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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

"A Outra Metade de Mim" de Affinity Konar

Creio que não existe expressão mais certa do que a contida na capa e por isso começo a minha apreciação deste livro com ela: achei-o "brutalmente belo!" Foi isso que senti quase no princípio deste livro e que tive a certeza já a meio da sua leitura. O final, de uma beleza rara onde a adjectivação passa pela palavra "recomeço". Uma esperança que muitos não tiveram direito. Um recomeço difícil, sem ódio.

Fiquei estarrecida com muitas partes desta narrativa mas fiquei também surpresa com a inocência que transparece nos discursos das duas gémeas, personagens principais, que nas mãos de Mengele, tentam sobreviver. A narrativa é feita, alternadamente, pelas vozes das duas meninas que na época teriam 10/12 anos, mas contada quando adultas. Um recordar doloroso do passado.

No "Zoo" onde viveram, onde a Maldade teve asas numa doentia imaginação e Mengele foi o seu instrumento humano, as gémeas, serviram de cobaias para as experiências que se realizaram naquela parte do campo de Auschwitz. Os gémeos, acreditava-se, teriam mais hipóteses de sobrevivência. 

A capa está espectacular. Simples, bonita e, coisa rara em muitos livros, tem tudo a ver com a história. Leiam e vejam porquê... 

Uma leitura brutal e de uma rara beleza, contudo. Porque no fundo, a Luz e a Esperança. A Libertação e o Recomeço. 

Sem mais palavras, dou nota máxima (já alguma vez dei 7?). O meu livro para 2016.


Terminado em 29 Outubro de 2016

Estrelas: 7*

Sinopse
Pearl tem a seu cargo o triste, o bom, o passado. Stasha fica com o divertido, o future, o mau. Corre o ano de 1944 quando as gémeas chegam a Auschwitz com a mãe e o avô. No seu novo mundo, Pearl e Stasha Zamorski refugiam-se nas suas naturezas idênticas, encontrando conforto na linguagem privada e nas brincadeiras partilhadas da infância. As meninas fazem parte da população de gémeos para experiências conhecida como o Zoo de Mengele e, como tal, conhecem privilégios e horrores desconhecidos dos outros. Começam a mudar, a ver-se extirpadas das personalidades que em tempos partilharam, as suas identidades são alteradas pelo peso da culpa e da dor. Nesse inverno, num concerto orquestrado por Mengele, Pearl desaparece.

Stasha sofre a perda da irmã, mas agarra-se à possibilidade de que ela continue viva. Quando o campo é libertado pelo Exército Vermelho, ela e o companheiro Feliks - um rapaz que jurou vingança depois da morte do seu gémeo - atravessam a Polónia, um país agora destruído. Não os detêm a fome, os ferimentos e o caos que os rodeia, motivados como estão em igual medida pelo perigo e pela esperança. Encontram no seu caminho aldeões hostis, membros da resistência judaica e outros refugiados como eles, e continuam a sua viagem incentivados pela ideia de que Mengele pode ser apanhado e trazido à justiça. À medida que os jovens sobreviventes descobrem o que aconteceu ao mundo, tentam imaginar um futuro nele. Uma história extraordinária, contada numa voz que tem tanto de belo como de original, Mischling é um livro que desafia todas as expectativas, atravessando um dos momentos mais negros da história da humanidade para nos mostrar o caminho para a beleza, a ética e a esperança.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

"Os Últimos Sete Meses de Anne Frank" de Willy Lindwer

Este livro é formado por seis testemunhos. Impressionantes, todos eles. Que marcam profundamente quem os lê e que precisam ser lidos por todos. Pouco mais tenho a dizer. Foram pedaços de vidas que estiveram guardados bem no fundo de quem as viveu e que, finalmente, veem a luz do dia. Para que nunca se esqueça. Foram pessoas cujos caminhos se cruzaram com Anne Frank após ser descoberta no "abrigo" e após a sua detenção.

São testemunhos verídicos de seis mulheres que, de uma forma ou de outra, se cruzaram com a família Frank nos campos de concentração. Sobreviveram. Deveria ser tudo mentira, não é? Mas não podemos, nem devemos, enterrar a cabeça debaixo da terra. Por isso existem livros assim. Para que não esqueçamos nunca. Leiam.

Doi perceber, destes testemunhos, que depois da guerra ter terminado, os sobreviventes estiveram por conta própria, quase sem ajuda, tal era o caos que se vivia então e que a maioria da população não se apercebeu o quanto sofreram os prisioneiros.

