porque a bloguer pode aceder com facilidade aos livros oferecidos, a editora decidiu sortear de novo um Pack dos livros em questão, a saber, A Casa Azul de Cláudia Clemente e A Princesa Branca de Philippa Gregory.


Após um novo sorteio aleatório foi apurado como vencedor:

- Florbela Maria Marques Filipe da Cova da Piedade

Parabéns ao novo vencedor!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"Na Montanha de Hitler" de Irmgard A. Hunt

Numa guerra há sempre dois lados. Ē preciso ouvir/ler sobre os dois para se saber mais. Foi isso que me aconteceu nesta leitura. O tema é recorrente, para quem me conhece: a Segunda Guerra Mundial. Nunca é demais, nunca é suficiente. Tratando-se de um relato verídico, ainda melhor.

Desta vez, é pela voz desta autora que somos confrontados com "o outro lado". Não há relatos de atrocidades como a que estamos habituados a ler nos livros que nos falam sobre o holocausto mas há miséria, fome e imposições permanentes, tanto a nível ideológico como físico. Irmgard nasceu numa família humilde que se fixou uma zona montanhosa alemã, perto do retiro de Hitler.
A sua família era formada por membros que aderiram à causa hitleriana e por outros que lutaram contra ele. Heroicamente, aliás! Irmgard cresceu e viveu tentando "escolher" entre os pais e os avós que amava. Mas, como sabemos, a elite nazi não partilhava das mesmas dificuldades que o povo alemão e, somos confrontados, aqui nesta leitura, com toda a propaganda nazi impingida por Hitler e pelas dificuldades reais passadas pelo povo que, ocultado da verdade, tentava sobreviver.

O secretismo que envolvia as acções de Hitler e a opressão em que vivia a maior parte do povo alemão, levava a que qualquer suspeita não fosse abertamente formulada, muitas vezes por medo de um castigo ou por desejo que fossem deixados em paz. A vida dura, difícil, repleta de carências contribuia para que o medo se instalasse e as notícias não se espalhassem.

Ficamos presos ao relato desta menina/mulher que, através de diários e conversas com familiares, tentou contar a história da sua família. Sem desculpas. Com toda a culpa que uma criança pode transportar por erros praticados por indivíduos sem qualquer humanidade. Quando a guerra termina, a autora tem 11 anos. O pós-guerra, vivido com muita dificuldade e ansiedade, é um mundo novo que se lhe abre. A ocupação americana foi uma porta de saída de um país fechado em si mesmo para um mundo onde a palavra liberdade possuia outro sentido.

Recomendo muitíssimo esta leitura.

Terminado em 11 de Novembro de 2014

Estrelas: 6*

Sinopse

Tendo crescido nas imponentes montanhas de Berchtesgaden, a poucos passos de distância do retiro alpino de Hitler, Irmgard Hunt teve uma infância aparentemente feliz e simples. Nas suas memórias poderosas, esclarecedoras e por vezes assustadoras, relata uma infância vivida sob um dirigente diabólico mas persuasivo. Este não é um livro apenas de memórias, é o retrato de uma nação que perdeu a sua bússola moral.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

"Para onde vão os Guarda-Chuvas" de Afonso Cruz

Edição/reimpressão:

Páginas:

624
Editor:

Alfaguara Portugal
ISBN:
9789896721978


Mal acabei de ler este livro e já estou aqui a escrever o que senti durante esta leitura. Não que seja o ideal porque é um livro tão rico, tão cheio de palavras plenas de sentido e belas que deveria deixar passar mais tempo para o assimilar melhor... MAS tive receio de começar outro livro e deixar os meus pensamentos, os meus sentidos misturarem-se com outras histórias.

Foi fantástico descobrir a escrita de Afonso Cruz. Já estava cansada de ouvir maravilhas e achei que qualquer leitura iria ficar aquém das minhas expectativas. MAS isso não aconteceu, de facto!