Terminado em 25 de Maio de 2016

Estrelas: 6*

Sinopse

O extraordinário diário de Anne Frank tem vindo a comover milhares de leitores em todo o mundo, sendo um testemunho pungente e humano da perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, sabe-se muito pouco da vida desta jovem após a sua captura, a 4 de agosto de 1944, e posterior envio para os campos de concentração. Como suportou ela a brutalidade do regime nazi? As respostas são-nos dadas, neste livro, pelas mulheres cujas vidas se cruzaram com Anne Frank em Westerbork, Auschwitz e Bergen-Belsen.
Willy Lindwer, cineasta holandês, realizou um documentário televisivo intitulado Os Últimos Sete Meses de Anne Frank, pelo qual recebeu um Emmy. Impressionado com as entrevistas que levou a cabo com seis mulheres que viveram e partilharam com Anne Frank os dias de horror nos campos de concentração nazis, Lindwer decidiu publicá-las integralmente, dando origem a este livro.
Cada uma das seis entrevistadas tem uma história extraordinária para contar - exemplos de um terror inimaginável, mas, simultaneamente, histórias de coragem e compaixão.
A vida de Anne Frank terminou pouco antes do seu décimo sexto aniversário. Estas mulheres tiveram mais sorte. Sobreviveram.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

De Amor e Sangue de Lesley Pearse

Há quem escreva muito bem. Umas vezes com uma escrita bonita e fluida, outras, mais intricada chegando ao ponto de não ser entendida por todos os leitores. Umas atraem, outras enfadam. Ambas bem escritas mas diferentes.

Considero que Lesley Pearse escreve bem. Que faz parte do primeiro grupo de autores que mencionei. A história, sempre bem contextualizada, apaixona o leitor e leva-o para muitas viagens, para caminhos e mundos desconhecidos. Adoro quando isso me acontece! As muitas páginas (662) parecem poucas porque são lidas rapidamente e os lugares são-nos reais, os odores infiltram-se no nariz, o barulho torna-se audível. Ja não estamos "aqui" mas vamos para "lá"!

Se ficasse por aqui, já esta leitura teria valido a pena. E muito. Mas há mais. Quando corre uma lágrima, sorrateira e inesperada, dos meus olhos então sei que a escrita tocou o meu coração. Se isso faz diferença? Faz TODA a diferença! Faz querer pegar nos livros dela que cá tenho na estante e devorá-los de imediato. Sim, porque se trata de devorar uma leitura, aquilo que estou a falar. E isso sabe tão, mas tão, bem!

A história? Vão ter de ler mesmo. Porque não a saberia reproduzir em poucas palavras e também não quero contar-vos praticamente nada. O local? Inglaterra, ano 1832 e seguintes.
E se querem um conselho não leiam a sinopse. Deixem-se levar, peguem no livro e leiam. Vai valer a pena!

Terminado em de Novembro de 2015

Estrelas: 5*+ (6*?, acho que sim!)

Sinopse

Somerset, 1836.
A recém-nascida Hope é a prova viva do adultério da mãe, a aristocrata Lady Harvey. A sua chegada a este mundo não é festejada e as lágrimas em seu redor não são de alegria. Imediatamente arrancada àquele meio privilegiado e entregue nas mãos dos Renton, uma família pobre mas acolhedora, Hope cresce sem saber a verdade sobre as suas origens. E quando chega o dia em que também ela tem de começar a contribuir para o sustento da família, é precisamente para os Harvey que trabalha. Deslumbrada perante a mansão luxuosa, a elegância dos seus patrões e a beleza que os rodeia, Hope enfrenta com brio e gratidão a extenuante rotina de trabalho.
Mas a descoberta de uma ligação proibida vai lançá-la sozinha para as ruas, para uma vida de miséria e solidão. É na adversidade, porém, que descobre uma força interior que desconhecia, bem como um talento para ajudar os mais fracos. Trata-se de um dom que não passa despercebido ao Dr. Bennett, que a leva consigo para a Crimeia, para ajudar a tratar dos feridos vindos dos sangrentos campos de batalha. Mas os segredos do passado teimam em vir ao de cima, e Hope tem ainda um longo caminho a percorrer na tentativa de enfrentar o legado do seu nascimento.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

"O Dia Em Que Estaline Encontrou Picasso Na Biblioteca" de Alice Brito

Primeiro a sua escrita. Acolhedora, comovente, vivida, ousada, onde pululam as figuras de estilo e onde a personificação tem um lugar de destaque porque, sendo tantas, nos encantam de tão belas que são. Certeira na escolha das palavras. Palavras que vão do oito ao oitenta. Mas todas cabem na história porque a ela pertencem. Uma história que nos conta a História. De Portugal, de Espanha, do mundo. Da guerra, da ditadura, ou melhor, das guerras e das ditaduras em prol de muito poucos, a desfavor de muitos Homens.

E se primeiro está a escrita de Alice Brito, logo a seguir vem a história que, de tão bem contada, nos encanta e nos prende. A narrativa tem dois planos temporais, passados simultaneamente antes e após a ditadura em Portugal . E dito desta forma reduzimo-la, infeliz e inevitavelmente, a algo já contado por alguém. Mas desenganem-se porque não é assim. Ela, a história, está pejada de factos verídicos, de costumes da época, de acontecimentos marcantes da História que, juntamente com (repito) a escrita única de Alice Brito, fazem deste romance uma doce surpresa para quem não leu seu anterior livro, As Mulheres Da Fonte Nova. Eu, que já esperava muito, fiquei de novo rendida. O próximo, espero que esteja para breve, não me escapa. Mesmo!

Adorei o narrador! De quando em vez opina, sugere, intromete-se na  narrativa, dá um ar de sua graça,,, Coisa pouca mas com graça.

Não posso deixar de referir como a apresentação deste livro na Fnac do Chiado me agradou e surpreendeu. Como gostava que todas as apresentações de livros assim fossem! Com o dom da palavra, os apresentadores (Helena Vasconcelos e Alfredo Barroso) deixaram a plateia interessada, motivada e, sobretudo, com vontade de permanecer. Mas, Alice Brito, quando chegou a sua hora de "botar" discurso, não se ficou pelos agradecimentos do costume... A sua escrita, a forma tão peculiar do seu discurso escrito, saiu-lhe pela boca e maravilhou quem a estava a ouvir. Deu para perceber o quanto faz (não se ficando apenas pelo desejo) para que o mundo seja melhor. Porque somos nós que o fazemos bom ou mau, não apenas os outros.


Como sei que quem por aqui anda sente o mesmo que eu ao pegar num livro, vou vencer a minha preguiça e colocar aqui um exerto, pequeno embora, deste livro:

"O livro é um espaço habitável. Há livros que até têm lotação esgotada. Tem de se esperar para entrar. Ou porque estão a ser lidos por alguém, ou porque ainda a cabeça não tem bilhete de entrada. Mas quando, por fim, se chega lá, que bem a gente se sente. Tão bem que nos assenhoreamos de cada frase, privatizamos capítulos inteiros, tornamo-nos amigos ou inimigos de personagens que de vez em quando nos visitam. Há até casos extremos de personagens que abusam eentram dentro de nós com grande á-vontade. Confundem-nos e confundem-se connosco."

Terminado em 21 de Junho de 2015

Estrelas: 6*

Sinopse

Juan e Maria Bento, as personagens centrais que constroem os seus próprios destinos, ficarão para a memória leitora como um par improvável e apaixonados já vistos - entre o anarquismo convicto de Juan e a militância inflexível de Maria Bento, que as ligações ao KGB disciplinam, há uma ponte incerta que oscila, baloiça e finalmente se verga ao peso da paixão.c

quarta-feira, 19 de março de 2014

"O Olhar de Sophie" de Jojo Moyes

Uma excelente surpresa este livro da Porto Editora! Sabem quando começamos a ler e ao fim de meia dúzia de páginas já estamos completamente absorvidas com a leitura? Garanto-vos que nesta história vos vai acontecer isso!!!

São duas histórias com um hiato no tempo de aproximadamente cem anos. A primeira passa-se durante a Primeira Guerra Mundial, em 1914, numa pequena vila francesa ocupada pelos alemães. A narrativa é de tal forma intensa que me arrebatou completamente e quando, inesperadamente, surgiu a segunda história não pude deixar de me aborrecer seriamente, ao ponto de procurar nas páginas seguintes a sua continuação. Ainda bem que não consegui encontrá-la... Mas duvidei seriamente que os acontecimentos passados em 2006, em Londres, com outra personagem me fossem agradar e surpreender tanto quanto os da história anterior!

Jojo Moyes é uma escritora como poucas. Não existe uma pequena parcela neste livro que não seja sorvida com ansiedade e grande expectativa! A segunda parte do livro, se assim podemos descrever, é, também ela, arrebatadora, cheia de mistério (e romance) fazendo-nos a ligação à história anterior, com pequenos apontamentos que não nos deixam sossegar e nos inquietam.

Já há muito tempo que não devorava tão rapidamente quatrocentas e tal páginas, chegando a lutar contra o sono porque este me impedia de conhecer o final tão aguardado. Final que, embora tivesse à espera, teve surpresas inesperadas que deram um toque brilhante a esta obra.
Poucos romances há que atribuo 6 estrelas. Não tenho nenhumas dúvidas em dar nota máxima a este livro. Deixem-se surpreender! Eu gostei. Muito!

Terminado em 16 de Março de 2014

Estrelas: 6*

Sinopse


Somme, 1916. Sophie vive numa vila ocupada pelo Exército alemão, tentando sobreviver às privações e brutalidade impostas pelo invasor, enquanto aguarda notícias do marido, Édouard Lefèvre, um pintor impressionista, que se encontra a lutar na Frente. Quando o comandante alemão vê o retrato de Sophie pintado por Édouard, nasce uma perigosa obsessão que leva Sophie a arriscar tudo - a família, a reputação e a vida.

Quase um século depois, o retrato de Sophie encontra-se pendurado numa parede da casa de Liv Halston, em Londres. Entretanto, Liv conhece o homem que a faz recuperar a vontade de viver, após anos de profundo luto pela morte prematura do marido. Mas não tardará que Liv sofra uma nova desilusão - o quadro que possui é agora reclamado pelos herdeiros e Paul, o homem por quem se apaixonou, está encarregado de investigar o seu paradeiro…


Até onde estará disposta Liv a ir para salvar este quadro? Será o retrato de Sophie assim tão importante que justifique perder tudo de novo?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

"O Rapaz do Caixote de Madeira" de Leon Leyson

Tenho tanto para dizer sobre este livro que estou sem palavras!

Nunca me canso de ler romances sobre a Segunda Guerra e sobre todos os conflitos em geral. Talvez por necessidade de ficar a conhecer mais e mais sobre o que o Homem é capaz de fazer. Espantar-me sobre os horrores que foram cometidos não é dificil mas, sobretudo, sinto uma admiração profunda pela forma como o Homem é capaz de sobreviver e ultrapassar todos essas crueldades que lhe foram infligidas.