A história prende, claro. MAS prende muito mais a multiplicidade de personagens, a sua riqueza tanto ao nível dos pormenores físicos como psicológicos. O mudo que fala com as mãos e que com elas faz poesia, a criança que tudo faz para ser amada e que se parece com o pai adoptivo, "invisível como as paredes", são as minhas preferidas.

Há frases belíssimas que nos fazem perguntar como é que é possível escrever tão bem. Frases que nos deliciam os sentidos, que nos elevam para outros mundos, outros amores. Frases que nos fazem sonhar. Delícias que relemos e relemos e relemos. Não nos cansam.

O fim é imprevisível. Inexplicável. Duro.

Recomendo muito esta leitura! Quero ler outras obras de Afonso Cruz. Será possível escrever assim, sempre?

Terminado em 26 de Novembro de 2013

Estrelas: 6*

Sinopse

O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.
Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A Escolha do Jorge: "Assim Mas Sem Ser Assim"

Pois é! Temos uma rubrica nova no blogue! O Jorge é um devorador de livros e fiquei muito contente por ter aceite o meu convite. Por isso já sabem: as quintas-feiras são dele! Estejam atentos porque as suas opiniões estão a chegar... Aqui fica a primeira! (Cris)

“Assim, mas sem ser assim” é o mais recente livro de Afonso Cruz publicado esta semana e cujo público-alvo são os mais novos. No entanto, este autor tem a capacidade de atrair miúdos e graúdos nestes seus livros que divertem, brincando com as palavras levando os mais novos a compreenderem os vários sentidos que certa palavra pode ter dependendo do contexto e fazendo-o sempre com bastante humor, não esquecendo a curiosidade e admiração tão característica das crianças e que muitas vezes, nós, mais velhos, já esquecemos ou já perdemos. Para além destes ingredientes, é de referir o aspeto pedagógico sempre presente nas obras de Afonso Cruz chegando mesmo a levantar questões relacionadas com a tolerância e a cidadania.

“Assim, mas sem ser assim” conta-nos a história de um rapaz que nos descreve como são alguns dos seus vizinhos não esquecendo as suas características físicas, psicológicas e até as suas manias, mas tudo visto através do olhar de uma criança.

Este novo livro “Assim, mas sem ser assim” é uma mistura simpática e muito bem conseguida de “O Livro do Ano” com “A Contradição Humana” na medida em que apresenta textos mais elaborados e complexos, mas acessíveis à compreensão de uma criança ao ponto de a fazer questionar e… sorrir também.

Excertos:

“A pessoa que é namorado da pessoa do 3C, modelo muito magra e tão extremamente elegante, gosta muito de viajar e já esteve em cerca de duzentos países, número que, depois de me informar, parece ser o máximo de países que a Terra aguenta. Comunicou-me que já comeu coisas que ele chama de:
Exóticas (será assim que se escreve?)
Entre as várias exóticas que já comeu, incluem-se insectos como baratas e gafanhotos. E ratos, que, não sendo um inseto, também é um exótico. É capaz de comer qualquer coisa, comunicou-me ele.
E escorpiões?
Sou capaz.
E sapos? Dizem que são difíceis de engolir.
Sou capaz.” (p. 8)

“(…) Comunicou-me a pessoa do 8A: Aproveito o lixo para fazer coisas novas, como candeeiros, canteiros, lavatórios e muito mais, que é assim que o universo faz as coisas. Por exemplo: com a palavra lama podemos fazer a palavra alma.
Parece magia, comuniquei eu. Mostre-me as suas mãos. (p. 16)

“Subi as escadas com a pessoa do 3A (…). Comunicou-me que gosta muito da natureza, de andar descalço (…), e de dormir ao relento, debaixo das estrelas.
É o meu cobertor favorito. Um hotel de cinco estrelas é pouco para mim, preciso de um com muitas mais estrelas.
Cinco não chegam?
Só me satisfaz o infinito.
É um número muito grande, não é?
É, mas consegue-se domesticá-lo e fazer com que caiba numa só noite. Uma noite bem passada nunca mais acaba.” (p. 22)

Texto da responsabilidade de Jorge Navarro