Este livro é um exemplo admirável disso mesmo! A sinopse fica muito aquém do seu conteúdo e é assim que tem de ser. Trata-se de uma história verídica, mais uma, que nos conta um pouco das atrocidades que foram cometidas no holocausto mas, neste caso, uma série de acontecimentos felizes, um pouco por sorte também, fizeram com que os elementos (quase todos) de uma família de judeus polacos tivessem sobrevivido.

É-nos contada, em primeira mão, pelo seu elemento mais novo, Leon, hoje já falecido, e trata-se de um testemunho impressionante de coragem, força e determinação. Adorei saber e tomar conhecimento que a sua vida continuou e que, mesmo depois de todas as atrocidades vividas, o autor conseguiu (sabe-se lá como!) procurar a felicidade e aproveitar os momentos bons que a vida lhe ofereceu depois da guerra. E isso passou, principalmente, por saber valorizar o que possuía! 

Uma lição de vida que faz deste livro um dos melhores que já li até agora! Recomendadíssimo!!!

Terminado em 11 de Janeiro de 2014

Estrelas: 6* (definitivamente um dos seis mais gordos que já atribuí!)

Sinopse

Leon Leyson tinha apenas dez anos quando os nazis invadiram a Polónia em 1939 e a sua família foi forçada a viver no gueto de Cracóvia. Neste seu livro de memórias, Leon começa por nos descrever uma infância feliz, na sua aldeia natal e felizmente para a família, o seu caminho cruzar-se-ia com o de Oskar Schindler que os incluiu na célebre lista dos trabalhadores da sua fábrica. Na altura com apenas 13 anos, Leon era tão pequeno que tinha de subir para cima de um caixote de madeira para chegar aos comandos das máquinas. Ao longo desta história, que reproduz com autenticidade o ponto de vista de uma criança, Leon Leyson deixa-nos entrever, no meio do horror que todos os dias enfrentavam, a coragem, a astúcia e o amor que foram necessários para poderem sobreviver.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

"Os Livros do Final da Tua Vida" de Will Schwalbe


É-me dificil falar deste livro. O que me vem, de repente, à cabeça, é que é um livro memorável. Intenso e tão profundo que me fez tanto sorrir como ficar embargada, com uma lágrima no olho. E verdadeiro também.

Uma homenagem que o autor faz à sua mãe, falecida com um cancro pancreático. Durante dois anos, aproximadamente, Mary Ann lutou contra o cancro, vivendo o mais intensamente que lhe foi possível, com projectos humanitários (ajuda aos refugiados) no topo da lista das suas prioridades. Sabendo que não teria cura, submeteu-se a vários tratamentos na esperança que os seus dias fossem prolongados sempre com o intuito de finalizar os projectos que tinha em mãos e de preparar os seus familiares para o fim que se avizinhava.

Mas este livro é muito mais do que um tributo de um filho à sua mãe. É um espalhar de como os livros e a leitura podem unir as pessoas, aproximá-las ainda mais em torno de uma conversa sobre eles, mas também, as pessoas, as crenças, os desejos, as vontades. O AMOR.

Mãe e filho formam um "clube de leitura" enquanto esperam pelas consultas no hospital, pelas sessões de quimioterapia. Falar sobre livros ajuda-os a falar na morte, na vida, no amor pelos livros e no amor que sentem um pelo outro. Partilham a paixão pelos livros, sugerem leituras e falam sobre eles. Mary Ann nao é muito efusiva nas suas manifestações de dor. O seu amor pela família, pelos amigos, por todos os que precisam de carinho monopolizam a sua atenção. Dedica-lhes o seu tempo, o seu último tempo de vida.

Com um vício algo estranho para mim, Mary Ann começava sempre um livro pelo fim, espreitando o seu final! Como a vida fez com ela: deu-lhe a conhecer, antecipadamente, o seu final próximo. O tempo que lhe restou aproveitou-o ao máximo. Um exemplo!

Aviso: peguem numa folha e num lápis. De certeza que quando acabarem esta leitura ela estará preenchida com livros que não vão querer deixar de lado...

Adorei!

Terminado em 18 de Dezembro de 2013

Estrelas: 6*

Sinopse


Forçados por uma trágica circunstância, Will Schwalbe e a mãe ficam longas horas em salas de espera de hospitais. Para passar o tempo, decidem falar dos livros que estão a ler. Através das suas leituras, percebemos o quanto os livros são reconfortantes, surpreendentes e maravilhosos.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

"Uma Mulher em Berlim" de Autor Anónimo.

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 304
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892323121


Ainda estou um pouco zonza com esta leitura! Tanta coisa para dizer, ainda mais para reflectir...

Não posso deixar de ficar admirada pela publicidade (pouca!) que este livro teve. Ou pelo menos, de como ela me passou completamente ao lado. Ao ler a sinopse pensei logo que esta obra seria "a minha praia" mas não estava de todo preparada para tudo aquilo que li. Forte. Intenso. Duro. Ainda assim com uma ponta de esperança.

Um relato verídico, de uma crueza estonteante, feito por uma mulher que quis permanecer anónima. Porque o que é importante não é saber quem viveu tudo o que no livro é relatado mas sentir o que a guerra provoca no ser humano. A fome, o medo, a angústia do desconhecido leva a que todos os nossos valores sejam repensados, analisados sobre um outro prisma! Atitudes tomadas que só quem nunca esteve numa situação semelhante se atreve a julgar.

Um diário feito por uma alemã, já no fim da guerra, quando a Alemanha finalmente foi subjugada e se rendeu. De 20 de Abril a 22 de Junho de 1945, em Berlim. A cidade é invadida pelos Russos. Saques, pilhagens, violações. FOME! Pessoas que se juntam numa cave do prédio onde habitam para não serem apanhadas pelos bombardeamentos e pelas violações. Porque se as primeiras caem do céu, as segundas espreitam nas escadas sem luz, nas casas arrombadas.

Consegue fazer uma análise bastante isenta dos seus sentimentos e dos daqueles que a rodeiam. A fome, o medo, as violações, a morte, a união dos vizinhos, tudo impele o ser humano para actos que, em clima normal, abominariam e condenariam. Uma coisa que pensamos ser imprópria, torna-se, de repente, na coisa mais natural face ao clima de terror em que se vive e face à massificação dos acontecimentos. Estou a lembrar-me, por exemplo, de como a autora procura a protecção de um oficial russo oferecendo-se sexualmente, evitando futuras e mais violações e em troca de alguma comida. Comida que distribui com a "sua família emprestada", uma viúva, sua vizinha e seu hóspede doente.

Actos que na sociedade actual seriam severamente castigados e do qual as vítimas sentiriam algum pudor em falar - as violações - são expurgados colectivamente. "Quantas vezes foste violada?" - esta frase repete-se quando as mulheres se encontram. Mulheres que não se conhecem mas que partilham a mesma situação.

Mas esta mulher não desiste! E para preservar a sua sanidade pega num caderno, numas folhas e escreve, escreve durante dois meses sobre o que vê e o que sente. E ao escrever liberta toda a sua dor e reafirma perante si mesma, a sua vontade de viver. Impressionante!

Um livro que tem de ser lido. Nota máxima!

Terminado em 22 de Julho de 2013

Estrelas: 6*
Sinopse

Com início a 20 de Abril de 1945, o dia em que Berlim viu pela primeira vez a face da guerra, a autora deste diário descreve o quotidiano de uma cidade em ruínas, saqueada pelo exército russo. Durante dois meses, afasta a angústia e as privações sofridas, e concentra-se no relato objectivo e racional das suas experiências, observações e reflexões. Apesar dos constantes bombardeamentos, de actos de violação, do racionamento alimentar e do profundo terror da morte, este diário traça-nos uma perspectiva única de uma mulher dotada de um optimismo notável, que não se deixa abater pelas agruras sofridas. Quem ler este diário, jamais o esquecerá.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O leitor de cadáveres de António Garrido


Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 504
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04387-0
Idioma: Português

Verdadeiramente surpreendente, este livro! Nem tenho palavras para descrever o quanto ele me prendeu. 

Na capa surgem estes dizeres: "Um romance fascinante sobre o primeiro médico-legista da História." Pode parecer um pouco macabro mas não o é de todo. Mal lemos as primeiras páginas damos uma cambalhota no tempo e voamos para a China por volta de 1200. Tempos e costumes diferentes, e por vezes difíceis de aceitarmos, fazem com que permaneçamos numa outra época com os olhos e os sentidos pregados ao livro. 

Esta obra é um desenrolar de mistérios diferentes e percebe-se nesta leitura que os factos descritos para os resolver têm por base uma pesquisa profunda, sendo verídicas muitas das situações apresentadas. O personagem principal, um jovem estudante de medicina com uma imensa sede de saber sempre mais e mais, considerado o primeiro médico-legista, existiu de facto e foi através do estudo da obra escrita e por ele deixada, que o autor desenvolveu o enredo. E que enredo! Mistérios, crimes por resolver que o jovem Ci, através das suas brilhantes deduções, resolve analisando os cadáveres. Mas a sua vida não é fácil e vê-se acusado de ter praticado um assassínio...

Fez-me lembrar muito a leitura de O Físico de N. Gordon.

A última escriba, o livro anterior do autor, descansa na minha estante. Precisa de ser limpo do pó (já o tenho há algum tempo!) e posto na pilha dos que pretendo ler em breve! Nota máxima para O último leitor de cadáveres. Brilhante!

Terminado em 9 de Abril de 2013

Estrelas: 6*

Sinopse


Na antiga China, só os juízes mais sagazes atingiam o cobiçado título de «leitores de cadáveres», uma elite de legistas encarregados de punir todos os crimes, por mais irresolúveis que parecessem. Cí Song foi o primeiro.

Inspirado numa personagem real, O Leitor de Cadáveres conta a história fascinante de um jovem de origem humilde que, com paixão e determinação, passa de coveiro nos Campos da Morte de Lin’an a discípulo da prestigiada Academia Ming. Aí, invejado pelos seus métodos pioneiros e perseguido pela justiça, desperta a curiosidade do próprio imperador, que o convoca para investigar os crimes atrozes que ameaçam aniquilar a corte imperial.

Um thriller histórico absorvente, minuciosamente documentado, onde a ambição e o ódio andam de mãos dadas com o amor e a morte, na exótica e faustosa China medieval.

sábado, 7 de julho de 2012

A mulher-casa de Tânia Ganho


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 376
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04594-2
Coleção: MARCA D'ÁGUA

Espectacular este romance! Gostei mesmo muito. A escrita desta autora surpreendeu-me. 

Cheia de pormenores, de quem conhece Paris intimamente e nos quer transmitir esse conhecimento tão ínfimo, tão cheio de cores, de cheiros, de sabores, de toques, mas também de barulhos e de sons mais agrestes, de espaços e locais verídicos, movimentados.

As descrições tão intensas levam-nos a vivenciar e partilhar os sentimentos da personagem principal, Mara, sentindo e dividindo com ela as sua dúvidas, incertezas e temendo as suas decisões.


Às vezes queremos que a vida e os sentimentos das pessoas sejam a duas cores, ou preto ou branco. Ou sim ou sopas! E isso não é assim porque se trata da Vida e das suas formas múltiplas de estar nela e a viver.
Existe, de facto, um leque de cores variadas como se retratasse a multiplicidade de sentimentos que podem coabitar numa única pessoa. Isto é bastante visível nesta leitura porque Mara avança e recua nas suas decisões, num processo de crescimento que é habitual num ser humano.

Os seus estados de alma estão muito bem caracterizados, sem pudor mas também repletos de uma honestidade e verdade que dá nas vistas ao leitor que se mantém atento e interessado. Mara sente solidão, amor, indecisão. Nós sentimos também. É um prazer e uma explosão de sentidos que se sente ao ler este livro. Aconselho!


Um dos factores que me levou a dar nota máxima foram as inúmeras vezes que senti uma verdadeira inserção na vida real quer pelos aspectos focados anteriormente como pelas referências a factos verídicos que se mesclam na história com verdadeira mestria.


Li desta autora a "Lucidez do amor". Muito bom! Veja aqui!

Terminado em 2 de Julho de 2012

Estrelas: 6*

Sinopse

Ela é uma modista de chapéus pouco conhecida; ele, um ghostwriter de políticos menores e personalidades duvidosas. Quando trocam a pacata Aix-en-Provence pela imponente Paris, levam consigo toda uma bagagem de sonhos e promessas de glamour. Porém, o crescente sucesso profissional do marido depressa reduz Mara ao papel de mãe e dona de casa, arrastando-a para um abismo de solidão e desencanto.

É então que se envolve com Matthéo, um jovem chef mais novo do que ela, e de súbito se vê enredada numa espiral de sentimentos contraditórios onde a lealdade, a luxúria e o dever encerram as agonizantes perguntas: poderá uma adúltera ser uma boa mãe? Poderá ela esperar que este amor proibido a salve de si mesma e da sua falta de fé?

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Portugueses no Holocausto de Esther Mucznik


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 328
Editor: A Esfera dos Livros
ISBN: 9789896263737

Este livro não é um romance. Foi talvez o primeiro livro sobre História que li com um interesse constante e genuíno. Escrito de uma forma simples, perceptível a todos é, no entanto, um livro pesado pelo tema que aborda. Tema que me fez pegar no livro, mas é certo que tive necessidade em intercalar leituras mais leves, mais softs! Nunca o coloquei de parte. Há livros que têm de ser lidos!


Como relata, frequentemente, as histórias de vida de muitos portugueses ou descendentes de portugueses e seus testemunhos, mantém sempre constante a nossa atenção. Para além disso, a referência a várias obras, diários e até romances baseados em histórias verídicas faz com que tomemos nota para mais tarde investigarmos e colocarmos na "wishlist".

Já aqui referi anteriormente que tenho o hábito de colar um pequeno post-it na primeira página do livro que estou a ler para fazer pequenas anotações no decorrer da leitura. Quando acabei esta obra tinha nem mais nem menos que oito papéis colados. Por aqui podem ver como o assunto tratado e como a forma de escrita da autora me prenderam deveras!

Como foi possível tanta xenofobia e tão exacerbado anti-semitismo? Terá sido obra de um só homem, demoníaco por sinal? Como foi possível que uma sociedade com um elevado nível educacional, tecnológico e cultural realizasse actos tão bárbaros? Ou terá sido mesmo por essa razão? Que responsabilidades tiveram os restantes países europeus na que foi considerada a pior acção do homem? A ocupação a que muitos foram sujeitos não terá escondido os actos que esses mesmos países praticaram e aderiram com tanta destreza? E Portugal, qual o seu contributo? Que poderia ter feito para evitar tantos massacres? O pós-guerra trouxe logo um reconhecimentos das barbáries cometidas ou, pelo contrário, a necessidade de "esquecer" trouxe um segredo cúmplice que serviu para uma não divulgação do que  tinha acontecido?

São tantas perguntas e respostas que surgem com esta leitura! Saliento que os testemunhos verídicos enriquecem sobremaneira esta obra e ficamos a conhecer o destino de muitos portugueses (ou de ascendência portuguesa) que viveram esta e nesta época e que estiveram espalhados pelo mundo. Outros houve (e não foi só o célebre Aristides de Sousa Mendes!) que deixaram marcas positivas por esse mundo fora, ao combater o regime do Terceiro Reich, salvando vidas e indo contra a vontade expressa de Salazar.

Muito mais fica por dizer. Tomar consciência que os alguns países civilizados fizeram parte deste massacre, tanto por omissão como por cumplicidade, foi o que mais me marcou nesta leitura porque não tinha isso presente. E os actos heróicos de pessoas que se destacaram individualmente foi outro aspecto que me fez questionar: O que faria eu se me encontrasse nas suas posições?

Imprescindível esta leitura! Nota máxima!

Terminado em 5 de Julho de 2012

Estrelas: 6*

Sinopse


Baruch Leão Lopes de Laguna, um dos grandes pintores da escola holandesa do século XIX, judeu de origem portuguesa, morreu em 1943 no campo de concentração de Auschwitz. Não foi o único, com ele desapareceram 4 mil judeus de origem portuguesa na Holanda, que acabaram nas câmaras de gás. No memorial do campo de Bergen-Belsen consta o nome de 21 portugueses deportados de Salónica, entre estes Porper Colomar e Richard Lopes que não sobreviveram. Em França, José Brito Mendes arrisca a sua vida, escondendo a pequena Cecile, cujos pais judeus são deportados para os campos da morte.

Uma história de coragem e humanismo no meio da atrocidade. Em Viena, a infanta Maria Adelaide de Bragança também não ficou indiferente ao sofrimento, e não hesitou em ajudar a resistência nomeadamente no cuidado dos feridos, no transporte de armas e mantimentos, tendo sido presa pela Gestapo. Esther Mucznik traz-nos um livro absolutamente original, baseado numa investigação profunda e cuidada em que nos conta a história que faltava contar sobre a posição de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A melodia do amor de Lesley Pearse


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 520
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892315973

Durante esta leitura, comparei muitas vezes este livro com o primeiro da autora e achei-o, de igual forma, óptimo. "Nunca me esqueças" foi uma surpresa total para mim e é daqueles livros que não esquecerei mais. "Segue  o coração" confirmou o quanto a escrita desta autora é fenomenal.  É certo que, com esta última leitura, a surpresa não se repetiu porque, conhecendo agora a sua escrita, acredito que Lesley Pearse tem mais para nos oferecer e que assim o fará.

Prefiro o título original - Gipsy - pois o livro nada tem de lamechas e o título em português pode sugerir tal... Precisamente o que me sucedeu com o primeiro romance.  Creio que as capas poderiam também ser outras! 

As suas 500 páginas passam pelos nossos olhos a uma velocidade tal que mais parece que estamos numa corrida de automóveis! Lesley Pearse consegue despertar em nós uma sede insaciável de querer saber mais, de querer chegar ao fim.

Misturando factos verídicos com ficção cria um romance que merece as minhas seis estrelas. Os usos e costumes de uma Inglaterra de 1900; a procura de melhores condições de vida e o sonho de enriquecer numa América por desbravar; o despertar numa realidade (Nova Iorque) totalmente diferente, onde os valores morais não são tão rígidos; a procura desenfreada de riqueza, de ouro mais propriamente; a miséria e a vontade de vencer a todo o custo; tudo se encontra aqui a par com o romance, o amor e o sonho de uma mulher.

As personagens atraem-nos e repelem-nos pelos seus comportamentos, suas paixões, grandezas e misérias. Retratos de uma sociedade dessa época descritos com uma mestria como poucos o conseguem fazer. Gostei muitíssimo! Creio que poderia ter continuação num outro volume, pois ficaram em aberto tantas hipóteses! Fica a sugestão...

Um livro para se ler e para se manter na nossa prateleira! Hoje, se tivesse de classificar os anteriores romances que li desta escritora, dar-lhes-ia nota 6...

Terminado a 12 de Março de 2012

Estrelas: 6*

Sinopse

Liverpool, 1893. Os sonhos de Beth são desfeitos quando ela, o irmão Sam e a irmã mais nova, Molly, ficam órfãos. As suas vidas, até então tranquilas e seguras, sofrem uma dramática reviravolta. Para escapar a um futuro de miséria e servidão, Sam e Beth decidem arriscar tudo, atravessar o Atlântico e partir à conquista do sonho americano. Mas Molly é demasiado pequena para os acompanhar e os irmãos vêem-se obrigados a tomar uma decisão que os marcará para sempre: deixá-la em Inglaterra, a cargo de uma família adoptiva. 
A bordo do navio para Nova Iorque não faltam vigaristas e trapaceiros, mas o talento de Beth com o violino conquista-lhe a alcunha de Cigana, a amizade de Theo, um carismático jogador de cartas, e do perspicaz Jack. Juntos, os jovens vão começar de novo num país onde todos os sonhos são possíveis. 
Para a romântica Beth, esta será a maior aventura da sua vida. Conseguirá a Cigana voltar a encontrar um verdadeiro lar? 

Uma história de amor incondicional e coragem sem limites. Um livro irresistível, da autora de Nunca me Esqueças, Procuro-te e Segue o Coração.

sábado, 14 de janeiro de 2012

A ponte invisível


Finalista do Prémio Orange 2011
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 800
Editor: Livraria Civilização Editora
ISBN: 9789722633369

Como começar este comentário? Sabem quando um livro nos enche as medidas e ficamos como que atordoados com tanta informação e riqueza? Esperava gostar bastante desta obra mas, efectivamente, superou em tudo as minhas expectativas.

1937/1945. Segunda Guerra Mundial. Antes e depois. Paris, Budapeste. Foi neste cenário que mergulhei, maravilhada pelo discurso escrito desta escritora que desconhecia, e horrorizada pelos crimes de que já tinha conhecimento mas que "senti" como se fosse a primeira vez. Assistimos ao começo das hostilidades contra o povo judeu, neste caso judeus húngaros.

O romance, o amor e a amizade estão presentes, muito presentes, em todas as suas páginas. Mas é algo de tão intenso e real que não se torna nada piegas, mas sim, verdadeiro. Como a solidariedade nas alturas de maior dor consegue imperar...

Outros dos aspectos que me fez dar as estrelas máximas (acho que o ano passado só dei um seis!) foi o facto de, ao mesmo tempo que nos embrenhamos na escrita sublime de Julie Orringer, nos apercebermos de que informação verdadeira vai-nos sendo fornecida sobre esse período negro da História Mundial. E aprendemos com isso. Não nos podemos esquecer de todos os judeus que, nascidos no lado errado da guerra (em países aliados da Alemanha nazi, como foi o caso da Hungria), sofreram também uma forte perseguição.

A história de uma família, contada em jeito de romance por um dos seus membros. A ler, sem sombra de dúvida! Para mim foram 800 páginas de puro deleite e, quando pensamos que a história está perto do seu final e que, por essa razão, se vai suavizar, somos atingidos com um murro no estômago. Um livro para quem gosta de um tema como a Segunda Guerra Mundial e saber mais sobre ela. Fantástico!

Terminado em 13 de Janeiro de 2012

Estrelas: 6*

Sinopse

Paris, 1937. Andras Lévi, estudante de arquitetura, chega de Budapeste com uma bolsa de estudo, uma única mala e uma carta misteriosa que prometeu entregar a Claire Morgenstern, uma jovem viúva que vive na cidade. Quando Andras conhece Claire, fica preso na sua vida secreta e extraordinária. Ao mesmo tempo, a tragédia começa a assolar a Europa, colocando-os num estado de terrível incerteza. De uma remota aldeia húngara às óperas grandiosas de Budapeste e Paris, do desespero do inverno nos Cárpatos a uma vida inimaginável em campos de trabalhos forçados, A Ponte Invisível narra a história de um casamento que sobrevive ao desastre e de uma família ameaçada de aniquilação e unida pelo amor e pela história.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A última testemunha de Auschwitz de Denis Avey


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 320
Editor: Clube do Autor
ISBN: 9789898452641

I-na-cre-di-tá-vel! Acho que nunca dei seis estrelas, mas este livro merece-o. Tenho tanto para dizer que as palavras surgem-me em catadupa, atropelando-se umas às outras... 

Recebo regularmente via email indicações de livros que estão a ser lançados em Any new books e, quando vi a capa deste livro (diferente desta, claro) soube que era um livro a ler mal ele saísse cá! Não me enganei e superou todas as minhas expectativas. 


É uma história verídica, que se lê como um romance, escrita na primeira pessoa. No entanto, preparem-se! Os horrores descritos são tais que muitas vezes dei por mim lá longe onde a descrição estava a acontecer. É uma história de vida onde a sorte esteve presente, sendo determinante para a sua sobrevivência, mas também a coragem, a força de carácter e a determinação. 


Assistimos ao "antes", "durante" e "depois" da II Guerra Mundial, ou seja, as vivências passadas pelo autor, soldado inglês, antes de ser capturado e preso como prisioneiro de guerra, tudo o que ele testemunhou e viveu num campo de concentração perto de Auschwitz e, depois, todos os traumas vividos de forma isolada finda a guerra. Mais não conto. Não poderia porque estaria a desvendar algo que merece ser lido e conhecido por todos nós, mas também, não o conseguiria porque não arranjo palavras para exprimir o que 300 páginas contêm...


PRECISAM DE LER ESTE LIVRO! Não é uma leitura fácil mas é necessária. Absolutamente.


Terminado em 5 Outubro

Estrelas: 6*

Sinopse


A Última Testemunha de Auschwitz é a história verdadeira e impressionante de um soldado britânico que entrou de livre vontade em Buna-Monowitz, o campo de concentração conhecido com Auschwitz III, para testemunhar na própria pele os horrores sofridos pelos judeus. 
Denis Avey era prisioneiro do campo de trabalho E715, próximo de Auschwitz III. Muito se ouvia falar da brutalidade aplicada aos prisioneiros judeus, mas Denis queria certificar-se de que os boatos eram de facto verdadeiros. Decidiu ir pessoalmente testemunhar tudo o que lhe fosse possível, colocando em risco a sua própria vida. Durante décadas, não conseguiu revisitar o passado, mas agora Denis Avey foi finalmente capaz de contar toda a história, oferecendo-nos uma visão única do íntimo de um homem cuja coragem é quase inacreditável.